terça-feira, 15 de março de 2011

Capacidade regenerativa de anfíbio mexicano poderá auxiliar quem teve membros amputados

Anfíbio mexicano pode ser esperança para quem teve membros amputados
Cientistas de Hannover estudam a capacidade regenerativa do anfíbio axolote. Nativo do México, ele consegue desenvolver novos membros, e até órgãos, depois de perdê-los.
O anfíbio mexicano axolote (Ambystoma mexicanum) está ganhando atenção especial do mundo científico por sua espetacular capacidade de regeneração. Quando perde algum de seus membros ou um órgão não vital – seja em acidente ou pelo ataque de um animal – o sangramento para em poucos segundos e rapidamente as partes perdidas voltam a crescer. Os cientistas querem entender com funciona esse fenômeno, para poder aplicá-lo na medicina humana.
De acordo com a cientista Christina Allmeling, do Centro de Biorregeneração da Faculdade de Medicina de Hannover, na Alemanha, além de realizar pesquisas com esse tipo de salamandra, o objetivo também é garantir sua preservação. Devido ao aumento da poluição em seu país de origem, o México, a espécie está ameaçada de extinção. Em aquários adaptados, no centro científico de Hannover, vivem cerca de 120 desses animais de apenas 20 centímetros de comprimento, que passam toda a vida sob a água.
Qual é o segredo?
Para saber o que acontece no organismo do axolote quando seus membros voltam a crescer, os cientistas os anestesiam e amputam alguma parte. Para sua pesquisa de doutorado, o cirurgião plástico Björn Menger já realizou esse procedimento quase 300 vezes, mas ainda se surpreende com a rapidez com que o sangramento cessa.
"Em poucas horas forma-se um tecido que estanca a ferida", explica a doutora Kerstin Reimers-Fadhlaoui. Este tecido do anfíbio tem efeito regenerador. Uma perna amputada, por exemplo, volta a crescer em algumas semanas. Em culturas de células pode-se analisar melhor o processo, e sabe-se que o sistema imunológico é muito importante na regeneração.
"Também estudamos os fatores de crescimento e os genes responsáveis por esse processo. Para isso, recolhemos tecidos e células dos animais. Com métodos biomoleculares pesquisamos quais genes são ativados", contou Reimers-Fadhlaoui à Deutsche Welle.
Medicamentos milagrosos
Processos de regeneração já são conhecidos em peixes. Mas, sendo um quadrúpede vertebrado, o axolote – ou axolotl, nome que significa "monstro d'água" na língua asteca náuatle – está geneticamente muito mais próximo do ser humano.
Daí, a esperança de que essa propriedade de regeneração possa ser usada para os humanos. Na opinião do cirurgião Menger, este seria um enorme avanço: "Ajudaria muito, por exemplo, na reconstituição de grandes perdas de tecido epitelial ou ósseo", estima.
Os cientistas esperam chegar a medicamentos que reproduzam essa propriedade do anfíbio. E um dia, quem sabe, conseguirão acelerar a cura de um paciente que tenha perdido algum membro em acidente. "Nosso sonho é aumentar a capacidade de regeneração do ser humano e, quem sabe um dia, fazer com que ele também consiga regenerar seus próprios membros, como o axolote", afirma Reimers-Fadhlaoui.
( DW )

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