sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Temos a honra de apresentar: Paulo Estânio! Você vai se emocionar com ele!


Um personagem semi-ficcional-documental, inspirado em pessoas vivas ou mortas captadas em performances cotidianas..
Nascido, crescido e ( mal- ) criado em São Paulo, o umbigo do hemisfério sul.
Humor!
Romance!
Suspense!
Drama!

Paulo Estânio terá características e comportamentos mutáveis, ao contrário dos personagens de ficção conhecidos. Vejam, por exemplo, o pão-duroTio Patinhas. Até mesmo o mestre Carl Barks às vezes o fazia em papéis de covarde, ou trapalhão, ao contrário do que ele mesmo havia pensado pro seu rico personagem, um cara durão que escavucou todo o Alaska, enriqueceu sendo mais durão que os durões e mais esperto que os espertos.
Vejam: um personagem-cartum não pode jamais perder características que o definam. O Cascão não toma banho nem que o próprio Maurício de Souza mande. Não há mudança, nem variação.
Como já citei acima, no caso do Tio Patinhas, às vezes até ele precisou ser salvo pelo molengão Pato Donald, que recebe - deve depender do humor do roteirista - uma injeção de coragem e bravura, além de alguma inteligência, o que não é bem o forte do personagem.
Com o exemplo dado, concedo-me licença para fazer Paulo Estânio possuir características ou agir de modo contraditório, e mesmo assim ele será o mesmo. Um dia ele poderá ter o cabelo do Neymar, noutro usará barba e será careca e terá tatuagem com os nomes dos filhos no antebraço. Compreendem? Não. Com o passar do tempo irão compreender.

PAULO ESTÂNIO. TODOS CONHECEMOS ALGUÉM IGUAL A ELE
Paulo Estânio é, antes de tudo, um paranóico. Ele sempre acha que existe uma conspiração, formada por políticos ladrões, amarelinhos ou marronzinhos, mendigos e sem-terra, banqueiros e bancários, grevistas, ladrões de carros, mulheres vagabundas e flanelinhas, comerciantes safados, fiscais da Prefeitura e outros. Todos eles se juntam com o objetivo de assaltar-lhe o bolso.
Paulo Estânio foi um dos primeiros brasileiros a comprar um telefone celular tijolão. Ele ficava na panificadora CPL ( Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo ) andando pra lá e pra cá e falando alto, só pras pessoas notarem que ele comprou um celular.
Paulo Estânio lava a calçada todos os dias, mas é ele quem paga a conta da água barata que temos ainda.
Quando está de bike, Paulo Estânio investe contra o pedestre; quando está de moto, Paulo Estânio joga a moto contra o pedestre e o ciclista; quando está de carro, Paulo Estânio atropela pedestre, ciclista e motoqueiro.
Paulo Estânio ensina o filho a dirigir desde os 14 anos, que é pra ele sair comendo as menininhas logo; estranhamente, Paulo Estânio não ensina a filha a dirigir.
Paulo Estânio protesta. Ele tem um modo muito peculiar de protestar. Votando no Tiririca, por exemplo. Depois, recusa-se a admitir que votou no cara.
Quando está na rua procurando um endereço, Paulo Estânio não pede ajuda: EXIGE. Depois que consegue a informação, vira as costas e sai sem agradecer.
Paulo Estânio diz, com uma pontinha de desgosto e fatalismo, que o mundo é materialista mesmo. Como forma de protestar contra esse materialismo que permeia as relações humanas, Paulo Estânio vai às compras. Paulo Estânio adora comprar. E respeita as pessoas que adoram comprar. Respeita, mas procura competir com elas. Paulo Estânio compra coisas que não precisa. 
Não existe bem um mercado consumidor no Brasil. Alguns dizem - não sei se de forma sarcástica - que o Brasil tem 30 milhões de consumidores. Evidentemente, o grosso destes consumidores está em São Paulo. As peças publicitárias, portanto, tratam de convencer Paulo Estânio a gastar seu dinheiro. As peças publicitárias são feitas para Paulo Estânio. Todas elas, inclusive estas propagandas imbecis de cerveja, de carros, celulares e, mais recente, da HOPE. Todas falam ao coração gastador e influenciável de Paulo Estânio.
A CULTURA DE PAULO ESTÂNIO
Paulo Estânio lê a vEJA, o Estadão, a Folha, o Narloch, a Zíbia Gasparetto e o Laurentino.
Paulo Estânio tem uma biblioteca repleta de obras de auto-ajuda.
Os filhos de Paulo Estânio só lêem o que vai cair no Vestibular. E a Recreio.
Paulo Estânio e sua esposa, Paula, compram livros que ensinam a ter sucesso na vida sem muito esforço, ou por meio de uma ajudinha sobrenatural. Se existir um título como "Chico Xavier e o Segredo da Riqueza", com certeza Paulo e Paula já leram e recomendaram aos amigos.
Paulo Estânio tem orgulho de ter nascido em São Paulo. E adora falar de suas raízes italianas. Paulo Estânio já foi a Miami.
Paulo Estânio não tem cultura musical. Qualquer coisa que lhe dê alguma sensação de ser igual está valendo. Pode ser o "pagode na casa do gago", o "como uma Deusa" ( ops! ) ou Racionais. Funk, Bonde, Sertanejo Universitário, Axé. Contanto que ele possa ouvir alto, enquanto anda pelas ruas do bairro em seu carro. Paulo Estânio detesta jazz, moda de viola autêntica, klezmer ou Mozart, porque ninguém na rua gosta deste tipo de música. Quando o Nirvana ficou conhecido, Paulo Estânio comprou o Nevermind, mas deu graças a Deus que a moda passou. A música até era popular em termos, mas poucos no bairro gostam de rock, e são pessoas meio esquisitas, cara de loosers. Paulo Estânio detesta loosers. Adora músicos que exibem sucesso, usam correntões de ouro, posam com seus carrões nos clipes e enrabam as cadelas interesseiras. Tem que olhar feio e contar vantagens, tipo "eu faço e aconteço, eu isso, eu aquilo, eu, eu eu..."
Paulo Estânio não aprecia música, ele escuta o que os outros escutam. E gota de música que tenha batida. De preferência, qu seja só batida, que é pra não precisar pensar muito. Não gosta de perder tempo apreciando as coisas. A música deve ser apenas um acompanhamento para coisas mais importantes, jamais um fim em si. Música boa é aquela que se possa ouvir alto, no aparelho de som automotivo que custou a a maior grana. Paulo Estânio comprou um violão pra ver se o filho fica famoso. O moleque demonstrou desinteresse, preferia jogar xadrez, e Paulo Estânio bateu nele.

( CONTINUA... )

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