sexta-feira, 8 de julho de 2011

Piquenique fantástico

- Que tal se fizéssemos um piquenique amanhã, no parque?, pergunta Marieta a Ívilson, que não se mostra muito empolgado:
- Ah, sei lá, viu? Sempre que a gente faz piquenique, dá merda! Lembra da última vez, aquele ataque de formigas? Aliás, toda vez tem formiga invadindo nossa brincadeira.
- Ahhhhvai amô..., implora Marieta.
- Aimeudeus, tá bom, vai. Mas se tiver formiga, vai ser a última vez. Anh, leva picles também?
- Você e seus picles..., brinca Marieta.


( *** )


- Viu só que dia lindo prum piquenique, Ívilson?
- É. Sou obrigado a concordar. Tá lindo mesmo. Cé azul, temperatura amena. Me passa o picles?

- Você e seus picles...


( *** )


TROMP! TROMP! TROMP! TROMP! TROMP! TROMP! TROMP!


( *** )


- Uai, você escutou isso, Ívilson?

- Acho que sim. Que será?

- Parecem até ... passos, marcha, coisa desse tipo.

- Vai ver tem soldados marchando, fazendo algum exercício, sei lá. Não deve ser nada. Tem mais picles?

- Tó.

- Valeu. Mmmmmnhóc!

- Ai, Ívilson, esse marchar que não pára, parece que o som está mais alto.

- É mesmo, o som só aumentou. Daqui a pouco os soldados deverão passar, com aquela cara de fome e a gente aqui curtindo uma com a cara deles ahahaha!

- Tão cada vez mais perto...

- Melhor soldados que formigas...

- É mesmo, né? Desta vez elas não apareceram...

- Pois é. Que curioso.


( *** )


TROMP! TROMP! TROMP! TROMP! TROMP! TROMP! TROMP!


( *** )


- Olha eles chegando! Marcham forte, heim? Passos pesados, chega a tremer o chão.

- Seus "pés-de-alface" ahahaha!

- Ué!

- O quê, Marieta?

- Os passos cessaram bem ali atrás daquelas árvores ali. Tá enxergando alguma coisa?

- Não dá prá ver nada. Muito espesso.

- Eu vou lá ver.

- Não, deixa que eu vou!

- Curioso você, heim?

- Fui!


( *** )


Ívilson vai se aproximando daquela mini-floresta, sem ter muita certeza do que está fazendo. "Curiosidade besta!", pensa. Mas é só uma olhadinha atrás desse mundaréu de árvores e pronto.

De repente, seus olhos se arregalam e o gelo desce da nuca até a base da espinha, bem onde nossos antepassados possuíam o rabo. E o berro de horror não demora:

- AAAAARRRRGGHHHHH!

Dezenas de formigas. Não. São centenas. Só que com uma particularidade:

- GIGAAAAANTEEESSSSS!!!

Enormes. Tipo daqueles filmes B.

Uma delas tem a atenção chamada para Ívilson, que percebe o perigo e tenta correr. Não deu. O bicho é ágil. Abaixa e abocanha Ívilson. Ele, inutilmente, se debate. Seu destino já está definido. As mandíbulas da fera não dão chance.

A formiga gigante fica ereta para melhor facilitar a refeição. Do alto, Ívilson consegue ver a toalha de piquenique, todos aqueles quitutes e Marieta, que ainda não percebera nada do que acontecia em volta.

Então, num último esforço, e em meio a um esgar de dor e resignação, Ívilson tenta e ainda consegue gritar para Marieta:

- Não vai mexer nos meus picles, heim?

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