sábado, 29 de novembro de 2008

Bambis, Obama e o Vasco da Gama

Ficou curioso, heim? Quer descobrir como vou relacionar esses três personagens? Na raça, claro.
O SPFC tem um apelido de origem meio atravessada: Bambi. Piadas preconceituosas e homofóbicas. Derivariam de outro apelido, o "Pó-de-Arroz". Que, no início, seria exclusividade do Fluminense. Mas não por questões sexuais. Pior. Racismo. Um jogador ( breve pesquisa no Google dá o nome: Carlos Alberto ) usava a maquiagem para disfarçar a cor de sua cútis, negra. Para ser aceito num clube da elite carioca. Parece que foi a torcida do América/ RJ quem começou a tirar o jogador: "Aí heim, pó-de-arroz...!"
Como não conheço muito a história dos clubes, não sei bem porque o tricolor paulista seria a versão daqui do clube elitista carioca, ou seja, também um clube da elite. Mas, até onde sei, essa fama ficou.
Do "Pó-de-Arroz" racista - que não sei se o SPFC merece tal fama, acho mais possível o Palmeiras ter tido um perfil racista, mas sei lá - para o "Bambi" homofóbico.
Pois bem. Na contramão do racismo, o Vasco da Gama/ RJ - informa-nos o Google - disputou o Carioca da Segunda Divisão de 1922 e estreou na Primeira Divisão em 1923, com um time formado em sua maioria, de jogadores negros e mulato. O Bangú teve o pioneirismo de aceitar negros no time, mas parece que o C.R.Vasco da Gama causou frisson. E parece que jogou bonito.
Aliás, se você estiver lendo este post, chegou até aqui, tenho duas sugestões:
A - Se for um torcedor de futebol padrão ( estereotipado, semiglota, fanático-ortodoxo, viciado, alienado, ignorante, que só tem no guarda-roupa diversas versões do uniforme do clube, e só interessado em seu time e ponto final ) ou seja, como a maioria dos torcedores de futebol, PARE POR AQUI e deixe o blog. Visite o blog do Paulinho e sinta-se em casa. Ou...
B - Se for uma pessoa equilibrada e interessada no futebol como um espetáculo, reconhecendo as glórias alheias, admirador da arte e apreciador da História do esporte, então, antes de prosseguir com o post, veja que documento legal, sobre a história do Vasco da Gama neste LINK. Depois volte ao blog. Obrigado.
Voltou? Legal. Continuando, então.
Bem, vejam só: no caso - não tenho certeza, lembrem disso - do SPFC ter, merecidamente, recebido a pecha de clube racista, pois o apelido "pó-de-arroz" indicaria isso, o presidente dos EUA, o Barack Obama, se tivesse nascido em São Paulo nos idos de 20 e 30, e tornado-se jogador de soccer, para poder ser aceito e jogar no SPFC ele teria - hipoteticamente - que usar uma "pintura de guerra", ou seja, o pó-de-arroz.
Mas, se ele fosse jogar no Vasco da Gama, em 1923, teria lugar na equipe, independente da cor de sua pele. Claro que, em ambos os casos, tinha que saber tratar bem a redonda, né?
Chega-se à suprema - simbólica - ironia ( acho eu ): no ano em que um tabú caiu fragorosamente, para nunca mais voltar, ou seja, a vitória de um afro-americano nas eleições presidenciais nos EUA, periga de ser campeão brasileiro um clube - hipoteticamente, lembrem - cuja origem seria elitista e promotora de episódios de racismo.
Simultaneamente, um clube que entrou para a história do futebol brasileiro por ter disputado ( e vencido ) um campeonato estadual com um escrete majoritariamente negro e mestiço, numa época em que não se aceitavam [ ou ( male, male ) tolerava-se apenas ] a presença de negros nas equipes do football, pois bem, esse time, o Vasco da Gama pode ser rebaixado para a Segundona.
Um texto meio tosco, feito na raça, algumas forçadas de barra, mas acho que dei o recado. Pelo menos a relação [ bem distante, eu sei ] entre os personagens, que me propus traçar, eu consegui.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Futebol: esse, sim, o Ano do Bambi!!

Este campeonato calou de vez a boca dos penas-pagas e paga-paus enrustidos que defendiam o sistema de "Mata-Mata". Pois, sabiam eles, que um time sempre se dava bem nessa disputa.
Por outro lado, se houve um clube que em vários campeonatos, ano a ano, por várias vezes esteve sentado na ponta ( sem maldade ) da tabela, mas na hora do tal "Mata-Mata" se dava mal, esse time foi o SPFC. Quando o Santos de Robinho trucidou o Corinthians, na base da pedalada atômica, o time da Vila ficou em 8º. na classificatória e o Tricolor em primeiro. O Santos, então, tirou o São Paulo e rumou ao título.
Houve um ano em que o Cruzeiro ganhou com um pé nas costas, várias rodadas de antecedência, e os detratores vieram com a ladainha: "Não tem emoção." Curiosamente, desde que o sistema atual, de pontos corridos foi adotado, certo time passou a se equilibrar na corda bamba, ano após ano - só vindo a vencer um torneio da forma habitual, a lembrar: With a little help... - vindo, finalmente, a cair para a Segundona. Mas já voltou. Esse ano subiam 4 times, para garantir. Quando Palmeiras, Portuguesa e Botafogo caíram, o funil era mais estreito.
Aliás, para garantir a velha megalomania do time ascendido, a imprensa esportiva venal já decreta que foi "A maior campanha da História da Segunda Divisão". Certo. Mas não foi épica, como "A Batalha dos Aflitos" memorável.
Bom, voltando à vaca fria: pontos corridos é a melhor disputa, e - caso alguém queira pesquisar - o São Paulo já poderia ter sido mais vezes campeão brasileiro, fosse essa a fórmula de disputa em vezes anteriores. Várias, se não estou enganado.
Existe, aliás, uma certa "crítica" à torcida são-paulina: dizem que eles só aparecem na final. Oras, isso é ótimo!! Tem torcedor de outro time que, se ganha até disputa de par ou ímpar, sai por aí aporrinhando os ouvidos alheios, cantando vantagem megalômanas.

Celebridades vencedoras também torcem para times vencedores

BARJAS NEGRI MANDA SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO DA PREFEITURA DE PIRACICABA PROCESSAR BLOGUEIRO!!!

Abaixo está transcrito uma mensagem deixada por um leitor no blog Entrelinhas de Luiz Antonio Magalhães. Na seqüência dele, o texto de João H. Venturini que parece ter irritado Barjas Negri ( PSDB ) e que entrou no Índex Blogorum Piracicaborum . Vamos copiar e repassar ( o apelo, inclusive ) , heim?
Beto - João Humberto Venturini disse...
Luiz Antônio: Estou desesperado e estou pedindo ajuda de todos se possível. Sou biólogo e tenho um blog (http://betobiologia.blogspot.com) e ás vezes publico artigo de opinião em um jornal aqui da cidade de Piracicaba/SP chamado A Tribuna Piracicabana. Hoje saiu um artigo (que está publicado no meu blog) meu comentando o resultado das eleições daqui e contra o prefeito reeleito que é o Barjas Negri (PSDB). Agora meu amigo que é editor do jornal me informou q o secretario de comunicação da prefeitura quer meu endereço, pois vai entrar com ação judicial contra meu artigo por leviandade. Não sou ligado a partido e sou apenas um leitor crítico e agora querem me processar por isso!! Gostaria de saber a quem eu posso recorrer e como procede isso. Por favor.Grato.João Humberto Venturini
Blog Eco-Subversivo, 19.11.08
Faz tempo que não escrevo aqui no blog e deixei a poeira das eleições municipais abaixar para fazer algum comentário. Aqui em Piracicaba o resultado já era esperado para prefeito, mas a eleição da Câmara dos Vereadores me deixou apreensivo com o futuro cenário político da cidade. Durante esse primeiro mandato a tropa barjista se fortaleceu e arrasou o que sobrou da "oposição" e se já estava ruim ficou pior. Nas propagandas do TSE na televisão dizia que a Câmara dos Vereadores de uma cidade têm como um dos objetivos fiscalizar as ações da prefeitura. Se nesse primeiro mandato, Barjas Negri aprovou o que quis, agora com uma Câmara quase 100% governista ( 15 governistas contra 1 de "oposição") não precisará de nenhum esforço para fazer o que bem entende. Alguns dos motivos que levou a Câmara a esse cenário foi o esfacelamento do PT da cidade como força política, pois nem José Machado que foi prefeito duas vezes não deu as caras por aqui. Outra foi a adesão da maioria dos partidos à campanha de Barjas que contaram com a máquina de propaganda, a qual dava a impressão que todos os candidatos a vereador estavam apoiando o prefeito. Barjas com sua alta popularidade parecia com o Lula em alguns lugares do Nordeste, onde todos os candidatos queriam aparecer na foto ao seu lado para poder angariar votos. É curioso atentar ao fato de que alguns aqui quando escrevem sobre os eleitores que elegeram e reelegeram Lula com ampla maioria, rasgam críticas de cunho até racista para explicar o fenômeno. Mesmo quando citada a alta popularidade do presidente a explicação é sempre a "ignorância" do povo e que esse é iludido com obras, que no caso federal é sempre eleitoreira, e com as bolsas. Aqui a alta popularidade de Barjas é atribuída ao pragmatismo, a inteligência, a determinação do prefeito e a maioria dos eleitores que deram mais um mandato à ele o fizeram porque todos são inteligentes e muito bem informados e que sentiram que todas as obras feitas na cidade eram necessárias.
A prefeitura se gaba de suas obras (que aqui não são eleitoreiras), mas segue um modelo de urbanização que está levando as cidades brasileiras ao colapso. Aqui, casas populares são construídas em lugares muito distantes, bairros públicos conseguem virar condomínios fechados, grandes empreendimentos de luxo são prontamente atendidos com obras de melhorias nos seus entornos e ainda garantem mais lucros conseguindo trocas de áreas institucionais por outros terrenos e construção de ponte. Melhoria da saúde, transporte público e saneamento básico podem sempre ficar para o ano que vem, pois todo mundo têm plano de saúde particular, carro e não dá a mínima para onde vai o lixo desde que não fique na porta da sua casa.
Outro dado ruim é o baixo índice de renovação dos vereadores, pois é um absurdo um candidato ficar se reelegendo durante anos e faz disso apenas uma carreira profissional. Há certos candidatos que ocupavam cargos administrativos na prefeitura que passaram 4 anos fazendo propaganda deles mesmos e conseguiram uma vaga para "fiscalizar" a administração municipal da qual fez parte.O único trabalho que o prefeito terá de fazer agora é garantir as "trocas de favores" daqueles que o apoiaram e que foram eleitos. É a típica barganha da política brasileira, que embora alguns achem que aqui é diferente, mas não é. Caminhamos para um reinado tucano e direitista de mais oito anos pelo menos, onde a corrupção (outra coisa que muitos acham que não existe aqui) poderá intensificar-se e ficará oculta, pois com essa Câmara Barjista, ausência de oposição e a maior parte da imprensa chapa-branca nada chegará aos nossos olhos e ouvidos.

"O FMI na crise ", por Paulo Nogueira Batista Jr.

O LEITOR vai me perdoar se o artigo sair meio pesado hoje. Estou realmente exaurido depois de dois meses de crise intensa aqui no FMI. Nunca emprestei tanto dinheiro na minha vida ( espero que paguem ). O meu complexo de brasileiro, devedor, subdesenvolvido e às vezes inadimplente deu os célebres "arrancos triunfais de cachorro atropelado" (Nelson Rodrigues).
Abro aqui um breve parêntese. Um leitor escreveu reclamando gentilmente da ausência de citações de escritores, de filósofos e, sobretudo, de Nelson Rodrigues. Prometi corrigir a falha e estou aqui cumprindo a promessa.
Fecho o parêntese e volto ao FMI. Neste mês de novembro, a diretoria do Fundo aprovou empréstimos de tipo "stand-by" no total de US$ 41,8 bilhões, com desembolsos concentrados no início dos programas. Nunca o Fundo emprestou tanto em tão pouco tempo. A Ucrânia recebeu US$ 16,4 bilhões, a Hungria, US$ 15,7 bilhões, o Paquistão, US$ 7,6 bilhões, e a Islândia, US$ 2,1 bilhões. Esse último caso é extraordinário: o setor bancário islandês detinha ativos equivalentes a quase 900% do PIB no final de 2007! A turma da bufunfa barbarizou -e levou o país à ruína.
É notável que, nessa nova leva, os primeiros clientes do FMI tenham vindo, em sua maioria, da periferia européia. Trata-se de uma região que apresenta vulnerabilidades evidentes: déficits elevados no balanço de pagamentos em conta corrente, forte dependência de crédito externo, reservas internacionais modestas, sistemas financeiros frágeis, entre outros problemas. A Islândia é a primeira economia desenvolvida da Europa a recorrer ao Fundo desde a década de 1970.
Esses empréstimos são apenas o começo, tudo indica. Há uma série de outros países iniciando contatos e buscando o apoio financeiro do Fundo. Como se sabe, o FMI vinha emprestando muito pouco nos últimos anos. Os países fugiam do Fundo como o diabo da cruz. Sem os juros pagos pelos devedores, o dinheiro começou a ficar curto e, no início deste ano, o Fundo teve que provar do próprio remédio, implementando um programa de ajustamento, com cortes de gastos e demissões.
Agora os demitidos talvez façam falta. Com a intensificação da crise desde setembro último, o Fundo voltou a ser procurado, ainda que com grande relutância. Regra geral, os países só se dispõem a aparecer aqui em último caso, quando as alternativas se esgotaram.
A direção do Fundo está consciente do "estigma" associado aos empréstimos da instituição e tem procurado enfrentar o problema. Acionou o mecanismo de emergência, que permite aprovar empréstimos em tempo muito curto. As condicionalidades dos novos empréstimos são mais focadas, voltadas sobretudo para a solução dos desequilíbrios de balanço de pagamentos e outros problemas macroeconômicos de curto prazo.
Há cerca de um mês, a diretoria aprovou uma nova linha de financiamento -a SLF ("short-term liquidity facility"), ainda não utilizada, que permite emprestar até 500% da quota do país por prazos curtos, mas sem as condicionalidades tradicionais (carta de intenções, critérios de desempenho e monitoramento). Essa nova linha só poderá ser acionada por países que tenham políticas econômicas basicamente sólidas, mas que estejam sofrendo problemas de liquidez provocados por choques na conta de capitais, o chamado contágio externo. O dinossauro continua se movendo.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Sinais de deterioração

Essa é sobre o Metrô de São Paulo.
Durante muito tempo - ou seja: desde que eu consigo lembrar - havia um zelo, senão na forma de investimentos que o ampliassem de acordo com a necessidade crescente e que garantissem uma manutenção geral e metódica, pelo menos o zelo que se observava no cuidado com a limpeza das dependências e áreas de circulação; desde os túneis e acessos, passando pela região das catracas, bilheterias e chegando às plataformas e interior dos trens.
O mencionado zelo chegava ao excesso: se você se encontrasse numa das áreas acima apontadas, mas onde não houvesse assentos, ficasse cansado de permanecer em pé, e resolvesse apenas agachar, ficando de cócoras, para descansar um pouco, não tardaria a ouvir um aviso, ríspido, saído do sistema de som interno da estação:"NO METRÔ, NÃO É PERMITIDO SENTAAR-SE...". Um aviso impessoal, mas você sabia que era dirigido a você. E você estava apenas agachado, hein? Envergonhado, você levantava e encarava, de pé mesmo - fazer o quê?- a espera.
Agora, se a advertência não surtisse efeito e você continuasse ali, dando uma de João-sem-braço ( tipo o cara que, ao mesmo tempo, passa no sinal vermelho enquanto fala ao celular e, ao ser multado diz que a "Indústria daMulta" é culpada de tudo ), a segunda ( e última, podes crer ) argumentação surgia ameaçadora em sua frente, na figura de 2 ou mais daqueles "Homens de Preto" vitaminados, portando cassetetes que pareciam ter sido desenhados por projetistas da DINA para serem usados em manifestantes e oposicionistas chilenos. Os MIB fariam suas antes exaustas pernas recobrarem a força, a jovialidade e o vigor da mocidade.
Bem sabem os budistas ( seriam eles mesmo? ): as coisas sempre mudam, o tempo todo. Com isso, as outrora razoavelmente asseadas estações do Metrô paulistano mudaram ( muito e para pior ): eu estranhei quando, com o passar do tempo, pequenas alterações foram ocorrendo. De repente, hippiezinhos de Shopping Centers, mochileiros - provavelmente de Shoppings, também -, estudantezinhos do Etapa, Dante e Objetivo e demais personagens de nossa juventude puderam passar a sentar-se confortavelmente nas dependências das estações. Quantas vezes você presenciava aquela rodinha de moleques sentados, como se estivessem num acampamento, até mesmo próximos aos locais mais "sensíveis", como as áreas das catracas e bilheterias, só faltando a fogueira e o violão. E sem ser abordados pelos MIB!!
Para a coisa descambar de vez, foi questão de pouco tempo: e num dia desses qualquer, uma latinha vazia de Coca e uma embalagem de Ruffles "enfeitavam" a plataforma da estação Vila Mariana, no sentido Jabaquara ( agora tive uma dúvida: não sei se foi na Vila Mariana, Paraíso, Ana Rosa ou Pça. da Árvore; bom, foi numa dessas ). Minutos se passaram e não apareceu funcionário de limpeza algum, e os detritos lá permaneceram.
Eu queria - hipoteticamente - ter um celular com câmera ( ou uma máquina digital, tanto faz, é hipótético mesmo ).
O tabú foi devidamente quebrado: o Metrô deixou de ser "área verde" ou zona de preservação da catástrofe comportamental. Não dá para ter esperança em mais nada: no povão ( bom, nesse eu não confio mesmo ) e nos administradores ( os tais da "gestão de resultados" ). O sucateamento se percebe nestes detalhes.
E o "cada um, cada um" da população vai tomando conta. Poucos anos se passarão e, quando você estiver tropeçando em sofá velho ou pneu usado DENTRO da estação Vila Mariana ( ou Consolação, isso é o de menos ), depositados ali pelo "povo puro" ( como disse o Kajuru, em seu livro - que aliás, deixou-me bem decepcionado ), então lembre-se de que a situação chegou a tal ponto, mas começou quando sacos vazios do McDonalds e copos de Milk-Shake da mesma rede abriram o caminho da porquice. Pois quando jogou o detrito pela primeira vez ( um papel de bala, por exemplo ) e não foi repreendido - não havia MIB - e o lixo ficou lá - não havia funcionário da limpeza - o camarada criou coragem para prosseguir.
E entenda de uma vez o significado de expressões como "corte de custos" e "cada um, cada um". Acho que elas se alimentam, mutuamente.
Além disso, entenda o significado de "hipocrisia", já que o mesmo camarada costuma se comportar de forma bem diferente quando está perambulando num Shopping Center. Ali, o medo da censura alheia ( ou seja, das gostosinhas caça-dotes ) é maior. Que isso não signifique que não há incivilidade dentro desses ambientes. É que aí você também aprende o significado de "o cliente tem sempre razão". Uma estupidez mau-caratista total.

Paraná: Estado vai pagar R$ 918 mil em indenizações a ex-presos políticos

AEN/PR
26/11/2008
A Comissão Especial de Indenização a Ex-Presos Políticos, do governo do Paraná, concluiu suas atividades e decidiu pela reparação financeira em 47 processos; outros 39 foram indeferidos. No total, o Estado pagará R$ 918 mil aos indenizados. A decisão foi tomada, este mês, em reunião na sede da Secretaria Especial de Corregedoria e Ouvidoria Geral (Seoge), em Curitiba.
Para o corregedor e ouvidor Luiz Carlos Delazari, presidente da Comissão, os resultados do grupo foram de uma grande relevância. “Desde abril, quando as análises dos requerimentos iniciaram, procuramos fazer justiça em cada caso relatado por pessoas que foram presas em dependências do governo durante o período da ditadura militar”, salientou o secretário especial.
O procurador-geral do Estado, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, que também integrou a Comissão, afirmou que, com as indenizações, serão reparados erros. “Esse é o resgate de uma dívida política que o Estado do Paraná tinha para os que sofreram com a prisão e a tortura. E também serve para lembrar que esse estado de exceção não pode existir”, observou.
De acordo com Delazari, os pagamentos das reparações financeiras pela administração pública estadual deverão ser feitos no próximo ano. “Isso ocorrerá depois da publicação no Diário Oficial de decreto com o relatório dos trabalhos da Comissão”, explicou.
COMISSÃO – A Comissão Especial teve suas atividades regidas pela lei número 15.671, de 2007, que prorrogou os efeitos de outra lei, a 11.255, de 1995. De acordo com os critérios estabelecidos na legislação – como o tempo de prisão e as torturas físicas e psicológicas sofridas durante o período em que as pessoas estiveram presas –, foram definidas as indenizações, cujos valores variam de R$ 5 mil (mínimo) a R$ 30 mil (máximo).
Participaram das deliberações durante o ano, além de Delazari e Marés de Souza Filho, o secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin; o médico Gerson Zafalon Martins, do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR); Maria das Graças Espíndola Corrêa, da área de direitos humanos; o representante dos ex-presos políticos, José Ferreira Lopes, e o juiz aposentado Elísio Eduardo Marques.

DE PAPEL PASSADO, por Dora Kramer

Essa aqui me foi enviada pelo Jasson: "Humberto: O artigo de Dora Kramer está ótimo. Se achar interessante, sugiro que o insira no seu Blog. JASSON"
Obrigado, Jasson! Aí está:

DE PAPEL PASSADO
Dora Kramer ( Estadão, 26/11/2008 )
Se havia alguma dúvida de que Cássio Cunha Lima é um político capaz de abusar de suas prerrogativas quando lhe convém, ele mesmo tratou de dirimi-la no epílogo do exercício de seu mandato como governador da Paraíba.
Na quinta-feira, 20, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu por unanimidade cassar Cunha Lima por uso dos recursos do Estado para obtenção de benefícios eleitorais.
Na segunda-feira, 24, a maioria governista na Assembléia Legislativa de João Pessoa fez dez sessões extraordinárias e aprovou um festival de aumentos nos gastos do estado.
Reajustou salários do funcionalismo (em alguns casos à razão de 100%), autorizou contratação de novos servidores, adiantou a aprovação do Orçamento de 2009 e, como já havia anunciado a antecipação do pagamento do 13º, deixou toda a bomba armada para estourar na mão do sucessor.
Um gesto realmente à altura do veredicto do TSE. Em português rude, o governador foi condenado à perda do mandato porque, no entendimento da Justiça, usou dinheiro público para comprar votos.
Na campanha pela reeleição, em 2006, a Fundação Ação Comunitária distribuiu 35 mil cheques no valor total de R$ 4 milhões, a título de benemerência social. Cunha Lima defendeu-se alegando completo desconhecimento a respeito da distribuição do dinheiro, uma iniciativa da diretoria da fundação ligada ao governo do Estado.
Os ministros do TSE não acreditaram na independência da entidade, cujos propósitos fizeram-se ainda mais suspeitos quando se descobriu que os recursos não se destinaram necessariamente a minorar as agruras da pobreza.
Foram achados rastros da verba no pagamento de planos de saúde, na contratação de artistas, no pagamento de TV a cabo (algo aqui soa familiar), uma situação elegantemente definida pelo ministro Eros Grau como de "marcante descontrole na distribuição de valores financeiros na proximidade do pleito".
Ainda assim, no fim de semana, entre a decisão judicial e a farra final da abertura dos cofres às corporações amigas, Cássio Cunha Lima deu entrevistas dizendo-se injustiçado: "Fui condenado pelo que não fiz."
Recebeu a solidariedade dos companheiros de partido, o PSDB, foi simbolicamente abraçado da tribuna do Senado por parlamentares de muitas agremiações, correlatas e adversárias.
Todas deixadas com cara de tacho diante do monumental recibo que Cássio Cunha Lima resolveu passar, corroborando que de fato não tem pudor em usar a máquina pública como propriedade privada.
Aproveitou os últimos momentos de posse da prerrogativa de manipular verbas públicas para armar um legado em forma de arapuca ao substituto - o segundo colocado na eleição, ex-governador José Maranhão, também alvo de processos na Justiça Eleitoral - e preparar as bases para a campanha de senador em 2010.
Pela sentença, fica inelegível só até 2009.
Popular, Cássio Cunha Lima certamente terá a legenda do PSDB garantida, votos a mancheias assegurados, cabos eleitorais desde já arregimentados entre os favorecidos pelos aumentos, um mandato praticamente conquistado e nenhuma responsabilidade sobre as contas públicas estouradas.
Seu partido, o legítimo dono do mandato, conforme recente determinação judicial, não impôs nenhum reparo. Isso a despeito de ter sido o inventor, fiador, propagador e guardião da responsabilidade fiscal.
Mas, como na política vale a regra da aplicação da lei a cada um de acordo com suas amizades, o tucanato fez-se de morto. Não deu sinal de considerar a folia paraibana nem de longe parecida com a gastança patrocinada pelo governo federal.
Quando a coisa se refere ao PT é chamada de irresponsabilidade, aparelhamento, aproveitamento, ultraje ao pudor e qualificativos assemelhados. Bem merecidos, note-se.
Agora, quando um governador do partido faz o que fez Cássio Cunha Lima pelo pior dos motivos (porque quis, podia, tinha a caneta, o Diário Oficial e a maioria na Assembléia) à disposição na praça, o PSDB chama de injustiça e presta solidariedade.
No partido que se pretende em breve de volta à Presidência da República, há os esforços dos governadores José Serra e Aécio Neves para construir a imagem de responsabilidade e eficiência. Mas há o empenho de um Cássio Cunha Lima em alimentar a face do atraso que, não tendo o repúdio da direção, lícito concluir que mereça dela aprazível acolhimento.
Quase garoto, 24 anos, Cunha Lima chegou à Assembléia Nacional Constituinte, em 1987, como uma grande promessa da nova geração de líderes. Vinte anos depois, é a materialização do espírito carcomido da velhíssima política em sua mais anacrônica expressão.
Em 1988 nascia o PSDB, produto da revolta dos modernos contra os retrógrados do PMDB. Chegou ainda verde ao poder, produziu os grandes avanços da estabilidade, das privatizações, das regras de Estado acima das circunstâncias de governo, mas quando o assunto é prática política, reza pela cartilha arrivista dos velhos coronéis.
CONTRAPONTO: Chutando cachorro morto , no blog Entrelinhas

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Merece capa de jornal e revista: colunista da Folha menciona possível atentado a Lula e confirma que CENTRAL DO SENADO GRAVA CONVERSAS TELEFÔNICAS!

Mônica Bergamo – Folha de São Paulo, 26.11.08
ALERTA
A Segurança do Senado enviou ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional) a gravação de um telefonema recebido há cerca de um mês, em que um homem pedia que se ‘alertasse’ o governo de que Lula sofreria um atentado numa de suas viagens ao Nordeste. Foi aberta uma investigação que descobriu que a chamada partiu de um telefone público do bairro de Bodocongó, na cidade de Campina Grande, na Paraíba.
EM CASA
A gravação, por tabela, confirmou ao GSI que a central do Senado pode gravar conversas feitas a partir de seus telefones. Há quem defenda, no gabinete, a tese de que o suposto grampo que interceptou conversas do senador Demóstenes Torres (DEM-TO) com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, pode ter sido feita no próprio parlamento. [ grifo do blog ]

ONIPRESENTE: Luis Nassif é vítima de chantagem e é ameaçado pela REVISTA VEJA

O padrão Veja
Luis Nassif online
Na semana retrasada fui procurado por um emissário do Roberto Civita, propondo um acordo a ser firmado em juízo. Pelo acordo, eu deixaria de falar sobre a Veja, a Veja deixaria de me atacar e tiraria todos os processos e menções negativas contra mim. Ele estava afobado. Me ligou na quinta querendo marcar almoço na sexta.
Almoçamos, ouvi a proposta e recusei. Continuei cobrindo o caso Satiagraha mas não me prevaleci da situação, de divulgar o fato de ter partido de Civita a proposta. Até entender o segundo tempo do jogo.
No domingo, um velho comentarista voltou ao Blog com ameaças – embora não se identificasse, poderá ser localizado pelo IP.
mas tu é corno ou não ?
Por Roberlio Charls ( robchar@inca.gov.br ) - 66.232.111.77, em 24/11/08 00:18
cornelius nassifus...
vai ser lindo qdo o O. Frias revelar oficialmente o que disse ao Diogo Mainardi e diz para todos. Ele fez um documento interessante sobre seu caráter --ou falta dele, para sermos exatos. Seus crimes estão bem próximos de serem revelados, babaca. Vai ser lindo...vai ser lindo. Ser capacho do Lula não vai ajudar muito -- acho que pode até piorar nesse caso.
Uma dica: é tudo questão de data....!!!!!
Entendeu cornelius ?
Tenta a Venezuela, rata de dos patas !
Por Roberlio Charls ( robchar@inca.gov.br ) - 66.232.111.77, em 24/11/08 00:34
o dito rei pergunta porque a ratazana fica calada sobre a fusão ? eu sei. rato não fala.
Por Roberlio Charls ( robchar@inca.gov.br ) - 66.232.111.77, em 24/11/08 00:40
Como agora, esses mesmos avisos precederam ou acompanharam, em outros momentos, ataques encomendados ao blogueiro da revista. E se inserem no mesmo modelo de assassinato de reputação exaustivamente utilizado pelo esquema Dantas contra adversários. Aliás, dependendo de quem possa ser o remetente, poderá ser configurado um caso de ação coordenada da revista.
Folha
Tenho princípios de lealdade que busco seguir. Um deles é à memória de Otávio Frias de Oliveira. Por isso mesmo, não divulguei minha versão sobre minha saída da Folha. Nem o farei agora.
Como Otávio Frias Filho admitiu em email a um leitor, vários pontos levaram a um conflito entre nós. Limito-me a um ponto específico.
Desde 2003, quando foi lançado, Otávio implicou com o Projeto Brasil, alegando que não competia a jornalistas discutir políticas públicas. O Projeto foi mantido e resultou em um acervo valioso de trabalhos, que têm ajudado a enriquecer a discussão pública no país.
Mais: todos os seminários foram anunciados no jornal, através de publicidade paga do meu bolso, descontada do meu salário. Nas propostas de patrocínio, era oferecido ao patrocinador colocar seu logotipo nos anúncios. Otávio sabe muito bem que jamais a coluna negociou espaços editoriais com patrocinadores. E jamais afirmaria algo nesse sentido. Aliás, teria sido facílimo identificar qualquer prática anti-jornalística, à medida que anúncios e colunas saiam no mesmo caderno Dinheiro.
Ao negar que tivesse dito que eu cometia achaques, mas deixando no ar uma levíssima insinuação, de que eu não estaria suficientemente cuidadoso em separar minha atividade na DV da de colunista, Otávio vive seu personagem predileto, o florentino da Barão de Limeira: vinga-se das críticas que tenho feito ao jornal sem sujar as mãos.
Não avançarei nos demais pontos, porque o que está em jogo não são as idiossincrasias do Otávio nem os interesses da Folha, mas algo muitissimo mais barra-pesada: o esquema Veja.
LEIA TAMBÉM:

Sérgio Gaudenzi, presidente da Infraero: “Privatizar aeroportos é retroceder”

Portal do Partido Socialista Brasileiro - PSB
25/11/2008
À frente da empresa responsável por comandar os 68 aeroportos brasileiros, o baiano Sérgio Gaudenzi é claramente contra a privatização do setor.
Sem os aeroportos lucrativos, seria tarefa quase impossível para a Infraero administrar os deficitários. Ex-deputado federal e estadual, Gaudenzi é engenheiro civil. Iniciou a carreira política no movimento estudantil, passou por PMDB e PDT, até se filiar ao PSB.
A convite do então ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, assumiu a presidência da Agência Espacial Brasileira, onde ficou até 2007.
Do posto, foi pinçado pelo ministro Nelson Jobim para comandar a Infraero. Confira a entrevista concedida ao jornalista Ivan Iunes do jornal Hoje em Dia.
Setores do Governo discutem a possibilidade de privatizar alguns aeroportos. O procedimento é viável?
Defendo a abertura do capital da Infraero, para a chegada de investidores. Isso acontece na Petrobras, no Banco de Brasil, com efeitos muito positivos. Pedimos ao BNDES que avalie a possibilidade. Privatizar aeroportos é retroceder. A Infraero controla 68 aeroportos, mas apenas 15 são realmente lucrativos e 43 dão prejuízo. Como manter os deficitários, sem esse lucro?
O Governo está disposto a transferir recursos importantes da educação, da saúde, para manter os espaços? Seria um retrocesso e a Infraero sofrerá para conseguir manter os aeroportos deficitários em boas condições, já que a maior parte dos valores previstos pelo orçamento são contingenciados. Caso se decida pela privatização, não sou a pessoa indicada para tocar o processo. Não tem briga nisso. Deixo o ministro da Defesa Nelson Jobim tranqüilo para que me substitua. Nessa hipótese, não posso continuar. Como conduzir as privatizações, se não concordo com elas?
A distribuição atual da malha aeroviária do pais atende à demanda?
Para conter a crise aérea, desconcentramos os vôos de Congonhas e aumentamos a utilização do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, mas ainda há situações a serem corrigidas. Precisamos agora distribuir melhor as viagens. Posso dar os exemplos dos aeroportos de Brasília e de Salvador. Na capital federal, entre 11h30 e 17h30, praticamente não temos vôos.
Quando cai a noite, a estrutura atual não comporta tantos passageiros. Em Salvador, acontece algo semelhante. Não podemos utilizar um aeroporto por apenas cinco horas diárias, o equipamento é caríssimo. Precisamos estender essa utilização para pelo menos 13 horas.
Quando o novo terminar de embarque do Aeroporto Internacional de Brasília ficará pronto?
Se as viagens fossem melhor distribuídas, a estrutura atual suportaria o movimento no Juscelino Kubitschek. Mas como isso não acontece, estamos licitando o projeto para ampliar o corpo central do aeroporto e construir o satélite sul. A previsão é de que o projeto demore cerca de quatro anos. Mas é certo de que ficará pronto antes da Copa do Mundo de 2014, já que Brasília deve ser uma das sedes.
Os aeroportos estão preparados para receber a Copa ou uma Olimpíada no Rio de Janeiro, já que a cidade é candidata?
A estrutura atual aeroportuária do país comporta o aumento do número de passageiros para a Copa do Mundo. Principalmente porque ela começa com 12 sedes, o que distribui as viagens. Depois, nas fases finais do torneio, a tendência é de que o movimento se concentre em no máximo quatro cidades, entre elas Rio de Janeiro e São Paulo.
No caso das Olimpíadas, o movimento ficará restrito à capital fluminense, o que é mais complicado. Mas nós fizemos o Pan-Americano e não tivemos problemas. E até lá, teremos concluído o novo terminal e reformado o atual, ao investimento de R$ 600 milhões. Além disso, há previsão e tempo hábil para construir um terceiro terminal.
Como é a relação com os militares, no controle do tráfego aéreo?
Havia uma confusão muito grande sobre quem ficaria responsável pelas torres de comando. Desde o ano passado, dividimos esse controle. Quando o aeroporto é também uma base aérea, ele fica com os militares. Nos exclusivamente comerciais, a Infraero controla a torre. Defendo o modelo híbrido. O trabalho pode ser dividido dessa forma, entre civis e militares. Por isso, contrataremos profissionais por concurso público. Pelo menos até agora, essa divisão tem funcionado.
Quais medidas foram adotadas pela Infraero conter a crise aérea?
A primeira providência foi buscar um entendimento com as outras áreas que operam o sistema. Cobrimos apenas a parte de infra-estrutura aeroportuária. Não somos donos dos aeroportos, temos a concessão da União para explorá-los. Mas havia problemas na comunicação da Infraero com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), as companhias e o controle do tráfego aéreo. Sob a coordenação da Secretaria de Aviação Civil, passamos a ter reuniões quinzenais para ajustar os ponteiros. Nos encontros, resolvemos os problemas para tirar o país do caos aéreo. Depois disso, o movimento foi normalizado, mesmo em datas como o ano novo e o carnaval. Hoje, nossas médias de atraso de vôo são semelhantes a Estados Unidos e Europa, de 12,5%. Dentro desse percentual, ainda estão atrasos motivados por condições meteorológicas e de segurança. E permanecemos na elite da aviação civil mundial, embora existisse a ameaça de sermos rebaixados para a categoria dois da Organização Internacional de Aviação Civil.
Há projetos para a construção de novos aeroshoppings?
Essa tendência é mundial. No princípio, não concordava em misturar as duas coisas. Mas hoje, analisando os pontos favoráveis e os contrários dessa proposta, admito que ela traz muitos benefícios. Com a parte comercial é possível reduzir as tarifas e, conseqüentemente, o valor das passagens. Com preços mais acessíveis, se amplia o número de passageiros. Por isso, o aeroshopping é uma boa solução, desde que exista um planejamento adequado. O Galeão, por exemplo, está sendo reformado nesse sentido. Lá, a existência de quiosques era totalmente desregrada, uma bagunça. Vamos arrumar o espaço, organizar a ocupação e estabelecer as áreas de circulação de passageiros, checkin e lojas, para que ele volte a ser um dos três maiores equipamentos do Brasil, ao lado de Viracopos, em Campinas, e Cumbica, em Guarulhos.
Existe a necessidade de se construir um terceiro aeroporto na capital paulista?
Se ele for construído e gerido pela iniciativa privada, não vejo problemas. Mas para o controle da Infraero, não há necessidade. Vamos ampliar o aeroporto de Campinas para que ele receba um número maior de viagens comerciais. Hoje, ele recebe em grande parte vôos industriais, mas tem a facilidade de raramente fechar por problemas meteorológicos. E ainda temos o de Guarulhos, que vai ser reformado.
Como a Infraero lida com as interrupções em obras por decisão do Tribunal de Contas da União?
Hoje, temos obras básicas paradas em Macapá(AP), Goiânia (GO), Vitória (ES) e Guarulhos (SP), essa última essencial. Posso dizer que o TCU tem razão em alguns casos. Parte dos projetos talvez tenha sido feita com muita rapidez, falta consistência mesmo. Agora no caso de Guarulhos, não se pode parar as obras.
A pista principal precisa ter a reforma concluída. Ela não agüenta mais do que um ano, talvez seis meses. E o aeroporto é vital para a malha aeroviária do país. Sem ele o sistema pára. O Tribunal entende que há sobrepreço em alguns casos, mas como isso é medido, se não há parâmetros de comparação? Um trabalho de concretagem de uma pista de aeroporto é evidentemente mais caro do que colocar o mesmo material em um prédio, por exemplo. Não há comparação possível. Pelos valores sugeridos pelo TCU, não conseguimos fazer o serviço. Temos de estabelecer com urgência esses parâmetros para a área aeroportuária.
Interesses políticos estão por trás dos boatos de que o senhor deixaria o cargo?
Em uma empresa como a Infraero é complicado não desagradar a ninguém. Desde que entrei, privilegiei funcionários de carreira em detrimento a indicações políticas. Essa postura desagrada partidos e parlamentares. A espinha dorsal da Infraero tem de ser construída com pessoas do quadro, que conheçam a realidade do setor, salvo casos pontuais, raras exceções.
O senhor pode concorrer a cargos majoritários na Bahia, em 2010?
Existe o incentivo do meu partido (PSB) para que eu participe do pleito, volte a concorrer a cargos eletivos. Mas não há nenhuma decisão concreta sobre isso. Por enquanto, estou cumprindo a etapa à frente da Infraero.
A entrevista, publicada no jornal Hoje em Dia de 16/11, foi gentilmente cedida ao Portal do PSB por aquela publicação e pelo seu autor, o repórter Ivan Iunes.

Um debate interessante: Celso Lungaretti escreve a respeito de artigo de Augusto Nunes sobre execução de militante da ALN pelos próprios companheiros

OS MORTOS CONVENIENTES... E OS OUTROS
Celso Lungaretti
, 26.11.08
Meu ex-colega de ECA/USP, Augusto Nunes, escreveu sobre um militante da ALN executado por seus companheiros em 1971:
Foi um erro terrível? Foi, claro. Nenhum verdadeiro revolucionário pode admitir que, mesmo durante uma luta de resistência à tirania, decisão tão extrema seja tomada enquanto perdurar a mínima dúvida sobre a culpa do acusado.
Quanto a justiçamentos em regime democrático, são simplesmente inconcebíveis e inaceitáveis. Ponto final.
Chocou-me, principalmente, saber que Márcio Leite de Toledo não teve o direito de se defender no tribunal revolucionário convocado para julgar o seu caso. Continuou cumprindo normalmente suas tarefas de militante, alheio ao que estava ocorrendo. Depois, foi emboscado e morto.
É óbvio que poderiam tê-lo convocado para o julgamento, dando-lhe a oportunidade de pronunciar-se sobre as suspeitas (não certezas) que havia contra ele. É como minha organização, a VPR, certamente procederia.
Mas, não se pode omitir, como Nunes faz, a situação catastrófica que a ALN vivia nos estertores da luta armada, tendo seus quadros dizimados dia a dia, já que a ditadura partira para o extermínio sistemático dos quadros da resistência.
A VPR não quis acreditar que o cabo Anselmo fosse espião e pagou um preço altíssimo por isto.
A ALN executou quem não era espião, mas parecia ser (acreditava-se que ele tivesse entregado à repressão Joaquim Câmara Ferreira, causando sua morte).
Trata-se de ocorrências deploráveis, mas recorrentes, nas lutas travadas em circunstâncias dramáticas, contra inimigos muito mais poderosos, como foram os casos da resistência ao nazi-fascismo na Europa e ao totalitarismo de direita no Brasil.
Márcio Leite de Toledo indubitavelmente merece as lágrimas por ele derramadas.
Mas também as merecem os revolucionários que sofreram torturas atrozes e depois foram abatidos como cães, em aparelhos clandestinos da repressão como a Casa da Morte de Petrópolis (RJ). Foi onde evaporaram meus queridos companheiros José Raimundo da Costa e Heleny Ferreira Telles Guariba.
E é repulsivo perceber que as tribunas da grande imprensa estão escancaradas para artigos como esse, mas blindadas contra os que evocam os episódios igualmente dramáticos dos companheiros que foram martirizados pelo regime militar.
A mídia anda burguesa como nunca. Recebendo, às vezes, uma pequena ajuda de esquerdistas que não tiveram coragem de pegar em armas quando esta era a única opção que restava, sob o festival de horrores do AI-5.
Continuam despeitados até hoje, por não terem ousado ir até onde fomos. E tudo fazem para desmerecer nossa luta.

Empresária se nega a pagar trabalhadores escravizados

Propriedade flagrada com 5 pessoas submetidas à escravidão pertence a Coracy Machado Kern. Dona de milhares de cabeças de gado e de um hotel três estrelas em Natal (RN), ela se nega a assumir suas responsabilidades
REPORTER BRASIL, 25.11.08
O martírio das cinco pessoas submetidas a condições análogas à escravidão na Fazenda São Judas Tadeu, em São Félix do Xingu (PA), não se encerrou com a libertação promovida no final de outubro pelo grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Elas ainda não receberam os devidos direitos trabalhistas nem indenizações por dano moral. Só conseguiram voltar às suas cidades de origem com seus poucos pertences graças a um fundo de suprimento mantido pelos próprios fiscais para casos de emergência e terão direito ao seguro-desemprego para o trabalhador resgatado.
A propriedade fiscalizada de cinco mil hectares pertence a Coracy Machado Kern, que se recusou a assumir as responsabilidades referentes ao flagrante de exploração dos trabalhadores. Ela também é dona não só da Fazenda Nova Vida, em Ourilândia de Norte (PA), como também do Hotel Natal Dunnas, estabelecimento turístico classificado com três estrelas na Praia de Ponta Negra, em Natal (RN). Só nas duas propriedades rurais no Pará, Coracy mantém aproximadamente sete mil cabeças de gado.
De acordo com a equipe de fiscalização, a proprietária alega (por meio de sua advogada) que não mantinha relações empregatícias com os cinco libertados. Na tentativa de se afastar do problema, Coracy argumenta que a fiscalização deve cobrar a situação encontrada de um dos empregados escravizados - ele próprio em situação de miséria e portador de uma dívida de R$ 10 mil para com a proprietária. Para o procurador Roberto Gomes de Souza, representante do Ministério Público do Trabalho (MPT) no grupo móvel que fez as inspeções, os fatos contradizem a versão da fazendeira, pois a existência de vínculo empregatício era evidente.
Além disso, equipamentos de proteção individual (EPIs), ferramentas de trabalho, materiais de limpeza e outros artigos de uso pessoal eram "vendidos" por um gerente de Coaracy e descontados dos trabalhadores, que não recebiam salários regularmente. "Houve caracterização de coação moral por dívida", conta Klinger Moreira, auditor fiscal e coordenador da operação.
Um dos vaqueiros da fazenda, que vivia com três crianças numa barraca de lona, não tinha nem conta bancária. O dinheiro ficava "guardado" com Coracy que, de acordo com Klinger, atuava "como uma instituição bancária", fazendo o controle dos débitos da conta do funcionário. "Estava tudo no poder dela", complementa o auditor fiscal. A Repórter Brasil tentou entrar em contato com Coracy, mas recebeu a informação de que ela está "em viagem pelo interior" e não comparece ao hotel em Natal há pelo menos duas semanas.
A água e o barraco "não prestavam", detalha um dos libertados. Era comum ter coceiras depois de tomar banho. Numa das ocasiões, a roda por onde passava a água vinda do açude parou, entalada pelos restos de uma capivara morta. "Tudo o que tínhamos lá era comprado da cantina", adiciona. Houve um período em que os empregados tiveram que sair pedindo arroz e feijão em outras fazendas porque a venda da São Judas Tadeu estava trancada.
O quadro encontrado foi descrito como "gravíssimo" pelo auditor fiscal Klinger. A água do dique que refrescava os banhos dos bovinos era a única disponível para consumo e utilização das pessoas. Não havia instalações sanitárias e as necessidades fisiológicas eram feitas no mato. A alimentação precária incluía até carne estragada; trabalhadores disseram que houve até casos de doença (não socorridas) em conseqüência da comida ruim. Nos barracos de madeira em chão de terra batida, morcegos e ratos eram comuns. O grupo móvel lavrou ao todo 48 autos de infração na propriedade.
A proprietária pagou apenas a hospedagem dos libertados em Água Azul do Norte (PA). As contas da acomodação em Xinguara (PA) e do serviço de transporte da mudança das famílias (que custou R$ 1 mil) foram pagas com recursos do mesmo fundo de contingência dos fiscais. Houve negociação entre Coracy e o MPT para o pagamento dos trabalhadores, mas a empresária não aceitou compensar o acerto de cerca de R$ 100 mil.
Pouco antes da chegada dos fiscais, um outro grupo de 14 trabalhadores deixara a Fazenda São Judas. Eles vinham da região de Esperantinópolis (MA) e voltaram para casa apenas com R$ 200 da condução, com menos de um mês nas frentes de trabalho. O trabalhador entrevistado pela Repórter Brasil relata que, no momento da dispensa, Coracy deixou o grupo passando fome "sem merenda" e chegou a servir leite aos porcos da fazenda. As "dívidas" dos que desistiram da empreitada foram transferidas para o trabalhador acusado pela dona como "empregador culpado", portador de uma dívida total de R$ 10 mil para com ela mesma. "Ele não era necessariamente um ´gato´ (aliciador de mão-de-obra). Acabou trazendo essas pessoas do Maranhão, mas era mais um escravizado", avalia Klinger. Além dos maranhenses, trabalhadores de São Geraldo do Araguaia (PA) também foram explorados na Fazenda São Judas Tadeu, que fica a 18 km da rodovia mais próxima e a cerca de 170 km do povoado de Tucumã. Alguns dos que conseguiram deixar a propriedade fizeram denúncias em junho e setembro deste ano, expondo as condições desumanas experimentadas no local. Segundo essas denúncias, pelo menos 22 pessoas chegaram a ser mantidas na área em condições análogas à de escravo.
Os trabalhadores ainda aguardam decisão da Justiça do Trabalho para receber os seus direitos. Logo após a fiscalização, o MPT solicitou o bloqueio das contas bancárias de Coracy para viabilizar a quitação. Como forma de impedir o bloqueio, a proprietária entrou com uma petição na Justiça oferecendo uma caminhonete como forma de garantir o pagamento. O pedido dela foi negado pelo juiz. Diante da postura evasiva de Coracy, o procurador Roberto Gomes de Souza, do Ministério Público do Trabalho (MPT), ingressou com uma medida cautelar exigindo o pagamento dos libertados. De acordo com a Vara do Trabalho de Xinguara (PA) - instância em que a peça foi protocolada em 5 de novembro -, porém, o pedido apresentava somas destoantes relativas à cobrança da fazendeira e empresária. O item conflitante já foi sanado pelo procurador Roberto, do Ofício de Marabá (PA), e a medida cautelar do MPT pedindo que Coracy destine R$ 100 mil aos trabalhadores aguarda análise do juiz local. "Não havia obrigação de pagar. Negociamos bastante, mas não houve acordo. Entrei na Justiça e isso agora demora um tempo", explica Roberto, que deve protocolar também ação civil pública sobre mais este caso de crime de trabalho escravo.
LEIA MAIS:

No site do hotel, há este selo, a nos informar que o local segue o Código de Conduta do Turismo contra Exploração Sexual Infanto-Juvenil...

É impressão minha, ou o José Serra - que desaparece nas crises, observem - ressurgiu com força total nas páginas do imprensalão?

Que fique muito claro: eu não sou - ou melhor, não tenho sido - um leitor metódico e regular. Passo os olhos nas manchetes e, se elas trazem um assunto que possa me interessar, dou uma olhada mais caprichada. Às vezes, guardo a notícia para ler mais tarde, só que esse "mais tarde" nunca chega. Em resumo: sou um relapso. É que eu sempre acabo achando que, o ideal é pegar a notícia e, a partir dela, tentar buscar mais informações, que não estejam evidentes ali. Obviamente, é uma empreitada impossível pra alguém como eu.
Isso significa, no fim das contas, que minha percepção sobre "o que está acontecendo" fica restrita a obtê-la via manchetes e leituras rápidas.
Ou seja: aquilo que o imprensalão evidenciar, botar em primeiro plano, é o que passa a ser a minha impressão mais forte.
Por isso, o título do post, esta pergunta: é impressão minha, ou o Serra - que esteve "sumido" durante a greve da Polícia Civil ( "Hay Gobiernador?" ), como costuma fazer sempre que surge uma "crise" no Estado - ultimamente vem surfando nas páginas principais dos jornais, seja "investindo" bilhões em montadoras, seja "combatendo a reforma tributária", ou vendendo a Nossa Caixa ao BB? Quanto à venda do banco estadual, essa notícia tem gerado desdobramentos, todos devidamente aproveitados e destacados pelo solícito imprensalão, diariamente : a grana recebida pela venda propiciará a criação duma agência de fomento ( que "priorizará" investimentos em metrô e trens - acho que em estradas também, ou seja, ítens PRIVATIZÁVEIS ) pelo governo estadual.
Prum cara que não aparece em espelhos, surpreende-me que Serra esteja saindo com tanta freqüência em fotos nas primeiras páginas e cadernos principais do imprensalão. Essa é a minha impressão.

"A mídia e as eleições na Venezuela", por Altamiro Borges

A mídia e as eleições na Venezuela
Na entrevista coletiva em que reconheceu os resultados das eleições e enalteceu a vitalidade da democracia na Venezuela, o presidente Hugo Chávez aproveitou para criticar a cobertura da rede estadunidense CNN. Lembrou que de apoiadora do golpe de abril de 2002, a emissora ianque se transformou no principal cabo eleitoral da oposição direitista no país, manipulando informações para desqualificar o governo venezuelano. A crítica de Chávez serve perfeitamente para analisar a cobertura da mídia brasileira das eleições deste domingo.
Antes do pleito, Folha, Estadão e TV Globo, entre outros veículos, tentaram vender a imagem de que o processo eleitoral seria viciado e de que o governo apelaria à truculência contra a oposição. O correspondente da Folha em Caracas, Fabiano Maisonnave, ex-petista que virou um rancoroso antichavista, pinçou trechos dos discursos de Chávez, descontextualizando-os, para mostrar um governo autoritário, violento, ditatorial. “Chávez usa ameaças para tentar conquistar estado mais rico”, foi uma das manchetes do cínico jornal, que apoiou o golpe militar e as torturas no Brasil.
Sucursal rastaqüera da CNN
Concluída a apuração, a mesma mídia venal passou a festejar a “vitória da oposição”. Os âncoras do Jornal Nacional da TV Globo saudaram, alegremente, “a derrota do presidente Chávez”. O correspondente antichavista da Folha, guindado agora ao posto de colunista e puxa-saco oficial da famíglia Frias, vaticinou o declínio da revolução bolivariana. “Chávez sai desta eleição mais parecido com o caudilhismo rural do século 19”, escreveu o postulante a intelectual da direita.
A manipulação da mídia nativa, sempre tão servil às opiniões do “império do mal”, uma sucursal rastaqüera da CNN, é grosseira. Ela não deu manchetes para os resultados objetivos do pleito, realçando apenas os êxitos da direita. Um jornalismo mais imparcial noticiaria que os chavistas venceram em 17 dos 22 estados; em 233 prefeituras, contra 57 dos oposicionistas; que o PSUV, o partido recém-fundado do presidente Chávez, conquistou 5,6 milhões de votos – no referendo de dezembro passado, o governo teve 4,4 milhões de votos. A mídia seria obrigada a reconhecer que o Chávez continua com invejável força e prestígio, após 10 anos de governo e 14 eleições.
Quadro político mais complexo
Uma análise mais nuançada, menos envenenada pela mídia, aponta certo equilíbrio no resultado eleitoral deste domingo. Indica que a direita oligárquica, que sabotou as eleições de 2004 e que agora decidiu se dobrar às regras democráticas, ainda tem força no país. Ela está fora do governo central, mas mantém seu poder econômico e midiático; conta com o ostensivo apoio dos EUA; e aproveita-se também das limitações da própria “revolução bolivariana”, inclusive das suas falhas administrativas. A oposição passa a governar cinco estados, entre eles o de Zulia, maior produtor de petróleo do país, Miranda e Carabobo. Também dirigirá a estratégica prefeitura de Caracas.Como raciocina Gilberto Maringoni, autor do livro “A Venezuela que se inventa”, o resultado do pleito torna mais complexa a disputa política no país vizinho. “O governo segue com o apoio da maioria da população, mas a situação do país apresenta nuances... Esta nova oposição, assentada nas mesmas bases sociais da anterior – meios de comunicação, poder econômico e governo dos EUA –, ao que tudo indica, muda qualitativamente o panorama político do país. Possivelmente, o discurso chavista terá de se reciclar”. A direita não venceu, como difunde a mídia, mas o quadro político do país sofreu alterações, o que exigirá muito firmeza de princípios e habilidade tática.
Na entrevista coletiva, o presidente Hugo Chávez parece já ter assimilado o resultado da eleição. Após criticar os setores oposicionistas mais raivosos, ele convocou os vencedores a defenderem a democracia e a Constituição. “Ninguém mais pode dizer que não há democracia na Venezuela. O povo se manifestou de maneira livre e contundente. O que os oposicionistas que venceram em alguns estados e municípios devem fazer agora é reconhecer o triunfo da revolução bolivariana como nós reconhecemos as suas vitórias... Oxalá que se dediquem a governar com transparência, dignidade e respeito à Constituição. Oxalá que não voltem aos velhos caminhos do golpismo”.

"Obama, nem erros nem surpresas", por Candido Mendes

Neste período da transição, Obama só faz confirmar a melhor expectativa quanto ao ineditismo da sua Presidência. Não é só o sentido nitidamente colegiado das decisões quanto à futura máquina de governo, mas, sobretudo, a garantia dos muitos saltos adiante que a sua investidura traz às práticas da mera rotação de um sistema entre democratas e republicanos em Washington. É como se este arranco de fundo, do melhor da democracia americana, não parasse no aponte do eleito mas fosse mais longe nesta correção de fundo da vontade geral, que no último meio-século passou à estrita variação de um mesmo sistema, no exercício das decisões do Salão Oval.
O discurso lincolniano do último 14 de abril já consagraria Obama para a História, no fazer da sua opção política mais que uma forra racial do que reconhecimento da maturidade nova – e para ficar – na igualdade cívica de todos os americanos. A virada de página foi agora multiplicada pelo desmonte do lobby na organização do poder emergente nos Estados Unidos. Lastreara-se até hoje a certeza da transação política, que fazia da alocação das pastas de um novo governo a paga das doações às campanhas, e a constituição das equipes de poder como uma das mandatárias da dominação de sempre do poder econômico sobre o político no país.
A nova surpresa prazerosa da transição é o exaustivo inquérito das 63 questões que deve preencher qualquer nome pressentido para o Executivo, nesse novo reclamo da transparência de mando. A imposição das novas regras chegou agora ao imperativo de uma devassa à obra assistencial do ex-presidente Clinton, como condição prévia para a indicação de sua mulher à secretaria de Estado. No aponte do Executivo as escolhas chegam à sabedoria do quase óbvio, na competência do indicado e no seu reconhecimento público.
A gratidão estrita vai a poucos casos, como o do ex-senador Daschle para a Saúde, primeiro campeão da candidatura Obama. A escolha de Geithner, já de papel decisivo nas primeiras lutas contra a crise econômica na transição, fez disparar a Bolsa de Nova York. E Janet Napolitano seria a candidata inequívoca para superar o descalabro imigratório do governo Bush nas levas de chicanos, tratados como bandidos, ao buscar emprego nos Estados Unidos. Holder não está na pasta da Justiça porque é negro, mas porque teria o melhor currículo na área, e no empenho de acabar, de vez, com o escândalo da prisão de Guantánamo.
O que parece estar em causa é esta inspiração, em que a vitória de Obama quer reencontrar o compromisso histórico da nação da mudança, protagonizada por Wilson, Roosevelt, Kennedy e Clinton. Foi interrompida, contemporaneamente, pela votação mínima da primeira vitória de Bush, a se encaminhar, com a queda das torres, para a civilização do medo, a invasão do Iraque apoiada na mentira, e a sucessão das guerras preventivas contra o Oriente Médio.
A islamofobia vai hoje a este fundamentalismo dos conservadores americanos, de cuja mostra diz madame Palin, a vice de todos os ideais dos red necks. Deixando-a ao largo, agora, os republicanos entram na cruzada amarga de voltar à ribalta acreditando, com Karl Rove, que o presidente eleito perderá rapidamente o seu fastígio diante da volta à centro-direita, como o inexorável eixo político do país. Mas a América de Obama não é mais um país que se encontra na defensiva histórica. Mostra, sim, ao mundo, o quanto a democracia escapou, de vez, ao jogo imemorial dos senhores do poder, e reencontrou a esperança selvagem, dos milhões de doadores de US$ 10 à campanha vencedora, e a militância disseminada em que a internet derrubou, de vez, os impérios mediáticos na ida às urnas.
26.11.08

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Agora, com essa crise total, inseto vai ter que virar alimento mesmo. E, para beber...

Profeticamente, este blog já havia sugerido - em "A solução é comer grilo, Brasil", ainda em Setembro de 2008 - a adoção de insetos na alimentação dos seres humanos, pois contém bastante proteína, o que faria com que não precisássemos apelar mais à carne bovina. Isso traria ganhos ecológicos espetaculares: a economia de água; a extinção do gás do peido bovino, que prejudica a camada de ozônio; o abandono das práticas de criação que exigem a devastação de florestas para criação de pastos. Há outros, mas fiquemos nestes.
Qual não foi a minha surpresa quando, retornando da feira, fui desembrulhar a penca de bananas envolta - como sempre, é cultural - em jornal e, quando fui ler o ex-embrulho ( na verdade, a capa do jornal da comunidade japonesa "Nippo-Brasil", em sua edição 485, de Outubro de 2008 ), deparei-me com a notícia: "Insetos, opção para crise de alimentos?" [ vejam abaixo ].E pensei: Caraca! Não é que tem gente que pensa igual? Vejam, não se trata de imitar culturas e povos que tenham entre seus costumes a alimentação à base de bichos escrotos e cheios de asas, antenas e pernas gosmentas. Não. A idéia modesta do blog seria empreender uma concatenada revolução cultural-gastronômica-alimentícia-ecológica em nível mundial que duraria para sempre. MNHAM!!
Insetos podem salvar a humanidade da crise de alimentos
A população mundial atualmente corresponde a mais de 6 bilhões de pessoas e cerca de 850 milhões em países em desenvolvimento são atormentadas pela fome e a desnutrição. Os preços dos alimentos estão nas alturas devido ao fluxo de dinheiro especulativo e a demanda crescente.
De acordo com estimativas das Nações Unidas, a população mundial chegará a 9,2 bilhões em 2050. A Organização para Alimentação e Agricultura pede por um aumento na produção agrícola, mas teme uma carência de cereais e pastagem, devido ao clima atípico atribuído ao aquecimento global. “A quantidade de comida, incluindo carne, diminuirá. Insetos com altos teores de proteína e gordura poderiam ser usados efetivamente”, disse Jun Mihashi, 76, ex-professor da Universidade de Agricultura de Tóquio.
GOSTARIA DE ALGO PARA BEBER, PARA ACOMPANHAR SEU GAFANHOTO FLAMBADO, SENHOR?
Oras, a própria NASA já fez uma revolução que ainda não foi muito bem entendida: astronautas bebendo URINA reciclada!! É melhor e mais barato que tentar dessalinizar o Mar Morto:
Urina purificada servirá de água potável para astronautas
Reuters, 14.11.08
CABO CANAVERAL, EUA (Reuters) - Enquanto a Nasa prepara-se para dobrar o número de astronautas vivendo na Estação Espacial Internacional (ISS), nada contribuiria mais para unir a tripulação do que uma máquina levada ao espaço pelo ônibus espacial Endeavour nesta sexta-feira.
Trata-se de um aparelho de reciclagem de líquidos, que processará a urina dos tripulantes a fim de fornecer água para o consumo geral.
"Nós fizemos testes cegos com a água", afirmou Bob Bagdigian, engenheiro da agência espacial norte-americana responsável pelo projeto. "Ninguém se opôs. Com exceção de um leve gosto de iodo, trata-se de uma água tão refrescante como qualquer outro tipo de água."
"Eu tenho um pouco dessa água na minha geladeira", acrescentou o engenheiro. "Para mim, o gosto dela é bom."
O transporte do aparelho de reciclagem de água, avaliado em 250 milhões de dólares, é um dos principais objetivos da 124a missão com ônibus espacial realizada pela Nasa. O Endeavour deve partir às 22h55 (horário de Brasília), do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, em direção à ISS.
Os meteorologistas prevêem 70 por cento de chances de as condições climáticas serem favoráveis para o lançamento. Se o ônibus espacial for lançado no horário previsto, deve chegar ao espaço no domingo. E os astronautas dariam início a um período de 11 a 12 dias de reformas internas.
Além do reciclador de água, o Endeavour carrega dois pequenos quartos de dormir, a primeira geladeira da estação, um novo aparelho de ginástica e o talvez mais importante item para a crescente tripulação -- um segundo banheiro.
"Com seis pessoas, precisaremos realmente de ter uma casa com dois banheiros. Isso será muito mais conveniente e muito mais eficiente", afirmou a astronauta Sandra Magnus, da Endeavour, que ficará no lugar de Greg Chamitoff na função de engenheiro de vôo da ISS.
Chamitoff mora na estação desde a última missão de ônibus espacial, ocorrida em junho passado.
A Nasa deseja ter certeza que o sistema de reciclagem de água funcionará direito antes de adicionar mais três astronautas à tripulação atual.
A reutilização de água será algo essencial depois de a Nasa aposentar sua frota de ônibus espaciais, que produzem água como subproduto de seus sistemas elétricos. Ao invés de jogar a água para fora das espaçonaves, a Nasa vem transferindo-a para a ISS.
No entanto, os dias dos atuais ônibus espaciais norte-americanos estão contados. Restam apenas dez missões, entre as quais uma última de manutenção do Telescópio Espacial Hubble. A Nasa prepara-se para colocar fim ao programa em 2010.
"Não conseguiremos ficar entregando água o tempo todo para todos os seis tripulantes", afirmou o diretor de vôo da ISS, Ron Spencer. "A reciclagem é algo incontornável".
A Nasa espera processar cerca de 23 litros de água por dia com o novo aparelho. A meta é recuperar cerca de 92 por cento da água presente na urina da tripulação e na umidade do ar.
"A água potável de hoje é o dejeto de ontem", disse Bagdigian.

Especialistas em tecnologia dizem que urna eletrônica não é segura

Magela destaca que hoje não existem instrumentos de fiscalização sobre o processo de votação com urnas eletrônicas.

Especialistas em tecnologia que participaram da audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania nesta terça-feira afirmaram que a urna eletrônica não é segura. Os participantes explicaram aos deputados várias formas de fraude que podem ocorrer durante o processo eleitoral. A maior parte delas não é detectável e não pode ser comprovada. Como o voto não é mais impresso, não há uma forma de refazer a apuração e não há provas materiais da fraude para um eventual processo judicial.

O professor de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (UnB) Pedro Dourado Rezende disse que o modo mais seguro de evitar fraudes é dar ao eleitor a possibilidade de fiscalizar o processo. Para isso, é preciso haver um registro impresso da votação.Pedro Rezende explica as características exigidas em uma eleição.

"O processo eleitoral é avesso à informatização. Por um motivo muito simples: ele exige duas propriedades, duas qualidades, dois objetivos que são antagônicos no virtual - o sigilo para que não seja identificado o eleitor com o voto e a correta soma. [A urna eletrônica] é um sistema que elimina as formas de varejo de fraude, mas ao custo e ao preço de introduzir formas por atacado e invisíveis de fraude, as quais o eleitor e as potenciais vítimas não têm como demonstrar."

Urnas com problemas

Para o diretor da empresa Microbase Tecnologia, Frederico Gregório, "os resultados das eleições feitas apenas com urnas eletrônicas não são confiáveis". A Microbase é a responsável pelo sistema operacional VirtuOS, que foi utilizado em grande parte das urnas eletrônicas brasileiras até a penúltima eleição.

Gregório afirmou que sua empresa foi contratada em 1998 para resolver um problema apresentado pelas urnas. Segundo ele, em 2008 houve uma mudança no sistema operacional, e a falha voltou a acontecer. O diretor da Microbase disse que, nas últimas eleições, aproximadamente 30% das urnas tiveram problema, percentual muito acima do normal, que é de 2% a 3%.

Especialistas e deputados lembraram ainda que o Brasil é o único país que usa apenas a urna eletrônica, sem impressão do voto. A opinião comum é que outras nações receiam eliminar a prova material do voto.

Processo transparente

O presidente da subcomissão especial de Segurança do Voto Eletrônico, deputado Magela (PT-DF), resumiu as propostas que estão sendo analisadas na comissão. "Nós queremos propor que o voto possa ser materializado, ou seja, que tenha um papel para que, caso haja dúvidas dos partidos ou da sociedade, possa ser feita uma recontagem. Além disso, queremos garantir aos partidos políticos e à sociedade como um todo a possibilidade de fiscalizar o processo eleitoral desde o início da elaboração do programa até a divulgação do resultado. Todo o processo tem que ser transparente. Hoje, nós não temos instrumentos de fiscalização nem transparência", ressaltou.

O professor Pedro Rezende criticou o processo de auditoria das urnas. Ele destacou que a fiscalização e o julgamento do processo eleitoral são feitos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou seja, pela própria autoridade que executa as eleições.

Ele recomendou ainda uma forma simples para evitar as fraudes no cadastro dos eleitores. No momento da eleição, bastaria o eleitor ter o dedo pintado com uma tinta que saia dois ou três dias depois da votação. Pedro Rezende acredita que a tinta no dedo é uma forma de os próprios eleitores fiscalizarem uma parte do processo, evitando que um cidadão vote várias vezes.

O deputado Gerson Peres (PP-PA), que sugeriu o debate, informou que a comissão fará mais uma audiência com técnicos da Justiça Eleitoral e depois apresentará sugestões para melhoria do processo eleitoral.

Êita, agora lascou: em encontro internacional de comunistas realizado em SP, propostas para salvar o capitalismo. Se nem os capitalistas conseguem...

Comunistas discutem propostas para "salvar" países da crise do capitalismo
DCI, 25.11.08
SÃO PAULO - A atual crise financeira mundial foi o tema central do 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, realizado entre os dias 21 e 23 de novembro, em São Paulo. Ao final do Encontro foi redigida a "Proclamação de São Paulo" [ OPS!! Cuidado! Muita atenção aqui: não é "Foro de São Paulo", heim? ], na qual ficaram estabelecidas propostas que serão encaminhadas aos 55 governos dos países representados pelos 65 partidos comunistas participantes. Dentre as principais medidas, destacam-se: o estabelecimento de que o ônus da crise não deve recair sobre trabalhadores e países pobres; o dinheiro público não deve ser usado para salvar bancos da bancarrota, mas para manter os mercados que geram empregos e renda; a defesa da soberania internacional e a não-permissão de favorecimento de países desenvolvidos com a alienação de recursos de países emergentes; e o combate ao protecionismo econômico [ !?! ].
O representante do Partido Comunista Americano, Libero Della Piana, afirmou que o Encontro foi muito importante pois, segundo ele, o socialismo é uma forte alternativa para solucionar a crise que "o capitalismo criou e não consegue encerrar". Questionado sobre a influencia da eleição do novo presidente dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, para o movimento comunista, o norte-americano respondeu: "Ele representa duas coisas: primeiro, um reflexo do povo contra o racismo; segundo, a mudança da luta de massas pelo mundo e novas oportunidades. A vitória do Obama traz também novos desafios a que nós teremos de aprender a responder, pois ele não conseguirá fazer nada sozinho. Mas só a vitória dele já representa o fim da política de Bush e novas oportunidades".
O boliviano Marcos Domit, representante do Partido Comunista da Bolívia, ressaltou, por sua vez, que a integração cada vez maior entre os governos da América Latina é essencial para promover políticas de esquerda em todo o mundo. Segundo ele, a boa relação entre Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales, presidentes do Brasil e da Bolívia respectivamente, é muito importante porque mostra que há interesses comuns em todo o continente. "Lula teve uma atitude muito boa porque se opôs às atitudes que os partidos de direita queriam que ele tomasse, por exemplo, quando parte dos bens da Petrobras foram nacionalizados", afirmou Domit. Os reflexos da crise em países desenvolvidos também foi um dos temas amplamente discutidos durante o evento. Ângelo Alves, membro do Partido Comunista Português, acredita que "a Europa vai sofrer exatamente aquilo que os Estados Unidos estão a sofrer. Aliás, os mercados financeiros estão em guerra não só nos Estados Unidos, como nos outros países capitalistas. Há uma situação de recessão mundial." O português alega que a crise já começa a afetar o setor produtivo, como na indústria automobilística. Ele propôs soluções como a priorização de alternativas sociais e a injeção de capitais em áreas que gerem empregos, combatendo uma grave onda de demissões.
O deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT), definiu em poucas palavras o Encontro: "luta por justiça". O deputado fez uma análise diferente das alternativas que os socialistas podem propor como solução à crise:"Entre os comunistas e o que é possível fazer na crise, agora o mundo inteiro sabe que essa crise é uma das crises cíclicas do capitalismo. Existe organização para colocar o socialismo no lugar? Não, não existe. Então, os partidos, digamos, ou os governos de esquerda ou de centro-esquerda, atuem nos parâmetros dessa realidade", disse.
América Latina
Pela primeira vez na história do comunismo um evento internacional é sediado na América Latina, José Reinaldo, secretário-geral do PCdoB, partido responsável pela realização do encontro, disse que o local foi escolhido devido "à grande organização e expressão do PCdoB internacionalmente e à ascensão de governos progressistas na América Latina". A influência dos governos latino-americanos no panorama político mundial foi ressaltada pelos representantes de diversos partidos.
Della Piana mencionou a importância que o Brasil, e principalmente o presidente Lula tem para o movimento comunista. Segundo ele, o Brasil é um país "que superou a escravidão e a ditadura e hoje vem crescendo muito. A influência política do presidente Lula, do PT e também do PC do B, permitiu que o País obtivesse vitórias e mudasse sua dinâmica diante do cenário mundial".

Delegado Saadi confirma a carreira criminosa de Dantas

HORA DO POVO, ed. 2722
O diretor de combate a crimes financeiros da Polícia Federal em São Paulo, delegado Ricardo Saadi, concluiu que “é possível constatar que Daniel Dantas lidera uma organização criminosa”
Ao entregar o novo relatório de 242 páginas à Justiça Federal com as investigações da atuação de Daniel Dantas e do Grupo Opportunity, o delegado Ricardo Saadi, diretor de combate a crimes financeiros da Polícia Federal em São Paulo, avaliou que com tudo que foi analisado “é possível constatar que Daniel Dantas lidera uma organização criminosa”. Segundo o delegado, os crimes do grupo vão desde gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, até formação de quadrilha.
No relatório, o delegado afirma que o Grupo Opportunity cresceu nos anos 1990, quando criou fundos para comprar empresas de telecomunicações, na onda de privatizações do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Durante o processo de privatização das telefônicas e na gestão das empresas arrematadas, houve desvio de recursos das companhias”, afirma o delegado. E ele diz também: “Parte dos recursos da gestão fraudulenta foi lavada através da compra de fazendas e de gado e também por meio de terrenos para a exploração de minério”.
“A organização criminosa liderada por Daniel Dantas usa corrupção e intimidação para alcançar seus objetivos”, prossegue o relatório. Entre os exemplos, o delegado cita o caso em que Dantas é acusado de tentar subornar com US$ 1 milhão um delegado da Polícia Federal com o intuito de barrar a Operação Satiagraha. O banqueiro já está sendo julgado por esta acusação e o veredicto do juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal em São Paulo, deverá sair nos próximos dias.
Segundo Saadi, um dos fundos de Dantas, o Opportunity Fund, está registrado nas Ilhas Cayman e, apesar de ser exclusivo para aplicações de não-residentes no Brasil, foi usado por brasileiros residentes para interiorizar ilegalmente recursos no país. Para Saadi, a explicação é simples: como se pressupõe que o capital estrangeiro já foi tributado em seu país de origem, quando esses recursos são aplicados no Brasil, não podem ser tributados novamente. Para o delegado, esse mecanismo é um dos métodos usados pela quadrilha na “engenharia montada para lavagem de recursos”.
O delegado informa que parte dos recursos da gestão fraudulenta de Dantas foi lavada através da compra de fazendas e de gado e também em terrenos para a exploração de minério. O Opportunity controla, por exemplo, a Agropecuária Santa Bárbara, no Pará, que conta com milhares de alqueires e um milhão de cabeças de gado. Vendas falsa de gado fariam parte da operação.
O delegado Saadi assumiu o inquérito em substituição ao delegado Protógenes Queiroz, que se afastou das investigações para participar de um curso de aperfeiçoamento profissional. De posse do inquérito, o Ministério Público Federal está preparando nova denúncia contra Dantas e seus cúmplices. Na opinião do procurador, Rodrigo De Grandis, só pela acusação de corrupção ativa, Daniel Dantas poderá pegar de 2 a 12 anos de prisão.
As triangulações de Dantas foram detalhadas passo a passo pela PF. Para despistar a fiscalização brasileira, o Opportunity usou offshores para a compra e venda de debêntures de empresas brasileiras. “Um fundo do Opportunity no exterior desejando financiar uma empresa de seu grupo no Brasil, oculta-se perante os órgãos de fiscalização brasileiros, comprando debêntures de sua empresa no Brasil, usando pelo menos dois intermediários”, sintetiza o relatório.
A PF mostra um exemplo. O ponto de partida do dinheiro: uma offshore do grupo de Dantas emprestando dinheiro para outra empresa, a Basen Corporation. O ponto de chegada no Brasil: o próprio Opportunity, via operação com fundos do banco suíço UBS nos Estados Unidos. No documento apreendido pela PF referente à essa operação, há uma preocupação específica de que o Banco Central não identifique a verdadeira origem do dinheiro. O documento frisa que um fundo do UBS nos EUA “desperta menos suspeitas do que um em Cayman”.
A Polícia Federal concluiu que já há provas suficientes para condenar Dantas e seu grupo. Apesar disso, o delegado Saadi informa que as investigações vão continuar. Ele irá ouvir mais pessoas, entre elas investidores brasileiros que enviaram recursos para o exterior por meio de fundos do Banco Opportunity. Pelo menos 60 pessoas físicas e jurídicas que residem ou têm sede no Brasil usaram o fundo. “A existência desses clientes brasileiros foi confirmada através de pesquisas em bancos de dados referentes à Operação Farol da Colina da PF e de laudos elaborados pelo Instituto Nacional de Criminalística a partir de dados encontrados na memória do computador do Opportunity, apreendido durante a Operação Chacal”, informou o delegado.
SÉRGIO CRUZ

"Crise - Verdades e Rumos": Paraná organiza seminário que debaterá crise. Palestrantes de várias partes do mundo já confirmaram presença.

AEN/PR
24/11/2008
Como a crise financeira internacional vai afetar os povos do mundo e os rumos para superá-la são os temas do seminário internacional “Crise – Verdades e Rumos”, que será realizado em Curitiba, de 7 a 11 de dezembro. O evento, proposto pelo governador Roberto Requião, já tem a confirmação de palestrantes de vários países, como economistas, professores e administradores da Itália, Inglaterra, Alemanha, China, Argentina, Venezuela, México, Rússia e Estados Unidos. As inscrições para participação no evento vão ser abertas na sexta-feira (28). Para o governador Roberto Requião, o seminário será uma oportunidade de analisar a crise sob a perspectiva das pessoas, da nação, e propor soluções.
“Queremos um debate não sob a perspectiva do mercado porque os arautos do mercado resolveram agora ser os médicos que vão apresentar a solução para aquilo que eles mesmos causaram, com a sua incorreta condução da política econômica”, defende o governador. “Queremos uma sugestão concreta e viável para uma mudança definitiva, já que o deus mercado provou-se absolutamente ineficaz, criando uma crise de proporções enormes”, destacou.
PARTICIPANTES - A organização do seminário já confirmou a participação de Gromyko Yury (membro da Academia de Ciências da Rússia e diretor do Instituto de Estudos Avançados da Academia), Andrey Kobyakov (economista e especialista em finanças da Universidade Estatal de Moscou, editor-chefe do jornal “Russian Entrepreneur” e do sítio rpmonitor.ru e autor de um livro sobre a decadência do dólar), Mario Lettieri (economista e ex-subsecretário de Economia e Finanças no Governo Romano Prodi (2006-08), responsável pela apresentação de moção por uma “Nova Bretton Woods”)
E ainda: Paolo Raimondi (economista e jornalista italiano, autor da iniciativa por uma “Nova Bretton Woods” no parlamento italiano), Michael Liebig (analista de assuntos estratégicos e editor do sítio Solon-line, na Alemanha), Mario di Constanzo (economista do México), Thomas Palley (Ph.D. em economia e colaborador da Economics for Democratic and Open Societies em Washington, EUA), Andong Zhu, (PHD em Economia e professor do Departamento de Economia da Universidade Tsinghua em Beijing, China), Magnus Ryner, (PHD em Ciência Política, professor de Relações Internacionais na Universidade Oxford, na Inglaterra), José Felix Rivas (diretor do Banco Central da Venezuela), Aldo Ferrer (economista, diretor da Enarsa (Companhia estatal Energia Argentina) e ex-ministro da Economia da Argentina).

Exportações do Paraná para o Mercosul aumentam 52%

24/11/2008
As exportações paranaenses para os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) aumentaram 52% de janeiro a outubro deste ano e chegaram a US$ 2 bilhões, contra US$ 1,343 bilhão no mesmo período de 2007. Já as importações de países do bloco chegaram a US$ 1,409 bilhão, evolução de 51,70%. Com isso, o saldo da balança comercial paranaense atinge US$ 632 milhões. Os números são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Para o secretário estadual da Indústria, do Comércio e Assuntos do Mercosul, Virgílio Moreira Filho, o governo do Paraná teve papel fundamental no aumento das vendas estaduais ao apresentar, durante missões empresariais e rodadas de negócios, as potencialidades do mercado sul-americano para os empresários paranaenses.
Os principais produtos exportados pelo Paraná para o Mercosul foram automóveis, máquinas, aparelhos para colheita, adubos, fertilizantes e tratores. Já os principais produtos importados pelo Estado foram automóveis, caixas de marchas, trigo, feijão, malte não torrado e azeitona.
PAÍSES – Em todos os países do bloco, o Paraná aumentou suas exportações e importações no comparativo de janeiro a outubro. De acordo com Moreira Filho, o Paraguai se destacou na compra de produtos paranaenses. “O país passou de US$ 239 milhões nos primeiros dez meses do ano passado para US$ 462 milhões no mesmo período deste ano, alta de 92,72%”, afirma.
Com a Argentina, o Paraná aumentou suas vendas em 42,12%, atingindo a marca de US$ 1,388 bilhão em dez meses. Já com o Uruguai, a alta foi de 50,52% nas exportações paranaenses para o país (US$ 191 milhões). Em processo de adesão ao Mercosul, a Venezuela comprou do Paraná US$ 19 milhões, de janeiro a outubro deste ano, contra US$ 7 milhões do mesmo período do ano passado (alta de 161,66%).
Para a coordenadora estadual de Assuntos Internacionais e do Mercosul, Maria do Socorro de Oliveira, além de incrementar as relações de comércio exterior com os países do Mercosul, o Paraná trabalha com políticas públicas para unir departamentos, províncias e estados da região do Mercosul. “O Governo do Estado quer intensificar o relacionamento comercial, social e cultural com os países vizinhos. Com transferência tecnológica e educacional, ambos os lados ganham em desenvolvimento e conhecimento”.
ACORDO - Com o protocolo de intenções, assinado pelo governador Roberto Requião e representantes de três países, para a institucionalização da rede latino-americana do projeto “Quatro Motores do Mercosul”, o Conselho de Desenvolvimento do Extremo Sul (Codesul/PR), os departamentos de Alto Paraná (Paraguai) e de Rivera (Uruguai) e a província de Córdoba (Argentina), estarão unidos para atuar em áreas como meio ambiente, economia, cultura e educação.

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