quinta-feira, 28 de abril de 2011

Trânsito em São Paulo: não sair de casa é a solução, segundo leitor da Vejinha

"O problema [ do trânsito ] só será resolvido quando as pessoas se derem conta de que a maior parte das atividades profissionais desenvolvidas em escritórios poderia ser feita em sua própria casa. Já existem os recursos e a tecnologia para isso. Estimular a implantação de home offices ajudaria a aliviar o trânsito, pois uma pessoa que passa o dia sentada diante de um computador não precisa se deslocar 50 quilômetros para isso, por exemplo."
( Carta de um leitor da revista Veja São Paulo, 13/04/2011 )

Ainda que o tal home office represente vantagem nesse aspecto - o do não-deslocamento do profissional - e, talvez, noutros que não me cabem aqui analisar ( por desconhecimento puro dos demais aspectos envolvidos ) a solução para o trânsito das cidades passará, obrigatoriamente, pelo confinamento das pessoas em seus lares? Começa-se com os "funcionários de escritório" não saindo de casa - que se tornará, assim, uma extensão da "empresa", com todas as agravantes - pois poderão trabalhar em seus home offices ( quem bancará a estrutura, aliás? ). Mas... e depois? Quem será o "escolhido" para trancafiar-se em casa em prol da melhor circulação dos automóveis? Pois é disso que se trata. Quando os "funcionários de escritórios" abandonarem as ruas, outros perceberão a ligeira - e momentânea - melhora e passarão a ocupar este espaço.

E ele fala em "estimular"? Da parte de quem caberia este "estímulo"? E como se daria? Talvez a carta na íntegra do leitor trouxesse tais respostas, e talvez estas tenham sido limadas pela revista, por questão de espaço. Eu disse "talvez", pois arrisco dizer que ele não se preocupou em pensar muito a fundo sobre as repercussões de sua sugestão.

De resto, questiono-me sobre que tipo de pessoa "viaja" 50 quilômetros até seu local de trabalho num escritório, que não more na Cidade Tiradentes ou Guaianases. Será que é dessas pessoas que o leitor da Vejinha fala, de retirar essas pessoas e seus carros das ruas? Cincoenta quilômetros de que ponto até qual ponto da cidade, amigo?

Vai ver, o sujeito é vendedor de home offices e tenta vender seu peixe sob o disfarce de cidadão preocupado com o trânsito louco da Capital e seus efeitos sobre a sociedade.

Claro que iniciativas individuais são bem-vindas, mas cabe aos agentes públicos bolar e adotar os mecanismos que minimizarão ( pois é óbvio que numa cidade onde moram mais de 10 milhões de pessoas, o espaço físico é algo que sempre será foco de disputas, em maior ou menor grau ) o mal-estar causado pelos chamados "deslocamentos pendulares", que são a ida-e-volta dos viventes. Dentre essas iniciativas individuais, sugiro que as pessoas não tirem o carro da garagem, quando tiverem que comprar pão na padaria que dista apenas 4 quadras de onde moram. Ou que levem seus guris à escola na base da caminhada, caso ele estude perto ( o que é bem provável, vamos e venhamos ).

Existem diversas outras facetas desse problema, que vão desde a forma como a cidade foi ocupada e o porquê de uns morarem perto, outros longe, e outros mais longe ainda, e eu não quero passar o resto do dia pensando e escrevendo sobre isso. Sem contar que eu sei muito bem que minhas limitações não permitiriam.

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