quarta-feira, 2 de março de 2011

Papa iliba judeus da morte de Jesus em novo livro

O papa Bento XVI iliba totalmente o povo judeu da morte de Jesus Cristo, um dos assuntos mais controversos do cristianismo, num novo livro de que foram hoje publicados os primeiros excertos.
No livro, intitulado "Jesus de Nazaré", Bento XVI recorre a uma análise bíblica e teológica para explicar por que não é verdade que o povo judeu no seu conjunto seja responsável pela morte de Jesus.
Embora o Vaticano sustente há cinco décadas que os judeus não foram colectivamente responsáveis, académicos judeus ouvidos pela agência noticiosa norte-americana AP consideraram que o argumento agora exposto pelo papa é significativo e vai contribuir para combater o antissemitismo.
"Há uma tendência humana natural para aceitar as coisas como verdadeiras e muitas vezes isto leva a erros de percepção" quanto aos riscos de antissemitismo, considerou o rabi David Rosen, responsável para os assuntos inter-religiosos do comité judaico americano que há vários anos lidera o diálogo entre as duas religiões.
Segundo Rosen, o Vaticano divulgou em 1965 a sua nota mais autorizada sobre o assunto, "Nostra Aetate", nota que revolucionou as relações da Igreja Católica com o judaísmo ao afirmar que a morte de Cristo não pode ser atribuída ao povo judeu nem na altura nem actualmente.
Para o rabi, as palavras de Bento XVI podem representar um marco mais importante e duradouro na medida em que os crentes tendem a ler mais as escrituras e artigos ou livros do que os documentos da Igreja, especialmente os mais antigos.
Este é o segundo volume de "Jesus de Nazaré" de Bento XVI lançado em 2007, o primeiro livro que lançou como papa, sobre os primeiros anos da vida e dos ensinamentos de Jesus Cristo. Este segundo volume, com lançamento previsto para 10 de Março, é sobre a segunda parte da vida de Cristo.
(
ECONÔMICO )

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Bento XVI diz em novo livro que genoma humano não esclarece toda a linguagem de Deus
O genoma humano ajuda a perceber a “grandiosa matemática da criação” mas não diz tudo sobre toda a “linguagem de Deus”, escreve o Papa Bento XVI no segundo tomo da sua obra Jesus de Nazaré, que será posta à venda no próximo dia 11, num excerto a que o PÚBLICO teve acesso.
“A verdade funcional acerca do homem tornou-se visível; mas a verdade sobre ele mesmo – o que é, donde vem, para que existe, que é o bem ou o mal – esta verdade, infelizmente, não pode ser lida do mesmo modo.”
A afirmação faz parte de Jesus de Nazaré – Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição. O primeiro volume da obra foi publicado por Joseph Ratzinger/Bento XVI no final de 2007. Este segundo tomo será apresentado no próximo dia 10, quinta-feira, no Vaticano, e está destinado a ser mais um "best-seller" – basta pensar que o último livro do Papa, a entrevista Luz do Mundo, conduzida pelo jornalista Peter Seewald – ultrapassou já em muito os 600 mil exemplares. Nesta primeira fase, o livro será editado em sete línguas: alemão, italiano, inglês, espanhol, francês, português e polaco. O Vaticano libertou esta manhã três excertos da obra, que estão a ser publicados por vários meios de comunicação em todo o mundo – entre os quais o PÚBLICO. Nos excertos agora divulgados, Joseph Ratzinger fala sobre a traição de Judas, o episódio que levou à prisão de Jesus, sobre a polémica da datação da Última Ceia de Cristo e sobre o interrogatório a que o governador romano, Pôncio Pilatos, submeteu Jesus antes de este ser condenado à morte.
É neste último capítulo que Ratzinger fala do genoma, a propósito da redenção do mundo trazida por Jesus. No mesmo capítulo, ele descarta a ideia de que tenham sido os judeus como povo a acusar Jesus – uma tese que levou ao ódio de séculos em relação aos seguidores do judaísmo. “O referido termo [os judeus] tem um significado específico e rigorosamente limitado: designa a aristocracia do templo”, escreve o teólogo alemão, que se tornou Papa em 2005, sucedendo a João Paulo II. A propósito da pergunta “Que é a verdade?”, que Pilatos faz a Jesus, o Papa fala da questão da verdade nos estados contemporâneos: “A mesma pergunta é colocada também pela moderna doutrina do Estado: pode a política assumir a verdade como categoria para a sua estrutura? Ou deve deixar a verdade, enquanto dimensão inacessível, á subjectividade e, pelo contrário, esforçar-se por conseguir estabelecer a paz e a justiça com instrumentos disponíveis no âmbito do poder?”
Sem responder de forma assertiva à pergunta, Bento XVI deixa entender aquilo que tem defendido em outras ocasiões: os Estados não podem eximir-se do critério moral na regulação social. Quando conclui, no texto, que Pilatos preferiu a manutenção da paz social à justiça – ou seja, segurar eventuais revoltas condenando Jesus –, o Papa acrescenta: “O facto de, em última análise, a paz não poder ser estabelecida contra a verdade haveria de manifestar-se mais tarde.”
Tal como no volume precedente, o Papa entende que esta sua obra sobre Jesus não pretende ser mais uma biografia, género que já considera bem tratado por diversos exegetas bíblicos. Nem sequer quer fazer uma “cristologia”, um tratado teológico acerca de Cristo, defendia o Papa já a propósito do seu primeiro livro. O que Ratzinger/Bento XVI propõe é, antes, uma reflexão – que não deixa de ser feita por um dos mais importantes teólogos contemporâneos – sobre “a figura e a mensagem de Jesus”. O trabalho de Joseph Ratzinger foi acolhido de forma diversa por outros teólogos e biblistas. Em Portugal, entre reacções positivas, o exegeta bíblico Joaquim Carreira das Neves criticou o que considerou uma visão de Jesus construída “não a partir de um estudo crítico”, mas a partir da “vontade de Deus”.
Depois de o livro ser apresentado na tarde de dia 10, no Vaticano, a editora Principia, que edita o livro em Portugal, coloca a obra à venda sexta-feira, no dia seguinte, tal como acontece no resto do mundo.
Para dia 11, o patriarca de Lisboa e o bispo do Porto serão as estrelas convidadas a fazer a sua leitura de Jesus de Nazaré, nas instalações da Universidade Católica no Porto, às 12h00, e na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, às 18h30. Nos dias seguintes, os bispos de várias dioceses irão também fazer apresentações do livro. Estão, para já, previstas sessões em Évora (dia 13), Guarda e Viseu (18), Beja (19), Braga (24), Vila Real, Lamego e Faro (25).

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