segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Slogans de automóveis: "quem não tem carro é bobão e perdedor!"

Colhi uns slogans de modelos de umas marcas de automóveis. São bizarras. Ai de quem for contra, parecem dizer.
Slogan dum modelo 4X4 do Mitsubishi, em uma peça publicitária estampando as páginas de uma destas revistas semanais. Um carro super-hiper-mega gigantesco, maior que montanha, rio, ponte, em local de difícil circulação. Aventura radical, manja?:
"Dentro dela, você se sente maior que qualquer obstáculo."
O raciocínio subjacente é o seguinte: "algo" ou "alguém" é o "obstáculo"; eles estão por aí, na rua, competindo com você, e atrapalhando sua glória, ficando no caminho; oras, com este modelo, você se tornará tipo um GODzila, gigante, forte, indestrutível. O remédio, para você esmagar estes insetos que insistem em ficar de bobeira no caminho de alguém tão importante como você, é pegar seu 4X4 Mitsu e apavorar. Mitsu esmaga!
Mas, ao contrário da propaganda, você terá poucas chances de usufruir deste Panzer japonês em um cenário de off-road. O jeito é aceitar sua condição de pessoa urbana e sair pelas ruas de Sampa mesmo. Porém, de repente seu Panzer japonês se mostra enorme. Nesta cidade, mais é menos, entende? Porquê, não vai achando que você será o único e exclusivo proprietário de uma barca dessas. TODO MUNDO, de um modo geral, que possa ser exposto à mesma propaganda do Mitsu, vai acabar pensando o mesmo que você: "É. Preciso dum desses aí urgentemente, que é pros manés não ficar enrolando na minha frente. É só pisar, mostrar os dentes, rugir o motor, e é só alegria". ( LEIA-SE: ser "respeitado". E, claro, desejado, já que a humanidade só conseguiu realmente procriar com qualidade a partir da invenção do carro. Aí, as minas dão mesmo. Se tiver um 4X4 "gigantão"... Aí, meu, é só alegria. )
Assim, mais pessoas comprando o Mitsu, com o propósito de superar os obstáculos, que são também, e na verdade, outros Mitsus 4X4. Gigantescos. Vai faltar espaço, não vai não?
Tem um outro, que também pode ser encontrado em revistas. Só não lembro de qual carro é:
"Os outros são só os outros"
E a nossa marca, fodona e fulgurante roda por uma espécie de caminho, composto de mini-automóveis, tipo um tapete de carrinhos de brinquedo.
Os "outros" não podem ser os outros "carros". Só podem ser os outros "donos de carros", os "obstáculos" de quem falamos acima. Sempre no seu caminho, eles. Nóis esmaga!
Não tem sentido falar que os outros são os outros carros. Esse "só", que botaram na frase, tem a conotação de menosprezo, de exclusão e, penso eu, de comparação.
Ora, um carro é um objeto sem vontades, e não se compara a outro. Quem faz isso, comparar-se a outro, são os homens. Logo: os outros homens são só, apenas, somente, uns homenzinhos que merecem ser vencidos.
Foram só dois exemplos. Alguém aí ainda acha que estamos falando pura e simplesmente de um meio de transporte? Tá bom, então.

Imagem do dia: Ronaldinho Gaúcho frequëntou as páginas de Mortadelo & Salaminho!! ÊITA!

Eu tava procurando algo sobre os agentes da TIA, para a nossa gloriosa "Galeria de Heróis" deste blog. Mas aí eu encontrei isso, postado em 2007 num blog. Desconhecia essa participação do jogador-malabarista em tão conceituado gibi [ ou melhor, apenas compareceu na capa, não no interior ] e acho que muita gente também ignora ( va ). Agora não mais.
http://euroquadrinhos.wordpress.com/2007/04/14/ronaldinho-em-mortadelo-e-salaminho/


"Socorram-me, subi no ônibus em São Paulo!": A festa nunca termina!

O AVISO

Isso que você está vendo aí acima é o aviso, afixado nos ônibus que circulam na Capital paulistana, informando aos passageiros que, ali naquele ambiente, o uso de aparelhos...Ah!, você está conseguindo ler, não?
Pois bem. Observe com atenção. A data da lei: 1965.

O APARELHO

Agora, observe a foto acima. Sabe o que é isso? Lembra, pelo menos? Vou ajudar sua memória, ao mesmo tempo que informo diretamente àqueles - os mais jovens, acredito - que desconhecem o artefato estranho: é um rádio. Um aparelho de rádio, segundo o local de onde surrupiei a foto, de marca Zenith, da década de 1960.
Não lhe parece estranho que houvesse ( ainda vigora, não sei exatamente porquê ) uma lei municipal que proibia ( e ainda proíbe ), o uso de aparelhos sonoros no interior dos ônibus quando, à época de sua implantação, o tipo de aparelho que se comercializava era mais ou menos desse tipo acima? Não sei nem se já funcionava à pilha, o que o tornaria portátil, ou se era na tomada mesmo e fim de papo. O treco, que ainda por cima seria valvulado - ou seja, frágil - ( e apesar disso ) devia pesar um monte.
Então: com esse tipo de aparelho, qual o motivo de se implantar uma lei restritiva? Será que alguém conseguia levar o trambolho para dentro daqueles ônibus-anões que tínhamos na década de 60? Só se fosse por causa do volume, e não do som.
Enfim, questões como essa não serão resolvidas. Mas serviram como introdução a uma pequena e rápida história que aconteceu, de verdade, em São Paulo, onde essas coisas acontecem de verdade.
O sujeito, numa 3a. ou 4a. feira pega seu ônibus, lá pelas 24:20hs. Tarde. Cansaço. Antes do embarque, a espera, num banco de concreto. A seu lado, um cidadão manuseia avidamente seu ( acertou, biduzão! ) celular. Pouco antes de subirem, à porta, o cidadão ( parece que esperava o momento ) já manda: "Tum-Tss, Tum-Tss, Tum-Tss...". Ou melhor: "TUM-TSS, TUM-TSS, TUM-TSS...". Sem surpresas: é óbvio que o cidadão não iria usar seu celular para ouvir Frank Sinatra ou Beethoven. O cara ouve é música do Sistema, como funk, poperô e Racionais ( questão de beat, entende? É o beat que importa ). Tipo de música que se ouve, também alto, estourando o alto-falante do carango.
Ou seja, ele já sobre no busão, com o som ligado - e bem alto. Passa pelo motorista. Pelo cobrador. Você pensa que ele abaixou o volume, ou colocou um fone? Agora você errou. Nada disso. O peão foi torturando os demais passageiros a viagem toda. Alguns olhavam de esguelha, outros passavam a mão no cabelo compulsivamente. E o barco segue.
Nosso herói chega, após meia hora de viagem torturante, a seu destino, e desembarca exclamando baixo um "graças a Deus".
DOIS DIAS DEPOIS...
Inadvertidamente, ele embarca no mesmo local, no mesmo horário. É o último do dia. A mesma linha. Depois se lembra: e se o babacão estiver aí?
Por enquanto, um agradável silêncio impera.
Nosso herói descola um lugar, remexe a bolsa e descola um gibi.
Faltando encorajadores 4 minutos para a partida do ônibus, eis que um ribombar infernal invade o veículo: "t'dumdum-ts-tumdum-ts, t'dumdum-ts-tumdum-ts...!". E a voz dos "irmão" começa a falar aquela ladainha toda sobre assaltos, manos e drogas. ( O clichê que, longe de descrever uma situação, na verdade COLABORA para que muita gente se identifique e passe a querer, falsamente, vivenciar aquilo. A vida imita a arte. Tem pessoas que não conseguem distinguir o "eu-lírico" nas canções. Como o "eu-lírico" do Johnny Cash que, na vida real, jamais "shotted a man in Reno, just to watch him die". )
Mas como? Cadê o cara? Que cara mais chato e imbecil!
Mas não era o imbecil. Era uma garota. Da mesma família, a dos imbecis, que cresceu e multiplicou.
Nosso herói ficou tomado pela raiva. Que fazer? Brigar? Seria covardia, claro. Por quê não brigou, naquele dia anterior, com o babaca?
O seu diálogo interno não durou muito. Faltavam 3 minutos para a partida ( ponto inicial, relembremos ), e o cobrador sobe ao veículo. Nosso herói, então, chega próximo à catraca e diz ao cobrador:
- P'favor, abre aí a porta. Eu vou descer.
O cobrador demorou uns 3 segundos para entender, mas fez o que o passageiro solicitou. Este, sob os olhares dos poucos passageiros.
Desceu, e se dirigiu até um outro ponto, onde ainda podia pegar outra condução, de outra linha.
O ônibus do qual descera saiu pouco depois.
40 MINUTOS DEPOIS...
Nosso herói mofava ali. Finalmente, a espera se encerra.
Deu o sinal, embarcou, dirigiu-se imediatamente à catraca e atravessou-a.
Olhou pro fundo do ônibus, procurando um assento desocupado.
E então ouviu, bem alto, lá do fundão:
"T'DUMDUM-TS-TUMDUM-TS! T'DUMDUM-TS-TUMDUM-TS!"


Baseado em uma história real.

"O Nariz" por Luís Fernando Veríssimo ( OBS: texto dele, mesmo! )

Era um dentista, respeitadíssimo. Com seus quarenta e poucos anos, uma filha quase na faculdade. Um homem sério, sóbrio, sem opiniões surpreendentes mas uma sólida reputação como profissional e cidadão. Um dia, apareceu em casa com um nariz postiço. Passado o susto, a mulher e a filha sorriram com fingida tolerância. Era um daqueles narizes de borracha com óculos de aros pretos, sombrancelhas e bigodes que fazem a pessoa ficar parecida com o Groucho Marx. Mas o nosso dentista não estava imitando o Groucho Marx. Sentou-se à mesa do almoço – sempre almoçava em casa – com a retidão costumeira, quieto e algo distraído. Mas com um nariz postiço.
- O que é isso? – perguntou a mulher depois da salada, sorrindo menos.
- Isso o quê?
- Esse nariz.
- Ah. Vi numa vitrina, entrei e comprei.
- Logo você, papai…
Depois do almoço, ele foi recostar-se no sofá da sala, como fazia todos os dias. A mulher impacientou-se.
- Tire esse negócio.
- Por quê?
- Brincadeira tem hora.
- Mas isto não é brincadeira.
Sesteou com o nariz de borracha para o alto. Depois de meia hora, levantou-se e dirigiu-se para a porta. A mulher o interpelou.
- Aonde é que você vai?
- Como, aonde é que eu vou? Vou voltar para o consultório.
- Mas com esse nariz?
- Eu não compreendo você – disse ele, olhando-a com censura através dos aros sem lentes. – Se fosse uma gravata nova você não diria nada. Só porque é um nariz…
- Pense nos vizinhos. Pense nos cliente.
Os clientes, realmente, não compreenderam o nariz de borracha. Deram risadas (“Logo o senhor, doutor…”) fizeram perguntas, mas terminaram a consulta intrigados e saíram do consultório com dúvidas.
- Ele enlouqueceu?
- Não sei – respondia a recepcionista, que trabalhava com ele há 15 anos. – Nunca vi ele assim. Naquela noite ele tomou seu chuveiro, como fazia sempre antes de dormir. Depois vestiu o pijama e o nariz postiço e foi se deitar.
- Você vai usar esse nariz na cama? – perguntou a mulher.
- Vou. Aliás, não vou mais tirar esse nariz.
- Mas, por quê?
- Por quê não?
Dormiu logo. A mulher passou metade da noite olhando para o nariz de borracha. De madrugada começou a chorar baixinho. Ele enlouquecera. Era isto. Tudo estava acabado. Uma carreira brilhante, uma reputação, um nome, uma família perfeita, tudo trocado por um nariz postiço.

- Papai…
- Sim, minha filha.
- Podemos conversar?
- Claro que podemos.
- É sobre esse nariz…
- O meu nariz outra vez? Mas vocês só pensam nisso?
- Papai, como é que nós não vamos pensar? De uma hora para outra um homem como você resolve andar de nariz postiço e não quer que ninguém note?
- O nariz é meu e vou continuar a usar.
- Mas, por que, papai? Você não se dá conta de que se transformou no palhaço do prédio? Eu não posso mais encarar os vizinhos, de vergonha. A mamãe não tem mais vida social.
- Não tem porque não quer…
- Como é que ela vai sair na rua com um homem de nariz postiço?
- Mas não sou “um homem”. Sou eu. O marido dela. O seu pai. Continuo o mesmo homem. Um nariz de borracha não faz nenhuma diferença.
- Se não faz nenhuma diferença, então por que usar?
- Se não faz diferença, porque não usar?
- Mas, mas…
- Minha filha…
- Chega! Não quero mais conversar. Você não é mais meu pai!

A mulher e a filha saíram de casa. Ele perdeu todos os clientes. A recepcionista, que trabalhava com ele há 15 anos, pediu demissão. Não sabia o que esperar de um homem que usava nariz postiço. Evitava aproximar-se dele. Mandou o pedido de demissão pelo correio. Os amigos mais chegados, numa última tentativa de salvar sua reputação, o convenceram a consultar um psiquiatra.
- Você vai concordar – disse o psiquiatra, depois de concluir que não havia nada de errado com ele – que seu comportamento é um pouco estranho…
- Estranho é o comportamento dos outros! – disse ele. – Eu continuo o mesmo. Noventa e dois por cento de meu corpo continua o que era antes. Não mudei a maneira de vestir, nem de pensar, nem de me comportar, Continuo sendo um ótimo dentista, um bom marido, bom pai, contribuinte, sócio do Fluminense, tudo como era antes.
- Mas as pessoas repudiam todo o resto por causa deste nariz. Um simples nariz de borracha. Quer dizer que eu não sou eu, eu sou o meu nariz?
- É… – disse o psiquiatra. – Talvez você tenha razão…
O que é que você acha, leitor? Ele tem razão? Seja como for, não se entregou. Continua a usar nariz postiço. Porque agora não é mais uma questão de nariz. Agora é uma questão de princípios.

"Tava demorando p/aparecer nariz de palhaço. RT @g1politica: Enfermeiro usa nariz de palhaço e oferece panetone p/Arruda http://bit.ly/4ySloo " em: http://twitter.com/?status=@viniciusduarte%20&in_reply_to_status_id=6209951049&in_reply_to=viniciusduarte [ Diálogo protagonizado no twitter ]

"Sfot Poc", por Luiz Fernando Veríssimo ( OBS: texto dele, mesmo! )

Chamava-se Odacir e desde pequeno, desde que começara a falar, demonstrara uma estranha peculiaridade. Odacir falava como se escreve. Sua primeira palavra não foi apenas “Gugu”. Foi:
- Gu, hífen, gu…
Os pais se entreolharam, atônitos. O menino era um fenômeno. O pediatra não pôde explicar o que era aquilo. Apenas levantou uma dúvida.
- Não tenho certeza que “gugu” se escreve com hífen. Acho que é uma palavra só, como todas as expressões desse tipo. “Dadá”, etc.
- Da, hífen, dá - disse o bebê, como que para liquidar com todas as dúvidas.
Um dia, a mão veio correndo. Ouvira, do berço, o Odacir chamando:
- Mama sfot poc.
E, quando ela chegou perto:
- Mama sfotoim poc.
Só depois de muito tempo os pais se deram conta. “Sfot Poc” era ponto de exclamação e “sfotoim poc”, ponto de interrogação.
Na escola, tentaram corrigir o menino.
- Odacir !
- Presente sfot poc.
- Vá para a sala da diretora!
- Mas o que foi que eu fiz sfotoim poc.
Com o tempo e as leituras, Odacir foi enriquecendo seu repertório de sons. Quando citava um trecho literário, começava e terminava a citaçao com “spt, spt”. Eram as aspas. Aliás, não dizia nada sem antes prefaciar um “zit”. Era o travessão. Foi para a sua primeira namorada que ele disse certa vez, maravilhado com a própria descoberta:
- Zit Marilda plic (vírgula) você já se deu conta que a gente sempre fala diálogo sfotoim poc.
- O quê?
- Zit nós sfot poc. Tudo que a gente diz é diálogo sfot poc.
- Olhe, Odacir. Você tem que parar de falar desse jeito. Eu gosto de você, mas o pessoal fala que você é meio biruta.
- Zit spt spt biruta spt spt sfotoim poc.
- Viu só? Você não pára de fazer esse ruídos. E ainda por cima, quando diz “sfotoim”, cospe no meu olho.
O namoro acabou. Odacir aceitou o fato filosoficamente, aproveitando para citar o poeta.
- Zit spt spt. Que seja eterno enquanto dure poc poc poc spt spt.
Poc poc poc eram as reticências.
Odacir era fascinado por palavras. Tornou-se o orador da turma e até hoje o seu discurso de formatura (em Letras) é lembrado na faculdade. Como os colegas conheciam os hábitos de Odacir mas os pais e os convidados não, cada novo som do Odacir era interpretado, aos cochichos, na platéia:
- Zit meus senhores e minhas senhoras poc poc.
- Poc, poc?
- Dois pontos.
- Que rapaz estranho…
- A senhora ainda não viu nada…
Quando lia um texto mais extenso, Odacir acompanhava a leitura com o corpo. As pessoas viam, literalmente, o Odacir mudar de parágrafo.
- Mas ele parece que está diminuindo de tamanho!
- Não, não. É que a cada novo parágrafo ele se abaixa um pouco.
Quando chegava ao fim de uma folha, Odacir estava quase no chão. Levantava-se para começar a ler a folha seguinte.
- Colegas sfot poc Mestres sfot poc Pais sfot poc. No limiar de uma era de grandes transformações sociais plic o que nós plic formando em Letras plic podemos oferecer ao mundo sfotoim poc.
A grande realização de Odacir foi o trema. Para interpretar o trema, Odacir não queria usar poc, poc, que podia ser confundido com dois pontos. Poc plic era ponto e vírgula. Um spt só era apóstrofe. Como seria trema? Odacir inventou um estalo de língua, algo como tlc, tlc. Difícil de fazer e até perigoso. Ainda bem que tinha poucas oportunidades de usar o trema.

Odacir, apesar de formado em Letras, acabou indo trabalhar no escritório de contabilidade do pai. Levava uma vida normal. Lia muito e sua conversa era entrecortada de spt, spts, citações dos seus autores favoritos. Mesmo assim casou - na cerimônia, quando Odacir disse “Aceito sfot poc”, o padre foi visto discretamente enxugando um olho - e teve um filho. E qual não foi o seu horror ao ouvir o primeiro som produzido pelo recém-nascido:
- Zzzwwwwuauwwwuauzzz!
- Zit o que é isso sfotoim e sfot poc?
- Parece - disse a mulher, atônita - o som de uma guitarra elétrica.
O filho de Odacir, desde o berço, fazia a sua própria trilha sonora. Para a tristeza do pai, produzia até efeitos especiais, como câmara de eco. Cresceu sem dizer uma palavra. Até hoje anda por dentro de casa reverberando como um sintetizador eletrônico. É normal e feliz, mas o único som mais ou menos inteligível - pelo menos para seus pais - que faz é “tump tump”, imitando o contrabaixo elétrico.
- Zit meu filho poc poc poc. Meu próprio filho poc poc poc. - diz Odacir.
Poc, poc, poc.

sábado, 28 de novembro de 2009

CTEEP, vendida barato por Geraldo Alckmin aos colombianos deverá pagar multa de 1,8 milhão de reais por blecaute de 2008

Cteep terá que pagar multa de R$ 1,8 milhão por blecaute de 2008
A Aneel negou recursos da Cteep e Cemat (MT) que recorreram de multas aplicadas pela fiscalização da agência. Com as decisões, foi mantida multa de R$ 1,785 milhão aplicada à Cteep por conta da explosão de um disjuntor de uma subestação que resultou na interrupção do fornecimento em regiões comerciais da capital paulista em 2008.
O blecaute foi originado por uma explosão de um transformador na Subestação Bandeirantes da empresa, privatizada em 2006, e deixou sem energia 3 milhões de pessoas em 21 bairros na capital paulista e parte dos municípios de Taboão da Serra e Embu.
Sete minutos após o problema no primeiro transformador (às 8h45), os outros dois também pararam. Depois, veio o caos. Semáforos apagados ou intermitentes ocasionaram acidentes e o congestionamento recorde de 155,8 km, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET); a Linha 1 do metrô (Norte-Sul) parou de circular por sete minutos entre as estações Jabaquara e Praça da Árvore, apresentando lentidão entre as outras estações; o check in do aeroporto de Congonhas ficou paralisado por 15 minutos; elevadores parados, com gente dentro; enfim, toda sorte de transtornos à população.
A Cemat terá que pagar a multa de R$ 123,064 mil aplicada pelo descumprimento das metas do programa Luz para Todos.

( HORA DO POVO, ed. 2821, 27.11.09 )

Dois sindicalistas, presos com Lula por 30 dias em 1980, afirmam que Benjamin está louco

Artigo da Folha é mentiroso, dizem militantes presos com Lula
Dois sindicalistas, presos com Lula por 30 dias em 1980, afirmam que Benjamin está louco
ABCDMAIOR, 28.11.09
O artigo do ex-petista, ex-filiado ao Psol, ex-militante secundarista e de esquerda, César Benjamin, publicado em página inteira no jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira (27/11), acusando o presidente Lula de tentar violentar outro preso político nos 30 dias em que ficou preso no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) foi considerado “insano, mentiroso e ressentido” por militantes que ocuparam a mesma cela que o presidente em 1980. Djalma Bom, ex-deputado federal e ex-vice-prefeito de São Bernardo, e o deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP), os únicos que permaneceram todos os dias presos com Lula, negaram a acusação do articulista da Folha.
Ambos afirmaram que apenas sindicalistas ficaram presos na cela onde o presidente foi detido e negaram que qualquer militante do MEP (Movimento Emancipação do Proletário) tenha permanecido na mesmo local.
“Chegamos a ficar em 18 presos. Todos conviviam juntos, repartindo as tarefas. César Benjamin faria um serviço à sua história se não estivesse preocupado com coisas absurdas. Parece uma coisa de pessoa ressentida, revanchismo. Não pode estar com a cabeça boa. Seria uma contribuição se ele fizesse uma discussão ideológica contra o PT”, afirmou Djalma Bom.
“Esse César Benjamin ficou louco. A luz nunca ficava apagada, ficávamos jogando baralho e tentando manter a cela organizada. Não tinha ninguém do MEP. Benjamin acredita que por ter ficado muito tempo preso pode falar tais absurdos. Ninguém é melhor do que ninguém só pelo tempo de prisão”, relembrou Ribeiro.
O chefe de gabinete da presidência, Gilberto Carvalho, afirmou nesta sexta que Lula tomou conhecimento do artigo de Benjamin e ficou “triste, abatido e sem entender” o motivo do ataque.

Confira o trecho do artigo publicado pela Folha, no qual Benjamin acusa Lula.

Os filhos do Brasil

César Benjamin

Especial para a Folha

(…) São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.
Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.
Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”.
Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.
Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.
O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu (…)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Denúncia gravíssima: Lula já possui histórico de ataques sexuais!!! Deve ser a rapadura que lhe deu essa potência toda!!

Essa é de lascar.
Estava visitando o site "Balaio do Kotscho", e detive-me nesta postagem: "Audálio Dantas lança livro sobre infância de Lula".
Leitura vai, leitura vem, e saltam-me aos olhos as palavras que transcreverei a seguir. Palavras, por demais reveladoras, mostrando que o presidente já possui, desde tenra idade, um histórico não divulgado de predador sexual, fato esse que só veio a ser conhecido do público graças a grave denúncia do economista César Benjamin, a saber: em texto publicado na Folha de São Paulo, César disse que o então líder sindical Luís Inácio, lá pelos idos dos anos 70 [ fase pré-PT ], se encontrava temporariamente hospedado em alguma dependência carcerária juntamente com outros agitadores sindicais comunistas quando, cansado daquela seca, resolveu "atacar" um dos companheiros de cela.
O ataque, trazido a público por César Benjamim, causa agora uma tremenda polêmica. Só que, quando menos se esperava, revelam-se novos fatos que comprovariam que o "mojo" de Lula não descansa um momento sequer. Vejam o que diz, num trecho por nós selecionado, Ricardo Kotscho, comentando o livro de Audálio Dantas:

" (...) Mas posso garantir a vocês que é tudo verdade. Mil vezes já ouvi Lula contar as mesmas histórias [ grifo nosso, pois trata-se de uma confissão feita pelo próprio Lula ], sempre do mesmo jeito. E Audálio foi absolutamente fiel a elas.
Ao ler algumas cenas deste livro era como se me lembrasse do Lula contando.
Do espanto da jumenta que o agarrou com os dentes e não o queria soltar.
Do mulungu que continuava em pé
quando fui a primeira vez com ele a Caetés, em 1989.
De Lula e Ziza, o Frei Chico, se aliviando no mato, durante uma parada do caminhão, e quase perdendo o pau-de-arara ( ... )" [ todos grifos nossos ].
Então vejam: Lula "conta as mesmas histórias", o que quer dizer que ele reconhece como verdadeiros os seguintes fatos:
Uma jumenta - todo mundo já deve ter ouvido histórias sobre jumentinhas, não? - se "espanta". Com o quê? E por quê, com o susto, atacaria Lula, e com os dentes? E, o que foi que a jumentinha mordeu? Será que foi assim que o Lula perdeu aquele dedinho? Bom, podia ter sido pior, acho.
"O mulungu continuava em pé" e "se aliviando no mato até quase perder o pau-de-arara". Aqui, obviamente tratam-se de expressões figuradas, cuja conotação é claramente sexual.
Há algo pior, nisso tudo: Kotscho diz que Lula já contou essas aventuras. Logo, Kotscho já teve, há tempos, ciência dessa voracidade do Lula, mas não abriu o bico. Se não fosse o livro de Dantas, o Audálio, essa verdade escabrosa ficaria escondida do povão. Eu preferia não ter sabido, aliás.




PS: Espero que esta nota que você está lendo agora não se faça necessária mas, diga-me: você percebeu que este é um post humorístico, né? Se não percebeu, fica aqui a advertência: é um post de humor.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Leonardo Sakamoto apresenta ( e a gente, humildemente, copia ): "Curso de jornalismo prático: o manual do colunista"

Curso de jornalismo prático: o manual do colunista

Quer virar colunista ou editorialista de jornalão impresso, de um telejornal noturno ou de uma revista semanal de grande circulação? Fácil. Basta seguir esse manual. Para cada tema polêmico da atualidade, há um repertório de cinco argumentos que devem ser repetidos ad nauseum, sem margem para hesitação. Pintou o tema, escolha um dos cinco argumentos abaixo e tasque na sua coluna. Se quiser, use mais de um. Você é a estrela. O artigo é de Leonardo Sakamoto.
Leonardo Sakamoto - Blog do Sakamoto
Do Blog do Sakamoto

Agora que a obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão caiu, o Blog do Sakamoto reforça o seu Curso de Jornalismo Prático. Já em sua terceira aula (a primeira e a segunda, sobre o Disk-Fonte: O Jornalismo Papagaio de Repetição, foram um sucesso), o Curso é elaborado em conjunto com amigos que são grandes repórteres e conhecem como ninguém o universo das redações. Para esta aula, um deles foi certeiro na análise do problema, criando um manual que será de grande utilidade aos recém-formados, mas também àqueles com mais quilometragem que querem “chegar lá”.
Quer virar colunista ou editorialista de jornalão impresso, de um telejornal noturno ou de uma revista semanal de grande circulação? Fácil. Basta seguir esse manual. Para cada tema polêmico da atualidade, há um repertório de cinco argumentos que devem ser repetidos ad nauseum, sem margem para hesitação. Pintou o tema, escolha um dos cinco argumentos abaixo e tasque na sua coluna. Se quiser, use mais de um. Você é a estrela.
Uma dica: para sua coluna parecer diversificada, democrática, procure colocar alguns dos argumentos abaixo na boca de “especialistas”. Veja a lista de nossos especialistas no Disk-Fonte e escolha livremente. Se já estiver na hora do fechamento e ninguém atender, ligue para o Demétrio Magnolli, pois esse está sempre à disposição e discorre sobre qualquer assunto. Ele é fera.
E atenção: não se preocupe se o seu concorrente direto anda usando exatamente esses mesmos argumentos há anos. Não importa também se quase todos esses argumentos já foram aniquilados pelos fatos. O importante, em todos os casos, não é citar fatos. O que conta é dar ênfase no argumento. Se você estiver apresentando um telejornal, faça cara de compenetrado. Se for uma coluna, um editorial, carregue no título.
Além da segurança, da facilidade e da comodidade, há várias outras razões para você usar esse manual: 1) você vai parecer erudito; 2) você vai gastar pouco tempo para fechar a coluna; e 3) seu texto irá repercutir muito bem junto ao dono do(a) jornal/revista/TV que você trabalha.

Ao manual:

Se o assunto é:
Cotas nas universidades, ação afirmativa, Estatuto da Igualdade Racial
Seus argumentos devem ser:
“Para a biologia, a raça humana é uma só. Logo, não faz sentido dividir as pessoas por raças”

“A política de cotas é perigosa. Irá criar conflitos que não existem hoje no Brasil”

“É uma ameaça à qualidade do ensino, pois os beneficiários não conseguirão acompanhar as aulas”

“Essas iniciativas representam uma ameaça ao princípio de que todos são iguais perante a lei”

“Cotas são ruins para os próprios negros, pois eles sempre se sentirão discriminados na faculdade”

Se o assunto é:
Reforma agrária, MST, agricultura familiar
Seus argumentos devem ser:
“Não faz mais sentido fazer reforma agrária no século 21”

“O agronegócio é muito mais produtivo, eficiente, rentável, moderno e lucrativo”

“O Fernando Henrique já fez a reforma agrária no Brasil”

“Se você distribui lotes, o agricultor pega a terra e a vende para terceiros depois”

“O MST é bandido”

Se o assunto é:
Bolsa Família
Seus argumentos devem ser:
“O pobre vai usar o dinheiro para comprar TV, geladeira, sofá e outros artigos de luxo”

“O pobre não terá incentivo para trabalhar. Vai se acostumar na pobreza”

“Não adianta dar o peixe, tem de ensinar a pescar”

“O programa não tem porta de saída” (não tente explicar o que é isso)

“O governo só sabe criar gastos”


Se o assunto é:
Mortos e desaparecidos políticos, abertura de arquivos da ditadura, revisão da Lei de Anistia
Seus argumentos devem ser:
“Não é hora de mexer nesse assunto”

“A Anistia foi para todos. Valeu para os militares; valeu para os terroristas”

“Não é hora de mexer nesse assunto”

“A Anistia foi para todos. Valeu para os militares; valeu para os terroristas”

“Não é hora de mexer nesse assunto”

Se o assunto é:
Confecom, democratização da comunicação, classificação indicativa
Seus argumentos devem ser:
“Qualquer regulamentação é ruim, o mercado regula”

“É um atentado à liberdade de imprensa”

“Querem acabar com o seu direito de escolha”

“Já tentaram expulsar até o repórter do New York Times, sabia?”

“A classificação indicativa é censura. Os pais é que têm que regular o que seus filhos assistem”

Se o assunto é:
A política econômica
Seus argumentos devem ser:
“O governo deveria aproveitar esse período de vacas gordas para fazer as reformas que o Brasil precisa, cortando custos”

“Os gastos e a contratação de pessoal estão completamente fora de controle”

“O país precisa fazer a lição de casa e cortar postos de trabalho”

“Quem produz sofre muito com o Custo Brasil, é necessário cortar custos e investir em infra-estrutura”

“Só dá certo porque é continuidade do governo FHC”

Se o assunto é:
Trabalho e capital
Seus argumentos devem ser:
“O que os sindicatos não entendem é que, nesta hora, todos têm que dar sua cota de sacrifício”
“Os grevistas não pensam na população, apenas neles mesmos”

“Sem uma reforma trabalhista que desonere o capital, o Brasil está fadado ao fracasso”

“A CLT é uma amarra que impede a economia de crescer”

“É um absurdo os sindicatos terem tanta liberdade”


Superando o mestre: atendendo a demanda irracional do transporte individual, Serra e Kassab gastam mais em obras viárias que Paulo Maluf!

A obsessão por túneis, viadutos, grandes avenidas...
Especialistas criticam a priorização do transporte individual pelos governos através da realização de grandes obras viárias
BRASIL DE FATO
23/11/2009
Michelle Amaral
da Reportagem
Na cidade de São Paulo, a lei 13.241, de 2001, que rege a prestação do serviço em transporte público, estabelece, em seu artigo terceiro, que é dever do poder público dar prioridade ao transporte coletivo sobre o individual.
No entanto, especialistas afirmam que não é isso que acontece na metrópole. Segundo eles, a atenção, tanto do governador José Serra (PSDB) como do prefeito Gilberto Kassab (DEM), está voltada ao transporte individual, através da realização de grandes obras viárias.
Chegam a cerca de R$ 4 bilhões os investimentos estaduais e municipais em obras viárias previstas para serem concluídas até 2010 na cidade de São Paulo. O montante está destinado à construção de pontes, túneis e vias. Com este valor, calcula-se que seria possível construir, por exemplo, 20 km de metrô.
A quantidade de projetos em obras viárias de visibilidade realizada por Serra e Kassab é a maior desde a gestão de Paulo Maluf (PP), prefeito por duas vezes – de 1969 a 1971 e de 1993 a 1996 – e responsável pela construção, entre outros, do Minhocão, da avenida Roberto Marinho, da Faria Lima e da Radial Leste, além do túnel Ayrton Senna.
Lucas Monteiro, do Movimento Passe Livre de São Paulo (MPL-SP), explica que, de um modo geral, pode-se dizer que os governos têm como prioridade o transporte privado. “Mesmo que tenha um discurso sobre transporte público, a maior parte dos investimentos governamentais são para a ampliação da malha viária nas cidades visando o transporte particular em detrimento do coletivo”, completa.
Trânsito
Uma das obras de maior visibilidade sendo realizada em São Paulo é a ampliação da Marginal do rio Tietê, que custará R$ 1,3 bilhão, com a construção de novas pistas, pontes e viadutos. A obra tem previsão de conclusão até outubro de 2010, ano eleitoral.
O objetivo da Nova Marginal do Tietê, segundo Serra, é dar maior fluidez ao trânsito e diminuir o tempo de viagem dos paulistanos. Hoje, a Marginal apresenta cerca de 30 km de congestionamento nos horários de “pico”, 25% do total medido na cidade.
Outras obras viárias ainda serão realizadas na cidade, como o túnel que ligará a avenida Roberto Marinho à rodovia dos Imigrantes, que terá um custo de aproximadamente R$ 2 bilhões, a ampliação do túnel Jânio Quadros e a ligação do túnel Ayrton Senna à avenida 23 de Maio, que inclusive motivou decretos de desapropriação na região.
Diferentemente do que defende o governo estadual, que a ampliação da malha viária contribuiria para melhor a mobilidade urbana, o engenheiro e ex-secretário de transportes da cidade, Lúcio Gregori, aponta o fato de se colocar o transporte coletivo a reboque do individual no que tange a investimentos e custeio como um dos maiores empecilhos à mobilidade.
Ele explica que a questão é bem mais profunda e extensa e que não se restringe somente à cidade de São Paulo ou aos centros urbanos brasileiros. “Desde sua implantação, as cidades foram se conformando ao uso do automóvel como único modo de se usufruí-las. Total falta de racionalidade na criação e uso do espaço, enfim, aquilo que muitos chamam de caos urbano, mas que é muito organizado se olhado pela perspectiva da indústria automobilística”, detalha.
Segundo o engenheiro, uma das grandes motivações dos investimentos governamentais na priorização do transporte individual é a própria industria automobilística, que movimenta bilhões em todas as suas esferas, desde a produção até a propaganda.
O setor, por exemplo, recebeu atenção especial dos governos durante a crise econômica mundial, desencadeada a partir do segundo semestre de 2008. No Brasil, foram destinados R$ 4 bilhões para os bancos operados por montadoras, a fim de se garantir crédito para o financiamento na venda dos veículos. Além da concessão de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de automóveis, de dezembro de 2008 ao final de setembro deste ano.
Transporte como saída
Wagner Gomes defende que, olhando do ponto de vista de se garantir a mobilidade nos grandes centros urbanos, o transporte coletivo é a solução, e não a priorização de ampliação das vias para os automóveis. “Para você ter uma ideia, o espaço que quatro carros ocupam em uma rua, e cada carrega quatro pessoas, é o mesmo espaço que ocupa um ônibus e que poderia carregar cerca de 80, 90 pessoas. Esse é o grande nó, que é o problema da política deliberada de investimento, em nossa opinião, contrária ao transporte público”, explica.
Para o metroviário, a saída para a questão da mobilidade urbana está na ampliação da malha ferroviária e do metrô e na construção de mais corredores de ônibus. “Dizem que o corredor de ônibus prioriza o transporte coletivo. Mas o que é um corredor de ônibus? É uma faixa destinada a ônibus contra quatro faixas destinadas exclusivamente a carros”, lembra Lucas Monteiro, que alega que não há uma solução a curto prazo para o problema do trânsito em São Paulo, mas que medidas destinadas à melhoria do transporte público, como ampliação dos corredores de ônibus, da malha ferroviária e do metrô, contribuiriam para amenizar o problema.
Gregori alerta que “quanto espaço se ofertar para a fluidez do trânsito, tanto os automóveis o ocuparão”. Dessa forma, o engenheiro também acredita que a solução para o problema do trânsito em São Paulo, como em outros centros urbanos, é a construção de mais corredores de ônibus, ao invés de somente ampliar a malha viária destinada aos automóveis.
Na capital paulista, a frota de veículos é de cerca de 5 milhões, enquanto que a de ônibus é de pouco mais de 41 mil, conforme dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP).
O engenheiro defende que, havendo oferta abundante e barata de transporte coletivo de qualidade, poderá se produzir o desestímulo ao uso do transporte individual, reduzindo assim o trânsito nas cidades, por exemplo.
Segundo Gregori, a falta de atenção ao transporte coletivo e os problemas em torno da mobilidade urbana nos grandes centros, ao contrário das explicações sobre limitações técnicas para a realização das mudanças, tratam de opção política, da forma como os governos lidam com a questão. “Se a política estiver no caminho certo, de priorizar efetivamente os transportes coletivos, as soluções técnicas serão efetivadas nessa direção. Caso contrário, não”, analisa.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"Apagão e acidente no Rodoanel", por Jasson de Oliveira Andrade

Apagão e acidente no Rodoanel
por Jasson de Oliveira Andrade

Novembro de 2009 foi o mês em que ocorreram fatos que poderão ser temas para as eleições de 2010. Por mera coincidência, eles irão atingir politicamente Dilma e Serra, ambos candidatos à Presidência da República no próximo ano.
O primeiro fato aconteceu em 10 de novembro, quando tivemos, à noite, o apagão. Durou praticamente pouco tempo, no máximo, em alguns Estados, oito horas. O governo federal foi muito criticado. Dilma foi cobrada por uma declaração feita no dia 29 de outubro, no programa “Bom Dia, Ministro”: “Nós também temos uma outra certeza, que não vai ter apagão. É que nós hoje voltamos a fazer planejamento”. No dia 13 de novembro, segundo noticiou o Estadão, “a ministra e pré-candidata ao Planalto fez questão de diferenciar o que houve terça-feira [10/11] com o que ocorreu na gestão Fernando Henrique Cardoso [em 2001], negando que o governo tenha prometido que não ocorreriam mais blecautes. “O que nós prometemos é que não terá mais racionamento neste País. Racionamento é barbeiragem”, atacou Dilma”. O físico Luiz Pinguelli Rosa, no artigo “Blecaute”, publicado na Folha de 13 de novembro, concorda com a ministra: “Ainda pairam algumas dúvidas sobre o blecaute que atingiu vários Estados brasileiros, mais drasticamente São Paulo e Rio de Janeiro. (...) É preciso esclarecer, porém, que o ocorrido na terça-feira [10/11] foi totalmente diferente do chamado apagão de 2001, quando o governo [FHC] decretou um racionamento obrigatório de energia elétrica para toda a população, sob pena de desligamento de residência ou empresa por alguns dias caso não fosse cumprido o corte no consumo”. Para quem não se lembra, depois do blecaute daquela época, tivemos racionamento de energia elétrica entre junho de 2001 a fevereiro de 2002. Nem as luzes das Árvores de Natal podiam ser acesas, nas praças ou mesmo nas residências! Em 2001, racionamento de oito meses. Em 2009, blecaute de oito horas. Tudo indica que essa comparação deste ano com aquele de FHC não é lá muito favorável aos tucanos.
Serra não teve sorte. Na sexta feira, 13, ocorreu o acidente no Rodoanel, quando vigas desabaram sobre três carros na rodovia Régis Bittencourt. Felizmente não houve vítima fatal. Na reportagem “Empreiteiras erraram na instalação de vigas, diz Crea”, a Folha, edição de 17 de novembro, noticiou: “O engenheiro civil José Tadeu da Silva, presidente do órgão [Crea-SP], afirmou ontem [16/11] que as empreiteiras precisavam ter colocado as cinco vigas de concreto do viaduto de uma só vez, para permitir a amarração da estrutura e para que ela “travasse” (Em tempo: o engenheiro José Tadeu da Silva foi vereador em Mogi Guaçu). Anteriormente tivemos em São Paulo (Capital) outro acidente, que mereceu um estudo do Estadão (28/3/2008), sob o título A MAIOR TRAGÉDIA DO METRÔ, dizendo: “Em janeiro de 2007, uma cratera de obras da Linha 4 do Metrô deixava 7 mortos e 230 moradores sem casa”.
Apagão e Rodoanel são temas para as eleições de 2010 ou devem ser esquecidos pelos políticos? Não seria o roto falando do rasgado? Penso que sim. A não ser que outros acidentes e blecautes ocorram.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é
jornalista em Mogi Guaçu
Novembro de 2009

Imagem do dia: Portal do América-RJ convoca torcida para jogo contra ARTSUL, com a presença de ROMÁRIO "Gênio da BOLA" em campo!

Jornalista é preso tentando chantagear prefeito! Mas nem em jornalistas a gente pode confiar mais...

Cai a última cidadela da confiabilidade neste país. Imagine você, num belo dia, abre o jornal para espairecer um pouco e se depara com algum escândalo provocado pela ganância de alguém, de algum "político", sei lá.
E agora? Como saber se aquilo que está impresso naquelas páginas cheias de chumbo que impregnam de tinta nossos dedos? De repente, vai se saber, um jornalista resolve ( Que tempos são esses? ) comunicar a um suposto autor de ilícitos que, se este último não dividir um pouco do butim amealhado aos cofres públicos, então o povo vai ficar sabendo da roubalheira. Que maneira limpa de também participar do assalto aos cofres públicos, sem sujar as mãos, heim?
Claro, a chantagem não precisa envolver roubalheira. Pode ser algo menor, tipo "seu caro foi visto ontem atropelando uma criança e fugindo do local sem prestar socorro", ou "você é gay e eu vou acabar com seu casamento", ou ainda "Incesto, meu caro? Ai de você se alguém souber disso pela imprensa livre. O que me faz lembrar duma grana que eu estou devendo no caça-níqueis do bingo de propriedade da máfia russa".
Que tempos...
Jornalista é preso em flagrante por extorquir dinheiro de prefeito no Mato Grosso
Da Redação
O jornalista Wilson Lima Santos, 57, foi preso em flagrante ao tentar extorquir o prefeito de São José do Rio Claro (MT), Massao Watanabe. O prefeito registrou Boletim de Ocorrência na manhã de segunda-feira (23/11), após ser chantageado pelo jornalista, que pedia entre R$ 30 mil e R$ 10 mil para deixar de publicar matérias sobre a reprovação das contas municipais pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), como informa A Gazeta, de Cuiabá, desta terça-feira (24/11).
Segundo Watanabe, Santos o procurava há mais de 15 dias. Na última semana o jornalista chegou a imprimir alguns exemplares de seu informativo e apresentou ao prefeito para intimidá-lo. Diante dessa última tentativa de extorsão, o prefeito procurou a polícia.
O jornalista foi preso depois de receber R$ 9,7 mil de Watanabe, no Hospital Rio Médica Assistencial, local do encontro, já que o prefeito também é médico na cidade.
Watanabe explicou que “armou” o flagrante. O prefeito fez cópias do cheque e das notas entregues a Santos, autenticando todos os documentos em cartório, além disso, filmou a negociação com uma câmera escondida.
De acordo com o Watanabe, o jornalista tentou justificar sua atitude sob a alegação de que “estava passando por dificuldades financeiras e precisava do dinheiro para quitar contas".
O prefeito criticou o jornalista por “comentários jocosos” contra a administração pública, e disse que não tem nada a esconder, já que a reprovação de contas é um assunto de conhecimento público.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Receita de sucesso: saiba como Kátia Abreu e outros empreendedores venceram no mundo do agronegócio

Golpe contra camponeses
POR LEANDRO FORTES
DA REVISTA CARTA CAPITAL
Em dezembro passado, a senadora Kátia Abreu, do DEM Tocantins, assumiu a presidência da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) com um discurso pretensamente modernizador. Previa uma nova inserção social dos produtores rurais por meio de “rupturas” no modo de se relacionar com o mercado, o consumidor, o governo e a economia global. Pretendia, segundo ela mesma, “remover os preconceitos” que teriam isolado os ruralistas do resto da sociedade brasileira e cravado neles a pecha de “protótipos do atraso”. Diante de uma audiência orgulhosa da primeira mulher a assumir o comando da CNA, Kátia concluiu: “Somos o que somos e não quem nos imaginam (sic)”. Foi efusivamente aplaudida. E tornou-se musa dos ruralistas.
Talvez, em transe corporativo, a platéia não tenha percebido, mas a senadora parecia falar de si mesma. Aos 46 anos, Kátia Abreu é uma jovem liderança ruralista afeita à velha tradição dos antigos coronéis de terras, embora, justiça seja feita, não lhe pese nos ombros acusações de assassinatos e violências outras no trato das questões agrárias que lhes são tão caras. A principal arma da parlamentar é o discurso da legalidade normalmente válido apenas para justificar atos contra pequenos agricultores.
Com a espada da lei nas mãos, e com a aquiescência de eminências do Poder Judiciário, ela tem se dedicado a investir sobre os trabalhadores sem-terra. Acusa-os de serem financiados ilegalmente para invadir terras Brasil afora. Ao mesmo tempo, pede uma intervenção federal no estado do Pará e acusa a governadora Ana Júlia Carepa de não cumprir os mandados de reintegração de posse expedidos pelo Judiciário local. O foco no Pará tem um objetivo que vai além da política. A senadora, ao partir para o ataque, advoga em causa própria.
Foram ações do poder público que lhe garantiram praticamente de graça extensas e férteis terras do Cerrado de Tocantins. E mais: Kátia Abreu, beneficiária de um esquema investigado pelo Ministério Público Federal, conseguiu transformar terras produtivas em áreas onde nada se planta ou se cria. Tradução: na prática, a musa do agronegócio age com os acumuladores tradicionais de terras que atentam contra a modernização capitalista do setor rural brasileiro.
De longe, no município tocantinense de Campos Lindos, a mais de 1,3 mil quilômetros dos carpetes azulados do Senado Federal, ao saber das intenções de Kátia Abreu, o agricultor Juarez Vieira Reis tentou materializar com palavras um conceito que, por falta de formação, não lhe veio à boca: contras-senso.
Expulso em 2003 da terra onde vivia, graças a uma intervenção política e judicial capitaneada pela senadora do DEM, Reis rumina o nome da ruralista como quem masca capim danado. Ao falar de si mesmo, e quando pronuncia o nome Kátia Abreu, o camponês de 61 anos segue à risca o conselho literal da própria. Não é, nem de longe, quem ela imagina.
Em 2002, Reis foi expulso das terras onde havia nascido em 1948. Foi despejado por conta de uma reforma agrária invertida, cuja beneficiária final foi, exatamente, a senadora. Classificada de "grilagem pública" pelo Ministério Público Federal do Tocantins, a tomada das terras de Reis ocorreu numa tarde de abril daquele ano, debaixo da mira das armas de quinze policiais militares sob as quais desfilaram, como num quadro de Portinari, o agricultor, a mulher Maria da Conceição, e dez filhos menores. Em um caminhão arranjado pela Justiça de Tocantins, o grupo foi despejado, juntamente com parte da mobília e sob um temporal amazônico, nas ruas de Campos Lindos. "Kátia Abreu tem um coração de serpente", resmunga, voz embargada, o agricultor, ao relembrar o próprio desterro.
Em junho de 2005, Reis reuniu dinheiro doado por vizinhos e amigos e foi de carona a Brasília a fim de fazer, pessoalmente, uma reclamação na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Na capital federal, alojou-se na casa de amigos, no miserável município goiano de Águas Lindas, e se alimentou de restos de almoço servido numa pensão da cidade.
Aos técnicos da comissão apresentou documentos para provar que detinha a posse da terra em questão de 545 hectares, desde 1955, parte da fazenda Coqueiros, de propriedade da família, numa região conhecida como Serra do Centro. De acordo com a documentação apresentada pelo agricultor, uma ação de usucapião da fazenda havia sido ajuizada em agosto de 2000.
Após esse ajuizamento, um vizinho de Reis, o também agricultor Antônio dos Santos, ofereceu-lhe para venda de uma área contígua de 62 hectares, sob sua posse havia onze anos, cuja propriedade ele alegava ser reconhecida pelo governo de Tocantins. O negócio foi realizado verbalmente por 25 mil reais como é costume na região até a preparação dos papéis. Ao estender a propriedade, Reis pretendia aumentar a produção de alimentos (arroz, feijão, milho, mandioca, melancia e abacaxi) de tal maneira de sair do regime de subsistência e poder vender o excedente.
Ele não sabia, mas as engrenagens da máquina de triturar sua família haviam sido acionadas uns poucos anos antes, em 1996, por um decreto do então governador do Tocantins Siqueira Campos (PSDB). O ato do tucano, mítico criador do estado que governou por três mandatos, declarou de “utilidade pública”, por suposta improdutividade, um área de 105 mil hectares em Campos Lindos para fins de desapropriação. Protocolada pela comarca de Goiatins, município ao qual Campos Lindos foi ligado até 1989, a desapropriação das terras foi tão apressada que o juiz responsável pela decisão, Edimar de Paula, chegou à região em um avião fretado apenas para decretar o processo. O magistrado acolheu um valor de indenização irrisório (10 mil reais por hectare), a ser pago somente a 27 produtores da região.
Do outro lado da cerca ficaram 80 famílias de pequenos agricultores. A maioria ocupava as terras a pelo menos 40 anos de forma “mansa e pacífica”, como classifica a legislação agrária, cujas posses foram convertidas em área de reserva legal, em regime de condomínio, sob o controle de grandes produtores de soja. Na prática, os posseiros de Campos Lindos passaram a viver como refugiados ilegais nessas reservas, torrões perdidos na paisagem de fauna e flora devastados de um Cerrado em franca extinção. Sobre as ruínas dessas famílias, o governador Siqueira Campos montou uma confraria de latifundiários alegremente formada por amigos e aliados. A esse movimento foi dado um nome: Projeto Agrícola de Campos Lindos.
Em 1999, quatro felizardos foram contemplados com terras do projeto ao custo de pouco menos de 8 reais o hectare (10 mil metros quadrados), numa lista preparada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (Faet). A federação teve o apoio da Companhia de Promoção Agrícola (Campo), entidade fundada em 1978, fruto do acordo entre consórcios que implantaram o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer) em parceria com o Banco do Brasil e com cooperativas de produtores.
Escrúpulos às favas, os dirigentes de ambas as instituições se esbaldaram nas posses de Campos Lindos. À época, a presidente da Faet era ninguém menos que Kátia Abreu, então deputada federal pelo ex-PFL. No topo da lista, a parlamentar ficou com um lote de 1,2 mil hectares. O irmão dela, Luiz Alfredo Abreu, abocanhou uma área do mesmo tamanho. O presidente da Campo, Emiliano Botelho, também não foi esquecido: ficou com 1,7 mil hectares.
Dessa forma, um ambiente de agricultura familiar mantido ao longo de quase meio século por um esquema de produção de alimentos de forma ecologicamente sustentável foi remarcado em glebas de latifúndio e entregue a dezenas de indivíduos ligados ao governador Siqueira Campos. Entre elas também figuraram Dejandir Dalpasquale, ex-ministro da Agricultura do governo Itamar Franco, Casildo Maldaner, ex-governador de Santa Catarina, e o brigadeiro Adyr da Silva, ex-presidente da Infraero. Sem falar numa trupe de políticos locais, entre os quais brilhou, acima de todos, a atual presidente da CNA.
O resultado dessa política pode ser medido em números. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de soja em Campos Lindos cresceu de 9,3 mil toneladas, em 1999, para 127,4 mil toneladas em 2007. Um crescimento de 1.307% em apenas oito anos. O mesmo IBGE, contudo revela a face desastrosa desse modelo de desenvolvimento. No Mapa da Pobreza e Desiguldade, divulgado também em 2007, o município apareceu como o mais pobre do País. Segundo o IBGE, 84% da população vivia da pobreza, dos quais 62,4% em estado de indigência.
No meio das terras presenteadas por Siqueira Campos a Kátia Abreu estava justamente o torrão de Reis, a fazenda Coqueiro. Mas, ao contrário dos demais posseiros empurrados para para as reservas do Cerrado, o agricultor não se deu por vencido. Tinha a favor dele documentos de propriedade, um deles datado de 6 de setembro de 1958 e originário da Secretaria da Fazenda de Goiás, antes da divisão do estado. O documento reconhece as terras da família em nome do pai, Mateus Reis, a partir dos recibos dos impostos territoriais de então. De posse dos papéis, o pequeno agricultor tentou barrar a desapropriação na Justiça. A hoje senadora partiu para a ofensiva.
Em 11 de dezembro de 2002, Kátia Abreu entrou com uma ação de reintegração de posse em toda a área, inclusive dos 545 hectares onde Reis vivia havia cinco décadas. Ela ignorou a ação de usucapião em andamento, que dava respaldo legal à permanência dos Reis na terra. Para fundamentar o pedido de reintegração de posse, a então deputada alegou em juízo que Reis, nascido e criado no local, tinha a posse da fazenda Coqueiro por menos de um ano e um dia, providencial adequação ao critério usado na desapropriação.
Para comprovar o fato, convocou testemunhas que moravam a mais de 800 quilômetros da área de litígio. Incrivelmente, a Justiça de Tocantins acatou os termos da ação e determinou que a expulsão da família de Reis da fazenda Coqueiro e dos 62 hectares recém-comprados. Ignorou, assim, que a maior parte das terras utilizada há 50 anos ou, no mínimo, há mais de dois anos, como ajuizava o documento referente ao processo de usucapião. Reis foi expulso sem direito a indenização por qualquer das benfeitorias construídas ao longo das cinco décadas de ocupação da terra, aí incluídos a casa onde vivia a família, cisternas plantações (mandioca, arroz e milho), árvores frutíferas, pastagens, galinhas, jumentos e porcos.
A exemplo da Kátia Abreu, os demais agraciados com as terras tomadas dos agricultores assumiram o compromisso de transformar as terras produtivas em dois anos. O prazo serviu de álibi para um ação predatória dos novos produtores sobre o Cerrado e a instalação desordenada de empresas e grupos ligados ao mercado da soja. Até hoje a questão do licenciamento ambiental da área abrangida pelo Projeto Agrícola Campos Lindos não foi resolvida por órgãos ambientais locais. Mas nem isso a senadora fez..
Signatário, com outros três colegas, de um pedido de intervenção federal no Tocantins em 2003, justamente por causa da distribuição de terras de Campos Lindos feita por Siqueira Campos a amigos e aliados, o procurador federal Alvaro Manzano ainda espera uma providência. “Houve uma inversão total do processo de reforma agrária. A desapropriação foi feita para agradar amigos do rei.”
Há cinco meses, o agricultor Reis voltou à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Ele luta pra forçar o Tribunal de Justiça de Tocantins a julgar tanto a ação de usucapião de 2000 como o pedido de liminar impetrado há seis anos para garantir a volta da família, hoje acrescida de 23 netos, à fazenda Coqueiro. “Não tem força no mundo, moço, que faça essa Justiça andar”, reclama o agricultor. Ele atribuiu a lentidão à influência da senadora no Judiciário local. Procurada por Carta Capital, Kátia Abreu não respondeu ao pedido de entrevista.
Quatro anos atrás, a família Reis conseguiu se alojar numa chácara de 42 hectares ocupada por um dos filhos há dez anos. Lá, quase vinte pessoas vivem amontoadas em uma casa de dois cômodos, feita de sapê e coberta de palha de babaçu em meio a porcos, galinhas e cachorros. No terreiro coberto da residência, infestado de moscas, as refeições são irregulares, assim como os ingredientes dos pratos, uma mistura aleatória de arroz, mandioca, pequi, abacaxi, feijão e farinha.
Toda vez que um motor de carro é ouvido nas redondezas, todos se reúnem instintivamente nos fundos da casa, apavorados com a possibilidade de um novo despejo. Cercado de filhos e netos, Reis não consegue esconder os olhos marejados quando fala do próprio drama. “Fizeram carniça da gente. Mas não vou desistir até recuperar tudo de novo.”
Em 19 de junho, um dia após a última visita de Reis à Câmara dos Deputados, o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Luiz Couto (PT-PB), encaminhou um ofício endereçado ao Conselho Nacional de Justiça para denunciar a influência de Kátia Abreu na Justiça do Tocantins e pedir celeridade nos processos de Reis. O pedido somente agora entrou na pauta do CNJ, mas ainda não foi tomada nenhuma medida a respeito. Nos próximos dias, corregedor do conselho, Gilson Dipp, vai tornar público o relatório de uma inspeção realizada no Tribunal de Justiça do Tocantins, no qual será denunciada, entre outros males, a morosidade deliberada em casos cujos réus são figuras políticas proeminentes no estado.
Há três meses, ao lado de uma irmão e um filho, Reis voltou à fazenda Coqueiro para averiguar o estado das terras depois da ocupação supostamente produtiva da senadora. Descobriu que nem um pé de soja - nem nada – havia sido plantado no lugar. “Desgraçaram minha vida e da minha família para deixar o mato tomar conta de tudo”, conta Reis.
Com o auxílio de outros filhos, recolheu tijolos velhos da casa destruída pelos tratores da parlamentar do DEM e montou um barraco sem paredes, coberto de lona plástica e palha. Decidiu por uma retomada simbólica da terra, onde reiniciou um roçado de mandioca. Na chácara do filho, onde se mantém como chefe da família, ainda tem tempo para rir das pirraças de uma neta de apenas 4 anos. Quando zangada, a menina não hesita em disparar, sem dó nem piedade, na presença do avó: “Meu nome é Kátia Abreu”.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"O Brasil parece decidido a 'adotar' Cesare Battisti" - do Blog do Tão Gomes Pinto

Eu não tenho opinião sobre o caso. Foge à minha capacidade. Muitas pessoas, especialistas familiarizadas, tanto com a História como com as normas jurídicas do Brasil e da Itália têm opiniões distintas. Não tenho a pretensão de opinar sobre algo que não sei. Só tenho meus palpites, e olhe lá.
A razão de eu transcrever este texto é a seguinte: numa das famosas "Teorias da Conspiração", esta já documentada e tudo mais, a partir da década de 50, a OTAN, juntamente com serviços secretos de países europeus pró-Ocidente, patrocinou uma espécie de operação anticomunista na Itália, denominada Operação Gládio [ OBS: diz-se que a Gládio não operou somente na Itália, mas em outros países aliados ]. Parece que o objetivo era impedir que o PCI assumisse o poder na Bota [ até que ficou um trocadilho ]. A novidade [ para mim ] aqui, constante no texto do Tão, seria o patrocínio de grupos de esquerda, pela OTAN/Gládio, para ajudar no clima de caos, o que propiciaria uma escalada direitista/fascista na Itália, já também às voltas com a ambição extremista de Lucio Gelli e sua loja maçônica P2 [ Propaganda Due ]. Vejam: parece plenamente aceito que os EUA patrocinassem, obviamente, organizações direitistas. Mas ajudar certa esquerda parece coisa roteiro do RIOCENTRO ou do Reichstag. Não dizem que o Trotsky estava a serviço dos EUA? Então, por quê não o Cesare Battisti, mesmo sem que este soubesse estar agindo como um peão? E, como um peão, no entanto, estaria sendo julgado por uma Itália governada pelo mesmo Berlusconni que um dia foi membro da direitista loja P2 que tudo tinha a ganhar com as ações terroristas de uma esquerda nanica.
Enfim, fica aqui ao menos o registro. Espero não ofender ou enfurecer ninguém de meus raros leitors.

O Brasil parece decidido a "adotar" Cesare Battisti
16 Novembro 2009
Responsável por quatro assassinatos na Italia, no periodo em que atuavam várias organizações ditas "de esquerda", Cesare Battisti é acusado de ter invadido uma joalheria, matado a tiros o seu dono e deixado paraplégico seu filho. Durante anos, Battisti recebeu asilo do governo socialista francês, até ser preso pela Interpol quando viajava. O governo francês não aceitou o pedido de extradição feito pelo governo italiano.
Cesare Battisti sempre alegou ter motivações "políticas" para seus crimes. Acabaria sendo preso no Brasil, onde recebeu dezenas de
"homenagens" da esquerda brasileira e acabaria tendo seu pedido de extradição rejeitado numa decisão "administrativa" do esclarecido ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro.
O governo italiano protestou, e com razão. O assunto não era para ser decidido "administrativamente" . Conclusão: o caso acabou indo para o egrégio Supremo Tribunal Federal, onde ocorreu um empate no plenário 4 votos pela extradição, justificados à exaustão pelo ministro Ayres de Brito, um "expert" no assunto, e 4 simplesmente negando a extradição.
Nesse caso, haveria o voto do ministro-presidente do STJ, Gilmar Mendes, que está tirando o dele da reta alegando que deve inumeros favores a um dos advogados de Battisti. A decisão subiria então para o presidente Luis Inacio Lula da Silva.
Todo mundo sabe que Lula é um político hábil. Habílíssimo, até. Ele vai pesar os prós e os contra e decidir pela não extradição de Battisti.
Sabe que isso irritará profundamente os italianos, inclusive a "esquerda" italiana que tem informações de que o grupo de Cesare Battisti era patrocinado pela CIA norte-americana.
E porque a CIA norte-americana patrocinaria um grupo de rapazes e moças italianos porra-loucas? Apenas para evitar que o Partido Comunista Italiano (PCI) chegasse ao poder. Como por pouco não chegou.
Na época, interessava à CIA a criação de um clima de "guerrilha" urbana na Italia. Sabia que, com um clima desses, e a inevitável repressão, dificilmente o PCI conseguiria chegar ao poder pela via democrática do voto. Foi o que aconteceu, com inúmeras vítimas dos tais rapazes e moças das "Brigadas Vermelhas", chegando ao assassinato do ministro Aldo Moro.
Nem assim, com a morte de Moro, a Italia declarou estado-de-sitio, que seria normal em qualquer republiqueta latino-americana. O Exército Italiano não saiu às ruas, caçando comunistas. As autoridades constituídas continuaram trabalhando dentro da sua rotina.
Agora vem o glorioso ministro da Justiça Tarso Genro dizer que a Italia viveu, na época, seus "anos de chumbo" para justificar o asilo a um jovem (atualmente ex-jovem) de espírito sanguinário que entrou na "cladestinidade" para poder continuar praticando suas barbaridades, sob a proteção dos chamados "ideais políticos".
Fechando a história: Lula vai acabar concedendo asilo politico ao falso guerrilheiro. Até para fazer média com as esquerdas brasileiras. Ele adora fazer média.
Isso significaria um distanciamento do governo italiano. Mas eles estão longe. Não votam em 2010.
Se bobear, Cesare Battisti acaba beneficiado até por uma "bolsa ditadura" pelo Comitê da Anistia .
E per che no?
http://jornaldotao.blogspot.com/2009/11/o-brasil-parece-decidido-adotar-cesare.html

domingo, 22 de novembro de 2009

Esoterismos tucanos

O senador casmurro Arthur Virgílio, tentando fazer ironias, solicitou a chamada da Fundação Cacique Cobra Coral, para que esta explique aos senadores a razão do blecaute ocorrido há dias, já que o governo ainda estaria batendo cabeça.
Arthur Virgílio, que na eleição para governador do Amazonas [ obteve uns 5% ] , apresentou-se como "Arthur Neto". Por qual razão ele teria evitado usar seu nome mais conhecido pelo público? Hipóteses:
- Por isso mesmo ( ele é bastante conhecido pelo público );
- Para não ser confundido com um famoso falsificador português, Artur Virgílio Alves Reis (
http://museudopapelmoeda.blogspot.com/2008/05/alves-reis-uma-burla-quase-perfeita.html );
Não consta que este senador bufão tenha feito convites ao Juscelino da Luz, ou a médiuns, esotéricos, caça-fantasmas, paranormais, para que estes nos explicassem acidentes como os ocorridos no Rodoanel, no Fura-Fila e no Metrô paulistano ou o aumento brutal das estatísticas de violência no Estado de São Paulo..
Sobre o craterão do Metrô, eu tenho minha própria explicação esotérica: o governo do PSDB, inspirado naquelas lendas sobre as buscas pela Terra Interior, empreendidas pelos nazistas, tentou buscar este local, disfarçando a busca como sendo a construção de túneis de Metrô.
Outra explicação, parecida: o governo tucano procurava, no local que se tornou uma cratera, um PORTAL DIMENSIONAL OU TEMPORAL. Voltando no tempo, até 2002, os emissários do tucanato tentariam impedir Lula de vencer a eleição.
De qualquer forma, cuidado Dilma: esta ação do Arthur Virgílio prova que essa oposição é capaz de recorrer a expedientes esquisitos para tentar vencer a eleição do ano que vem. Sabe-se-lá, são capazer de entrar até numas de vudú e magia-negra e coisas desse tipo.
Eu, hein?
TOC-TOC-TOC!

Imagem do dia: 22.11.63 - As ruas de Dallas ( Texas ) não eram muito seguras



IMAGEM DO DIA: Capa de edição da Newsweek com reportagem especial sobre o Massacre de Jonestown

O suicídio em massa [ além dos assassinatos de quem não quis cometer suicídio ] dos seguidores do reverendo Jim Jones [ que se apresentava como reencarnação de Jesus Cristo e Lênin ( !?! ) ] ocorreu em 18 de Novembro de 1978, na Guiana. Bela capa.

Conselho Federal de Psicologia emite nota respondendo a Diogo Mainardi por alguma besteira que ele escreveu, de novo.

Nota do CFP em resposta à coluna de Diogo Mainardi na revista Veja
Apesar de lamentável, não causa surpresa a interpretação de Diogo Mainardi sobre os temas apresentados pelo Conselho Federal de Psicologia para debate na 1ª. Conferência Nacional de Comunicação, publicada na coluna de Mainardi na última edição da revista Veja (edição 2139, de 18 de novembro de 2009)
O CFP reafirma suas propostas, que têm como eixo a necessidade de controle público sobre os meios de comunicação, entendido não como censura, como sugere Mainardi, mas como a existência de mecanismos para que a sociedade tenha incidência sobre como a mídia, importante elemento na formação das subjetividades das pessoas na contemporaneidade, produz e reproduz ideias, comportamentos e visões de mundo.
No texto que recebe a interpretação distorcida de Mainardi, o CFP aponta o papel dos meios de comunicação no reforço de um padrão estético único, que busca anular as variedades de formas de ser, de parecer, delimitando as características físicas reconhecidas como legítimas. Padrões de beleza inalcançáveis geram conflitos, sofrimentos, baixa auto-estima, transtornos de toda ordem. No que se refere à proposta do CFP para a discussão das relações entre mídia e trânsito, de fato o CFP questiona a ode da publicidade à velocidade, comprovadamente relacionada ao problema dos acidentes e mortes no trânsito. Também propõe que se debata o papel da mídia na construção social do predomínio do transporte individual sobre o coletivo – mais ambientalmente sustentável, mais viável para as grandes cidades, como é amplamente sabido. Infelizmente, o recorte escolhido pelo colunista apenas ironiza esta importante discussão, que ao cabo questiona o fato de a publicidade no Brasil ser auto-regulada, sem que haja qualquer mecanismo de participação da sociedade neste tema que a concerne.
Não fosse a conhecida má vontade do colunista com qualquer movimento social, seria possível achar que houve dificuldades de interpretação. Mas não nos iludiremos a este ponto.
Críticas às propostas podem ser feitas e são bem vindas. Interpretações desonestas que visam a confundir os leitores só refletem a qualidade do jornalismo da grande mídia brasileira. Não era de se esperar outra reação de Mainardi e de Veja à Confecom.
Conselho Federal de Psicologia - CFP





sábado, 21 de novembro de 2009

Amigo de longa data conta como Serra passou a fazer parte do quadro da Unicamp

Não quero ser injusto ou leviano, até por uma questão de precaução. Eu lia a entrevista de João Manuel Cardoso de Mello à revista Isto É Dinheiro, quando deparei com este trecho. A menos que eu realmente não tenha entendido o que João disse [ ou, talvez a redação do texto tenha sido feita nas coxas, por algum redator recém-saído da Uniban ], mas eu achei que houve a confissão, pelo entrevistado, de alguma ilegalidade, cometida por ele mesmo, à época dos acontecimentos narrados. Confiram, e vejam se tenho ou não razão. Se possível, deixem algum comentário.
( ??!! Mas com quem eu acho que estou falando? Não tenho leitores!! )
Depois, comparem ao publicado na Dinheiro.


"( ... ) O governador paulista deve sua volta ao Brasil (em 1978) a João Manuel, depois de mais de dez anos exilado por causa de sua atuação como político estudantil durante a ditadura militar. Na época, o coordenador dos Institutos da Unicamp, um acadêmico de perfil conservador, ligado aos militares, vivia às turras com os intelectuais de esquerda da universidade.
Quando João Manuel que fazia parte da turma de "subversivos", resolveu indicar Serra para fazer parte do quadro da Unicamp, o coordenador, conhecendo o histórico do candidato, negou na hora o pedido.
"Eu, que já sabia a resposta, estava preparado. Um amigo meu, gerente do Banespa em Nova York, havia descoberto que o tal coordenador desviava equipamentos doados para a Unicamp", lembra João Manuel.
"Quando contei a história para o cara, ele, branco, disse apenas uma frase: o José Serra está aprovado."
( ... )".

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/633/o-fogo-amigo-de-jose-serra-o-professor-joao-manuel-156653-1.htm

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Minha cultura enlatada: Sledge Hammer!

Lembram-se dele, SLEDGE HAMMER? Uma espécie de paródia, em plena era Reagan, do Dirty Harry, esta série durou uns 2 anos. Aqui no Brasil, sob o título "NA MIRA DO TIRA", passava na Globo, à tarde, só não recordo o dia [ acho que no Domingo ]. A música-tema, excelente, era de DANNY ELFMAN.

Sledge era um inspetor machista, reaça mesmo, cuja maior característica era o amor às armas [ sabe aquelas garrafas, onde um ser humano normal botaria uma caravela dentro? Ele possuia uma destas garrafas, só que um 38 substituía o barco... ], chegando ao ponto de, quando separado de seu amado trabucão [ uma singela .44 ] , sofria crises de abstinência... Seu americanismo [ aversão tudo que não for falado em inglês, para começo de conversa ] à toda prova o faria um sério candidato a host da FOX News. Seu apelo à ignorância o credenciaria a assessor do Dick Cheney.

Enfim, era uma tremenda gozação com os seriados policiais sérios das décadas de 70 e 80, e ao "rambismo" deste período. Meia hora de riso fácil. E, of course, ele tinha um bordão matador [ ops! ]: "Confie em mim. Eu sei o que estou fazendo."

Para a minha maior felicidade, o glorioso TCM [ que está transmitindo, também, OS INVASORES ] incluiu o Sledge Hammer na grade de programação: http://www.tcmla.com/pt/specials/sledge_hammer/

A influência de Pasteur foi a mais nefasta para a humanidade atual? Jornal diz que sim.

Depois dessa, meus caros e escassos leitores e visitantes, ficará mais do que claro o meu gosto por coisas um tanto insólitas. Descobri o programa "STOP", acho que na TV Aberta [ o nome é este ] numa daquelas madrugadas insones. Sei que muita [ modo de dizer ] gente, ao deparar-se com a afirmação que virou o título deste post vai perguntar "que tipo de Zé Ruela iria dizer uma sandice destas?". E, assim, os curiosos irão fazer uma visita ao site, tirarão suas dúvidas e arrumarão outras. Como não sou teórico de coisa alguma acho que, quem tiver algo a contestar, sobre as idéias defendidas pelo "STOP", que o faça. Para mim, as idéias [ que, parece, giram em torno de uma filosofia/sociologia/psicanálise denominada "TRILOGIA ANALÍTICA" ] deles são tão válidas como qualquer outra. Não significa que aderirei a tais crenças e/ou filosofias. O legal desta turma do STOP, é que eles afirmam que "grandes gênios da História" ferraram a gente: Adam Smith, Marx, Einstein, Darwin. Não é intrigante?
Uma visita ao site, e copio o "QUEM SOMOS" para vocês:
"A Associação STOP à Destruição do Mundo é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) inicialmente fundada em Paris em 1992, pela psicanalista e escritora Cláudia Bernhardt de Souza Pacheco, que reuniu um grande grupo internacional de indivíduos e instituições dedicados à preservação da vida humana e da natureza. Dentro de seus princípios estão o não compromisso com partidos políticos, religiões, nacionalidades, raças e interesses econômicos. A principal orientação científica e filosófica usada pela STOP é a do psicanalista, filósofo e cientista social, Norberto Keppe, criador do método da Psicanálise Integral ou Trilogia Analítica e autor de mais de 30 obras sobre a psico-sociopatologia. Seus objetivos são promover a conscientização em massa da causa psico-sociopatológica dos problemas da nossa era e fornecer mais ferramentas a quem queira trabalhar para sua solução. Não só brecar a destruição, mas melhorar a qualidade de vida dos seres humanos, da sociedade e do planeta como um todo." http://www.stop.org.br/site/catalogo/showlinks.php?plink=359

Canal australiano tenta hipnotizar telespectadores

A emissora "Channel Nine" infringiu o Código de Práticas Televisivas com o objetivo de hipnotizar a audiência australiana. Parte de um programa [ Nota deste blog: programa "A Current Affair" ] veiculado no canal, em 8 de setembro de 2008, foi feita para induzir os telespectadores ao estado hipnótico. Durante um quadro, que anunciava o produto Think Slim, associado à redução de peso, foram feitas referências informando ao público que a história exibida seria uma demonstração de um processo hipnótico, que visava auxiliar no efeito proposto pela mercadoria. Durante o processo, que durou aproximadamente um minuto, o criador e vendedor do produto Mark Stephens incentivou os telespectadores a mentalizarem frases como "quanto mais eu beber, mais emagrecerei".

Um dos telespectadores levou o caso às Autoridades Australianas de Mídia e Comunicação. Ao tomar conhecimento do ocorrido, os agentes se pronunciaram, alegando que a licença concedida à emissora não permitia quadros desse formato. Além de infringir códigos de conduta e práticas, a emissora também negligenciou a audiência, não respondendo de maneira apropriada às críticas feitas pelo público ao quadro.
Representantes do canal "Channel Nine" disseram que não houve hipnose, e que Mark Stephens, somente, a sugeriu para aumentar o efeito dramático do quadro e chamar a atenção do telespectador, mas que ela não necessariamente foi realizada.
Apesar de ter repercutido apenas agora, esta não é a primeira aparição de Stephens no programa australiano; ele já apareceu quatro vezes em "Current Affair" para vender seu produto para redução de peso. As autoridades australianas declararam que continuarão a monitorar a emissora para prevenir que novos casos de hipnose ocorram.

( Este texto foi publicado na revista Sexto Sentido, Mythos Editora, edição 107, R$ 8,50, nas bancas. )


Se quiser um texto em inglês, sobre o assunto, OK:
"Watchdog Indicts Channel Nine Over Hypnosis Programme" - MEDINDIA, 21.08.09
Seja hipnotizado já! Pergunte-me como:
http://www.thinkslim.com.au/seminar_registration.php - Sim, eu fui ao site do charlatão.

Empastelaram o blog FBI - Festival de Besteiras da Imprensa? Quem teria dado tal ordem?

Eu achei que pudesse ser coisa de meu computador, sei lá. Aí pensei que os blogs estão sujeitos a esse tipo de situação. E decidi que talvez devesse registrar o sumiço aqui, por via das dúvidas.


Essa imagem o Cloaca News botou num post, também sobre sumiços esquisitos na Internet:
http://cloacanews.blogspot.com/2009/11/serra-mandou-google-obedeceu-sistema-de.html

Aí, dando uma bisoiada no sítio do PROFESSOR HARIOVALDO, encontrei este comentário [ obviamente, escolheu o lugar errado para comentar ]:

"Angélica Matos:
Desculpem estar mudando de assunto, mas acabei de ver no blog www.viomundo.com.br/voce-escreve/, que o blog FBI foi removido. Parece que até o e-mail do Augusto da Fonseca foi bloqueado. O que que é isso, minha gente, será que vamos ter mais um bloguista - que luta contra os DESMANDOS da nossa MÍDIA tupiniquim - CENSURADO??????"


Ou seja, SUMIU MESMO!! Se você quiser ver o que o FBI tem escrito até aqui, clique aqui:
e clique na opção "Em cache"

"A dúvida do Serra: Ser ou não ser candidato", por Jasson de Oliveira Andrade

"A dúvida do Serra: Ser ou não ser candidato", por Jasson de Oliveira Andrade


O jornalista Maurício Dias, na revista Carta Capital, fez uma análise sobre motivo do governador José Serra preferir que a indicação do candidato tucano à Presidência da República seja apenas em março de 2010. Ele diz em seu texto: “A insistência da direção do PSDB em deixar para “os idos de março” a indicação do nome do partido que disputará a eleição presidencial em 2010 pode ser o fio shakespeariano de uma conseqüência política surpreendente: a desistência de José Serra à sua grande ambição política”. Na opinião dele, “sem Aécio [Neves] como vice é pouco provável, muito pouco provável, que Serra dispute a cadeira presidencial”. Segundo o jornalista, o governador paulista prefere que a indicação seja em março para forçar a indicação de Aécio para vice. Aí ele não poderia voltar atrás, pois seria considerado traidor. Daí o governador mineiro exigir que a definição seja em dezembro, caso contrário sairá candidato a senador. Mauricio Dias revelou qual seria, então, o fio shakespeariano: “A ficção contém a esplendorosa tragédia Júlio César, escrita por William Shakespeare. Março ou, mais precisamente os “Idos de Março” (Idibus Martius) marcam a traição sofrida por Caio Júlio César apunhalado pelos senadores romanos, com a participação do filho adotivo Brutus. (...) Talvez Aécio não queira pronunciar a frase: “Até tu, Serra?” Em minha opinião, existe outro dilema shakespeariano de Serra: “To be or not to be the question”. Ser ou não ser (candidato à Presidência da República), eis a questão.
Serra acredita que a eleição de 2010 será difícil e que, com o prestígio do presidente Lula, poderá haver uma virada e Dilma vencer. No dia 10 de novembro, a Vox Populi divulgou uma pesquisa, mostrando que Serra (com 36%) caiu 4 pontos e Dilma (com 19%) subiu 4 pontos. Se esta tendência continuar, é preocupante para os tucanos. Por este motivo, creio, ele prefere se definir em março de 2010. Caso as pesquisas o favoreçam ele sairá à Presidência da República, caso contrário ele se candidatará à reeleição em São Paulo. Outra preocupação foi relatada pelo jornalista Fernando Rodrigues, no artigo “O PSDB paralisado” (Folha, 11/11). Ele revelou a frase do senador Sérgio Guerra, presidente nacional do partido: “Eu diria que ele [Aécio] é mais amplo politicamente que o governador José Serra. Ele teria mais apoios dos partidos que não são do campo da aliança do que teria o governador José Serra hoje. (...) Diante dessa dúvida, tucanos estão paralisados. Serra deseja tomar uma decisão só em março. Aécio cobra diariamente uma posição do seu partido até dezembro – caso contrário, promete desistir da eleição presidencial. Criou-se um impasse de difícil solução”. Serra está em dúvida? É o que veremos a seguir.
Quando visitou Mogi Guaçu, como governador em exercício, o deputado Barros Munhoz respondeu a uma pergunta da jornalista Michele Domingues Tressoldi sobre o seu futuro político: “Sinceramente, minha candidatura a deputado federal ou estadual vai depender unicamente do futuro político do governador José Serra. DEPENDERÁ DO QUE ELE IRÁ DISPUTAR PARA QUE EU DECIDA (destaque meu). Então, estamos aguardando uma posição mais sólida do partido”. Obviamente se o governador já fosse candidato à Presidência da República, a definição de Munhoz seria pela candidatura a deputado federal. Como Serra está em dúvida, o deputado itapirense também está em dúvida. Ambos terão que esperar até março? Parece que sim. A conferir.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Novembro de 2009

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