segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Tá com desejo de explodir caixa eletrônico? Expluda, mas não mata, e nem coloca reféns dentro de congelador em pleno inverno!

Impressões preliminares ao calor dos eventos (*)
(*) EVENTOS: O evento em questão é você filando um jornal na banca em paz e aí ter que escutar o gralhar de certos cidadãos de bem entrujões que apoiam o extemínio de marginais pela polícia ou quem quer que seja, ao arrepio da lei; nessa hora, você se dá conta de que certos cidadãos parecem bestas tão sádicas quanto os bandidos de quem eles dizem ser diferentes. Impotente e submisso mas bastante ressentido, nosso herói jamais gostaria de ver a mesma pena aplicada, por exemplo, ao psicopata do Porsche.

Nesses dias a Rota foi avisada de um roubo a caixa eletrônico e chegou bem a tempo - na verdade parece que foi uma espécie de emboscada, pois a polícia já se encontrava próxima ao local do assalto-,
a tempo de acabar com a festa de meia dúzia de meliantes.
Isso foi o suficiente para despertar os "Dirty Harrys" que moram em muitos de nossos concidadãos. Até mulher eu escutei dizendo algo como "tem que morrer, que a gente nem mais pode sair de casa".
Outro, que eu meio que conheço, morador de uma favela, felicitou a ação, dizendo que ele trabalha duro e tudo o que tem ( o negócio é "ter as coisas", isso em todas as classes sociais ) é com trabalho, e vagabundo que quer "ganhar na manha" tem mais é que morrer.
Algo parecido aconteceu, por volta de 12 de maio de 2006 quando, em meio a boatos, terror via boca-a-boca e ações concretas, tanto dos suspeitos apontados, quanto por parte de "franco atiradores" que queriam apenas ver o circo pegar fogo, o Estado de São Paulo se viu acuado diante de ataques creditados ao crime organizado, rebeliões em presídios, ônibus incendiados, ameaças de bombas, um pânico só. A notícia que correu foi de que a transferência - e apenas isso, o que descobrimos depois, não era verdade - dos líderes de carta facção para presídios do interior desencadeara a baderna. Os ataques se concentraram nas forças da lei: policiais militares, civis, guardas metropolitanos e até bombeiros foram alvos de ataques, com centenas de mortos e feridos.
Houve o troco, e a polícia reagiu com, digamos, força excessiva. Essa força excessiva, que causou centenas de mortes de "suspeitos", teve um apoio silencioso dos famosos "cidadãos de bem" como aqueles que mencionei acima. Aterrorizados pela ousadia da bandidagem, muitos destes cidadãos não veriam nada de mal se o monopólio da força produzisse uns presuntinhos. Se tivesse a participação de grupos de extermínio, tanto faz.
MAS...
Anos depois, em nove de maio último, foi divulgado - sem muito alarde por aqui - um estudo ( "São Paulo sob achaque" ) feito pela Justiça Global, em parceria com a Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard, que revelou que as ações do PCC foram também uma revanche contra a corrupção policial:
" ( ... ) A denúncia principal é baseada em gravações em que um investigador de polícia surge como principal participante do sequestro e extorsão, em 2005, do enteado do suposto líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Para libertarem o enteado de Marcola, os sequestradores pediram, na época, R$300 mil. No dia 12 de maio de 2006, pouco antes dos ataques, Marcola esteve no Departamento de Investigações Sobre Crime Organizado ( Deic ) e comentou sobre o sequestro: “Não vai ficar barato”.
“Não foi o PCC, surgido do nada, que invadiu São Paulo e provocou os ataques de maio. Isso foi um processo de anos da criação e fortalecimento do PCC, que aconteceu em função das deficiências do sistema prisional. E os achaques [ extorsão de dinheiro pela polícia ] foram o estopim dos ataques”, disse James Cavallaro, professor de Harvard e coordenador do estudo (
... )"
FUNDAR UM BANDO OU ROUBÁ-LO?
Realmente, eu fico sem entender certas opiniões que escuto aqui e acolá. Há um certo queixume comum, contra os bancos usurários e seus dirigentes inescrupulosos que arrancam o couro da pobre população com seus juros sobre juros e outras armas de destruição em massa.
Só que esse queixume desaparece quando um bando assalta um banco. Nessa hora, é como se a honra do trabalhador ou até do desempregado tivesse sido atacada. Como se os bancos não lucrassem o suficiente e não possuíssem seguro.
Eu não justifico o roubo de bancos, por uma singela razão: não há romantismo nisso, os autores querem mesmo, é tênis, carro, celular e piscina. Então, eu não me vejo nem um pouco obrigado a "defender" os personagens antagônicos: nem bancos parasitas e nem bandidos violentos e ambiciosos. Tenho medo é de estar andando na rua e levar um tirambaço na fuça. E detesto quando eles, bandidos, maltratam as pessoas que se encontram no local, geralmente sem necessidade nenhuma.
Às vezes, como uma espécie de atitude impensada, motivada exatamente pelo medo de morrer, alguém reage, tenta pegar a arma de um dos quadrilheiros, ou mesmo escapar durante um descuido. Não é que o sujeito queira dar uma de "herói" ou proteger o patrimônio de nossos honestos banqueiros, é algo como um reflexo do instinto de sobrevivência. Esse tipo de reação quase sempre dá em morte. E isso acaba atiçando a "opinião pública", que fechará os olhos para episódios de genocídio que pertencerão à crônica de nossa secular brutalidade policial.
O REMÉDIO
Assim, srs. ladrões, por quê não tornar um assalto um evento menos traumático para todos os envolvidos ( vocês também ), ou até mesmo prazeroso, sem recorrer à violência desnecessária e, às vezes, mortal? Que tal dissipar a tensão, empregando o método famoso conhecido pelo nome de "Boa noite, Cinderela"?
Juntem os hóspedes, digo, reféns, e lhes sirvam uma bebida ( pode ser um Dreher ) batizada com Rohypnol. Deixe que a beberagem faça efeito e termine tranquilamente seu serviço, sem medo de que alguém reaja. Como nos dias atuais muita gente sofre de insônia, talvez vocês acabem até recebendo a gratidão de um desses reféns.

Garantindo a integridade física dos reféns, vocês estarão garantindo a si próprios e a seus familiares. Poderão, até mesmo, com isso, granjear o apoio da opinião pública em seu favor, que poderá enxergar vocês como - que manjado! - um tipo de "Robin Hoods".

Pois vamos e venhamos: render uns trabalhadores e enfiá-los dentro dum freezer, em pleno inverno, foi uma puta piada de mau gosto.

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