segunda-feira, 20 de junho de 2011

Sua Santidade, Marcos

É chover no molhado ( usar axpressão "chover no molhado" também é ): o goleiro Marcos, da gloriosa Academia Palestrina é um cara legal. Tipo do cara que você adoraria ter como amigo, companheiro de conversas, sujeito com quem você se sente bem na companhia, que não te transmite más energias. São poucos dessa estirpe: o Gustavo Kuerten, o ex-presidente Lula. Nos dias que correm, em que cada um só pensa em se dar bem, isso é mais que uma constatação elogiosa: é um lamento.
A decisão de Marcão - foi dele mesmo - decisão de não bater o penal contra o Avaí na partida de ontem mostrou quão baixas estão as manifestações de bom-caratismo na sociedade, a ponto de ser destaque algo que não passaria de obviedade em tempos passados. Não que na terra do jeitinho e da vantagem em tudo todos os antigos fossem verdadeiramente cordiais, generosos e razoavelmente preocupados com o destino alheio. Nada disso. O hoje é uma decorrência das decisões feitas ontem, isso é claro. Se a sociedade atual se mostra despreparada para costituir e viver em sociedade ( entendeu a pegadinha? Hein? Hein? ), isso é fruto de escolhas que levaram a este espírito do momento. Sinceramente, a misantropia é o que há de mais coerente para quem deseje que a vida em sociedade se torne minimamente suportável.
Voltando ao Marcos, o Santo: ele declinou do coro romano, digo, do público que se encontrava no Coliseu, digo Canindé, e não fez parte do papelão, que seria pisar na cabeça dum adversário já vencido. Ele, que já passou por situações verdadeiramente vexatórias, como aquela derrota para o Vitória da Bahia e, recentemente, a goleada sofrida em partida contra o Coritiba, sabe bem o que é ser derrotado de forma inapelável. O cavalheirismo que falta a certos jogadores, torcedores e parte da mídia encontrou um minuto de respiro, e foi ontem, quando Marcos recusou o papel de carrasco malicioso, que mata com requintes de crueldade, extraindo prazer em uma tarefa tão indelicada. Algo como quando o Neymar adorava fazer suas palhaçadas contra um time já derrotado, o que serviu para torná-lo um personagem destacadamente antipático num meio onde a antipatia é mato. Não me refiro à antipatia que colam nas pessoas de Scolari ou Muricy. Talvez antipatia, no caso de certos jogadores, como o citado Neymar, seja uma palavra má empregada: penso num termo derivado de "bullying", mas não me ocorre nada. Porém, o conceito está dado.
Para quem conhece a imagem pública do Marcão e sabe o porque ele é tão querido, não surpreende mais esta manifestação de esportividade e bom-caratismo.

2 comentários :

Odete disse...

Adorei teu comentário. Tive o mesmo sentimento ao assistir à notícia. Moro em Floripa, sou figueira, torcia contra o Avaí. Mas um time é feito de pessoas, e elas merecem ser tratadas com respeito, com dignidade.Me causa mal estar ingemopa "pregação" da grande maioria, que é de tripudiar sobre a desgraça alheia. No esporte é desagradável. Em outros setores a coisa é ainda pior. A boa notícia é que ainda tem muita gente boa que abomina este tipo de comportamento, e, de alguma forma, ensina como ser verdadeiramente educado.
PS . adoro teu blog. Bjs.

Humberto Capellari disse...

Ai, Odete, fiquei sem jeito agora rsrsrs. Realmente é pena que tenhamos que testemunhar, a cada transmissão futebolística, atos de falta de caráter, dignidade e esportividade. Ganhou, beleza, tá ganho, não precisa fazer chacota. Pra mim, realmente, é como se fosse um exercício de "bullying", como falei acima, coisa de valentão que não aceita limites. Que a gente boa, que abomina este comportamento, conforme você citou, se mostre mais, apareça mais, se coloque mais em evidência, ofuscando as "laranjas podres" que vemos por aí.
De qq forma, muito obrigado pelos elogios ao blog. Fiquei surpreso! rsrsrs

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