sexta-feira, 26 de agosto de 2011

"Us pulíticu", us ladrão, e "us pulíticu ladrão"

Essa semana teve um episódio que deve até agora estar dando um nó na cabeça privilegiada do Datena e daqueles leitores de jornais que adoram mandar cartas, reclamando "dus pulíticus".
Já escrevi sobre isso umas tantas vezes, então me darei o luxo de considerar que o que escrever já será compreendido de antemão pelos meus diletos e escassos leitores.
Você abre um jornal e tá lá: nego a rôdo "criticando" aquela classe de pessoas que costuma dedicar parte quase integral de seu tempo na tarefa de fazer o Estado brasileiro funcionar, isto é, os políticos. Desculpe: "us pulíticus".
A "crítica" ( muito rasa, vaga e generalizante ) é, grosso modo, a seguinte: pulíticu é tudu ladrão. Nem levo essas afirmações em consideração porque, a meu ver, parte de pessoas que, no fundo, gostariam mesmo é de "estar lá". Pois não são anarquistas, tampouco extremo-esquerdistas que consideram que político é realmente tudo lixo devido a sua participação no circo eleitoral da democracia burguesa ( essa é a teoria mesmo: toda a esquerda que participa de eleições é corrompida, pois eleições democraticas representativas só servem à burguesia; isso significa PT, PCdoB, PSTU e PSOL; mas isso é outra história ).
Assim, pra certos eleitores e o Datena, a questão é se estamos ou não elegendo boas pessoas, cuja índole deve ser acima do bem e do mal. Eu, particularmente, não encontro gente assim nem em uma simples ida à padaria. Eu não votaria no meu vizinho.
Voltando à vaca fria: a casa, digo, mansão no Morumbi do deputado Salim Curiati, de 83 anos, foi invadida, foram feitos reféns, o deputado foi agredido, aquela violência de sempre. Mas, oras, vejam só: não fiquei sabendo de ninguém que tenha escrito carta para algum jornal cumprimentando os asaltantes. O senhor Curiati, médico, é POLÍTICO desde que eu me conheço por gente. Se for para jogar todos "us pulíticus" na vala comum, ele é um dos que merecem ir junto. Não estou querendo dizer que ele é bom ou mau político e nem sei se é boa ou má pessoa. A questão é a demagogia que gente como o Datena faz em cima da ignorância de grande parte de nossa população ( não me excluo ) sobre o papel que cada "político" - eleito ou não - cumpre nesse "jogo democrático". O sujeito não sabe, em primeiro lugar, o que um legislador ( deputado, vereador, sei lá ) tem como atribuições e, em segundo lugar, se o camarada cumpre bem ou mal suas tarefas. Joga todo mundo num saco de aleivosias mas, quando diante duma dessas autoridades, acaba ficando pianinho, bem vaselina: "A gente sabe que tem muito político ruim, mas o senhor é uma exceção, doutor."
Outra maneira de parecer "crítico" é simplesmente dar uma de "Maria-Vai-Com-As-Outras", descendo a bota em quem está por baixo, mesmo que esse "estar por baixo" seja uma condição temporária, ou que sequer tenha havido julgamento.

E vejam que emaranhado: um prefeito ( político ) pode ter seu mandato cassado pela Câmara de Vereadores do Município ( formada por políticos, vejam que coisa ) e a população comemora. Oras, um "pulítico" ( logo, um ladrão ) cassando outro "pulitico" ( outro ladrão )?
Mas me perco e retorno: falaram do assalto à mansão, mas não se preocuparam em questionar como "um púlíticu" mora em mansão no Morumbi. Oras, então essas reclamações são feitas visando a quem? As "críticas" costumam ser bem generalizantes, repito. Mas, na hora do "vamo vê", decidiram esquecer que Curiati é PULÍTICU. Deram até espaço para ele dizer que pobre tem que ser esterilizado, que é prá não ficar procriando que nem rato e parindo ladrões de mansões. Perdão, ele não disse isso.
Ele apenas defendeu o controle de natalidade de pobres e o fim do Bolsa-Família. E pediu que os salários dos policiais fossem aumentados: “A segurança pública está um desastre”. Se não estou enganado, ele faz parte da bancada governista.
Outra coisa que não posso desconsiderar: se você, "pulíticu", não cair nas graças de certa imprensa brasileira, pode crer que você tem que olhar três vezes antes de atravessar a rua. Pois existem casos em que você poderá ser acusado da paternidade de um escândalo criado por outro, como o do suposto Mensalão, criado pelo tucano Eduardo Azeredo em 1998 mas, graças a uma operação plástico-jornalística, até hoje é atribuído ao Zé Dirceu por 98% dos leitores da vEJA, do Globo e do Estadão. Se eles implicarem com você, você será considerado para sempre um "ladrão".

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