sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Por isso que eu digo que "Indústria da Multa" não existe

Quase sete da matina:
- CET, bom dia, em que posso ajudá-lo?
- Seguinte. Se puder mandar uma fiscalização prá rua..., altura do número...
- Qual o problema no local, senhor?
- Carros sobre a calçada. Sempre. Todo dia.
- Mmm, só um momento ( tecla a ordem de serviço )...Só mais um minuto, por favor... Pronto. A ocorrência já foi anotada e uma viatura acionada. Mais alguma coisa?
- Num tem o número do protocolo?
- Pois não. Queira anotar? Letra "C" de "casa", 1234567...
- Tá oquei. Já anotei. Então vou ficar no aguardo das providências, oquei? Um bom dia e bom trabalho.
- A CET agradece sua ligação. Tenha um bom dia.
"Vai ser um bom dia, sim. É só eu chegar lá e ver as papeletas de multas no pára-brisa desses desgraçados...", pensou, esperançoso.
Sai de casa, e dirige-se ao trabalho, a pé, como faz todos os dias, em 40 minutos de caminhada. Tem vários caminhos que poderia tomar, mas passará em frente ao endereço onde estaria ocorrendo a habitual meliância de trânsito, perpetrada por um desses "cidadãos de bem" de classe-média.
"Pra ver como estão as coisas. Quem sabe quando eu estiver passando a CET já esteja lá? Em 15 minutos eu tô lá e poderei presenciar o espetáculo. Aí meu dia vai ser bom...", sonhou.
Chegou normalmente no trabalho, sem ver CET nem nada. Uma coisa era certa: havia dois carros sobre a calçada, como sempre estão, todas as manhãs.
Com certeza, foi isso mesmo o que voces, leitores, imaginaram e entenderam: ele ligou para a CET SEM TER VISTO OS CARROS NO LOCAL INDICADO, já que ainda nem saíra de casa. Pois todos os dias, sem falta, eles ali estão, folgados, ocupando o espaço do pedestre. À vista de todos: motoristas, pedestres e, sobretudo, vizinhos. Ou melhor, cúmplices. Então ele chutou mesmo, achando que se a CET fosse lá, pela regra rotineira, haveria carros no lugar que apontou. E havia mesmo.

( ### )

Fim do dia de trabalho, volta para casa. Mais quarenta minutos de camelo.
"Mmm. Passarei lá agora. Talvez eu ainda veja a papeleta de multa jogada na valeta, como fazem muitos motoristas apanhados em flagrante delito, que recebem suas punições, mas não aceitam esse chamamento às falas.", raciocinou.
A bem da verdade, achou que não encontraria nada, nem papel e muito menos carros sobre calçadas. Pois à tarde também aquela calçada serve de estacionamento. Imaginou: "Se a CET pegar esses caras, todos em volta saberão que, finalmente, o braço da lei chegou no pedaço, e aí ficarão pianinhos. Portanto, o óbvio é que o passeio estará livre, ao contrário do que ocorre diariamente."
Qual o quê...
Passou no local, e um dos carros que flagrou de manhã cedo CONTINUAVA LÁ. Havia mais um outro logo adiante. Então são dois carros ainda.
"Ué?", estranhou.
O que fazer? Que merda!
Melhor andar mais um pouquinho e encontrar um orelhão.

( ### )

- CET, boa tarde, em que posso ajudá-lo?
- Seguinte: verifique prá mim o andamento de um protocolo que fiz pela manhã, por favor. O número é "C" de "casa" 1234567...
- Só um minuto, por favor...
(...)
- O carro permanece no local, senhor?
- Sim.
- Quer que eu refaça a solicitação?
- Opa, peraí! O que que diz aí? Que que deu o meu pedido?
- A viatura foi ao local e não encontrou nada.
- Peraí! Que horas que ele foi lá?
- Mmm...Dez horas e quarenta e sete minutos a viatura foi ao local e não encontrou veículo sobre calçada.
- Mas eu chamei não era nem 7 horas da manhã!
- É muito trânsito, muitas chamadas que fazem...
- Tá. Tá. Entendi. Faz favor: refaça este pedido, sim?
- Pois não. ( ... ) Deseja anotar o número do protocolo, senhor?
- Manda aí!
- Letra "C" de "casa...

Isso foi por volta das 15:30hs. Ainda não liguei na CET para saber o que deu. Trabalhar sozinho, para a Prefeitura, não é mole. Dá até vontade de desistir.

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