quarta-feira, 13 de julho de 2011

Celulares e os mestres da narração

Detesto celulares e carros. Não preciso, não quero e não tenho. E implico mesmo. Culpa das propagandas, que jamais conseguiram me convencer dos benefícios proporcionados por estes objetos. Digo, "benefícios" maiores do que realmente oferecem. Tipo, quem tem celular dança a vida toda, a rua é um palco. Somos todos bailarinos risonhos e tudo é festa. Não importa se tenhamos algo a dizer ou não, ou se estas coisas poderiam ser ditas ao vivo.

Mas tem uns que me tiram realmente do sério: os narradores. Tão fazendo coisas e dizendo ao mesmo tempo o que estão fazendo. Alguns não param de falar nem quando estão atravessando a avenida e o sinal pros carros abre. Aí, vão correndo e falando, bem ridículo mesmo. Mas saca só:

NUM LUGAR QUALQUER...

- Alô-oi amor... Ah, tô descendo já, tô só aqui na loja...(...) É...(... ) Tá... (... ) É...(... ) Sim, eu tô saindo, já...(... ) É, tô chegando na escada rolante...(...) É, tô descendo, sim...(...) Tô descendo...(...) Sim, tá...(...) Tô chegando no chão...(...) Cheguei no chão...(...) É...(...) É, tô entrando no corredor esquerdo...perto da loja de café...(...) Sim, agora eu tô passando na porta do estacionamento...(...) Tá, sim, entrei à direita...no setor 2-B...(...) Ah, tô descendo a rampa...(...) Cheguei no andar 3-B...(...) Tá, tô na esquerda, rente à parede...(...) O extintor?...(...) Ah, já vi o extintor...(...) Onde?...(...) AH, JÁ VI VOCÊ...(...) Tô acenando!!...(...) Você me viu e tá acenando de volta...(...) ahaha!...(...) Quê?...(...) Ah, tá, tô pisando no seu pé...(...) Desculpa...(...) Alô?! Alô!? Ai, acabou o crédito e nunca mais vou poder me desculpar por ter pisado no pé dele...

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe