sábado, 7 de janeiro de 2012

Paulistano se ofende com minhas opiniões

Um de meus esportes prediletos é filar capa de jornal. Às vezes eu compro uma ou outra coisa. A grana anda curta.
Dia desses eu estava na minha revistaria preferida, e dizia qualquer coisa à balconista dona Maria, nem lembro-me sobre qual assunto conversávamos.
No estabelecimento havia outra pessoa, que havia pego uma revista qualquer para levar, mas zanzava por ali, talvez matando o tempo, ou procurando outra coisa.
Aí, a dona Maria tascou um "só podia ser brasileiro", ou "só podia ser no Brasil", e eu retruquei, dizendo que, o certo seria "só podia ser paulista" ou, mais ainda, "só podia ser paulistano". Pois aquilo que comentávamos ocorrera em São Paulo.
Oras bolas! Que mania é essa de responsabilizar o País por tudo o que se faz. Moramos numa república federativa, cuja área é quase um continente. Somos quase 200 milhões em ação, em mais de 20 Estados. Cada um destes Estados tem suas populações e estas também podem ser subdivididas geograficamente e, vou dizer assim, culturalmente. Não é fascinante?
Pois bem. Sem me estender demais. Nem sei como continuar, aliás.
Já demonstrei - na sacanagem, claro - que, se o famoso "jeitinho brasileiro" é uma maneira de "se dar bem", basta identificar quem mais "se deu bem" - e disso se orgulha - para concluirmos o óbvio: São Paulo é o Estado mais rico da federação. Logo, é aquele que "se deu bem". De modo que eu posso dizer que não há "jeitinho brasileiro" como o "jeitinho paulista", aquele que mais apresenta resultados positivos. Gosetem ou não, é isso.
Aí perguntei, meio que para ninguém, por que culpar o país. Por que dizer "tinha que ser brasileiro", se podemos particularizar um pouco mais. O retrato ficaria mais fiel, mais preciso. "Só podia ser paulista mesmo."
Porque se orgulhar do que "deu certo" é fácil, não? Aqui é tudo bom, o resto do Brasil é que é uma merda. Excluam-nos fora dessa, finjam que não estamos aqui. Se o time tá ganhando, o mérito é meu. Coisas assim.
Pergunto: por que raios se pode falar do "brasileiro", no geral, mas não do paulista/ paulistano quando a situação permite? Parece um ponto nevrálgico. Um tabú. Mas paulistas e paulistanos não são brasileiros, por acaso?
OFENDIDINHO
O sujeito, que mantinha-se quieto, me interpelou, leve, mas visivelmente incomodado:
- Sou paulista. Paulistano. Da Moóca.
Que que ele queria? Um biscoito Scooby? Uma sardinha, Flipper?
Respondi:
- Eu também. Nasci e moro aqui desde sempre. E não vejo porque comemorar, não tenho motivo para me orgulhar disso.
Por quê?, ele quis saber.
- Por que deveria?, devolvi.
Ele não respondeu. Não ensinaram essa lição a ele, no módulo "Orgulho" do curso "São Paulo para os Paulistas".
Queria que eu me orgulhasse do que? Dos prédios da Paulista? De Higienópolis? Dos "nossos" restaurantes? Dos carros?
Ficou nisso. Ele abandonou a revista que ia levar. Dei prejú pra dona Maria. Paulistas e paulistanos não gostam de ser contrariados. Foda-se, belo. Gostei disso. Vou fazer mais.

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