domingo, 18 de fevereiro de 2018

Espíritas progressistas respondem à entrevista coletiva de Divaldo Franco e Haroldo Dutra



Espíritas que somos, os abaixo-assinados, tornamos pública a nossa desaprovação a diversas opiniões que foram expostas no vídeo que circulou essa semana nas redes sociais, e que depois foi retirado do Youtube. Declaramos que elas não nos representam e não representam o espiritismo, pois são apenas opiniões pessoais de seus autores, e que, em nosso entender, carecem de fundamento teórico e científico.

Aliás, médiuns e oradores não têm autoridade para falar em nome do espiritismo. Ninguém tem essa autoridade, nem mesmo instituições federativas. O espiritismo é uma ideia livre, cuja maior referência é Kardec, mas cujos livros também não podem ser citados como bíblia. Para manifestarmos ideias e posições do ponto de vista espírita, segundo a própria metodologia proposta por Kardec, temos de dialogar com a ciência de nosso tempo, usar argumentos racionais e adotar de preferência posturas que estejam de acordo com os princípios básicos da ética espírita, que são os da liberdade de consciência, amor ao próximo, fraternidade, entre outros.

O movimento espírita brasileiro está longe da unanimidade em todos os temas, sobretudo os que se referem a questões contemporâneas e, por isso, é importante delimitar as posições, para deixarmos claro que declarações como as que foram feitas neste vídeo não representam o espiritismo.

Dessa forma, rebatemos alguns pontos da referida entrevista:

1) Divaldo referiu-se à República de Curitiba e a seu suposto “presidente”, Sérgio Moro. Não existe uma República de Curitiba, pois segundo nossa Constituição só há uma República a ser reconhecida em nosso território, e é a República Federativa do Brasil. E a referência a um juiz federal de primeiro grau como o Presidente desta acintosa República é um grave desrespeito ao Estado, à nação brasileira, atribuindo a tal república poderes inexistentes em nossa Constituição. Além dessa nociva postura marcadamente messiânica e de culto à personalidade, pode dar a entender que o restante do povo brasileiro não presta e que não há pessoas boas espalhadas pelo Brasil dando o melhor de si.

2) Divaldo chama esse mesmo juiz de “venerando” – o que é altamente questionável, dadas as críticas de grandes juristas nacionais e internacionais à parcialidade desse juiz e a seus atos de ilegalidade, que feriram a Constituição, e às notícias que correm na mídia de seu conluio com determinados segmentos e partidos.

3) Divaldo assume uma postura claramente partidária, contrária ao PT – o que é de seu pleno direito, mas nunca em nome do espiritismo – fazendo, porém, uma crítica rasa, com uma miscelânea conceitual, chamando o governo desse partido de marxista e assumindo um discurso próprio da polarização extremista, manipulada e sem consistência que invade nossas redes sociais e nossa vida política, contribuindo para os momentos de incertezas e de medos em que vivemos.

4) Há uma fala extremamente problemática que se refere à chamada “ideologia de gênero”. Não existe “ideologia de gênero” – este é um termo criado por setores fundamentalistas da Igreja Católica e depois adotado pelas Igrejas Evangélicas. Existe sim uma área de pesquisa no mundo que se chama “Estudos de Gênero” – que teve influência de Michel Foucault, Simone de Beauvoir e Judith Buttler. Os “Estudos de Gênero” se dedicam a procurar entender como se constitui a feminilidade e a masculinidade do ponto de vista social, se debruçam sobre questões de orientação sexual, hetero, homo, transsexualidade – ou seja, todos fenômenos humanos, que estão diariamente diante de nossos olhos. Podemos concordar com algumas dessas conclusões, discordar de outras, deixar em suspenso outras tantas. Esse olhar é muito recente na história e ainda estamos apalpando questões profundas e complexas – e em nosso ponto de vista espírita, não é possível ter plena compreensão delas sem a chave da reencarnação. Uma abordagem puramente materialista jamais vai dar conta do pleno entendimento do psiquismo humano. Mas estamos muito longe de ter gente reencarnacionista competente, fazendo pesquisa séria, para dialogar com pesquisadores com abordagens meramente sociológicas ou psicológicas. Então, nós espíritas, não temos ainda melhores respostas que os outros e não podemos, por cautela, seguir a cartilha dos setores conservadores mais radicais de generalizar esses estudos sob o termo, usado aqui pejorativamente, de ideologia, para desqualificá-los como “imoralidade ímpar”. Parece-nos que uma dose de humildade científica, prudência filosófica e bom-senso faria bem a todos nesse ponto, especialmente quando o domínio sobre os corpos e a sexualidade sempre foi um ponto central para as religiões ocidentais.

5) Divaldo revela também completo desconhecimento dessa área de estudos de gênero, alinhando-a ao marxismo e ao comunismo. As grandes lideranças desses estudos estão nos Estados Unidos e na Europa. Aliás, os estudiosos desse tema encontram-se em diversas correntes de pensamento, desde marxistas até pós-modernos de diferentes matizes e até liberais. Ao fazer isso, mais uma vez, mostra a adesão a um discurso pronto, midiático, que ressoa nos setores evangélicos e católicos mais radicais, que primam por taxar qualquer ideia ou debate que lhes desagrade com o termo “comunista” – um grande espantalho generalizante, simplista e esvaziado de sentido, mas que tem sido eficaz, ao longo dos tempos, para dar forma a medos sociais e, assim, orientar o ódio e o ressentimento das pessoas contra certos alvos.

Por fim, deixamos aqui as seguintes afirmações:

• Nenhum médium ou orador pode falar em nome de todos os espíritas ou em nome do espiritismo. Isso é, por si só, desonestidade intelectual;

• Quando um espírita, sobretudo se tem influência sobre a comunidade, manifesta uma ideia ou uma opinião, tem por dever se informar sobre os temas de que está falando, usar referências confiáveis e estar em consonância com a lógica, com a ciência e com o bom senso.

• Deve também, preferencialmente, defender os direitos dos mais fragilizados socialmente, no caso, as mulheres, as crianças, os membros da comunidade LGBT+, que são objeto dessas discussões dos estudos de gênero, justamente por estarem vulneráveis a todo tipo de violência e desrespeito em nossa sociedade, além dos negros e negras, as juventudes periféricas e as pessoas com deficiência.

• Não deve alimentar discursos de ódio partidário e nem medidas punitivas contra quem quer que seja: nossa bandeira é a da educação, da fraternidade entre todos e da paz, comprometidos com a democracia, a justiça social e a regeneração da sociedade.

Adriana Jaeger Santos, RS
Agnes Vitória Cabral Rezende, MT
Alana de Andrade Santana, BA
Alessandro Augusto Arruda Basso, SP
Alessandro Cesar Bigheto, SP
Alexandre Mota, SP
Alexandro Chazan, SP
Álvaro Aleixo Martins Capute, MG
Amauri Ramos, SP
Bernardo Gonçalves, SP
Carlos Augusto Pegurski, PR
Carlos Sérgio da Silva, SP
Claudia Gelernter, SP
Claudia Mota, SP
Cynthia Maria Fiorini Santos, SP
Dalva de Souza Franco, SP
Dalva Radeschi, SP
Dennylson de Lima Sepulvida, SP
Dora Incontri, SP
Douglas Neman, SP
Eduardo Alves de Oliveira, SP
Eduardo Lima, CE
Erica de Oliveira, SP
Felipe Gonçalves, SP
Felipe Sellin, ES
Fernando Fernandes, SP
Franklin Felix, SP
Giovani de Morais e Silva, PE
Gilmar da Cunha Trivelatto, SP
Glauco Ribeiro de Souza, SP
Hélio Ribeiro, MG
Izaias Lobo Lannes, MG
João Carlos de Freitas, SP
Jandyra Abranches, ES
Juçara Silva Volpato, ES
Larissa Blanco
Leandro Piazzon Correa, SP
Litza Amorim, SP
Lorisani Marisa de Leão de Souza, RS
Luciano Sérgio Ventin Bomfim, BA
Luis Gustavo Carvalho Ruivo Andrade, SP
Luis Márcio Arnaut, SP
Luziete Maria da Silva del Poggetto, SP
Marcel Pordeus, CE
Marcelo Henrique Pereira, SC
Marcos Wilian Silva MT
Maristela Viana França de Andrade de Aragarças GO
Maristela Viana França de Andrade, GO
Maurício Zanolini, SP
Murilo Negreiros, SP
Patrícia Imperato Malite, SP
Pedro Camilo, BA
Raphael Faé, ES
Roberto Colombo, SP
Samantha Lodi, SP
Sebastião do Aragão, SC
Sérgio Aleixo, RJ
Silvia Bueno, SP
Sinuê Neckel Miguel, RS
Suzana Leão, RS
Tatiane Braz Comitre Basso, SP
Thiago Rosa, SP
Tiago Fernandes, PR
Vinicius Lara, MG
Willan Silva, ES
Yuri David Esteves, SP


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A polêmica intervenção no Rio de Janeiro. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Antes de entrar no assunto deste artigo, quero destacar um fato que não é comentado. O Exército já se encontrava policiando os morros cariocas. A diferença é que antes quem dirigia esses militares era o governador Luiz Fernando PEZÃO (MDB), CRIA de Sérgio Cabral, que se mostrou incompetente, FRACO. Hoje, com a intervenção, quem vai dirigir é o general Walter Sousa Braga Netto. Tomara que agora dê certo. O Rio merece!

A intervenção é polêmica, embora muitos a considere necessária. O ESTADÃO, jornal governista, portanto insuspeito, é contra. Em Editorial, sob o título “UMA INTERVENÇÃO INJUSTIFICÁVEL”, ele comenta a decisão de Temer: “Não há razão objetiva que justifique a intervenção federal, restrita à segurança do Rio de Janeiro, decretada pelo presidente Michel Temer. A situação daquele Estado no que diz respeito ao crime organizado e à violência urbana não se tornou calamitosa de um dia para o outro, a ponto de demandar uma medida tão drástica exatamente agora, a poucos dias da esperada votação da reforma da Previdência, que, por determinação constitucional, NÃO PODERÁ SER REALIZADA EM RAZAO DA INTERVENÇÃO. Temer garante que os efeitos do decreto serão suspensos apenas para a votação, mas essa manobra certamente receberá inúmeras contestações judiciais e são imensas as possibilidades de o feitiço voltar-se contra o feiticeiro. (...) Essa violência [no Rio] é intolerável, mas não será a intervenção federal que resolverá o problema. A segurança não é uma questão isolada, e sua degradação no caso do Rio é resultado de uma combinação de muitos fatores – IRRESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA, conivência com o crime organizado, CORRUPÇÃO GENERALIZADA, franqueamento do Estado a delinquentes de toda espécie e apatia social. Logo intervir só na segurança pública até 31 de dezembro deste ano, como estabelece o decreto, tocará apenas na superfície do problema. (...) Para ter eficácia, a intervenção deveria atingir todos os setores da administração do Estado, mas esse enorme ônus político o presidente Temer não parece disposto a assumir. (...) O fato é que, ao explorar um dos temas mais caros aos brasileiros – a segurança pública – e ao adotar um tom de comício na assinatura do decreto, dizendo que “nossos presídios não serão mais escritórios de bandidos nem nossas praças serão salões de festa do crime organizado”, o presidente dá margem a que se desconfie que, em ano eleitoral, o governante que pretendia ser reconhecido como reformista deixou-se seduzir por um atalho sombreado”. Já João Domingos tem outra hipótese. Em artigo no ESTADÃO, o jornalista afirma: “Temer convive hoje com uma ideia fixa, que é a de tentar provar ao Brasil que não se envolveu em irregularidades, mesmo que o teor da conversa dele com Joesley Batista deixa tanta gente com a pulga atrás da orelha. (...) Paralelamente, ele acredita que poderá começar a defender a sua honra, posta sob suspeita desde que foi divulgado o teor da conversa com o empresário Joesley Batista, e que um dos seus PRINCIPAIS ASSESSORES, o ex-deputado Rocha Loures (MDB-PR), foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil”. O professor Ignácio Cano, também no ESTADÃO, comenta: “Temer tem razão ao dizer que o crime organizado é uma metástase no Rio, MAS ESQUECE DE MENCIONAR QUE A METÁSTASE INFILTROU SETORES DO EXECUTIVO, DO LEGISLATIVO E DO JUDICIÁRIO E QUE O PARTIDO DELE, O MDB, TEM TIDO PAPEL DESTACADO NESTA INFILTRAÇÃO. Obviamente, os canhões do Exército são inócuos contra este crime, o verdadeiramente organizado”.

Vera Magalhães desconfia dessa medida. Ela escreveu no Estadão: “Temer passou a ser incentivado a disputar um novo mandato por aliados”. Para ela existe um porém: “O único cálculo que parece faltar é o aritmético mais básico: contra um impopularidade de mais de 70%, haja reviravolta para tornar essa candidatura viável. (...) Não parece ser um discurso de segurança surgido com a Quaresma para ressuscitar um político com esses índices”.

Temer será candidato à reeleição? A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu.

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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

PT "comunista"? Só nas mentes delirantes, dementes ou ignorantes



Já é famosa a "Lei de Godwin". Essa "lei", criada por um advogado estadunidense de mesmo nome, afirma que conforme progride uma discussão política online a probabilidade de alguém citar o nazismo se aproxima de 100%.

Aqui no Brasil impera a "Anti-Lei de Godwin". Pisca-se os olhos e alguém já lasca um "comunismo", "comunista" ou algo do gênero.

Os governos petistas mesclaram uma tíbia e claudicante social-democracia com um certo tempero de trabalhismo. (O segundo governo Dilma, aliás, enquanto durou, pendeu muito mais para o próprio liberalismo.)

Citar o comunismo quando em referência aos governos petistas deve-se, sim, à desinformação (e à "disinformação") meticulosamente disseminada por grupos empresariais de mídia, além de à crônica mediocridade dos currículos escolares - que obrigam o cidadão a decorar o número atômico do Hidrogênio e não oferecem sequer rudimentos de Sociologia, Ciência Política ou Filosofia.


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Onde estão vocês, que não bateram panelas nem usaram camisas da CBF, mas reclamavam de tudo, o tempo todo, e em todos os lugares?


Os panelaços e coxinhaços ocorriam, mas eram bem esporádicos.
Por outro lado, as reclamações e discurseiras em locais como fila de banco, lotéricas, pontos dê ônibus ( e dentro de ônibus ), banco da praça, sala de espera de hospital, padarias, botecos, postos de gasolina, igrejas, enfim, na putaquepariu de todo lugar tava sempre um monte de gente reclamando o tempo inteiro. 
Sabiam sobre o aumento do preço do tomate e da gasolina.
Discorriam sobre os 14 milhões de desempregados, quando era a Gilma que governava.
Onde estão vocês agora?
E têm a cara de pau de dizer que não foram manipulados?
Vocês pararam de oferecer suas opiniões abalizadas, aquiridas em correntes de zapzap e noticiários globais, opiniões que ofereciam até em velórios, quando o momento não era conveniente.
Onde estão vocês agora?
Eu não falo dos paneleiros. 
Falo dos comuns que transformaram o cotidiano da gente num inferno interminável.
Onde estão vocês?

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Está extinta a escravidão? ​​​Artigo de Paulo Nogueira Batista Jr.


Na minha família, como em milhões de outras, os chats de Whatsapp viraram palco de conflitos políticos acirrados. Estou em minoria, e as minhas provocações são recebidas com profundo desprazer.

​Outro dia, soube de um fato desabonador: criaram em sigilo um novo chat familiar do qual fui sumariamente excluído! Explicaram-me que o chat é principalmente para trocar fotos de “crianças lindas e amadas” ...

Ora, na situação em que se encontra o Brasil, simplesmente trocar fotos de “crianças lindas e amadas” é uma atividade comprometedora, quase irresponsável. É preciso ter muita “saúde” para isolar-se da crise e viver, tranquilo e impune, numa torrezinha qualquer de marfim.

Paro e releio o parágrafo que escrevi. Não quero, leitor, tentar escrever uma página de Tchekhov em que a classe média brasileira – logo quem! – seria instada a se comportar, de repente, como os personagens angustiados das peças do grande artista russo. Crises existenciais e de consciência nunca foram o nosso forte.

Prefiro outra faceta de Tchekhov: as suas observações sobre a superação da servidão na Rússia. Lembro-me, em especial, de uma carta que ele enviou a outro escritor russo com a seguinte exortação:

“Escreva um conto sobre um jovem, filho de servos, antigo vendedor de armazém, corista de igreja, ginasiano e depois universitário, que foi educado para respeitar a hierarquia e para acatar as ideias alheias, que agradecia por cada pedaço de pão, que foi muitas vezes açoitado, (...) que era hipócrita diante de Deus e dos homens, sem nenhuma necessidade, simplesmente por ter consciência de sua própria insignificância; escreva como esse jovem espreme, gota a gota, o escravo que tem dentro de si, e como ele, ao acordar numa bela manhã, sente que em suas veias já não corre mais o sangue do escravo, e sim o de um verdadeiro homem.”

Superar a servidão ou a escravidão é processo longo, doloroso. A escravidão no Brasil foi legalmente abolida em 1888, mas os seus traços e traumas perduram até hoje.

No Carnaval carioca deste ano, a Paraíso da Tuiuti apresentou lindo samba enredo, uma obra de arte, letra e música, com o seguinte título: Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?. Ninguém estranhou o ponto de interrogação – mesmo 130 anos depois da Lei Áurea...

Não deixe de escutar esse samba enredo, leitor – é um exemplo magnífico da criatividade do povo brasileiro. Tanto a música como a letra jorram beleza. É um tipo de beleza que transcende o momento em que foi criada. Mas o que a valoriza ainda mais é a sua conexão com o momento dramático que vivem o Brasil e o povo brasileiro.

O refrão, cantado logo no início, dá um tom de liberdade orgulhosa: “Não sou escravo de nenhum senhor/Meu Paraíso é o meu bastião/A Tuiuti é o quilombo da favela/A sentinela da libertação”

No contexto do samba enredo, o refrão é um misto de realidade e aspiração – talvez com mais peso da segunda do que da primeira... 

Segue-se então um belo panorama da história da escravidão africana no Brasil: “Fui mandiga, cambinda, haussá/Fui um Rei Egbá preso na corrente/ Sofri nos braços de um capataz/Morri nos canaviais/Onde se plantava gente
Ê Calunga, ê! Ê Calunga!/Preto velho me contou, preto velho me contou/Onde mora a senhora liberdade/ Não tem ferro nem feitor

Quando chega o momento de relembrar a Lei Áurea, a música e o canto ascendem de maneira emocionante: “E assim quando a lei foi assinada/Uma lua atordoada/Assistiu fogos no céu/Áurea feito o ouro da bandeira/Fui rezar na cachoeira/Contra a bondade cruel”

No desfile na Sapucaí, o tripé que trazia a reprodução da Lei Áurea foi seguido de várias alas representando a continuação da escravidão no Brasil sob outras formas: o trabalho precário, a escravidão disfarçada no meio rural, os vendedores ambulantes, etc.

Na versão que prefiro, o samba enredo começa devagar, a capela, como um lamento: “Meu Deus, meu Deus, se eu chorar não leve a mal/Pela luz do candeeiro/Liberte o cativeiro social”

E termina com o grito de guerra de um dos puxadores do samba, logo após o fim do canto e da música: “A luta continua, meu povo!”

PS: A ala dos “manifestoches” retratou, com pesado sarcasmo, aqueles que bateram panelas e foram às ruas em 2016 e agora enfiam a cabeça na areia e trocam fotos de “crianças lindas e amadas” ...

O autor é economista, foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS em Xangai, e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países.

E-mail: paulonbjr@hotmail.com

( Postado no Facebook )

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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Nazistas vandalizam em Mogi Mirim. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade







O ódio ao PT e ao Lula é um fato. No entanto, em Mogi Mirim esse ódio ultrapassou a todos. Nazista ou nazistas estão agindo naquela cidade. Para quem não sabe, o nazismo é proibido no Brasil. Mas os seus adeptos agem na clandestinidade. Os seguidores de Hitler, monstro responsável por milhões de morte, com a Segunda Grande Guerra, estão agindo em Mogi Mirim. É o que denunciou A COMARCA, de 3/2.

O jornal noticiou: “Sede do PT Mogi Mirim é vandalizada – INTOLERÂNCIA – Casa do presidente Ernani Gragnanello também foi pichada com frases hostis e SIMBOLOS NAZISTAS”. A reportagem do jornalista Flávio Magalhães revela: “A sede do Partido dos Trabalhadores (PT) de Mogi Mirim e a residência do presidente do diretório municipal petista, Ernani Gragnanello, foram pintadas na sexta-feira da semana passada, 26/1, com xingamentos dirigidos ao partido e ao ex-presidente Lula e COM SIMBOLOS NAZIFASCISTAS. (...) Após o ataque, Ernani afirmou que manterá sua participação na política. “Confesso que, apesar de ter ficado abalado, estou encontrando oxigênio para continuar, independente de cargo público, a minha missão enquanto cidadão, militante e advogado das causas sociais”, frisou. “Sou um político que não aceita discriminações e que é contra tudo o que representa a assinatura deixada na pichação por aqueles que a realizaram: uma suástica, mal-acabada, diga-se a verdade”.

Outra reportagem, assinada pelo mesmo jornalista, noticia: “Senadora Gleisi Hoffmann presta solidariedade a Ernani e cobra Alckmin para identificar vândalos”. Na notícia: “A senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, emitiu uma nota em apoio e solidariedade ao presidente municipal do partido, Ernani Gragnanello, após as pichações sofridas na sede do partido e na residência do petista, na semana passada. Ela classificou os atos como “ataques fascistas”. (...) A presidente do PT avaliou que o país vive uma situação de ”violência política e ÓDIO SOCIAL” desde o impeachment de Dilma Rousseff. “Não podemos tolerar que truculência e arbítrio substituam a política e o diálogo como instrumentos de construção do bem comum e da justiça”, defendeu. “Ao PT de Mogi Mirim e ao companheiro Ernani e família, nosso desagravo e solidariedade. Justiça e respeito sejam assegurados a quem luta pela democracia, como vocês”, concluiu.

Flávio Magalhães, em artigo na A COMARCA, sob o título “O fascismo mogimiriano está à espreita”, comentou: “O que aconteceu na sede do PT de Mogi Mirim e na casa do advogado Ernani Gragnanello é GRAVÍSSIMO por si só. Não demonstra apenas falta de empatia, mas sim intolerância e incapacidade de conviver com ideias contrárias. Qualquer atentado contra um partido político organizado e dentro da legalidade é também um ataque contra a DEMOCRACIA. A explicação deste ATO COVARDE está na própria PICHAÇÃO DA SUÁSTICA [símbolo do Nazismo].”

Espera-se que o governo Alckmin aja com rigor e descubra e puna esse ou esses nazistas!

Como sempre digo sobre a DITADURA: NAZISMO NUNCA MAIS. E o ÓDIO, também!

Aos que desejarem conhecer um pouco sobre as atrocidades do nazismo (Hitler e companhia), recomendo, entre outros, o livro “Ascensão e Queda do Terceiro Reich”, de William L. Shirer, em quatro volumes e “O Diário de Anne Frank”, que emocionou milhões de pessoas. No cinema, “O Grande Ditador”, filme clássico de Charles Chaplin, um libelo contra as Ditaduras. No seu discurso, “Apelo aos Homens”, ele declarou: “O ódio dos homens passará e os ditadores morrerão. (...) A liberdade não morrerá”. Seu personagem nesse filme, se parece com Hitler!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Ex-Presidente do STF diz que perseguição a Lula é a pior desde Getúlio Vargas


Sepúlveda diz que perseguição a Lula é a pior desde Getúlio Vargas

Novo integrante da equipe de defesa do ex-presidente diz que ainda vai avaliar estratégia para defender petista

Carla Araújo, Rafael Moraes Moura e Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

06 Fevereiro 2018 

Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Sepúlveda Pertence disse, nesta terça-feira, 6, que ainda vai avaliar a estratégia para a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas adiantou que não é seu estilo ser agressivo. Criminalista, considerado um dos maiores especialistas em processo penal do Brasil, Sepúlveda afirmou que a situação do petista é uma perseguição. "É pior, a maior (perseguição) desde Getúlio Vargas", disse.

Convidado pelo advogado Cristiano Zanin Martins, responsável até aqui pela defesa de Lula, Sepúlveda disse que ainda vai conhecer o processo e combinar "com os companheiros" o que pode mudar na defesa.

Ao ser comparado com Zanin e questionado se adotará também uma linha mais agressiva, Sepúlveda rebateu: "não é meu estilo". O ex-ministro minimizou o fato de que vai comandar a estratégia e disse que ela será combinada com os outros advogados. 

Sepúlveda não quis comentar as declarações do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Fux, que, na solenidade de posse, fez uma defesa enfática da aplicação da Lei da Ficha Limpa e disse que "ficha suja está fora do jogo democrático". "Isso será discutido ainda. Agora chega", disse a jornalistas, durante sessão de cumprimentos a Fux no TSE.

Reforço. O reforço na defesa de Lula com a chegada de Sepúlveda contou com o aval do próprio ex-presidente. Conforme o Estado adiantou no dia 28 de janeiro, o nome de Sepúlveda vinha sendo cogitado para integrar a defesa do ex-presidente desde antes da condenação a 12 anos e um mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Segundo pessoas próximas ao ex-ministro do STF, não houve acordo, porque Sepúlveda defendia o banqueiro André Esteves, o que poderia gerar conflito de interesses. Advogados, contudo, relataram que o motivo da divergência foi o fato de Zanin não abrir mão de fazer a sustentação oral no TRF-4.

Após a confirmação da condenação em Porto Alegre pela 8ª Turma do tribunal, que aumentou a pena imposta a Lula pelo juiz Sérgio Moro, as pressões aumentaram. Dirigentes petistas passaram a defender a contratação de um "medalhão", já que Zanin nunca foi especialista em direito criminal.

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sábado, 3 de fevereiro de 2018

Moro tem imóvel em Curitiba, mas recebe auxílio-moradia. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Achei decepcionante essa notícia que dá o título deste artigo. Na notícia, essas informações: “Três quilômetros separam a sede da Justiça Federal de 1º Grau do Paraná da residência do juiz Sérgio Moro, responsável pelo julgamento dos processos da Lava Jato. (...) É este o trajeto percorrido pelo magistrado desde 2003, quando assumiu a primeira vara especializada em crimes contra o sistema financeiro, em Curitiba. No ano anterior, comprou um imóvel de 256 m2 no bairro do Bacacheri, de classe média. (...) Em junho de 2002, Márcio Antonio Rocha, juiz federal do TRF-4, vendeu o apartamento para Moro por R$ 173.900 (R$ 460 mil em valores atualizados). Como dono de imóvel próprio na capital paranaense, Moro fez uso de decisão liminar de setembro de 2014, do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux, para passar a receber auxílio-moradia no valor de R$ 4.378.” Do deputado Wadih Damous, deputado Federal (PT-RJ) E EX-PRESIDENTE DA OAB-RJ, sobre esse auxílio-moradia: “O auxílio moradia não é “auxilio” coisa nenhuma, é salário disfarçado e mostra que a corrupção não é exclusividade do mundo político, mas atinge o Judiciário em todas as suas esferas inclusive os “campeões” (sic) do combate à corrupção”. O Tribunal declara que o pagamento segue legislação. Trocando em miúdo: pode ser legal, mas é IMORAL! Sem comentário... 

Manchete da FOLHA (31/1) “Sem Lula, Bolsonaro lidera e quatro disputam 2º lugar – No Datafolha, petista [Lula] mantém apoio mesmo após condenação”. Nesta pesquisa, Lula venceria Bolsonaro por 37% contra 16%, ou seja, mais que o dobro (32%). No entanto, se Lula devido à condenação não for o candidato, Bolsonaro, da extrema-direita, lidera. E quem é ele? Vamos ver o que diz uma notícia do jornal: “No começo do mês [janeiro), reportagem da FOLHA apontou que o patrimônio de Bolsonaro se MULTIPLICOU desde 1988 [TRINTA ANOS!], início de sua carreira. (...) Ele e seus três filhos que exercem mandato são donos de 13 imóveis com preço de mercado de pelo menos R$ 15 milhões, a maioria em pontos valorizados do Rio. (...) Quando entrou na política, Bolsonaro declarou ter apenas (sic) um Fiat Panorama, uma moto e dois lotes, valendo pouco mais de R$ 10 mil em dinheiro atual. Desde então, sua única profissão é a política. (...) A FOLHA também revelou que Bolsonaro usa verba pública para empregar uma vizinha que vende açaí em Angra dos Reis (RJ)”. Comentário meu: Em 30 anos de mandato não se sabe o que Bolsonaro fez, quantos projetos apresentou, nada. Teve um mandato medíocre. Caso seja eleito Presidente (TOC, TOC, TOC) será também medíocre! Entretanto, ele ENCANTA jovens, iludidos com sua pregação. É por isto que Mauro Paulino, Diretor-geral do Datafolha, em análise para a FOLHA, afirma: “INEGIBILIDADE DE EX-PRESIDENTE [LULA] APROFUNDA CRISE DEMOCRÁTICA”. Bolsonaro defende uma ditadura militar. E isso é muito preocupante! Como sempre digo: DITADURA NUNCA MAIS!

HUCK CANDIDATO? – A coluna do Estadão (2/2) noticiou: “A candidatura do apresentador Luciano Huck à Presidência da República depende hoje exclusivamente dele. Dirigentes do PPS dizem que o cenário ideal está colocado. O ex-presidente Lula está a um passo de ficar fora da disputa; o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), indica que não vai concorrer ao Planalto; o governador Geraldo Alckmin não decolou e os movimentos para construir uma base de apoio para Huck no Congresso começam a se concretizar com integrantes do Agora! e dos Livres ingressando no PPS para concorrer”. Huck será candidato a Presidência? A CONFERIR.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Porque Lula foi condenado. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


A culpa pela condenação de Lula foram as pesquisas eleitorais. Em todas, ele está em primeiro lugar com o dobro dos votos do segundo colocado: Bossonaro. Melhor ainda: Lula tem mais votos do que todos os outros candidatos juntos. Por essas pesquisas, ele é imbatível!

Em vista, dessa situação Lula teria que ser mesmo condenado. Com a condenação, ele poderá se tornar inelegível. As acusações contra Lula são frágeis, como mostrei em artigo quando Moro o condenou. No texto, sob o título “A condenação de Lula”, escrevi: “Desconheço as cinco denúncias contra Lula. Uma coisa constatei: Essa do tríplex é fraca. O ex-presidente provou que o tríplex do Guarujá não era dele, mesmo assim foi condenado a 9 anos e 6 meses pelo juiz Sérgio Moro. Condenação que foi elogiada por uns e criticada por outros. É o que vamos ver. (...) Em primeiro lugar, a própria sentença do juiz Moro reconhece, como revela o ESTADÃO, que não houve posse do tríplex por Lula. Ou seja: ele realmente não é o dono. Apesar disto, segundo a sentença, Lula é culpado! Moro diz que o condenou baseado em testemunhas que dizem que o tríplex é dele e também nos documentos apreendidos. PROVA DA PROPRIEDADE NÃO EXISTE...” Adiante acrescentei: “O ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo, em entrevista à BBC Brasil, disse: “(A sentença) É um decisão política (sic), é para retirar Lula da vida pública, da disputa política. (...) Todo mundo sabe que Lula não é o dono do apartamento. Está sendo condenado por uma coisa que não é dele. Isso de certa forma define a sentença como uma sentença DE CARÁTER POLÍTICO”. Concordo: é uma condenação política e não jurídica.

A decisão do Tribunal, em 24 de janeiro, de aumentar a pena de Lula de 9 anos e 6 meses para 12 anos e 1 mês foi surpreendente, mas tem um motivo: inviabilizar a candidatura dele! Segundo o ESTADÃO, como a 8ª Turma foi unânime (sic) na definição da pena, a margem para apelações ficou mais restrita”. Para mim, estava tudo combinado. Houve carta marcada, justamente para dificultar a defesa de Lula na apelação. Era e é para dificultar sua candidatura à Presidência, que se tornou dificílima, quase impossível. A trama deu certo. É o que penso!

Ainda teremos uma batalha jurídica. No entanto, provavelmente perdida por Lula. Entretanto, quem pensa que ele morreu politicamente está equivocado. Lula ainda terá, por muitos anos, uma liderança política. Muito mais do que FHC, hoje com quase noventa anos, mas que ainda opina sobre a política nacional.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sábado, 27 de janeiro de 2018

Qualquer coisa, menos Lula!



Qualquer coisa, menos isso. Este é um pensamento típico de gente recalcada. O que é o recalque? É quando não posso nomear, porque ao reconhecer, faço existir o que não consigo suportar. Por que certas pessoas querem o Lula como carta fora do baralho? Lacan diz que quando amamos buscamos no outro o que nos falta. Na base do preconceito, ninguém que considero pior pode me dar o que não tenho. Só os perversos excitam-se com o baixo, o sujo, o podre e o grotesco. Nesse caso, então, Lula seria fetiche do amor e ódio de quem o rejeita. Não tenho dúvida de que Lula é o sintoma da classe média brasileira. O sintoma é o ódio que coloco no lugar do meu desejo – no sentido de segurar o recalque do amor que tanto nego. Quantos não são – duramente – discriminados por amarem alguém que lhes é – socialmente – considerado inferior? Lula é muito, por isso precisa ser tratado como resto, nada, estorvo, sobra, escombro, entulho. Não podemos deixar de considerar que grande parte do ódio ao cantor Chico Buarque, deve-se à dificuldade em admitir como uma pessoa como ele pode gostar de alguém que veio do nordeste montado em um pau de arara. Na psicanálise, tudo menos, pode ser tudo mais. Não há outra explicação para tanto ódio quando alguém diz preferir qualquer coisa a Lula. Qualquer coisa, é muito sintomático. Não estou dizendo que Lula não tenha cometido erros como presidente. O que me assusta é a não indignação para com certas figuras – e tanto desprezo quase todo dirigido apenas para ele. Tanto ódio, não pode ser só ódio. Se fosse ódio mesmo, ele não seria tão amado por tantos e por tanto tempo. Não é possível tanta gente equivocada – e por tantas décadas. E não se trata de paixão ou fanatismo, porque sabemos – muito bem – que toda paixão dura pouco. É uma pena que tanta gente prefira o suposto limpinho, engomadinho e que fala bonitinho, mas que – no fundo – só faz figuração política. É uma pena fazer gozar do que me falta só com aparência. Quanta futilidade! Não devo viver só para me ver refletido. Pode ser bom para mim que o outro se veja como me vejo. É por isso que gosto de Lula: ele me faz ver para além de mim. Ele joga no meu espelho esse excluído e me faz ver que é bom para mim que ele fique bem também. Lula me faz me ver nesse outro, porque, caso contrário, esse mesmo outro me fará me ver nele – nem que seja na marra. É isso que não quero que aconteça. Por isso, quero Lula presidente – de novo.


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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Brilha uma estrela



Morador da Zona Oeste paulistana, João Paulo soltou fogos:

- Se fudeu Lulladrão!!

Como típico coxinha de classe-média paulistana, ele era um habitual eleitor tucano, pato da FIESP e outras qualidades duvidosas que não cabe aqui enumerar, e teve orgasmos com a reiteração da condenação de Lula. 
- Doze anos é pouco. Tinha que amarrar num poste e...

João Paulo se encontrava numa choperia onde se distribuiu gratuitamente chopes, como comemoração pelo placar no tribunal.
- Vai pra Papuda, vagabundo HIC!!

Ele espionava o Facebook:
- Olha os mortadela kakakakakakakaka HIC!

De tanto escrever "kkkkkk" ele passou a rir dessa forma na vida real.
- Chora petralha kakakakakakaka! Que linchamento o quê!

Era seu dia de glória.

Como torcedor de futebol, ele adaptou para o resultado do julgamento do ex-presidente uma antiga frase que ouvia muito:
- Sem triplex é mais gostoso. HIC!

Sim, é isso mesmo. Ele se ligou que havia algo de estranho nessa história de triplex. Não estava convencido que o bem pertencesse ao ex-presidente. Mas não estava nem aí. Talvez aquela fosse a última chance de botarem o petista atras das grades.
- Sem triplex é mais gostoso, Nove Dedos. Linchamento o caralho!
O chope estava muito bom, mas era hora de ir pra casa.

João Paulo caminhava em direção a casa, e ia pensando:
- Se fudeu, Lullarápio. 

Seu pensamento ia acelerado. Ele nem prestava atenção ao que acontecia em volta. O entusiasmo não deixava.

De repente, seus pensamentos chegaram aos anos 80:
- Como era mesmo a musiquinha desse vagabundo? HIC!

Ele se referia a um antigo jingle de campanha.
- Ah, caralho, lembrei... "Brilha uma estrela..." hahahahah HIC! Vai ser a estrela da Papuda, baiano vagabundo. 

A musiquinha não arredava.
- Lulala...brilha uma estrela HAHAHAHA!

E João Paulo prosseguia seu caminho.

E cantarolava. A melodia fácil e grudenta. O verso simples e poderoso. Como aquelas músicas que tocam no rádio e nos acompanham pelo resto do dia na cabeça.

João Paulo não percebeu, mas já estava cantando em voz alta.

A empolgação e os vários chopes estavam atuando na causa.

- Lulalá, brilha uma estrela.

Ele passou perto de um grupo de marombeiros, frequentadores daquelas academias de maromba e artes marciais da Rua Clélia.

O grupo de marombeiros, todos coxinhas como ele. Reaças de responsa.

- Ih, que que esse petralha tá fazendo aqui?
- Mortadela do caralho.
- Só de olhar a gente vê que é petista.
- Ih, tio, o cara tá até cantando a musica do Lulladrão.
- Vagabundo do caralho. Vamo lá esculachá esse comunista.

João Paulo já chegava perto de casa. Ainda cantava os versos do jingle petista:
- Lulalá, brilha uma estrela...

Foi atingido por trás.

- Cadê o Lula agora, vagabundo??

Depois pela frente.

- Chama o Lula, filho da puta!

Em seguida, por todos os lados.

- Vai pra Cuba, cusão!

A última coisa que viu, antes de desmaiar pelo espancamento, foi uma imensa estrela.

Magnifica, enorme, imponente.

E toda vermelha.

Vermelho do sangue que já escorria pelo rosto e cobria seus olhos.

A polícia tomou a frente do caso.

Câmeras de segurança próximas foram analisadas.

Testemunhas foram ouvidas.

Todas as testemunhas foram taxativas.

Elas disseram que escutaram gritos de "Lula, Lula!" e gente cantando "Brilha uma estrela!"

E alguns reconheceram João Paulo.

- Ih, esse aí até fez campanha pro Serra.

A polícia concluiu que ele foi espancado por um grupo de petistas raivosos, revoltados pelo resultado do tribunal.

A imprensa, extasiada, passou meses falando sobre o caso do tucano que foi espancado por militantes petistas. Finalmente os editorialistas do Estadão conseguiram ter uma ereção.

Os marombeiros ficaram sabendo da cagada que cometeram, mas prometeram entre si não abrir o bico.

Afinal, a culpa do espancamento de João Paulo estava recaindo sobre os mortadelas.

Em casa, João Paulo se recupera dos graves ferimentos, e deve ter alta em quatro semanas.

O diabo é que a musiquinha do Lula não sai de sua cabeça.

- Lulalá...brilha uma estrela... Porra, como faz pra isso parar??


FIM


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Você é um 'fascista namastê'




No final dos anos 70 a banda punk californiana Dead Kennedys despontou com o single que acabaria sendo seu maior sucesso: "California Uber Alles", um ataque direto ao governador democrata da California e reputado liberal, Jerry Brown, tido como candidato a presidencia dos EUA nas eleições de 1980.
Num de seus versos, destacava-se a expressão "fascistas zen" ( 'zen fascists' no original ).
Perguntado a respeito, o vocalista e autor da letra, Jello Biafra explicou que se tratava de uma alusão a pessoas que nos anos 60 tinham a cabeça muito aberta e depois foram se tornando direitistas e reacionárias.
Talvez não fosse o caso de Brown, mas a canção entrou para a história da cultura pop e serviu para alçar os Kennedys ao patamar de um Clash, só que menos comercial ( nunca assinaram com majors, ao contrário, gravaram por seu próprio selo independente, até a debacle da banda em 1987 ).
Quarenta anos depois, vemos que a expressão "fascista zen" se encaixaria com perfeição à realidade politica brasileira.
Melhor ainda: podemos cunhar nossa própria expressão, e eu humildemente sugiro "fascista namastê".
Como seus 'primos' dos anos 60 e 70, perseguem a elevação espiritual atrávés de práticas esotéricas esquisitas e crenças diversas. Meditação, pirâmides energéticas, filosofia pseudo oriental, astrologia, New Age, esferas místicas lunares, ecologia e meio ambiente, comunhão com a Mãe-Natureza, pensamento positivo, incensos, Feng Shui.
Começam o dia postando alvíssaras ao Sol e ao Universo, pretendem emitir boas energias, mandando a todos seus contatos nas redes sociais mensagens fofinhas de amor e de esperança ou frases atribuidas a Osho ou Krishnamuti.
O 'fascista namastê' também costuma postar vídeos de cachorras amamentando gatos. Além do vídeo, uma lição de moral, ou melhor, de vida: os animais têm muito a ensinar aos humanos.
Sim, um saco isso.
Enfim, daria para ficar a manhã inteira escrevendo sobre isso, mas o tempo urge.
O 'fascista namastê' é isentão.
Ele diz que acha todos os políticos ruins. 
Mas é como diz o ditado: o diabo se disfarça, mas o rabo teima em aparecer.
Em meio a suas habituais frases de elevação espiritual, o fascista namaste ( já não preciso usar mais as aspas ) infesta a sua e a timeline dos outros de mensagens contra Lula, o PT, a esquerda. 
Apesar de 'isento' e 'apartidário', o fascista namastê tem um verdadeiro ódio por tudo o que representa o partido de Lula.
Apenas contra eles, contradizendo sua propalada isenção.
A sua obsessão é praticamente palpável, como uma substância que se pode pegar e segurar.
Tem uma frase de Lao-Tsé que resume o comportamento do fascista namastê: "A alma não tem segredos que o comportamento não revele."
O fascista namastê não esconde seu ódio de classe.
Ele apenas tempera sua essência verdadeira com aparências de adepto da concórdia e do entendimento.
Assim, diante da farsa de ontem, em que nenhuma prova foi exibida pelos inquisidores contra Lula, apenas a boa e velha teoria do domínio do fato e nada sobre o triplex, o fascista namastê não se fez de rogado: despejou o habitual chorume tóxico, não se importando que ali havia uma violência apontada até mesmo por tradicionais adversários de Lula, como o blogueiro direitista Reinaldo Azevedo.
No mesmo dia da confirmação da condenação de Lula, a imprensa noticiou que o PGR pediu o arquivamento de inquérito sobre o senador do PSDB José Serra e um suposto caixa 2 na campanha de 2010.
Como de hábito, fascista namastê não abriu o bico sobre isso, a não ser quando foi cobrado a respeito de sua alegada imparcialidade. Somente aí é que ele digitou algumas coisas, com a mais evidente má vontade.
A essa hora, o fascista namastê deve estar abraçando uma árvore, agradecendo à Constelação Arcana ( ou alguma merda parecida ) pela prisão do Lula, ainda a ser confirmada.


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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Escândalo na Caixa Econômica Federal. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Mais um escândalo no governo Temer. Desta vez na Caixa Econômica Federal.

O Estadão noticiou: “Após recomendação do BC, Temer afasta quatro vice-presidentes da Caixa – Suspeita de corrupção – Afastamento, de 15 dias, é uma derrota (sic) do governo na queda de braço com procuradores da força-tarefa Greenfield, que recomendou a saída dos executivos em dezembro; eles são acusados de vazar informações privilegiadas para políticos”.

Na matéria o jornal informa: “Após recomendação do Banco Central (BC) e do alerta do Ministério Público Federal (MPF) sobre uma possível punição (sic), o presidente Michel Temer determinou ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e ao presidente da Caixa, Gilberto Occhi, que afastem, por 15 dias, quatro vice-presidentes do banco que estão sendo investigados por corrupção (sic). Depois da ordem do presidente, a Caixa informou que vai afastar os executivos para que eles possam “apresentar ampla defesa das acusações”. (...) Embora o afastamento dos quatro seja temporário, a decisão de Temer significa UMA DERROTA na queda de braços que o governo vinha travando com os procuradores da força-tarefa Greenfield. (...) Após a primeira negativa de Temer e da Caixa em afastar os executivos, os procuradores da Greenfield se reuniram com representantes do BC na semana passada para debater a situação dos vices-presidentes. Com base nessa reunião, os investigadores enviaram, no dia 11/1, um ofício no qual ALERTAVAM PARA A POSSIBILIDADE DE PUNIÇÃO DE TEMER POR CONTA DA MANUTENÇÃO DOS EXECUTIVOS”. Ou seja, Temer atendeu o pedido a contra gosto, na “marra”!

Janio de Freitas, em artigo à FOLHA, comentou: “Foi preciso uma advertência sobre seu risco de ser processado para Michel Temer enfim admitisse o afastamento dos quatro vice-presidentes da Caixa postos sob suspeita por investigações policiais e da própria Caixa. Mas a Procuradoria da República no Distrito Federal quer mais, quer o necessário: o afastamento definitivo dos vices e a ocupação desses cargos técnicos por pessoa com habilitação específica, NÃO MAIS TESTAS-DE FERRO DE POLÍTICOS ABANDIDADOS. (...) E a própria Caixa vai pedir o afastamento do seu presidente, Gilberto Occhi, que não era alheio às irregularidades praticadas, por CORRUPÇÃO e política, nas vice-presidências. (...) A RELUTÂNCIA DE TEMER É COMPREENÍVEL. TRATA-SE DE GENTE DO BANDO”. Sem comentário...

Adriana Fernandes, no Estadão, no texto “Sem vergonha”, escreve: “Até pouco tempo atrás, as indicações políticas para a Caixa Econômica Federal eram negadas (sic) pelos padrinhos parlamentares. O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha costumava zombar quando questionado se o ex-vice-presidente Fábio Cleto (Fundos e Loterias) era o nome dele no banco estatal: “Você acha que tenho mais poder do que realmente tenho”, dizia. (...) Cleto virou delator e contou que atuava no fundo que usa dinheiro do FGTS para aplicar em infraestrutura a PEDIDO DE CUNHA E DIVIDIA COM O EX-TODO PODEROSO DA REPÚBLICA AS PROPINAS DAS EMPRESAS INTERESSADAS NO CRÉDITO MAIS BARATO. (...) O loteamento político deixou de vez de ser envergonhado no governo Michel Temer. É tudo às claras mesmo. O ápice dessa nova realidade foi a declaração do ministro Carlos Marun [sempre ele!], responsável pela articulação política entre o Palácio do Planalto e o Congresso, admitindo que os governadores que dessem apoio à reforma da Previdência teriam empréstimo aprovado pela Caixa”.

Concordo com o Editorial da FOLHA (21/1): “Um banco estatal não é prêmio para apaniguados”.

Creio que outros escândalos virão. É só esperar! O próximo poderá ser o Porto de Santos...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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domingo, 14 de janeiro de 2018

Julgamento de Lula. Artigo de Jasson Oliveira Andrade


Em resposta a pergunta do Estadão (11/1) “No dia 24, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ser julgado. Qual a sua expectativa?”, Manuel de Queiroz Pereira Calças, novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, informa: “Eu acho que ele não será julgado no dia 24 de janeiro porque a praxe dentro da advocacia cível ou criminal, em casos quetais, é pedir o adiamento para uma sustentação oral que é um direito que os advogados de defesa têm. No meu modo de ver, com a experiência que tenho, não haverá esse julgamento no dia 24. No meu modo de ver, particular, pessoal, haverá pedido de adiamento para sustentação oral.” Se fosse um tucano, tudo bem. Com Lula, tenho dúvida. A ver!

O MILAGRE DA INFLAÇÃO BAIXA – O governo concede aumento da gasolina e do bojão de gás quase todos os meses. Mesmo assim a inflação, ao invés de aumentar, diminui. Qual esse milagre? Quem compra no Supermercado percebe que os preços estão iguais ou aumentaram. Segundo consta, a inflação menor se deve aos preços dos alimentos, ou seja, à Agropecuária, cuja produção, em 2017, foi enorme. Temer não tem nada a ver com essa inflação menor, mas ele diz que isto se deve à sua política econômica. MENTIRA!

O MÍNIMO AUMENTO DO SÁLÁRIO MÍNIMO – O governo concedeu um aumento do salário mínimo de apenas R$ 17 reais, abaixo da inflação. Isto nunca aconteceu! Ouvi de uma pessoa que recebe o salário mínimo: Com esse aumento ridículo, era preferível não ter dado NADA... Sem comentário.

A NOVELA CONTINUA: A novela da nomeação da deputada Cristiane Brasil para ministra do Trabalho continua. Chico Alencar (PSOL-RJ), falou: “Cristiane Brasil não imaginou que virar ministra do Trabalho IRIA DAR TANTO TRABALHO”. Sobre a nomeação dela, a pedido do pai, Eliane Cantanhede comentou: “Temer foi enganado? Ele conhece os personagens, o desemprego e sua baixa popularidade, mas está perdendo, uma a uma, a chance de fazer o que o senador José Serra anunciava entre o impeachment de Dilma e a posse de seu vice: “governo de notáveis”. QUE NOTÁVEIS!”. A jornalista ainda afirma: “Temer perde uma chance atrás da outra de melhorar a qualidade de seu Ministério”. Ao contrário. Com Cristiane, piorou!

S&P REBAIXA A NOTA DO BRASIL – O ESTADÃO noticiou: “A agência de classificação de riscos Standard & Poor`s anunciou no dia 11 de janeiro um novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil. Com isso, o País fica três patamares abaixo do grau de investimento – uma espécie de selo de bom pagamento, que indica que determinada região é segura para os investidores. Sem ele, os financiamentos externos para empresas brasileiras ficam mais caros”. A economista Monica Bolle, no mesmo jornal, revela: “A verdade é que a situação fiscal do Brasil simplesmente não teve nenhuma melhora [como diz Temer], teve uma piora”.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Campanhas para tornar os paulistanos criaturas aptas a viver em sociedade estão fadadas a um rotundo fracasso



Com jeitinho (paulistano)

Quando pretenderem botar em prática uma campanha civilizatória pros paulistanos maneirarem um pouco com o seu famoso jeitinho, os proponentes dessa campanha precisam ficar atentos ao argumento que calará fundo no coração das pessoas.

Tem que ser com jeitinho.

Por exemplo. Digamos que a campanha seja sobre mochilas nas costas em transportes públicos.

Não irá adiantar nada dizer: "As mochilas transportadas nas costas atrapalham os outros passageiros".

Vai obter é o resultado oposto ao desejado.

Tem que apelar pro egoísmo inato dos paulistanos:

"Quando você transporta sua mochila nas costas, facilita as coisas pros ladrões"

Ou coisa do tipo. Algo nesse sentido.

Ou uma campanha pelo trânsito menos selvagem:

"Não estacione seu carro na calçada. Isso prejudica os pedestres".

"Não deixe seu carro em frente a garagem dos outros para não prejudicá-las"

Aqui isso nunca funcionou e jamais funcionará.

Tem que ser assim:

"Não deixe seu carro na calçada ou em frente a garagens. As pessoas poderão chamar a CET e você acabará sendo multado injustamente pela Indústria da Multa má e horrorosa"

Em São Paulo é assim que o apito toca.

E a minoria gente fina não apita nada.

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Cristiane Brasil: Jefferson no Poder. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


O pedido de demissão do ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira (PTB-RS) trouxe problemas para Temer. O substituto escolhido pelo PTB seria o deputado federal Pedro Fernandes (PTB-MA). No entanto, a escolha foi vetada por Sarney. O motivo: Fernandes é ligado ao Governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), que derrotou a família Sarney, que há muitos anos dominava o Estado. Para mim, esse veto demonstra duas coisas. Primeiro, a família Sarney está em baixa no Maranhão. Segundo, o ex-presidente José Sarney mostrou enorme prestígio junto a Temer!

O dono da Pasta do Trabalho é o PTB. Com o veto de Sarney, a escolha recaiu na deputada Federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha do polêmico Roberto Jefferson, presidente do partido.

A nomeação da deputada petebista foi analisada, em artigo, pelo jornalista Josias de Souza. No texto “Reforma da Esplanada é um troca de cúmplices (sic)”, ele escreveu: “Se 2017 foi o ano da tempestade, 2018 será o ano da cobrança. Depois de vender a alma para enterrar duas denúncias criminais na Câmara, um exame de consciência levaria Michel Temer a pensar numa boa faxina. Mas este é um governo guiado pela inconsciência moral. E o presidente, sem demora, já nas primeiras horas do ano, deflagrou uma nova orgia (sic) em cima dos detritos da farra anterior. Não teve tempo nem de limpar a mancha na almofada, colocar o abajur em pé e verificar se alguém ficou escondido atrás do sofá. Reabriu o balcão das barganhas (sic) à luz do dia, na frente das crianças. (...) Em qualquer país do mundo, um volume de 12,5 milhões de desempregados levaria o governo a tratar com reverência uma pasta batizada de Ministério do Trabalho. No Brasil de Temer, esse pedaço vital da máquina pública pertence ao PTB. E passará a ser gerenciado pela deputada Cristiane Brasil, filha do ex-deputado Roberto Jefferson. Na saída de um encontro com o presidente, Jefferson contou como tudo se deu: “O nome dela surgiu, não foi uma indicação. Nós estávamos conversando, aí, falou, “Roberto, e a Cristiane, por que não a Cristiane?´ Foi da cabeça do presidente. Ela é uma menina experimentada, foi secretária municipal em vários governos na cidade do Rio de Janeiro, por que não? Falei, “presidente, aí o senhor me surpreende, eu vou ter que consultar”. Aí liguei para ela. Ela disse: “pai, eu aceito”. (...) Súbito, as lágrimas inundaram os olhos de Jefferson diante das câmeras. Está emocionado?, indagou uma repórter. O entrevistado confirmou. Delator do mensalão, Jefferson teve o mandato de deputado passado na lâmina. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 7 anos e 14 meses de cadeia, puxou 1 ano e 2 meses de cana. Contra esse pano de fundo tóxico, disse ter enxergado na conversão da filha em ministra um RESGATE da imagem de família. (...) Que beleza! Os empregos continuam sumidos. Mas o governo SUJO de Temer resgatou a imagem MAL LAVADA do clâ de Jefferson. “Alvíssaras!”, gritarão os desempregado nas filas, brandindo seus currículos inúteis. O nome de Cristiane soou na delação da JBS como participante de negociação que rendeu R$ 200 milhões ao PTB. O dinheiro comprou o apoio da legenda à candidatura presidencial de AÉCIO NEVES em 2014. Cristiane foi mencionada também na delação da Odebrecht como beneficiária de MOCHILA COM R$ 200 MIL. (...) O problema não começa nas legendas. Começa no presidente (sic), que oferece graciosamente [?] os ministérios. Temer não é o primeiro a fazer isso. É APENAS UM DOS MAIS DESPUDORADOS. Se existem áreas abertas à barganha MESMO COM A LAVA JATO a pino é porque o CINISMO tornou-se uma marca indissociável do atual governo. PTBs e PRBs apenas jogam o jogo que lhes é proposto. E Temer decidiu tratar a reforma de sua equipe de governo não como uma substituição de ministros, MAS UMA TROCA DE CÚMPLICES”.

Eliane Cantanhêde, em artigo ao ESTADÃO, revelou: “Antes mesmo da posse, Cristiane Brasil está às voltas com uma informação ruim para qualquer cidadão, mas PÉSSIMA para um ministro do Trabalho. Ela foi condenada pela Justiça trabalhista (sic) a uma multa de R$ 60 mil por manter um motorista trabalhando para a família das 6 da manhã até tarde da noite – E SEM CARTEIRA ASSINADA”. O JORNAL NACIONAL, da TV GLOBO, entrevistou esse motorista e um outro, que também ganhou na Justiça trabalhista uma ação contra Cristiane Brasil, pelo mesmo motivo!

Com a nomeação de Cristiane Brasil, suspeita de corrupção como afirma Josias de Souza, Roberto Jefferson voltou ao Poder. Comentar o que? Sem comentário...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

"Uma tragédia": Grande coração humanista, delegado fica com pena de empresário que assassinou irmão na festa da firma



O empresário Matteo Petriccione Júnior, de 35 anos, dono de uma revendedora de veículos Mercedes-Benz em São Paulo, matou o irmão com três tiros no dia 23, após a festa da firma. Pela versão oficial, estava bêbado. Nunca teriam brigado e não tinham antecedentes criminais.

A polícia está perplexa. Inconformada. Es-tar-re-ci-da. Aspas para o delegado, hoje na Folha, lá no antepenúltimo parágrafo da página B6, após Matteo confessar o crime:

- É legal quando você fala da prisão de ladrão, mas um caso assim a gente fica triste, por ser uma grande tragédia. Pessoas de bem, trabalhadoras, e numa fração de segundos ocorre a desgraça. É até triste para nós, mas é um trabalho que precisa ser feito.

Fim das aspas do delegado. Que precisa ser consolado urgentemente, coitado: um empresário que vende carrões (filiado desde 2006 ao PMDB) matou o irmão. E - incrível - será julgado. Uma "pessoa de bem", que antes de executar o irmão por motivo fútil deu uma cabeçada na tia.

Uma cabeçadazinha na tia aqui, um assassinatozinho de irmão ali, coisa de empresários, né, seu delegado, redefinidos como trabalhadores, não coisa de "ladrão". Quase uma traquinagem.

(Todos os assassinos são iguais, deve pensar o policial, mas alguns são mais iguais que outros. Alguns vendem Mercedes.)

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Em 1994, quando Matteo Júnior ainda era um adolescente, o pai Matteo Petriccione foi preso em flagrante por revender um Mercedes e peças contrabandeados da Alemanha para o Brasil. Decerto mais um deslize?

Em 2017, um dos filhos está morto. Mas o irmão criminoso está "totalmente arrependido", diz o delegado: "Foi um momento. Agiu alcoolizado, talvez fora de si até, ambos estavam, e ele acabou efetuando os disparos".

A polícia (deprimida, filosoficamente inconsolável, talvez inconformada com esse Código Penal tão implacável, aparentemente com dúvidas hamletianas sobre o que fazer agora) ainda estuda se pedirá a prisão preventiva de Júnior.

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Agora imaginem como deve ser tratado na delegacia alguém que furte um Mercedes. Nas palavras do policial, "um ladrão".

ALCEU CASTILHO, no Facebook

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Marin e Maluf passam Natal na cadeia. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Maluf e Marin iniciaram politicamente na Ditadura Militar. É o que veremos a seguir.

Sobre Maluf, Gilberto Dimenstein, em seu livro “As armadilhas do Poder – Bastidores da Imprensa”, à página 117, conta que o atual deputado iniciou-se na política através de Yolanda Costa e Silva, esposa do segundo ditador, Costa e Silva. Segundo o jornalista, “não era segredo que ela [Yolanda] tinha extrema simpatia por um empresário chamado Paulo Maluf, que conheceu quando morava em São Paulo e o marido era comandante do II Exército. E também não é segredo que Dona Yolanda não apenas aplaudiu como influenciou para que Maluf entrasse na vida pública num alto cargo na Caixa Econômica Federal. (...) Mas, aqui, a fofoca vai um pouco mais longe. A simpatia do casal teria origem em dívidas de jogo. Costa e Silva gostava muito de jogar – e, claro, muitas vezes perdia. As dívidas seriam quitadas discretamente pelo prestimoso empresário. Sem contar as finas jóias presenteadas a Dona Yolanda”. Foi assim, segundo esses boatos, que Maluf entrou na política. Se não é verdade, é bem provável.

Leandro Colon, em artigo à FOLHA (25/12), sob o título “Irmãos siameses” na ditadura, Maluf e Marin passam Natal na cadeia”, o jornalista revela a trajetória política dos dois na Ditadura Militar. Eis o que revelou Colon: “Marin promete que será fiel a Maluf”, informa o título da página 4 da FOLHA de 12 de maio de 1982, uma quarta-feira. Na véspera, José Maria Marin, então vice-governador de São Paulo, rasgara elogios a Paulo Maluf, o governador. (...) Dias depois, Maluf deixaria o cargo para disputar e conquistar vaga na Câmara dos Deputados. Marin o substituiria no governo até 1983. (...) Naquele maio de 82, a dupla do PDS trocou afagos públicos. Marin declarou sua “lealdade total e fidelidade a este grande estadista que é Paulo Maluf”. Maluf soube retribuir à altura. Falou em “amizade e lealdade, integridade e competência”. (...) “Não encontro um exemplo onde o governador e seu vice tenham se dado COMO IRMÃOS GÊMEOS, COMO IRMÃOS SIAMESES, como eu sempre me dei com José Maria Marin”, disse. (...) Segundo as palavras de Maluf, a relação entre os dois deveria, na época, “se constituir, na verdade, como um exemplo para a classe política, QUE FAZ POLÍTICA COM ÉTICA E COM HONESTIDADE aqui no Estado de São Paulo”. A reportagem conta que Maluf e Marin então “abraçaram-se demoradamente e choraram”. (...) Quase 36 anos depois, os “irmãos siameses” da ditadura estão condenados e presos. Maluf passou a noite de Natal no presídio da Papuda, em Brasília, e Marin dormiu em uma cela de um presídio federal dos EUA. (...) Hoje deputado, Maluf começou a cumprir pena por lavagem de dinheiro em esquema de desvio de verba durante sua gestão como prefeito de São Paulo, entre 93 e 96. (...) Ex-presidente da CBF, Marin acaba de ser considerado culpado por um tribunal de Nova York pelos crimes de organização criminosa, fraude financeira e lavagem de dinheiro em contratos de direitos do futebol. (...) A prisão deles é um irônico e coincidente registro da história, carregado de um alerta: o caso Maluf escancara a lentidão [não para Lula, que foi a jato] e o de Marin, punido nos EUA, expõe a incapacidade das autoridade brasileiras em investigar nossos cartolas”.

Um fato gravíssimo não foi comentado por Colon. Marin, na ditadura, quando era deputado estadual, “dedou” Herzog. Graças a essa denúncia, o jornalista foi preso, torturado e assassinado. Em 2/6/2015, quando da prisão de Marin, escrevi um artigo (“Marin e o assassinato de Herzog”), no qual escrevi: “Se o presente dele é comprometedor, o seu passado político o condena”. Agora, com a sua prisão e provável condenação se fez Justiça: Marin hoje está pagando, indiretamente, o seu “crime” de dedurar Herzog!

MARUN PISOU NA BOLA – Marun começou mal como ministro. Ao tentar comprar votos a favor da Reforma da Previdência, ele pisou na bola. Procurou governadores do nordeste, oferecendo empréstimos oficiais, principalmente da Caixa Federal, em troca do voto dos deputados desses Estados. A iniciativa foi considerada uma CHANTAGEM. A economista Miriam Leitão, da TV Globo, escreveu: “Usar os bancos públicos politicamente é uma forma de PEDALADA – A Lei de Responsabilidade Fiscal veda (sic) o uso político dos bancos públicos. Mas o ministro Carlos Marun declarou que vai usar os financiamentos da Caixa como moeda de troca [em favor da Reforma da Previdência] com os governadores em dificuldade”. Já Bernardo Mello Franco comentou: “Líder do centrão na Constituinte, o deputado Roberto Cardoso Alves deixou uma máximo para a história: “É dando que se recebe”. Era uma releitura picareta da oração de São Francisco de Assis. Em vez de pregar a generosidade, o peemedebista defendia as barganhas em troca de votos no Congresso. (...) Três décadas depois, a frase continua a pautar as relações entre o Planalto e o Legislativo. O velho Robertão está morto, mas O FISIOLOGISMO TEM NOVO PORTA-VOZ: é Carlos Marun, recém-promovido a ministro da Secretaria de Governo. (...) Condicionar os repasses a votos no Congresso tem outro nome. É o velho “toma lá, dá cá”, que tipos como Robertão e Marun não têm vergonha alguma de defender”. O Estadão, jornal governista, em Editorial “O pitbull”, condenou: “Se o governo não quer que a agressividade de Carlos Marun produza efeitos contrários ao esperado, É O CASO DE EXIGIR QUE O “PITBULL” SE COMPORTE CIVILIZADAMENTE. (...) Em carta pública dirigida ao presidente Michel Temer, os governadores do Nordeste já admitem processar (sic) o ministro da Secretaria do Governo por suas ações [pedalada, segundo Miriam Leitão]. É com atitudes como a de Marun que os inimigos da reforma [da Previdência] prosperam”. Até um jornal governista reconhece que Marun pisou na bola!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Temer marginalizado pelos próprios companheiros. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Governos impopulares, fracos, costumam ser marginalizados pelos próprios companheiros. É o que está ocorrendo com Temer, embora seja muito cedo: ainda não chegamos nem mesmo em 2018, último ano de seu governo. É o que veremos a seguir.

Deu no Painel da FOLHA (22/12/2017): “PRESIDENTE DO SENADO E DIRIGENTE DA SIGLA DE TEMER [MDB], EUNÍCIO USA EVENTO DO GOVERNO PARA EXALTAR LULA - Verdadeira face – O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), usou o palanque cerearense do maior ato do Minha Casa, Minha Vida já promovido pelo governo de Michel Temer para exaltar Lula. Durante discurso na entrega de imóveis em Canindé (CE), ele afirmou que “muitas vezes as pessoas não compreendem o que é política”, mas “se não fosse um pernambucano sofrido, se não fosse esse nordestino chamado Luiz Inácio Lula da Silva, não teríamos a transposição das águas do rio São Francisco”. Meu rei – O elogio ao petista ocorreu durante o mutirão nacional do MCMV, organizado pelo Planalto (sic) para entregar 22.500 unidades em todo o país. Ao lado do governador Camilo Santana (PT), Eunício disse que a transposição foi um “presente de Deus e de Lula” – um “nordestino comprometido com sua gente”. Teste de DNA – O presidente do Senado discursou por pouco mais de 15 minutos, MAS NÃO CITOU O NOME DE TEMER NENHUMA VEZ. Tampouco avisou que o evento era promovido pelo atual governo. Ele foi aplaudido todas as vezes que mencionou Lula”.

Já Bernardo Mello Franco, na FOLHA, comenta: “Henrique Meirelles topa ser o candidato do governo, mas está longe de ser bobo (sic). O ministro falou por quase dez minutos na propaganda do PSD. Apresentou o currículo, vendeu otimismo e desejou feliz Natal aos eleitores, MAS NÃO CITOU A PALAVRA “TEMER” UMA ÚNICA VEZ”.

Por aí se vê, que realmente Temer está sendo marginalizado pelos seus próprios companheiros! O despacho do Pai Uzêda em Temer, na Convenção do MDB, falhou...

A PRISÃO DE MALUF - O ministro Edson Fachin ordenou, no dia 19/12, o cumprimento da pena de 7 anos, 9 meses e 10 dias em regime fechado, imposta à Maluf, por desvios de recursos das obras da Avenida Água Espraiada e do Túnel Ayrton Senna – quando foi prefeito (1993/1996). A punição do atual deputado federal durou mais de VINTE ANOS. Já o julgamento de Lula, marcado para 24/1/2018, andou a jato... Sem comentário.

MEIRELLES CANDIDATO A PRESIDÊNCIA - O ESTADÃO ( 18/12) noticiou: “O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, prepara uma plataforma eleitoral (sic)”. Adiante o jornal informa: “Na tentativa de fugir do rótulo de candidato do mercado e angariar apoio para uma campanha à Presidência em 2018, Meirelles começa a fazer inflexão no discurso e diz agora (sic) que é favorável a um “reforço” nos programas sociais, principalmente no Bolsa Família”. Apesar dessas declarações, o ministro declara que só vai decidir se vai sair candidato ou não em março de 2018. Vamos aguardar. O Estadão faz essa surpreendente revelação: “Em rede social, ministro [Meirelles] evita a palavra “Previdência”. Sem comentário...

PMDB VIROU MDB – O PMDB mudou de nome. Agora é MDB. Para mim é a mesma coisa. Mudou de QUADRILHÃO DO PMDB para QUADRILHÃO DO MDB! Celso Rocha de Barros, em artigo à FOLHA (25/12), escreveu: “Mesmo sem o “P”, MDB é bando de icaretas ilhando atrimônio úblico”. O autor concorda comigo: mesmo sem o “P” tudo continua a mesma coisa! José Simão escreveu: “2017! HÔHÔHÔubamos muito!”. Essa frase dele não serve para o “novo” MDB?

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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