domingo, 27 de novembro de 2011

"A Indústria da Multa não Existe" em: "As pessoas não obedecem às leis de trânsito por sentirem-se superiores às demais", diz intelectual. "Superiores não obedecem", afirma.

Abaixo, um longo trecho extraido da reportagem "PSICÓLOGOS DA RUA", publicada na revista Planeta, na edição de Novembro agora. A parte dos psicólogos não me interessa, só o que transcrevi a seguir. Não concordo com tudo o que está escrito ali como, por exemplo, que tanto motoristas quanto pedestres "desrespeitam as regras" já que, no próprio texto, reconhece-se que os pedestres são vistos como "cidadão sem direito", mostrando que as regras são injustas e pró-automóvel, excludentes portanto, dos pedestres que "atrapalham o trânsito" dos carros. Assim, os pedestres, se quiserem pertencer à "aristocracia", deverão simplesmente deslocar-se de carro. E também não sou um fã ou leitor regular de Roberto DaMatta.
Mas leiam, sim?
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Autor do livro Fé em Deus e Pé na Tábua - Ou Como e Por Que o Trânsito Enlouquece no Brasil ( Ed.Rocco ), o antropólogo Roberto DaMatta afirma que a origem do comportamento individualista e violento do motorista deriva da formação cultural do Brasil, país com origem escravista que se tornou republicano privilegiando a aristocracia. Ocorre que, em terras tupiniquins, o automóvel é visto e usado como instrumento de poder, dominação e divisão social. Enquanto nos demais países o espaço ´público pertence a todos, aqui os pedestres são cidadãos sem direito de exercer a cidadania e a igualdade de direitos em relação a um espaço que é de todos. A suposta aristocracia motorizada considera os transeuntes como obstáculos que atrapalham o trânsito.
Os pedestres, por sua vez, também desrespeitam as leis e atravessam a rua com o sinal fechado ou fora das faixas. Ambos desrespeitam as regras do sistema e criam, cada um à sua maneira, sua relação com a rua. "O brasileiro não aprende em casa ou na escola a ver o outro como alguém que tem os mesmos direitos de usufruir o espaço que é de todos. Para nós é o contrário: o espaço de todos pertence a quem ocupá-lo primeiro, com mais agressividade", explica DaMatta.
Para o antropólogo, fechar, xingar e ser agressivo no trânsito são apenas expressões do conceito do "sabe com quem está falando?" e do "jeitinho brasileiro", práticas comuns de um país que, apesar de ser República, nunca perdeu os privilégios aristocráticos. "O brasileiro se considera aristocrático no trânsito quando é essncialmente transgressor; não obedece a lei, dirige embriagado, desrespeita os pedestres, tem esquemas próprios para transferir suas multas e, quando parado por um policial, tenta suborná-lo", diz DaMatta. "Não temos educação, do ponto de vista da igualdade. Obedecer, no Brasil significa subordinação e inferioridade. Quem é superior, não obedece. Quem faz as leis não obedece."
Para o brasileiro, as incivilidades praticadas no trânsito são cometidas pelos outros, nunca por ele. Daí a dificuldade em se crias a cultura da direção defensiva, na qual os motoristas se antecipam às reações e ações dos demais. "Afinal, quem tem de se preocupar com prevenção é sempre o outro. É ele qeu tem de abrir caminho para o dono da rua." A solução para combater os ecos de escravidão e de clientelismo que permeiam a sociedade brasileira, segundo DaMatta, é clara: "Temos de falar mais em igualdade. A sociedade brasileira deve ser educada, debater e conhecer as suas qualidades e fragilidades. Só assim conseguirá amadurecer e mudar."
MOVIDO A RAIVA
"A pessoa que mais se irrita é a que mais tem a tendência a ser agrassiva no trânsito", afirma a psicóloga Cláudia Aline Soares Monteiro, autora da primeira tese de doutorado sobre motoristas brasileiros, defendida em 1994, no Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília ( DF ). Na pesquisa Variáveis Antecedentes de Erros e Violações de Motoristas, a psicóloga traçou o perfil dos motoristas que mais sentem raiva, conduzem agressivamente, erram e violam as leis do trânsito com freqüência.
Dos 923 entrevistados, 84% admitiram ter pensado em fazer ou cometer agressão física, 84% dos condutores revelaram ter se comportado de modo agressivo, 83% afirmaram sentir raiva enquanto dirigiam e 83,9% confessaram ter xingado. Entre outros dados, o estudo comporvou que as pessoas com mais tempo de habilitação eram as mais agressivas. Já os jovens de ambos os sexos, de até 27 anos, solteiros e sem filhos cometiam mais infrações.
Para Cláudia, a mudança desses comportamentos exige investimento na educação do trânsito, ensinando os motoristas a lidar com as situações estressantes com mais tolerância diante da pressa e da irritação de outros veículos e pedestres. Ouvir música e respirar fundo são dicas possíveis para quem deseja manter a calma. Por sua vez, o Estado também deve dar a sua contribuição: colocar mais placas de sinalização e semáforos nas vias, além de fiscalizar o cumprimento das leis.
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2 comentários :

Teresa Barbosa disse...

As pessoas não obedecem nenhum tipo de lei
Nem o poder legislativo, que as cria, tampouco o judiciário cujo dever é fazê-la cumprir

Humberto Capellari disse...

Uma hora terão que começar. Bjs.

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