sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"Reflexões de um ex-vira-lata", por Paulo Nogueira Batista Jr.

Paulo Nogueira Batista Jr.: Reflexões de um ex-vira-lata
A cotação do Brasil está muito alta; como economia, como ator na cena internacional, como nação cultural.
Por Paulo Nogueira Batista Jr.*
Antonio Patriota, até recentemente embaixador brasileiro aqui em Washington, reclamou comigo: "Para de falar em complexo de vira-lata! O Brasil passou dessa fase". Talvez o nosso embaixador tenha razão. O Brasil vem ganhando autoconfiança com uma rapidez surpreendente.Nas recentes reuniões do G20, em Londres e Pittsburgh, e na última reunião anual do FMI, em Istambul, o Brasil bateu um bolão. Somos subdesenvolvidos? Sim. Temos equipes pequenas? Sim, muito menores do que as dos países desenvolvidos. E, no entanto, as delegações brasileiras têm sido das mais atuantes e -correndo o risco de soar presunçoso- acrescento: das mais influentes.
A aliança Bric (Brasil, China, Índia e Rússia) vem sendo fundamental. Mas não é só isso. O Brasil, em si mesmo, tem tido um papel cada vez maior. Há um fator que nos ajuda enormemente: a imagem favorável do país no exterior. A cotação do Brasil está muito alta. Do Brasil como economia, do Brasil como ator na cena internacional, do Brasil como nação cultural.
Bem sei, leitor, que o brasileiro está longe de compartilhar uma visão tão positiva. Talvez porque esteja mais perto do Brasil e conheça melhor as nossas mazelas. Talvez porque o complexo de vira-lata ainda esteja mais vivo do que imagina o embaixador Patriota.
Faço ainda outra ressalva: existe provavelmente um certo economicismo na forma como os países são vistos internacionalmente. O chamado mercado (um dos codinomes da turma da bufunfa) só se interessa pelos indicadores econômicos e financeiros. Não quer nem saber da péssima distribuição de renda, dos problemas sociais, dos níveis ainda elevados de pobreza e de miséria.
Ora, os indicadores econômicos brasileiros têm ficado, em geral, acima do esperado. Até 2007-2008, os nossos detratores (quase sempre brasileiros) diziam: "O Brasil está navegando uma onda internacional favorável".
Veio então a maior crise internacional desde a Grande Depressão. A torcida adversária ( brasileira, em geral ) começou a salivar intensamente, aguardando o colapso. Não aconteceu. O Brasil sofreu os efeitos da crise, claro. Mas menos do que se esperava. A recuperação brasileira também começou mais cedo do que o previsto. Basta dizer uma coisa: no meio dessa crise mundial, o Brasil anunciou um empréstimo de US$ 10 bilhões ao FMI.
O meu complexo de vira-lata deu arrancos triunfais de cachorro atropelado (para combinar dois bordões do Nelson Rodrigues em uma única frase). Quis o destino ou o acaso que coubesse a mim, logo a mim -devedor nato, hereditário e até inadimplente-, ser o diretor-executivo pelo Brasil no Fundo exatamente nessa conjuntura. Qualquer um dos meus antecessores -Alexandre Kafka, Murilo Portugal ou Eduardo Loyo- desempenharia o papel de credor com mais categoria e convicção.
Só tenho uma coisa a dizer em meu favor: apesar de credor neófito, acho que preservo uma identificação autêntica com os devedores do FMI. Sei o que significa ser devedor dessa instituição e, dentro do que posso, empresto a minha voz aos países em crise, especialmente os pequenos e oprimidos (mesmo aos brancos de olhos azuis). Foi o que tentei fazer pela Islândia, por exemplo, que passou ontem pela Diretoria-Executiva do FMI.
Dizem que os mulatos podem ser os piores racistas. Que os cristãos-novos são os mais fervorosos. Que um credor neófito pode ser o mais linha-dura. Vamos tentar desmentir esses ditados.
*Diretor-executivo no FMI, onde representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago), mas expressa seus pontos de vista em caráter pessoal.
Fonte: jornal Folha de S. Paulo

Presidente do Sindicato dos Médicos ataca a privatização dos hospitais promovida por José Serra: "Terceirização é antissocial", diz.

Que o Brasil saiba. Afinal, esse homem [ o Serra, claro ] quer ser presidente, então não custa alertar os eleitores dos outros estados.
Que privatizem as secretarias da Saúde
CID CARVALHAES
A TERCEIRIZAÇÃO da saúde por meio das OSS (organizações sociais de saúde) é uma proposta antidemocrática e antissocial.
Desde que foi implementada, tem demonstrado dificuldades em apresentar o controle do destino de verbas do dinheiro público para o privado. Na realidade, tem acumulado dívidas orçamentárias grandiosas. Veja como exemplo o caso da Fundação Zerbini, com dívida de R$ 260 milhões, sem falar de Sanatorinhos (Carapicuíba e Itu), Hospital Francisco Morato, maternidade de Cotia, entre outros.
Os governos estadual e municipal alegam que o custo de internação nos hospitais administrados pelas OSS é baixo. Mas o problema é que nesses hospitais não são atendidos pacientes com doenças de alta complexidade.
Não há unidades de hemodiálise para tratamento de doentes renais crônicos, por exemplo. Quem precisa de internações prolongadas encontra as portas fechadas, e os atendimentos e internações são seletivos. Os politraumatizados também não são atendidos. Além disso, os hospitais não fazem transplante de órgãos nem oferecem medicação de alto custo.
Os pacientes com problemas complexos são enviados para outros hospitais ou prontos-socorros da rede pública sem a certeza da agilidade no atendimento.
A alegação de que as OSS não têm fins lucrativos é usada como desculpa para o pagamento de "polpudos" salários a seus diretores. Os cargos em comissão são preenchidos de acordo com os interesses circunstanciais dos gestores privados, levantando a hipótese de benefícios imediatistas de quem os promove.
Quem perde é a população, principalmente a mais carente. Em São Paulo, o assunto não chegou sequer a ser discutido no Conselho Municipal de Saúde. O Ministério Público já denunciou que é uma maneira de burlar, de uma só vez, o controle público, a lei de licitações, os limites para gastos com pessoal e a responsabilidade fiscal, ultrajando o SUS.
As OSS podem contratar serviços e funcionários e usar bens municipais sem recorrer a licitações ou concursos públicos, bastando apenas a assinatura de convênios. Tais métodos são contrários aos princípios consagrados da administração pública.
Fica claro que o convênio transfere para a iniciativa privada importante segmento do patrimônio público, sem nenhum controle do Tribunal de Contas. Funcionários capacitados e experientes, que dedicaram suas vidas ao serviço público, podem ser trocados como se trocam computadores.
A defesa intransigente das OSS pelo governo do Estado de São Paulo representa uma desculpa burocrática, uma confissão de completa inoperância do governo para justificar sua ineficiência gerencial. Querem um governo mínimo com alta carga tributária e transferência de recursos para atender a interesses mercantilistas da iniciativa privada. Isso é uma fuga da responsabilidade.
Houve inversão na maneira de interpretar a legislação, que diz que a saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado. A Constituição diz que a iniciativa privada pode atuar como complementar aos serviços de saúde. Na prática, os defensores das OSS deixam o Estado como atividade complementar, invertendo a lógica da lei e prejudicando a população que depende da saúde estatal.
A lei das OSS se assemelha a outra experiência rechaçada pela população de São Paulo, ou seja, o PAS, do ex-prefeito Paulo Maluf. Trata-se, na verdade, de um PAS de casaca.
Portanto, desafio a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo e o governo do Estado a abrir as contas dos hospitais e unidades de saúde administradas por OSS para que a verdade seja levada ao conhecimento da opinião pública. Que venha a privatização. Mas por que eles não privatizam antes a própria Secretaria da Saúde e, também, as chefias dos Executivos?

CID CARVALHAES médico e advogado, é presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo

Imagem do dia: "Serra: arrocho - descaso - má gestão"

Claro amplia sua rede de cabos óticos. Insumo baratíssimo reduzirá as tarifas aos usuários. Bom pro consumidor.

Esse "insumo baratíssimo" tem nome: TRABALHO ESCRAVO. Leia a seguir.
Fiscalização flagra escravos em escavações para rede da Claro
Grupo foi aliciado no Rio de Janeiro, não recebia salários, estava alojado em galpão e pagava pela comida. Subcontratada pela empresa de telefonia celular não fornecia água potável nem equipamentos de proteção individual
REPORTER BRASIL, 27.10.09
Após a denúncia de quatro pessoas que não suportaram as condições de trabalho, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Espírito Santo (SRTE/ES) libertou 17 vítimas de trabalho análogo à escravidão, em Vitória (ES). Elas escavavam canaletas para acomodar cabos óticos da operadora de telefonia celular Claro. A fiscalização, que foi acompanhada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), se deu em 15 de outubro.
As vítimas foram aliciadas no Norte do Rio de Janeiro no final de setembro, a pedido da subempreiteira Dell Construções, que por sua vez foi contratada pela multinacional Relacom Serviços de Engenharia e Telecomunicação. Essa última prestava serviços à Claro. O "gato" - intermediário na contratação da mão-de-obra - prometeu aos trabalhadores bom salário e ainda disse que havia a possibilidade de posterior contratação pela empresa.
"Por se tratar de uma empresa conhecida, os empregados se iludiram com a chance de serem efetivados", relata Alcimar Candeias, auditor fiscal do trabalho da SRTE/ES que coordenou a ação.
Os trabalhadores entregaram suas Carteiras de Trabalho e Previdência Social (CTPS) ao "gato". Os documentos, porém, ficaram no Rio de Janeiro. A legislação trabalhista determina que o empregador informe ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no município de origem do trabalhador, por meio das Superintendências, Gerências ou Agências, e emita a Certidão Declaratória (antiga Certidão Liberatória) antes da viagem.
A subempreiteira Dell Construções alugou uma espécie de galpão para alojar os empregados, no bairro Cobilândia, em Vila Velha (ES). Eles dormiam em colchonetes no chão. Havia somente um banheiro para todos. Não tinham itens de higiene pessoal e nem podiam comprá-los porque não receberam nenhum pagamento até o dia da fiscalização.
Os trabalhadores improvisaram uma cozinha no local e a esposa do "gato" preparava as refeições, que eram cobradas. O empregador não fornecia água potável, nem equipamentos de proteção individual (EPIs).
Nos primeiros dias de trabalho, as vítimas caminhavam cerca de 3 km para chegar até o local da escavação, na Rodovia Carlos Lindenberg. "Com a reclamação dos trabalhadores por causa do longo trajeto, a empresa alugou uma caçamba. Achando que estavam resolvendo uma situação, na verdade estavam colocando em risco a vida dos empregados", conta Alcimar. A jornada de trabalho se iniciava às 6h da manhã e se estendia até às 18h, inclusive nos finais de semana. "Normalmente quando o empregado sai de seu município para trabalhar, até por estar longe da família, ele já trabalha muito. Quando ele recebe por produção, trabalha até a exaustão mesmo. Com esses trabalhadores não era diferente", opina o auditor fiscal. O acordo inicial proposto pela empresa era pagar R$ 7 por metro escavado. Desse valor, R$ 2 ficariam com o "gato". E para piorar, o empregador achou que a produção estava baixa e diminuiu R$ 2 do valor prometido: se recebessem, os empregados ficariam só com R$ 3 por metro escavado. Após a fiscalização, os trabalhadores libertados foram transferidos para um hotel, onde permaneceram até quarta-feira (21), quando receberam as verbas da rescisão do contrato de trabalho. A subempreiteira Dell Construção, do Rio de Janeiro, arcou com os pagamentos. A Claro é controlada por empresas do mexicano Carlos Slim, dono de uma das maiores fortunas do mundo.
A Relacom informou, por meio da assessoria de imprensa, "que já está em contato direto com o Ministério do Trabalho do Estado do Espírito Santo para prestar os esclarecimentos necessários. As acusações feitas referem-se a uma empresa subcontratada e tomará as medidas que forem necessárias no conclusão do processo". A assessoria de imprensa da Claro informou que a empresa " já tomou providências internas para o referido caso". A Repórter Brasil não conseguiu contato com a Dell Construções

Explosão em obra do Metrô de Vila Prudente assusta moradores. [ OBS: post uma semana atrasado ]

A matéria a seguir foi publicada no bravo jornal de bairro Folha da Vila Prudente, ed 906, 23 a 29/10/09. Os moradores foram pegos desprevenidos, e dizem que as sirenes de alerta não soaram. O método de construção inicialmente previsto [ NATM ] foi substituído pelas detonações.
Repito: posto com uma semana de atraso, mas o registro fica para a posteridade. Nunca se sabe quando um novo craterão pode surgir em nosso bairro, não é?
Vila Prudente: Forte estrondo em obra do Metrô assusta vizinhança
No início da noite da sexta-feira passada, dia 16, um intenso ruído de explosão, seguido de tremor, provocou momentos de pânico em alguns vizinhos do canteiro de obras da futura Estação Vila Prudente do Metrô, que está sendo construída nas ruas Itamambuca e Cavour. No trecho, contrariando previsões iniciais da Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô, para dar seqüência a um túnel está sendo necessário empregar o método de detonação subterrânea por conta de uma formação rochosa de cerca de 20 metros de extensão.
Era por volta das 18h30 quando os moradores do entorno ouviram o estrondo. "Foi muito mais alto do que as demais explosões que vêm ocorrendo. Realmente assustou e o tremor foi forte. Só me tranqüilizei quando fui para janela e vi que não havia correria na rua", narra uma vizinha que pediu para não ter o nome publicado.
Mesmo morando do lado aposto da avenida Anhaia Mello, na rua Pires Pimentel, o advogado Osmar Lemes Dos Santos também levou um susto. "Eu e minha família corremos para o meio da rua e encontramos outros vizinhos correndo também. Todos ficaram apavorados, perplexos e indignados", conta Dos Santos que encaminhou na seqüência um e-mail à Ouvidoria do Metrô questionando o ocorrido e também o motivo da sirene de alerta não ter soado – como está previsto antes de cada detonação.
Recebeu como resposta que os sinais sonoros foram acionados quatro vezes. "Estamos bem próximos das obras e não conseguimos ouvir a sirene", comenta. A moradora da esquina das ruas Ettore Ximenes e Cavour, Simone Parreira, afirma que também ficou sobressaltada no dia 16 e que anteontem, entre 17h30 e 18h, voltou a ouvir o forte barulho e a trepidação. "Foi quase como na sexta-feira", conta. Mesmo estando bem próxima das obras, ela afirma que não tem escutado a sirene antes das detonações. "No sábado encontrei alguns vizinhos que também comentaram do barulho e que não estão ouvindo os sinais de alerta".
A reportagem procurou o Metrô e a construtora Andrade Gutierrez, responsável pelos trabalhos, e foi informada que no procedimento do dia 16 foi utilizado menos explosivo do que o habitual "porém fez-se necessário o uso de um acessório que provoca um ruído mais intenso".
Ainda segundo a nota, o acessório "foi integrado ao processo pontualmente por conta de uma necessidade técnica". O Metrô e a construtora destacaram ainda que as detonações ocorridas até o momento "foram bem sucedidas, dentro de todos os procedimentos e normas de segurança". Nada foi mencionado sobre o fato dos vizinhos alegarem que não estão ouvindo as sirenes.
Os serviços de detonação subterrânea começaram no dia 30 de setembro e devem se estender por dois meses. Estão programadas duas explosões diárias, no período entre 6 e 20h. Conforme o Metrô e a Andrade Gutierrez, a necessidade de mudança do método construtivo (antes estava sendo utilizada a escavação conhecida por NATM – New Austrian Tunneling Method), não vai acarretar atraso na inauguração da estação prevista para o primeiro trimestre de 2010.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cutrale devolve terras griladas

Uai, será verdade?
Num gesto único na história brasileira, a Cutrale vai devolver as terras públicas que grilou para plantar laranja. Segundo uma pessoa que ocupa cargo decisivo, "mais importante que 7 mil pés de laranja derrubados, são as cem mil famílias de brasileiros que estão na beira das estradas". O único condicionante da empresa é que as terras sejam destinadas à reforma agrária, dando preferência às famílias que ocuparam o lugar dias atrás.
Para maior surpresa, admitiu que é inconcebível que, "num país de 8,5 milhões de Km2, haja tantas pessoas sem um lugar para trabalhar e até mesmo para morar".
Com esse gesto, continuou, "contribuiremos para fazer uma justiça histórica nesse país, já que desde a chegada dos portugueses, a terra tornou-se um pesadelo para nossos índios, negros e pequenos camponeses. Queremos, de uma vez por todas, superar essa injustiça histórica, criar a paz no campo e que essa paz se estenda também por nossas cidades".
Para concluir, afirmou que "espero que todas as pessoas e empresas que grilaram terras públicas, como aquelas do Pontal do Paranapanema, ou na Amazônia, ou em qualquer outro canto do Brasil, repliquem o nosso gesto, devolvendo ao país o que é do país. Afinal, todos os brasileiros têm direito a um lugar digno para viver, sem precisar de favores governamentais. Além do mais, uma vez feita a justiça no campo, não vamos mais precisar de ocupações de terras".
O gesto da Cutrale, sem dúvida, é histórico e pegou de surpresa todos aqueles que querem criar uma CPI para investigar o MST. Afinal, ao reconhecer que o primeiro crime cometido foi a grilagem das terras, não há mais porque buscar culpados onde eles não existem.
Roberto Malvezzi, Gogó, é agente pastoral da Comissão Pastoral da Terra.

CIA compra empresa que monitora blogs, Twitter, YouTube e Amazon

Eva Golinger *
Adital -
Tradução: ADITAL
Em uma notícia exclusiva publicada esta semana na revista WIRED foi revelada que In-Q-Tel, uma empresa investidora da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) acaba de fazer grandes investimentos em um negócio dedicado a monitorar os meios e redes sociais. Essa empresa, Visible Technologies, vigia cada dia mais de meio milhão de sítios na Internet, revisando mais de um milhão de conversas, fóruns e posts em diferentes blogs, fóruns online, Flickr, YouTube, Twitter e Amazon. Os clientes de Visible Technologies recebem informação em tempo real sobre o que se está dizendo e fazendo no ciberespaço, baseada em uma série de palavras chaves.
Segundo a revista WIRED, esta nova aquisição da CIA faz parte de um movimento maior dentro da comunidades de inteligência para melhorar a capacidade de utilizar "fontes abertas de inteligência" -informação que está disponível no âmbito público; porém, muitas vezes está escondida em programas de televisão, artigos de imprensa, blogs, vídeos na Internet e reportagens em milhares de emissoras, que são gerados todos os dias.
O porta-voz de Visible Technologies, Donald Tighe, revelou que a CIA solicitou-lhes monitorar aos meios sociais estrangeiros e instalar um sistema de "detecção rápida" para informar a agência de inteligência sobre "como os assuntos de interesse estão sendo manifestados em âmbito internacional". Porém, também é utilizado em âmbito nacional, dentro dos Estados Unidos, para monitorar aos bloggers e tweetters domésticos.
Visible também subministra um serviço similar a empresas de comunicação, como Dell, AT&T, Verizon e Microsoft, para informar-lhes sobre o que está sendo dito nos fóruns sobre ciberespaço sobre seus produtos.
No final de 2008, Visible começou uma colaboração com a empresa consultora de Washington Concepts & Strategies, que estava dedicada a monitorar e traduzir conteúdo de meios estrangeiros para o Comando Estratégico do Pentágono e do Estado Maior Conjunto, entre outras agências estadunidenses. Concepts & Strategies está atualmente recrutando "especialistas em meios sociais"; com experiência no Departamento de Defesa e fluência em árabe, farsi, francês, urdu ou russo. A empresa também está buscando um "engenheiro de segurança para sistemas informáticos" que já foi outorgado acesso "Top Secret" por parte da Agência de Segurança nacional (NSA) dos Estados Unidos.
A comunidade de inteligência tem tido um grande interesse durante muitos anos nos meios sociais e nas redes sociais na Internet. In-Q-Tel realizou grandes investimentos no Facebook e em outras empresas que reúnem dados e informação de milhões de usuários em todo o mundo. A Direção Nacional de Inteligência (DNI) dos Estados Unidos mantém o Centro de Fontes Abertas, que está dedicado à busca e monitoramento de informação publicamente disponível; porém, nem sempre encontrada com facilidade.
Há uma semana, o Departamento de Estado patrocinou um evento na Cidade do México chamado Cúpula da Aliança de Movimentos Juvenis, reunindo jovens dirigentes políticos afins aos interesses de Washington com os fundadores e representantes das novas tecnologias, tais como Facebook, Twitter e YouTube. A Aliança buscava "melhorar a capacidade dos jovens políticos para utilizar as novas tecnologias para mobilizar suas organizações e disseminar informação a um público massivo". Participaram vários dirigentes opositores da Venezuela, como Yon Goicochea e Geraldine Álvarez, conhecidos por seus vínculos com as agências de Washington há muitos anos. Também participaram, a convite do Departamento de Estado, os promotores da Marcha "Não mais Chávez", que foi convocada através do Facebook durante o mês de setembro de 2009.
A união entre as agências de Washington, as novas tecnologias e os jovens dirigentes políticos selecionados pelo Departamento de Estado era uma receita para uma nova estratégia de "mudar regimes políticos". Além disso, esse evento reafirmou o apoio político e financeiro ao movimento estudantil da oposição na Venezuela por parte dos Estados Unidos e colocou ante a opinião pública uma evidência irrefutável da sinistra aliança entre Washington e as novas tecnologias.
Agora, com a nova evidência sobre os últimos investimentos da CIA que permitem o monitoramento e rastreamento de informação no Twitter, blogs, YouTube e outros fóruns no ciberespaço, não resta dúvida de que o campo de batalha foi ampliado.
No entanto, a comunidade de inteligência não controla -ainda- todo o conteúdo e fluxo de informação no âmbito cibernético. E as mesmas ferramentas que lhes servem para minar e obter informação sobre seus potenciais adversários, também podem ser utilizadas por aqueles que lutam contra as intromissões imperiais como armas para mobilizar massas e disseminar verdades sobre suas agressões.
A CIA nos tem na mira; porém, nós também estamos vigiando-a.
* Advogada venezuelano-estadunidense

Contratos de privatização tucanos encheram a burra das distribuidoras com dinheiro arrecadado A MAIS dos consumidores. Sem contar o preju do APAGÃO...

Essa daqui a Folha publicou no caderno Dinheiro. Gilmar Mendes, dá um jeito aí nessa apropriação indébita.
Conta de energia elétrica tem erro desde a privatização
28 de outubro de 2009
O erro no cálculo da tarifa de energia elétrica que gera cobrança indevida de R$ 1 bilhão a mais por ano tem origem nos contratos de concessão firmados no ato das privatizações das elétricas, dizem especialistas ouvidos pela Folha. Os primeiros contratos foram assinados ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. As falhas foram identificadas pelo TCU e reveladas em reportagem da Folha do dia 18 deste mês.
Com isso, o valor pago a mais pelos consumidores pode ter superado R$ 10 bilhões, ante estimativa inicial de R$ 7 bilhões. O assunto entra hoje na pauta da CPI das Tarifas de Energia Elétrica, na Câmara dos Deputados. Entre os convocados estão o diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Nelson Hubner e o secretário de energia elétrica do Ministério de Minas e Energia, Josias Matos de Araújo. Para o presidente da CPI, Eduardo da Fonte, o objetivo da comissão é pressionar o governo para uma solução que beneficie os consumidores.
A afirmação de que o problema está no contrato de concessão faz parte do relatório em fase de conclusão assinado por três especialistas em regulação do setor elétrico, ao qual a Folha teve acesso com exclusividade. Assinam o relatório os engenheiros Ildo Sauer, professor de pós-graduação em energia do IEE/USP (Instituto Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo) e ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras, Roberto Pereira D'Araujo, consultor em energia e Carlos Augusto Ramos Kirchner, diretor em energia do Seesp (Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo).
A avaliação dos especialistas contradiz a tese sustentada pela Aneel de que o problema começou em 2002, quando foi publicada a portaria interministerial nº 25. Para eles, não funcionará a sugestão da agência aos ministérios de Minas e Energia e da Fazenda para que seja republicada a portaria a fim de solucionar o erro.
"O problema está na inconsistência matemática da fórmula de reajuste, que está turbinando uma parte da tarifa de energia elétrica recebida pelas distribuidoras. É por isso que os reajustes tarifários são sempre muito mais altos do que a inflação, produzindo lucro sobre o patrimônio líquido das concessionárias muito acima do razoável", afirma D'Araujo.
O relatório dos especialistas subsidiará as ações dos órgãos de defesa do consumidor, entre os quais o Idec, o Procon-SP e a Pro Teste.
Batalha jurídica
De acordo com os especialistas, a única solução para o caso é a renegociação do contrato de concessão entre a agência reguladora e as distribuidoras. Sauer reconhece que o aditamento do contrato pode se converter numa batalha jurídica.
A Aneel já informou à Folha que dificilmente os consumidores perderão ações com pedidos de ressarcimento movidas contra as distribuidoras. As concessionárias, no entanto, afirmam que apenas aplicam a tarifa definida pela Aneel e que, dessa forma, não há o que devolver aos consumidores.
"Não há outra solução fora a Aneel reconhecer que existe um erro na metodologia de cálculo dos reajustes tarifários e fazer um aditamento de todos os contratos para consertar a falha", afirma Sauer.
A agência reguladora não dá sinais de que tenha disposição para isso. Ontem, a agência admitiu em nota a necessidade de mudar o contrato de concessão, embora não veja como fazê-lo (leia ao lado). Já a associação das distribuidoras não comentou o relatório.
A Aneel sustenta que o caso se resolverá com nova versão da portaria interministerial, a partir da qual a agência poderia fazer a compensação dos ganhos obtidos pelo aumento do mercado de energia, algo que a fórmula não captura hoje. Os Ministérios de Minas e Energia e da Fazenda, responsáveis pela publicação da chamada "conta de compensação de variação da parcela A" -usada para corrigir distorções ocorridas ao longo de um ano na fatia da tarifa recolhida e repassada ao governo-, não concordam com a mudança. Acham que essa iniciativa pode ser interpretada pelas distribuidoras como um ato de regulação, atribuição exclusiva da Aneel.
Falha está nos contratos, admite Aneel
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) reconheceu ontem que só a alteração dos contratos de concessão assinado com as distribuidoras de energia do país pode resolver com "segurança jurídica" o problema que pune os consumidores.
Em nota enviada à Folha, a agência explicou: "A Aneel reconhece que, em termos de segurança jurídica, a forma mais indicada para corrigir o problema [da cobrança indevida na conta de luz dos consumidores] é alterar o contrato de concessão, o que depende necessariamente de negociação prévia entre as partes."
Sem a concordância das concessionárias, a agência não pretende propor nenhuma alteração.
A Aneel disse que não tem mecanismos legais para corrigir a distorção, e isso só será obtido com a concordância do governo em reeditar a portaria interministerial de 2002.
Ontem, o Ministério de Minas e Energia voltou a negar o pedido. A situação caminha para um impasse sem precedentes.
Fonte: Folha de São Paulo
MAIS:

Gente fina

A título de registro, aí vai uma nota publicada no PAINEL da Folha de São Paulo, em 18 de Março de 2009:
"Visitas à Folha
( ... )
Julio Muñoz, diretor-executivo da Sociedade Interamericana de Imprensa, visitou ontem a Folha. Estava com Jorge Canahuati Larach, do comitê executivo da SIP e presidente do jornal "La Prensa", de Honduras, e Sidnei Basile, vice-presidente de Relações Institucionais da Abril."
Comentário de um internauta no Viomundo:
"graciliano (30/09/2009 - 14:22)
Por acaso, os donos dos dois maiores jornais golpistas, em Honduras, são tb donos da maior distribuidora de medicamentos naquele país. El Heraldo e La Prensa, os jornais. O presidente Zelaya cometeu o crime de comprar medicamentos genéricos de Cuba, por até 18% do preço cobrado por tal distribuidora.Dá prá entender porque a mídia latino-americana (as famiglias da SIP) apóiam o golpe."

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Desmascarado esquema de governo Serra que beneficia gráfica da Folha de São Paulo!

FARRA DOS CADERNOS – DESMASCARADO ESQUEMA DE SERRA QUE BENEFICIA GRÁFICA DA FOLHA
( Publicado no blog CLOACA NEWS )
.- Contratos de mais de R$ 28 milhões com a Plural incluem até o que “não haverá”
.
- Licitação “vencida” pela empresa para imprimir o que “não haverá” não diz quem eram os concorrentes
.
- Maioria dos alunos desaprova “materiais didáticos inovadores” dos tucanos
.
Conforme anunciamos, era questão de tempo para que viesse à tona mais essa bandalheira do governo de Zé Chirico. Depois da
festa dos softwares e dos folguedos das pesquisas, um outro esquema milionário está em curso em São Paulo, agora visando encher as burras de um pequeno grupo de gráficas “amigas”. Tudo engendrado e conduzido pela Secretaria da Educação, tendo como maestro o empresário lobista Paulo Renato Souza.
A mina de ouro chama-se “Caderno do Aluno”, material criado ainda na gestão de Maria Helena Guimarães, antecessora do homem das hirsutas sobrancelhas. Na prática, trata-se de uma espécie de apostila distribuída a cada aluno das escolas estaduais paulistas, nos ensinos Fundamental e Médio. No caso, cada disciplina tem o seu “caderno” específico. Vale dizer que a idéia é entupir os estudantes com quilos e quilos de papel impresso com o que há de mais revolucionário na moderna pedagogia tucana, o que inclui a subtração do Uruguai do planeta e a adição de dois Paraguais na América do Sul. São mais de 100 milhões de exemplares das tais sebentas, trabalho que coube a uma singular irmandade gráfica imprimir.Não por acaso, a Plural (leia-se Grupo Folha) ficou com o filé mignon desse boi, em condições absolutamente nebulosas. Registre-se que foi deste estabelecimento, recentemente, que “vazaram” as provas do ENEM (dizem as más línguas que o plano original – frustrado pelo Estadão – era que a Folha de S. Paulo, orientada por um vampiro, vazasse a prova no dia do exame, provocando um estrago político devastador). Fonte próxima do Palácio dos Bandeirantes, a propósito, garante que parte da dinheirama paga às gráficas, principalmente à Plural, escoará para uma caixinha localizada em aprazível país caribenho, retornando ao nosso convívio em 2010, durante a campanha eleitoral. Esta informação, contudo, não pode ser confirmada, bem como não pode ser descartada.O mais curioso, no entanto, é que a gráfica da Folha imprimiu (e já recebeu pelo serviço) até aquilo que a própria Secretaria da Educação paulista disse que não deveria ser impresso: os “cadernos de Educação Física”.
Sim, sabemos o que você está pensando neste momento: “cadê as provas disso tudo?”.
Estão aqui, no NaMaria News, fresquinhas, sem adição de corantes. Cada edital, cada pagamento, cada mutreta, tintim por tintim. De brinde, você conhecerá os blogs criados pelos próprios estudantes com todas as respostas para cada um desses geniais materiais educativos.

"MAIS UM CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA", por Eliakim Araujo

MAIS UM CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA
Queiram ou não seus adversários, Lula continua um campeão de audiência em matéria de frases de retórica que se transformam em debates nacionais. Verdadeiras parábolas que trazem embutidas críticas a adversários ou explicações sobre posições polêmicas que teve que adotar no exercício da presidência. Esta semana, foram duas tiradas sensacionais. A primeira delas, em relação à governabilidade, quando disse que “se Jesus viesse para cá, ele não governaria se não se aliasse a Judas”. De uma só tacada ele colocou em seus devidos lugares políticos como Sarney, Collor, Renan e outros menos votados, e a mídia e os políticos de oposição que o criticaram por não endurecer o jogo quando o Senado absolveu Sarney. Todos judas, deixou claro o presidente. Mas judas existem em outras categorias profissionais, muitos assinam colunas e blogs em jornais ou fazem comentários no rádio e na TV. Um deles, fazendo-se de bobo, fingindo que não entendeu a simbologia usada pelo presidente, emitiu conceitos religiosos para criticar a frase presidencial ao dizer que Lula “perdeu a aula” em que foi ensinado que “Jesus morreu porque não se coligou com as autoridades romanas nem com os sacerdotes judeus”.
Esse comentário pueril partiu do mesmo blogueiro que denunciou, sem apurar a veracidade, no início deste ano, o caso da brasileira que se automutilou na Suiça e mentiu para as autoridades ao afirmar que foi atacada por um grupo de neonazistas. Ele nunca pediu desculpas pelo grave erro que quase levou o Brasil a declarar guerra à Suiça. Outra tirada de mestre do presidente, foi a que mexeu com a categoria dos jornalistas. Para Lula, “o papel da imprensa não é o de fiscalizar, e sim o de informar”. A partir daí, discute-se exaustivamente a diferença (ou semelhança) entre informar e fiscalizar. Ora, tecnicamente – e por definição - o presidente está certo. São funções inteiramente distintas. À imprensa cabe o papel de noticiar com isenção, depois de criteriosa apuração. Isso é pacífico, é regra básica de quem tem a responsabilidade de levar a informação correta ao consumidor de notícias. Uma informação precisa e de qualidade pode levar as autoridades a fiscalizar ou investigar determinada denúncia, isso sim. Mas não cabe ao jornalista o papel de investigador, até porque ele não tem o poder de polícia. Por isso mesmo, essa história de “repórter investigativo” é uma balela criada pela nossa mídia para enganar o telespectador/leitor. Nos Estados Unidos há os repórteres “seniors”, profissionais tarimbados que fazem matérias especiais. A meu ver, com essa história de "informação" e "fiscalização", Lula simplesmente mandou um recado àquela meia dúzia de jornalistas/colunistas que, apesar da sistemática campanha de oposição ao governo e a todas as suas iniciativas, são obrigados a admitir que fracassaram e têm que conviver com o sucesso e a popularidade do presidente. Durante sete anos, usaram o espaço jornalístico de que dispõem para tentar desmoralizar o presidente, quase sempre de maneira ofensiva. Falharam duplamente. Na função verdadeira de “ informar”, e na função traiçoeira a de “fiscalizar”.
( Publicado em DIRETO DA REDAÇÃO, 25.10.09 )

sábado, 24 de outubro de 2009

Não está muito cara a "banda larga popular" do Serra? A GVT parece mais em conta.

Jornal BRASIL ECONÔMICO, 23.10.2009: "GVT aposta em rede ultraveloz e expande área de atuação".
Reproduzo:
"Tele não terá plano popular com isenção de ICMS ao entrar em São Paulo, porque seu foco está nos clientes de maior poder aquisitivo.
"(...) a operadora GVT decidiu não aderir à proposta do governo de São Paulo, feita há poucos dias, no sentido de isentar de ICMS os planos populares de banda larga. A empresa afirma que não terá ofertas de 200 Kbps a 1 Mbps [ OBS: sei lá o que é isso... ] no valor de R$ 29,80. Manterá sua aposta nas redes ultravelozes que atingem até 100 Mbps. As ofertas a partir de 3 Mbps [ OBS: ou seja, 3 vezes mais potente que o máximo oferecido pelo governo, apenas 1 Mbps, certo? ] custam R$ 49,90 [ OBS: ou seja, menos que o dobro para 3 vezes mais, no mínimo. Ou não? ] ( ... );
A tele lançou em agosto sua nova família de banda larga, de 3 Mbps - 100 Mbps. O plano de 10 Mbps custa R$ 69,90 - 72% inferior ao preço inicial e abaixo da média do mercado ( ... )".
Infelizmente, não tenho link para a matéria, para que possam lê-la inteira e confrontar com a conclusão que estou oferecendo. Vejam se descolam a matéria, e vejam por si mesmos. Acho que estão oferecendo tartaruga por lebre.

Honduras: Relatório aponta 4.234 diferentes tipos de violações aos direitos humanos. MAS MANIFESTAÇÕES CONTINUAM!

Honduras: Relatório aponta 4.234 diferentes tipos de violações aos direitos humanos
Karol Assunção *
Adital -
Mais de quatro mil hondurenhos e hondurenhas já tiveram seus direitos violados pela ditadura . Isso é o que afirma o Segundo Relatório do Comitê de Familiares de Detidos Desaparecidos em Honduras (Cofadeh), divulgado ontem (22). A situação no país permanece sem solução entre as duas partes. Entretanto, termina hoje o prazo dado por Manuel Zelaya para que seja restituído ao poder.
As violações aos direitos humanos de hondurenhos e hondurenhas estão aumentando cada vez mais. De acordo com o relatório da Cofadeh, até o último dia 15 de outubro, 4.234 pessoas tiveram seus direitos desrespeitados. Execuções, atentados, ameaças, detenções ilegais e perseguições a líderes sociais e defensores dos direitos humanos são apenas alguns atos recorrentes no país após o dia 28 de junho.
"A partir de 29 de junho, Cofadeh começou a registrar violações aos direitos humanos relacionadas diretamente às manifestações pacíficas da população, violência que foi tomando diferentes tipos, formas e padrões. Passou da violência generalizada e de violência setorizada à violência seletiva dirigida a jornalistas e dirigentes da resistência, sem esquecer a intimidação judicial como ferramenta empregada para desmobilizar os opositores, uma média superior aos 114 acusados por delitos políticos tem-se registrado entre julho e outubro", destaca o relatório.
Até agora, o Comitê já registrou 21 assassinatos e 108 ameaças de morte. A cifra aumenta ainda mais em relação às pessoas lesionadas e afetadas por golpes: 453, no total. Além disso, mais de três mil foram detidas ilegalmente e 26 jornalistas foram agredidos.
O documento aponta ainda que a repressão não só aumentou nos últimos meses, como também avançou para outros locais. "A repressão não só mudou de modalidade nos últimos meses, também de cenários, transportou-se aos bairros e colônias das diferentes cidades, municípios e aldeias onde se realizam manifestações contra o golpe e procedido a identificar e a executar cruzadas de castigo e perseguição contra os membros da resistência", revela.
Prazo chega ao fim
Termina hoje o prazo dado por Manuel Zelaya para seu retorno ao poder. Segundo informações de Telesur, Zelaya afirmou, ontem, que Roberto Micheletti tem até a noite de hoje para restituí-lo no poder. Caso contrário, o mandatário constitucional dará o diálogo por encerrado.
A mesa de negociações já está parada desde a última terça-feira (20). A estratégia do governo de fato, segundo a Telesur, é atrasar o processo de negociações até as eleições presidenciais, previstas para ocorrerem no dia 29 de novembro, e, assim, não devolver a presidência ao mandatário constitucional.
Manifestações continuam
As mais de quatro mil violações aos direitos humanos em Honduras não intimidam a população. Hondurenhos e hondurenhas da Frente de Resistência ao Golpe de Estado permanecem com manifestações e mobilizações em várias partes do país.
Amanhã, em Stibys, a Frente realiza reunião de trabalho para analisar e tomar acordos sobre a propaganda eleitoral durante o golpe. Na manhã do dia seguinte, o município de Santa Ana promoverá um "grande Concerto" contra as ações do governo de fato.
* Jornalista da Adital

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Esgotado diálogo em Honduras.

Os representantes do presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, deram por esgotado o diálogo para o fim do golpe. Os negociadores de Micheletti disseram que não levariam em conta o novo ultimato dado por Zelaya.
Em 15 de outubro já havia vencido o prazo inicial dado por Zelaya para encontrar uma saída negociada para a crise. As negociações, então mediadas pelo presidente da Costa Rica Oscar Árias começaram em julho.
A ministra do trabalho do governo legítimo, Mayra Mejía, disse a rádio Liberada de Honduras que “depende das instâncias internacionais retomar o papel de mediação”.
Para Mayra a situação em Honduras se complica cada vez mais e a podem ser realizados pelo governo de fato atos cada vez mais violentos. Os partidários de Zelaya sustentam que a intenção dos golpistas é ganhar tempo para realizar eleições “viciadas e fraudulentas”.
Na opinião da ministra do trabalho legítima, “este é um desafio para a OEA e para o mundo civilizado. Se é dado um golpe de estado que é resolvido com eleições desta forma, não haverá presidente seguro”. (pulsar)
gf/ld
23/10/2009

Embaixador denuncia na OEA “técnicas de tortura” da ditadura hondurenha contra a Embaixada do Brasil

Embaixador denuncia na OEA “técnicas de tortura” da ditadura hondurenha contra a Embaixada do Brasil
O representante diplomático brasileiro na OEA (Organização dos Estados Americanos), Ruy Casaes, denunciou o “assédio desumano” promovido pelos golpistas hondurenhos à Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde o presidente Manuel Zelaya está abrigado desde 21 de setembro, quando retornou ao país. O embaixador afirmou, durante uma reunião do Conselho permanente da OEA, na última quarta-feira (21), que “técnicas de tortura” estão sendo usadas pela ditadura hondurenha contra os que estão na Embaixada.
O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, condenou os atos da ditadura e os embaixadores e representantes dos 33 países, que atualmente são membros da organização, demonstraram seu apoio ao representante do Brasil. O Conselho da OEA exigiu o “fim imediato" das ações e a retirada de “todas as forças repressivas” dos arredores da Embaixada brasileira. A declaração de quatro pontos da OEA cobra dos golpistas a garantia ao “direito à vida, à integridade e à segurança do presidente José Manuel Zelaya" e de todas as pessoas que estão na Embaixada e em seus arredores.
Ruy Casaes afirmou que a ditadura está recorrendo a “torturas psíquicas” como forma de intimidação, como o uso de “cornetas” que tocam durante toda a noite e “ruídos provocados por policiais imitando animais” com o objetivo de evitar que as pessoas abrigadas no prédio durmam.
O diplomata contou que refletores de alta potência são apontados para o prédio por toda a noite, produzindo “uma luz insuportável”. Ele explicou que um dos focos de luz aponta diretamente para a janela do quarto onde se encontra Zelaya. Ele disse ainda que, durante 24 horas por dia, militares armados montam guarda em duas plataformas erguidas em frente à Embaixada e conseguem ver o interior do prédio, o que constitui “uma absoluta invasão de privacidade”.
Casaes relatou que o fornecimento de comida é “limitado” e que os alimentos são revistados, farejados por cachorros, mas nem sempre são entregues imediatamente, às vezes ficando expostos ao sol forte durante horas, “o que já provocou pelo menos uma crise generalizada de diarréia”. Segundo o embaixador, na semana passada, o lixo produzido no prédio foi recolhido somente depois de quatro dias.
( Publicado no Hora do Povo, edição 2811, 22.10.09 )

Heráclito Fortes faz propaganda eleitoral "extemporânea" em jornais e cai na mira do Ministério Público

22/10/2009
Senador da República Heráclito Fortes (DEM-PI) e os jornais piauienses O Dia, Diário do Povo e Meio foram representados em razão de anúncio de meia página com mensagem enaltecendo a atuação do político
O Ministério Público Eleitoral no Piauí (MPF/PI), por meio do procurador regional eleitoral Marco Túlio Lustosa Caminha, ajuizou representação contra o senador da República Heráclito de Sousa Fortes (DEM-PI) e os jornais piauienses "O Dia", "Diário do Povo" e "Meio Norte" por prática de propaganda eleitoral extemporânea.
No dia 7 de outubro deste ano, os três jornais divulgaram um anúncio de meia página assinado por supostos “amigos do senador Heráclito Fortes”, parabenizando-o pela 11ª vez em que havia sido eleito um dos 200 políticos mais influentes do Congresso Nacional, de acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Na mensagem divulgada nos referidos meios de comunicação, destacou-se o caráter e a competência do senador e o fato do político usar o seu prestígio em favor do Piauí.
Para o Ministério Público Eleitoral, ficou caracterizada a propaganda eleitoral extemporânea, uma vez que o anúncio contém a foto do senador do Piauí, da bandeira do Piauí. E a mensagem enaltecia o político, o qual, provavelmente, será candidato ao pleito eleitoral de 2010, seja para o cargo de senador da República, já que poderá reeleger-se, ou ainda poderá optar por lançar-se aos cargos de governador do estado, deputado federal ou estadual.
Promoção pessoal - Para o procurador regional eleitoral no Piauí, tal publicidade trata-se de propaganda indireta ou subliminar, uma vez que, ao estampar a mensagem enaltecendo a atuação do parlamentar em razão do seu ofício público, na verdade, promove-se o lançamento do nome do futuro candidato ao pleito de 2010.
“A citada propaganda transformou-se em ato de promoção pessoal do senador, já que, ao expor aptidões do representado para o exercício da função pública, busca, na verdade, deixar registrado, na lembrança do eleitor, diante da proximidade do ano eleitoral, o nome do pretenso candidato”, argumenta Marco Túlio Caminha.
O MPE requereu ao Tribunal Regional Eleitoral do Piauí que os beneficiários da propaganda, senador Heráclito Fortes e os jornais, informem, num prazo de 24 horas, os nomes dos demais responsáveis pela propaganda, intitulado “amigos do senador Heráclito Fortes”, para que também possam responder judicialmente pela propaganda.
O procurador requereu, ainda, que seja aplicada pena de multa prevista na Lei nº 9.504/97, individualmente para cada beneficiário e, no seu valor máximo, bem como que seja determinado aos representados que se abstenham de realizar novas divulgações em desacordo com a legislação eleitoral.
Legalidade e isonomia - De acordo com a Lei nº 9.504/97, a propaganda eleitoral somente é permitida após o dia 5 de julho do ano da eleição. O procurador eleitoral tem convicção de que tanto o senador quanto os jornais representados, ao se utilizarem de materiais publicitários, violaram a legislação eleitoral, ferindo, portanto, os princípios da legalidade e da isonomia entre os candidatos.
O procurador eleitoral ressalta que o uso de propaganda em jornais de ampla circulação, exposta ao eleitorado antes do período permitido, geralmente é feita por aqueles que detêm poder econômico ou político ou controlam os meios de comunicação, em detrimento daqueles que pretende disputar as eleições somente com idéias e propostas.
Marco Túlio Caminha acredita que a ampla divulgação desse tipo de propaganda gera proveitos psicológicos mais significativos do que a própria propaganda eleitoral direta, já que proporciona aceitação inconsciente do nome do futuro candidato por parte dos eleitores.
Assessoria de Comunicação
Procuradoria da República no Piauí
Fones: (86) 2107-5925/5987 (fax)
e-mail: ascom@prpi.mpf.gov.br

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Liberdade de Imprensa: Levantamento anual dos Reporteres Sem Fronteiras mostra Argentina à frente da Itália

Se vale de alguma coisa ou não, isso eu não sei. Mas é divertido gastar um tempinho nas estatísticas do relatório sobre a liberdade de imprensa dos Reporteres sem Fronteiras.
A Argentina que "persegue" jornais ( de acordo com a nossa imprensa ) sobe, encosta na Espanha e passa a Itália do Capo Berlusca, em queda livre. Que mais? Ah, Israel cai duas vezes! Tem duas estimativas na lista, para o país: repressão em seu território e também fora dele ( Israel fuera del territorio israelí ).
Honduras
Não sei se foi considerado, na metodologia, o atual período da "guinada democratizante" de Michelletti, mas Honduras caiu um bocado. Colômbia, vejam só, ficou na mesma. Brasil-sil-sil [ eu tava guardando pra depois ] su-biu-iu-iu 11 posições. Mesmo com a ditadura blochevista em vigor.
Vejam por vocês, AQUI, em espanhol.

Propaganda de cigarros enganou gerações. E propaganda de automóvel, não?

Corcel 73, o Ouro de Tolo que o Raul cantou. Sucesso, distinção social, sexo fácil...



"Sucesso na carreira", "sucesso na paquera" [ ou, para ser mais explícito, "com o sexo oposto"; Mmmm, pensando melhor, "sucesso no sexo", não necessariamente com o oposto ], "liberdade", "destaque social".
Não é apenas a dificuldade com o transporte coletivo e público que faz com que alguém compre um carro ou moto. Nunca foi. Nem as propagandas dizem, exatamente, isso. Dizer que o transporte público é ruim não explica, por exemplo, um pai que dá as primeiras aulas de volante para um filho ainda adolescente. "Vai, meu filho, vai ser macho na vida". É isso que está implícito [ para os homens, óbvio ], embora poucos gostem de admitir. Isto é, essas conversas rolam, mas na hora do vamo vê, o "Super machizêitor" [ em homenagem ao grupo Tabajara ] vira, apenas "meu carro, um veículo de transporte". Mentira. E o discurso "cidadão" é fraude, o que torna a coisa pior, já que por trás de um papo de "revolta contra os governos que não põem transporte decente", há uma verdadeira frustração pela emasculação causada pelas leis da Física [ aquela, dos dois corpos não ocuparem uma vaga só na Zona Azul ]. Vai ver é por isso que se vê tanta violência no trânsito. Notadamente contra o pedestre. É uma espécie de "limpeza étnica" ou "eugenia" contra os mais fracos. Que, sabemos todos, não podem sobreviver diante do mais forte, mais veloz e furioso.
Quando ouço gente motorizada reclamando do "caos no trânsito" tenho vontade de matar ( legítima defesa, eu alegaria... ).
A volta do malufismo, repaginado, sob a batuta tucana, é um imperativo automobilístico. Essas obras nas marginais não fariam feio à época dos engenheiros que pensavam grandes avenidas e viadutos. Era a forma concebida naquele período. Hoje em dia, sim, é um absurdo. Mas é em função do automóvel, né? As pessoas reclamam, depois quando a obra fica pronta a coisa flui um pouco melhor, aí se esquece por um tempo. O fato de haver uma ligeira melhora leva, então, as pessoas a adquirirem mais carros, uma vez que os congestionamentos temporariamente sumidos acabam os iludindo [ será mesmo? ]. Depois, tudo de volta ao normal, literalmente imutável.
DIA DA MARMOTA
Todo dia sempre igual. Rotina todos temos. Mas esse "sofrimento" auto-inflingido pelos motoristas, e amplamente mostrado pelos jornais me faz perguntar: Quem colocou um revólver na cabeça de vocês, obrigando-os a comprar um carro?
Volto ao início: obrigar, ninguém obrigou, mas as promessas de distinção social foram fortes, não foram? Muito fortes. Mas todos estamos [ fomos ] expostos a isso. Eu também.
Aos 37 anos, no entanto, e sempre residindo em São Paulo, ATÉ HOJE eu não sei dirigir. Nunca quis. A pressão, no entanto, foi a mesma. O que me irita de verdade é não poder ficar imune à encheção de saco de quem se vê num congestionamento, e diante dum jornalista qualquer passa a se lamuriar. Infelizmente para mim, não há deixar de ouvir sobre o "Trânsito na Capital" [ com letra maiúscula, tipo um nome próprio de um personágem de vida independente ]. Sempre a mesma coisa. Todo dia igual. Para vocês, espertos. Não sou surdo, fazer o quê?
Talvez tenha razão Sêneca [ odeio fazer citações ] ao dizer que "a multidão é nociva". Quer dizer, eu sei disso.
TENHA ISSO, TENHA AQUILO
Hoje temos, maximizada pelas tecnologias, a presença ostensiva de multidões de anônimos, cujos rostos [ e belos dentes, cabelos, peitão, coxa, bíceps ] não param de nos rondar, cercando-nos pelas telas da TV, revistas, jornais, revistas, outdoors, "BusTV", Internet, e uma boa dose de Hollywood dizendo-nos [ como sempre ] o que fazer na vida. Ameaças: nossa vida será vazia, brochante, desinteressante, pouco sensual.
Enredos fantásticos, ruas vazias em plena metrópole engarrafada na vida real. Ficção científica. A mesma propaganda de sempre, só que mil vezes mais presente. E mais bela. Mais viva e real. Mais convincente. Levando-nos pro buraco. Ou pro trânsito engarrafado. Vão vocês e não me encham o saco com suas chorumelas.


Exposição traz peças de 1920 a 1950
( Extraído do site do Clube de Criação de São Paulo )
Peças publicitárias produzidas para a indústria do tabaco entre 1920 e 1950 e mantidas no Instituto Smithsonian, em Washington (EUA), serão exibidas pela primeira vez no Brasil a partir desta quinta-feira (15), até o dia 26, na Livraria Cultura, em São Paulo.
A mostra "Propagandas de Cigarro - Como a Indústria do Fumo Enganou Você" conta com 90 peças selecionadas pelos médicos Robert Jackler e Robert Proctor, professores da Universidade de Stanford, nos EUA. A exposição mostra que uma das estratégias dos fabricantes para convencer o consumidor era usar a imagem de 'estrelas' de Hollywood, cantores e até de cientistas, dentistas e médicos para destacar os "benefícios" do produto.
Trazida ao Brasil pela NovaS/B, a exposição busca reafirmar a importância de mecanismos como a autorregulamentação publicitária, de acordo com a agência.
A NovaS/B foi contratada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 2008 para desenvolver campanha para o Dia Mundial Sem Tabaco, veiculada simultaneamente em 200 países (
leia aqui).
Serviço:
Exposição: "Propagandas de Cigarro - Como a Indústria do Fumo Enganou Você"
Apoio: Livraria Cultura
Período: de 15 a 26 de outubro de 2009
Horário de visitação: de segunda a sábado das 9h às 22h; domingos e feriados das 9h às 18h
Local: Livraria Cultura do Conjunto Nacional Endereço: Av. Paulista, 2.073 - Bela Vista
Confira outras imagens da exposição
aqui.


"Sandinistas? Sou "contra". Cigarros? A favor..."

"Indignação com as laranjeiras", por Luiz Carlos Bresser Pereira

Indignação com as laranjeiras
Por que não nos indignamos com a captura do patrimônio público que ocorre todos os dias em nosso país?
Há uma semana, duas queridas amigas disseram-me da sua indignação contra os invasores de uma fazenda e a destruição de pés de laranja. Uma delas perguntou-me antes de qualquer outra palavra: "E as laranjeiras?" - como se na pergunta tudo estivesse dito.
Essa reação foi provavelmente repetida por muitos brasileiros que viram na TV aquelas cenas. Não vou defender o MST pela ação, embora esteja claro para mim que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Mas não vou também condená-lo ao fogo do inferno. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela "fúria de militantes irracionais".
Quando ouvi o relato indignado, perguntei à amiga por que o MST havia feito aquilo. Sua resposta foi o que ouvira na TV de uma das mulheres que participara da invasão: "Para plantar feijão". Não tinha outra resposta porque o noticiário televisivo omitiu as razões: primeiro, que a fazenda é fruto de grilagem contestada pelo Incra; segundo, que, conforme a frase igualmente indignada de um dos dirigentes do MST publicada nesta Folha em 11 deste mês, "transformaram suco de laranja em seres humanos, como se nós tivéssemos destruído uma geração; o que o MST quis demonstrar foi que somos contra a monocultura".
Talvez os dois argumentos não sejam suficientes para justificar a ação, mas não devemos esquecer que a lógica dos movimentos populares implica sempre algum desrespeito à lei. Não deixa de ser surpreendente indignação tão grande contra ofensa tão pequena se a comparamos, por exemplo, com o pagamento, pelo Estado brasileiro, de bilhões de reais em juros calculados segundo taxas injustificáveis ou com a formação de cartéis para ganhar concorrências públicas ou com remunerações a funcionários públicos que nada têm a ver com o valor de seu trabalho.
Por que não nos indignarmos com o fenômeno mais amplo da captura ou privatização do patrimônio público que ocorre todos os dias no país? Uma resposta a essa pergunta seria a de que os espíritos conservadores estão preocupados em resguardar seu valor maior - o princípio da ordem -, que estaria sendo ameaçado pelo desrespeito à propriedade.
Enquanto o leitor pensa nessa questão, que talvez favoreça o MST, tenho outra pergunta igualmente incômoda, mas, desta vez, incômoda para o outro lado: por que os economistas que criticam a suposta superioridade da grande exploração agrícola e defendem a agricultura familiar com os argumentos de que ela diminui a desigualdade social, aumenta o emprego e é compatível com a eficiência na produção de um número importante de alimentos não realizam estudos que demonstrem esse fato?
A resposta a essa pergunta pode estar no Censo Agropecuário de 2006: embora ocupe apenas um quarto da área cultivada, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção e emprega quase três quartos da mão de obra no campo.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, nesta Folha listou esses fatos e afirmou que uma "longa jornada de lutas sociais" levou o Estado brasileiro a reconhecer a importância econômica e social da agricultura familiar. Pode ser, mas ainda não entendo por que bons economistas agrícolas não demonstram esse fato com mais clareza. Essa demonstração não seria tão difícil - e talvez ajudasse minhas queridas amigas a não se indignarem tanto com as laranjeiras.
*LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA , 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994". Internet: www.bresserpereira.org.br
Fonte: Folha de São Paulo
( Publicado no site VERMELHO )
LEITURA COMPLEMENTAR:
Trinta séculos de luta
Há milênios, a reforma agrária serve à construção da cidadania e da liberdade.
"A reforma agrária não foi inventada pelo socialismo, nem sequer pela modernidade. É possível encontrar sua teoria e sua prática desde o Jubileu hebraico ( ... )"
Antonio Luiz M.C Costa

Imagem do Dia: Dilma Rousseff bate bola em Araraquara, preparando-se para o mata-mata de 2010


Em Araraquara ( SP ), terra da gloriosa AFE ( Ferroviária ), Dilma faz um reconhecimento do gramado novinho do estádio Arena da Fonte, ao lado do ministro Orlando Silva

E não se fala mais do lixo em São Paulo?

No domingo último, saiu no JT [ Coluna Você precisa saber: "PROMESSA ELEITORAL? Kassab eleva subsídio a ônibus" ] a seguinte informação, só que num texto sobre [ já perceberam, né? ] o subsídio às empresas de ônibus de São Paulo:
"( ... ) O remanejamento de verbas publicado ontem ainda elevou o orçamento destinado à varrição de ruas e coleta de lixo em R$ 37,5 milhões. Os serviços haviam sido alvo do congelamento de receitas, o que gerou reclamação das empresas, problemas de limpeza e, por fim, o recuo do prefeito na decisão de reter as verbas ( ... )".
Ainda no período de vacas gordas, a Prefeitura pagava R$ 27 milhões por mês às empresas de lixo pelo serviço de varrição de ruas [ mas, pelo que eu entendi dessa bagunça toda, "varrição" e "coleta de lixo" são áreas distintas; no entanto, a notícia as coloca juntas: varrição de ruas e coleta ]. Quando veio a alegada carestia, o Kassab queria reduzir o valor para R$ 24 milhões/ mês, durante o período de agosto a dezembro.
E agora, depois das "voltas atrás" que a administração deu, corta-não corta, o valor disponibilizado passa [ ria ] a ser R$ 37 milhões. Dez milhões a mais do que vinha sendo pago antes dos cortes?
Bom, a informação do jornal reproduzida acima contém apenas 4 linhas e estas são, obviamente, insuficientes. Ou seja: não dá ainda para saber. Mas não seria irônico que, depois de todo aquele bafafá, montanhas de lixo, enchentes etc, causado em tese pelo corte orçamentário, o valor passasse a ser maior que o anteriormente pago?

Má notícia: Professor Hariovaldo NÃO ESTÁ NO TWITTER

Não é ele. Fui engambelado.
Recebo esta epístola:
"Digníssimo Senhor Humberto.
Só quero te avisar que eu não estou no Twitter. Tinha outra pessoa usando o nome do Professor Hariovaldo mas eu pedi que parasse. Depois eu vou colocar um aviso no blog falando que o Professor Hariovaldo não está no Twitter.
Mui respeitosamente,
Professor Hariovaldo Almeida Prado"
Fui vítima de uma mente ardilosa. Bom, taí o recado.

Capital estrangeiro especulativo será finalmente taxado

Para desestimular a especulação, o presidente Lula autorizou a equipe econômica a elaborar medida provisória que implemente o imposto sobe capital estrangeiro de curto prazo--o chamado de especulativo. Esta é uma reivindição histórica dos movimentos sociais, que sempre cobraram do governo medidas para cobrar impostos dos especuladores.
A medida foi tomada após levantamentos do governo mostrarem crescimento acentuado na entrada de capital especulativo no país. Mas, em contrapartida, haverá cobrança menor de impostos sobre as somas que permanecem mais tempo no país.
De junho a agosto, o ingresso de capital especulativo somou US$ 322 milhões, enquanto nos três meses anteriores, deram entrada no país US$ 186 milhões em capital de curto prazo. A alta contribui para valorizar o real e dificulta a exportação.
Com a criação do novo imposto, o governo pretende fazer com que pague mais taxas aquele capital que permanecer menos tempo no país. A ideia é que fique livre do imposto após cumprir um prazo mínimo de permanência.
A taxação deverá atingir tanto as aplicações de renda fixa quanto o mercado acionário.
Segundo a Folha de S. Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi quem convenceu o presidente Lula a adotar a medida, pois o governo vinha resistindo.
Foi a desvalorização do dólar nas últimas semanas que obrigou o Planalto a buscar saídas. A fórmula criada não pernalizará o capital de longo prazo, mas sim aquele que entra no país apenas para lucrar com a alta taxa de juros.
O Planalto pretende divulgar a medida no início da próxima semana.
Com informações da Folha de S. Paulo
( Publicado no PORTAL VERMELHO )

"Uma Carta Aberta: As trapalhadas de José Serra", por Theotonio dos Santos

Brasil, Honduras
Uma Carta Aberta
As trapalhadas de José Serra
( Publicado em ALAINET, em 14.10.09 )
Estimado Serra,

Você sabe que sou muito agradecido ao seu gesto solidário de negociar, em 1973, meu asilo na Embaixada do Panamá no Chile e transportar-me até ela enfrentando a violência dos golpistas chilenos. O fato de você naquele momento estar teoricamente protegido pela sua condição de funcionário internacional não diminuí em nada sua coragem pessoal ao ajudar a mim e a outros companheiros ameaçados pelos militares golpistas. Sobretudo, quando alguns dias depois, você mesmo teve que se “abrigar” (como o presidente Manuel Zelaya) na embaixada da Itália, de onde saiu posteriormente para os Estados Unidos. Dias duros aqueles, como os que vivemos também no Brasil em 1964.

Por isto mesmo me supreendem imensamente as suas declarações sobre as “trapalhadas” cometidas pelo governo brasileiro ao “abrigar” o presidente Zelaya para que pudesse encaminhar a luta política para retomar materialmente o cargo que nunca abandonou, pois todos os países membros das Nações Unidas o consideram, em reunião da Assembléia Geral desta instituição, como o presidente legal de Honduras.

É lamentável ver como vários políticos e colaboradores da grande imprensa brasileira, além de seus editorialistas, contestam esta impressionante decisão unanime. É impressionante ver o tratamento que se dá ao presidente eleito de uma república amiga aceitando versões abertamente mentirosas sobre uma suposta inconstitucionalidade de suas ações no poder que justificariam um golpe de Estado contra ele.

Vejamos algumas destas mentiras assumidas pelos políticos de seu partido e ao que tudo indica por você mesmo:
1- Segundo um jurista do próprio PT, Dr. Dalmo Dallari, por exemplo, em artigo publicado na Folha de São Paulo, o presidente Zelaya teria desobedecido ao artigo constitucional (inclusive, de caráter pétreo) que proíbe a reeleição em Honduras ao propor a realização de uma consulta popular, não vinculatória, durante as próximas eleições presidenciais (a famosa “4ª urna”), sobre a conveniência de convocar um plebiscito, este sim vinculatório, sobre a realização de uma Assembléia Constituinte em Honduras.

Portanto, a interpretação de que esta consulta conduziria a uma possível reeleição do presidente Zelaya é um absurdo lógico e jurídico pois já se estaria votando no novo presidente da República quando a população “opinaria” sobre a possibilidade de convocar um plebiscito. Era, pois, materialmente (e não só logicamente) impossível que tal consulta tivesse algo a ver com a possibilidade de reeleição do presidente Manuel Zelaya, como se insinua e se pretende converter em fato jurídico anticonstitucional. Zelaya nunca defendeu a sua reeleição e não propôs nenhuma ação neste sentido. Talvez se esteja tentando extrapolar de maneira absurda para o Presidente Zelaya as condutas de presidentes latino-americanos como Uribe na Colômbia, Fujimori no Peru e Fernando Henrique Cardoso no Brasil, entre vários outros, que sim conseguiram, desde o poder, reformas constitucionais para permitir suas reeleições.

Por que você aceitou estas mentiras Serra? Não vê que isto compromete seu partido e você pessoalmente com uma mentira reconhecida mundialmente? Isto sim me parece uma trapalhada.

2- No mesmo artigo, o antigo jurista do PT, professor Dalmo Dallari, convalida uma versão mentirosa dos graves acontecimentos em Honduras. Segundo ele o presidente Zelaya foi deposto pela Suprema Corte de Honduras. Não é verdade. O presidente Zelaya não foi “deposto” por ninguém. A Suprema Corte expediu uma ordem de prisão do mesmo depois que ele foi substituído pelo Sr. Micheletti, e expulso para Costa Rica. O ato de “substituição” e não de demissão consistiu no seguinte:

No dia 28 de junho, o Congresso de Honduras tomou conhecimento de uma carta falsa, lida pelo seu presidente Micheletti, na qual o Presidente Zelaya se demitia do seu cargo. Foi fundamentado nesta ação criminosa de falsificação que se decidiu dar posse, no seu lugar ao presidente do Congresso. Pretender que um ato fundado numa “falsificação ideológica” seja constitucional é uma afirmação indigna de qualquer constitucionalista. As várias “informações” sobre as “maldades” do Presidente Zelaya feitas pelos mais distintos cúmplices do golpe (Corte Suprema, etc.) não são atos de demissão e sim invenções para reforçar uma situação totalmente ilegal. Se houvesse algum ato legal de demissão nunca se teria necessitado uma carta falsa. Por sinal, o mesmo método tinha sido usado em 2002 no golpe contra Hugo Chávez.

Se se necessita uma “prova” de que a Suprema Corte não demitiu o presidente Zelaya, e nem poderia fazê-lo, tome-se o comunicado da mesma, emitido no dia 29 de junho, um dia depois da “substituição” do presidente por ato não identificado com a Suprema Corte:

“(…) Con fecha 29 de junio de 2009, a raíz de segundo requerimiento fiscal de fecha 26 de junio de 2009, presentado por el Ministerio Publico, contra el ciudadano José Manuel Zelaya Rosales, a quien se Ie acusa como responsable, a titulo de autor, de los delitos contra la forma de gobierno, traici6n a la patria, abuso de autoridad y usurpaci6n de funciones en perjuicio de la Administración Publica y el Estado de Honduras, la Corte Suprema de Justicia, por unanimidad de votos, ordeno se remitieron las actuaciones al Juzgado de Letras Penal Unificado, para que se continué con el procedimiento ordinario establecido en el Código Procesal Penal, en vista de que el ciudadano Zelaya Rosales a esta fecha ya no ostentaba el carácter de alto funcionario del Estado.” (os erros de digitação e castelhano são próprios do original que se pode consultar em:
http://www.poderjudicial.gob.hn/general/noticias/Comunicado_Especial.htm#)

Restaria a sempre repetida afirmação de que sim houve excesso em tirá-lo de sua casa de madrugada e de pijama. Fica sugerida a idéia de que se o tivessem tirado de manhã e já vestido estaríamos num plano constitucional, apesar de que a constituição hondurenha proíbe a extradição de seus cidadãos. Para políticos que compactuaram com o “banimento” e “deportação” de cidadãos brasileiros durante a ditadura militar, esta cláusula constitucional deve parecer exageradamente democrática... Você também acha isto Serra?

Em que consiste, pois as trapalhadas do governo brasileiro, Serra? Ter “abrigado” o presidente constitucional de Honduras na sua embaixada? Permitir que ele se manifeste e negocie o seu restabelecimento de seu cargo que o Brasil, a OEA, o Tratado do Rio, a Assembléia das Nações Unidas e o Conselho de Segurança da ONU reconhecem, esta seria a “trapalhada”?

Serra, você não vai conquistar a confiança do povo brasileiro com estes “argumentos”. Isto é “politicagem” (e não Política) da pior qualidade. Agora que a presença de Zelaya permitiu retomar o diálogo para a reconstitucionalização de Honduras, suas observações e as de seus aliados que, como vimos, estão até dentro do PT, se mostram uma grande “trapalhada”.

É uma pena Serra que você (como tantos outros) abandonou os ideais de nossa juventude para servir a causas tão mesquinhas. De qualquer forma, continuo agradecido a você por ajudar a salvar minha vida e a de meus parentes e companheiros que se “abrigaram”, como você terminou fazendo, nos territórios soberanos daqueles que usaram seu poder para salvar vidas humanas.

Do amigo, apesar de nossas diferenças,

Theotonio Dos Santos
http://alainet.org/active/33675&lang=en

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O MST é burro pra caramba

De acordo com os jornais e revistas, além da - ahamm! - indignação de alguns leitores publicadas nas seções de cartas, o "povo" não aguenta mais o MST, que o "povo" exige o fim do movimento e coisas desse tipo. E também, que tem de cessar o dinheiro que o governo federal "daria" a estas pessoas, e que acaba financiando as "atividades criminosas da quadrilha".
Sem me estender demais, acho que há um quê de razão nisso. A reforma agrária, dizem os críticos, é um anacronismo que não cabe mais no Brasil moderno do agronegócio. Este, mui competente. Vejam vocês: como é que 1% apenas da população brasileira consegue posssuir, administrar e manter 46% de todas as terras cultiváveis do país, se não fosse por uma questão de extrema competência?
Então, talvez o MST já saiba disso, mas mantenha uma fachada de "luta pela reforma agrária" apenas para manter-se recebendo dinheiro do governo. Ora, tal política apenas serve para causar o germe de sua própria destruição [ ahahah ], uma vez que o movimento ficará sob a mira constante dos jornais, do Gilmar Mendes, dos jagunços e da Kátia Abreu.
Então, caro Stédile, vou dar-lhe um conselho. Mas antes responda: vocês querem continuar recebendo e malversando dinheiro público? Responda: "Sim, tchê."
E se eu lhe oferecesse "O Segredo", um método infalível que ensina a pegar dinheiro público, malversá-lo, e ainda conseguir ser celebrado pela imprensa e mostrado à opinião pública como modelo de modernidade e competência, além de não ser jamais importunado pelo Gilmar Mendes, pela vEJA, pela Kátia Abreu ou pelos leitores de jornais?
"Mas bah, tchê! Tri-bom demais. Ensina-nos 'O Segrêdo'?"
Só vou dizer uma vez: MUDEM O STATUS DA ORGANIZAÇÃO E TORNEM-SE UMA OSS OU OSCIP. FEITO ISSO, ESTABELEÇAM-SE EM SÃO PAULO E CANDIDATEM-SE A "ADMINISTRAR" HOSPITAIS E POSTOS DE SAÚDE DO GOVERNO ESTADUAL. VOCÊS RECEBERÃO RIOS DE DINHEIRO PARA MALVERSÁ-LO [ há maneiras excelentes, sem precisar levar bala no lombo ou sujar o dedão do pé com terra ], NÃO ATENDERÃO A POPULAÇÃO DECENTEMENTE E, AINDA ASSIM, NÃO SERÃO QUESTIONADOS PELA IMPRENSA JAMAIS. E FICARÃO RICOS, RICOS, RIICOOS!

Se a vEJA queria saber em qual dia de Outubro de 2008 Lina esteve com Dilma, era só perguntar ao Mercadante

PUBLIQUE-SE A VERSÃO
Do Blog do Ailton
Antes da ”Veja” e “Folha de S. Paulo” revelaram que no dia 9 de outubro Lina Vieira esteve com a ministra Dilma Rousseff (como revela a agenda da ex-secretária da Receita), o senador Aloizio Mercadante já havia abordado o assunto durante depoimento da própria Lina no Senado. Quando a versão for melhor do que o fato, publique-se a versão.
Confiram:

http://www.youtube.com/watch?v=iCy_Z8mvxhw

E Mais:

Dilma já ganhou
Do Blog CIDADANIA -Eduardo Guimarães

Se a nova ofensiva contra a candidatura Dilma no último fim de semana é o melhor que o governador José Serra e seus jornais, revistas, tevês e rádios conseguem fazer a esta altura do campeonato, já às portas do ano eleitoral de 2010, acho que os partidários da ministra-chefe da Casa Civil já podem começar a comemorar.
Enquanto o governo Lula faz o efeito da crise internacional no Brasil ser mesmo uma marolinha, faz um programa habitacional que já produziu quase 400 mil contratos, faz a maior criação de empregos formais do mundo em plena crise, faz o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 e dá ao país um prestígio internacional jamais visto, o que é que Serra, através de seus meios de propaganda, oferece?
A maioria dos paulistas pode não enxergar, mas a piora progressiva da qualidade de vida em São Paulo, o aumento da criminalidade, o caos no trânsito da capital do Estado, os salários miseráveis de professores, policiais e médicos paulistas e um dos mais baixos desempenhos da Educação no país são percebidos cada vez mais pelo resto dos brasileiros.
Enquanto São Paulo cresce timidamente, o Nordeste cresce a taxas chinesas. E, enquanto o presidente Lula vai dando emprego, renda, moradias, acesso de todos ao ensino superior e uma credibilidade e prestígio inéditos ao país, a oposição oferece Lina Vieira e suas acusações absurdas, que dão seqüência à idéia "brilhante" do governador paulista de carimbar na pré-candidata do PT a pecha de “mentirosa”.
O que mais impressiona é que a mentira de Lina é tão mambembe, mas tão mambembe que já caiu por terra antes mesmo de ser posta de pé, pois, no depoimento da ex-secretária da Receita ao Senado em agosto último, ela afirmou que viajou a São Paulo no dia do tal encontro com Dilma em Brasília (9 de outubro de 2008).
Há que perguntar, também, por que tanto trabalho para difamar uma pré-candidata que a mídia tem dito que estaria “caindo” nas pesquisas e que seria um fiasco eleitoral no ano que vem...
A resposta é muito simples: primeiro que as pesquisas não mostram nada disso. Dilma permaneceu estável e Serra é que tem caído. Em segundo lugar, simplesmente metade do eleitorado brasileiro, a parte mais pobre e menos informada da população, ainda não faz nem idéia de que o presidente que apóia com tanto vigor escolheu alguém para apoiar na eleição presidencial do ano que vem.
Não tendo encontrado nada no passado de Dilma para atacá-la, Serra manda seus jornais, revistas e tevês criarem o que denunciar, um factóide talhado para agir na mentalidade majoritária – mas não única – do povo de São Paulo, o único Estado em que o serrismo-midiático tem parte tão significativa da população sob controle mental.
Algumas vezes, nos últimos anos, fiz prognósticos temerários (na época em que foram feitos), como o de que Lula passaria como um trator sobre a mídia e a oposição em 2006 ou o de que a crise financeira internacional no Brasil seria mesmo uma marolinha. Agora, faço outro desses prognósticos: Dilma já ganhou a eleição presidencial do ano que vem.

domingo, 18 de outubro de 2009

Nos jornais, o todo pela parte e a parte pelo todo

"NUMERO DE ROUBOS COM MORTE JÁ SUPERA O DE 2008" - Capa do Estadão de sexta-feira, 16.10.09
Um transeunte desavisado pensará se tratar de um número nacional. Mas não é. São números de São Paulo; da Capital, especificamente, aponta o jornal dos Mesquita, como se a cidade fosse um corpo estranho no Estado paulista, administrado há longos 14 anos pelo Serra, Alckmin e sua turma. O crime é combatido pelo governo estadual [ logo, pelo governo Serra ], só para lembrar.
"IPVA de 2010 cairá entre 10% e 15% em São Paulo" - Capa da Folha de 14.10.09
O mesmo transeunte acima teria pensado: "Que droga! Por quê só em São Paulo? Tenho que mudar para lá, que pelo menos o governo estadual dali baixa os impostos..."
Obviamente não é nada disso, já que tal "queda" se dará também em outros estados. http://blogentrelinhas.blogspot.com/2009/10/boa-observacao-de-leitor.html

Jornalista, Mussolini era pago pelo serviço secreto inglês para escrever o que lhe era mandado

Mussolini foi o agente do MI5 em Itália
Por Francisca Gorjão Henriques
Revelações sobre o envolvimento do ditador com serviços secretos britânicos podem dar mais alento à teoria da conspiração de que Winston Churchill interveio na morte de "Il Duce"
O nome de Benito Mussolini não está normalmente associado a espionagem. Mas sabe-se que, antes de se tornar no ditador fascista italiano, Mussolini era um agente dos serviços secretos britânicos MI5. E ganhava um belíssimo ordenado à conta disso: o equivalente a 6400 euros por semana.
Não foi treinado em escutas, nem em transaccionar documentos secretos. O que Mussolini tinha de fazer em 1917, em plena I Guerra Mundial, era dar eco à propaganda pró-conflito, contra a Alemanha. E evitar que as fábricas se transformassem em ninhos pacifistas, para não comprometer o empenho da Itália nos combates.
Já se sabia que Mussolini tinha estado a soldo do MI5, antes de se envolver mais seriamente na política. Agora, o historiador britânico Peter Martland, que ao longo de 12 anos analisou 40 mil documentos, tornou mais específica esta relação no livro sobre o MI5 Defence of the Realm, da autoria de Christopher Andrew, publicado na semana passada.
Mussolini era então um jornalista de 34 anos, membro do grupo que depois se tornou no Fasci d"Azione Rivoluzionaria Internazionalista e tinha fundado o jornal Il Popolo d"Italia. Quando a Itália foi arrastada para a guerra, em 1915, ele combateu. Mas dois anos depois era ferido num exercício e regressava a casa. Foi então que os serviços de espionagem britânicos o contactaram.
A pesada derrota da Itália na Batalha de Caporetto, contra as forças austro-húngaras e alemãs, tinha deixado o moral italiano em baixo, com os discursos pacifistas a ganhar terreno. Para Londres, era fundamental impedir uma retirada.
A troco de 100 libras semanais, Mussolini tinha de publicar artigos de propaganda no seu jornal. E também fazer com que os seus "rapazes" - um grupo de veteranos de guerra que seria a sua milícia fascista - tentassem convencer os manifestantes pacifistas a ficar em casa.
"A última coisa que o Reino Unido queria era greves pró-paz a fazer parar as fábricas de Milão. Era muito dinheiro a pagar por um homem que era apenas um jornalista, mas, comparado com os quatro milhões de libras que todos os dias gastava na guerra, eram trocos", comentou Martland, citado pelo The Guardian.
Um aliado frágil
Segundo o investigador, os pagamentos eram autorizados por Sir Samuel Hoare, o homem do MI5 em Roma, que controlava em Itália 100 agentes britânicos - e em cuja documentação Martland foi encontrar estas conclusões.
A Rússia czarista era um forte aliado na Grande Guerra, mas depois da revolução bolchevique (1917) a liderança comunista quis sair do conflito. Os aliados precisavam de garantir as suas alianças, e "o menos fiável para o Reino Unido na altura, depois da retirada da Rússia, era a Itália. Mussolini recebia 100 libras por semana a partir do Outono de 1917 e pelo menos durante um ano para manter uma campanha pró-guerra", explica Martland ao diário. "Seria o equivalente a seis mil libras actualmente".
Não é que o historiador tenha provas, mas há vários indícios de que esse dinheiro servia a Mussolini para satisfazer um dos seus conhecidos vícios: mulheres. "Acho que Mussolini, que era reconhecidamente um mulherengo, gastava uma boa parte do dinheiro com as suas amantes".
Também é sabido que os contactos com Samuel Hoare continuaram depois do fim do conflito de 1914-1918. Estava-se em 1935 quando Hoare, então ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, assinou um acordo com o ditador italiano que dava a Roma o controlo sobre a Abissínia (Etiópia), o pacto Hoare-Laval, para manter a Itália fora da órbita germânica.
Nenhum dos intervenientes terá um desfecho feliz. A impopularidade do acordo leva Hoare a demitir-se e a ficar colado a um rótulo de pró-fascista. Em Abril de 1945, Mussolini seria morto por guerrilheiroscomunistas, juntamente com a sua amante Clara Petacci, quando tentava deixar a Itália rumo à Suíça. Os dois cadáveres seriam depois exibidos em Milão, de cabeça para baixo.
Teorias da conspiração
Esta foi a versão oficial da sua morte publicada logo em Novembro de 1945 pelo L"Unitá, o órgão do Partido Comunista Italiano. Mas desde sempre houve quem levantasse dúvidas. E uma das explicações da morte do "Duce" mais avançadas envolve novamente o Reino Unido.
O historiador Renzo de Felice, por exemplo, que escreveu uma extensa biografia sobre Mussolini, estava convencido de que houve uma correspondência secreta entre o ditador e Winston Churchill. Felice defendia que o facto de esta correspondência nunca ter sido encontrada era revelador da sua alta importância para o primeiro-ministro britânico.
Os serviços secretos ingleses estavam em Milão, em contacto com o coronel Max Salvadori, o homem que recebera instruções para manter as relações com os partisans e a sua organização CNLAI, que deu a ordem para matar "Il Duce".
Alguns casos de mortes misteriosas ocorreram nos meses seguintes, a maioria de guerrilheiros comunistas que testemunharam a execução. Bruno Lonati foi uma das testemunhas, mas viveu para dizer, nos anos 1990, que a ordem veio de um membro das operações especiais britânicas, o "capitão John", que chegara ao Norte de Itália com a missão de matar o ditador.
"Se dissesse que tenho nas mãos um documento definitivo [sobre a intervenção de Londres] estaria a dizer uma falsidade", afirmou De Felice aoCorriere Della Sera em Novembro de 1995. "Mas estou a recolher uma documentação que evidencia a ingerência inglesa na morte de Mussolini".
O conceituado historiador morreria no ano seguinte a esta declaração. Mas a teoria da conspiração sobre o envolvimento britânico na morte do antigo agente do MI5 sobreviveu.

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