sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Exames genéticos expõem casos de incesto

CHICAGO (Reuters) - Novos exames que mapeiam o código genético inteiro de uma pessoa podem ajudar a explicar a razão de uma criança apresentar defeitos congênitos ou atrasos de desenvolvimento, mas também vêm expondo alguns segredos familiares sombrios.
Pesquisadores na Faculdade Baylor de Medicina, em Houston, começaram a utilizar esses exames recentemente e já descobriram vários casos de provável incesto, disse o Dr. Arthur Beaudet, diretor de genética molecular e humana em Baylor, que escreveu sobre o problema na quinta-feira no periódico Lancet.
Chamados conjuntos de polimorfismos nucleotídeos únicos (SNPs), os exames permitem que médicos vasculhem o genoma de uma criança para localizar cópias de genes faltantes ou extras que possam explicar sua deficiência.
Mas eles também podem assinalar pedaços grandes de DNA idênticos que uma criança pode ter herdado de dois parentes próximos, como um pai e uma filha, o que levanta questões sociais e legais com as quais as instituições e a comunidade científica precisam lidar, disse Beaudet em entrevista telefônica.
"A preocupação se deve principalmente à possibilidade de crianças serem sexualmente abusadas em casa, mais frequentemente meninas de 12 a 16 anos de idade", disse ele.
Deficiências físicas são comuns em crianças nascidas de relações incestuosas. No passado, disse Beaudet, os médicos poderiam suspeitar que uma criança fosse fruto de um incesto. "Agora dispomos de um exame de rotina que aplicamos a crianças com deficiências e que evidencia o incesto."
Nos Estados Unidos, os médicos têm a obrigação legal e ética de comunicar às autoridades os casos de suspeita de abuso infantil.
"Com frequência não suspeitamos de nada, e o resultado do laboratório nos pega de surpresa", disse Beaudet.
Nancy Spinner, professora de patologia da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, disse que sua equipe encontrou dois casos de incesto desde que começou a usar conjuntos baseados em SNPs da empresa de sequenciamento de genes Illumina, em maio de 2008.
"Mas entramos em contato com os médicos para saber mais sobre os casos, e em ambos os casos o incesto já era sabido", disse Spinner em entrevista telefônica.
"Em um caso, o pai estava preso por estupro. No outro caso sabia-se que a criança era fruto de incesto."
Spinner disse que seu laboratório ainda não viu um caso em que o médico que pedira os exames não tivesse conhecimento do incesto, mas que sabe que isso pode acontecer.
"Discutimos isso com nosso comitê de ética médica", disse ela.
Beaudet e seus colegas estão convocando grupos profissionais para traçar diretrizes para esses casos.
Os casos de incesto identificados nesses exames são o que pesquisadores chamam de "descobertas incidentais" e Spinner diz ser provável que apareçam com mais frequência à medida que cientistas começarem a explorar o poder da tecnologia genômica.

SWISSINFO/Reuters

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