segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sócrates, um sonho da Ponte Preta, Por Ariovaldo Izac

( Mas antes, uma breve nota introdutória. Se não quiser, passe direto. )
Graças à folga do trabalho que tive hoje, em pleno dia seguinte à conquista corintiana e ao triste falecimento do Dr.Sócrates, pude acompanhar programas futebolísticos matutinos, esperando pelas cenas dos jogos de ontem - mas sabendo que seria também inundado pelos óbvios comentários sobre a "mágica e sofredora torcida corintiana" que é a única torcida de futebol no Universo que sofre quando ganha e faz disso uma ferramenta de marketing chata pra cacete. Sofrer no futebol, acho eu, é não ganhar. Pergunte a qualquer torcedor da antiquíssima equipe da Ponte Preta de Campinas, que nunca viu seu time ser campeão de nada. Esses não são fiéis, correto?
Aqui cabe um parêntesis: é fato raro eu gastar algum tempo com jornalismo futebolístico como fiz agora pela manhã, seja pela tevê, jornais ou rádio; não acompanho futebol rotineiramente como talvez pareça, e posso dizer que, se assisti a uns 10 ou 15 jogos este ano foi muito, inclusive de outros times que não o Palmeiras. Eventualemnte, eu passo deste ponto.
Ontem ocorreu algo que me obrigou a passar deste ponto, que foi justamente o passamento de Sócrates. Assístiamos um jornal na ESPN logo cedo, que estava sendo apresentado pelo excelente Flávio Gomes e outro rapaz que não lembro o nome. Ao meu lado, minha mãe pergunta em quais clubes o Sócrates atuou. Sem ficar em dúvida, tasquei: Botafogo de Ribeirão Preto, Corínthians, Fiorentina da Itália e Flamengo. Fiquei meio na dúvida: passou pelo Santos também, não foi?
E, finalmente, surgiu a lembrança remota ( talvez estivesse delirando até ) duma ocasião em que houve boatos de que Sócrates seria trazido para a acima citada Ponte Preta de Campinas. Me parece que seria por intermediação do Luciano do Valle. Resolvi que, se fosse falar do Sócretes, eu certamente teria que passar ao largo do repetitivo. Nada contra, mas não me interessa tanto.
Uma rápida busca no Gugol Encyclopaedia levou-me ao texto do glorioso Ariovaldo Izac ( conheci seus textos no Hora do Povo ) no BLOG DO ARI, baseado no site Futebol Interior, que trata do episódio "Sócrates na Ponte Preta". É o que vocês verão a seguir. Esteja em bom lugar, Doutor.



Sócrates, um sonho da Ponte Preta

Talvez a última aparição do ex-jogador Sócrates em televisão tenha sido no programa ‘Megasenha’ da Rede TV, aos sábados, há cerca de um mês. O curioso é que ele se esborrachou de rir quando apresentou a senha de sogra para que o desafiante definisse a opção do jogo e a resposta foi ‘dragão’. Enquanto ria compulsivamente, Sócrates perdia preciosos segundos para apresentar nova pista visando a resposta do desafiante.
Antes disso, no dia 8 de agosto, o blog mostrou um texto voltado essencialmente à contratação da Ponte Preta por Sócrates. Pra não repetir ganchos sobre a vida de Sócrates até a sua morte na madrugada deste domingo, aos 57 anos de idade, segue abaixo reprodução textual daquela coluna.
Há datas que a gente jamais esquece, uma delas o nascimento de um filho. Como minha filha nasceu em 8 de agosto de 1985, é fácil associar outro fato marcante daquele dia na história do futebol de Campinas: o anúncio da contratação de quem nunca foi de fato contratado pela Ponte Preta, caso do Dr. Sócrates.
Sidnei Verginelli, o Sidão, na época fanático torcedor pontepretano, carregou Sócrates nos ombros e uma multidão saudou a chegada do craque da Seleção Brasileira em Campinas. Seria uma arrancada decisiva para a Ponte Preta se consolidar como grande clube do futebol brasileiro.
FRUSTRAÇÃO
Inesperadamente os pingos não foram colocados nos devidos ‘is’ e a transferência naufragou. Sócrates preferiu jogar no Flamengo do amigo Zico e companhia, e restou à Ponte a frustração de um ambicioso plano ter fracassado.
Sócrates estava apagadão na Fiorentina e o Consórcio Luque, numa tacada de mestre, traçou um plano para que retornasse ao Brasil, e com contrato no time de coração de um dos sócios daquela empresa, o radialista Luciano do Valle.
O projeto consistia na venda de 30 mil carnês a 300 mil cruzeiros cada aos torcedores pontepretanos, para 13 jogos naquela temporada. Não se assustem com os números, porque na época a inflação galopava diariamente e a moeda corrente era o cruzeiro.
Pela projeção natural, a comercialização desses carnês seria doce de coco, face a empolgação da torcida com o salto de qualidade projetado à equipe.
“Assino um contrato de risco. E como sócio do novo projeto, estou sujeito a perder se as coisas não derem certo”, foi a posição de Sócrates à TV Bandeirantes, durante o extinto programa ‘Show do Esporte’, exibido aos domingos das 11h às 20h.
No Flamengo, nem de longe Sócrates reviveu a fase memorável de Corinthians, por causa das contusões. A última ‘tacada’ do então jogador foi no Santos, em 1988.
A estréia foi numa jornada de gala, quando marcou um gol de cabeça, encantou com os toques de calcanhar e jogadas objetivas. Na sequência não manteve a regularidade.
ARIOVALDO IZAC

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