quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

31 de Dezembro: Dia Universal da Mudança de Calendário

"Universal", vírgula, já que ainda deve existir quem siga outro calendário que não o Gregoriano [ o nosso ]. Bem, chegou o último dia do ano e a festa prossegue. A animação inunda os lares de todos os lugares, como a água e o esgoto invadem as casas no Jd. Romano. A esperança se mostra, esplendorosamente, nos rostos das pessoas. Bastará uma pequena andadinha do ponteiro do relógio e... ( Eu ainda vou perder os escassos leitores que ainda têm paciência comigo... )
PRESTO!!!
Tudo muda!! As velhas rixas, dificuldades, rancores, disputas, desavenças, remorsos, baixos sentimentos e incivilidades se tornam coisa do passado. É pura mágica! Bastou comer um prato de lentilhas e usar uma calcinha ou lingerie branquinhas [ mmmm... ] e a sorte surge em nossas vidas. Sabemos que isso [ essas crendices, simpatias e esperanças autênticas ] funciona e é por isso que, ano após ano, fazemos tudo de novo. Cada ano será melhor. Se não for melhor, é apenas porque não desejamos com fé, não fomos capazes de "correr atrás das metas" e não "perseguimos o resultado". Afinal, basta querer. Quem dorme no ponto perde as oportunidades, não é?
Perdoem-me, caros e escassos leitores e visitantes mas, comigo não. Hoje é dia de vestir-me de preto [ sério, eu faço isso mesmo ] e comemorar a simples e mera troca de calendário, sem pompa nem alegria artificialmente construída. Um costume meu de anos e anos. Mas não me deixem influenciá-los, em minha tentativa de destruir seus sonhos. Feliz [ de verdade ] 2010!

"Mmmm. Oba! Se DEUS permitir, esse ano eu compro outro carro para andar em São Paulo, mais e mais caros sapatos e roupas e, assim, serei muito feliz."

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ted Nugent, por quê você não mata alguns banqueiros, seu extremo imbecil?

Não sou vegetariano. Como carne, só que cada vez menos. Detesto churrascaria rodízios, automóveis e celulares. Mas desconfio de gente politicamente correta. Daquelas que parecem imaginar que o mundo poderia ser melhor, se todos déssemos as mãos. Tais tipos servem para ser ridicularizados, não que eu ache que mereçam. O mundo é habitado por gente de todo o tipo, mas a maioria se parece com aqueles caras do Mad Max ou daquele filme com o Dustin Hoffman, o "Sob o Domínio do Medo". Em suma, gente horrorosa e mal-intencionada. Assim, você vem com flores, e eles vêm com canhões. E pisoteiam em seu cadaver e enfiam a flor no teu rabo. Portanto, em vez de Confúcio ou Gandhi, às vezes devemos agir como Dr.House ou o John Constantine do gibi [ não do filme ], sem bom-mocismo, ainda que tentando fazer as coisas de forma mais ou menos decente. Eu, por exemplo [ eu sei que vão me odiar por isso ] não lamento acidentes de automóvel , quando estes não envolvam pedestres. Carros a menos e ponto final. Enchente levou, cratera engoliu? Putz, meu, azar o seu. Carros a menos e ponto final.
JOURNEY TO THE CENTER OF YOUR ASS, TED NUGENT!
Ted Nugent, um All-American boy, guitarrista de cock-rock, hard-rock, southern-rock ou coisa que o valha, gosta de caçar cervos. O cara encarna bem o perfil de alguém que poderia aceitar a vice-presidência americana numa chapa republicana encabeçada pela gostosa-fascista Sarah Palin: direito às armas, à caça, e à caça aos comunistas. Se enrola na Stars and Stripes, segura na mão de Deus e vai.
Bom, leiam as novidades sobre este cidadão:
[ EXTRAÍDO DO PORTAL ANDA ]
Ódio puro
Roqueiro dos EUA diz que matará mais animais se celebridades vegetarianas criticarem a caça
29 de dezembro de 2009
Ted Nugent, guitarrista de hard rock dos Estados Unidos, é famoso por seu ponto de vista ultra-conservador e suas crueldades contra animais. Ele já chegou a incitar sua platéia a gritar “voltem para casa, mexicanos!”, em alusão aos imigrantes daquele país — e por praticar e divulgar a caça de animais como esporte.
Agora, ele está ameaçando matar cervos e distribuir sua carne sempre que celebridades vegetarianas como Pamela Anderson e Sir Paul McCartney criticarem a caça e o consumo de carne em 2010.
Um ávido cruel caçador, Nugent odeia os grupos de defesa dos direitos dos animais que atacam seu hobby favorito e fica bastante irritado quando estrelas insistem que esportes que envolvam sofrimento e morte de animais são cruéis.
O roqueiro disse à revista Royal Flush: “Pam Anderson… pare de falar merda por uns dois minutos e me diga: você está me dizendo que não posso comer carne de cervos? Você não autoriza o consumo de carne de cervo?
“Meu nome é Ted Nugent e, por causa de Pam Anderson… e de Paul McCartney, e de todos os membros da PETA, sempre que eu ouvir a palavra ‘animal’ e ‘direitos’ na mesma frase, vou matar mais uns cem de qualquer coisa neste ano”.
“Tenho autorização ilimitada para caçar cervos em Michigan e no Texas. E não vou só matá-los: vou abatê-los, limpá-los, tirar a pele, esquartejá-los, cortá-los e dar para restaurantes de sopas e abrigos para sem-teto dos EUA. Esse é meu objetivo de vida”.
Nugent também critica os vegetarianos, que insistem que tofu é mais saudável que carne. Ele alega que colher os ingredientes para produzir essa alternativa à carne é mais danoso ao meio-ambiente do que a caça.
Ele explica: “Se eu realmente quisesse maximizar o número de animais mortos, eu começaria a produzir tofu. Porque para produzir tofu você precisa daquele trator gigante e com ele passar por aquele campo, onde cada pássaro canoro, cada esquilo, cada tartaruga, cada coelho, cada camundongo, tudo deve morrer. Para conseguir fazer tofu, você precisa da completa aniquilação de todas as formas de vida”.
“Como você pode fingir que McCartney não é responsável por morte alguma? Eu mato coisas com uma flecha por vez… Acredito que cada tigela de tofu é responsável pela morte de bilhões de coisas. Eu não consigo competir com isso, como não consigo competir com Paul McCartney em número de mortes”.
Com informações de Contact Music
Nota da Redação: Este homem é um sádico cruel que usa sua música para incitar ódio contra indefesos. Em vez dos palcos, deveria estar preso em um hospital psiquiátrico por sua psicopatia evidente.

Que tal? Para matar a fome dos "homeless" e "white-trash people" que tiveram o azar de nascer nos EUA, o bom TED matará uns animaizinhos. Quanta consideração! Ted fará este imenso sacrifício [ dos bichos, claro ] para alimentar seu povo. Se ele sempre usou de sua "licença para matar" infinita, apenas por esporte, agora essa sua saga de caçador assume tintas de humanitarianismo.
Ted, meu querido, se a questão é arrasar milhares de vidas [ segundo a sua receita de produção de tofu ], por quê você não pega sua BESTA [ a arma ] e sai por aí, caçando os banqueiros, lobbistas, gente de Wall Street e demais responsáveis pela situação horrenda que seu país passa? E que levou o resto do mundo de roldão?
Quando eu me referi acima ao bom mocismo, eu quis dizer o seguinte, mas acho que não chegará aos ouvidos do caçador maluco do Texas e Michigan: você tem todo o direito a caçar os bichos, matá-los, arrancar seu couro, beber o sangue e mastigar as vísceras. Assim como eu tenho todo o direito do mundo de COMEMORAR E CELEBRAR, SEM QUALQUER TIPO DE REMORSO, CADA VEZ QUE UM YANKEE VIRA PICADINHO NO IRAQUE E NO AFEGANISTÃO. Quem caça quem, idiota?
Para finalizar, Ted: Peça a seu congressista para criarem uma lei prevendo que, cada resto de corpo estraçalhado de soldado americano FU&*#%*CKED na guerra, repatriado, vire ingrediente de cozido ou sopão para os pobres com quem você diz se importar. E, de birra, não ofereça nem um pedacinho ao Paul McCartney.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Imagem do dia: Lula, le beau

Lula, escolhido pelo Le Monde como a personalidade do ano. Vamos e venhamos: já está ficando chato, heim?

Lula, l'homme de l'année 2009, par Eric Fottorino http://www.lemonde.fr/opinions/article/2009/12/24/lula-l-homme-de-l-annee-2009-par-eric-fottorino_1284552_3232.html


Votos de Feliz Natal

A neve em São Paulo é um esperado espetáculo natalino. Merry Christmas!!

Aos amigos, colegas, visitantes, desavisados, camaradas e outros que, porventura eu tenha esquecido de mencionar, faço votos de um ótimo Natal. Não abusem das comidas e bebidas, pensem no menino Jesus ( por enquanto, a primeira e verdadeira razão dessa festança toda, até mesmo um agnóstico não-militante como eu sabe disso ), não gastem demais, não se deixem influenciar pelas belas propagandas e fiquem em paz.

Tecnologias que eu gostaria de ver: guelras artificiais ( para o enfrentamento de enchentes )

Peixe ósseo: op = opérculo; br = brânquias; np = nadadeira peitoral; li = linha lateral.

GUELRAS: sf Zool Aparelho respiratório dos animais que respiram o oxigênio dissolvido na água; brânquia.

Dado o fato de que as administrações tucanodemos em SP estão nos fazendo retroceder ( ou: involuir ), chegará em breve a hora em que precisaremos nos reacostumar a respirar debaixo d'água, até que a Natureza provenha as gerações futuras de guelras naturais, com as quais as crianças já nascerão. Enquanto isso não ocorre, vamos nos tornando cada vez mais anfíbios e, com o passar do tempo, peixes. Precisamos reaprender a respirar debaixo d'água, repito. Mas muitos não conseguirão de pronto. Por isso, a Ciência precisa, desde já, se debruçar na questão imperiosa e produzir algo que nos permita essa respiração subaquática. Tanques de oxigênio são caros e desajeitados. Ou seja: precisamos de algo simples, barato e eficiente, além de charmoso fácil de usar. Guelras, claro! Como as dos peixes. Consta que cientistas já trabalham num projeto de guelras artificiais, mas ainda sem resultados. De qualquer modo, é um alento, meu povo. O sonho já vem de longa data mas, agora, com as águas subindo, torna-se uma corrida contra o pluviômetro.
http://bcufrgs.blogspot.com/2009/12/pilula-do-conhecimento.html ( VER: COLÔNIAS SUBMARINAS )
http://mundoestranho.abril.com.br/cinematv/pergunta_398299.shtml ( VER: MICROTANQUES DE OXIGÊNIO )


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ato falho: jornal diz que tarifa ideal dos ônibus paulistanos seria "R$ 1,85"

JT de ontem, 22.12. Depois se corrige, reproduzindo opiniões de aliados do governo Kassab, para os quais o ideal seria R$ 2,85, a fim de manter o subsídio no patamar de 360 milhões. Tal valor, no entanto, fora vetado por... José Serra.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

VoxPopuli mostra que, mesmo que Dilma tenha subido muito nas pesquisas, seu nome ainda não é muito conhecido. Oportunidade de crescimento, portanto.

O quadro abaixo mostra o grau de conhecimento, pelos eleitores, dos possíveis candidatos à Presidência. Alguns números são expressivos: apenas 1% não conhece José Serra, ao passo que 15% não conhecem Dilma Rousseff. Além disso, 28% dizem "conhecer de nome" a virtual candidata de Lula. Parece que há ainda bastante a crescer. Vai depender da divulgação.

A pesquisa IstoÉ/ VoxPopuli foi publicada em "Os tucanos voam mais alto", na revista IstoÉ: http://www.istoe.com.br/reportagens/32639_OS+TUCANOS+VOAM+MAIS+ALTO?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

sábado, 19 de dezembro de 2009

Revista vEJA: Galactus africanos, haitianos e asiáticos devoram o planeta


vEJA: "Estamos" devorando o planeta. Nem osso vai sobrar.

vEJA toca na ferida: Africanos esganados consomem mais do que o planeta pode oferecer. Mas não só eles fazem isso: há os indianos, haitianos, vietnamitas...



GALACTUS, o devorador de planetas da Marvel Comics

Coincidências que intrigam

17 de dezembro de 2009 • 13h46
Justiça reabre processo por abuso de poder contra Aécio
TERRA
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) decidiu reabrir processo por abuso de poder econômico, político e de autoridade contra o governador do Estado, Aécio Neves, que tenta [ OBS: tempo presente ] lançar candidatura à Presidência em 2010 pelo PSDB ( ... )


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009, 16:09
Aécio desiste de pré-candidatura à presidência pelo PSDB
Mineiro se pronunciou por meio de carta, na qual lamenta a ausência de prévias no partido
ESTADÃO

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Tecnologias que eu gostaria de ver: capacete Minority Report para os fiscais de trânsito da CET

Já imagino até o período de testes com esta sensacional arma contra a meliância motorizada de São Paulo.
O cara passa pelo amarelinho e pensa:
"Ó o vacilão aí. Vô dexá o carro na guia na rua de cima, que daqui o cara não vai ver. Dois minutos e já saio fora. Trouxão."
Eis que nosso bravo combatente da CET capta imediatamente as ondas cerebrais mal-intencionadas e bate um rádio pros parceiros. O camarada chega, estaciona todo malandrão e sai, sabendo que não será apanhado no merecido flagrante.
"Não será apanhado", vírgula. Mal sabe o babaquara que os caras já chegaram antes dele no local, mas não ficaram à vista. O cara deixa o carro no local proibido e sai, todo feliz por cometer mais um delito pelo qual, ahhrramm!, não pagará.
Ele vira as costas e deixa seu Precioso, ali, à mercê da sanha Legal-Justiceira dos amarelinhos, que providenciarão a punição adequada ao marginal. Que, seguindo um velho hábito muito arraigado entre os cidadãos paulistanos, o de fazer todo o tipo de ilegalidade com o automóvel, e reclamar quando é apanhado [ algo muito raro de ocorrer, diga-se ], xingará a CET e dirá ter sido uma vítima inocente duma tal "Indústria da Multa"..

GRÁFICOS DA FOLHA – De quem é a culpa pelos alagamentos em São Paulo?

Surrupiado ao blog QUANTO TEMPO DURA.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Não pode passar em branco: Operário morre em acidente em obra do metrô na Vila Prudente

Operário morre em acidente em obra do metrô na Vila Prudente
PORTAL CTB,
15/12/2009
Na tarde desta segunda-feira, 14/12, uma viga de ferro caiu de um guindaste da obra da futura estação Vila Prudente da Linha 2 – Verde do metrô, causando a morte de um operário. O Sindicato está acompanhando a apuração das causas do acidente, mas desde já questiona a rapidez com que o governo estadual está conduzindo as obras da expansão da Linha 2, tendo em vista o período pré-eleitoral.
Os questionamentos do Sindicato referem-se ao cronograma da obra. Em condições normais, há realmente a possibilidade de inaugurar a extensão da Linha Verde no prazo estabelecido pelo governo Serra? Não está havendo negligência para que este trecho do metrô fique pronto antes da eleição?
Dependendo das respostas para estas perguntas, haverá fortes indícios de que o acidente foi causado pela pressa de inaugurar a extensão da Linha 2, com o objetivo de tornar este feito uma das propagandas de campanha do governo Serra.

MAIS: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2009/12/viga-voa-da-obra-do-metro-em-spaulo-e.html

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Nada, Cesar, nada! A Sabesp garante!

Detesto fazer citações, ainda mais do José Simão. Mas que o Brasil é o país da piada pronta, parece que ele tem certa razão.
Um exemplo disso está em SP, a unidade da federação. E pegue a Sabesp, nossa empresa estatal de saneamento básico, cujo orçamento para a publicidade não carece de falta de liquidez.
Bem, recentemente, foi chamado um campeão de natação, o Cesar Cielo, para protagonizar campanhas para a estatal.
Só fui saber disso estes dias, folheando uma revista, onde aparecia, em duas páginas, a campanha da Sabesp. Com o Cielo, nadador.
Dado que a Sabesp e suas bombas falhas estão [ também, além de São Pedro ] sendo responsabilizadas [ VER AQUI ] pela Veneza que se formou no extremo leste da capital paulistana, é no mínimo uma infelicidade [ ou uma piada pronta ] termos um nadador protagonizando a publicidade da companhia.
Ô, pé-frio!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Em São Paulo, mais aumento de impostos. Gasolina poderá encarecer. Tooome!!

Realmente não dá para entender uma dessas. Escondido no caderno Dinheiro da gloriosa Folha de São Paulo ( ou "Ditabranda News" ), edição de sexta-feira, encontrava-se esta informação: "Assembléia de SP aprova aumento de ICMS para solvente". Houve a elevação da alíquota do ICMS cobrada sobre os solventes, de 18% para 25%. Segundo o coordenador da Adm. Tributária da Secretaria da Fazenda de SP, a medida é necessária para combater a adulteração da gasolina, promovida por indústrias químicas "falsas" [ aspas no original ].
Não quero questionar a importância ou não deste aumento ou sua justiça, mas apenas exemplificar que nem sempre a imprensa mostra interesse em "denunciar" a elevação da chamada [ e suposta ] "fúria arrecadatória", e que nem sempre a população consegue detectar quando e onde essa "fúria" se apresenta, sem o auxílio [ ou direcionamento ] da mídia.
O diário "Agora", também da Folha, destacou de forma mais direta: "Gasolina poderá ficar mais cara". Só que você tem que ler o texto para descobrir que esse encarecimento se deverá às mudanças no ICMS, apresentadas pelo governo Serra e aprovadas pela ALESP. Afinal, relembremos que o governo do Lula ficou anos sem conceder reajustes do combustível, mesmo quando o barril do petróleo atingiu a estratosfera.
Para informações mais completas, leia:
Assembleia de SP aprova aumento de ICMS para solvente [ Recomendo a leitura, pois o aumento do ICMS para os solventes não foi a única mudança promovida pelo governo: a lei do ICMS sofrerá cerca de 70 mudanças ]

Jaz São Paulo: Paulistano, o argentino da piada

Não sei se estou errado em pensar que a cidade é quasi toda asfalto, cimento e impermeabilização por desejo da maioria de seus habitantes. Afinal, não haveria onde circular nossos automóveis, se não fosse nas ruas atapetadas pelo manto asfáltico. E, também, sabemos da imensa devoção que o paulistano, via de regra, tem pelo seu bólido possante. Confesso: eu, em 95% dos casos, ando pelo meio da rua, já que as calçadas da cidade também são construídas e mantidas para melhor servir aos automóveis. Caminhar pelo meio da rua é questão de sobrevivência para o pedestre, vejam que paradoxo. Asfalto garante voto até de pedestre.
Portanto, o desejo do paulistano por mais e melhor asfalto sempre é atendido. Atendido pelos gênios que administram a cidade e que contratam outros gênios da engenharia, para botar em prática planos e mais planos, de modo a garantir a circulação plena dos carros, indomáveis corcéis da modernidade. Vários especialistas [ olha eu dando uma de jornal ] insistem que as enchentes que ocorrem na Capital são causadas, em grande parte, por sua impermeabilização. Que é fruto do desejo da maioria, atendido pelos gênios administradores. Isso explica bem aquele aforismo: "Cuidado com o que deseja, pois pode se tornar realidade." Ou coisa assim.
Fiquem com a piada que inspirou este post.
Um brasileiro e um argentino iam passeando na fronteira do Brasil com a Argentina, quando de repente eles acham uma lâmpada mágica e o gênio sai e fala:
- O negócio é o seguinte, a crise tá braba por isso, vou conceder um pedido pra cada um!
O argentino pulou pro lado do seu país e falou:
- Yo quiero que usted construa un muro que circule todo mí país, un muro forte e grande, que não deixe nenhum estrangeiro passar, muito menos un brasileño!
O gênio, num passe de mágica, fez um muro em volta de toda a Argentina.
- Sua vez brasileiro! - disse o gênio.
- Bom, você tem certeza que não tem nenhum perigo de vazamento?
- Não! - Responde o gênio.
- Então, enche isso de água até a boca!

"O asfalto tá um tapete, olha! O cara prometeu na eleição e cumpriu, benzadeus!"

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Moça foi roubada e espancada num vagão do Metrô de São Paulo. Calmo, agressor ainda deu bandeira na plataforma, mas ninguém apareceu.

A seção "São Paulo Reclama", publicada no Caderno Metrópole do Estadão trouxe, em 29.11, um relato impressionante de uma leitora que sofreu assalto e agressão dentro de um vagão do Metrô paulistano.
De acordo com S.H.C ( nem sei se posso revelar o nome da vítima ), o fato occorreu no domingo, dia quatro de Outubro; o vagão em que ela viajava se encontrava vazio, era 8:30hs; o trem se encontrava entre a Estação Vila Madalena e a Sumaré do Metrô ( Linha Verde ), na Zona Oeste, quando um meliante tomou-lhe o celular e exigiu sua carteira. Ela pediu que deixasse os documentos. Próximo à estação Sumaré, ele a levantou e jogou-a CONTRA A PAREDE DO VAGÃO! ( Teve esse tempo todo! ). Ela procurou proteger-se e ficar próxima à porta para, logo quando abrisse, escapar. Daí, ele deu-le DOIS SOCOS ( no rosto e na cabeça ).
Chegaram à estação, onde não havia ninguém. O cara desembarcou. Nas palavras da vítima: "Do lado de fora, ele gritou [ grifo meu ] para que eu não saísse e ficou lá até as portas fecharem [ idem ]".
Correto: vocês não leram errado. O cara ficou ali, sem ser importunado nem mesmo por um Testemunha de Jeová. Ninguém sacou o assalto, a agressão, o grito dado na própria plataforma [ onde existem câmeras, diga-se de passagem ]. Se ele quisesse ter cometido suicídio, não haveria quem impedisse.
Afixado no interior dos novos [ e baixos ] trens que circulam pela citada linha, há o aviso de que câmeras estão nos filmando, para nossa segurança. Não sei se todos os trens possuem o equipamento. Tampouco imagino que tenha alguma serventia. Talvez as coisas bizarras que acontecem sejam gravadas e, depois, postadas no You Tube, onde conseguirão bastantes visitas, e o Metrô faturará um monte com as publicidades, tipo Google AdWords. Audiência, sabe?
Prosseguindo: a vítima seguiu viagem até a estação Clínicas onde, nas plataformas, havia vários passageiros mas, observou, nenhum funcionário.
É aí onde eu queria chegar. "Os funcionários".
A moça seguiu em direção à saída e pediu auxílio à uma funcionária que se encontrava ao lado das catracas. Esta chamou os seguranças, que perguntaram o que aconteceu e a orientaram para que fizesse um BO na Delpom [ delegacia do Metrô ], que fica na Estação Barra-Funda [ linha Vermelha]
ROTEIRO: ela teria que continuar na linha Verde, descer no Paraíso [ linha Azul ], fazer baldeação sentido Santana [ norte ], descer na Sé [ Centro ] e pegar o trem destino Barra Funda [ Oeste ].
"Ninguém me prestou socorro nem me acompanhou à Ana Rosa, como pedi.", disse S. Amigos a esperavam ali e a levaram ao hospital, onde sofreu uma cirurgia. Ficou internada até 07/10 e ficou 15 dias em casa, de repouso.
Depois, sua mãe contatou o Metrô, e S. fez o BO na Delpom. Até à altura que a carta foi publicada, ela não recebeu retorno da empresa. E disse que continuava fazendo tratamento de reabilitação dos músculos da face, "para não perder os movimentos e não ficar deformada", segundo suas palavras.
RAPIDEZ
Faça um teste. Critique, pelos jornais e revistas, a SPTRANS, o DETRAN, a DERSA, ou outra destas companhias e estatais administradas [ vá lá ] pelos tucanos. A resposta vem na rapidez de trem-bala. Acho que as equipes das Assessorias de Imprensa desta gente são as equipes mais competentes, profissionais e capazes de toda a máquina de governo. O PT tem muito a aprender.
A coluna publica a carta da leitora e, logo abaixo, a rápida resposta do Metrô. Que foi essa:
"A Assessoria de Imprensa do Metrô esclarece que a companhia emprega vários meios, como a presença de agentes de segurança e monitoramento por câmeras de vídeo para garantir a segurança dos passageiros ( ... )";
Isso não impediu que a moça passasse o que passou. Se tem uma coisa que dá muita raiva são essas explicações que nos dão. Na verdade, parece mais um informe, um folder.
Eles enumeram, em termos, todo o aparato de que, vai se saber, eles dispõem. Parece até, pelo tom assumido, que estão questionando a vítima: "Ora, querida, temos seguranças e câmeras...". So falta dizer que o crime não poderia ter acontecido. Se eles dispõem de seguranças, onde estavam que ela não os viu? E, mesmo que ali estivessem, isso não intimidou o agressor em nada.
Quando eu disse, acima, "em termos", eu quis dizer que os "esclarecimentos" são vagos e incompletos. Eles mantém seguranças? Tá, e quanto são no total? Quantos por estação? Quais são os números da violência em suas instalações?
O Metrô prossegue com os "esclarecimentos", dizendo que os funcionários atenderam a vítima e insistiram que ela fosse atendida no HC. A norma, diz o Metrô é, após os primeiros socorros, levar as vítimas de acidentes ou de 'outras ocorrências' à rede hospitalar pública ou privada, de acordo com a escolha da vítima.
Ai vem: S. não quis, pois tinha "assuntos pessoais urgentes", e recusou o atendimento e o registro de BO, sendo orientada a fazê-lo posteriormente, o que foi feito por sua mãe, com os funcionários envolvidos servindo como testemunhas.
TRÉPLICA
A leitora respondeu que a assessoria disse absurdos, e que enviou uma carta à Ouvidoria do Metrô com quem teria ( em 01/12 ) uma reunião, ocasião em que externaria sua opinião sobre tais absurdos. Diz a leitora que ninguém lhe procurou para averiguar os fatos, e que sua mão procurou o Metrô no dia seguinte, mesmo dia em que S. passava pela cirurgia. S. alega, também que, mesmo que tivesse "recusado" [ aspas dela ] ser atendida no HC, a responsabilidade do Metrô deveria ser a de prestar os primeiros socorros ou tê-la acompanhado em segurança até a Ana Rosa.
EPÍLOGO
Já escrevi isso antes. Antigamente nem papel de bala você via no chão. Os funcionários do Metrô, principalmente os homens e mulheres de preto desapareceram. Copos de isopor, restos, embalagem do McDonalds, Lance, tudo isso você acha no chão, nos cantos, na própria plataforma, dentro dos trens.
Outro dia, aliás, eu fui pegar o Metrô nas Clínicas, sentido Ipiranga. Passei as catracas e, ao chegar a escadaria que dá acesso à plataforma, tive que desviar de uma pessoa, sentada [ dentro da estação ] bem nos primeiros degraus altos. Ela, e sua tralha, impediam a passagem em plena escada, sem ser importunada por ninguém. Lembram dos tempos quando, se você apenas agachasse para descansar as pernas, nem que fosse nos túneis [ ou seja, distante de catraca, plataforma, dependências internas ], a voz do sistema de som já ralhava com você e, se você quisesse dar uma de "cada um, cada um", uns 3 ou 4 MIB, com cassetetes Pinochet-style apareciam e avisavam que sua perna não estava doendo tanto assim. Ainda.
Você levantava rapidinho, um milagre na sua vida.
Hoje, o Metrô virou um camelódromo desagradável. E algo que serve para "valorizar bairros".

Imagem do dia: Shit!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

OPORTUNIDADE: VENDO PEDALINHOS EM BOM ESTADO!

Meio de transporte barato, funcional e bonito. Veículo ideal para a cidade. Não sofre restrição em dias de rodízio. Não paga pedágio e nem Zona Azul.
Vários modelos ( as fotos abaixo mostram os modelos "Cisne"; recomendamos os modelos "Tucano" - nada a ver com os aviões de mesmo nome mas que, em certos dias, possuem utilidade similar ). Usufrua de um passeio agradável com a família, mesmo em dias de chuva. A criançada vai adorar. Os vizinhos irão invejá-lo.
Visite nosso stand na Marginal Tietê, e faça um "test-drive" sem compromisso.
Preço: Pelo maior lance. Lance inicial mínimo: R$ 15.000.
Tratar com José Pedalinho.



"ÊEEBAAA!!, Daqui já posso ver o telhado da minha casa. Aliás, só dá para enxergar o telhado..."

Pesquisa: se as eleições para prefeito de São Paulo fossem hoje, em qual destes candidatos você votaria?

O pleito municipal somente ocorrerá daqui a 3 anos. Mas fazer política - sabe como é, né? - é, em grande medida, planejamento, estudar cenários possíveis, antecipar fatos e tendências, captar e compreender humores e clamores da opinião pública. Por isso, até para que possamos conhecer um pouco mais sobre o pensamento e os anseios dos visitantes deste blog, faremos uma pesquisa informal de intenção de voto, tentando trazer à tona aquilo o que o ilustrado eleitorado paulistano pensa ser o ideal para a cidade e quem seria a melhor pessoa para concretizá-lo. Os candidatos, apresentados a seguir, seguem as mais diversas tendências políticas ( alguns mais à esquerda, outros mais à direita, outros mais ao fundo ), sendo que todos tem suas qualidades a toda prova. Resta saber quem, destes destacados indivíduos, seria o mais capaz de exercer suas responsabilidades à frente da Prefeitura paulistana, tendo à sua frente os mais hercúleos desafios, tarefas aparentemente inexeqüíveis e tarefas monumentais, típicos de uma metrópole conturbada do século 21. Lembrando que o cidadão e eleitor paulistano ama sua cidade, e é extremamente crítico, consciente e exigente, e não toleraria ser governado por um incapaz, ou um boneco, fantoche de alguém.
VAMOS LÁ. PARTICIPE. DÊ SUA OPINIÃO. VOTE! OBRIGADO PELA PARTICIPAÇÃO.

( ) CAPITÃO HANK MURPHY
Sealab 2020

( ) PRÍNCIPE NAMOR

( ) BOB ESPONJA
( O mais simpático )


( ) AQUAMAN

( ) IEMANJÁ


( ) IARA, A MÃE D'ÁGUA

( ) CAPITÃO NEMO

( ) OUTRO
( ) NENHUM DESTES
( ) "US POLÍTCU" É TUDU LADRÃO
( ) NÃO SEI
( ) BRANCO
( ) NULO
( ) NÃO SE DEVE BRINCAR COM COISAS SÉRIAS


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cada vez mais, parecidos com o Maluf

Poderia citar algumas pontuais semelhanças serristas-malufistas: obras viárias carésimas para favorecer os automóveis, ou a má-vontade para com os professores. A PM de ambos parece meio dada a violências extremas.
Lembram quando o Malufão sugeriu: "Se o Pitta não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim."
Dessa forma, empenhando sua palavra, ele conseguiu eleger seu sucessor. Colou a imagem de Celso Pitta à sua, as pessoas gostaram da idéia ( "Se o Maluf falou, tá falado. É Pitta!" ) e despejaram seus votos naquele candidato que representaria a garantia de continuidade, de fidelidade, parceria.
Depois, vocês conhecem a história.
Olha que, com a dupla Serra-Kassab tá ocorrendo um troço parecido. O Serra não teve a coragem malufista em propor o mesmo desafio: que, se o Kassab não fosse um bom prefeito, que jamais o eleitor voltasse a votar nele, Paulo M, ops!, José Serra.
Olha que as coisas se parecem muito: ontem saiu em alguns jornais a verba que Kassab teria dirigido ao Rodoanel e ao Metrô. O valor simbólico de ZERO.
Oras, das duas, uma. Ou o Kassab está decepcionando o chefe/parceiro e sabotando suas chances de tornar-se presidente no ano que vem, ou nós, paulistanos/eleitores fomos ligeiramente engambelados pela propaganda serrakassabista. No primeiro caso, o Serra deveria ter escolhido melhor quem desempenharia o papel de seu pupilo. No segundo caso, que acho o mais provável, deu-se um resultado parecido à eleição de Pitta: foi um desastre, mas isso não causou maiores problemas a seus respectivos patrocinadores.
Eis uma questão: se o Kassab está [ não estou discutindo isso ] sendo um bom ou mau prefeito, que repercussão isso deverá ter nas pretensões serristas para 2010? Vocês estão satisfeitos?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Tenho medo de seus desejos e promessas de Ano Novo

Chega essa época, e tome "eu prometo". Camarada jura que vai parar de fumar. Outra diz que vai encetar uma dieta. Tem aquele que "vai correr atrás" para, finalmente, até maio ou junho, "se Deus quiser", "tirar um carrinho".
Aí é que são elas. Seu desejo ou promessa de Ano Novo vai complicar ainda mais o "Trânsito na Capital" ( agora com letra maiúscula, tipo nome próprio, um ente vivo e dotado de vontades e personalidade ), além de poluir mais, fazer mais barulho, gastar mais água.
E o sujeito que pretente deixar o sedentarismo de lado, inscrevendo-se numa academia. Obviamente o cara não vai fazer yoga ou pilates, pois sua saúde é o de menos. Vai embarcar numas de malhar, puxar ferro, ficar fortão. Quem sabe um jiu-jitsu. Uns meses depois, teremos aí, circulando na sociedade mais um imbecil que não leva desaforo para casa, principalmente se foi ele quem cometeu o desaforo primeiro, de propósito, só pra começar uma briga.
Cuidado com seus desejos e promessas. Seria bom se aquilo que você conseguisse concretizar, caso fosse nocivo, se voltasse apenas contra você e sua linhagem. Mas ocorre que muito do que você busca vai, obrigatoriamente [ mesmo que você não deseje isso ] implicar outrem [ tá certo "outrem" aqui? ].
Perceba que, via de regra, as promessas de fim de ano se constituem de projetos de coisas que desejamos, queremos, buscamos ter e possuir. Satisfazer nossos desejos e caprichos. Dar vazão a nossa ambição. Considere que muitos de seus legítimos desejos lhe foram enfiados goela abaixo pela propaganda.
Mas, naquela linha do "querer deixar um mundo melhor para nossos filhos, sem pensar em deixar filhos melhores para o mundo", em vez de tirar do mundo o que puder, que tal pensar em restituir ou devolver algo ao mundo? Ser grato a ele, em vez de agir como se o mundo estivesse aqui apenas para servir à Vossa Excelência. Ou, simplesmente, pensar nas coisas das quais "vai atrás" , e refletir se valem a pena ou não, se são necessárias de verdade. Ser menos voraz e venal. Menos entegue a frivolidades.
Logo, que tal abrir mão de agir como um membro de manada de gado? Se fôssemos pensar apenas em nossos filhos, eu por exemplo, jogaria lixo todos os dias onde bem entendesse, sem me preocupar com as consequências, já que não tenho e jamais terei filhos. Seguindo o raciocínio amplamente espalhado em nossa sociedade, eu não precisaria e nem deveria esquentar minha cabeça, me preocupando com besteira do tipo "filhos dos outros", já que eu nem vou estar aqui quando a merda acontecer de verdade, e nem terei sucessores e herdeiros a sofrer as conseqüências da irresponsabilidade paterna.
Crianças querem as coisas porque querem, querem, querem e pronto. Adultos não deveriam agir assim, já que estão bem grandinhos para ficar com essa birra. E os adultos já possuem as faculdades racionais bastante desenvolvidas, a ponto de saber que de nada serve trocar de celular a cada 3 meses quando não se tem quase nada aproveitável para se dizer.
De qualquer modo, eu não espero lá grande coisa para 2010, já que não vivo numa redoma. Só posso dizer que minha vida não piorará nadinha, mesmo que eu passe o ano sem - pasmem! - comprar um celularzinho sequer.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Eu adoro quando o óbvio dá certo*

Dias de chuvas torrenciais em São Paulo City ( Swimming-Paul ) e o óbvio surge em todo seu esplendor: asfalto e cimento demais, carros idem.
Um dia, estava no Orkut dedicado ao bairro ( sob um pseudônimo, já que a identidade é o de menos: o que importa é a idéia, e eu não estou ali para me promover ou fazer amigos ) onde resido e alguém me replicou. Eu reclamava dos problemas de trânsito. Mencionei umas previsões feitas por mim mesmo, há uns 4 anos: que a especulação ia ferrar o bairro, que todos iam se queixar de assaltos, que o espaço para automóveis não comportava o que viria etc. Desnecessário dizer que foi em vão. Eu acertei, mas apenas porque era óbvio que chegaríamos a situação tal como ela se apresenta hoje. Talvez, reconheço, fosse óbvio apenas para mim. Ou foi um chute que deu certo.
Se você pegar um monte de bo%*#sta, colocar um adesivo holográfico [ pode ser simples, também ] : "PROGRESSO" e dizer às pessoas que elas devem aceitar aquilo, que é um bom produto, todo mundo gosta, aprova e recomenda e coisas assim, de um modo geral você irá convencê-las.
O cara que me replicou disse que era óbvio ( sim, eu sei ) que "o progresso isso", "o progresso aquilo", que o verde "ia sumindo" etc. O "verde ia sumindo" foi o ápice. Porra, meu, põe um sujeito nessa oração: o verde não some. A gente some com o verde ( em nossas casas por ex. ) e depois quer que "us pulíticus" gastem uma grana criando espaços onde o verde esteja confinado. Como são confinados os frequentadores de shoppings. Mas são as escolhas que a maioria faz ( tipo, eliminar os minaretes ), ainda que seja óbvio que não darão certo. Carros demais não andam bem. E parques próximos à nossa casa "valorizam o bairro", o que atrairá o "mercado" como bo%#sta atrai moscas. Moscas obviamente automotorizadas.
Geralmente, eu fico pensando em retrucar e evito, sabendo que a discussão viraria uma bola de neve.
De repente [ e felizmente ], vem em meu auxílio, o "Espírito de Porco". E dou vazão a meu lado mais cínico, sarcástico, misantropo e que não dá a mínima. Em suma, me torno uma pessoa comum, indistinguível do restante da população: "Não tem escola? E eu com isso?: Não tenho filhos!". Ou: "Isso aconteceu com você, não comigo".
Este cidadão comum em que me torno não pretende consertar o mundo. É bem menos estressante. Dá mais IBOPE. Você adoece menos.
Mas esse "Espírito de Porco" não consegue se manter integralmente por longo tempo e logo se vê contaminado pelas besteiras do tipo "bons princípios" ou coisa que o valha.
Daí, sou obrigado a conciliar ambos ( "Espírito de Porco" e "salve o mundo" ) e o que sai disso? Difícil definir: digamos que faço o possível para fazer troça em cima das agruras que preocupam os cidadãos, especialmente os cabotinos detestáveis: enchentes em bairros de classe-média/ média-alta, assaltos tendo como vítimas personagens da classe-média/ média-alta, a suposta "Indústria da Multa", gente que desperdiça água lavando o carro, pessoas que dariam o braço para não ter que "perder o seu destino manifesto de poder trafegar o tempo todo em seu automóvel".
Eu gostaria demais que ESSE espírito fosse predominante na minh'alma. Eu falaria um monte e, depois, não ficaria me remoendo e achando que passei dos limites ou pisei na bola
Porém, ainda resta alguma força: AFUNDA SÃO PAULO, enquanto eu tomo um cafezinho quentinho e assisto na TV a cidade orgulhosa de seu progresso virando mar! O último a abandonar o navi, ops!, carro na enchente é eleitor do Kassab! ÊÊÊ! É óbvio que não tem jeito, do jeito que está. Desempermeabilização JÁ!
*Falando nisso: é óbvio que eu surrupiei o bordão do personagem Hannibal, do glorioso "Esquadrão Classe A". ÔÔ TCM, que tal incluir essa série em sua grade?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Nova propaganda do PSDB/DEM mostrará os tabus que eles conseguiram quebrar!

Muitos já devem ter visto na TV, ou escutado no rádio, a propaganda do PT que mostra os "tabus" que perduraram por décadas no Brasil, e foram quebrados pelo governo Lula. Por exemplo: "o aumento do salário mínimo causa inflação". Sucessivos aumentos ( reajustes?; eu nunca sei qual é qual ) nos últimos 7 anos não parecem ter motivado os índices inflacionários, que se mantiveram estáveis nesse período. [ Se você não viu a propaganda, tá aqui, ó: http://www.youtube.com/watch?v=AI7IGd0GsbA ]
Obviamente a propaganda não detalha o que foi feito para impedir a escalada inflacionária, até porque muitos de nós não entenderíamos essas filigranas. Mas vale citar a escalada dos juros promovida pelo Meirelles e sua turma, ou a simples ameaça de que, a qualquer "explosão" no consumo que pudesse ser considerada, pelo Meirelles, etc., demasiada ou "preocupante" os juros subiriam para conter o consumo que, esse sim, levaria a uma inflação desenfreada.
Assim, a possibilidade de engolirmos o amargo remédio dos juros seria mais ou menos como, quando a gente era pequeno e fazia alguma besteira que desagradasse nosso pai, ele apenas olhava de esguelha, e a gente sossegava o facho.
No entanto, não é do governo que falarei, mas sim da turma que já esteve lá, e que deseja retornar.
Apesar de, atualmente, não ocuparem o governo federal eles têm, nas administrações estaduais e municipais que lideram, vários tabus que derrubaram e de que podem se orgulhar e exibir.
Vamos a dois deles:

TABU 1:
"VIADUTOS FICAM NO ALTO, MUITO ACIMA DO NÍVEL DAS ÁGUAS DAS CHUVAS. LOGO, ESTÃO PROTEGIDOS DAS ENCHENTES."
TABÚ QUEBRADO:
Bueiro entupido alaga e para o Minhocão por 2 h ( Agora, 09/09/09 )

TABU 2:
"EM SEUS 35 ANOS DE EXISTÊNCIA, JAMAIS O METRÔ PAULISTANO REGISTROU SEQUER UM CHOQUE ENTRE TRENS"
TABÚ QUEBRADO: "
Trens se chocam pela primeira vez em 35 anos do Metrô de São Paulo" ( Hora do Povo, 02/12/09 )
Seguiremos em exaustiva pesquisa, buscando trazer ao conhecimento público outros tabus que os administradores demotucanos venceram e que, seja por modéstia ou esquecimento, deixam de mencionar. Se você, bravo leitor, lembrar de algum que possa [ após nossa análise e crivo ] figurar neste rol, por favor deixe a sugestão, OK?

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Estadão faz conveniente matéria sobre salários, após a assembléia de professores paulistas

No dia 26 de Novembro, não sei se você ficou sabendo, ocorreu nova assembléia dos professores estaduais na praça da República:

APEOESP: Assembléia no dia 1º de dezembro
27 de Novembro de 2009
Em assembléia realizada na quinta-feira, 26 de novembro, cerca de 4 mil professores aprovaram nova assembléia, com paralisação, para o próximo dia 1º de dezembro, às 16h30
fonte: Apeoesp (26.11.2009)
http://www.e-educador.com/index.php/notas-mainmenu-98/5778-apeoesp002

Quatro mil pessoas presentes [ aliás, posso estar desinformado, mas não lembro de ter ouvido rádio ou lido nos jornais que a manifestação "paralizou o trânsito na Capital"; deve ser uma nova tática da imprensa serrista: ignorar solenemente, negar até onde der. Se não sai na mídia, é porque não aconteceu. ] decidiram que, poucos dias depois, haverá nova assembléia.
Assim, as rotativas correram para salvar o rabo dos governantes estaduais. O Estadão veio com essa, em sua edição de domingo, 29: "Professor de escola pública ganha 11% mais que o da rede particular" [ leia aqui ].
O subtítulo é para impor respeito, inquestionabilidade: "Estudo da USP vai contra a idéia comum de que a educação estadual e a municipal têm salários mais baixos".
Eu não vou me alongar. Leiam a matéria e concluam como quiserem. Mas leiam com atenção: em primeiro lugar, revelado logo na primeira linha, é sobre o professor de ensino fundamental ( 1a. à 8a. série ) de que se fala, e essa modalidade fica a cargo - na maioria - das prefeituras. A rede estadual responde pelo secundário ou médio, por sua vez.
Bom, de qualquer modo, estranhamente o Estadão veio logo com essa reação, aparentemente tentando desqualificar as manifestações do professorado. Afinal, nos detalhes está o Diabo.
Porém, na mesma matéria, há uma declaração de uma professora "da rede estadual", revelando sua situação financeira, após 19 anos de magistério. Não fica muito claro de qual Estado. Teria o todo-paulista Estadão entrevistado uma professora carioca ou mineira?
Esse depoimento eu transcrevo, abaixo.
"Saio todo fim de semana para pegar latas na rua"
( ... )
Para profissionais com décadas de carreira, trabalhar muito e ganhar pouco ainda é realidade. O lucro da venda de cosméticos, lingerie [ OBS: o comércio dentro do ambiente escolar é proibido ]
e até de latinhas de alumínio é o que aumenta o orçamento da professora da rede estadual R. M., de 43 anos. O salário de R$ 1.375 não paga as contas. "Saio todo fim de semana nas ruas para pegar latas", conta R., que tem 19 anos de magistério. Ela junta cerca de 50 quilos por mês, vendidos por R$ 100 reais ( ... ). "

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Slogans de automóveis: "quem não tem carro é bobão e perdedor!"

Colhi uns slogans de modelos de umas marcas de automóveis. São bizarras. Ai de quem for contra, parecem dizer.
Slogan dum modelo 4X4 do Mitsubishi, em uma peça publicitária estampando as páginas de uma destas revistas semanais. Um carro super-hiper-mega gigantesco, maior que montanha, rio, ponte, em local de difícil circulação. Aventura radical, manja?:
"Dentro dela, você se sente maior que qualquer obstáculo."
O raciocínio subjacente é o seguinte: "algo" ou "alguém" é o "obstáculo"; eles estão por aí, na rua, competindo com você, e atrapalhando sua glória, ficando no caminho; oras, com este modelo, você se tornará tipo um GODzila, gigante, forte, indestrutível. O remédio, para você esmagar estes insetos que insistem em ficar de bobeira no caminho de alguém tão importante como você, é pegar seu 4X4 Mitsu e apavorar. Mitsu esmaga!
Mas, ao contrário da propaganda, você terá poucas chances de usufruir deste Panzer japonês em um cenário de off-road. O jeito é aceitar sua condição de pessoa urbana e sair pelas ruas de Sampa mesmo. Porém, de repente seu Panzer japonês se mostra enorme. Nesta cidade, mais é menos, entende? Porquê, não vai achando que você será o único e exclusivo proprietário de uma barca dessas. TODO MUNDO, de um modo geral, que possa ser exposto à mesma propaganda do Mitsu, vai acabar pensando o mesmo que você: "É. Preciso dum desses aí urgentemente, que é pros manés não ficar enrolando na minha frente. É só pisar, mostrar os dentes, rugir o motor, e é só alegria". ( LEIA-SE: ser "respeitado". E, claro, desejado, já que a humanidade só conseguiu realmente procriar com qualidade a partir da invenção do carro. Aí, as minas dão mesmo. Se tiver um 4X4 "gigantão"... Aí, meu, é só alegria. )
Assim, mais pessoas comprando o Mitsu, com o propósito de superar os obstáculos, que são também, e na verdade, outros Mitsus 4X4. Gigantescos. Vai faltar espaço, não vai não?
Tem um outro, que também pode ser encontrado em revistas. Só não lembro de qual carro é:
"Os outros são só os outros"
E a nossa marca, fodona e fulgurante roda por uma espécie de caminho, composto de mini-automóveis, tipo um tapete de carrinhos de brinquedo.
Os "outros" não podem ser os outros "carros". Só podem ser os outros "donos de carros", os "obstáculos" de quem falamos acima. Sempre no seu caminho, eles. Nóis esmaga!
Não tem sentido falar que os outros são os outros carros. Esse "só", que botaram na frase, tem a conotação de menosprezo, de exclusão e, penso eu, de comparação.
Ora, um carro é um objeto sem vontades, e não se compara a outro. Quem faz isso, comparar-se a outro, são os homens. Logo: os outros homens são só, apenas, somente, uns homenzinhos que merecem ser vencidos.
Foram só dois exemplos. Alguém aí ainda acha que estamos falando pura e simplesmente de um meio de transporte? Tá bom, então.

Imagem do dia: Ronaldinho Gaúcho frequëntou as páginas de Mortadelo & Salaminho!! ÊITA!

Eu tava procurando algo sobre os agentes da TIA, para a nossa gloriosa "Galeria de Heróis" deste blog. Mas aí eu encontrei isso, postado em 2007 num blog. Desconhecia essa participação do jogador-malabarista em tão conceituado gibi [ ou melhor, apenas compareceu na capa, não no interior ] e acho que muita gente também ignora ( va ). Agora não mais.
http://euroquadrinhos.wordpress.com/2007/04/14/ronaldinho-em-mortadelo-e-salaminho/


"Socorram-me, subi no ônibus em São Paulo!": A festa nunca termina!

O AVISO

Isso que você está vendo aí acima é o aviso, afixado nos ônibus que circulam na Capital paulistana, informando aos passageiros que, ali naquele ambiente, o uso de aparelhos...Ah!, você está conseguindo ler, não?
Pois bem. Observe com atenção. A data da lei: 1965.

O APARELHO

Agora, observe a foto acima. Sabe o que é isso? Lembra, pelo menos? Vou ajudar sua memória, ao mesmo tempo que informo diretamente àqueles - os mais jovens, acredito - que desconhecem o artefato estranho: é um rádio. Um aparelho de rádio, segundo o local de onde surrupiei a foto, de marca Zenith, da década de 1960.
Não lhe parece estranho que houvesse ( ainda vigora, não sei exatamente porquê ) uma lei municipal que proibia ( e ainda proíbe ), o uso de aparelhos sonoros no interior dos ônibus quando, à época de sua implantação, o tipo de aparelho que se comercializava era mais ou menos desse tipo acima? Não sei nem se já funcionava à pilha, o que o tornaria portátil, ou se era na tomada mesmo e fim de papo. O treco, que ainda por cima seria valvulado - ou seja, frágil - ( e apesar disso ) devia pesar um monte.
Então: com esse tipo de aparelho, qual o motivo de se implantar uma lei restritiva? Será que alguém conseguia levar o trambolho para dentro daqueles ônibus-anões que tínhamos na década de 60? Só se fosse por causa do volume, e não do som.
Enfim, questões como essa não serão resolvidas. Mas serviram como introdução a uma pequena e rápida história que aconteceu, de verdade, em São Paulo, onde essas coisas acontecem de verdade.
O sujeito, numa 3a. ou 4a. feira pega seu ônibus, lá pelas 24:20hs. Tarde. Cansaço. Antes do embarque, a espera, num banco de concreto. A seu lado, um cidadão manuseia avidamente seu ( acertou, biduzão! ) celular. Pouco antes de subirem, à porta, o cidadão ( parece que esperava o momento ) já manda: "Tum-Tss, Tum-Tss, Tum-Tss...". Ou melhor: "TUM-TSS, TUM-TSS, TUM-TSS...". Sem surpresas: é óbvio que o cidadão não iria usar seu celular para ouvir Frank Sinatra ou Beethoven. O cara ouve é música do Sistema, como funk, poperô e Racionais ( questão de beat, entende? É o beat que importa ). Tipo de música que se ouve, também alto, estourando o alto-falante do carango.
Ou seja, ele já sobre no busão, com o som ligado - e bem alto. Passa pelo motorista. Pelo cobrador. Você pensa que ele abaixou o volume, ou colocou um fone? Agora você errou. Nada disso. O peão foi torturando os demais passageiros a viagem toda. Alguns olhavam de esguelha, outros passavam a mão no cabelo compulsivamente. E o barco segue.
Nosso herói chega, após meia hora de viagem torturante, a seu destino, e desembarca exclamando baixo um "graças a Deus".
DOIS DIAS DEPOIS...
Inadvertidamente, ele embarca no mesmo local, no mesmo horário. É o último do dia. A mesma linha. Depois se lembra: e se o babacão estiver aí?
Por enquanto, um agradável silêncio impera.
Nosso herói descola um lugar, remexe a bolsa e descola um gibi.
Faltando encorajadores 4 minutos para a partida do ônibus, eis que um ribombar infernal invade o veículo: "t'dumdum-ts-tumdum-ts, t'dumdum-ts-tumdum-ts...!". E a voz dos "irmão" começa a falar aquela ladainha toda sobre assaltos, manos e drogas. ( O clichê que, longe de descrever uma situação, na verdade COLABORA para que muita gente se identifique e passe a querer, falsamente, vivenciar aquilo. A vida imita a arte. Tem pessoas que não conseguem distinguir o "eu-lírico" nas canções. Como o "eu-lírico" do Johnny Cash que, na vida real, jamais "shotted a man in Reno, just to watch him die". )
Mas como? Cadê o cara? Que cara mais chato e imbecil!
Mas não era o imbecil. Era uma garota. Da mesma família, a dos imbecis, que cresceu e multiplicou.
Nosso herói ficou tomado pela raiva. Que fazer? Brigar? Seria covardia, claro. Por quê não brigou, naquele dia anterior, com o babaca?
O seu diálogo interno não durou muito. Faltavam 3 minutos para a partida ( ponto inicial, relembremos ), e o cobrador sobe ao veículo. Nosso herói, então, chega próximo à catraca e diz ao cobrador:
- P'favor, abre aí a porta. Eu vou descer.
O cobrador demorou uns 3 segundos para entender, mas fez o que o passageiro solicitou. Este, sob os olhares dos poucos passageiros.
Desceu, e se dirigiu até um outro ponto, onde ainda podia pegar outra condução, de outra linha.
O ônibus do qual descera saiu pouco depois.
40 MINUTOS DEPOIS...
Nosso herói mofava ali. Finalmente, a espera se encerra.
Deu o sinal, embarcou, dirigiu-se imediatamente à catraca e atravessou-a.
Olhou pro fundo do ônibus, procurando um assento desocupado.
E então ouviu, bem alto, lá do fundão:
"T'DUMDUM-TS-TUMDUM-TS! T'DUMDUM-TS-TUMDUM-TS!"


Baseado em uma história real.

"O Nariz" por Luís Fernando Veríssimo ( OBS: texto dele, mesmo! )

Era um dentista, respeitadíssimo. Com seus quarenta e poucos anos, uma filha quase na faculdade. Um homem sério, sóbrio, sem opiniões surpreendentes mas uma sólida reputação como profissional e cidadão. Um dia, apareceu em casa com um nariz postiço. Passado o susto, a mulher e a filha sorriram com fingida tolerância. Era um daqueles narizes de borracha com óculos de aros pretos, sombrancelhas e bigodes que fazem a pessoa ficar parecida com o Groucho Marx. Mas o nosso dentista não estava imitando o Groucho Marx. Sentou-se à mesa do almoço – sempre almoçava em casa – com a retidão costumeira, quieto e algo distraído. Mas com um nariz postiço.
- O que é isso? – perguntou a mulher depois da salada, sorrindo menos.
- Isso o quê?
- Esse nariz.
- Ah. Vi numa vitrina, entrei e comprei.
- Logo você, papai…
Depois do almoço, ele foi recostar-se no sofá da sala, como fazia todos os dias. A mulher impacientou-se.
- Tire esse negócio.
- Por quê?
- Brincadeira tem hora.
- Mas isto não é brincadeira.
Sesteou com o nariz de borracha para o alto. Depois de meia hora, levantou-se e dirigiu-se para a porta. A mulher o interpelou.
- Aonde é que você vai?
- Como, aonde é que eu vou? Vou voltar para o consultório.
- Mas com esse nariz?
- Eu não compreendo você – disse ele, olhando-a com censura através dos aros sem lentes. – Se fosse uma gravata nova você não diria nada. Só porque é um nariz…
- Pense nos vizinhos. Pense nos cliente.
Os clientes, realmente, não compreenderam o nariz de borracha. Deram risadas (“Logo o senhor, doutor…”) fizeram perguntas, mas terminaram a consulta intrigados e saíram do consultório com dúvidas.
- Ele enlouqueceu?
- Não sei – respondia a recepcionista, que trabalhava com ele há 15 anos. – Nunca vi ele assim. Naquela noite ele tomou seu chuveiro, como fazia sempre antes de dormir. Depois vestiu o pijama e o nariz postiço e foi se deitar.
- Você vai usar esse nariz na cama? – perguntou a mulher.
- Vou. Aliás, não vou mais tirar esse nariz.
- Mas, por quê?
- Por quê não?
Dormiu logo. A mulher passou metade da noite olhando para o nariz de borracha. De madrugada começou a chorar baixinho. Ele enlouquecera. Era isto. Tudo estava acabado. Uma carreira brilhante, uma reputação, um nome, uma família perfeita, tudo trocado por um nariz postiço.

- Papai…
- Sim, minha filha.
- Podemos conversar?
- Claro que podemos.
- É sobre esse nariz…
- O meu nariz outra vez? Mas vocês só pensam nisso?
- Papai, como é que nós não vamos pensar? De uma hora para outra um homem como você resolve andar de nariz postiço e não quer que ninguém note?
- O nariz é meu e vou continuar a usar.
- Mas, por que, papai? Você não se dá conta de que se transformou no palhaço do prédio? Eu não posso mais encarar os vizinhos, de vergonha. A mamãe não tem mais vida social.
- Não tem porque não quer…
- Como é que ela vai sair na rua com um homem de nariz postiço?
- Mas não sou “um homem”. Sou eu. O marido dela. O seu pai. Continuo o mesmo homem. Um nariz de borracha não faz nenhuma diferença.
- Se não faz nenhuma diferença, então por que usar?
- Se não faz diferença, porque não usar?
- Mas, mas…
- Minha filha…
- Chega! Não quero mais conversar. Você não é mais meu pai!

A mulher e a filha saíram de casa. Ele perdeu todos os clientes. A recepcionista, que trabalhava com ele há 15 anos, pediu demissão. Não sabia o que esperar de um homem que usava nariz postiço. Evitava aproximar-se dele. Mandou o pedido de demissão pelo correio. Os amigos mais chegados, numa última tentativa de salvar sua reputação, o convenceram a consultar um psiquiatra.
- Você vai concordar – disse o psiquiatra, depois de concluir que não havia nada de errado com ele – que seu comportamento é um pouco estranho…
- Estranho é o comportamento dos outros! – disse ele. – Eu continuo o mesmo. Noventa e dois por cento de meu corpo continua o que era antes. Não mudei a maneira de vestir, nem de pensar, nem de me comportar, Continuo sendo um ótimo dentista, um bom marido, bom pai, contribuinte, sócio do Fluminense, tudo como era antes.
- Mas as pessoas repudiam todo o resto por causa deste nariz. Um simples nariz de borracha. Quer dizer que eu não sou eu, eu sou o meu nariz?
- É… – disse o psiquiatra. – Talvez você tenha razão…
O que é que você acha, leitor? Ele tem razão? Seja como for, não se entregou. Continua a usar nariz postiço. Porque agora não é mais uma questão de nariz. Agora é uma questão de princípios.

"Tava demorando p/aparecer nariz de palhaço. RT @g1politica: Enfermeiro usa nariz de palhaço e oferece panetone p/Arruda http://bit.ly/4ySloo " em: http://twitter.com/?status=@viniciusduarte%20&in_reply_to_status_id=6209951049&in_reply_to=viniciusduarte [ Diálogo protagonizado no twitter ]

"Sfot Poc", por Luiz Fernando Veríssimo ( OBS: texto dele, mesmo! )

Chamava-se Odacir e desde pequeno, desde que começara a falar, demonstrara uma estranha peculiaridade. Odacir falava como se escreve. Sua primeira palavra não foi apenas “Gugu”. Foi:
- Gu, hífen, gu…
Os pais se entreolharam, atônitos. O menino era um fenômeno. O pediatra não pôde explicar o que era aquilo. Apenas levantou uma dúvida.
- Não tenho certeza que “gugu” se escreve com hífen. Acho que é uma palavra só, como todas as expressões desse tipo. “Dadá”, etc.
- Da, hífen, dá - disse o bebê, como que para liquidar com todas as dúvidas.
Um dia, a mão veio correndo. Ouvira, do berço, o Odacir chamando:
- Mama sfot poc.
E, quando ela chegou perto:
- Mama sfotoim poc.
Só depois de muito tempo os pais se deram conta. “Sfot Poc” era ponto de exclamação e “sfotoim poc”, ponto de interrogação.
Na escola, tentaram corrigir o menino.
- Odacir !
- Presente sfot poc.
- Vá para a sala da diretora!
- Mas o que foi que eu fiz sfotoim poc.
Com o tempo e as leituras, Odacir foi enriquecendo seu repertório de sons. Quando citava um trecho literário, começava e terminava a citaçao com “spt, spt”. Eram as aspas. Aliás, não dizia nada sem antes prefaciar um “zit”. Era o travessão. Foi para a sua primeira namorada que ele disse certa vez, maravilhado com a própria descoberta:
- Zit Marilda plic (vírgula) você já se deu conta que a gente sempre fala diálogo sfotoim poc.
- O quê?
- Zit nós sfot poc. Tudo que a gente diz é diálogo sfot poc.
- Olhe, Odacir. Você tem que parar de falar desse jeito. Eu gosto de você, mas o pessoal fala que você é meio biruta.
- Zit spt spt biruta spt spt sfotoim poc.
- Viu só? Você não pára de fazer esse ruídos. E ainda por cima, quando diz “sfotoim”, cospe no meu olho.
O namoro acabou. Odacir aceitou o fato filosoficamente, aproveitando para citar o poeta.
- Zit spt spt. Que seja eterno enquanto dure poc poc poc spt spt.
Poc poc poc eram as reticências.
Odacir era fascinado por palavras. Tornou-se o orador da turma e até hoje o seu discurso de formatura (em Letras) é lembrado na faculdade. Como os colegas conheciam os hábitos de Odacir mas os pais e os convidados não, cada novo som do Odacir era interpretado, aos cochichos, na platéia:
- Zit meus senhores e minhas senhoras poc poc.
- Poc, poc?
- Dois pontos.
- Que rapaz estranho…
- A senhora ainda não viu nada…
Quando lia um texto mais extenso, Odacir acompanhava a leitura com o corpo. As pessoas viam, literalmente, o Odacir mudar de parágrafo.
- Mas ele parece que está diminuindo de tamanho!
- Não, não. É que a cada novo parágrafo ele se abaixa um pouco.
Quando chegava ao fim de uma folha, Odacir estava quase no chão. Levantava-se para começar a ler a folha seguinte.
- Colegas sfot poc Mestres sfot poc Pais sfot poc. No limiar de uma era de grandes transformações sociais plic o que nós plic formando em Letras plic podemos oferecer ao mundo sfotoim poc.
A grande realização de Odacir foi o trema. Para interpretar o trema, Odacir não queria usar poc, poc, que podia ser confundido com dois pontos. Poc plic era ponto e vírgula. Um spt só era apóstrofe. Como seria trema? Odacir inventou um estalo de língua, algo como tlc, tlc. Difícil de fazer e até perigoso. Ainda bem que tinha poucas oportunidades de usar o trema.

Odacir, apesar de formado em Letras, acabou indo trabalhar no escritório de contabilidade do pai. Levava uma vida normal. Lia muito e sua conversa era entrecortada de spt, spts, citações dos seus autores favoritos. Mesmo assim casou - na cerimônia, quando Odacir disse “Aceito sfot poc”, o padre foi visto discretamente enxugando um olho - e teve um filho. E qual não foi o seu horror ao ouvir o primeiro som produzido pelo recém-nascido:
- Zzzwwwwuauwwwuauzzz!
- Zit o que é isso sfotoim e sfot poc?
- Parece - disse a mulher, atônita - o som de uma guitarra elétrica.
O filho de Odacir, desde o berço, fazia a sua própria trilha sonora. Para a tristeza do pai, produzia até efeitos especiais, como câmara de eco. Cresceu sem dizer uma palavra. Até hoje anda por dentro de casa reverberando como um sintetizador eletrônico. É normal e feliz, mas o único som mais ou menos inteligível - pelo menos para seus pais - que faz é “tump tump”, imitando o contrabaixo elétrico.
- Zit meu filho poc poc poc. Meu próprio filho poc poc poc. - diz Odacir.
Poc, poc, poc.

sábado, 28 de novembro de 2009

CTEEP, vendida barato por Geraldo Alckmin aos colombianos deverá pagar multa de 1,8 milhão de reais por blecaute de 2008

Cteep terá que pagar multa de R$ 1,8 milhão por blecaute de 2008
A Aneel negou recursos da Cteep e Cemat (MT) que recorreram de multas aplicadas pela fiscalização da agência. Com as decisões, foi mantida multa de R$ 1,785 milhão aplicada à Cteep por conta da explosão de um disjuntor de uma subestação que resultou na interrupção do fornecimento em regiões comerciais da capital paulista em 2008.
O blecaute foi originado por uma explosão de um transformador na Subestação Bandeirantes da empresa, privatizada em 2006, e deixou sem energia 3 milhões de pessoas em 21 bairros na capital paulista e parte dos municípios de Taboão da Serra e Embu.
Sete minutos após o problema no primeiro transformador (às 8h45), os outros dois também pararam. Depois, veio o caos. Semáforos apagados ou intermitentes ocasionaram acidentes e o congestionamento recorde de 155,8 km, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET); a Linha 1 do metrô (Norte-Sul) parou de circular por sete minutos entre as estações Jabaquara e Praça da Árvore, apresentando lentidão entre as outras estações; o check in do aeroporto de Congonhas ficou paralisado por 15 minutos; elevadores parados, com gente dentro; enfim, toda sorte de transtornos à população.
A Cemat terá que pagar a multa de R$ 123,064 mil aplicada pelo descumprimento das metas do programa Luz para Todos.

( HORA DO POVO, ed. 2821, 27.11.09 )

Dois sindicalistas, presos com Lula por 30 dias em 1980, afirmam que Benjamin está louco

Artigo da Folha é mentiroso, dizem militantes presos com Lula
Dois sindicalistas, presos com Lula por 30 dias em 1980, afirmam que Benjamin está louco
ABCDMAIOR, 28.11.09
O artigo do ex-petista, ex-filiado ao Psol, ex-militante secundarista e de esquerda, César Benjamin, publicado em página inteira no jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira (27/11), acusando o presidente Lula de tentar violentar outro preso político nos 30 dias em que ficou preso no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) foi considerado “insano, mentiroso e ressentido” por militantes que ocuparam a mesma cela que o presidente em 1980. Djalma Bom, ex-deputado federal e ex-vice-prefeito de São Bernardo, e o deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP), os únicos que permaneceram todos os dias presos com Lula, negaram a acusação do articulista da Folha.
Ambos afirmaram que apenas sindicalistas ficaram presos na cela onde o presidente foi detido e negaram que qualquer militante do MEP (Movimento Emancipação do Proletário) tenha permanecido na mesmo local.
“Chegamos a ficar em 18 presos. Todos conviviam juntos, repartindo as tarefas. César Benjamin faria um serviço à sua história se não estivesse preocupado com coisas absurdas. Parece uma coisa de pessoa ressentida, revanchismo. Não pode estar com a cabeça boa. Seria uma contribuição se ele fizesse uma discussão ideológica contra o PT”, afirmou Djalma Bom.
“Esse César Benjamin ficou louco. A luz nunca ficava apagada, ficávamos jogando baralho e tentando manter a cela organizada. Não tinha ninguém do MEP. Benjamin acredita que por ter ficado muito tempo preso pode falar tais absurdos. Ninguém é melhor do que ninguém só pelo tempo de prisão”, relembrou Ribeiro.
O chefe de gabinete da presidência, Gilberto Carvalho, afirmou nesta sexta que Lula tomou conhecimento do artigo de Benjamin e ficou “triste, abatido e sem entender” o motivo do ataque.

Confira o trecho do artigo publicado pela Folha, no qual Benjamin acusa Lula.

Os filhos do Brasil

César Benjamin

Especial para a Folha

(…) São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.
Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.
Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”.
Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.
Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.
O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu (…)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Denúncia gravíssima: Lula já possui histórico de ataques sexuais!!! Deve ser a rapadura que lhe deu essa potência toda!!

Essa é de lascar.
Estava visitando o site "Balaio do Kotscho", e detive-me nesta postagem: "Audálio Dantas lança livro sobre infância de Lula".
Leitura vai, leitura vem, e saltam-me aos olhos as palavras que transcreverei a seguir. Palavras, por demais reveladoras, mostrando que o presidente já possui, desde tenra idade, um histórico não divulgado de predador sexual, fato esse que só veio a ser conhecido do público graças a grave denúncia do economista César Benjamin, a saber: em texto publicado na Folha de São Paulo, César disse que o então líder sindical Luís Inácio, lá pelos idos dos anos 70 [ fase pré-PT ], se encontrava temporariamente hospedado em alguma dependência carcerária juntamente com outros agitadores sindicais comunistas quando, cansado daquela seca, resolveu "atacar" um dos companheiros de cela.
O ataque, trazido a público por César Benjamim, causa agora uma tremenda polêmica. Só que, quando menos se esperava, revelam-se novos fatos que comprovariam que o "mojo" de Lula não descansa um momento sequer. Vejam o que diz, num trecho por nós selecionado, Ricardo Kotscho, comentando o livro de Audálio Dantas:

" (...) Mas posso garantir a vocês que é tudo verdade. Mil vezes já ouvi Lula contar as mesmas histórias [ grifo nosso, pois trata-se de uma confissão feita pelo próprio Lula ], sempre do mesmo jeito. E Audálio foi absolutamente fiel a elas.
Ao ler algumas cenas deste livro era como se me lembrasse do Lula contando.
Do espanto da jumenta que o agarrou com os dentes e não o queria soltar.
Do mulungu que continuava em pé
quando fui a primeira vez com ele a Caetés, em 1989.
De Lula e Ziza, o Frei Chico, se aliviando no mato, durante uma parada do caminhão, e quase perdendo o pau-de-arara ( ... )" [ todos grifos nossos ].
Então vejam: Lula "conta as mesmas histórias", o que quer dizer que ele reconhece como verdadeiros os seguintes fatos:
Uma jumenta - todo mundo já deve ter ouvido histórias sobre jumentinhas, não? - se "espanta". Com o quê? E por quê, com o susto, atacaria Lula, e com os dentes? E, o que foi que a jumentinha mordeu? Será que foi assim que o Lula perdeu aquele dedinho? Bom, podia ter sido pior, acho.
"O mulungu continuava em pé" e "se aliviando no mato até quase perder o pau-de-arara". Aqui, obviamente tratam-se de expressões figuradas, cuja conotação é claramente sexual.
Há algo pior, nisso tudo: Kotscho diz que Lula já contou essas aventuras. Logo, Kotscho já teve, há tempos, ciência dessa voracidade do Lula, mas não abriu o bico. Se não fosse o livro de Dantas, o Audálio, essa verdade escabrosa ficaria escondida do povão. Eu preferia não ter sabido, aliás.




PS: Espero que esta nota que você está lendo agora não se faça necessária mas, diga-me: você percebeu que este é um post humorístico, né? Se não percebeu, fica aqui a advertência: é um post de humor.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Leonardo Sakamoto apresenta ( e a gente, humildemente, copia ): "Curso de jornalismo prático: o manual do colunista"

Curso de jornalismo prático: o manual do colunista

Quer virar colunista ou editorialista de jornalão impresso, de um telejornal noturno ou de uma revista semanal de grande circulação? Fácil. Basta seguir esse manual. Para cada tema polêmico da atualidade, há um repertório de cinco argumentos que devem ser repetidos ad nauseum, sem margem para hesitação. Pintou o tema, escolha um dos cinco argumentos abaixo e tasque na sua coluna. Se quiser, use mais de um. Você é a estrela. O artigo é de Leonardo Sakamoto.
Leonardo Sakamoto - Blog do Sakamoto
Do Blog do Sakamoto

Agora que a obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão caiu, o Blog do Sakamoto reforça o seu Curso de Jornalismo Prático. Já em sua terceira aula (a primeira e a segunda, sobre o Disk-Fonte: O Jornalismo Papagaio de Repetição, foram um sucesso), o Curso é elaborado em conjunto com amigos que são grandes repórteres e conhecem como ninguém o universo das redações. Para esta aula, um deles foi certeiro na análise do problema, criando um manual que será de grande utilidade aos recém-formados, mas também àqueles com mais quilometragem que querem “chegar lá”.
Quer virar colunista ou editorialista de jornalão impresso, de um telejornal noturno ou de uma revista semanal de grande circulação? Fácil. Basta seguir esse manual. Para cada tema polêmico da atualidade, há um repertório de cinco argumentos que devem ser repetidos ad nauseum, sem margem para hesitação. Pintou o tema, escolha um dos cinco argumentos abaixo e tasque na sua coluna. Se quiser, use mais de um. Você é a estrela.
Uma dica: para sua coluna parecer diversificada, democrática, procure colocar alguns dos argumentos abaixo na boca de “especialistas”. Veja a lista de nossos especialistas no Disk-Fonte e escolha livremente. Se já estiver na hora do fechamento e ninguém atender, ligue para o Demétrio Magnolli, pois esse está sempre à disposição e discorre sobre qualquer assunto. Ele é fera.
E atenção: não se preocupe se o seu concorrente direto anda usando exatamente esses mesmos argumentos há anos. Não importa também se quase todos esses argumentos já foram aniquilados pelos fatos. O importante, em todos os casos, não é citar fatos. O que conta é dar ênfase no argumento. Se você estiver apresentando um telejornal, faça cara de compenetrado. Se for uma coluna, um editorial, carregue no título.
Além da segurança, da facilidade e da comodidade, há várias outras razões para você usar esse manual: 1) você vai parecer erudito; 2) você vai gastar pouco tempo para fechar a coluna; e 3) seu texto irá repercutir muito bem junto ao dono do(a) jornal/revista/TV que você trabalha.

Ao manual:

Se o assunto é:
Cotas nas universidades, ação afirmativa, Estatuto da Igualdade Racial
Seus argumentos devem ser:
“Para a biologia, a raça humana é uma só. Logo, não faz sentido dividir as pessoas por raças”

“A política de cotas é perigosa. Irá criar conflitos que não existem hoje no Brasil”

“É uma ameaça à qualidade do ensino, pois os beneficiários não conseguirão acompanhar as aulas”

“Essas iniciativas representam uma ameaça ao princípio de que todos são iguais perante a lei”

“Cotas são ruins para os próprios negros, pois eles sempre se sentirão discriminados na faculdade”

Se o assunto é:
Reforma agrária, MST, agricultura familiar
Seus argumentos devem ser:
“Não faz mais sentido fazer reforma agrária no século 21”

“O agronegócio é muito mais produtivo, eficiente, rentável, moderno e lucrativo”

“O Fernando Henrique já fez a reforma agrária no Brasil”

“Se você distribui lotes, o agricultor pega a terra e a vende para terceiros depois”

“O MST é bandido”

Se o assunto é:
Bolsa Família
Seus argumentos devem ser:
“O pobre vai usar o dinheiro para comprar TV, geladeira, sofá e outros artigos de luxo”

“O pobre não terá incentivo para trabalhar. Vai se acostumar na pobreza”

“Não adianta dar o peixe, tem de ensinar a pescar”

“O programa não tem porta de saída” (não tente explicar o que é isso)

“O governo só sabe criar gastos”


Se o assunto é:
Mortos e desaparecidos políticos, abertura de arquivos da ditadura, revisão da Lei de Anistia
Seus argumentos devem ser:
“Não é hora de mexer nesse assunto”

“A Anistia foi para todos. Valeu para os militares; valeu para os terroristas”

“Não é hora de mexer nesse assunto”

“A Anistia foi para todos. Valeu para os militares; valeu para os terroristas”

“Não é hora de mexer nesse assunto”

Se o assunto é:
Confecom, democratização da comunicação, classificação indicativa
Seus argumentos devem ser:
“Qualquer regulamentação é ruim, o mercado regula”

“É um atentado à liberdade de imprensa”

“Querem acabar com o seu direito de escolha”

“Já tentaram expulsar até o repórter do New York Times, sabia?”

“A classificação indicativa é censura. Os pais é que têm que regular o que seus filhos assistem”

Se o assunto é:
A política econômica
Seus argumentos devem ser:
“O governo deveria aproveitar esse período de vacas gordas para fazer as reformas que o Brasil precisa, cortando custos”

“Os gastos e a contratação de pessoal estão completamente fora de controle”

“O país precisa fazer a lição de casa e cortar postos de trabalho”

“Quem produz sofre muito com o Custo Brasil, é necessário cortar custos e investir em infra-estrutura”

“Só dá certo porque é continuidade do governo FHC”

Se o assunto é:
Trabalho e capital
Seus argumentos devem ser:
“O que os sindicatos não entendem é que, nesta hora, todos têm que dar sua cota de sacrifício”
“Os grevistas não pensam na população, apenas neles mesmos”

“Sem uma reforma trabalhista que desonere o capital, o Brasil está fadado ao fracasso”

“A CLT é uma amarra que impede a economia de crescer”

“É um absurdo os sindicatos terem tanta liberdade”


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