sábado, 9 de julho de 2011

The Lancet: crise fez aumentar taxas de suicídio em nove países da UE

Já lhe chamam "a depressão da recessão". A crise financeira que rebentou em 2008 conduziu a um aumento das taxas de suicídio em nove de dez países europeus analisados num estudo publicado hoje na revista The Lancet.
A investigação preliminar [ grifo nosso ], conduzida por especialistas dos Estados Unidos e do Reino Unido, detetou, entre 2007 e 2009, uma subida nas taxas de suicídio de pessoas em idade ativa (abaixo dos 65 anos) em nove dos dez países da União Europeia analisados - Áustria, Finlândia, Grécia, Irlanda, Holanda, Reino Unido, República Checa, Lituânia e Roménia.
Entre 2007 e 2009, o desemprego aumentou em um terço nos dez países estudados e apenas na Áustria, de todos os países o menos exposto à crise financeira, as taxas de suicídio diminuíram.
Dos países onde o suicídio aumentou, a Finlândia registou a menor subida (cinco por cento), enquanto a Grécia (que vive momentos de tensão social nas ruas das cidades desde que recorreu à assistência do Fundo Monetário Internacional) apresenta o pior dos registos analisados (17 por cento), seguida pela Irlanda (13 por cento).
Só foram analisados estes dez países por serem estes os únicos da União Europeia a 27 que dispõem de dados atualizados.
Os aumentos variam entre os cinco e os 17 por cento, aponta a equipa, que usou dados da Organização Mundial de Saúde que indicavam um período de diminuição das taxas de suicídio até 2007. "Houve uma completa reviravolta. Os suicídios estavam a diminuir antes da recessão e depois começaram a aumentar em quase todos os países europeus estudados. Quase de certeza que estes aumentos estão ligados à crise financeira" [ idem ], resumiu à BBC online David Stuckler, um dos investigadores.
Na opinião dos investigadores, o investimento em sistemas de apoio social é a chave para fazer descer esta tendência e conceder benefícios, por desemprego, por exemplo, não basta, sendo preciso facilitar o regresso ao trabalho e promover políticas contra o desemprego.
Assinalando que tudo aponta para que venham a surgir outros efeitos na saúde decorrentes dos problemas económicos, os investigadores concluíram também que as mortes causadas por acidentes de viação diminuíram – uma tendência que se explica com a diminuição do uso dos veículos em tempos de dificuldades económicas. (
DESTAK.PT )

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