sexta-feira, 12 de agosto de 2011

"A Indústria da Multa não existe" em: O pedestre também tem que "contribuir"...


Bastou a Prefeitura paulistana promover mais esta campanha demagógica e fadada ao previsível fracasso, que certos cidadãos vagabundos desta cidade passaram a "lembrar" que "o pedestre também tem que 'fazer a sua parte'". ( UGHHH! )
E qual seria a parte que cabe ao pedestre neste latifúndio? Pra começar, devemos "atravessar na faixa" ordeiramente, segundo estes gênios.
Começaram, há uns 3 meses, com a tal implantação da "Zona de Proteção ao Pedestre", que ocupa uns míseros km2 compreendidos entre a região Central e a ... avenida Paulista ( onde mais, não é? ). Depois, vieram com aquela historinha de o pedestre "levantar a mão", pedindo pros ogros motoristas de São Paulo pararem, imitando algo que existe em Brasília. Evidente que deu em nada ( a não ser, talvez, na Paulista, onde as pessoas que ali freqüentam quererem, a todo custo, provar que são do Primeiro Mundo ). Bom, eu cheguei a ver alguém levantar o bracinho próximo à estação Vila Prudente. O motorista, na via estreita, onde passam carros, ônibus e vans, deixou-o passar. Mas se não deixasse, não aconteceria nada. O que o pedestre ia fazer? Anotar a placa? Pra quê? Apenas ficaria ali, parado, com cara de tacho. Apenas deu sorte. Se bem que é bem típico dessas administrações tucanas obrigar o cidadão a fazer o serviço no lugar do poder público. Ele cria situações em que acabamos nos tornando delatores, fiscais, juízes. Para não ter que contratar marronzinhos e "aumentar os gastos com pessoal", joga motorista contra o pedestre. Onde fica aquela noção de "Estado" como intermediário? Mas esse tipo de campanha [ do trânsito ], que visa criar novo tipo de cultura entre o povo paulistano não pegará, pois nos bairros, onde a fiscalização jamais chegará, a barbárie continuará dando as cartas. E quando me refiro a bairros, falo em Moóca, Tatuapé, Vila Maria, Sapopemba, Vila Prudente, Ermelino Matarazzo, ou seja, onde as gentes remediadas, espremidas entre o Centro e as periferias, moram. Eu costumava chamar subúrbio, mas não sei se está certo. Nesses locais, sobretudo onde há mais residências, o pessoal folga mesmo. Se houver fiscalização, isso ficará restrito às ruas principais, avenidas e os famosos "largos" ou "praças".
Noticiou-se então que, a partir de 07/08, a coisa seria pra valer, com a CET autuando a vagabundagem que insistisse em desrespeitar o pedestre, por exemplo, "queimando" a faixa de travessia. Se ( vejam bem: "SE" ) tiver um amarelinho por perto, o meliante será multado, perderá pontos na carteira, blablabla.
Bastou essa notícia pros "gênios" citados logo no começo passarem a choramingar, quase responsabilizando os pedestres pelo caos no trânsito e por seu próprio atropelamento.
Não me estendo muito. Apenas observo que Sampa tem quase 3 vezes menos fiscais de trânsito que Manhattan e Cidade do México. Esses locais, até onde sei, ainda contam com redes de Metrô sabidamente muito maiores que a nossa ( cortesia da tucanalha, que sonega investimentos nesse meio de transporte há décadas ). A gentalha paulistana SABE que não tem amarelinho em São Paulo, mas fica botando pilha, pressionando ( a chamada "opinião pública" ), sendo "representada" pelos jornais, a impedir a Prefeitura de contratar estes agentes. Explico melhor: a "Indústria da Multa", já provei aqui, não existe, as pessoas sabem disso, mas continuam "denunciando" esse moinho de vento. A Prefeitura, que não é muito chegada num aumento de pessoal ( "elefantíase estatal", pensam eles ), finge que tá pegando pesado, quando não está, bota uns radares, pardais, Caetanos e o escambau e fica elas por elas. Assim, só um delirante como eu é capaz de ver gente falando ao celular enquanto dirige. Só um mitômano como eu enxerga carro sobre as calçadas. Claro.
Como eu sempre digo, se resolvêssemos todos os problemas decorrentes do canalhismo atávico dos paulistanos, ainda assim teríamos que lidar com uma cidade entulhada de automóveis. Então, são dois problemas: o caráter, a "cabeça do paulistano". E o dilema chapliniano homem versus máquina. Essa última sempre leva vantagem, uma vez que há quinqüênios as pessoas compram carros para terem destaque social, arranjar auto-estima, ter sorte no amor, serem bem vistas e quistas pela sociedade, essas besteiras de gente complexada. A propaganda explora isso muito bem e, se não funcionasse, as empresas não investiriam nesse meio de convencimento.
Outro aspecto demagógico da campanha da Prefeitura é: o respeito ao pedestre começa na porta de casa.
Assim, não adianta termos belos passeios e calçadas esplêndidas na Paulista, se nas ruas de Vila Prudente somos obrigados a tropeçar em calçadas ilegais. Não me refiro a chão quebrado, esburacado. Não. Falo sobre a fiscalização convenientemente ineficiente, que não autua os proprietários de imóveis que entulham a calçada com rampas, degraus, aclives, declives, acidentes de toda sorte, o que obriga-nos a caminhar pelo meio da rua. Eu, praticamente, só ando pelo meio da rua. Cansei de torcer - e quase quebrar - o pé numa dessas calçadas. Você pisa torto, perde o equilíbrio, pisa alto, baixo, salta degrau. O irônico nessa história: lembro-me bem, duma senhora ouvida pelo Jornal da Tarde, reclamando de ter que caminhar em calçadas nessas condições ( acho que na Pompéia, mas é em todo lugar ) mas na SUA CASA a calçada também é assim. Bem paulistano isso, heim?
Por fim, como corolário da falta de fiscalização, as calçadas, que são em sua maioria ilegais, ainda servem como estacionamento para os carros. Aí, realmente, a máquina tomou o lugar do pedestre. Aliás, ser humano. Condição mais básica de todas, somos, pedestre e motorista, seres humanos. A volta de um certo Antropocentrismo não seria má idéia.



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