terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Paz no cotidiano e sociabilidade à força

Estavam olhando as capas dos jornais expostas numa banca. Não estavam juntos, jamais se viram antes. Estavam apenas ali, filando as manchetes.
- Rapaz, esse cara aqui, tá dando samba! É um gol atrás do outro. Se continuar assim... - disse um pro outro, que tentava ler a capa do Valor, algo sobre petróleo.
O homem responde, secamente, ao estranho que lhe dirigiu a palavra sem ser convidado:
- Não sei. Não gosto de futebol.
Sem sequer se abalar com o que ouviu, já que ouviu sem ter escutado, o outro volta à carga, completando seu, digamos, raciocínio:
- Então...Esse aí, ó, tem futuro...
Foi repelido novamente, de forma seca e algo robótica:
- Não sei. Não gosto de futebol. Não sei. Não gosto de futebol.
Aí, sim, acusou a informação, apesar de não conseguir imaginar ( entre outras tantas coisas que sua imaginação se mostra incapaz de compor ) que alguém no Brasil não goste de um futebolzinho. Todo mundo gosta, ora.
Mas não desistiu, já que seu objetivo, afinal, era falar, não escutar:
- É... o futebol ... tá meio sem graça, então né, é mesmo natural que...
Ia completar, dizendo que o futebol atual é sem-graça e é responsável pelas pessoas não acompanharem o esporte como faziam antes. "Todo mundo gosta, mas alguns abandonaram o hábito de curtir uma bolinha", filosofou.
Mas, sem mudar a entonação, o outro retrucou, taxativo:
- Não sei. Não gosto de futebol.

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe