sábado, 29 de dezembro de 2012

Dez fatos chocantes sobre os Estados Unidos da América


Apesar de se apresentarem ao mundo como defensores dos direitos humanos no seu país e em nível internacional, os Estados Unidos cometem uma série de violações que representam o desrespeito a milhares de estadunidenses, especialmente aos mais pobres e aos negros. Neste artigo, Antônio Santos, comenta dez fatos nesse sentido.
Antônio Santos, do Diário da Liberdade, Portugal.

1 - Os Estados Unidos têm a maior população carcerária do mundo. Apesar de compor menos de 5% da humanidade , tem mais de 25% da comunidade presa. Em cada 100 americanos, um está preso.
Desde os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controlo social: à medida que o negócio das prisões privadas se alastra como gangrena, uma nova categoria de milionários consolida o seu poder político. Os donos destes cárceres são também na prática donos de escravos, que trabalham nas fábricas no interior da prisão por salários inferiores a 50 centavos de dólar por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões, aprovando simultaneamente leis que vulgarizam sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar uma pastilha elástica. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres, mas sobretudo os negros, que representando apenas 13% da população americana, compõem 40% da população prisional do país.

2 - Cerca de 22% das crianças americanas vivem abaixo do limiar da pobreza
Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças americanas vivam sem "segurança alimentar", ou seja, em famílias sem capacidade econômica de satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não vão à universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos.

3 - Entre 1890 e 2012 os EUA invadiram ou bombardearam 149 países
É maior a quantidade dos países do mundo em que os EUA intervieram militarmente do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de 8 milhões de mortes causadas pelos EUA só no século XX. E por detrás desta lista escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de Estado (como no caso do Brasil em 1964 ) e patrocínio de ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, que conquistou o Nobel da Paz, os EUA têm neste momento mais de 70 operações militares secretas em vários países do mundo. O mesmo presidente criou o maior orçamento militar norte-americano desde a Segunda Guerra Mundial, batendo de longe George W. Bush.

4 - Os EUA são o único país da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade
Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos pela empresa, é prática corrente que as mulheres americanas não tenham direito a nenhum dia pago nem antes nem depois de dar à luz. Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo oferecem entre 12 e 50 semanas pagas em licença de maternidade. Neste aspecto, os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia com zero semanas.

5 - 125 americanos morrem a cada dia por não poderem pagar qualquer tipo de plano privado de saúde
Se não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de americanos não têm), então, tem boas razões para recear mais a ambulância e os cuidados de saúde que lhe vão prestar, que um inocente ataquezinho cardíaco. As viagens de ambulância custam em média 500 euros, a estadia num hospital público mais de 200 euros por noite, e a maioria das operações cirúrgicas situadas nas dezenas de milhares, é bom que possa pagar um seguro de saúde privado. Caso contrário, a América é a terra das oportunidades e como o nome indicam, terá a oportunidade de se endividar até às orelhas e também a oportunidade de ficar em casa, fazer figas e esperar não morrer desta vez.

6 - Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres que viviam em reservas índigenas, foram esterilizadas, contra sua vontade pelo governo americano
Esqueçam a história do Dia de Ação de Graças, com índios e colonos a partilhar placidamente o mesmo peru à volta da mesma mesa. A História dos Estados Unidos começa no programa de erradicação dos índios. Tendo em conta as restrições atuais à imigração ilegal, ninguém diria que os fundadores deste país foram eles mesmo imigrantes ilegais, que vieram sem o consentimento dos que já viviam na América. Durante dois séculos, os índios foram perseguidos e assassinados, despojados de tudo e empurrados para minúsculas reservas de terras inférteis, em lixeiras nucleares e sobre solos contaminados. Em pleno século XX, os EUA puseram em marcha um plano de esterilização forçada de mulheres índias, pedindo-lhes para colocar uma cruz num formulário escrito numa língua que não compreendiam, ameaçando-as com o corte de subsídios caso não consentissem o ato ou, simplesmente, recusando-lhes acesso a maternidades e hospitais. Mas que ninguém se espante, os EUA foram o primeiro país do mundo a levar a cabo esterilizações forçadas ao abrigo de um programa de eugenia, inicialmente contra pessoas portadoras de deficiência e mais tarde contra negros e índios.

7 - Todos os imigrantes são obrigados a jurar não ser comunistas para poder viver nos EUA
Para além de ter que jurar que não é um agente secreto nem um criminoso de guerra nazi, vão-lhe perguntar se é, ou alguma vez foi membro do "Partido Comunista", se tem simpatias anarquista ou se defende intelectualmente alguma organização considerada "terrorista". Se responder que sim a qualquer destas perguntas, ser-lhe-á automaticamente negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por "prova de fraco carácter moral".

8 - O preço médio de um curso superior numa universidade pública é 80 000 dólares
O ensino superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente todos os estudantes têm dívidas astronômicas, que acrescidas de juros, levarão em média 15 anos a pagar. Durante esse período os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo muitas vezes forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos e ainda assim sobreviver. O sistema de servidão completa-se com a liberdade dos bancos de vender e comprar as dívidas dos alunos a seu bel-prazer, sem o consentimento ou sequer a informação do devedor. Num dia deve-se dinheiro a um banco com uma taxa de juro e no dia seguinte, pode-se dever dinheiro a um banco diferente com nova e mais elevada taxa de juro. Entre 1999 e 2012, a dívida total dos estudantes americanos ascendeu a 1,5 trilhões de dólares, subindo assustadores 500%.

9 - Os EUA são o país do mundo com mais armas de fogo por habitante: para cada 10 americanos, há 9 armas
Não é de espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior coleção de armas. O que surpreende é a comparação com o resto do mundo: no resto do planeta, há 1 arma para cada 10 pessoas. Nos Estados Unidos, 9 para cada 10. Nos EUA podemos encontrar 5% de todas as pessoas do mundo e 30% de todas as armas, qualquer coisa como 275 milhões. E esta estatística tende a se extremar, já que os americanos compram mais de metade de todas as armas fabricadas no mundo.

10 - Há mais americanos que acreditam no Diabo do que os que acreditam em Darwin
A maioria dos americanos são cépticos; pelo menos no que toca à teoria da evolução, em que apenas 40% dos norte-americanos acredita. Já a existência de Satanás e do inferno, soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos americanos. Esta radicalidade religiosa explica as "conversas diárias" do ex-presidente Bush com Deus e mesmo os comentários do ex-candidato Rick Santorum, que acusou os acadêmicos americanos de serem controlados por Satã.

( PRAVDA )

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Nos EUA intensificam-se vendas de armas e munições

 
Nos EUA tem sido registrado um brusco crescimento da venda de carregadores para a espingarda automática AR-15.
Nos três últimos dias, os americanos adquiriram à companhia de armas de fogo Brownells uma quantidade de carregadores igual a que se vende, por via da regra, num período de 3,5 anos.
O volume de vendas aumentou intensamente após o presidente Obama ter apoiado a idéia de proibição de armas semi-automáticas e de carregadores que contenham mais de 10 cartuchos.
Sob este pano de fundo, verificou-se a queda de ações das empresas produtoras de armas de fogo apesar do aumento da procura, sobretudo, para as espingardas tipo AR-15 ( VOZ DA RUSSIA )

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

"Após décadas viajando pelo Oriente Médio, fiquei convencida de que a região precisa se livrar da interferência ocidental", diz historiadora brasileira



entrevista
ISLÃ EM PERSPECTIVA


Primeiros séculos da era cristã, Europa em ruínas. Enquanto o velho continente agonizava em crises profundas, o Império Islâmico vislumbrava um esplendor civilizatório sem preceden-tes. Não apenas pela conquista de vastos territórios – que se estendiam da península ibérica à Índia –, mas também por reunir os mais sofisticados conhecimentos disponíveis então. Foram os árabes os grandes herdeiros da sabedoria grega. Também foram eles os compiladores e tradutores das principais obras persas, mesopotâmias, egípcias e hindus. Para os estudiosos, o islã é muito mais do que sugere a fugacidade noticiosa de nossos dias. "Temos em geral uma visão distorcida do islamismo, originada em uma simplificação que deturpa completamente o que é essa civilização e essa cultura."
São palavras da historiadora e cientista política Beatriz Bissio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em outubro, ela lançou o livro O mundo falava árabe [ Civilização Brasileira ] durante o
36º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), em Águas de Lindoia (SP) ( ver ‘Diálogos e reflexões’, nesta edição ). É uma elegante narrativa sobre a história do islã a partir de dois auto-res clássicos do século 14: Ibn Khaldun (1332-1406), destacado historiador que, para alguns, inaugurou o pensamento sociológico islâmico, e Ibn Battuta (1304-1368), viajante que percorreu longas distâncias do norte da África à Ásia e registrou em detalhe o que viu em suas andanças. Da comparação entre esses dois registros – do historiador e do viajante – Bissio oferece ao leitor um olhar tão refinado quanto profundo acerca do florescer da civilização islâmica.
HENRIQUE KUGLER |
CIÊNCIA HOJE | RJ

BEATRIZ BISSIO

No Brasil, poucos são os escritos sobre o islã. Qual foi sua motivação para lançar O mundo falava árabe?
Escrevi o livro porque quis aprofundar meus conhecimentos sobre o assunto. Sou também jornalista, e por duas décadas viajei para cobrir a realidade do Oriente Médio e do norte da África. Vivenciei as guerras do Líbano e do Iraque, a questão Israel-Palestina, entre outros temas, na Argélia, Líbia e Egito. Fui uma das fundadoras da revista Cadernos do Terceiro Mundo, em Buenos Aires, em 1974, e sediada no Brasil a partir de 1980. Viajava regularmente ao Oriente Médio e à África, e o islã era sempre um dado da realidade sobre a qual escrevia. Admirava profundamente a cultura, mas, por nunca tê-la estudado em profundidade, sentia que a minha visão ficava muito restrita aos fatos do cotidiano, nem sempre compreensíveis sem a perspectiva da história. Iniciei um estudo mais sistemático, e disso resultou minha tese de doutorado, defendida na Universidade Federal Fluminense [UFF], posteriormente adaptada em livro.

Por que escolheu Ibn Khaldun e Ibn Battuta como personagens centrais de seu estudo? Quem são esses autores?
Quis estudar a civilização islâmica a partir do olhar de seus próprios autores, e a obra de Ibn Khaldun, historiador que nasceu em Túnis ( atual Tunísia ) no século 14, não pode ser ignorada. Ele foi provavelmente o autor islâmico mais representativo de seu tempo. Minha orientadora [ Vânia Leite Fróes, da UFF ] foi quem sugeriu estabelecer uma espécie de contraponto entre os escritos de Ibn Khaldun e os relatos de seu contemporâneo Ibn Battuta, um viajante que ao longo de quase
40 anos percorreu longas distâncias pelos vastos domínios do Império Islâmico.

Por que Khaldun é considerado tão importante?
Suas reflexões, traduzidas em vários trabalhos, são extremamente complexas e sofisticadas. Sua obra-prima, os Prolegômenos (Muqaddimah), é considerada o momento fundacional do pensamento sociológico islâmico. Não é uma obra tradicional de história, como as que eram comuns até então, limitadas a narrar cronologias de dinastias. Ibn Khaldun inaugura um estudo que visa o entendimento das causas dos fenômenos históricos e, mais do que isso, os estudos sobre a sociedade humana.
Moderno para a época, não?Extremamente moderno. É uma descoberta para o Ocidente que um pensador islâmico, no século 14, tenha trabalhado questões que vieram a ser estudadas, no mundo ocidental, somente dois séculos depois. Ao teorizar sobre estado, autoridade e poder, Ibn Khaldun antecipa [Thomas] Hobbes [1588-1679] e [Jean-Jacques] Rousseau [1712-1778]. Fez também descrições detalhadas da relação entre o ser humano e os demais seres vivos. Uma riqueza é a obra de Ibn Khaldun.

E quanto a Ibn Battuta?
Viajou durante quase 40 anos, por um território equivalente ao que hoje seriam 46 países. O mundo islâmico era alicerçado pela língua árabe; o viajante poderia sair do Marrocos, percorrer toda a Ásia central e chegar à China falando árabe! Era a língua franca da época ( daí o título de meu livro ). Ibn Battuta era juiz em Tanger ( atual Marrocos ) e iniciava sua viagem de peregrinação à Meca, obrigação de todo bom muçulmano. Mas, ao se desprender de seu país e de seu entorno, descobre que tem uma paixão pela aventura, pelo conhecimento, por desvendar os mistérios do mundo – e vai sempre acrescentando novos desafios à sua jornada. Acaba fazendo três vezes a peregrinação. Quando retorna à sua terra, depois de décadas, já havia uma espécie de lenda em torno dele, o viajante que nunca aparece. Pensavam que tinha morrido. A corte o recebeu muito bem, e o califa estava interessadíssimo em conhecer o mundo pelos relatos daquele viajante que percorrera, por tanto tempo, os domínios daquele que fora o maior império na época medieval. Ávido por incorporar a sabedoria da valiosa fonte de informações que era Ibn Battuta, encomendou um relato escrito dessas viagens. Assim nasceu a Rihla [ em tradução livre, ‘jornada’], uma obra fascinante. Na época já havia uma tradição de literatura de viagens – que se tornou um gênero literário nas letras árabes. Isso se deu principalmente em função da obrigatoriedade da peregrinação à Meca. Onde pernoitar? Que cuidados tomar? Que alimentos serão encontrados pelo caminho? Como planejar o retorno? Naquele tempo, criou-se uma tradição literária em torno dessas questões. No caso de Ibn Battuta, porém, o relato ganhou dimensões muito mais expressivas, pois sua viagem foi a jornada de toda uma vida. Mas ele percebeu que não teria condições de produzir um texto com a beleza estilística que esse tipo de depoimento exigia. Então ditou suas memórias a um poeta, que deu forma definitiva ao livro. O resultado é muito interessante: um verdadeiro relato etnográfico. Descreve a estrutura social dos locais por onde passou, as vestes, a culinária, os hábitos, as relações de poder, as interações entre homens e mulheres, as formas de se pensar e viver a religião... Trata-se de um documento histórico e antropológico da maior importância.

Sua análise desses relatos se insere no campo da história, da antropologia ou da sociologia?
Não é formalmente uma obra histórica, nem sociológica, nem antropológica. É transdisciplinar. O objetivo é, ao cruzar as reflexões de Khaldun e Battuta, conhecer melhor o Islã. É interessante mencionar que Khaldun vivenciou o poder ‘por dentro’. Foi ministro, escriba, embaixador, diplomata. Também esteve na prisão, caiu em desgraça, viveu no exílio. E algumas perguntas o inquietavam: qual é o ciclo do poder? Como e por que nascem e se desenvolvem os impérios? Sua família, muçulmana originária da península ibérica, teve de migrar para o norte da África quando os reinos cristãos avançaram sobre terras muçulmanas. Esses reinos haviam ficado reduzidos ao norte da península ibérica, mas conseguiram finalmente se reestruturar e avançar rumo ao sul – a região ficara por sete séculos e meio sob domínio islâmico. Ibn Khaldun quis entender como aquele islã ibérico, tão sofisticado e tão ‘superior’ à civilização dos reinos cristãos da época, foi derrotado e expulso da região ( o último reino muçulmano na península ibérica, Granada, foi conquistado pelos reis de Castela, Isabel e Fernando, em primeiro de janeiro de 1492 ).

E quanto aos ‘ciclos do poder’, Ibn Khaldun chegou a alguma resposta?
Sim. Ele entende que a conquista de poder é obra de uma geração com grande ‘espírito de corpo’ (assabiyah – neologismo que ele criou para se referir a algo como ‘coesão interna’ de um grupo). Esse espírito estava presente quando os árabes, logo após a morte de Maomé, em 632, iniciaram a conquista do enorme território que se estendia do Atlântico à Índia. Para Ibn Khaldun, a geração responsável pelas conquistas é dotada de notável ‘espírito de corpo’. A segunda geração, que já nasce no poder, é muito influenciada pela experiência dos pais; sabe quanto custou a conquista; e constrói alicerces para permanecer no poder. Mas a terceira geração nasce em berço esplêndido; por relatos dos pais e avós, ela tem, sim, alguma referência sobre como foi dolorosa e sangrenta a conquista; mas já está distante desse esforço; é mais seduzida pela vida da corte, pelas benesses do poder; perde aos poucos a perspectiva de manutenção de unidade interna. A quarta geração, por sua vez, não tem mais a coesão das primeiras; já está seduzida pelas benesses do poder, entregue, vulnerável. Isso levou Khaldun a inferir que, em geral, o poder segue um ciclo de 120 anos. Mas não é um ciclo fechado, pois ele dizia que “a história não se repete”. Afinal, ao longo de cada ciclo há acumulação de conhecimento. Portanto é uma progressão; ele imaginou um ciclo em espiral. Enquanto isso, Ibn Battuta nos dá uma visão etnográfica daquele mundo que Ibn Khaldun estudou tão sistematicamente. Esses relatos nos apresentam um momento da história em que o Islã, que tinha sido um grande império, um grande poder, a grande referência civilizatória do mundo conhecido ( excetuando-se a China ), passa a perder sua unidade política. Depois de ter atingido seu ápice civilizatório – tendo reunido, preservado e moldado com seus próprios valores o legado da Pérsia, da Grécia, da Índia e de outros povos longínquos – questionava-se sobre seu futuro. Aliás, deve-se destacar que o Império Islâmico foi o grande herdeiro do conhecimento dos gregos. Em geral não nos lembramos disso.

Foi pelos árabes que o conhecimento greco-romano chegou à Europa. O império islâmico, portanto, exerceu papel importante para o Renascimento?
Com certeza. Muitos autores já não têm dúvidas de que os principais herdeiros do legado grego foram os árabes. E pelos árabes esse conhecimento chegou ao Ocidente, principalmente no período em que a península ibérica foi conquistada pelos reinos cristãos – que encontraram grandes bibliotecas e iniciaram um novo ciclo de traduções. O primeiro havia sido nos primórdios do império islâmico, com traduções do sânscrito, do persa, do copta e do grego para o árabe; o segundo, agora, do árabe para o latim e para as línguas vernáculas. Em Bagdá, no século 9, os califas haviam fundado uma instituição que chamaram de Casa da Sabedoria (Bait al-hikma), espécie de universidade que também funcionava como grande centro de traduções ( ainda existe, mas foi praticamente destruída na invasão de Bush ao Iraque ). Em um empreendimento que demorou mais de 200 anos, mais de 300 tradutores rentados pelo estado como ‘funcionários públicos’, trabalhando simultaneamente na maior empreitada dessa magnitude da história humana, traduziram para a língua árabe manuscritos vindos de todas as regiões do império. Os califas perceberam que, com tantas conquistas, eles tinham passado a ser os guardiões de um enorme legado civilizatório – das tradições da Índia, Grécia, Bizâncio, Pérsia e tantas outras. Daí a decisão de criar esse grande centro de estudos, que foi a Casa da Sabedoria. Assim foram traduzidas obras gregas, hindus e persas, por exemplo, nos campos da astronomia, matemática, geografia, literatura, filosofia...

Na Europa do século 9, ainda não existiam universidades, que passaram a ser sistematizadas a partir do século 11. O Islã estava mais adiantado nesse aspecto institucional?
Pois é. A mais antiga universidade europeia, se não me engano, é a de Bolonha, que data do final do século 11. No caso do mundo islâmico, no início do século 8 a extensão do império criava enormes desafios de administração e comunicação – eram incentivados estudos em todos os terrenos do saber.
No Império Islâmico, havia conflito entre a busca do conhecimento e a tradição religiosa?No Islã, diz-se que conhecer é preciso. Há um velho ditado segundo o qual “o conhecimento deve ser procurado, mesmo que ele esteja na China”. Exige-se que o bom muçulmano contribua para a construção de uma sociedade justa – e para isso deve-se conhecer a sociedade humana. Não há sociedade justa sem estudo e sem conhecimento; portanto estudar era parte da formação do muçulmano. É interessante destacar que, dentro do enorme território que o Islã dominava, havia relacionamento harmonioso entre muçulmanos, cristãos e judeus. Boas relações entre essas religiões perduraram até o século 20. Não quero fazer um retrato cor-de-rosa, como se nunca tivesse havido problemas. Mas, se pensarmos em uma cronologia, o tempo histórico de convívio harmonioso entre essas três religiões monoteístas foi muito maior do que o tempo de confrontos. Essa harmonia, aliás, está ancorada no Corão: as religiões monoteístas, com seus costumes e práticas, devem ser respeitadas. Mas a interferência ocidental do século 19 utilizou minorias religiosas cristãs para destruir o tecido social construído ao longo dos séculos. Potências ocidentais ( notadamente os britânicos e os franceses ) tinham um projeto político de dominação para a região do Oriente Médio, como ficou comprovado com as decisões adotadas após o fim da Primeira Guerra Mundial. Como consequência da Conferência de Paris – que definiu os termos da paz –, os britânicos passaram a dominar, direta ou indiretamente, a Palestina, além da atual Jordânia, o Iraque e a maior parte da península arábica ( e permaneceram no Egito, que já estava sob domínio inglês desde o final do século 19 ). Os franceses, por sua vez, ocuparam a Síria e o Líbano. Também mantiveram e ampliaram sua presença na parte mais ocidental do norte da África ( a Argélia tinha sido conquistada nas primeiras décadas do século 19 ). Lembrar esses episódios é um exercício muito importante para entendermos o momento atual.

Quais são suas impressões acerca da imagem que os meios de comunicação costumam transmitir quando o assunto é o islã?
É uma visão totalmente deturpada e reducionista, originada ou por desconhecimento ou por interesses que procuram denegrir essa civilização. Ou pelas duas coisas. Após décadas viajando pelo Oriente Médio e pelo norte da África, fiquei absolutamente convencida de que, para construir um futuro diferente, a região precisa se livrar da interferência ocidental. Os povos podem cometer erros, antes de encontrar seus caminhos; mas que sejam seus próprios erros. O petróleo é o problema fundamental. A questão energética nos permite entender por que o Oriente Médio não consegue viver em paz.
O seu livro se destina a acadêmicos ou ao grande público? Sou jornalista, portanto a marca de minha escrita é a do jornalismo. Por outro lado, o livro resulta de minha tese de doutorado, e por isso apresenta relativa profundidade. Quanto à linguagem, se fosse necessário escrever hermeticamente para fazer uma tese, bem, definitivamente eu estaria fora (risos). Jamais saberia escrever “difícil”. Ficaria muito feliz se o livro atingisse um público amplo, interessado em um entendimento mais correto da civilização islâmica.


domingo, 23 de dezembro de 2012

UFO? Argentinos passam por “anomalias temporais” em rodovia do país



A Rota Nacional 5 é uma importante Estrada da Argentina que une as províncias de Buenos Aires e La Pampa.
Mas um trecho em particular de 35 km, ligando as cidades de Lonquimay e Anguil é marcado por relatos de motoristas que se sentem desorientados, e parecem dirigir por vários quilômetros sem perceber. Os ufólogos locais alertam os motoristas sobre “anomalias temporais” do local.
O blog Inexplicata oferece uma tradução de uma notícia local sobre o assunto:
“Dois homens jovens cujos trabalhos os fazem viajar pela Rota Nacional 5 regularmente entre as comunidades de Catriló e Santa Rosa relataram terem se sentido “desorientados” durante a viagem em três ocasiões diferentes. Após vários minutos terem se passado, eles perceberam que continuaram a viagem sem nenhum problema, mas sem se lembrar da distância que haviam percorrido”.
“Isso aconteceu em três diferentes momentos em épocas diferentes, tanto à tarde quanto ao entardecer, sem explicação aparente. Joel, um dos protagonistas da estranha história, contou ao CEUFO que eles conversavam normalmente até certo ponto e repentinamente ficaram desorientados, sem ideia do que havia acontecido com eles, mas quando reagiram, eles perceberam que haviam percorrido vários quilômetros sem qualquer memória de terem feito isso”.
“O trecho da estrada onde este suposto incidente ocorreu era um segmento de cerca de 35 km entre as cidades de Lonquimay e Anguil. Ele parou em um posto de serviço para perguntar onde ele estava, já que não tinha a menor ideia de como havia ido parar lá, embora tenha imaginado estar dirigindo na estrada. O motorista continuou sua jornada na área em questão, sentindo-se desorientado mais uma vez. Ele chegou à localidade de Toay sem saber como ele cumpriu a viagem”.
O acontecimento ficou muito conhecido e virou uma fonte de discussão entre moradores de Lonquimay e seus arredores, mas não foi abordado pela mídia.
Por esta razão, o Centro de Estudos de Óvnis publicou um comunicado:
“Pessoas dirigindo pela Rota Nacional 5, especialmente no segmento entre as localidades de Lonquimay e Anguil, e aqueles que possam ter sentido anomalias temporais, devem por favor relatá-las imediatamente ao CEUFO, pois estamos recebendo relatos de três casos em diferentes horas e dias no último mês”. ( JORNAL CIÊNCIA )

Avô ‘fantasma’ aparece em foto do batizado da neta e assusta família




Uma avó britânica ficou atordoada ao conferir o álbum de fotos do batizado da sua netinha. Heather Sewell, de 50 anos, notou que, em um dos registros, a imagem de um fantasma pairava na igreja. E mais: o espírito é ‘a cara’ de seu marido, morto há 17 anos.
- Isso me chocou quando vi a foto. O fantasma se parece muito com meu falecido marido. Na verdade, foi um pouco perturbador ver seu rosto - disse a mulher, de Kent, Inglaterra, ao site ‘The Sun’
Todos da família ficaram assustados com a fotografia, feita na Igreja de St. Martin. Terry morreu aos 41 anos, após se enforcar.
- Eu tentei me convencer de que não era Terry... mas é tão convincente que eu acredito que seja. Ele tinha um rosto comprido, assim como o fantasma, e tem o mesmo estilo de cabelo que Terry tinha. O espírito é também da mesma altura que ele... Eu acredito que há muitas coisas no mundo que não podemos explicar... - refletiu.

O custo oculto dos presentes de natal



Por George Monbiot
Publicado no
www.monbiot.com
Traduzido por Isis Reis, do Canal Ibase

Não há nada de que precisem, nada que já não possuam, nada até que eles queiram. Então você compra para eles uma rainha acenando, movida a energia solar; uma escova para o umbigo, um suporte prateado de sorvete para a banheira; um "hilário” andador inflável; um produto de plástico com funções eletrônicas chamada Terry, a tartaruga que xinga; ou – e de alguma forma eu acho isso relevante – um mapa-mundi de parede para eliminar os países já visitados.
Eles parecem divertidos no primeiro dia de Natal, idiotas no segundo e vergonhosos no terceiro. Até o décimo segundo eles estão no aterro. Por trinta segundos de entretenimento duvidoso, ou um estímulo hedonista que não dura mais do que um trago de nicotina, comissionamos o uso de materiais cujos impactos vão ser sentidos por gerações.
Fazendo pesquisa para seu filme "A História das Coisas”, Annie Leonard descobriu que dos materiais que circulam na economia de consumo, apenas 1% permanece em uso seis meses após a venda. Mesmo os bens que poderíamos ter esperado manter, logo são condenados à destruição, seja por obsolescência programada (quebrando rapidamente) ou obsolescência percebida ( se tornando fora de moda ).
Mas muitos dos produtos que compramos, especialmente para o Natal, não podem se tornar obsoletos. O termo implica uma perda de utilidade, mas eles não tinham utilidade desde o início. Uma camisa eletrônica que simula sons de bateria, um cofrinho falante do Darth Vader; uma capa de iPhone em forma de orelha, uma latinha que resfria embalagens individuais de cerveja, um decantador de vinho eletrônico, uma chave de fenda sônica que também é controle remoto; creme dental de bacon; um cão dançante: não se espera que ninguém os use ou mesmo olhe para eles após o dia de Natal. Eles são projetados para provocar agradecimentos, talvez um risinho ou dois, e depois serem jogados fora.
A fatuidade dos produtos é acompanhada pela profundidade dos impactos. Materiais raros, eletrônicos complexos, a energia necessária para a fabricação e transporte é extraída e refinada e combinada em compostos de inutilidade total. Quando você leva em conta os combustíveis fósseis cujo uso comissionamos em outros países, a fabricação e o consumo são responsáveis por mais da metade de nossa produção de dióxido de carbono. Estamos ferrando o planeta para fazer termômetros de banho movidos a energia solar e enfeites de mesa de bonequinhos golfistas.
As pessoas no leste do Congo são massacradas para facilitar atualizações de smartphones de utilidade marginal sempre decrescente. Florestas são derrubadas para fazer "tábuas de queijo personalizadas em forma de coração”. Rios são envenenados para a produção de peixes falantes. Este é o consumo patológico: uma loucura coletiva epidêmica que consome o mundo, tornada tão normal pela publicidade e pelos meios de comunicação que mal percebemos o que aconteceu conosco.
Em 2007, segundo o jornalista Adam Welz registra, 13 rinocerontes foram mortos por caçadores ilegais na África do Sul. Este ano, até agora, 585 rinocerontes foram baleados. Ninguém está inteiramente certo por quê. Mas uma resposta é que pessoas muito ricas no Vietnã estão agora espalhando chifres de rinocerontes em sua comida ou cheirando-os como se fossem cocaína, para exibir sua riqueza. É grotesco, mas pouco difere do que quase todos nos países industrializados estão fazendo: destruindo o mundo vivo através do consumo inútil.
Esse boom não aconteceu por acidente. Nossas vidas foram encurraladas e moldadas a fim de incentivá-lo. As regras do comércio mundial forçam os países a participar do festival de lixo. Governos cortam impostos, desregulam negócios e manipulam as taxas de juros para estimular o consumo. Mas raramente os engenheiros dessas políticas param e perguntam "gastar em quê?”.
Quando cada desejo e necessidade concebíveis forem cumpridos ( entre aqueles que têm dinheiro disponível ), o crescimento depende da venda daquilo que é totalmente inútil. A solenidade do Estado, o seu poder e majestade, são aproveitados para a tarefa de entregar Terry, a tartaruga que xinga, em nossas portas.
Homens e mulheres adultos dedicam suas vidas à fabricação e comercialização deste lixo, e sacaneiam a ideia de viver sem ela. "Eu sempre tricoto os meus presentes”, diz uma mulher em um anúncio de televisão para uma loja de eletrônicos. "Bem, você não deveria”, responde o narrador. Um anúncio para o mais recente tablet do Google mostra pai e filho acampando na floresta. Sua fruição depende das características especiais do Nexus 7. As melhores coisas da vida são de graça, mas nós encontramos uma maneira de vendê-las para você.
O crescimento da desigualdade que tem acompanhado o boom de consumo garante que a maré econômica ascendente não levante todos os barcos. Nos EUA, em 2010, notáveis 93% do crescimento nos rendimentos foram acumulados para o 1% mais rico da população. A velha desculpa, que temos que destruir o planeta para ajudar os pobres, simplesmente não cola. Para algumas décadas a mais de enriquecimento para aqueles que já possuem mais dinheiro do que sabem como gastar, as perspectivas de todos os outros que viverão nesta terra são diminuídas.
Quando o mundo enlouquece, aqueles que resistem são denunciados como loucos . Asse um bolo, escreva um poema, dê um beijo, conte uma piada, mas pelo amor de Deus, pare de destruir o planeta para dizer a alguém que você se importa. Tudo o que você mostra é que não se importa. ( BLOG RONALD MANSUR )


Pesquisador compila dados do governo americano e mostra que lavouras transgênicas levaram a aumento no uso de agrotóxicos

 
Em outubro último a revista científica Environmental Sciences Europe publicou a primeira pesquisa revisada por pares analisando o impacto das lavouras transgênicas sobre o uso de agrotóxicos, utilizando dados do Serviço Nacional de Estatística Agrícola (NASS, na sigla em inglês) do Departamento de Agricultura do governo dos EUA (USDA).
A pesquisa é assinada pelo Professor Charles Benbrook, da Washington State University, nos EUA. Para analisar os dados, Benbrook desenvolveu um modelo capaz de quantificar, por cultura e por ano, os impactos sobre o uso de agrotóxicos das seis maiores culturas transgênicas do país durante o período de 16 anos: milho, soja e algodão tolerantes à aplicação do herbicida glifosato; milho Bt tóxico à lagarta-do-cartucho; milho Bt tóxico à lagarta-da-raiz-do-milho; e algodão Bt tóxico a insetos da ordem Lepidoptera.
Os dados oficiais mostraram que as lavouras tolerantes à aplicação de herbicida levaram a um aumento de 239 milhões de kg no uso de herbicidas nos EUA entre 1996 e 2011, enquanto as lavouras tóxicas a insetos (Bt) reduziram a aplicação de inseticidas em 56 milhões de kg.
No cômputo geral, constatou-se um aumento no uso de agrotóxicos aplicados da ordem de 183 milhões de kg entre 1996 e 2011 (cerca de 7%). O uso geral de agrotóxicos em 2011 foi cerca de 20% maior em cada hectare plantado com uma variedade transgênica, em comparação ao uso de agrotóxicos em áreas plantadas com sementes convencionais. Especificamente sobre lavouras tolerantes a herbicidas, os números indicam que, em 2011, o volume de herbicidas aplicados foi 24% maior nas lavouras transgênicas do que nas áreas onde são plantados cultivos não transgênicos.
Em declaração publicada pelo jornal New York Times, Benbrook afirmou que “o motivo pelo qual os agricultores adotaram a tecnologia tão rapidamente foi que, nos primeiros anos, ela funcionou muito bem”. Segundo o pesquisador, os dados do USDA mostram que nos primeiros seis anos de uso comercial as lavouras transgênicas tolerantes a herbicidas ou tóxicas a insetos reduziram o uso de agrotóxicos em cerca de 2%.
Entretanto, como era previsto (e foi exaustivamente alertado), após esses primeiros anos, duas dúzias de espécies de plantas invasoras tornaram-se resistentes ao glifosato, e muitas delas estão se espalhando rapidamente, o que tem levado os agricultores a aumentar as quantidades, tanto de glifosato, como de outros herbicidas utilizados para controlar as chamadas “super-ervas-daninhas” – incluindo venenos antigos e mais tóxicos que a tecnologia de tolerância a herbicidas prometia substituir. Milhões de hectares nos EUA estão infestados com mais de uma planta invasora resistente ao glifosato, o que tem elevado o uso de herbicidas em 25% a 50%, aumentando, ao menos na mesma proporção, os custos com o controle do mato.
Para Benbrook, a magnitude do aumento no uso de herbicidas nas lavouras transgênicas anulou a redução do uso de inseticidas nas lavoras Bt nos últimos 16 anos, e isso continuará a acontecer no futuro.
Em suas conclusões, o autor da pesquisa ressalta que a realidade contraria a repetida afirmação de que as lavouras transgênicas reduzem o uso de agrotóxicos, relembrando que a solução proposta pelas indústrias de biotecnologia-sementes-agrotóxicos para responder à disseminação de ervas invasoras resistentes ao glifosato é o desenvolvimento de novas variedades transgênicas tolerantes a múltiplos herbicidas, incluindo o 2,4-D e o dicamba (para quem não se lembra, o 2,4-D era um dos componentes do Agente Laranja, desfolhante utilizado pelo exército americano na Guerra do Vietnam que provocou milhares de mortes e malformações em mais de 500 mil crianças; no Brasil, a CTNBio já autorizou o plantio experimental de soja tolerante ao 2,4-D).
Benbrook afirma que esses herbicidas antigos representam riscos ambientais e à saúde notavelmente maiores do que o glifosato. Nos EUA, o milho tolerante ao 2,4-D aguarda autorização. Segundo Benbrook, sua aprovação poderá levar a um aumento adicional de 50% no uso do herbicida nas lavouras de milho.
Com relação às lavouras tóxicas a insetos cabe ressaltar que, de acordo com dados citados no estudo, o volume de toxinas Bt produzidas por hectare por plantas de milho e algodão transgênicas excede, em quase todos os casos, o volume de inseticidas substituído pelo plantio da variedade Bt. Por exemplo, o milho Bt desenvolvido para eliminar a lagarta-da-raiz-do-milho e outros insetos próximos expressa de 0,6 a 2,8 kg de toxinas Bt por hectare, ao passo que dispensou apenas cerca de 0,2 kg de inseticida por hectare. O milho transgênico chamadoSmartStax, que sintetiza três proteínas tóxicas à lagarta-do-cartucho e três proteínas tóxicas à lagarta-da-raiz-do-milho, produz cerca de 4,2 kg de toxinas Bt por hectare, 19 vezes mais que a taxa média convencional de aplicação de inseticidas e m 2010.
O pesquisador alerta ainda que as lavouras de milho e algodão Bt tóxicas a insetos estão também provocando o aumento de insetos resistentes e começam a reverter a tendência de queda no uso de inseticidas. À agência de notícias Reuters, Benbrook declarou que “a relativamente recente emergência e dispersão de populações de insetos resistentes às toxinas Bt expressas no milho e no algodão transgênicos já começaram a provocar aumento no uso de inseticidas, e continuarão a fazê-lo”. Em entrevista, ele explicou que, “para que os insetos que atacam o milho e o algod&atilde ;o parem de desenvolver resistência à toxina Bt, agricultores que plantam variedades transgênicas estão sendo orientados a pulverizar os inseticidas que o milho e o algodão Bt foram projetados para substituir”.
Entre as conclusões da pesquisa, o autor alerta que os níveis de glifosato e de toxina Bt no ambiente, na alimentação animal e nos alimentos destinados ao consumo humano aumentaram substancialmente, criando uma miríade de novas vias de exposição. Para ele, muitas novas pesquisas serão necessárias para traduzir essa maior exposição aos venenos em riscos para os humanos, os animais e o meio ambiente.
Com informações de:
- Major US Study Shows that GM Crops Have Caused Increase in Pesticide Use – Third World Network Biosafety Information Service, 29/10/2012.
- Superweeds, Superpests: The Legacy of Pesticides – New York Times website, 05/10/2012.
Reuters, 02/10/2012.
- Summary of Major Findings and Definitions of Important Terms – “Impacts of genetically engineered crops on pesticide use in the U.S. – the first sixteen years” by Charles M. Benbrook – Washington State University, 01/10/2012.
O artigo “Impacts of genetically engineered crops on pesticide use in the U.S. – the first sixteen years” (Published in Environmental Sciences Europe, Vol. 24:24 doi:10.1186/2190-4715-24-24, 28 September 2012.) está disponível na íntegra no site da revista Environmental Sciences Europe: http://www.enveurope.com/content/pdf/2190-4715-24-24.pdf
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Primeiro Mundo News: França estuda proibição total do consumo de álcool para motoristas

O Conselho francês da segurança nas estradas estuda a proibição total do consumo de álcool para os motoristas entre 18 e 24 anos de idade. A medida visa diminuir os acidentes automobilísticos, muito mais frequentes nessa faixa etária. Associações temem que projeto seja apenas simbólico.
Em entrevista publicada nesse domingo na imprensa francesa, o responsável do governo sobre as questões ligadas à segurança nas estradas, Frédéric Péchenard, afirmou que a proibição total do consumo de álcool pelos motoristas será discutida com as autoridades do setor. Atualmente, a França tolera uma taxa de álcool inferior a 0,5 g por litro de sangue. Se o projeto for aprovado, só passará no teste do bafômetro quem não apresentar nenhum vestígio de bebida alcoólica no organismo.
A medida deve ser submetida ao Conselho nacional de segurança nas estradas e visa principalmente os jovens entre 18 e 24 anos de idade. Segundo Péchenard, “essa faixa etária representa 25% dos mortos nos acidentes automobilísticos e o consumo de álcool está envolvido em 40% dos acidentes mortais” dessa categoria.
No entanto, as associações não acreditam que a proibição total seja a solução contra os acidentes. Para Alexis Capitant, diretor da associação Empresa e Prevenção, a medida é simbólica, pois “na maioria das vezes a mortalidade ligada ao álcool nas estradas envolve pessoas que apresentam uma quantidade de bebida no sangue três vezes superior ao autorizado”.
Alguns países do leste europeu, como a Romênia e a RepúblicaTcheca, já aplicam a tolerância zero para seus motoristas. O abuso do álcool é responsável por 25% das 30 mil mortes registradas anualmente nas estradas do velho continente, de acordo com as estatísticas do Observatório Europeu das Drogas e Toxicomania (OEDT).
O responsável do governo francês também alerta para a necessidade correr menos nas estradas. Para Péchenard, mesmo se nos últimos dez anos a velocidade no volante reduziu em média 10km/h, o resultado ainda é insuficiente. Para policiar os mais apressados, 200 novos radares serão instalados no país, elevando para 4200 o número de aparelhos de controle no território francês. ( RFI )


Nem o Paraíso é perfeito: Suécia é o "último país europeu" a não estabelecer limites ao uso de celulares ao volante, reclama associação

Enviar SMS ao volante continua a ser legal na Suécia
O Governo sueco anunciou hoje a sua intenção de manter a permissão para escrever mensagens de texto enquanto se conduz, apesar da luta travada pela principal associação de automobilistas na Suécia para proibir esta prática.
"O Governo não vai introduzir nenhuma interdição explicita à utilização das tecnologias, quer se trate de GPS ou de telemóveis", afirmou num comunicado o ministro sueco das Infraestruturas, Elmsater-Svard, lembrando que, no entanto, a lei permite aos polícias reprimir as imprudências ao volante, seja qual for a causa.
"O Governo considera que é necessário aumentar a consciencialização quanto aos riscos a ter quando se está ao volante. A lei deve também evitar o uso imprudente de dispositivos de comunicação", disse o ministro acrescentando que em 2013 o Governo vai considerar maneiras de melhorar as leis jurídicas.
A associação sueca de automobilistas luta há vários anos contra esta prática generalizada e quer tornar obrigatório o uso de kits de mãos livres. "A Suécia é o último país europeu que ainda não tem regulamentos que estabeleçam limites quanto à utilização de telemóveis ao volante", lamentou a associação, que cita ainda os dados estatísticos que demonstram que entre 10 a 20 pessoas morrem a cada ano na Suécia devido ao uso de telemóveis durante a condução.
Uma pesquisa do instituto 'Sifo', em novembro de 2009, revelou que 34% dos suecos usam o telemóvel ao volante sem kit de mãos livres, sendo que 77% eram a favor de uma legislação que proibisse tal ato.  ( DN )


sábado, 22 de dezembro de 2012

Árvore de Natal já foi motivo de discórdia entre católicos e protestantes


Durante séculos, o símbolo natalino foi distintivo entre católicos e protestantes, estes inicialmente depreciados como adeptos da "religião da árvore de Natal". No século 19, o símbolo espalhou-se rapidamente pelo mundo.
 
A aconchegante cena faz bater mais forte os corações dos protestantes da Alemanha: Martinho Lutero sentado ao lado de sua família, numa confortável sala, em torno de uma pequena árvore de Natal decorada.
Lutero e família na noite de Natal de 1536, em Wittenberg: assim o artista Carl August Schwerdgeburth, de Weimar, intitulou sua gravura. Porém o quadro que o tornou conhecido no século 19 não passa de uma mentira.
Difundida pela guerra
"Lutero jamais se sentou ao lado de uma árvore de Natal", sentencia o etnólogo Alois Döring, de Bonn. Pelo contrário: o reformador alemão nem mesmo conhecia esse símbolo, pois os primeiros registros de uma festa com um pinheiro decorado remetem ao final do século 16, quando a autoridade de uma localidade da Alsácia mandou montar a primeira árvore de Natal.
A coisa só virou moda na Alemanha pelos idos de 1800, quando as famílias protestantes passaram a adotar o pinheiro como decoração caseira para o Natal. E mais tarde declararam tratar-se de uma boa e velha tradição luterana.
"Os católicos zombavam do culto a Lutero da mesma forma que do costume da árvore de Natal", explica Döring. Aliás, uma das expressões sarcásticas com que denominavam o protestantismo era "a religião da árvore de Natal".
Mas isso não durou muito tempo, pois já no fim do século 19 o pinheirinho também conquistaria as salas de estar católicas. Decisiva para sua difusão foi a guerra franco-prussiana de 1870, conta o etnólogo. "Na época, por ordem das lideranças militares [alemãs], árvores de Natal foram dispostas nas trincheiras, como sinal dos laços com a pátria."
Ao que tudo indica, a ideia espalhou-se rapidamente pelo mundo. Pois a primeira árvore pública, exposta numa praça e enfeitada com guirlandas, foi registrada no Natal de 1910, não na Alemanha, mas sim em Nova York. Com a propagação do símbolo para além dos limites das confissões, desapareceu gradualmente a lenda de Martinho Lutero.
Lenda do paganismo
Em compensação, até hoje circula o boato que esse costume da árvore decorada proviria de culto pagão. Ledo engano. Segundo pesquisas mais recentes, a árvore natalina viria dos autos medievais sobre o Paraíso, onde, no dia 24 de dezembro, se erguia a "Árvore do Bem e do Mal", sob a qual era encenada a queda de Adão e Eva.
"Do lado que simbolizava a Redenção, a árvore era enfeitada com maçãs e outras guloseimas; do outro lado, pecaminoso, não havia nada", descreve o estudioso de Bonn.
Após os cultos religiosos, os fiéis podiam se servir da decoração. E nesse caso, assim como nos "autos do Presépio" e nas festas a São Nicolau, muitos católicos deixavam de lado a moral e os bons costumes.
A Martinho Lutero desagradava o apelo sensorial da adoração dos santos na Igreja Católica. Ele queria recolocar Jesus Cristo no centro das festividades e por isso inventou a figura do "Cristo Sagrado", em concorrência a São Nicolau. E durante muitos anos, nas regiões protestantes da Alemanha, era o "Cristo Sagrado" a presentear as crianças, acompanhado por anjos.
Avanço do ecumenismo
No decorrer dos séculos, a figura se transformou no angélico "Menino Jesus", lembra Döring. Mas como essa imagem talvez fosse infantil demais, criou-se no século 19 o Papai Noel, uma espécie de "Nicolau remodelado". Hoje não é mais possível dizer se essa figura nasceu da fantasia dos protestantes ou dos católicos.
"Muitos de nossos costumes natalinos são, hoje, transconfessionais", afirma Alois Döring. Justamente na época do Advento e do Natal, o etnólogo tem observado, nos últimos anos, numerosas ações ecumênicas; católicos e protestantes promovem concertos e festas em conjunto.
"As Igrejas reconheceram que têm que fazer algo, se é para o Natal ser mais que consumo, vinho quente e luzes decorativas", diz Döring. "E isso funciona melhor quando se trabalha junto, e não em concorrência." ( DW )



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Al Shabab, o primeiro clube de futebol muçulmano do Brasil


Um time para o Islã 
Primeiro clube de futebol muçulmano do Brasil, o Al Shabab foi criado para unir esporte e religião. Os jogadores não comem carne de porco e trabalham conciliando os horários dos treinos e das orações.
São Paulo – No país do futebol, a religião costuma ficar de fora dos gramados. Os times se enfrentam em suas cores e torcidas, mas o sagrado raramente entra em campo, a não ser na hora de agradecer pela vitória alcançada. No Al Shabab, entretanto, as coisas funcionam de maneira diferente e a religião, no caso o Islã, ocupa um espaço importante na vida dos jogadores do clube, que é o primeiro time de futebol muçulmano do Brasil.
O clube foi criado em maio deste ano pelo empresário Gaber Arraji. Filho de libaneses e seguidor do islamismo, Arraji diz que já vinha observando há alguns anos a ausência de jogadores muçulmanos no cenário nacional. Teve, então, a ideia de montar um time cuja base fosse formada por adeptos da religião. Com o apoio do ex-jogador do Atlético do Paraná Gustavo Caiche, o projeto tomou forma e começou a ser divulgado nas escolas islâmicas, até aparecerem os primeiros jogadores.
Hoje, o Al Shabab, que em árabe quer dizer “Os Jovens”, conta com 78 atletas, todos abaixo dos 20 anos. No grupo, apenas 12 são muçulmanos, mas as regras dos treinos e da convivência entre os atletas seguem os princípios da religião islâmica, que incluem orações, controle na alimentação e respeito aos colegas.
“As pessoas que não são muçulmanas respeitam os horários de reza que os jogadores fazem. A parte de alimentação hoje é bem controlada, porque o muçulmano não come carne de porco. A mistura entre muçulmanos e não muçulmanos é muito harmônica, até cria curiosidade entre eles de saber mais sobre a religião”, revela Arraji, que agora é o presidente do clube.
O grupo conta ainda com um xeque, responsável por fazer as orações antes dos treinamentos. “Alguns chegam até a querer saber um pouquinho mais para se reverter ao Islã”, diz Arraji sobre os jogadores não muçulmanos. Os muçulmanos chamam a conversão de seguidores de outras religiões de “reversão”, pois eles acreditam que a adoção do Islã significa o retorno a um estado natural do ser humano. “A gente encaminha material de divulgação, não impomos nada a ninguém. Indicamos algum livro, algum site”, explica.
À parte das orações e da alimentação, a religião influi ainda no comportamento dos jogadores. “A doutrina islâmica passa a ser atuante dentro e fora do campo. A relação de respeito, amor ao próximo. Logicamente que o futebol é um esporte de contato, é violento em algumas situações, mas não faz com que você denigra a imagem do outro, o chamar de burro, esse tipo de ofensa entre os jogadores não tem, e se tiver, eles são punidos, com flexão, agachamento”, revela o presidente.
Copa São Paulo
Atualmente o clube se prepara para disputar a Copa São Paulo de Juniores, que ocorrer em janeiro de 2013. Como ainda não é filiado à Federação Paulista de Futebol (FPA), o time fez uma parceria com o São José, do interior do estado, para ter direito a uma vaga na disputa. O Al Shabab vai ocupar a vaga do clube do Vale do Paraíba no torneio.
Até o início da disputa, os 30 jogadores inscritos estão treinando no estádio municipal do Guarujá, no litoral paulista. “Nossa pretensão é ser um clube federado e entrar na disputa de alguns campeonatos. Se a parceria com o São José der certo, nós participamos com eles do campeonato paulista da série A2. Nós temos essa intenção, mas vai depender muito do ajuste entre o Al Shabab e o São José e da ajuda da comunidade islâmica, porque futebol sem dinheiro não anda. Nós precisamos despontar dentro da comunidade para que lá fora a gente possa fazer bonito também”, avalia Arraji.
Sem sede própria, o Al Shabab busca por patrocínios para começar a crescer. O presidente do clube diz que já iniciou conversações com algumas empresas. “Uma é do ramo têxtil e as outras são entidades islâmicas que estão querendo ajudar de alguma forma. A gente dá preferência para empresas muçulmanas ou árabes que queiram apoiar e patrocinar o time”, afirma.
“Acho que o Al Shabab tem que andar com suas próprias pernas daqui por diante. Estamos tentando atingir um nível bom de competição para que a gente possa oferecer isso lá pra fora, para ver se algum time islâmico ou árabe do exterior passe a adotar a gente como um time irmão aqui. Daí a gente passa a correr atrás de um centro de treinamento próprio. O maior interesse do Al Shabab hoje é fazer intercâmbio de jogadores, mandar jogadores daqui do Brasil para os países árabes e trazer também”, revela o empresário.
Aos poucos, o clube vem conquistando um apoio fundamental para qualquer time de futebol: a torcida. “O Facebook hoje é uma arma muito boa, o pessoal já está pedindo camisa do time, pedindo pra saber quando serão os jogos. A gente consegue mandar para eles o cronograma de ações dos nossos jogos, as camisas estão sendo confeccionadas agora, justamente pelo acerto dos patrocínios, e acredito que num futuro bem próximo as mesquitas vão poder comercializar os produtos do Al Shabab para a comunidade” diz Arraji.
Os jogadores
De família evangélica, Eduardo Carrilho, 18 anos, já treinou no Botafogo de Ribeirão Preto e chegou ao Al Shabab indicado por um amigo. “A gente aprende um pouco da cultura deles, mesmo não sendo muçulmano”, afirma. Ele diz não se incomodar com os hábitos religiosos do clube. “São os costumes deles e temos que respeitar.”
Carrilho espera que a disputa em janeiro possa trazer novas oportunidades à sua carreira. “Espero ter uma boa atuação na Copa São Paulo e conseguir um clube maior. A Copa São Paulo é uma vitrine”, aponta.
Depois de treinar em três clubes tradicionais, Jabaquara, São Caetano e Santos, Mohammed Orra, 17 anos, está há sete meses no Al Shabab. Muçulmano, ele destaca as diferenças entre o clube atual e os anteriores.
“A programação é diferente. No Ramadã ( mês sagrado nos quais os muçulmanos jejuam durante o dia ), teve treino à noite para não jogarmos de barriga vazia”, revela. “A alimentação é diferenciada, carne de porco não tem. E os treinos nunca batem com a reza para dar tempo de fazer os dois”, diz.
Dentro de campo, porém, futebol é sempre futebol. “A atuação é a mesma aqui ou em qualquer clube. É igual a todos”, completa.
( ANBA )

Bancos dos EUA lavam dinheiro do narcotráfico

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou que os bancos JP Morgan, HSBC, Wells Fargo e Bank of America estão envolvidos em um esquema de “lavagem” massiva de dinheiro junto a cartéis do narcotráfico que atuam no México e EUA. A investigação oficial foi apresentada na Corte Federal de Nova York, onde o Departamento de Justiça denunciou o envolvimento dos bancos com os cartéis do Zetas e de Sinaloa.
Entre as principais denúncias, está a comprovação de que em 2008 o banco inglês HSBC “lavou” US$1,1 bilhão do cartel de Sinaloa, dinheiro que foi remetido posteriormente aos EUA. Segundo o documento, “em 2007, e-mails de empregados do HSBC descreveram um esquema massivo de lavagem de dinheiro executado por empregados e executivos da diversas sucursais do banco no estado de Sinaloa”. A operação de lavagem de dinheiro envolvendo o HSBC, equivale a 32% do recebimento efetivo de dólares por suas filiais no México.
Por sua vez, o JP Morgan, principal banco dos EUA, está envolvido em um dos casos de lavagem de dinheiro do narcotráfico mais conhecidos. Segundo o Departamento de Justiça, o banco lavou US$600 mil do cartel dos Zetas através de uma conta no banco, que foram transferidos de Nuevo Laredo, no México, para os EUA.
O Bank of América e o Wells Fargo, segundo e quarto bancos em importância nos EUA, também estão envolvidos em lavagem de dinheiro do narcotráfico envolvendo dinheiro remetido aos EUA para empresas fantasmas através de contas falsas em suas filiais no México.
Segundo o Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (UNODC), o narcotráfico move cerca de US$ 300 bilhões por ano.
Para Antonio Maria Costa, ex-diretor executivo da UNODC, a cifra coloca o narcotráfico em destaque no mundo, e acrescenta que “a crise financeira reduziu a liquidez, e a sede por dinheiro fresco se tornou uma oportunidade de ouro” para as máfias do sistema financeiro. O especialista afirma que a grande massa desse tipo de fundos se movimenta nos EUA e Europa. Para a entidade, após as intervenções dos EUA na Colômbia com o “Plano Colômbia”, e com a guerra criminosa contra o Afeganistão, a produção de cocaína e ópio, respectivamente, tiveram aumento significativo. ( HORA DO POVO )

domingo, 16 de dezembro de 2012

"A Indústria da Multa Não Existe", em: "Falei ao calular, bati meu carro, mas não mudo meu hábitos. Afinal, a CET não existe e tudo é permitido!!"

Multas por uso de celular ao volante caem na capital
Redução foi de 20% entre 2010 e 2012; para especialistas, fiscalização é ruim e tecnologia atrapalha
O número de multas aplicadas a motoristas que usam o celular ao volante sofreu uma queda de 20,1% em dois anos na capital. Em 2010, a média mensal foi de 39.429, contra 31.488 neste ano. Os dados são da CET ( Companhia de Engenharia de Tráfego ).
Para especialistas em trânsito e transporte, a redução se deve à dificuldade em aplicar as multas por conta das estratégias usadas pelos motoristas e também pela falta de fiscalização. A CET diz manter o rigor na fiscalização ( leia texto nesta página ).
Para Dirceu Rodrigues Alves Junior, diretor da Abramet ( Associação Brasileira de Medicina de Tráfego ), a redução de multas é reflexo da fiscalização. "Além disso, seria necessária uma punição severa. O motorista precisa lembrar da multa antes de usar o celular outra vez."
Pela lei atual, a infração é média: multa de R$ 85,13 e quatro pontos na carteira.
Para Sergio Ejzenberg, engenheiro e mestre em transportes pela Escola Politécnica da USP, vidro escurecido, fone de ouvido e viva-voz tem dificultado a vida dos marronzinhos ( * ), mas são estratégias perigosas para driblar a fiscalização. "O motorista liga o 'piloto automático' para o trânsito e fica com a atenção na conversa", afirma.
ESCRITÓRIO NO CARRO
Especialistas alertam de que, por mais que o motorista queira otimizar seu tempo, o carro não pode ser transformado em um escritório ( ** ), já que a pressa causa acidentes - e mortes.
"Infelizmente, a cultura para a tecnologia introduzida no veículo tem um objetivo maior de transformá-lo em escritório", diz Alves Júnior.
"A coisa mais valiosa que existe para uma pessoa é o tempo ( sic ). Ao otimizá-lo, usa o celular ao volante", diz Ejzenberg.
"IH! BATI O CARRO! EU JÁ TE LIGO!"
Foi dessa forma que a promotora de eventos Telma Cascello, 31 anos, reagiu ao beter seu carro em uma noite de Páscoa, na Radial Leste, enquanto falava ao celular.
"Achei ( sic ) que o carro da frente estivesse andando e só percebi que todo mundo estava parado após bater ( sic, sic )." Teve prejuízo de R$ 2.000. "Foi culpa minha. Mas a motorista em que bati não percebeu que eu estava ao celular."
Ela mora no Tatuapé ( zona leste ) e trabalha na Vila Olímpia ( zona oeste ). "Perco três horas por dia no trânsito ( *** ), preciso fechar eventos e acabo usando o celular", diz ela, que tem dois aparelhos.
A fisioterapeuta Priscilla Gomes dos Santos ( **** ) , 29 anos, levou uma batida neste ano ao furar o semáforo vermelho na av. Paulista - ela mandava mensagem pelo celular. "Achei ( sic!!! ) que o semáforo estava verde para mim, mas estava para o pedestre ( !!!!! ). Por sorte ( sic, etc... ) não atropelei ninguém."
Resposta
FISCALIZAÇÃO PERMANECE RÍGIDA, DIZ CET
A CET informou que mantém o rigor na fiscalização do uso de telefones celulares por motoristas. Segundo a companhia, a menor quantidade de infrações em 2012 "pode estar relacionada às novas tecnologias disponíveis", como rádios, viva-voz e os fones de ouvido.
Ainda segundo o órgão, são "fatores que dificultam a visualização dessa infração" por parte dos marronzinhos.
A CET afirma que que a recomendação ( SIC!! )  de não falar ao celular na direção é sempre reforçada em cursos e palestras oferecidos pelo Departamento de Educação de Condutores da companhia. O setor é ligado ao Cetet ( Centro de Treinamento e Educação no Trânsito ).
Segundo a companhia, entre os fatores que levam a acidentes de trânsito pela falta de concentração dos motoristas estão: usar o celular ao volante, ter sono, fumar ou comer dirigindo, ouvir música alta dentro do carro, distrair-se com filmes em DVD e consumir bebidas alcoólicas.
 
Notas e comentários do blog:
 
(  *  ) "Dificultado a vida" dos escassos amarelinhos e marronzinhos, eles deveriam dizer. Tem essa aqui também, de 2010, que é bem taxativa: número irrisório de amarelinhos. Notem a comparação entre Sampa e Cidade do México ( apesar do texto falar em "menos de 5000" o nosso efetivo, a verdade é que não devemos chegar nem aos 3000. Li isso em algum lugar, outro dia. );
 
( ** ) Esqueço de levar em conta a exploração profissional que sofremos hoje em dia, levando-nos a trabalhar fora do expediente;
 
(***) Essa conversa de perder tempo no trânsito, bom, será conveniente também considerar que muitos dos acidentes são causados por atitudes como essa tratada na reportagem, que causam mais trânsito, que leva mais pessoas a guiar e falar ao celular, o que leva a acidentes, o que prejudica mais e mais o trânsito, levando mais e mais pessoas a falar ao celular e guiar... Entendeu a bola de neve se formando?;
 
(****) Longe de mim sugerir o boicote aos serviços das profissionais citadas na matéria, certo? Que a consciência de vocês, leitores, lhes diga qual direção tomar... 
 
 
BÔNUS:
 
E o que tanto falam? O quê, de tão urgente, que seja obrigatório atender naquele momento?
Não repondam: eu achei as respostas!!! Como não pensei nisso antes?

FLAGRAS:
Caso 1
Cidadão transitando numa avenida de bairro de classe-média paulistana. Ouve-se o seguinte:
- Não… Olha, viu…!? Eu estou dirigindo e não posso falar agora!! Viu, ô!! Tchau! NÃO, NÃO, NÃO… Eu NÃO estou fazendo pouco caso de você! Por favor, solte os reféns agora! Eu ficarei no lugar deles, vai… NÃO!! NÃO atire nela, eu estou chegando!!!
Obviamente, é o tipo de situação que estamos cansados de ver por aí, e sua gravidade e urgência justificam falar ao celular enquanto se guia.
Caso 2
Outro cidadão, de São Paulo, trava o seguinte diálogo ( do qual só conhecemos sua parte, mas não a do seu interlocutor ):
- Não… Olha, viu!? Eu estou dirigindo e não posso falar agora!! Viu, ô!! Tchau! NÃO, NÃO, NÃO… OLHA, eu já estou chegando ao hospital, vão fazendo o seguinte: pega a cabeça da criança, com calma, põe a tala no pescoço e imobiliza do peito para baixo… É… e tira prego que pode infeccionar… ISSO!! Já estou chegando!!!
Um óbvio caso de “vida ou morte”, e as decisões têm de ser tomadas ali, no calor do momento. Não se pode criticar esse motorista.
Caso 3
Também em São Paulo, onde coisas muito esquisitas acontecem, prá Jack Bauer nenhum botar defeito:
- Não… Olha, viu!? Eu estou dirigindo e não posso falar agora!! Viu, ô!! Tchau! NÃO, NÃO, NÃO… OLHA, eu já estou chegando ao local, vão fazendo o seguinte: pega o alicate… ISSO!! O de bico!! É…! Pega e localiza o fio verde… Já? ÓTIMO! Do lado do fio verde, tem o azul, não tem? ALÔ!! “Não tem”?!! Como assim? Aimeudeus!! Então o fio vermelho??! AH, tá! É… esqueci que os albaneses é que usavam esse tipo de detonador! Os fios verde e vermelho, é mesmo… Os nigerianos são meio antiquados, mesmo!! ISSO, corta o fio vermelho, que eu já estou chegando… Mantenham as barreiras e não deixem nenhum civil chegar perto…”
Não se pode obrigar alguém, dedicado a salvar o mundo de ameaças horrendas, que acate leis que impeçam seu ofício, não é?
 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Criando personagens ( 1 )

Quando não estou pensando em nada, minha cabeça se encarrega de fazer algo por - e para - si mesma. Sabe aquelas pessoas que ficam rabiscando papéis, sem forma e nem objetivo, só pra matar o tempo? Então, comigo acontece outra coisa: chegam-me à mente personagens, pessoas que não existem e que terão vida fugaz. Ou seja, não duram nada. Às vezes eu rabisco a inspiração no papel e vou a delineando, entusiasmadamente, por meio de palavras-chave e, depois, perco o papel. Às vezes é só um nome, noutras é uma ação à espera de um sujeito. Por exemplo, vejam o caso do menino RUBINHO:
 
RUBINHO
Rubens nasceu, e foi ser um menino normal. Recebeu o apelido carinhoso de "Rubinho". Aos 6 anos, começou a imitar motores de carro:
- Brrummmm! Vraaammmm!
O pai, fanático por carros como todo brasileiro - quem diz isso são os postos Ipiranga - já se anima todo:
- Aí, tá vendo só? Vai gostar de carro que nem eu.
O pai já fazia os planos: ensinaria o moleque a dirigir quando ele completasse 14 anos e lhe daria um carro de presente quando fizesse 18.
No Natal, os tios deram pro Rubinho uma réplica do Batmóvel, com Batman ao volante e o Robin no banco de passageiros. Era da Guliver, se não estou desmemoriado.
O moleque ficou todo feliz e foi brincar com o presente. Depois voltou e apontou pro Robin:
- Esse, quem qui é?
- Esse daí? Esse é o Robin.
- Eu sou ele, então.
Os parentes se entreolharam, cabreiros. Depois anuíram que o menino se identificou com o ajudante do herói por causa do nome parecido com o seu ( Rubens = Robin ).
- É. Deve ser por isso.
Sempre que faziam compras no supermercado, os pais botavam o menino dentro do carrinho de compras. E lá ia ele, imitando motor:
- Vrrraaaaaaammmm...
Outro dia, a família foi passear no parque de diversões:
- Vamos levar ele no carrinho bate-bate?
- Isso. Aí, ele já vai aprendendo algumas coisas.
Mas, estranhamente, quando foi apresentado ao volante, Rubinho começou a abrir o berreiro.
_ Que que foi, Rubinho?
- Não quelo! BUAAAA!
Seria medo de quê?, perguntaram-se os pais. Vai ver, medo de dar trombada. Pode ser.
Tinham ido de ônibus, e voltavam de taxi. E Rubinho só de olho no taxista.
- Aí, tá vendo? - cochichou o pai para a mãe.
- É, Tá só estudando como faz para dirigir, respondeu ela.
- Meu garoootooo! - disse o pai.
Tempos depois esse arroubo de aprovação paternal sofreu um abalo. Levaram Rubinho para cortar o cabelo. O cabeleireiro sugeriu para botarem o Rubinho naquele assento que é um tipo de carrinho de corrida, com volante e tudo, e o Rubinho se recusou.
- Que estranho!
- É...
( *** )
Passou o tempo, e o pai quis cumrpir o que tencionara anos antes. Rubinho já estava com 14 anos. Era hora de aprender a dirigir.
Mas Rubinho sempre dava um jeito de fugir do pai:
- Hoje não dá, eu tenho prova amanhã.
- E amanhã?
- Tem prova também.
- E depois?
- Também.
Qualquer pai ficaria orgulhoso de ter um filho tão estudioso. Mas o pai de Rubinho ficou mesmo é com a pulga atrás da orelha.
- Já descobri!!!
- O que?, perguntou a mulher.
- Ele tem fobia de volante! Já li sobre isso num folheto de auto-escola!
- Deixa ele! Ele quer estudar! Tem que comemorar, isso sim!
- Mas...
- "Mas", o quê???
- Lembra da empolgação dele com o Batmóvel, com ele dentro do carrinho de compras?
- Lembro.
- E até daquele ônibus de lata vermelho que seu pai deu pra ele no aniversário?
- Lembro sim. Acho que eu nunca vi ele tão feliz.
- Então, minha filha...
- "Então" uma vírgula! Deixa ele estudar e seguir o curso natural das coisas.
- Pensando bem, você tem razão.
- Tenho mesmo, né?
- É. Quando começar a andar atrás das franguinhas ele vai perceber a necessidade de saber dirigir...
- Ora, seu...! Ririri!!
( *** )
Passou o tempo, e nada do Rubinho tirar carteira de motorista, para profunda decepção do pai.
No entando, quando iam pra algum lugar, Rubinho não parecia ter ojeriza de automóveis ( era um temor do pai, o Rubinho virar um desses "bichinhas" inimigos de automóveis e do progresso ). Ia tranquilo, falante, no banco do passageiro, ou no banco de trás, se a situação exigisse.
Um dia pai e filho tiveram, por um motivo que eu não lembro agora, que ir a algum lugar, de ônibus. E o pai percebeu que o filho ficava muito à vontade nesse tipo de transporte. Na volta, de taxi, teve a mesmo impressão. O filho ia olhando pela janela, bastante tranquilo, não importa se estivesse o maior congestionamento ou o trajeto fosse feio.
Já em casa, notou que o filho, vidrado em vídeo-games, não tinha sequer um único jogo que tivesse automóveis. Nem unzinho, tipo Rally-X.
E, depois de pensar muito durante a insônia que lhe acometera naquela noite, descobriu o porquê: Rubinho não gostava de dirigir. Gostava era de ser o passageiro. Que nem o Robin.
 
 

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