quarta-feira, 30 de setembro de 2009

POLÍCIA MATA SOBRINHO DE DONO DA REDE GLOBO

QUEM ESTÁ acompanhando - mesmo remotamente como eu - a situação política em Honduras, sabe que o governo golpista que derrubou o presidente Zelaya, com a alegada proposta de manter a democracia do país, mandou a polícia baixar o sarrafo em manifestantes pró-Zelaya, rasgou a Constituição e baniu os direitos civis, atacou a embaixada brasileira com gases estranhos e também fechou meios de comunicação, como a Rede Globo [ a de lá, hondurenha ], que se mantiveram fiéis ao presidente Zelaya. Mesmo assim,ainda dá para tentar conseguir alguma informação. Tem a rádio PROGRESSO que, em seu site, disponibiliza boletins diários. Nestes, ficamos sabendo que uma das pessoas mortas na onda repressiva que assola o país, foi MARCO ANTONIO CANALES VILLATORO, sobrinho do proprietário da citada Rádio Globo. Se meu espanhol não está tão tosco, parece que ele foi baleado por motoqueiros em um suposto assalto, quando saía de uma igreja evangélica.
Estranhamente - após uma busca no Google em português - a morte de Marco Antonio saiu, mas não foi mencionado que ele era o sobrinho do dono da emissora fechada pelo governo [ p.ex: "
Candidato a deputado é assassinado em Honduras" - Ag. EFE ] que é, de facto, golpista e ilegítimo.
Quero dizer, nossos meios de comunicação em língua portuguesa não parecem ter atinado para este pequeno detalhe: o sobrinho do dono da emissora que mantém oposição ao governo golpista foi assassinado. Assim, o jeito é aprender espanhol na marra e superar esta pequena deficiência informativa, decerto involuntária:
http://www.tiempo.hn/secciones/sucesos/4508--pistoleros-matan-a-sobrino-del-dueno-de-radio-globo
Leiam abaixo, ou sigam o link a seguir, da rádio PROGRESSO [ http://www.radioprogresohn.org/index.php/boletines-informativos/cat_view/38-boletines ], e baixe o boletin nº. 78, que é onde está essa notícia. Claro que o ideal é baixar todos que forem saindo e ir acompanhando diariamente. Aproveitem e divulguem.


Asesinan a sobrino de dueño de Radio Globo
Marco Antonio Canales Villatoro, sobrino del propietario de la emisora hondureña Radio Globo, emisora que se mantuvo opositora al régimen de facto, fue asesinado el sábado pasado en Tegucigalpa, denunciaron partidarios del presidente derrocado, Manuel Zelaya Rosales. Villatoro, de 40 años, fue ultimado al parecer en un intento por robarle una computadora portátil, cuando salía de una iglesia evangélica, por dos hombres que viajaban en motocicleta y que le dispararon. Con los impactos de bala fue trasladado a un hospital, donde murió, informaron a través de un comunicado por el Frente Nacional de Resistencia Contra el Golpe de Estado.
Canales Villatoro era sobrino de Alejandro Villatoro, propietario de Radio Globo, uno de los medios de comunicación que ha dado cobertura y se ha mantenido en abierta oposición al régimen de Micheletti, quien el lunes pasado retornó a Honduras y permanece en la Embajada de Brasil. Por su parte, el periodista y destacado fotógrafo Esteban Meléndez denunció que el pasado miércoles, en una marcha del Frente de Resistencia, fue herido por cinco disparos con balas de goma [ ?! ] cuando captaba imágenes de los militares que actuaron contra los manifestantes.
Meléndez dijo por teléfono que como consecuencia de las heridas por las balas de goma, permanece en cama con fiebre. Ese mismo sábado fue asaltada la vivienda de la madre de la diputada Silvia Ayala, la cual denunció la pérdida de computadoras y celulares.
“La situación en Honduras sólo puede describirse como alarmante”, afirmó Susan Lee, directora de Amnistía para las Américas, en un comunicado. El comunicado manifestaba que “numerosos
manifestantes” fueron agredidos este martes por las fuerzas del orden y “algunos cientos” detenidos.

E MAIS:

Rádio Globo de Honduras retoma transmissão pela Internet
COMUNIQUE-SE, 30.09.09
A
Rádio Globo de Honduras, favorável ao presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, retomou a transmissão pela Internet nesta terça-feira (29/09), um dia depois de o governo interino fechá-la a força.
No domingo (27/09), o governo de facto emitiu um decreto suspendendo a liberdade civil e de imprensa. No dia seguinte, tropas militares fecharam a Rádio Globo e a emissora de TV Cholusat Sur, conhecida como canal 36.
Alguns fiscais da promotoria pública estiveram nas duas emissoras nesta terça-feira para fazer o inventário dos equipamentos danificados e dos que foram confiscados pelas forças do exército, dizendo que suas linhas editoriais incitavam um levante popular para a restituição de Zelaya na presidência.
Mesmo com uma grande audiência on-line, o diretor da rádio, David Romero, declarou que a emissora não poderá manter seu alcance tradicional.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Gás tóxico é fornecido por duas empresas israelenses, diz chanceler de Honduras

Gás tóxico é fornecido por duas empresas israelenses, diz chanceler de Honduras
A ministra de Relações Exteriores do governo constitucional de Honduras, Patrícia Rodas, em coletiva de imprensa em Nova Iorque, afirmou que “fontes da inteligência militar leais ao presidente Manuel Zelaya nos informaram que os gases tóxicos e as armas de assédio usados contra a embaixada do Brasil em Tegucigalpa foram proporcionados pelas empresas Alfa-com e Intercom, de capital israelita”.
Essas empresas têm sede em Tegucigalpa e são propriedade do cidadão israelita Yehuda Leitner, que “serviu de intermediário com Israel. Ingressaram no país (os gases e as armas) num vôo privado nos últimos dias”, assinalou a chanceler.
Também denunciou que os ocupantes da embaixada foram objeto de lançamento de armas químicas desde helicópteros e aviões e estão sendo utilizados pelas tropas aparelhos sofisticados de radiações sônicas e eletromagnéticas”, que têm causado diversos transtornos.
Patrícia Rodas, que assiste aos debates da 64ª Assembléia Geral da ONU, assinalou que o especialista em saúde pública, Doutor Mauricio Castellanos, mostrou que nas proximidades da embaixada havia “uma concentração acima do normal de.ácido cianídrico que produz vértigo, náuseas, vômitos, cefaléias, e dificuldades respiratórias”.
( HORA DO POVO, ed 2804 )

IMAGEM DO DIA: BOTTOM "PSDB, A FAVOR DO BRAZIL"

SAIBA MAIS: http://www.nominuto.com/noticias/politica/adesivo-psdb-a-favor-do-brazil-e-distribuido-em-encontro-sobre-educacao/39016/

Relatório da ONU que apurou crimes de guerra em Gaza é apontado por Israel como sendo "unilateral", mesmo constando acusações também ao Hamas

Informe da Comissão Goldstone, que começa a ser debatido pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, analisa detalhadamente as operações militares levadas a cabo na Faixa de Gaza no início de 2009.
A fim de examinar a questão dos direitos humanos e acusações de crimes de guerra durante a última guerra entre forças militares israelenses e a milícia palestina Hamas, na Faixa de Gaza, o Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra nomeou, no primeiro semestre deste ano, uma comissão de quatro especialistas.
Sob a coordenação do ex-juiz sul-africano Richard Goldstone, o grêmio publicou um relatório sobre o conflito em Gaza em meados de setembro último. O documento, que será discutido a partir desta terça-feira (29/09) pelo Conselho da ONU em Genebra, é uma entre as diversas análises realizadas sobre o conflito.
Com quase 600 páginas, o relatório Goldstone é a mais extensa, abrangente e detalhada dentre essas análises, além de ser um documento ponderado, no melhor sentido do termo. Pois a comissão foi incumbida pelo Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas de examinar de forma imparcial "diversas ações de desrespeito aos direitos humanos, bem como violações do Direito Internacional, cometidas no contexto das operações militares em Gaza entre o 27 de dezembro e o 18 de janeiro últimos – antes, durante e depois desse período", não importa de que lado tivessem partido.
Provas convincentes
O resultado da análise é evidente no que diz respeito a Israel, como explica Goldstone ao apresentar o relatório. "Baseados em fatos, chegamos à conclusão de haver provas convincentes de que Israel transgrediu gravemente o Direito Internacional durante suas operações militares – desrespeitando tanto o Direito Internacional humanitário quanto as deliberações sobre os direitos humanos. As forças israelenses de combate cometeram crimes de guerra, bem como possivelmente crimes contra a humanidade", sentencia.
O relatório da ONU documenta as transgressões e crimes, em grande parte intencionais e sistemáticos, das forças de combate israelenses, confirmando desta forma os relatórios de organizações israelenses e internacionais de defesa dos direitos humanos, como B'Tselem, Amnesty International, Human Rights Watch e Medico International.
As informações são confirmadas pelos testemunhos dos soldados israelenses envolvidos na operação, publicados com grande repercussão em abril último pelo jornal Haaretz, de Tel Aviv. O relatório impugna também o inquérito através do qual o governo israelense isentou suas próprias forças de combate de qualquer crítica.
Governo dificultou trabalho
O informe da ONU levou também a um resultado unívoco em relação ao Hamas. Suas transgressões e crimes ocupam espaço menor no relatório – já que causaram muito menos vítimas e destruição do que aqueles conduzidos pelo Exército israelense. No entanto, também aqui a avaliação é rigorosa, sobretudo no tocante aos ataques de mísseis do Hamas a povoados e cidades israelenses.
"Não há dúvidas de que o lançamento de mísseis e granadas se deu com o objetivo de ferir e matar civis, bem como de destruir o maior número possível de instituições civis. Esses são sérios crimes de guerra e possivelmente também crimes contra a humanidade", diz Goldstone.
A documentação sobre os disparos de mísseis pelo Hamas e sobre os danos provocados por eles possivelmente teria sido ainda melhor analisada, se o governo israelense não houvesse negado qualquer tipo de cooperação com a Comissão Goldstone, além de impedir os exames dos alvos dos mísseis no país.
Diante destes impedimentos, a Comissão teve que arcar com os custos e complicações de convidar os prefeitos de Ashkelon e de outras cidades atingidas a viajarem até Genebra, com o fim de interrogá-los.
Acusações de unilateralidade
Apesar da ponderação, tanto do relatório Goldstone como da função outorgada à comissão pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, o governo israelense já revidou o documento, acusando-o de unilateral. Organizações israelenses de defesa dos direitos humanos, ao contrário, saudaram-no unanimemente.
Elas apelaram ao próprio governo e Justiça para que acatem a interpelação da Comissão Goldstone dentro de seis meses e iniciem inquérito criminal contra os executantes e mandantes das contravenções e crimes citados.
A mesma reivindicação se dirige ao Hamas. Caso nem a milícia palestina nem o governo israelense reajam a esse pedido, a Comissão insta o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a enviar o informe ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Este, por sua vez, deveria então acionar o Tribunal Internacional Penal.
Apoio norte-americano
Ban Ki-moon evitou, até agora, pronunciar-se quanto à probabilidade de a Comissão dos Direitos Humanos da ONU – que se reúne a partir desta terça-feira em Genebra – seguir a recomendação da Comissão Goldstone.
"Apoio este relatório e pedi a meus assessores que verifiquem seu conteúdo, no tocante à responsabilidade pelos crimes lá enumerados", disse o secretário-geral da ONU.
Neste ínterim, o governo israelense iniciou uma campanha política intensa e diplomática, a fim de evitar o encaminhamento do relatório Goldstone ao Conselho de Segurança da ONU. O governo norte-americano já sinalizou publicamente seu apoio a Tel Aviv.
Autor: Andreas Zumach (sv)
Revisão: Augusto Valente
DW-WORLD

Mauro Santayana: Os fatos de Honduras e as versões distorcidas [ OBS: bastante didático ]

Os fatos de Honduras e as versões distorcidas
Escrito por Mauro Santayana
24/09/2009
O que ocorreu em Honduras e tem ocorrido na América Latina é o conflito entre um presidente eleito por voto majoritário, com amplo apoio popular, e um Congresso que representa, sobretudo, o poder econômico conservador.O governo de fato de Honduras restabeleceu o suprimento de água e energia elétrica à Embaixada do Brasil, que havia sido cortado em flagrante violência aos princípios diplomáticos internacionais.
Esperava-se, no início da noite, a chegada do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, a Tegucigalpa, com o objetivo de retomar o diálogo. Qualquer que venha a ser o desfecho da crise, o Brasil não pode desculpar o insulto à sua soberania.
Os Estados Unidos estão atuando com firmeza no episódio, como mostram as declarações da secretária de Estado Hillary Clinton.
Espera-se que Obama, passadas estas horas em que esteve ocupado com o problema da Palestina - onde se situa o Estado de Israel - venha a ocupar-se com maior atenção do que ocorre na América Central.
Quem ouve os comentários dos cientistas políticos e analistas internacionais das emissoras de televisão e lê alguns jornais brasileiros está certo de que Zelaya pretendia, em referendum popular - que ocorreria em junho passado - disputar um segundo mandato presidencial.
Não é verdade. Zelaya queria - e sem efeito vinculante - que o povo dissesse se concordava, ou não, que nas eleições de novembro próximo uma quarta urna fosse colocada nas seções eleitorais. Nessa urna especial, os eleitores aceitariam, ou não, a convocação de Assembléia Nacional Constituinte para redigir nova Carta Política.
A consulta direta ao povo, por iniciativa do presidente da República, é prevista pela atual Constituição de Honduras, em seu artigo 5º.
Embora provavelmente nova Assembleia Constituinte pudesse tratar também do problema dos mandatos, a consulta de novembro não faria referência expressa a isso, nem Zelaya seria beneficiado: ela coincidiria com a eleição de seu sucessor, dentro das regras atuais do jogo.
Portanto, não é verdade que Zelaya pretendesse, com a consulta prévia - e frustrada com o golpe de junho - obter um segundo mandato presidencial.
Zelaya e as forças políticas que o apoiam pareciam dispostas a avançar na luta pelo desenvolvimento econômico e social de um dos países mais pobres do mundo.
Tendo sido eleito pelas oligarquias conservadoras, às quais pertence por origem familiar, Zelaya, no exercício do poder, modificou a sua orientação ideológica, encaminhando-se para uma posição de centro-esquerda.
A Constituição hondurenha, mesmo estando ultrapassada pela nova situação mundial, é taxativa, em seu artigo 3º, na condenação aos golpes de Estado.
Diz o dispositivo: "Nadie debe obediencia a un gobierno usurpador ni a quienes asuman funciones o empleos publicos por la fuerza de las armas o usando medios o procedimientos que quebranten o desconozcan lo que esta Constitución y las leyes establecen. Los actos verificados por tales autoridades son nulos. El pueblo tiene derecho a recurrir a la insurrección en defensa del orden constitucional". [ destaques deste blog ]
Se assim é, não foi exatamente Zelaya quem violou a Constituição, mas os golpistas, civis e militares, que o sequestraram com sua família, alta madrugada, e o baniram do país.
O que ocorreu em Honduras e tem ocorrido na América Latina é o conflito entre um presidente eleito por voto majoritário, com amplo apoio popular, e um Congresso que representa, sobretudo, o poder econômico conservador.
Pouco a pouco, Zelaya se foi distanciando das forças que o haviam elegido. Daí, provavelmente, a sua preocupação em buscar a convocação de nova Assembleia Nacional Constituinte - que poderia, eventualmente, promover a sua volta ao poder em 2014 - mas, também, consolidar algumas de suas medidas.
Se o ocupante da Casa Branca ainda fosse Bush, provavelmente Washington passaria a mão na cabeça de Micheletti. Caberia aos partidários de Zelaya organizar movimento armado, como tem ocorrido em algumas ocasiões, contra os golpistas, ou suportar a ditadura, como em outras.
Os tempos, felizmente, são outros. É preciso fazer da oportunidade - a da condenação continental quase unânime contra os golpistas hondurenhos - um ponto de inflexão na história continental.
O Brasil agiu corretamente. Não poderia ter fechado as suas portas a um presidente legitimamente eleito e violentamente deposto por um golpe.
Os senadores Arthur Virgílio e Heráclito Fortes precisam reler os acordos internacionais sobre direito de asilo e de refúgio, além da inviolabilidade das representações diplomáticas e de sua proteção pela comunidade internacional, antes de criticar o Itamaraty.
Em resposta ao senhor Roberto Freire, a chancelaria pode informar que Zelaya chegou à embaixada de automóvel.

De Gaulle também não reconheceria o tal governo "de facto" de Honduras: para ele, Jango era o presidente brasileiro de facto e direito

Às vezes eu dou sorte e acho uns textos bacanas. Estava lendo a revista "LEITURAS DA HISTÓRIA" ( Editora Escala, R$ 7,90, encontrável em qualquer banca de esquina, fiz o merchan e não vou cobrar nada ) onde figura uma entrevista com OSWALDO MUNTEAL [ Professor de História Política da UERJ ]. A certa altura da entrevista [ sobre Jango, esqueci de dizer ] ele diz uma coisa que eu, um ignorante apedeuta, desconhecia: o presidente da França, De Gaulle esteve no Brasil, em 1966 e "não cumprimentou o presidente [ Castelo Branco ]. Passou direto por ele [ ... ] e foi ter com o deputado Doutel de Andrade [ ... ]: 'eu quero que você mande os meus cumprimentos ao presidente Goulart, porque ele é o presidente legalmente eleito. Estou aqui em respeito ao presidente Goulart'".
Aí eu fui dar uma bisoiada no oraculo Google [ a nova BARSA... ], ver se achava algo a respeito. E, convenientemente, descolei esse artigo de autoria de João Vicente Goulart, filho do ex-presidente, e presidente do instituto que leva o nome de seu pai: "Instituto João Goulart" [ Bola Preta: o instituto possui um "Conselho de Notáveis" e, na lista dos membros, aparecem nomes de figuras como Arthur Virgílio, Cesar Maia, Tasso Jereissati e Beto Richa ]. Neste artigo, é mencionado o episódio De Gaulle [ destacado em vermelho ].
Honduras: Brasil entre a hegemonia e a espada.
Os destinos da política externa brasileira vão paulatinamente tomando os rumos de uma política independente e mais perto dos interesses soberanos da América Latina.
A recente “recepção” e abrigo do ex-presidente constitucional de Honduras, na sede de sua embaixada em Tegucigalpa nos mostra um forte e dedicado dedo do Presidente Lula, operando dentro da antiga e “murista” posição política externa do Itamaraty de não intervenção interna de assuntos relativos a outros países, sejam quais forem as mudanças políticas neles operados, constitucionalmente ou não.
È sem dúvida um bom sinal. Para aqueles que lembram ainda a vergonhosa posição e colaboração da política externa brasileira que culminou no 11 de Setembro de 1973 na derrubada constitucional do primeiro governo socialista da América Latina de Salvador Allende.
Na também vergonhosa montagem do CIEX, pelo embaixador Pio Corrêa que não só monitorava exilados nas embaixadas da América Latina como também dedurava aos serviços secretos brasileiros da ditadura o movimento de ativistas para serem presos, seqüestrados e torturados pelo terrorismo de Estado no Brasil.
Ou no vexame de um De Gaulle no Brasil, deixando de lado o Presidente Castello Branco na pista e pegando pelo braço o líder há época do PTB, Doutel de Andrade e dizer: “- Transmita ao Presidente Goulart no seu exílio que só estou aqui a seu convite, pois foi com uma carta pessoal a mim, sem a intervenção do Itamaraty, que nossos países restabeleceram seus embaixadores depois do episódio da Guerra das Lagostas”.
Hoje vemos novamente nos meios de comunicação e no Congresso Nacional a preocupação dos mesmos reacionários de sempre propalarem se o governo Lula tinha ou não conhecimento da chegada de Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa.
Ora, vivemos um momento de profunda reflexão ideológica nos posicionamentos daquilo que foi direita ou esquerda no passado, e que hoje vivem perambulando nas pautas de redação dos impérios monopolistas de mídia, que a serviço ainda das elites latino-americanas, tem suas concessões renovadas, como aqui no Brasil, leia-se Globo e Record, sem debate público daquilo que vão veicular em seus meios até além de 2020.
As recentes palavras do Presidente Lula, a poucas horas da reunião da ONU em território americano, colocando em apuros a secretaria de estado americano para que se posicione em defesa da democracia e do estado de direito contra as velhas ditaduras, é sem dúvida um alento que coloca a soberania brasileira entre a hegemonia do continente Latino Americano e a espada da direita americana que ainda faz o Presidente Barak Obama prorrogar o criminoso bloqueio a Cuba.
Se a posição brasileira em proteger a democracia no continente Americano, fornecendo proteção a um presidente democraticamente eleito em seu território, via sua embaixada, ainda dói a alguns saudosistas das ditaduras, é um sinal que avançamos com esta nova política de defesa da democracia no continente do governo Lula, dizendo aos mais fortes que ainda temos voz diante da intolerância imperialista de construir bases militares perto de nossas fronteiras.

João Vicente Goulart.
Diretor do IPG, Instituto Presidente João Goulart.
Brasília 22/ 09/2009.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Para quem ainda não sabe: Professor Hariovaldo no TWITTER! Valei-me São Serapião!!

Um dia destes, eu ousei importunar o baluarte do anticomunismo nacional, Professor Hariovaldo [ cuja luta em prol da família, da cristandade, da moral, da democracia e livre iniciativa e tantas outras batalhas árduas torna-se mítica, e inspira milhares de admiradores, inclusive angariando seguidores no seio da imprensa brazuca, como Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi ], questionando-lhe se havia planos para entrar nesse novo modo de comunicação, o Twitter. Ei sua resposta [ trechos foram omitidos, OK? ]:
"Eu não sei se o meu estilo daria certo no twitter. Na verdade ainda não sei bem como funciona o twitter. Sei que os posts são limitados a 140 caraceteres."
Entendo. Um homem que lê Kant e Schopenhauer no alemão, e bulas papais em latim deverá ter certas dificuldades para reproduzir seu pensamento em apenas 140 caracteres, quando está acostumado a longuíssimas digressões e considerações.
Assim, não deixa de me surpreender que ele tenha, afinal, aderido ao Twitter.
Creio que tenha sido convencido, diante das notícias de que reformistas revolucionários pró-democracia iranianos utilizaram o Twitter para furar o bloqueio imposto pela ditadura islâmica xiita radical do fraudador de eleições Ahmize... ah, sei lá o nome dele, o tal do presidente de facto do Irã, aquele que quer jogar bombas em Israel.
Agora, como a bola da vez [ desculpem pela expressão batidaça ] é Honduras, o interesse de Hariovaldo pelo Twitter se explica. Ele pode acompanhar e comentar em tempo real o golpe dado pelos homens bons de Michelleti, que livraram o país de mais um comunista seguidor e aliado do Chávez, o Zelaya, que desejava ficar eternamente no poder. Como se sabe, Uribe não é Chávez, e também não é Zelaya. Com o Twitter, Hariovaldo poderá furar o bloqueio da imprensa brasileira que foi cooptada [ ou seja: quase toda ela, comprada com patrocínios da Petrobrás, dólares de cuba e recursos do mensalão ] pelo ( des ) governo bolchevista do Lulla, e poderá informar-nos minuto a minuto o que ocorre em Honduras. Sob o prisma dos homens bons, claro.
Quem quiser seguir o nobilíssimo Professor Hariovaldo Almeida Prado no Twitter:
http://twitter.com/ProfHariovaldo
E ajude a livrar o mundo do comunismo internacional.

sábado, 26 de setembro de 2009

Que Alstom, meu Deus?

A manchete ou chamada na capa do Folhão de 27.09, num espacinho ridículo:
"Alstom pagou R$ 2,4 mi a firma que não existe, diz polícia"
Se ficar só nisso [ o conteúdo da matéria fica para depois ], o marciano desavisado vai ficar com a impressão de que a notícia é: uma empresa [ a Alstom ] foi enganada [ por empresa fantasma ].

"Para entender o dossiê falso disseminado por Mainardi", por Luiz Carlos Azenha

por Luiz Carlos Azenha
Frequentemente nós, blogueiros, publicamos comentários sem nos dar conta de que há muitos leitores novos na internet. Gente que está chegando agora e que não entende as críticas que fazemos à mídia corporativa.
Por isso, perdoem-me os iniciados. Vou começar do começo. Foi o blogueiro Luís Nassif quem, com sua série sobre os bastidores da revista Veja, deu um passo importante para demonstrar o uso que se faz de dossiês para o chamado assassinato de reputações no Brasil.
Esses dossiês visam derrubar alguma autoridade ou defender algum interesse político e econômico inicialmente obscuro.
Clique
aqui para ler a série.
Os dossiês são montados com meias-verdades, ilações e boatos. Ganham as páginas de jornais e revistas ancorados em suposições e acompanhados de uma saraivada de "supostos", "possíveis" e "prováveis".
Os jornalistas fazem o papel de "mão do gato". Os interesses por trás dos dossiês são escondidos do público. Fica parecendo tratar-se de uma denúncia jornalística, quando se trata na verdade de um assassinato de reputação.
O mais recente dossiê divulgado pela mídia foi acolhido pelo colunista Diogo Mainardi, da revista Veja. E ganhou repercussão via Ali Kamel, por mais de um dia, no Jornal Nacional.
Ambos -- Mainardi e Kamel -- deram pernas à falsificação, que está sendo investigada pela Polícia Federal.
Para entender melhor, leiam a nota publicada pelo portal Vermelho:

PF descobre quem foi que tramou com a Veja os ataques a Martins
do Vermelho
O agente federal aposentado Wilson Ferreira Pinna, lotado na Agência Nacional de Petróleo (ANP), foi apontado pela Polícia Federal como o autor do falso dossiê contra o diretor do órgão, Victor de Souza Martins, irmão do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. O dossiê falsificado foi usado pela revista Veja para atacar a ANP e o ministro.
O material falsificado acusava Victor de Souza de aumentar os royalties das prefeituras que contratavam a empresa Análise Consultoria, que ele tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Pinna foi denunciado na 2ª Vara Federal Criminal do Rio pelos crimes de interceptação telefônica ilegal e quebra de sigilo fiscal dos irmãos de Vitor, inclusive do ministro.
Após a revista "Veja" divulgar o dossiê em abril, primeiramente através da coluna de Diogo Mainardi e posteriormente em matérias da própria revista, o Ministério Público Federal constatou que o documento não estava no inquérito da Delegacia Fazendária, que apura corrupção nos repasses de royalties. A inexistência do dossiê levou o superintendente da PF no Rio, Angelo Gioia, a abrir novo inquérito.
Em maio, a PF descobriu um pendrive com o falso dossiê, as declarações de renda obtidas ilegalmente e as transcrições de gravações telefônicas. Não se sabe ainda qual jornalsita da revista Veja recebeu o pendrive, mas os policiais identificaram Pinna como o autor.
Por meio de representação à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal, onde tramita o inquérito, foi pedida a prisão do agente, além de busca e apreensão na sua casa e na ANP.
O pedido foi para as mãos do juiz Rodolfo Kronemberg Hartmann, da 2ª Vara Federal, que não analisou o caso, provocando um conflito de competência. Tudo parou até 15 de julho, quando o Tribunal Regional Federal (TRF) decidiu que a competência é da 2ª Vara. Após negar pedido de prisão, Hartmann intimou Pinna a apresentar sua defesa, antes de decidir se aceita a denúncia.
Ontem, procurado pelo Estado, Pinna reclamou da divulgação do caso por conta do segredo de Justiça e depois se apegou na rejeição do pedido de prisão para se defender. Vitor repetiu o que falou na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados: "Quero justiça, saber quem fez essa investigação criminosa, a mando de quem, quem pagou e com qual objetivo."
Em seu blog, o jornalista Luís Nassif afirma que a lógica deste novo episódio do dissiê contra Martins é a mesma que descreve na série de matérias que desmascaram a revista Veja, especialmente no capítulo “O Lobista de Dantas”. "Primeiro, o lobista passa o dossiê para Diogo Mainardi. Ele escreve, Veja garante o espaço. Não é uma ou duas vezes, é mais que isso, é sistemático", denuncia Nassif.
Com informações do jornal O Estado de S. Paulo

Aqui, a nota mais recente do blog do Nassif sobre o episódio:
25/09/2009 - 11:14

As investigações sobre o dossiê falso
Algumas informações sobre a operação criminosa do dossiê falso sobre a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

1. Há meses, a mídia tem material das investigações sobre Wilson Ferreira Pinna, o araponga que produziu o falso dossiê contra Vitor Martins.

2. Só ontem o Estadão deu, com pouco destaque, e tratando Vitor Martins como Vitor Souza. No período das acusações, insistiu-se no sobrenome Martins. Seu nome é Vitor de Souza Martins.

3. Na matéria da Folha, Márcio Aith desinforma os leitores ao dizer que Pinna era homem de confiança do presidente da ANP Haroldo Lima. Ontem mesmo, Stanley Burburinho já tinha constatado que sua indicação se deu na gestão David Zilberstein. Essa informação é corrente na Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro, presumível fonte dos jornalistas sobre o tema.

4. A proposta de contratação de Pinna foi feito por Luiz Augusto Horta Nogueira em 2002.

5. Na Superintendência da PF do Rio há suspeitas fundadas de que Pinna tinha alguém acima dele controlando as operações. As suspeitas recaem sobre Jorge José de Araújo Freitas, chefe do Setor de Inteligência da ANP.

6. Ontem, a ANP se declarou surpresa com as notícias. Se for verdade, se o presidente Haroldo Lima não havia sido informado por Freitas, o enigma estará decifrado. Há tempos, Freitas já havia procurado a Superintendência da PF no Rio, mostrando-se informado sobre as investigações.

7. Quem ouviu o conteúdo dos grampos de Pinna diz que não tem uma informação relevante. Foram divulgados apenas para criar o ar de ameaça às vítimas.

8. Não existe sigilo de fonte para acobertar operações criminosas. Veja e seu parajornalista terão que informar o nome da fonte que repassou o dossiê, sob pena de se tornarem cúmplices de um crime.

PS – Recebo telefonema de Marcelo Auler informando que possuía as informações sobre as investigações desde maio. Informou o Estadão e pediu para segurar, para não comprometer as investigações. E o Estadão atendeu às suas ponderações. Uma lufada de jornalismo, que honra a tradição da casa.

Clique aqui para ir ao blog do Nassif

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ANP demite agente acusado de grampear ministro

MARCELO AULER - Agencia Estado

RIO - O diretor geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), Haroldo Lima, demitiu hoje o agente da Polícia Federal aposentado Wilson Ferreira Pinna do cargo de assistente administrativo junto à Assessoria de Inteligência do órgão.

Apesar de Pinna ter sido denunciado em maio por violar sigilo fiscal de 10 pessoas, entre elas o ministro da Comunicação Social Franklin Martins, e grampear ilegalmente o ramal telefônico do então superintendente de fiscalização, Jefferson Paranhos, só ontem o chefe do setor de inteligência da ANP, delegado federal Jorge José de Araújo Freitas, informou Lima sobre o fato.

PARTIDO VERDE GRANDE ABC: DEBANDADA E DEMISSÃO

Ribeirão Pires demite secretário preso
A Prefeitura de Ribeirão Pires informou, por meio de nota, que demitiu o secretário de Governo, José Valentim Seraphim. O ex-integrante do primeiro escalão do prefeito Clóvis Volpi (PV) secretário foi preso na terça-feira (22/09), acusado de envolvimento com exploração de bingos pela internet. Seraphim foi apreendido durante operação da Polícia Civil realizada em 11 estados. "Considerando o episódio envolvendo um integrante do primeiro escalão do governo, a Prefeitura decidiu pela exoneração do secretário de Governo, José Valentim Seraphim. A decisão está lavrada em portaria número 18.895 que segue para imediata publicação de acordo com os termos legais", disse a nota. De acordo com o texto, a administração quer que as acusações sejam explicadas. "A Prefeitura de Ribeirão Pires reitera o compromisso com a transparência e espera que os fatos sejam devidamente apurados e esclarecidos no menor prazo de tempo possível". Segundo informações da polícia a rede de bingos que operava na internet movimentava cerca de R$ 5 milhões por mês em território nacional. Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça de Sorocaba, no Interior de São Paulo.
Vanessa Damo acerta com o PMDB
Depois de anunciar a saída do PV, a deputada estadual Vanessa Damo revelou que a sua "nova casa" será o PMDB. Segundo ela, o que pesou na hora da decisão foi o "projeto regional". Ela também tinha convites do PSC e do DEM. Nos últimos tempos, a parlamentar vinha enfrentando divergências com a executiva estadual do PV, que culminou na sua desfiliação. Vanessa também tem relacionamento afinado com alguns pemedebistas da região, entre eles o presidente da Câmara de Santo André, vereador Sargento Juliano.
REPORTER DIARIO, 24.09.09

POLÍCIA FEDERAL DESMASCARA AUTOR DE DOSSIÊ FALSO QUE A REVISTA VEJA PUBLICOU PARA ATACAR FRANKLIN MARTINS

PF descobre quem foi que tramou com a Veja os os ataques a Martins
O agente federal aposentado Wilson Ferreira Pinna, lotado na Agência Nacional de Petróleo (ANP), foi apontado pela Polícia Federal como o autor do falso dossiê contra o diretor do órgão, Victor de Souza Martins, irmão do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. O dossiê falsificado foi usado pela revista Veja para atacar a ANP e o ministro.
O material falsificado acusava Victor de Souza de aumentar os royalties das prefeituras que contratavam a empresa Análise Consultoria, que ele tem em sociedade com a mulher, Joseana Seabra. Pinna foi denunciado na 2ª Vara Federal Criminal do Rio pelos crimes de interceptação telefônica ilegal e quebra de sigilo fiscal dos irmãos de Vitor, inclusive do ministro.
Após a revista "Veja" divulgar o dossiê em abril, primeiramente através da coluna de Diogo Mainardi e posteriormente em matérias da própria revista, o Ministério Público Federal constatou que o documento não estava no inquérito da Delegacia Fazendária, que apura corrupção nos repasses de royalties. A inexistência do dossiê levou o superintendente da PF no Rio, Angelo Gioia, a abrir novo inquérito.
Em maio, a PF descobriu um pendrive com o falso dossiê, as declarações de renda obtidas ilegalmente e as transcrições de gravações telefônicas. Não se sabe ainda qual jornalsita da revista Veja recebeu o pendrive, mas os policiais identificaram Pinna como o autor.
Por meio de representação à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal, onde tramita o inquérito, foi pedida a prisão do agente, além de busca e apreensão na sua casa e na ANP.
O pedido foi para as mãos do juiz Rodolfo Kronemberg Hartmann, da 2ª Vara Federal, que não analisou o caso, provocando um conflito de competência. Tudo parou até 15 de julho, quando o Tribunal Regional Federal (TRF) decidiu que a competência é da 2ª Vara. Após negar pedido de prisão, Hartmann intimou Pinna a apresentar sua defesa, antes de decidir se aceita a denúncia.
Ontem, procurado pelo Estado, Pinna reclamou da divulgação do caso por conta do segredo de Justiça e depois se apegou na rejeição do pedido de prisão para se defender. Vitor repetiu o que falou na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados: "Quero justiça, saber quem fez essa investigação criminosa, a mando de quem, quem pagou e com qual objetivo."
Em seu blog, o jornalista Luís Nassif afirma que a lógica deste novo episódio do dissiê contra Martins é a mesma que descreve na série de matérias que desmascaram a revista Veja (clique aqui <
http://luis.nassif.googlepages.com/>), especialmente no capítulo "O Lobista de Dantas". "Primeiro, o lobista passa o dossiê para Diogo Mainardi. Ele escreve, Veja garante o espaço. Não é uma ou duas vezes, é mais que isso, é sistemático", denuncia Nassif.
Com informações do jornal O Estado de S. Paulo

ANP exonera agente acusado de montar dossiê contra diretor »
Acusado de ser o autor de um suposto falso dossiê contra Victor Martins, diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo), o agente da Polícia Federal aposentado Wilson Ferreira Pinna foi exonerado ontem do cargo comissionado de assistente na Assessoria de Inteligência que ocupava na agência. O órgão é vinculado à direção-geral da autarquia.
A decisão foi tomada pelo diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, e aprovada pelos demais diretores colegiados da ANP, segundo nota da agência reguladora. O comunicado já foi encaminhado para publicação no Diário Oficial da União.
De acordo com a nota, Lima definiu exonerar Pinna após ter sido informado na tarde de ontem, por ofício da Assessoria de Inteligência, que o servidor "foi denunciado pelo Ministério Público Federal como o autor de falso dossiê a respeito da distribuição de royalties".
A ANP não esclareceu, porém, quais eram as atribuições de Pinna nem se ele tinha autonomia para conduzir uma investigação independente sobre a conduta dos diretores.
O dossiê supostamente elaborado por Pinna indicava que Victor Martins teria usado o cargo para favorecer prefeituras que contrataram sua empresa, a Análise Consultoria, na distribuição de royalties incidentes sobre a exploração do petróleo. O diretor da ANP é irmão do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins.
Segundo a ANP, Pinna ingressou na agência em 2001, no núcleo de fiscalização. Saiu em 2003. Após sua aposentadoria na PF, regressou à ANP em 2005, nomeado como assistente administrativo na Assessoria de Inteligência.
A ANP contestou informações de reportagem publicada ontem na Folha e negou que Pinna fosse "homem de confiança do presidente do órgão", que despachasse "semanalmente com Lima" e que tivesse por atribuições "proteger a agência de grampos e coibir a corrupção interna".
O advogado de Pinna, Otávio Bezerra Neves, classificou a exoneração como "um prejulgamento". "O cargo de Pinna é de confiança e o superior hierárquico dele tem todo o direito de demiti-lo. Mas a ANP relacionou a demissão à autoria do falso dossiê e isso não tem cabimento. A denúncia nem foi recebida, ainda nem sabemos se o juiz vai mesmo recebê-la."
Neves nega que seu cliente seja autor do dossiê, mas se diz impedido de detalhar a situação porque o processo tramita sob segredo de Justiça.
"Mas a agência não tem estrutura nem poder para fazer escutas telefônicas nem meu cliente tem, em casa, equipamento capaz de fazer isso. Pinna é vítima de uma disputa interna", disse.
O agente foi identificado pela PF como autor do dossiê a partir de um pendrive ( arquivo de dados móvel ) que contém o documento, transcrições de grampos telefônicos e declarações de renda. Ainda não foi esclarecido como esse material chegou à PF.
A Justiça Federal encaminhou o processo ao Ministério Público Federal para que emita parecer sobre a denúncia.
Fonte: Folha de S. Paulo

Agente aposentado forjou dossiê, diz PF
Folha de S. Paulo - 25/09/2009
Documento trazia acusações contra Victor Martins, diretor da ANP e irmão do ministro Franklin Martins
Um agente federal aposentado lotado na ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Combustíveis) é apontado pela Polícia Federal como o autor de um falso dossiê contra o administrador de empresas Victor de Souza Martins, diretor da ANP e irmão do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins.
Segundo o dossiê, Martins usava seu cargo na agência para beneficiar as prefeituras que contratavam a empresa Análise Consultoria, que é dele e de sua mulher. Na ANP, ele e outros dois diretores são responsáveis por definir se um município deve ou não receber royalties do petróleo (compensação que as empresas produtoras pagam à União, aos Estados e municípios) e se o valor pago deve ser revisto. O dossiê acusa Martins de aumentar a parcela recebida pelas prefeituras atendidas por sua empresa.
Martins nega a acusação e, em nota divulgada logo após a denúncia, afirmou que a Análise Consultoria não assinou contrato com nenhuma prefeitura ou empresa desde que ele tomou posse na ANP, em 20 de maio de 2005.
A existência do dossiê foi divulgada em abril. Seria um relatório produzido por uma equipe de inteligência da PF. Mas ele não integrava um inquérito já em andamento para apurar possível corrupção no repasse do dinheiro dos royalties. Por isso a Polícia Federal abriu outro inquérito para investigar a origem do documento.
Segundo o jornal "O Estado de S. Paulo" publicou ontem, em maio a Polícia Federal descobriu um pendrive contendo o dossiê, transcrições de grampos telefônicos e declarações de renda obtidas ilegalmente.
Não se sabe para quem o pendrive foi enviado nem quais pessoas viram seu conteúdo, mas a Polícia Federal identificou Wilson Pinna como autor do dossiê, diz o "Estado".
Pinna foi nomeado em 2005 pela diretoria colegiada da ANP para o cargo de assessor do diretor-geral Haroldo Lima, responsável pela área de inteligência da agência.
Denunciado à Justiça Federal por interceptação telefônica ilegal e quebra de sigilo fiscal, Pinna teve sua prisão pedida e negada, afirma o jornal. O juiz deu prazo a Pinna para que apresente sua defesa preliminar. Só depois vai decidir se aceita ou não a denúncia.
O processo corre em segredo de Justiça, por tratar de quebra de sigilo fiscal. Por isso a superintendência da PF no Rio, responsável pela investigação, não se pronuncia sobre o caso.
O Ministério Público Federal limitou-se a informar que já pediu a retirada do segredo de Justiça e afirmou que só comentará o caso se a Justiça tornar público o processo. A ANP só vai se pronunciar hoje sobre o caso. Ontem a Folha tentou localizar Pinna, sem sucesso.
Função de ex-policial era coibir corrupção na ANP
Autor(es): MARCIO AITH
Folha de S. Paulo - 25/09/2009
Apontado pela Polícia Federal do Rio de Janeiro como autor de um falso dossiê sobre corrupção na ANP (Agência Nacional de Petróleo), o agente federal Wilson Ferreira Pinna é homem de confiança do presidente do órgão, Haroldo Lima.
Pinna foi recrutado por Lima em agosto de 2005. Ele está lotado na Diretoria-Geral da ANP e, até quatro meses atrás, despachava semanalmente com Lima. Entre suas atividades, estava a de proteger a agência de grampos e coibir a corrupção interna. Ele tem cartão corporativo que o autoriza a fazer gastos em nome da ANP.
Pinna agora é acusado pelos crimes de interceptação telefônica ilegal, quebra de sigilo fiscal e de ter feito uma investigação paralela contra o diretor da ANP, Victor de Souza Martins, irmão do ministro Franklin Martins (Comunicação Social).
Segundo a PF, o "dossiê" acusou Victor de Souza de aumentar os royalties das prefeituras que contratavam a Análise Consultoria. Essa empresa tem como sócios Victor e sua mulher, Joseana Seabra.
Royalties são compensações que petroleiras pagam à União e aos Estados e municípios onde produzem, armazenam e distribuem o produto. Victor Martins e mais dois diretores da ANP têm autoridade para arbitrar se um município deve ou não receber royalties e se o valor recebido deve ser revisto.
Quando o material supostamente feito por Pinna foi revelado pela revista "Veja", em abril passado, Martins respondeu, em carta, que, apesar de sócio, está afastado da gestão da Análise Consultoria desde que assumiu o cargo na ANP, em 2005 -no mesmo ano em que Pinna ingressou no órgão.
Victor Martins disse que, desde então, não assinou nenhum contrato com prefeitura ou empresa. Em agosto, disse o mesmo à CPI da Petrobras. "Peço a essa comissão que investigue absolutamente tudo."
Prisão negada
Pinna foi denunciado na 2ª Vara Federal Criminal do Rio. Sua prisão foi solicitada pela PF, mas negada pela Justiça. O conteúdo dos grampos telefônicos que o agente teria produzido encontra-se sob sigilo.
O relatório que Pinna é acusado de ter fabricado circulou no setor de inteligência da PF em março de 2008. Na época, a PF já havia concluído a Operação Águas Profundas, que identificara fraudes em cinco licitações, quatro delas para reparos em plataformas de exploração.
Um inquérito foi aberto em meados de 2008 para investigar o assunto dos royalties. Mas até abril deste ano, ele se resumia a recortes de jornal.
Na mesma época, um delegado da cúpula da PF disse à Folha que o documento foi o ponto inicial da investigação sobre o pagamento de royalties.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

ALGUMA COISA MUITO RUIM ACONTECE NA EMBAIXADA BRASILEIRA EM HONDURAS

EU SIGO O Twitter "CONTRAGOLPE" [ http://twitter.com/contraelgolpe ] e os últimos tuítes não são nada reconfortantes: marchas de "camisas brancas" pró-golpistas, manifestantes pró-golpistas recebem valores e ainda são transportados por meio de veículos do Estado até os locais.
Além disso, parece haver ataques à embaixada, não apenas corte de luz e água:
"El ejército está atacando con un neurotóxico a la embajada de Brasil en Tegucigalpa, hay varias personas sangrando y con nauseas."
"El ejército ha cortado todas las comunicaciones con la embajada, se teme por la vida de las personas que están adentro."
- Tweets postados há dez horas
"Dispositivo acústico de largo alcance que provoca daños irreparables en el oido fue el utilizado por golpistas contra la embajada de Brasil." - Tweet postado dia 23
"La Corte Penal Interncional aceptó los juicios en contra de los violadores de los derechos humanos en Honduras." - Postado dia 24

"Tevês e jornais mentem para justificar ação de golpistas de Honduras", por Eduardo Guimarães

Devido à gravidade do que relatarei, interrompi retiro dos temas políticos que me impus nos últimos dias por conta de grave problema de saúde em família. E o que passo a relatar e a denunciar a seguir, constitui ameaça à democracia em todo continente americano. O tema: os conflitos político-institucionais em Honduras.
Espero que este texto – e outros como este, que estão sendo escritos à farta – seja distribuído – e/ou tenha seus argumentos usados – pelos brasileiros que realmente crêem na democracia, pois o que direi vem sendo repetido por jornalistas, acadêmicos, políticos, diplomatas, cientistas políticos etc.
Ontem (5ª feira), na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, dois parlamentares, os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Pedro Wilson (PT-GO), produziram excelentes análises sobre a tentativa dissimulada de televisões e jornais ligados à oposição ao governo Lula de coonestarem o golpe de Estado em Honduras. Inclusive citaram a Globo nominalmente.
Em verdade, a direita das três Américas, com seus jornais e tevês, uniu-se para envolver os povos da região numa farsa, tentando vender a idéia de que existe qualquer resquício de legalidade no golpe de Estado contra o presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya.
Apesar de chegarem até a chamar os golpistas de golpistas, esses meios de comunicação mentem e omitem informações sem parar. Antes de dizer como, porém, quero nominar os principais veículos de comunicação e partidos políticos mentirosos.
Os envolvidos nessa farsa têm à frente a Globo, a Folha de São Paulo, o Estadão, a Editora Abril, o PSDB e o PFL. Pelo lado da imprensa, são jornais, rádios, tevês, revistas e portais de internet que integram o que se convencionou chamar de mídia e que atravessou o século passado defendendo e praticando o golpismo de direita enquanto condenava o de esquerda.
Ao dizer que Zelaya foi preso no meio da noite em sua cama com sua mulher e deportado de Honduras junto da família sob a mira de armas porque propôs um plebiscito para conseguir um novo mandato presidencial, o aparato de propaganda política supra mencionado mente de forma descarada.
Zelaya jamais fez tal proposta. O que ele propôs foi uma Assembléia Nacional Constituinte. Dizer que a finalidade dessa proposição era conseguir um novo mandato é uma farsa, pois afirmam como verdade o que não passa de suposição dos golpistas.
Além disso, mesmo que o plebiscito proposto por Zelaya fosse mesmo tentativa de conseguir novo mandato, e como a constituição hondurenha proíbe, haveria que abrir um processo legal contra o presidente. Em país democrático algum se aceitaria uma pena sumária e sem direito de defesa como a que os golpistas impuseram a ele.
A cada vez que você, leitor, ler ou escutar essa mentira, se for um democrata deve dizer isso que acabo de dizer a quem estiver por perto. Deve dizer que aquela tevê ou aquele jornal mentem. Não se cale, não se omita. Defenda a verdade.
Denuncie que os golpistas criminosos de Honduras atacam a tiros manifestações pró Zelaya enquanto organizam passeatas da elite econômica e racial de Honduras de apoio ao golpe, passeata que desfila por Tegucigalpa protegida pelas mesmas forças de repressão que atacam camponeses, favelados, trabalhadores e estudantes que lutam pela democracia.
Não há hipótese, portanto, de a comunidade internacional permitir que o golpe em Honduras tenha sucesso, sobretudo por meio da eleição ilegal que os golpistas pretendem fazer em novembro próximo, eleição que obviamente será um jogo de cartas marcadas, pois um povo ameaçado por toque de recolher e repressão de forças militares não poderá votar livremente.
Evidentemente os golpistas não aceitarão acordo nenhum. Se perderem o poder, os sucessivos crimes que vêm cometendo acabarão sendo investigados e punidos, cedo ou tarde. Qualquer tentativa de acordo com eles esbarrará em seu instinto de auto-preservação.
É chegada a hora, pois, de se começar a pensar numa ação militar da ONU para prender os golpistas hondurenhos não só pelo golpe, mas pelas seguidas violações de direitos humanos que estão praticando, que certamente serão comprovadas pela comissão daquela Organização que deverá aportar em breve em Honduras para investigar denúncias sobre essas violações.
Os democratas brasileiros devemos atentar para o seguinte fato: os jornais e tevês supra mencionados, bem como os de outros países das Américas que sofreram golpes militares no século passado, já incentivaram e depois deram sustentação a golpes de Estado e violações de direitos humanos valendo-se de “argumentos” falaciosos como esse que voltam a vender para justificar a ação criminosa dos golpistas hondurenhos.
Globos, Folhas, Vejas, Estadões e comparsas tentam fazer prevalecer a idéia de que golpes de Estado podem ser justificáveis porque, obviamente, ainda não desistiram de seus pendores golpistas de antanho. Só a denúncia incessante poderá impedi-los de enganar a população e fazê-los refletir que as Américas não mais aceitarão golpes de Estado como os que sempre apoiaram.
Democratas que têm voz, como o presidente Lula, devem nos ajudar mais a denunciar. Os deputados federais do PSOL e do PT supra mencionados disseram o que precisa ser dito da forma como deve ser dito. Tomara que alguém sopre ao ouvido presidencial o que disseram.

EDUARDO GUIMARÃES

PARTIDO VERDE: "Caso do secretário envolvido com bingo ilegal pode até prejudicar candidatura de Marina Silva", diz vereador do PV

Seraphim é afastado da presidência do PV de Ribeirão Pires
O prefeito da cidade, Clóvis Volpi (PV), assumiu a presidência do partido
A presidente estadual do Partido Verde, Regina Gonçalves, confirmou nesta quinta-feira (24/09) o afastamento de José Valentim Seraphim, presidente municipal da legenda em Ribeirão Pires. Seraphim, que também é secretário de Governo de Ribeirão Pires, foi preso no início da noite desta terça-feira (22/09) acusado de integrar uma rede de exploração de bingos pela internet.
“A decisão não foi só minha, uma reunião com a executiva do partido optou pelo afastamento do secretário. A presidência do PV em Ribeirão será substituída pelo atual prefeito, Clóvis Volpi”, explicou Regina.
Mesmo pertencendo à mesma legenda do prefeito da cidade, o vereador Saulo Benevides (PV) se coloca como oposição em Ribeirão Pires e acredita que a prisão de Seraphim poderá atrapalhar os caminhos do partido em esferas estaduais e nacionais.
“O partido foi prejudicado com o ocorrido. Isso pode atrapalhar inclusive a campanha da Marina Silva para a presidência da República. Acredito que o diretório estadual tem que tomar alguma providência sobre o assunto”.
De acordo com a presidente estadual, a notícia pegou todos os membros do partido de surpresa e eles não tinham nenhum conhecimento sobre as acusações. “Para nós, foi um choque. Não sabíamos dessa história e nunca tinha passado pela nossa cabeça. Diante disso, cabe à Justiça julgá-lo. Vamos aguardar e esperamos que seja um engano”.
O prefeito Clóvis Volpi (PV) não foi encontrado para comentar o assunto.
PT – A executiva do PT de Ribeirão Pires fez uma reunião na tarde desta quarta-feira (23/09) para discutir o caso e elaborar um panfleto oficial de repúdio que deve ser distribuído na cidade ainda nesta semana.
ABCDMaior, 24.09.09

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

HORA DO POVO: Gastos de Serra com Editora Abril é um belo dum mensalão...

Governo de SP usa o Erário para fornecer mensalão ao grupo Abril
Grupo da “Veja” prega a redução do papel do Estado, mas vive surrupiando o Tesouro

Em nossa edição do último dia 4, apontamos o assalto, injustificável pelos critérios da boa governança, do grupo Civita/Abril na venda de livros didáticos ao MEC. Basta relembrar que, de 2004 a 2008, esse grupo foi o que mais recebeu dinheiro nessas vendas ao MEC - R$ 719.630.139,55, o que significa que recebeu, sozinho, mais de um quinto, 22,45% do que foi dispendido pelo Ministério na compra de livros didáticos, de longe o principal gasto do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Obviamente, esse grupo está sustentando às custas do dinheiro público a sua atividade golpista e anti-social, sobretudo o seu panfleto partidário semanal, mal chamado de “Veja”.
Agora, o jornalista Altamiro Borges, editor do site “Vermelho”, em artigo intitulado, apropriadamente, “Pela imediata privatização da revista Veja”, publicado em seu blog, trouxe novos subsídios para o conhecimento do assalto perpetrado pelo grupo Civita/Abril ao dinheiro que a população paga em impostos.
“Numa conversa descontraída no aeroporto de Brasília”, escreve Altamiro, “o irreverente Sérgio Amadeu, professor da Faculdade Cásper Libero e uma das maiores autoridades brasileiras em internet, deu uma ideia brilhante. Propôs o início imediato de uma campanha nacional pela privatização da Veja. Afinal, a poderosa Editora Abril, que publica a revista semanal preferida das elites colonizadas, sempre pregou a redução do papel do Estado, mas vive surrupiando os cofres públicos. ‘Se não fossem os subsídios e a publicidade oficial, as revistas da Abril iriam à falência’, prognosticou Serginho”.
Depois de lembrar a nossa denúncia sobre a compra de livros didáticos pelo MEC, prossegue o jornalista:
“Já da parte de governos demo-tucanos, o apoio à famiglia Civita é perfeitamente compreensível. Afinal, a Editora Abril é hoje o principal quartel-general da oposição golpista no país e a revista Veja é o mais atuante e corrosivo partido da direita brasileira. Não é de se estranhar suas relações promíscuas com o presidenciável José Serra e outros expoentes do PSDB-DEM. Recentemente, o Ministério Público Estadual acolheu representação do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e abriu o inquérito civil número 249 para apurar irregularidades no contrato firmado entre o governo paulista e a Editora Abril na compra de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola.
“A compra de 220 mil assinaturas representa quase 25% da tiragem total da revista Nova Escola e injetou R$ 3,7 milhões aos cofres do ‘barão da mídia’ Victor Civita. Mas este não é o único caso de privilégio ao grupo direitista. José Serra também apresentou proposta curricular que obriga a inclusão no ensino médio de aulas baseadas nas edições encalhadas do ‘Guia do Estudante’, outra publicação da Abril. Como observa o deputado Ivan Valente, ‘cada vez mais, a editora ocupa espaço nas escolas de São Paulo. Isso totaliza, hoje, cerca de R$ 10 milhões de recursos públicos destinados a esta instituição privada, considerando apenas o segundo semestre de 2008’”.
Baseado em pesquisa efetuada pelo blog NaMariaNews (uma excelente fonte de informações sobre os negócios do atual governo paulista na área de educação), continua o jornalista:
“Numa minuciosa pesquisa aos editais publicados no Diário Oficial, o blog descobriu o que parece ser um autêntico ‘mensalão’ pago pelo tucanato ao Grupo Abril e a outras editoras, como Globo e Folha. Os dados são impressionantes e reforçam a sugestão de Sérgio Amadeu da deflagração imediata da campanha pela ‘privatização’ da revista Veja”.
Na tabela acima, resumimos a pesquisa do NaMariaNews - que, como diz Altamiro, são apenas “algumas mamatas do Grupo Civita”:

“- DO [Diário Oficial] de 23 de outubro de 2007. Fundação Victor Civita. Assinatura da revista Nova Escola, destinada às escolas da rede estadual de ensino. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 408.600,00. Data da assinatura: 27/09/2007. No seu despacho, a diretora de projetos especial da secretaria declara ‘inexigível licitação, pois se trata de renovação de 18.160 assinaturas da revista Nova Escola’.

“- DO de 29 de março de 2008. Editora Abril. Aquisição de 6.000 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 2.142.000,00. Data da assinatura: 14/03/2008.

“- DO de 23 de abril de 2008. Editora Abril. Aquisição de 415.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 30 dias. Valor: R$ 2.437.918,00. Data da assinatura: 15/04/2008.

“- DO de 12 de agosto de 2008. Editora Abril. Aquisição de 5.155 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 1.840.335,00. Data da assinatura: 23/07/2008.

“- DO de 22 de outubro de 2008. Editora Abril. Impressão, manuseio e acabamento de 2 edições do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 4.363.425,00. Data da assinatura: 08/09/2008.

“- DO de 25 de outubro de 2008. Fundação Victor Civita. Aquisição de 220.000 assinaturas da revista Nova Escola. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 3.740.000,00. Data da assinatura: 01/10/2008.

“- DO de 11 de fevereiro de 2009. Editora Abril. Aquisição de 430.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 2.498.838,00. Data da assinatura: 05/02/2009.

“- DO de 17 de abril de 2009. Editora Abril. Aquisição de 25.702 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 608 dias. Valor: R$ 12.963.060,72. Data da assinatura: 09/04/2009.

“- DO de 20 de maio de 2009. Editora Abril. Aquisição de 5.449 assinaturas da revista Veja. Prazo: 364 dias. Valor: R$ 1.167.175,80. Data da assinatura: 18/05/2009.

“- DO de 16 de junho de 2009. Editora Abril. Aquisição de 540.000 exemplares do Guia do Estudante e de 25.000 exemplares da publicação Atualidades – Revista do Professor. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 3.143.120,00. Data da assinatura: 10/06/2009”.

Observe-se que com aquisições de apenas quatro publicações, supostamente pedagógicas, e mais as assinaturas da “Veja”, o governo do sr. Serra transferiu, dos cofres públicos para os cofres do grupo Civita, R$ 34.704.472,52 (34 milhões, 704 mil, 472 reais e 52 centavos).

Isso, sim, é que pode ser chamado de “mensalão”, diz o jornalista, em vez dos corriqueiros problemas de caixa de campanha de tal ou qual parlamentar. Embora, é forçoso reconhecer que o grupo Civita, essa fachada da associação entre a Viacom americana e os racistas sul-africanos do grupo Naspers, não é a única quadrilha golpista a ser beneficiada por Serra. Como conclui o jornalista Altamiro Borges:

“Para não parecer perseguição à asquerosa revista Veja, cito alguns dados do blog sobre a compra de outras publicações. O Diário Oficial de 12 de maio passado informa que o governo José Serra comprou 5.449 assinaturas do jornal Folha de S.Paulo, que desde a ‘ditabranda’ viu desabar sua credibilidade e perdeu assinantes. Valor da generosidade tucana: R$ 2.704.883,60. Já o DO de 15 de maio publica a compra de 5.449 assinaturas do jornalão oligárquico O Estado de S.Paulo por R$ 2.691.806,00. E o de 21 de maio informa a aquisição de 5.449 assinaturas da revista Época, da Globo, por R$ 1.190.061,60".
Com efeito, isso é que é mensalão...
CARLOS LOPES

http://www.horadopovo.com.br/2009/Setembro/2802-23-09-09/P4/pag4a.htm

PARTIDO VERDE: Secretário de município administrado pelo PV é preso por envolvimento com jogatina pela internet

ABCD MAIOR
23/09/2009
Secretário de Governo de Ribeirão é preso
José Valentim Seraphim foi detido por envolvimento em jogo ilegal
O secretário de Governo de Ribeirão Pires, José Valentim Seraphim, foi preso nesta terça-feira (21/09), acusado de envolvimento com exploração de bingos pela internet. O secretário do prefeito Clóvis Volpi (PV) foi preso durante operação da Polícia Civil realizada em 11 estados.
A rede de bingos que operava na internet, de acordo com a polícia, movimentava cerca de R$ 5 milhões por mês em todo o País. Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça de Sorocaba, no Interior de São Paulo.
A investigação começou em 2008 em Sorocaba. Como a legislação brasileiro proíbe os jogos de azar, a quadrilha investigada pela polícia operava a exploração do jogo de azar com sites hospedados nos Estados Unidos.
José Valentim Seraphim foi diretor da Abrabin (Associação Brasileira dos Bingos) nos anos de 2003 e 2004. Além do secretário de Volpi, outra pessoa foi presa pela polícia em Santo André. As investigações também foram feitas em Mauá. Todos os supeitos foram levados para o Deinter 7 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior 7), em Sorocaba.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Se não for em caráter de ofensa pessoal, eu posso chamar o Serra do que eu quiser? Até palavrão cabeludo?

O post a seguir foi surrupiado ao blog ENTRELINHAS, de Luiz Antonio Magalhães. É quente.
"Sem caráter de ofensa pessoal" pode?
Coisa finíssima a matéria abaixo, e mais ainda a justificativa do governador do Mato Grosso do Sul para as agressões gratuitas ao ministro Carlos Minc. Doravante, este blog [ OBS: o ENTRELINHAS, claro ] adotará a mesma postura de Puccinelli ao escrever sobre o pré-candidato tucano José Serra (PSDB). Qualquer coisa publicada aqui [ OBS: reitero: no ENTRELINHAS ] será "sem caráter de ofensa pessoal".
Maurício Savarese
Do UOL Notícias
O governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), usou palavrões nesta terça-feira (22) para atacar o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, por defender a descriminalização da maconha e promover ações ambientais no seu Estado. Em reunião com empresários, o peemedebista afirmou que Minc é "viado e fuma maconha".
Mais tarde, o site do governo do Mato Grosso do Sul divulgou nota dizendo que as declarações de Puccinelli foram "sem caráter de ofensa pessoal" e que ele tem entrevista coletiva às 16h30 para tratar do assunto.
Por meio de sua assessoria de imprensa, Minc afirmou que Puccinelli "é um truculento ambiental que quer destruir o Pantanal com a plantação de cana-de-açúcar. Essa declaração revela o seu caráter".

SP: Procuradores criticam lei do estimado governador Serra que antecipa verbas

Marcelo Oliveira / TERRA MAGAZINE
Entidades que representam procuradores do Estado já se articulam para questionar judicialmente a constitucionalidade de uma lei que tramita em regime de urgência na Assembleia Legislativa de São Paulo, proposta pelo governador José Serra para antecipar receitas de R$ 900 milhões para o orçamento do Estado.
O projeto em questão - o 749/2009 - é debatido nesta terça-feira em uma audiência pública da Comissão de Orçamento e Finanças da assembleia e prevê a cessão de créditos tributários parcelados. Procuradores do Estado, reponsáveis pela cobrança de dívida ativa, apontam quatro inconstitucionalidades na lei. Ao todo, 70 deles assinaram uma moção de repúdio ao projeto, lida hoje na audiência pelo deputado Adriano Diogo (PT).
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"O documento apresenta as razões jurídicas da ação que a nossa associação pretende mover caso o projeto seja aprovado", disse o procurador do Estado Ivan de Castro Duarte Martins, presidente da Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo, uma das que questionam o projeto.
O secretário adjunto da Fazenda, George Tormin, defendeu a proposta. "É a mais transparente possível. O dinheiro entrará no orçamento de 2010 e a sociedade poderá acompanhar os gastos".
Tormin afirma que o projeto não é uma operação de crédito - um dos principais pontos levantados pela oposição e pelos procuradores, pois, neste caso, seria necessária autorização da Secretaria do Tesouro Nacional para que ocorresse.
A matéria será votada pelos parlamentares estaduais na próxima semana.
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Bancada do PT questiona constitucionalidade de PL de Serra
"O governador em exercício poderá apropriar-se de créditos das gestões futuras.” O alerta do presidente do Sindicato dos Procuradores do Estado, José Procópio da Silva de Souza Dias, resume os problemas do PL 749/2009, que propõe a antecipação de receitas através da venda de títulos públicos.
Procuradores do Estado participaram da reunião especial da Comissão de Finanças e Orçamento na tarde desta terça-feira (22/09). A Comissão recebeu o secretário-adjunto da Fazenda, George Tormin, para debater o projeto que o governador José Serra encaminhou em regime de urgência à Casa e que já está sendo apreciado novamente no Congresso de Comissões.
Segundo o secretário, os recursos que o Estado deve arrecadar caso o projeto seja transformado em lei já estarão no Orçamento para 2010. Mas, algumas das emendas apresentadas pela bancada petista propõem exatamente mecanismos para garantir a transparência orçamentária na utilização dos recursos provenientes da ‘cessão dos direitos creditórios’.
A Bancada do PT reapresentou à Comissão 27 emendas ao projeto e o deputado Adriano Diogo questionou o secretário sobre os aspectos inconstitucionais da questão, como possível deságio, riscos embutidos nas operações de parcelamento da dívida e sobre as chamadas cláusulas de barreira para os investidores nestes tipos de operações financeiras.
Entre as emendas apresentadas pelos deputados petistas estão a de nº 55, que estabelece a exigência de relatórios quadrimestrais sobre as operações de cessão dos direitos e sobre a destinação destes recursos, e a nº 36 que isenta o Estado de qualquer obrigação sobre a inadimplência dos créditos.
“Falta transparência na proposta. Não sabemos exatamente para onde vão os recursos e o PL não estabelece de maneira clara qual instituição será autorizada a comprar os direitos de crédito”, criticou o líder da bancada, deputado Rui Falcão.
Representantes do Sindicato e da Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo apresentaram uma moção de repúdio assinada por 70 profissionais, que alerta: “A eventual aprovação do referido projeto de lei consistirá, sem dúvida, em um ponto de partida para o processo de terceirização da cobrança da dívida do Estado”. A categoria, responsável pela cobrança da dívida ativa do Estado, ameaça entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra o Governo, caso o projeto seja aprovado.
Segundo o procurador José Procópio, outros procuradores já haviam alertado a Secretaria da Fazenda sobre a inconstitucionalidade da proposta apresenta pelo governador José Serra. O secretário adjunto da Fazenda, George Tormin, defendeu o projeto, alegando que o modelo de antecipação de receitas para o Orçamento do Estado já foi testado pelo Governo do Rio Grande do Sul. Para o deputado Adriano Diogo, trata-se de uma desmoralização. “O Rio Grande do Sul não é um bom exemplo, já que o Estado tem uma estrutura tributária quebrada”, explicou Adriano.
Estiveram ainda na Comissão de Finanças e Orçamento os deputados petistas Maria Lúcia Prandi, Donisete Braga, Vicente Cândido, José Cândido e Beth Sahão.
O PL 749/2009 deve ser votado em plenário nos próximos dias. A Bancada do PT apresentou um substitutivo ao texto, que também será submetido à votação.

Jornalismo isento igual El Clarín: Produtora da FOX NEWS é identificada agitando nos protestos contra Obama!! No flagra! [ Em inglês ]

An American "imprensalation" tale:
A Fox News Channel producer has been caught in a behind-the-scenes video rallying the crowd during last weekend's 9/12 protest in Washington.
The Huffington Post has confirmed that the woman in the below video — seen raising her arms to rally the crowd behind Griff Jenkins, who was reporting from the scene for Fox News — is Fox News producer Heidi Noonan.
"The employee is a young, relatively inexperienced associate producer who realizes she made a mistake and has been disciplined," Bryan Boughton, Fox News Channel Washington Bureau Chief told the Huffington Post.
The video shows the producer on her cell phone as she urges the crowd behind Jenkins to cheer louder. An "I'm A Foxaholic" poster appears nearby.
The
9/12 movement has been championed by Glenn Beck, and is designed to "bring us all back to the place we were on September 12, 2001" when "we were united as Americans, standing together to protect the values and principles of the greatest nation ever created."
Fox News heavily promoted the protest event, and
took out an ad in newspapers Friday asking how other news networks could "miss [the] story," only to have competitors hit back with proof that they covered the protest extensively.

Argentina exige a Micheletti cesar represión contra embajada brasileña y Zelaya.

En la foto, un policía dispara gases lacrimógenos contra los partidarios del depuesto mandatario hondureño Manuel Zelaya frente a la embajada de Brasil en Tegucigalpa, 22 sep 2009.

El ministro de Relaciones Exteriores de Argentina, Jorge Taiana, pidió hoy al presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, que cese la "represión" contra los manifestantes en favor del derrocado Manuel Zelaya.
El Gobierno de facto en Honduras extendió el toque de queda que finalizaba en la tarde del martes hasta la mañana del miércoles, luego de que fuerzas de seguridad y seguidores del depuesto mandatario Manuel Zelaya chocaran violentamente en Tegucigalpa.
REUTERS/ Oswaldo Rivas
Martes 22 de septiembre de 2009
Redacción perupuntocom.com/ corresponsalìas
Nueva York, E.U.A.
La cancillería argentina, presente en la cumbre sobre el cambio climático y a la 64 Asamblea General de la ONU en Nueva York, pidió que "no se use la represión del Gobierno de facto de Honduras contra los manifestantes que piden en Tegucigalpa que el presidente constitucional, Manuel Zelaya, sea repuesto en su cargo".
Taiana pidió "diálogo", así como a encontrar una "pronta solución" a la crisis y a que "no se use la represión", al tiempo que informó de que los cancilleres de la región intercambiaron hoy información sobre la reunión de urgencia celebrada anoche por la Organización de Estados Americanos (OEA).
Cabe mencionar que en la reunión extraordinaria del organismo interamericano se solicitó que se cumplan sus disposiciones y que Zelaya sea repuesto en su cargo:"Ahora la prioridad es velar por la integridad física de Zelaya y de los hondureños", subrayó Taiana, quien también lamentó que los incidentes ocurridos en Honduras "hayan causado una víctima fatal en las últimas horas, según información extra oficial", señaló en un comunicado de prensa la cancillería argentina.Con la información de las agencias de noticias internacionales.
E MAIS:

ERA MAROLINHA: Queda de Lula em pesquisas não durou uma semana

Aprovação pessoal de Lula sobe para 81%, diz pesquisa CNI/Ibope
Índice é um ponto percentual maior que o registrado em junho
A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu para de 81%, segundo a pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta terça-feira (22). Em junho, quando foi realizado o último levantamento, a avaliação do presidente da República era de 80%. A variação fica dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2 pontos percentuais.
Os dados mostram também que 69% dos brasileiros consideram o governo Lula ótimo ou bom, contra 68% na pesquisa de junho. Outros 22% consideram o governo regular e 9%, ruim ou péssimo.
A pesquisa foi realizada de 11 a 14 de setembro, com 2.002 entrevistados em 142 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
CANDIDO MENDES
Folha de S. Paulo - 22/09/2009
Dado fundamental na última pesquisa eleitoral do instituto Sensus na última pesquisa eleitoral do instituto Sensus é o da intenção espontânea de voto da população brasileira. Lula é três vezes mais lembrado do que José Serra.
Mantém-se, se não cresce, a opção maciça do país, a poder exprimir até o inconformismo com a inexistência de um terceiro mandato.
Ao mesmo tempo, a variação de 5% em torno do teto dos 82% de aprovação presidencial é cíclica durante todo este último ano. Os percentuais de queda no último mês surpreendem até por absorver o impacto negativo que se pensava mais desgastante a somar a defesa de José Sarney aos quiproquós do entrevero entre a ministra Dilma Rousseff e ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira.
O recuo inclusive ficou abaixo do pior momento de ameaça da crise financeira, em maio último. Qualquer prospectiva eleitoral nesse momento também se dá conta de que empatam, no nível de rejeição, em torno dos 40% os nomes de Dilma, Antonio Palocci, Aécio Neves e Marina Silva.
É o que torna a questão crítica agora de saber-se do poder de transferência do presidente, em etapa em que desaparece constitucionalmente o terceiro mandato e Lula travou de vez a viabilidade do plebiscito.
O respeito internacional do nosso homem do Planalto cresce, hoje, diante de sua firme decisão de se contrapor ao relaxamento democrático que vem percutindo na grande maioria dos países andinos.
A empreitada da Presidência perpétua chavista, hoje continuada por Morales, na Bolívia, Correa, no Equador, e Ortega, na Nicarágua, marca essas Repúblicas bolivarianas no quadro de uma regressão democrática, incompatível com qualquer visão do desenvolvimento sustentado.
Estranhamente, agora é a própria Colômbia que cede à mesma tentação, levando Uribe ao plebiscito e à busca de um terceiro mandato em Bogotá.
É desnecessário repetir a admiração expressa de Barack Obama a nosso presidente, que "mantém as regras do jogo".
Num país em que é ainda tão precário o impacto internacional no que fazemos, como repercute no povo de Lula essa renúncia explícita à viabilidade de um terceiro mandato?
Em que nível o gesto passa, já, ao nosso inconsciente coletivo, resistente ainda a se dar conta da inevitabilidade da sucessão, após estes idos de setembro?
Não temos a tradição do aponte ou da sagração prévia nem a dinâmica natural às lideranças aponta a um nome ungível sem discussão.
Em nossos costumes políticos, por outro lado, a renúncia, como gesto de grandeza política, não tem precedentes. Ao contrário, foi objeto do grotesco no golpe de Jânio Quadros. Esses 80% de popularidade do presidente, inteiramente à margem do partido, estão vinculados à experiência também inédita do "povo de Lula" de um ganho inequívoco e continuado de melhoria de vida, em que os últimos oito anos evidenciam o contraste com o Brasil de antes e de vez.
É a noção mesma de oposição que se descarta quando o eleitorado vive uma virada de página e entende, na continuidade do que está aí, o resultado de uma opção profunda, mais que um voto da hora, de uma consciência nacional emergente. Esta sabe por onde não ir, tal como, na sequência do presidente, a marcha ao rumo do país independe de investiduras pessoais e avança pela simbologia radical de um arranque coletivo e de sua natural continuação.
Nos cenários da escolha nacional, não se cancele o desponte, irreprimível, do voto espontâneo. Não some da competição oficial, mas, no fundo do inconsciente coletivo, encontra o desaguadouro da primeira escolha.
E vai às urnas como um plebiscito clandestino, em favor de quem não tem herdeiros, mas sucessores, num terceiro mandato, do povo de Lula sem o Lula lá.

Retorno de Zelaya leva jornalistas hondurenhos de volta às ruas

KNIGHT CENTER - JORNALISMO NAS AMERICAS
Blog de Notícias
Jornalistas de todas as tendências retomaram a intensa cobertura depois do retorno a Honduras de Manuel Zelaya, deposto desde a tarde do dia 21 de setembro. Zelaya se refugia na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
Nesta terça-feira, Zelaya denunciou
ataques contra a sede da diplomacia brasileira e a polícia tratou de usar a força para impedir que os simpatizantes do presidente deposto se reúnam nas intermediações do local. O presidente Lula, por sua vez, pediu que Zelaya não dê pretextos para os golpistas invadirem o prédio da diplomacia brasileira, acrescenta Associated Press. (Veja matérias em português aqui.)
A rede
Telesur liderou a cobertura da volta do político a Honduras, assim como o fez em junho, com transmissões ao vivo. A Bloomberg News, como vários outros meios de comunicação, teve como base para as suas reportagens as informações da Telesur. Num desses casos, a imprensa noticiou que Zelaya anunciou intenção de iniciar um diálogo para resolver o conflito hondurenho.
Na capital, um repórter do Canal 6 informou aos manifestantes que a emissora esteve "junto ao povo nestes 84 dias" de resistência, desde a
derrubada de Zelaya, após a qual o "governo de fato" impôs um cerco informativo aos meios de comunicação, acrescenta a agência ANSA.
O
Washington Post publicou uma coluna de opinião do presidente interino Roberto Micheletti, que fez um apelo à comunidade internacional: "Meu país está em uma posição incomum esta semana".
A
BBC Mundo disse que vários seguidores de Zelaya desafiaram o toque de recolher imposto pelo governo depois da chegada do presidente deposto. Os veículos reciclaram velhas frases em suas manchetes, como “líder deposto” e "a crise se aprofunda".
A agência cubana
Prensa Latina informou que cortes de eletricidade tiraram do ar o Canal 36, partidário de Zelaya. O resto dos grandes meios de comunicação hondurenhos "mantém uma posição favorável ao golpe de estado", acrescenta a nota.
Other Related Headlines:
» Comunidade internacional pede "solução negociada" em Honduras (Globovisión/AFP)
» “Politicamente, a volta de Zelaya pode complicar a situação” (Deutsche Welle)

"Honduras e a SIP" por Atilio Borón

Honduras e a SIP
Extraído do site BARLAVENTO
Escrito por Atilio Borón
O prolongamento da crise em Honduras não tem um efeito neutro, pois joga a favor dos golpistas. O repúdio e o isolamento universais não comovem os usurpadores. Pelo contrário: confirmam sua visão paranóica de um mundo dominado por comunistas, subversivos e revolucionários que conspiram sem parar para frustrar sua patriótica empresa. Tanto os militares quanto os civis hondurenhos compartilham esse delírio que segue sendo alimentado, dia a dia, pelo Pentágono, pela CIA e por boa parte do establishment político do império, para os quais a guerra não terminou e jamais terminará. Guerra sobretudo contra todo este imenso e inesperado movimento social que se coloca em marcha a partir do golpe e que supera - e talvez irreversivelmente - os estreitos marcos da chamada "democracia representativa" em Honduras. Bastou que alguém pretendesse honrar essa fórmula para que a santa aliança abandonasse em massa as cavernas e fosse para a batalha: ali se juntaram, para unir forças, os representantes militares e políticos do império com a corrupta oligarquia local, a perversa hierarquia da Igreja Católica, as diversas frações do patronato e o poder midiático que esse conglomerado de riqueza e privilégio controla a sua vontade, fazendo da liberdade de imprensa uma piada sangrenta.
Não é por acaso que o sítio da meritíssima Sociedade Interamericana de Imprensa, sempre tão atenta diante de tudo o que ocorre com os meios em Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador, tenha ocultado astutamente o que está acontecendo em Honduras. A resolução mais importante sobre o tema dos meios, adotada em 24 de Julho, é uma condenação... ao presidente Rafael Correa por encorajar o "incessante clima de confrontação e agressão contra jornalistas, proprietários de meios de comunicação e suas empresas!"
Nenhuma palavra sobre Gabriel Fino Noriega, jornalista Hondurenho da Radio Estelar, assassinado por forças paramilitares, de que informa a Missão da ONU enviada para investigar a situação dos direitos humanos em Honduras.
A mesma delegação comprovou que em Tegucigalpa o Canal 36, a Radio TV Maya e a Radio Globo foram militarizadas, observando também o assalto a vários meios de comunicação locais e ameaças de morte contra jornalistas, o bloqueio de suas transmissões ou a intercepção telefônica e o bloqueio de seu acesso a internet. A missão também confirmou o fuzilamento da equipe de transmissão da Radio Juticalpa em Olancho, e as ameaças de morte feitas contra jornalistas como Luis Galdanes. Na cidade de Progresso os militares interromperam as transmissões da Radio Progresso, perseguiram seu diretor, o padre jesuíta Ismael Moreno, e prenderam temporariamente um de seus jornalistas, enquanto os outros recebiam ameaças de morte. Outro caso é o do Canal 26, TV Atlântica, cujo representante declarou para a missão da ONU que os militares ordenaram aos meios de comunicação do departamento que deviam abster-se de transmitir outras versões ou informações que não fossem provenientes do governo de fato. Diante da agressão sofrida pelos jornalistas da Telesur e da Venezolana de Televisión - sem cujos corajosos esforços o mundo jamais saberia o que ocorria em Honduras - a SIP se limitou a emitir uma morna declaração lamentando os fatos; a resolução dura, no entanto, foi tomada contra Correa.
Seria demasiado longo listar todas as violações a liberdade de imprensa e aos direitos humanos, além do assassinato de Noriega, que passaram desapercebidas diante dos atentos censores da SIP e seus linguarudos, Mario Vargas Llosa e a gangue dos "mais-que-perfeitos idiotas latino-americanos". Seu silêncio cúmplice revela a decadência moral do império, suas permanentes mentiras e a impunidade com que se movem esses falsos defensores da "liberdade de imprensa". E frente a esse cenário, a Secretária de Estado Hillary Clinton se atreveu a qualificar como imprudente o gesto de Zelaya de viajar à fronteira de seu país, já que seu porta-voz, Philip Crowley, advertiu contra "qualquer ação que possa conduzir à violência" em Honduras. Falta muito pouco para que Washington comece a declarar que o verdadeiro golpista é Zelaya e que foi ele e não outro que jogou seu país em um caos de violência e morte. A promessa de novas mediações a cargo da Casa Branca só servirá para distorcer ainda mais a verdade e inclinar a balança a favor dos golpistas e de seus mandantes.
Atilio Borón é cientista social.
Tradução: Fabricio Caseiro

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