quinta-feira, 23 de junho de 2016

"Sr. Sérgio Moro, o senhor é uma desgraça nacional"




Por Paulo Nogueira

Caro Moro:

Me desculpe a franqueza, mas o senhor é uma desgraça nacional. Simboliza a justiça partidária que tanto mal faz ao país.

O senhor é um antiexemplo. No futuro, quando formos uma sociedade mais avançada, ficará a pergunta: como pudemos tolerar um juiz tão parcial?

Sequer as aparências o senhor respeitou. São abjetas as imagens em que o senhor aparece ao lado de barões da mídia como João Roberto Marinho e de políticos da direita como João Dória.

O senhor tem ideia do que aconteceria na Inglaterra se um juiz com tanto poder como o senhor confraternizasse com caciques da política e da mídia?

Mas o pior não foram as aparências: foram e são os atos práticos.

Como o senhor não se envergonhou de participar dos espetáculos circenses em que o objetivo era criminalizar um e apenas um partido, o PT?

Como o senhor não se envergonhou em passar para a Globo conversas criminosamente gravadas entre Lula e Dilma?

Caro Moro: como o senhor consegue dormir?

Vejamos os fatos destes últimos dias. O senhor e sua Lava Jato foram fulminantes em prender um ex-ministro de Lula e embaraçar o editor de um site que representa um tipo de visão completamente ignorado pelas grandes empresas jornalísticas.

Funcionários da PF, em extravagantes uniformes de camuflagem e fortemente armados, se deixaram também fotografar em frente à sede do PT em São Paulo.

O senhor tem noção do ridículo, do patético disso? Parecia que os policiais estavam indo desbaratar uma célula dos Estados Islâmicos.

Mas, ao mesmo tempo, ficamos todos sabendo que vocês fracassaram miseravelmente não uma, mas duas vezes em intimar a mulher de Eduardo Cunha, Claudia Cruz.

Vocês não sabem sequer onde ela fica para entregar a intimação? Ou o empenho frenético em investigar e atacar um lado é contrabalançado pela negligência obscena em tratar casos ligados ao outro lado?

O senhor tem ideia do desgaste que este tipo de coisa provoca em sua imagem em milhões de brasileiros?

Um homem pode ser medido pelos admiradores que semeia. O senhor é hoje venerado pelo mesmo público que idolatra Bolsonaro: são pessoas essencialmente racistas, homóficas, raivosas, altamente conservadoras e brutalmente desinformadas.

O senhor não combateu, verdadeiramente, a corrupção. O senhor combateu e combate o PT. São duas coisas distintas. Falo isso com a tranquilidade de quem jamais pertenceu ao PT ou teve qualquer vínculo com o partido. Meu pai se elegeu presidente do sindicato dos jornalistas de SP, no começo dos anos 1980, numa disputa épica contra o representante do PT, Rui Falcão. Jamais superei certas mágoas do PT até porque meu pai era meu norte e meu sul, meu leste e meu oeste.

Não fossem os delatores, as roubalheiras de gente como Aécio, Temer e Jucá prmaneceriam desconhecidas e intocadas.

Não fossem as autoridades suíças, as contas secretas que finalmente liquidaram a maior vocação corrupta das últimas décadas no Brasil não seriam conhecidas, e Eduardo Cunha continuaria a cometer seus crimes.

Caro Moro: o senhor há de ter o mesmo destino de um homem que teve um papel igual ao seu na política brasileira, Joaquim Barbosa.

A mídia o usou e espremeu ao máximo, e depois o descartou. JB não é nota sequer de rodapé dos jornais e revistas. Não é ouvido para nada.

O senhor, como JB no Mensalão, está tendo seus dias de Cinderela, porque é útil à plutocracia. Mas Gata Borralheira sempre ronda a Cinderela, como o senhor sabe.

Sinceramente.

Paulo


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Senador Requião expõe a manipulação e diz que prisão de Bernardo foi para influenciar na queda da Dilma



Requião: “Invasão foi espetáculo para influenciar no impeachment de Dilma”

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) classificou como show midiático da PF a invasão da casa da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), nesta quinta (23), com o objetivo de influenciar o impeachment no Senado. Abaixo, assista ao vídeo:


Adversário do ex-ministro Paulo Bernardo, o senador Requião afirmou que é a favor das investigações da Lava Jato. “Mas não sou cego, foram medidas espalhafatosas para influenciar no impeachment da presidente Dilma Rousseff“.

Em entrevista ao site “Os Divergentes”, o parlamentar considerou a prisão e invasão da casa da senadora, assim como da própria sede do PT, “não tem o menor cabimento”.

Requião avaliou como “despropositadas, ilegais e desnecessárias” as invasões depois de 3 anos da Lava Jato.


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Lava Jato blinda PMDB e tenta destruir o PT, diz cientista político



Roberto Amaral, ex-presidente nacional do PSB, lembra a diferença no tratamento concedido a Delcídio do Amaral e a Eduardo Cunha

Após a prisão do ex-ministro Paulo Bernardo (PT), o cientista político Roberto Amaral afirmou que a Operação Lava Jato está sendo usada politicamente para destruir o PT: “A Lava Jato tem méritos. Ninguém é contra que criminosos de colarinho branco sejam mandados para a cadeia. Mas a Lava Jato está sendo usada como um projeto político eleitoral para destruir Lula e desmantelar o PT”.

Segundo Amaral, “há uma evidente blindagem do PMDB e uma clara tentativa de atingir o PT”: “O exemplo mais claro foi a condução coercitiva do ex-presidente Lula. Não tenho notícia de que algo semelhante tenha sido feito com outros presidentes”.

Ele lembra o caso da prisão do então senador Delcídio do Amaral, que na época era líder do governo Dilma Rousseff: “Delcídio foi preso no exercício de seu mandato, e não se tratava de flagrante delito. O tratamento em relação ao Delcídio é bem diferente do que tem sido concedido a Eduardo Cunha. Outro exemplo: o delator Sérgio Machado está em prisão domiciliar em seu palacete em Fortaleza”.

O ex-presidente nacional do PSB e ex-ministro da Ciência e Tecnologia afirma ainda que “certas medidas do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal são antecipadas ou adiadas para interferir no julgamento do processo de impeachment” de Dilma: “Esperaram meses para afastar Eduardo Cunha. Ele só foi afastado pelo STF depois que conduziu a votação do impeachment. E a delação premiada de Sérgio Machado só foi divulgada depois que o Senado afastou Dilma. São muitas coincidências”.

O secretário de comunicação do Diretório Municipal do PT em São Paulo, João Bravin, também estranhou a ação da PF: “Mais uma vez é uma ação seletiva da Polícia Federal contra um partido político que não se negou em participar ou colaborar com investigações. A cada semana temos um ministro desse partido golpista saindo do governo e ninguém vai na casa desses ex-ministros que têm [nome citado em] delação, nem coercitivamente. Isso é um absurdo, uma perseguição seletiva”.

Desde que a Lava Jato teve início, vários políticos ligados ao PT foram presos pela operação e por seus desdobramentos. Além de Delcídio do Amaral, foram detidos os ex-deputados José Dirceu e André Vargas, o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto e o ex-secretário-geral Silvio Pereira. Ex-deputados federais de outras siglas, como Luiz Argolo (SD) e Pedro Corrêa (PP), também foram presos. Mas nas nenhum peemedebista de relevo foi detido em razão da Lava Jato.

Os peemedebistas, porém, já foram alvo de outras operações. Em maio de 2014, por exemplo, o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB-MT), foi preso pela PF na Operação Ararath, que investigava o desvio de recursos no Estado por meio a utilização de sistema financeiro clandestino. E, em 2013, o deputado federal Natan Donadon ( PMDB-RO ) foi preso após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal por peculato e formação de quadrilha.

Dos integrantes da cúpula do partido, somente o senador Jader Barbalho (PA) chegou a ser detido em 2002, depois de ter renunciado ao mandato de senador, em uma investigação sobre irregularidades na Sudam. Libertado, ele foi eleito deputado federal em outubro daquele ano.


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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Impeachment de Collor e Dilma, por Jasson de Oliveira Andrade



Tivemos dois impeachments no Brasil o de Collor e o de Dilma. Um completamente diferente do outro. É o que vamos ver a seguir.

Collor foi cassado por corrupção, liderada pelo seu tesoureiro PC Farias. Dilma por pedaladas. No dia 29/9/1992, a Câmara Federal aprovou o impeachment do presidente Collor por 441 votos contra 38. Houve uma abstenção e 23 ausências. Já no dia 17 de abril de 2016, Dilma foi cassada pela Câmara por 367 votos contra 137. Tivemos apenas 7 abstenção e 2 ausentes. Collor foi substituído por Itamar Franco, seu Vice, que teve apoio de todos. Dilma foi substituída por Michel Temer, que teve apoio da oposição e do Centrão. Mas foi também hostilizado, sendo mesmo considerado um traidor e golpista. 

Se o governo Itamar não teve problemas para governar, o de Temer, ao contrário, está tendo muitos problemas. Em pouco mais de mês, já teve três ministros demitidos e outros acusados de corrupção, inclusive o próprio presidente interino. Itamar não teve manifestação contra. O mesmo não ocorre com Temer. Por onde anda há manifestação contrária a ele. 

Itamar revelou Fernando Henrique Cardoso, que depois se elegeu presidente da República. O Salvador da Pátria de Temer é Henrique Meirelles, Ministro da Fazenda. 

Collor adotou uma política econômica duríssima: o confisco das cadernetas de poupança. A então Ministra Zélia Cardoso de Mello fez essa incrível confissão, conforme consta no livro de Fernando Sabino, “Zélia, uma paixão”, à página 131: “ Lembrava-se, mortificada (sic), de uma conversa que tivera com o Presidente a respeito das consequências que adviriam [do confisco]: Presidente, o senhor – já então o chamava assim – está absolutamente seguro sobre o que vai fazer? Está ciente de que muita gente vai padecer e mesmo morrer (sic) em consequência do nosso programa? Sabe que há gente que morrerá porque seu dinheiro estará broqueado e por isso não vai ter atendimento médico? Que muitos não terão dinheiro sequer para comer? Que haverá sofrimento de toda ordem? O senhor tem consciência disso?” 

Posteriormente, em entrevista, Collor se arrependeu do programa, mas o mal já estava feito! Dilma, com Levy e Temer, com Meirelles, também têm uma política econômica (ajuste fiscal), que poderá ser muito forte. Levy falhou. E Meirelles? A ver...

Um fato estranho até hoje é um mistério. Em 23/6/1996, há 20 anos, PC Farias foi assassinado. Na época, se dizia que a namorada dele o havia matado e depois se suicidou. Hoje essa hipótese está descartada. Em 10/5/2013, o Júri concluiu que PC Farias e sua namorada foram assassinados, porém, não apontou a autoria dos homicídios. Teria sido “queima de arquivo”? Mistério...

Os oito anos de suspensão dos direitos políticos de Collor já se expiraram e em 2010 ele se elegeu senador, com mandato até 2018. 

E Temer? Ultimamente teve dificuldade com as urnas. Em meu recente livro “Defensores da Ditadura Militar Estão na Contramão da História e outros textos”, à página 191, escrevi: “Outra votação decepcionante: Michel Temer, presidente nacional do PMDB. Em 2002, ele foi o mais votado deste partido com 252.208 votos. Agora [2006], 99.046 votos, sendo o terceiro e último deputado federal do PMDB, e corre sério risco de perder a vaga”. Não perdeu, mas sua votação, como escrevi ,foi decepcionante. Em 2010, recuperou-se quando se elegeu vice da presidenta Dilma e em 2014, se reelegeu com a presidenta. Mesmo assim a traiu, tramando, com Cunha, a sua cassação! Esta traição é golpe! A grande diferença entre o impeachment de Collor com o de Dilma foi justamente essa traição. O mesmo não aconteceu com Itamar: ele jamais tramou contra Collor!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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O "cidadão de bem", esse reconhecido ladrão de espaço público.


OPINIÃO – QUEM SÃO OS REAIS INVASORES DO ESPAÇO PÚBLICO?

A pessoa que construiu essa calçada é, essencialmente, um canalha, um bandido que ainda não foi pego pela lei, mas ainda assim um bandido

Quem anda na cidade tendo que desviar de inúmeros obstáculos e às vezes se lançar ao asfalto para poder seguir seu caminho sabe bem: os espaços públicos de convivência ou mobilidade de nossas cidades há muitos anos vêm sendo privatizados. Este uso privado do que é público não nos é danoso pelo fato de cada vez mais pessoas usarem determinado equipamento ou espaço, e sim porque há quem se sinta no direito de invadi-lo, apropriar-se do mesmo e distorcê-lo permanentemente em seu próprio e exclusivo benefício. A lógica perversa do Estado, no entanto, faz vista grossa em muitos destes casos [ sic! ], mas age com rigor desproporcional em outros.

As investidas das fiscalizações municipal ou estadual nos espaços públicos, muitas vezes de caráter midiático e higienista, recaem com frequência sobre o comércio ambulante informal e os moradores de rua. Mas poucos se atentam aos verdadeiros saqueadores urbanos.

Ninguém parece notar os muros e fachadas de edificações residenciais ou comerciais que avançam sobre o passeio, que deveria ser livre. Mesas e cadeiras de bares e restaurantes obstruem totalmente o fluxo de pessoas, mas são toleradas. E a maior transformação dos espaços de mobilidade de quem se locomove a pé, as calçadas, ocorreu silenciosamente nas últimas décadas: a privatização dos trechos em frente aos lotes de casas e comércios. Esses locais se tornaram acessos prioritários, quase exclusivos, de veículos motorizados aos lotes, onde seus proprietários se viram no direito de colocar degraus, rebaixar guias, colocar pisos inadequados — infringindo leis municipais que exigem um calçamento com uma inclinação transversal constante e superfície regular, firme, contínua e antiderrapante sob qualquer condição — apenas para ter um melhor acesso às suas garagens.

Essa desproporcionalidade é injusta e, além de tudo, não garante nada em termos de conforto e segurança às pessoas que se locomovem a pé na cidade, inclusive porque tolhe o direito à circulação e permanência aos cidadãos que vivem nas ruas. Por isso é importante ressaltar que pessoas em situação de rua têm tanto direito de usufruir do espaço público como qualquer outro indivíduo, com a única diferença de não possuírem CEP ou pagarem IPTU. E essa condição não os torna menos cidadãos nem justifica suprimir seus direitos. Porém, nossa sociedade tornou-se permissiva com as violações praticadas por aqueles que têm posses, poder aquisitivo e situação privilegiada, e repressiva quando se trata das necessidades ou direitos das camadas menos favorecidas social e economicamente. Qual será a origem da cumplicidade do poder público e seus órgãos fiscalizadores (e repressores) com os verdadeiros usurpadores do espaço? Por que há desproporcional rigidez (violência) com aqueles que SÓ têm o espaço público?

Se o ativismo em prol da mobilidade ativa e mesmo as administrações públicas adotam o discurso das “cidades para pessoas”, devemos sempre ter no horizonte os mais variados tipos de pessoas e usos possíveis da cidade. É muito perigoso cair na tentação de defender uma cidade com mobilidade exemplar, porém homogênea e asséptica. Essa não é a nossa realidade e não é nesse paradigma que vamos nos espelhar. Cada vez que falamos em cidades para pessoas, devemos responder à mesma pergunta: “Para quais pessoas?!” Se não for para todas, é porque estamos entrando novamente no caminho viciado da cidade excludente.

Cidades devem ser lugares abertos, democráticos, de permanência e encontro, diversidade e inclusão. O contrário disso não é uma cidade, é um clube privado ou um grande condomínio fechado.


Autores: Ana Carolina Nunes, Andrew Oliveira e Du Dias



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Crença dos coxinhas em aumento do feijão "graças a doação a Cuba" faz explodir preço de capim, feno e alfafa no Brasil


Governo informa que país terá que começar a importar produtos, porque a demanda explodiu nas últimas semanas e o mercado negro já não está dando conta.

Um dos sites mais essenciais do Brasil, o E-Farsas desmascarou rapidinho o boato. Mas isso não impede que ainda tenha gente acreditando - ou "acreditando" - na história de que uma doação humanitária de 600 toneladas de feijão a Cuba tenha feito disparar o preço do grão no Brasil. Infelizmente os rumores são difundidos com muito mais velocidade, alcance e eficiência que a verdade. Até porque quem dissemina essas histórias falsas geralmente sabe que se trata de mentiras. Divulgam esses fakes EXATAMENTE por saberem que se trata de mentiras ( essa do feijão é bem mequetrefe e malfeita, por sinal ), já que são pessoas sem o menor escrúpulo.
Histórias fakes como essa são comumente originadas em sites como o "Folha Centro Sul", "Diário do Poder", "Folha Política", etc cuja existência se resume apenas a difamar petistas e/ou esquerdistas em geral.
Os sites de "caça-boatos" como o E-Farsas e o Boatos.Org não podem reclamar, já que são essas pessoas lamentáveis que garantem seu sustento e o leitinho das crianças. Além de tudo, "apesar da crise", pelo menos para eles não falta trabalho.


O jornalista das Organizações Globo Alexandre Garcia acreditou - ou "acreditou" - que o Brasil formaria um estoque regulador de apenas 600 toneladas [ reprodução acima ]. Se se desse o trabalho de consultar os arquivos do site da revista Globo Rural - sim, das mesmas Organizações Globo - ficaria sabendo que estoque regulador no Brasil precisa ser na base de milhares - vejam bem, 'MILHARES" - de toneladas [ imagem abaixo ]. Logo, não tem essa de doar "nosso estoque regulador", como afirmava o boato [ veja acima ]. Essencialmente, um "estoque regulador" que possa ser chamado assim precisa ser de milhares de toneladas.


LEIA:




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Citado dezoito vezes na Lava Jato: filho do maior delator do País entrega esquema de advogado "anticorrupção" que agrediu verbalmente petista em restaurante


Protagonista de uma cena de agressão a um político petista, o advogado Danilo Amaral aparece 18 vezes na delação premiada da família Machado. Amaral, que hostilizou Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde de Dilma Rousseff, numa churrascaria em São Paulo, é sócio da Trindade, “butique de investimentos” que recebeu 30 milhões de reais do esquema do petrolão. Segundo delação premiada de Expedito Machado, o Did, filho caçula do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, a Trindade, que aparece 65 vezes na delação, foi usada para lavar dinheiro do petrolão ( leia o volume 1 e o volume 2 da delação).

A cena da agressão a Padilha, em maio de 2015, foi gravada por um dos amigos de Amaral, sentado a uma mesa vizinha à do petista, e rapidamente se espalhou pelas redes sociais.

“Temos a ilustre presença do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, que nos brindou com o programa Mais Médicos, da presidente Dilma Rousseff, responsável por gastos de 1 bilhão de reais que nós todos otários pagamos até hoje. Uma salva de palmas para o ministro”, disse Amaral, em pé, segurando um copo no qual batia um talher para chamar a atenção dos presentes. A performance lhe rendeu breve fama nos dias subsequentes, com sua trajetória de empresário contada em sites de notícias.

A Trindade Investimentos começou a ser usada para receber os recursos ilícitos depois que as empreiteiras, donas de contratos com a Transpetro, resolveram não pagar propina no exterior nem em espécie. “Foi uma forma que o depoente encontrou à época para receber valores decorrentes de vantagens ilícitas de fornecedores da Transpetro com os quais seu pai estava tendo dificuldade no recebimento”, diz a delação de Did, responsável por operar o esquema de lavagem do dinheiro do pai.

Segundo Did, a Queiroz Galvão entregou à Trindade 30 milhões de reais via contratos de prestação de serviços entre 2010 e 2013. Os contratos, obviamente, só existiram após a intermediação dos Machado e foram pagos com valores acima dos de mercado (um dos objetos seria um estudo técnico sobre “ativos de ferro-gusa”, o que não parecia ser a especialidade da “butique de investimentos”). O dinheiro aportado na Trindade seria reinvestido em empresas de tecnologia, e o retorno encaminhado a Did, limpo. Segundo o delator, nenhum dos investimentos deu lucro. Ele, portanto, teria perdido o montante enviado à “butique de investimentos”, da qual diz não ser sócio oculto.

“O depoente engendrou, então, esquema pelo qual aparentaria, para uma empresa, funcionar como intermediário financeiro e/ou captador de negócios, mas o que em verdade faria é orientar as empresas devedoras da propina a alocar, com cobertura em contrato legítimo de prestação de algum serviço, os valores correlatos na empresa com que o depoente houvesse entrado em acordo”, diz a delação de Did, na qual ele explica o esquema criado para repassar a propina à Trindade. “O depoente acordava, então, com a empresa que seria contratada pela empreiteira que certa parcela dos valores assim alocados seria investida em participações societárias ou empreendimentos imobiliários, com devolução ao depoente, a termo, do saldo do principal.”

Did também ajudou a Trindade com um contrato de opção de compra de 25% da Pollydutos, empresa fornecedora da Transpetro. Essa opção nunca teria sido exercida, e o contrato foi desfeito. Uma linha de investigação é saber se a família Machado pretendia se tornar (ou se tornou) sócia oculta da Pollydutos, fornecedora da empresa dirigida pelo próprio Sérgio Machado. Outra ajuda que Did deu para o amigo Amaral foi em 2014, quando auxiliou na venda de um dos ativos de sua empresa para Luiz Maramaldo, acionista da NM Engenharia. O dinheiro investido na Trindade, a pedido de Did, seria um “saldo” que Machado pai teria a receber da NM Engenharia.

Amaral foi apresentado a Did por Sérgio Firmeza Machado, filho do meio de Sérgio Machado, ex-executivo do Credit Suisse e considerado o mentor das engrenagens financeiras promovidas pela família. Amaral também é citado na delação de Serginho, outro que investiu recursos na Trindade.

Assim como afirma sobre os terceiros citados em sua delação, Did diz que Amaral não sabia que os recursos tinham origem ilícita. “Gostaria de destacar que Danilo Amaral, fundador da Trindade, sempre agiu de boa-fé; que jamais fez qualquer menção a ele sobre o papel do seu pai nos negócios que originou; que ele via o depoente como uma pessoa com todos os requisitos para originar bons negócios”, diz Did na delação. Ele conta ainda que Amaral teria ficado “extremamente desconfortável” quando Machado pai apareceu na Lava Jato. “Que na ocasião, constrangido e em conversas bastante duras, lhe foi esclarecido que ele tinha presumido errado e que os negócios tinham sido originados com base na influência do pai do depoente.”

Amaral presidiu a BRA, empresa de transporte aéreo, foi entusiasta de grupos defensores do impeachment, como Movimento Brasil Livre, e vestiu uma camiseta de Friedrich Hayek – economista austríaco defensor do liberalismo – para ir às manifestações contra Dilma, durante as quais, é claro, se mostrou indignado com a corrupção.


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terça-feira, 21 de junho de 2016

A obsolência programada de Sérgio Moro explica seu sumiço. Barbosão já passou por isso.



Moro sumiu.

Ou melhor: foi sumido.

Como as pesquisas do Datafolha e do Ibope, tão frequentes na desestabilização do segundo mandato de Dilma, Moro saiu do ar.

Ou, de novo: foi saído.

Você tira duas conclusões daí:

1) Moro, sem o circo da mídia, não é nada. A mesma coisa aconteceu com Joaquim Barbosa, hoje reduzido a um tuiteiro que tenta ganhar a vida com palestras.

2) Para despertar interesse da imprensa, a Lava Jato tem que mirar em Lula, Dilma e no PT em geral. Delações como as de Sérgio Machado são tratadas como assunto de segunda ou terceira classe pelos coroneis da mídia e seus fâmulos.

Moro e a Lava Jato têm apenas um propósito, para a plutocracia e sua voz, a imprensa: minar o PT. Se possível, exterminar.

Por circunstâncias que escaparam ao controle dos golpistas, as delações — sobretudo as de Machado — fugiram dos suspeitos de sempre, os petistas. Coisas infinitamente menos pueris que pedalinhos apareceram no caminho, mas foram previsivelmente subestimadas ou mesmo ignoradas por jornais e revistas.

Está claro que, fora do mundo de fantasia criado pelos plutocratas, o partido menos corrupto entre os grandes que estão aí é exatamente o PT.

Os demais, a começar pelo PSDB, puderam roubar com a voluptuosidade típica dos ladrões que sabem que não sofrerão castigo.

Mas não foi para demonstrar isso que a imprensa inflou Moro e a Lava Jato.

A não ser que forneçam novos panelinhos para os Marinhos e congêneres, Moro e os delegados da PF receberão o mesmo tratamento dispensado a Joaquim Barbosa: o esquecimento glacial.


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O problema da Lava Jato são os pássaros que ela ( deliberadamente? ) deixou de fora



A Lava Jato, suas escolhas, efeitos e defeitos, e o Sistema corrupto




Nas manchetes, mais quatro ministros e escândalos ou tramoias: Padilha, Mendoncinha, Torquato e Kassab.

Temer, Sarney e Jucá, já delatados por Sergio Machado. Eduardo Cunha e Renan, réus. Agripino Maia e Paulinho da Força, réus.

Serra, citado na OAS. Aécio, delatado. Campanha de Marina, citada. Governo FHC citado, delatado...

O problema da Lava Jato não é o que a Operação pegou. Ótimo que pegou. Problema, grave, é o que deixou de pegar no tempo adequado.

A tomografia do Sistema político apodrecido, a empreiteiragem como propinoduto do Sistema todo, sempre esteve ao alcance, nas mãos da Lava Jato.

Quase tudo, cansamos de dizer aqui, tinha, tem DNA inscrito nos computadores e/ou documentos das empreiteiras. Que não operavam apenas na Petrobras, óbvio.

Dezenas de delatores sabem muito mais do que entregaram. Se cobrados, se permitido que revelassem, o que agora explode estaria exposto há dois, três anos.

Cerveró denunciando "o escândalo Braskem no governo Fernando Henrique", e seu espanto ao ser convidado a mudar de assunto, já é um clássico destas "escolhas".

( Link a seguir, a partir dos 10 minutos )

A estratégia da Lava Jato foi clara. Pegar inicialmente PT, governo e aliados. Perfeito, do ponto de vista dos envolvidos na Operação, mas muito pouco...

Os fatos demonstram isso claramente...

Essa estratégia produziu defeito sociopolítico brutal: retardou a percepção da expansão da podridão.

Maquiou, mascarou a dimensão do Sistema.

E milhões foram às ruas. Muitos, com justas razões. Muitos, não tendo como saber, ignorando o beabá.

Muitos, comandados por "Movimentos" que são o que há de pior.

Outros, sabendo de tudo. Insuflando ódios para desviar atenções e esconder intenções.

Enquanto se elegia PT & Cia como única e grande quadrilha, réus e suspeitos agiam à luz do dia. Ocupavam manchetes, votavam o que queriam... e tomaram o Poder.

Frágil o argumento do "não investigar porque já prescreveu". Saber o que prescreveu ou não exigiria perguntar, ouvir, encaminhar para novas investigações.

E, em tempos de tanto vazamento, nunca é demais lembrar: para a imprensa, para a Mídia, a História não prescreve.





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segunda-feira, 20 de junho de 2016

CADÊ AS PANELAS? - PSDB comanda CPI para investigar PSDB. Em SP é assim que a coisa funciona.



Em São Paulo, o PSDB é que manda na Comissão Parlamentar de Inquérito da Merenda, que deveria apurar desvio de verbas do governo tucano. Oito dos nove parlamentares que compõem a CPI são de partidos da base, aliados de Alckmin e do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), Fernando Capez (PSDB), um dos que deveriam ser investigados na CPI. Apenas o deputado Alencar Santana (PT) faz parte da comissão e é da oposição. A presidência e a vice-presidência ainda serão definidas entre os membros da comissão que terá duração de 120 dias.

A CPI tem como origem a Operação Alba Branca, deflagrada em janeiro deste ano e que revelou um grande esquema de desvio de verbas da merenda escolar por políticos do PSDB. A primeira denúncia desta operação foi de que o governo teria assinado contrato de R$ 12 milhões apenas para o fornecimento de suco de laranja, com a cooperativa Coaf.

A dominação da base aliada é a garantia para os tucanos de que não haverá nenhuma investigação de fato. A CPI da Merenda foi criada logo após uma ocupação dos estudantes secundaristas da ALESP, mas pelo jeito, sem a mesma pressão, ela servirá apenas para a demagogia tucana.


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Só Dilma salva a Lava Jato. Por Alex Solnik



Não é possível entender o que está acontecendo no Brasil a partir de uma discussão ideológica: se houve ou não houve golpe.

Essa gente capitaneada por Temer e Cunha que chegou ao poder não tem ideologia nenhuma a não ser a do dinheiro.

A ideologia que conhecem é fazer fortuna com o dinheiro do estado brasileiro. Sempre foi assim. Vejam o exemplo do decano José Sarney.

Aos 86 anos, 60 dos quais dedicados à política está muitas vezes milionário, sem até agora fornecer qualquer explicação de como isso ocorreu. Sabe-se, no entanto, que o então presidente da Petrobrás no governo FHC, Joel Rennó, era assíduo frequentador de sua mansão e sua família comanda uma das grandes redes de postos de gasolina do país – além de retransmissoras da TV Globo e de outros negócios herdados por seus filhos.

Outro campeão do mesmo esporte, Orestes Quércia, morreu deixando uma herança de bilhões de reais tendo sido a vida inteira político profissional. Seu sucessor na presidência do PMDB é Temer. Dá para imaginar que ele tenha chegado a esse posto sem rezar na mesma bíblia do antecessor?

Nem Sarney, nem Quércia, nem todos os demais – não esqueçamos de Paulo Maluf, ACM, a lista é imensa – jamais foram incomodados para valer pela Justiça. (Ainda hoje, também já octagenário, Maluf continua dizendo que jamais teve conta na Suíça, embora não viaje mais ao exterior como sempre fez, por suspeitar que a Interpol se oponha e faça com ele o mesmo que foi feito com José Maria Marin, por coincidência seu sucessor, por dez meses, no governo paulista ainda no tempo da ditadura militar.)

Contra os que deram mais bandeira foram abertos inquéritos que rolam no STF há muitos anos, sem chegarem aos finalmente. O senador Valdir Raupp, por exemplo, que já foi vice de Temer no PMDB, citado na Lava Jato, responde a um desvio de 167 milhões de dólares do Banco Mundial desde quando era governador de Rondônia (de 1995 a 1999).

O STF sempre foi e continua sendo um refúgio seguro, à prova de intempéries.

De repente, a Lava Jato nasceu. No governo Dilma. E a Lava Jato inovou ao enjaular grandes empresários que tinham negócios com a Petrobrás e ao lhes oferecer uma forma de sair da cadeia: a delação.

E ela não fez nada para barrá-la, por um motivo singelo: tinha certeza de que ela não estava no rolo. Se outros estavam – inclusive petistas – não importava para ela.

A turma do PMDB e seus aliados de partidos satélites enxergaram aí um perigo real. A Lava Jato, como diz o nome, era mais rápida e mais atuante que o STF. E eles não tinham nenhuma relação com os jovens procuradores.

Pela primeira vez em dezenas de anos as suas operações secretas e muito bem camufladas poderiam vir à tona, denunciadas por empresários que não tinham o STF para abrigá-los, com o que eles poderiam perder tudo, ou boa parte do que amealharam, e assim comprometer o seu presente e o futuro dos seus filhos e netos.

Alguma coisa precisava ser feita.

De onde surgiu a iniciativa de pôr fim a essa ameaça? Da fértil imaginação de Eduardo Cunha, por coincidência aquele que mais tinha a perder com a Lava Jato, como até os suíços demonstraram - com precisão suíça.

Por que governos anteriores não foram incomodados pela maioria que vive assaltando os cofres públicos apesar de Fernando Henrique e Lula terem cometido as mesmas "pedaladas" que ela? Porque não havia Lava Jato. Não era necessário inventar pretextos. Sob FHC e sob Lula essa maioria podia agir livremente como sempre agiu. À luz do dia.

Mas quando a Lava Jato chegou com tudo e Dilma não fez o menor esforço para freá-la, muito ao contrário, a estimulou, um plano foi colocado em ação, com duas etapas: primeiro derrubar Dilma, depois derrubar a Lava Jato. Por questão de sobrevivência, não de ideologia, embora, para confundir a opinião pública, que é, na maioria, conservadora, foi criada a narrativa de que era urgente exterminar a petista por ser uma perigosa agente comunista que desejava transformar o Brasil numa nova Venezuela.

A tese do "perigo externo" foi decisiva para convencer a classe média a ocupar a Avenida Paulista para derrotar os "vermelhos" a fim de pressionar a maioria parlamentar.

Inventou-se esse pretexto mequetrefe – pedaladas fiscais – que só deu certo porque qualquer coisa servia para afastar o "perigo vermelho" do Planalto e era do interesse da maioria parlamentar tirar Dilma a fórceps, o quanto antes. Antes que a Lava Jato chegasse neles.

Temer chegou ao poder afrontando os que achavam que ele queria derrubar a corrupção. Formou um ministério de suspeitos e quase réus e fechou o órgão – Controladoria Geral da União - que os fiscalizava. A frase que o marcou foi "eu sei tratar com bandidos", talvez se referindo ao período em que, à frente da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo teve que se ver frente a frente com o rei do jogo do bicho, Ivo Noal e com notórios contrabandistas, dando a entender que isso o qualificava para ser presidente da República.

Agora que Dilma está fora, o grupo majoritário trabalha sofregamente, noite e dia, para acabar definitivamente com ela e com a Lava Jato. Ou seja, age decididamente no intuito de obstruir a Justiça. Mas o STF não vê.

Não optou pelo caminho mais óbvio e também mais visível – trocar o chefe da Polícia Federal, por exemplo – para a obstrução não ficar na cara e assim seus líderes se arriscarem a serem presos, pois obstruir a Justiça dá cadeia na certa. (Roubar os cofres públicos, não.)

A estratégia, mais sutil, mais subterrânea – e ao mesmo tempo "legal" - foi explicitada claramente nos grampos do delator Sérgio Machado, nos quais os caciques do PMDB discutem, preocupados, de que forma podem manipular a maioria parlamentar para aprovar legislação que enfraqueça os efeitos da Lava Jato.

Em reação a esse ataque em curso, os procuradores da Lava Jato, unidos ao Procurador Geral da República travam uma batalha de vida ou morte com o governo Temer.

Não só derrubam seus ministros, na maioria com imensos telhados de vidro (ou de petróleo), como também aproximam a guilhotina do seu pescoço.

Além de contar com a maioria obtida por Cunha na Câmara e por Renan no Senado, sabe-se lá por meio de quais métodos obscuros, Temer também utiliza seus ministros nessa cruzada.

Há alguns dias seu principal colaborador, Eliseu Padilha (conhecido por Eliseu Quadrilha, talvez por ser adepto de festas juninas) afirmou claramente para empresários do Lide, instituição comandada por um dos brasileiros envolvidos no escândalo "Panamá Papers", João 'Dólar Jr'. que está na hora de acabar com a Lava Jato.

Uma coisa é certa. Temer vai tentar convencer a opinião pública de que o mal maior – o governo petista – foi afastado e que agora o país tem que sair da recessão e que a Lava Jato atrapalha a retomada do crescimento. E vai usar todos os meios legais e ilegais para alcançar seu objetivo. (Como orador, já se viu, não convence nem seu filho de sete anos.)

Na verdade, a Lava Jato atrapalha os seus movimentos e os de seu grupo na preservação e crescimento de suas fortunas.

Os procuradores da Lava Jato começam a perceber que a operação só vai sobreviver se Dilma voltar.


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sábado, 18 de junho de 2016

Maior delator do Brasil atropela omertá da imprensa brasileira e sentencia: "Fui dez anos do PSDB. Não sobra um"



A maior revelação das delações: o PSDB é um partido visceralmente corrupto.


A maior revelação das delações é a seguinte: ao contrário do que a imprensa tentou sempre vender aos brasileiros, o PSDB é um partido visceralmente corrupto.

Corrupto e demagógico. O demagogo é aquele que prega o que não faz. O PSDB viveu nos últimos anos condenando a corrupção à luz do sol e, na penumbra, praticando-a freneticamente, com a voracidade de quem sabe que a impunidade está garantida.

Todo mundo sempre soube que o PMDB é um clube de batedores de carteiras. Você vê Sarney na sua frente e automaticamente leva as mãos para os bolsos para proteger sua carteira.

Mas, graças à parceria que sempre teve com a mídia, o PSDB era tido por muitos inocentes úteis como um reduto de homens puros.

Essa mentira histórica ruiu espetacularmente, e é um dos grandes ganhos da crise política que tomou o país.

O que aconteceu com o PSDB, simplesmente, é que a imprensa não publicou sua roubalheira.

A frase que simboliza isso foi pronunciada pelo delator Sérgio Machado: “Fui dez anos do PSDB. Não sobra um.”

Isso poderia estar gravado no túmulo tucano: “Não sobra um”. No jazigo pessoal de Aécio, o epitáfio poderia ser outra frase de Machado: “Todo mundo conhecia seu esquema”.

Uma informação do delator Cerveró pode ser o epitáfio de FHC: “Foi o campeão das propinas”.

O benefício do desmascaramento tucano é imenso para a sociedade. Imagine se o mesmo tivesse ocorrido com a UDN na campanha contra Getúlio. O trabalho sujo de desestabilização contra Jango à base do “combate à corrupção” teria sido abortado.

Nunca mais a plutocracia conseguirá ludibriar os brasileiros com a falácia da corrupção. Ficou claro que ela é a própria essência da corrupção.

Talvez então o país possa debater com profundidade o que é realmente o câncer nacional: a desigualdade.


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sexta-feira, 17 de junho de 2016

MISTÉRIO: Por quê a imprensa brasileira não enfatiza quem bancou o poder de Eduardo Cunha?


Como Cunha se tornou tão poderoso? Pergunte para Samsung, Mitsui, Toyo Setal, Lusitânia Group, Carioca Engenharia, Engevix, OAS…

Por LUIZ FLAVIO GOMES

Aposto R$ 1 que ninguém sabe os nomes dos corruptores de Eduardo Cunha (ou, pelo menos, de todos os seus corruptores). Sabemos das estrepolias do Cunha e de sua mulher, das suas contas, dos seus gastos etc. Mas muito pouco sobre os detalhes dos atos dos corruptores, os que pagaram propinas. Por que isso acontece? Nossa repulsa não deveria alcançar os dois polos da corrupção? Da cena do crime, no entanto, a mídia financista elimina (sempre que as instituições e os costumes permitem) o corruptor poderoso. Por quê?

Nos países extrativistas onde a concentração da riqueza pelas oligarquias/elites políticas e econômicas é absurdamente anormal, os grupos midiáticos poderosos fazem parte do restrito clube cleptocrata dos donos do poder (digamos que sejam 1%), conquistando fortunas politicamente favorecidas em detrimento da maioria (digamos 99%).

A prosperidade ou fracasso das nações depende da criação de círculos virtuosos ou viciosos. Os países que conquistaram sucesso, num determinado momento, adotaram instituições políticas e econômicas inclusivas (criando círculos virtuosos). Sob instituições econômicas inclusivas a riqueza não se concentra nas mãos de um pequeno grupo (oligarquias /elites), que explora determinada atividade sob a forma de monopólio ou oligopólio (este último é o caso dos grupos midiáticos brasileiros).

Os grupos econômicos muito poderosos usam seu poder econômico para fazer crescer de modo desproporcional seu poder político, chegando a ponto de até mesmo sequestrar a democracia. Somente sob o império de instituições econômicas inclusivas é que os ganhos são naturalmente mais limitados pela concorrência efetiva (capitalismo não cartelizado), o que significa reduzir os incentivos para grupos e aventureiros individuais gananciosos tentarem assumir o controle do Estado e das rendas do país (Acemoglu e Robinson, Por que as nações fracassam, p. 283).

A mídia financista, ao fazer parte do clube da cleptocracia (uma das suas atividades consiste em se enriquecerem de forma politicamente favorecida), sempre que possível esconde (com ressalva daqueles que caem em domínio público: caso das empreiteiras brasileiras) os nomes das grandes empresas corruptas que corrompem ou aceitam pagar propinas para agentes públicos com o propósito de aumentar seus rendimentos.

Todos fazem parte do mesmo clube (da cleptocracia). A diferença (quando existente) reside no modus procedendipara se concentrar a riqueza: ora se atua de forma politicamente favorecida (essa é a regra nos grupos midiáticos), ora a fortuna é conquistada de maneira vergonhosamente corrupta (quando envolve propinas) ou aberrantemente macabra (como é o caso do trabalho escravo ou do neoescravagismo).

O caso Eduardo Cunha é emblemático. As primeiras notícias de uma corrupção costumam ser completas. Em seguida, só se fala do funcionário e do Estado corrompidos. E por que a mídia faz isso?

Precisamente porque a mídia financista faz parte do mesmo clube das oligarquias/elites econômicas extrativistas, ela está alinhada com a tese de que o mercado é puro, poluto, eficaz e independente. Com isso, corrupto é só o Estado (e os funcionários). Estigmatiza-se somente o Estado (não as empresas), quando na verdade em todos os casos de corrupção sempre vamos encontrar num dos polos algum agente podre e extrativista do mercado.

Os grandes grupos midiáticos fazem parte do 1% que se enriquece com a cleptocracia extrativista, em detrimento dos 99% restantes. A História não é um destino insuperável. Mas nos países com tradição extrativista, as oligarquias/elites políticas e econômicas são extremamente resistentes a qualquer tipo de mudança, criando círculos viciosos onde a prosperidade não é da nação, sim, delas mesmas (umas alimentando outras).

É por isso que as mídias extrativistas procuram reproduzir velhos pensamentos ajustados às suas finalidades. Por exemplo: o velho pensamento sociológico no Brasil afirma que o patrimonialismo é algo exclusivamente estatal e que a corrupção (consequentemente) também o é.

Ideologicamente, a mídia empenhada não quer macular o (supostamente imaculado) mercado (leia-se: o podre mundo das elites empresariais que surrupiam o dinheiro público), que também faz parte do clube extrativista da cleptocracia brasileira. As instituições extrativistas enriquecem as oligarquias/elites políticas e econômicas e essa riqueza constitui a base da continuidade do seu domínio (Acemoglu e Robinson, citados).

Os sinais exteriores do imenso poder de Cunha é divulgado amplamente. Quanto a seus corruptores, não vale a mesma regra (sempre que possível).

Editorial do Estadão (11/6/16) indaga como Eduardo Cunha se tornou esse “senhor feudal” mostrado aos quatro cantos do país? Vejamos:

“ (…) Mesmo fora da presidência da Câmara, Cunha continua a manobrar para evitar sua cassação, em franco desafio ao Supremo”;
“ (…) Como um senhor feudal, formou uma bancada de vassalos dedicada dia e noite a impedir que prospere a ação contra ele e a chantagear o governo”;
“ (…) Mesmo sem Cunha e seus ardis, a Câmara já não seria um exemplo de retidão e de defesa dos interesses públicos; com ele, impune e desafiador, o Legislativo reduziu-se a pouco mais que um balcão de negócios”;
“ (…) Mas o País também precisa se perguntar como foi possível que um único deputado pudesse causar tantos estragos, mobilizando tão formidável bancada pessoal no Congresso, totalmente indiferente ao voto recebido de seus eleitores e devotada apenas à proteção de seu suserano”;
“ (…) A derrota desse parlamentar não pode ser o fim do esforço para sanear o Legislativo. É preciso ir além e desmontar o sistema que permitiu que alguém tão desqualificado para a vida pública pudesse amealhar tanto poder”.

Eduardo Cunha conquistou a reputação de cara de pau “habilidoso” (sobretudo depois do impeachment de Dilma, que tinha mesmo que ser afastada), mas não é um mágico, muito menos um fabricante de dinheiro, sim, um barão ladrão de renome internacional, com patente alta no clube da cleptocracia brasileira, onde poucos integrantes das oligarquias/elites políticas e econômicas extrativistas e patrimonialistas (digamos 1%) surrupiam grande fortuna em detrimento dos muitos (digamos 99%).

Eduardo Cunha é poderoso (um “senhor feudal”) porque muitas empresas (nacionais e internacionais) deram-lhe muito dinheiro corrupto para obter benefícios em prejuízo do país e da população, transformando-o num senhor absolutista muito poderoso, com condições de financiar campanhas eleitorais dos seus colegas (hoje, seus vassalos, que ostentam no currículo o pouco honorário título de membro da “tropa de choque do Eduardo Cunha”).

Sua fortuna, portanto, não nasceu do nada nem lhe foi assegurada por favelados. Não caiu das nuvens como chuva nem brotou da terra como grama. A mídia financista (conivente ao clube dos poderosos que dominam o poder e o Estado) faz de conta (para seus leitores doutrinados) que não sabe de onde vem o poder de Eduardo Cunha. Os leitores fazem de conta que a mídia financista não sabe disso.

Tudo faz parte do jogo escabroso dos donos poder cleptocrata. A mídia financista assim como o pensamento sociológico clássico entende que corrupto é só o Estado. Por isso que ela esconde tanto quanto possível os nomes dos corruptores.

Quando Edwin Sutherland foi publicar a primeira edição do seu livro White Collor Crime (década de 40 do século XX), a editora exigiu o expurgo do capítulo 3º que mencionava os nomes das grandes empresas corruptas estudadas pelo autor. Somente em 1983 se conseguiu publicar o livro na íntegra (quando o autor já tinha falecido).

Eis alguns dos arquétipos cleptocráticos envolvendo Eduardo Cunha:

Foyers cleptocráticos: “A denúncia da PGR contra Cunha aponta que os US$ 5 milhões recebidos pelo peemedebista fariam parte de uma propina de cerca de US$ 40 milhões acertada com Júlio Camargo, representante da Samsung Heavy Industries; Fernando Baiano, lobista que intermediava o negócio em nome de Cunha; e Nestor Cerveró, e diretor internacional da Petrobras que aprovou a compra. As embarcações, especializadas na perfuração de águas profundas, foram adquiridas entre 2006 e 2007, pelo preço de US$ 1,2 bilhão, pagos ao estaleiro num contrato sem licitação. Para ocultar a origem, a PGR diz que Cunha recebeu os valores em várias parcelas no exterior, por meio de contas”offshore” (abertas em países pouco fiscalizados) e empresas de fachada (com contratos simulados) e até direcionando doações para uma igreja. A acusação também diz que, para pressionar Camargo a retomar o pagamento das propinas, Cunha teria articulado, na Câmara, pedidos de informações para fiscalizar a Samsung junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério de Minas e Energia” (ver G1). No mesmo contrato também teria havido propina paga pela Mistui.

Foyers cleptocráticos: “A suspeita é de que o parlamentar [Eduardo Cunha] tenha solicitado e recebido propina do consórcio formado por Odebrecht, OAS e Carioca Christiani Nielsen Engenharia – que atuava na obra do Porto Maravilha – no montante de cerca de R$ 52 milhões” (G1).

Foyers cleptocráticos: “Em 2007, o empreiteiro José Antunes Sobrinho recebeu um recado de um dos sócios de sua empresa, a Engevix: o deputado federal Eduardo Cunha, do PMDB do Rio, gostaria de conhecê-lo. Antunes sabia que Cunha dividia com o Partido Republicano, PR, o controle de cargos na diretoria de Furnas, na qual a Engevix tinha R$ 177 milhões em contratos. Preferiu evitar o encontro. Não conseguiu, no entanto, escapar, segundo ele, do pedido – ou achaque – para pagar propina. Na proposta de delação premiada que entregou ao Ministério Público Federal, que ÉPOCA publicou com exclusividade, Antunes diz, para manter os contratos que detinha em Furnas, topou pagar R$ 2,5 milhões a operadores do PR e R$ 1 milhão a operadores do hoje presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Foyers cleptocráticos: “O empresário português Idalécio de Oliveira é apontado como a origem da propina repassada ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele é dono da Lusitânia Group, grupo que controla a Compagnie Béninoise des Hydrocarbures (CBH), que explorou campo de petróleo em Benin em parceria com a Petrobras. As informações são da Folha de S. Paulo” (Congresso em Foco).



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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Enquanto a corrupção assombra Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment, por Glenn Greenwald


O impeachment da presidente do Brasil democraticamente eleita, Dilma Rousseff, foi inicialmente conduzido por grandes protestos de cidadãos que demandavam seu afastamento. Embora a mídia dominante do país glorificasse incessantemente (e incitasse) estes protestos de figurino verde-e-amarelo como um movimento orgânico de cidadania, surgiram, recentemente, evidências de que os líderes dos protestosforam secretamente pagos e financiados por partidos da oposição. Ainda assim, não há dúvidas de que milhões de brasileiros participaram nas marchas que reivindicavam a saída de Dilma, afirmando que eram motivados pela indignação com a presidente e com a corrupção de seu partido.

Mas desde o início, havia inúmeras razões para duvidar desta história e perceber que estes manifestantes, na verdade, não eram (em sua maioria) opositores da corrupção, mas simplesmente dedicados a retirar do poder o partido de centro-esquerda que ganhou quatro eleições consecutivas. Como reportado pelos meios de mídia internacionais, pesquisas mostraram que os manifestantes não eram representativos da sociedade brasileira mas, ao invés disso, eram desproporcionalmente brancos e ricos: em outras palavras, as mesmas pessoas que sempre odiaram e votaram contra o PT. Como dito pelo The Guardian, sobre o maior protesto no Rio: “a multidão era predominantemente branca, de classe média e predisposta a apoiar a oposição”. Certamente, muitos dos antigos apoiadores do PT se viraram contra Dilma – com boas razões – e o próprio PT tem estado, de fato, cheio de corrupção. Mas os protestos eram majoritariamente compostos pelos mesmos grupos que sempre se opuseram ao PT.

É esse o motivo pelo qual uma foto – de uma família rica e branca num protesto anti-Dilma seguida por sua babá de fim de semana negra, vestida com o uniforme branco que muitos ricos no Brasil fazem seus empregados usarem – se tornou viral: porque ela captura o que foram estes protestos. E enquanto esses manifestantes corretamente denunciavam os escândalos de corrupção no interior do PT – e há muitos deles – ignoravam amplamente os políticos de direita que se afogavam em escândalos muitos piores que as acusações contra Dilma.

Claramente, essas marchas não eram contra a corrupção, mas contra a democracia: conduzidas por pessoas cujas visões políticas são minoritárias e cujos políticos preferidos perdem quando as eleições determinam quem comanda o Brasil. E, como pretendido, o novo governo tenta agora impor uma agenda de austeridade e privatização que jamais seria ratificado se a população tivesse sua voz ouvida (a própria Dilma impôs medidas de austeridade depois de sua reeleição em 2014, após ter concorrido contra eles).

Depois das enormes notícias de ontem sobre o Brasil, as evidências de que estes protestos foram uma farsa são agora irrefutáveis. Um executivo do petróleo e ex-senador do partido conservador de oposição, o PSDB, Sérgio Machado, declarou em seu acordo de delação premiada que Michel Temer – presidente interino do Brasil que conspirou para remover Dilma – exigiu R$1,5 milhões em propinas para a campanha do candidato de seu partido à prefeitura de São Paulo (Temer nega a informação). Isso vem se somar a vários outros escândalos de corrupção nos quais Temer está envolvido, bem como sua inelegibilidade se candidatar a qualquer cargo (incluindo o que por ora ocupa) por 8 anos, imposta pelo TRE por conta de violações da lei sobre os gastos de campanha.

E tudo isso independentemente de como dois dos novos ministros de Temer foram forçados a renunciar depois que gravações revelaram que eles estavam conspirando para barrar a investigação na qual eram alvos, incluindo o que era seu ministro anticorrupção e outro – Romero Jucá, um de seus aliados mais próximos em Brasília – que agora foi acusado por Machado de receber milhões em subornos. Em suma, a pessoa cujas elites brasileiras – em nome da “anticorrupção” – instalaram para substituir a presidente democraticamente eleita está sufocando entre diversos e esmagadores escândalos de corrupção.

Camiseta da grife Sérgio K custava R$ 99,00
Mas os efeitos da notícia bombástica de ontem foram muito além de Temer, envolvendo inúmeros outros políticos que estiveram liderando a luta pelo impeachment contra Dilma. Talvez o mais significante seja Aécio Neves, o candidato de centro-direita do PSDB derrotado por Dilma em 2014 e quem, como Senador, é um dos líderes entre os defensores do impeachment. Machado alegou que Aécio – que também já havia estado envolvido em escândalos de corrupçãorecebeu e controlou R$ 1 milhão em doações ilegais de campanha. Descrever Aécio como figura central para a visão política dos manifestantes é subestimar sua importância. Por cerca de um ano, eles popularizaram a frase “Não é minha culpa: eu votei no Aécio”; chegaram a fazer camisetas e adesivos que orgulhosamente proclamavam isso.

Evidências de corrupção generalizada entre a classe política brasileira – não só no PT mas muito além dele – continuam a surgir, agora envolvendo aqueles que antidemocraticamente tomaram o poder em nome do combate a ela. Mas desde o impeachment de Dilma, o movimento de protestos desapareceu. Por alguma razão, o pessoal do “Vem Pra Rua” não está mais nas ruas exigindo o impeachment de Temer, ou a remoção de Aécio, ou a prisão de Jucá. Porque será? Para onde eles foram?

Podemos procurar, em vão, em seu website e sua página no Facebook por qualquer denúncia, ou ainda organização de protestos, voltados para a profunda e generalizada corrupção do governo “interino” ou qualquer dos inúmeros políticos que não sejam da esquerda. Eles ainda estão promovendo o que esperam que seja uma marcha massiva no dia 31 de julho, mas que é focada no impeachment de Dilma, e não no de Temer ou de qualquer líder da oposição cuja profunda corrupção já tenha sido provada. Sua suposta indignação com a corrupção parece começar – e terminar – com a Dilma e o PT.

Neste sentido, esse movimento é de fato representativo do próprio impeachment: usou a corrupção como pretexto para os fins antidemocráticos que logrou atingir. Para além de outras questões, qualquer processo que resulte no empoderamento de alguém como Michel Temer, Romero Jucá e Aécio Neves tem muitos objetivos: a luta contra a corrupção nunca foi um deles.


Publicado no DCM

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CRÔNICA: Assuntando com os santos


Nas festinhas juninas da escola havia aquelas rodas de cantos. Eu cantava "eu pedi ao São João, meu querido São João, que me desse um Patrimônio" e estragava tudo. Desde tenra infância eu já mostrava que seria um lixo, uma causa perdida com a qual Santo Expedito jamais quis se envolver. 

Por eu ter errado de propósito a letra, São João não me presenteou com o "Patrimônio" solicitado. Mas, por outro lado, nem com o "Matrimônio", como consta na versão original. Afinal, "isso é lá com Santo Antonio". Mas vai que o João quisesse me devolver a zuêira e chegasse pro Antonio: "Deixa comigo, ele vai ver só. O dele tá guardado". 
No fim das contas, saiu barato pra mim. 

O São Longuinho é um com quem dá prá conversar. Quando eu declamo "São Longuinho, São Longuinho, me devolve rapidinho", ele não se incomoda de ser acusado de apropriação indébita e logo eu encontro o objeto perdido. 

Um que eu tinha certa curiosidade era o São Cipriano. Cheguei até a comprar seu famoso livro de capa preta e vermelha, e me preparei para fazer as invocações malignas constantes na obra. Porém, toda vez que eu ia botar a mão na massa surgia alguma coisa pra atrapalhar. A água do aquário começava a ferver e borbulhar, me tirando a concentração. Os ponteiros do relógio de parede passavam a andar no sentido anti-horário. Depois que uma garrafa de vinho caríssimo se tornou água decidi que era melhor não mexer com aqueles assuntos. Relógio andar pra trás tudo bem, mas mexer com minhas bebidas foi o cúmulo. Taquei fogo naquela obra maldita, antes que ela fizesse meu Black Label, guardado para ocasiões especiais, virar álcool Zulu. Crianças, não mexam com o desconhecido. 

O que torna a imagem dos santos algo bastante interessante é o fato de que vários deles foram mesmo, com o perdão do trocadilho, "santos do pau oco", muito antes dessa expressão pejorativa surgir. Eram do pau oco, se emendaram, se despojaram dos bens, fizeram caridade, milagres e, hoje em dia, alguns têm até igrejas e datas em sua homenagem. 

Por outro lado vemos pretensos santarrões que, na verdade, são feitos de pau oco. Muitos deles até carregam fotos, santinhos e orações em suas carteiras, dentro do plástico. Tamanha cara de pau decorre de saberem da biografia pregressa dos personagens venerados: 

"Esse aqui", diz um, mostrando um papel, "eu tenho a maior simpatia e identificação. Jogava, bebia, roubava, fornicava com cabra, mas virou uma figura de valor reconhecido, tem até nome em escola pública e em rua. Ele mudou pra melhor, então eu também posso. Eu tenho jeito na vida. Mas não por enquanto. Ainda não quero mudar meu proceder. Na hora certa..." 

- Mas deputado, esse papel é um santinho da campanha do Fulano para vereador em 1988... 

- Pois é. 

- E seu voto? 

- Eu voto SIIIMMMM! 

E dá aquele sorriso que sairá nas capas de jornais no dia seguinte. Nasceu outro santo.

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Golpe

"Quero me pronunciar em termos práticos como cidadão, distintamente daqueles que se chamam antigovernistas: o que desejo imediatamente é um governo melhor, e não o fim do governo. Se cada homem expressar o tipo de governo capaz de ganhar o seu respeito, estaremos mais próximos de conseguir formá-lo."
Henry David Thoreau, A Desobediência Civil

"The torture never stops."
Frank Zappa, músico

"Além da nobre arte de fazer coisas, existe a nobre arte de deixar coisas sem fazer. A sabedoria da vida consiste na eliminação do que não é essencial."
Lin Yutang, filósofo chinês (1895-1976 )

" Nunca deve valer como argumento a autoridade de qualquer homem, por excelente e ilustre que seja...
É sumamente injusto submeter o próprio sentimento a uma reverência submetida a outros; é digno de mercenários ou escravos e contrário à dignidade humana sujeitar-se e submeter-se; é uma estupidez crer por costume inveterado; é coisa irracional conformar-se com uma opinião devido ao número dos que a têm...

É necessário procurar sempre, com compensação, uma razão verdadeira e necessária... e ouvir a voz da natureza"
Giordano Bruno


" (...) E depois, quando um astrônomo lhe disser que o que você viu não existe, lembre-lhe que cem anos atrás (1874) isso era o que os astrônomos diziam sobre meteoritos. (...)"
Ralph Blum e Judy Blum, em "Toda a verdade sobre os discos voadores" , Edibolso , 1974

Na rádio Agulha pop/rock você escuta:

The Doors, The Smiths, Link Wray, Nick Cave & The Bad Seeds, Nirvana, Blondie, Ramones, The Rolling Stones, The Beatles, David Bowie, Lobão, The Who, Roberto Carlos, Sex Pistols, The Pretenders, The Seeds, The Saints, The Cramps, Ozzy Osburne, Iggy Pop, DEVO, Johnny Cash, Guilherme Arantes, Patti Smith, MC5, The Chocolate Watchband, Iron Maiden, Dead Kennedys, The Sonics, Wilson Pickett, The Jimi Hendrix Experience, B-52's, Janis Joplin, Joy Division, Echo and The Bunnymen, Lou Reed, Velvet Underground, Bauhaus, Joan Jett, Titãs, Raul Seixas, Led Zeppelin, The Clash, The Cream, Elvis Presley, Syd Barrett, AC/DC, New Order, Hawkwind, Creedence Clearwater Revival, Talking Heads, Barão Vermelho, Green Day, The Who e por aí vai... [ CLIQUE AQUI ]