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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

[ Parte 6 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja


O então senador petista e hoje eleito vereador em São Paulo, Eduardo Suplicy, deveria enviar uma carta de agradecimento ao jornalista Silvio Navarro, editor do site da Veja e autor do livro “Celso Daniel – Política, corrupção e morte no coração do PT”. Navarro foi muito generoso com o petista mais que ensaboado, porque o inseriu tangencialmente, sem importância alguma, como um personagem mequetrefe, em apenas três das mais de 200 páginas do que os críticos chamam de livro-reportagem.

Fossem mais bem informados, os críticos diriam que o livro de Silvio Navarro é uma farsa do começo ao fim, porque foi criada para redefinir os fatos e as circunstâncias de acordo com um final previamente elaborado: transformar Sérgio Gomes da Silva em ponta de lança intelectual de um assassinato investigado pela força-tarefa do Ministério Público Estadual e, mais importante ainda, criminalizar o Partido dos Trabalhadores não só pelo laboratório de arrecadação de fundos irregulares na gestão de Celso Daniel.

Como se sabe, a conexão do assassinato de Celso Daniel e as irregularidades na Administração Celso Daniel foi a estratégia que centralizou o livro de Silvio Navarro para atender aos desejos de uma maioria de audiência que se satisfaz com uma versão maciçamente levada ao público enquanto a realidade dos fatos apurados por forças policiais múltiplas concluiu que se tratou de crime de ocasião.

Desempenho patético
O jornalista Silvio Navarro foi esperto ao não dar destaque à atuação rocambolesca do então senador petista no caso Celso Daniel. Mas não agiu com a transparência e a correção que a imperiosidade do tema exige. Dividir a realidade dos fatos conforme conveniências não é um legado jornalístico que se deva respeitar, quando mais enaltecer.

Para que os leitores entendam o significado dessa avaliação é preciso recorrer a textos que produzi para mostrar que Eduardo Suplicy foi patético durante os desdobramentos do assassinato. Leiam o que enderecei ao então senador em 10 de novembro de 2005, portanto há mais de 11 anos, sob o título “Mensagem a Suplicy sobre pastor evangélico”. Antes disso, porém, faço breve exposição de fatos que contribuirão ao entendimento do que vem a seguir.

Trata-se do seguinte. Cinco dias antes de escrever aquela mensagem a Eduardo Suplicy (e que será reproduzida em seguida, não custa repetir), editei texto sob o título “Entre empresário real e fantasma evangélico”. O material foi fruto de uma entrevista com o delegado Armando de Oliveira, titular do DHPP, uma das repartições policiais do governo do Estado encarregada de apurar o assassinato de Celso Daniel.

Perguntei ao delegado do DHPP se o pastor evangélico alardeado pelo senador Eduardo Suplicy existia de fato. A indagação sobre um dos pontos mais importantes do caso Celso Daniel (e cuidadosamente omito pelo jornalista Silvio Navarro) tratava da propagação pelo então senador da República, aliado aos promotores criminais instalados em Santo André, de que teria recebido telefonemas de um suposto pastor evangélico que, presente a uma festa numa residência defronte ao abalroamento do veículo dirigido por Sérgio Gomes, teve tempo, sangue frio e senso de oportunidade para gravar cenas que comprometeriam o amigo do prefeito Celso Daniel. Sérgio Gomes estaria, segundo o relato de Eduardo Suplicy, em ação colaborativa com os sequestradores de Celso Daniel.

As declarações de Eduardo Suplicy foram feitas durante a CPI dos Bingos, também chamada de CPI do Fim do Mundo. Alguém que pretendia dar ao caso Celso Daniel dimensões e reações diversionistas, acabou se utilizando da notabilidade de Eduardo Suplicy para sustentar veracidade que de fato inexistia. Suplicy teria sido interlocutor ideal de uma farsa anunciada para jogar mais dúvida onde poderiam prevalecer pontos finais -- escrevi naquele artigo de novembro de 2005.

A resposta do delegado Armando de Oliveira foi mais suave do que incisiva: “Entre as mais de 300 denúncias que recebemos sobre o caso Celso Daniel, tivemos informações as mais desencontradas possíveis. Como de uma mulher que é useira e vezeira em dar declarações fantasiosas. Por isso que o caso do pastor evangélico possa estar nessa configuração é perfeitamente possível. Até prova em contrário, o pastor está nesse contexto. O equívoco na valorização do que as testemunhas falam pode nos levar a erros irreparáveis” – afirmou.

Que pastor evangélico?
Agora sim reproduzo o texto sobre o pastor evangélico alardeado por Eduardo Suplicy, publicado cinco dias após a entrevista com o delegado do DHPP:

Caro senador Eduardo Suplicy. Estava de olhos e ouvidos colados nos depoimentos das viúvas do Toninho do PT e de Celso Daniel, em transmissão da GloboNews. Aliás, senador, nesse ponto, aquela emissora e também os parlamentares tiveram o bom senso de identificar Roseana Garcia e Ivone Santana igualmente como mulheres dos prefeitos assassinados. Pena que a mídia, de maneira geral, porque discriminadora, prefira atribuir apenas a Roseana o título de viúva. Ao que consta, cada uma tem um filho de seus ex-companheiros. Então, não seria por superioridade numérica de paternidade que se nomearia a diferença. Se falta papel passado no caso de Ivone Santana para sustentar a hipocrisia do uso do termo "companheira" ou "namorada", que se revogue então o Novo Código Civil. Mas isso é outra história. O que interessa, caro Suplicy, é o que o senhor disse sobre este jornalista.

De fato, não o ouvi ao sugerir que o senhor está sendo ludibriado por boa-fé, ingenuidade ou qualquer outra razão nessa versão do pastor evangélico. Nem preciso foi, porque é tão batida quanto o chão de terra em que foi encontrado o corpo do prefeito Celso Daniel, em Juquitiba. Ouvi-lo não acrescentaria nada no contexto da reportagem. Meus arquivos registram suas declarações a jornais diversos desde as primeiras repercussões do sequestro de Celso Daniel. Talvez nem sua assessoria tenha tanto material. O fato, caro senador, é que a essência da informação está corretíssima: o senhor está sendo levado por uma ação diversionista que visa colocar dúvidas onde poderiam se consolidar certezas. Talvez o senhor não se dê conta disso, porque, provavelmente, na ânsia de colaborar, não entende que está sendo usado.

Garanto-lhe, caro senador, que o mais interessado em que o pastor evangélico tão aludido saísse da ficção para a materialidade é Sérgio Gomes da Silva, o homem acusado pelo Ministério Público de ter planejado operação de arrebatamento que nem o mais criativo dos diretores de Hollywood seria capaz de programar -- a começar pelo resgate de Dionísio Severo na Penitenciária de Guarulhos. Sim, disponho de fontes que asseguram a expectativa de Sérgio Gomes pelo aparecimento do suposto pastor evangélico porque as imagens que saltariam do vídeo confirmariam investigações da Polícia Civil e da Polícia Federal. Ou seja: ele é absolutamente inocente. É claro, senador, que o suposto pastor lhe contou enredo diferente. Não foi por outra razão que ele se apresentou como testemunha plantada, caro senador.

Segundo as mesmas fontes, o próprio Sérgio Gomes não teria esperança de que saltasse para a realidade o pastor evangélico que disse estar numa festa em casa defronte ao acontecido e que teria gravado tudo. Esse pastor, caro senador, agora segundo fontes policiais, é tão extraordinariamente confiável quanto muitas e muitas testemunhas que, crime ocorrido, crime noticiado, crime espetacularizado, relataram profusões de detalhes que, quando checados, simplesmente não tinham nexo. O caro senador certamente já ouviu falar dos loucos por futebol", não é verdade? Pois é: sempre que um crime com alguma celebridade ocorre, forma-se o esquadrão dos "loucos por testemunhar". Pois esse pastor evangélico, caro senador, garantem fontes policiais, faz parte desse time.

O senhor afirma que esteve reunido 30 dias depois do sequestro com o tal pastor evangélico. Seria ele mesmo pastor? Seria evangélico? Não teria sido um maluco qualquer a fustigar-lhe o ego, porque, ao procurá-lo, certamente o senhor se encheu de ânimo, entusiasmo e autovalorização. Como todos sabem, o senhor é um homem de credibilidade, de boa imagem. Teriam os articuladores da criação do pastor evangélico escolhido outro alvo mais qualificado e por que não mais suscetível à concretização do intento de jogar areia no ventilador de informações, senão o caro senador? Sei, caro senador, que poucos estariam dispostos a lhe endereçar essas explicações. A maioria não está nem aí com a elucidação do crime, já que o que lhes importa mesmo é disseminar dúvidas. Outros porque, como o senhor, acreditam piamente na existência do pastor evangélico, embora por motivações diferentes já que, como o senhor sabe, o caso Celso Daniel virou um Fla-Flu político, onde se está em jogo não a verdade dos fatos, mas a próxima disputa presidencial. Alguns outros não querem lhe chatear com a informação de que o senhor foi transformado em ponta-de-lança de obscuridade.

Trocando em miúdos, caro senador, o senhor está sendo rigorosamente ludibriado por manipuladores dos cordéis de intrigas que querem tudo, menos que o caso Celso Daniel seja esclarecido. Sabe o que me preocupa no comportamento do senhor, caro senador, além da santa ingenuidade de acreditar em fantasia? É a impressão de que o senhor não se relaciona bem com o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, também petista. Vocês estão brigados? No depoimento de Greenhalgh ainda recentemente à CPI dos Bingos notei que ele lhe endereçava olhares fulminantes. Outra coisa que me incomoda como jornalista é saber que o senhor acompanha os promotores públicos e o senador Romeu Tuma em oitivas de testemunhas do caso Celso Daniel mas não faz o mesmo esforço para ouvir os delegados da Polícia Civil e da Polícia Federal que apuraram o crime como comum. Haveria, caro senador, alguma relação entre a possível hostilidade a Luiz Eduardo Greenhalgh e a proximidade com os promotores que, como se sabe, não têm relações minimamente saudáveis com o deputado petista?

Se o senhor procura uma variante sobre o caso Celso Daniel baseado em questionamentos legítimos, de quem quer a verdade apurada, tudo bem senador Eduardo Suplicy. Agora, se o senhor se embrenha por ramificações porque de alguma forma quer retaliar o trabalho de Luiz Eduardo Greenhalgh, então a história é outra, caro senador. Quem acreditar na segunda alternativa reservaria ao senhor a desconfiança de que está dando corda ao personagem do pastor evangélico por razões que não resvalariam minimamente na pureza de quem quer colaborar. Caro senador Eduardo Suplicy: gostaria imensamente de acreditar na versão da existência do pastor evangélico, mas esse enredo parece manjado demais para ser levado a sério. O senhor anda alimentando um embuste com pagamento de passagem. Nos meios policiais, caro senador, o que mais se ouve como resposta ao assunto são sonoras gargalhadas.

O senhor caiu no conto da testemunha tecnologicamente mais avançada. Sim, porque há falsas testemunhas de audição, de visão, de percepção. Testemunha de câmera de filmagem em punho supostamente comensal de uma festa que se apresenta sozinho, sem sequer o acompanhamento de outros convivas e, depois, misteriosamente, brinca de gato e rato com o senador, convenhamos, é uma atividade de mau gosto e desrespeitosa, porque, afinal, o senhor é senador da República.

Senador Agente 86
Na semana seguinte – exatamente em 17 de novembro de 2005 – voltei a escrever na então newsletter CapitalSocial Online, sob o título “Mais uma mensagem ao Agente 86, senador Suplicy” sobre as trapalhadas do então senador petista. Leiam o texto completo e entendam as razões de não se compreender a supressão das fanfarronices histriônicas de Eduardo Suplicy do livre de Silvio Navarro – não fosse a farsa do enredo a melhor explicação, claro.

Desculpe, senador Eduardo Suplicy, pela inconfidência. É que escapou, num descuido quase que voluntário, desses que dão comichão de tornar o texto menos formal, chamá-lo de Agente 86. O senhor certamente sabe de que se trata essa antiga e quase proscrita série do detetive Agente 86, cujo ator morreu ainda recentemente. Aliás, morreu um pouco antes de um palhaço genuinamente nacional e muito mais divertido, o nosso Ronald Golias. Sabe, senador, a atuação do senhor no último final de semana prolongado foi digna mesmo de um agente trapalhão. Talvez o senhor esteja buscando performance de um 007, mesmo que envelhecido, mesmo que fora de forma física e plástica, mas, convenhamos, saia dessa. Pior que o senhor, caro senador da República, com todo o respeito que o senhor merece, só os jornalistas que correram atrás de suas "investigações" nos Três Tombos.

Devo confessar que o senhor e a sua assessoria são de primeira linha. Sabem exatamente como ocupar espaços na mídia. Os senhores pautam essa descuidada mídia que compra gato por lebre sem pestanejar. Ainda mais em final de semana prolongado, quando as redações de jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão estão às moscas, com esquemas de folga pré-concebidos, chefias gozando delícias do campo e da praia. Pode cair o mundo que são os contingentes de sempre dos finais de semana prolongados que vão tratar das notícias. A perspectiva de que nada de importante acontecerá é o padrão dos chefes de redação. Se cair o mundo, que se danem os leitores, os ouvintes e os telespectadores.

O senhor pegou muito bem essa onda, caro senador da República. Sua assessoria deve estar bem informada sobre os buracos da mídia. Foi aos Três Tombos, fez o papel do Agente 86 e todos caíram feito patos na lagoa. Essa mídia é tão descuidada, senador! O senhor e sua assessoria de imprensa sabem disso. Não pense o senhor que esteja este jornalista usando de sarcasmo para desclassificar sua pífia atuação de investigador de polícia. Nada disso. O que pretendo, no fundo, no fundo, é sugerir certos cuidados ao senhor. Sua imagem, que é uma maravilha em honradez e ética, pode começar a sofrer avarias. Afinal, é impossível que a mídia seja o tempo todo tão sofrível, tão acrítica, tão facilmente usada, e o senhor saia sempre como cavaleiro da esperança que retirará o caso Celso Daniel das penumbras de dúvidas criadas, como o senhor sabe, por razões que vão muito além dos Três Tombos, invadem palácios e outros endereços.

Sabe, caro senador Eduardo Suplicy, o senhor acabou erigindo uma fortaleza à argumentação dos advogados de defesa de Sérgio Gomes da Silva com a abordagem a duas novas testemunhas que teriam visto fragmentos do arrebatamento do prefeito Celso Daniel? Verdade! O senhor, ao contrário do que divulgou a maioria da mídia deliberadamente contrária à apuração da Polícia Civil, do DEIC e da Polícia Federal de que se trata de crime comum, o senhor, como estava dizendo, caro senador, acabou por ajudar no reforço da tese de crime não-político, embora fizesse tudo, mesmo que numa dissimulação manjada, para oferecer a cabeça de Sérgio Gomes ao banqueteamento geral e irrestrito. Vamos por parte para revelar o que foi traduzido de forma incorreta pela mídia, com seu preciosíssimo aval de Agente 86?

A dona de casa que relatou o sequestro e que avocou o testemunho de uma irmã que passava férias em seu apartamento disse a verdade verdadeira quando afirmou que apenas Celso Daniel foi retirado do carro e que só depois percebeu que Sérgio Gomes estava ao lado da Pajero. Pois foi exatamente esse o enredo documentado em depoimentos à Polícia Civil. Sérgio Gomes estava às voltas com a tentativa de fazer o carro andar (versão que o delegado do DHPP, Armando de Oliveira, sustenta ser absolutamente lógica) que mal percebeu que Celso Daniel, no banco de passageiro, abriu a porta (conforme consta de depoimentos de um dos sequestradores) para pedir calma aos marginais. Foi então (e os olhos da moradora acompanharam tudo a distância) que os sequestradores levaram o prefeito embora.

É normal que a irmã da moradora tenha estranhado que Sérgio Gomes tenha ficado para trás, que os marginais não o tenham levado também. Aliás, outras testemunhas do caso, ouvidas pela Polícia, relatam situação semelhante. Com tanta audiência, já que o movimento nos Três Tombos não é de cemitério, seria mais que imprevidência, seria loucura mesmo, os sequestradores esticarem a operação e capturarem o motorista que, segundo consta de relatos à Polícia Civil, presumivelmente não passaria mesmo disso, de simples motorista. A distância que separava a moradora-testemunha do arrebatamento de Celso Daniel não permite, evidentemente, qualquer juízo de valor sobre a expressão facial de Sérgio Gomes.

No mínimo, no mínimo, a testemunha que a Imprensa induziu à criminalização de Sérgio Gomes, de fato o inocentou. Basta ler o depoimento de uma testemunha considerada chave do Ministério Público que, num relato contestadíssimo pela Polícia Civil, disse ter observado (pelo retrovisor do veículo que dirigia) Sérgio Gomes da Silva em ação de colaboração com os sequestradores. Ora, bolas: se a moradora-testemunha, do alto de seu apartamento, observou um Sérgio Gomes ao celular, como ele, ao mesmo tempo do desenvolvimento da ação de captura de Celso Daniel, estaria dando suporte aos sequestradores? Das duas uma, caríssimo senador: ou a moradora-testemunha que lhe relatou os lances do sequestro está mentindo, ou é a testemunha do Ministério Público que viu demais.

A outra testemunha que o caro senador da República levou às páginas dos jornais e ao noticiário das redes de rádio e TV afirma que saiu à janela e observou, pós-sequestro, que Sérgio Gomes estava ao telefone celular e que parecia, vejam só, parecia, estar tranquilo. Há relatos testemunhais no inquérito policial que refutam frontalmente a suposta tranquilidade de Sérgio Gomes. Mas isso não é o mais importante. O que vale mesmo é a fidelidade do fato da segunda testemunha quando relata Sérgio Gomes ao celular. O acompanhante de Celso Daniel utilizou o aparelho diversas vezes após o sequestro. Primeiro para chamar a polícia. Depois, para se comunicar com o próprio sequestrado, deixando-lhe mensagem na caixa postal. Depois, ligou para os amigos. A quebra do sigilo telefônico de Sérgio Gomes pela Polícia Civil comprova essas iniciativas.

Não pretendia escrever hoje sobre esses novos lances do caso Celso Daniel, mas não resisti a telefonemas de leitores fiéis desta newsletter que, encarecidamente, pedem esclarecimentos. Não me furtaria a escrever porque estou cada vez mais boquiaberto com a incapacidade da mídia em recepcionar as informações e, antes de torná-las matéria-prima de novos bombardeios, confrontar os dados com as peças policiais. Quem quer que tenha acesso aos inquéritos saberá que tanto uma nova testemunha quanto outra reproduzem respectivos olhares e sensações que, entretanto, não podem estar descolados de um conjunto sistêmico de outros testemunhos e informações.

A mídia ainda não se deu conta ou finge que não se deu conta de que o caso Celso Daniel na esfera criminal é uma coisa e na esfera administrativa é outra. Por querer juntar alhos com bugalhos, comete sucessão de incorreções que transformam o senador Eduardo Suplicy em exemplar quase irretocável de Agente 86. Sim, porque não tem sentido o caro senador sair das lides congressuais para as quais foi eleito e, num improviso populista e espetacularizador, travestir-se de detetive. Mas, mesmo admitindo que o fizesse, por surto de justiça, que, pelo menos, soubesse ler as mensagens dos testemunhos que, diferentemente do próprio senador e dos repórteres que lhe deram guarida, não colocam mais pedras sobre o caixão do morto-vivo Sérgio Gomes. Pelo contrário: aliviam consideravelmente o impacto de acusações eivadas de subjetividades próprias de depoimentos tópicos.

Caro senador Eduardo Suplicy: não vou escrever neste artigo nada sobre o fantasma do pastor evangélico que anda assombrando sua alma, porque, como o senhor sabe e até prova em contrário, tudo não passa de brincadeira de mau gosto de quem pretende expô-lo ao ridículo. Já sobre o testemunho dos sequestradores que, durante todo o dia e noite de segunda-feira, reafirmaram o enredo de crime comum, nada mais a declarar, caro senador. Se os próprios bandidos decidem manter a verdade e, com isso, desprezam vantagens de redução da pena a ser cumprida, o que se pode fazer para reiterar que aquela noite de 18 de janeiro de 2002 foi um acidente de percurso que deveria atingir, como se sabe, o comerciante do Ceagesp? Por falar nisso, caro senador, me liga que lhe passo o telefone celular daquele empresário, cuja foto está na edição de novembro da revista Livre Mercado. Um abraço e cuidado com as más línguas. Agente 86 é divertidíssimo -- mas desabonador.

Resposta lacônica
Duas semanas após o artigo, entrevistamos o senador Eduardo Suplicy. Foram-lhes encaminhadas, via e-mail, várias indagações. Especificamente sobre o pastor evangélico que ele deu ampla publicidade como prova de que o sequestro de Celso Daniel foi coordenado por Sérgio Gomes, eis a pergunta que lhe enviei e a resposta que dispensa comentários porque, de fato, o pastor não passava de um estelionatário detido pela Polícia Federal:

Pergunta -- Temos informações de fontes confiabilíssimas de que o pastor evangélico que o senhor afirma ter conversado pessoalmente e por telefone, e que também teria conversado por telefone com o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, não passa de um embuste. Vamos traduzir a questão: os senhores conversaram com um impostor. Alguém que foi plantado para dar ao caso mais um ramal de diversionismo. A fita que ele diz possuir e que incriminaria Sérgio Gomes foi um lance adredemente preparado para confundir, não para esclarecer. O que o senhor, envolvido na história, explica sobre isso?

Eduardo Suplicy – De acordo com informações da Polícia Federal, a partir de investigações realizadas com os dados que forneci, aos quais dei publicidade na reunião da Subcomissão da CPI em São Paulo, na segunda-feira, e na reunião da CPI em Brasília, dessa terça-feira, a pessoa que me procurou não era um pastor e está respondendo a alguns processos. Mas essas mesmas informações não são conclusivas com relação à existência ou não de uma fita sobre o momento do sequestro.

O então senador petista fez-se, portanto, de desentendido. Mantive tempos depois breve diálogo com ele. Fiz-lhe uma abordagem contundente: ele teria a ideia do custo à imagem de Sérgio Gomes da Silva, decorrente do fato de ter propagado à mídia em geral que descobrira um ponto-chave que desvendaria a morte do prefeito Celso Daniel? Os jornais e as emissoras de TV que deram ampla cobertura ao indianajonismo de Eduardo Suplicy praticamente se calaram diante da informação de que o senador caíra no golpe de um estelionatário, a quem pagou inclusive passagem de avião a Brasília. Como Silvio Navarro, autor do livro, há assuntos que não interessam porque contrariam a farsa de crime de encomenda.



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PATO NA CASERNA Ingresse na carreira militar e se aposente antes de morrer



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PATO ZUMBI OBEDIENTE SÓ REPETE O QUE OS JORNAIS MANDAM Idiotas não se manifestam mais por causa dos reajustes dos combustiveis


Alta dos combustíveis. Cadê as manchetes?

Em outubro, a Petrobras promoveu uma demagógica redução do preço dos combustíveis. Foi o que bastou para a mídia chapa-branca fazer o maior escarcéu. O factoide virou manchete dos jornalões e destaque nas telinhas da tevê. O Judas Michel Temer foi aplaudido e os puxa-sacos da imprensa – os ex-urubólogos – garantiram que a queda reduziria a inflação e alavancaria a economia. Tudo mentira.

A redução do preço nem chegou aos postos – pelo contrário. Agora, porém, a Petrobras reajusta o preço da gasolina em 8,1%, do diesel, em 9,5%, e do gás de cozinha em 12,3%. Em mais um golpe contra o jornalismo e ética, a mídia mercenária simplesmente abafa o assunto.

A revista Época, da famiglia Marinho, até tenta justificar a porrada no consumidor. "Em linha com a política de preços para os combustíveis que criou há apenas dois meses, e alheia a um possível impacto negativo na economia e na política em momento delicado para o governo, a Petrobras acaba de anunciar reajuste de 9,5% no diesel e de 8,1% na gasolina que saem da refinarias. De acordo com a empresa, a decisão foi tomada pelo Grupo Executivo de Mercado e Preços, na tarde desta segunda-feira (5), ao observar o aumento nos preços do petróleo e derivados e desvalorização do câmbio recente". Ou seja: o governo acertou ao não se curvar diante das pressões. Haja cinismo!

Ainda segundo a reportagem, "se o ajuste for integralmente repassado, calcula a empresa, o preço ao consumidor final será 5,5% mais alto no diesel, ou cerca de R$ 0,17 por litro. Na gasolina será 3,4% superior, ou R$ 0,12 por litro... A medida chama a atenção também porque é anunciada em meio à crise política que abate o governo de Michel Temer, denotando uma mudança em relação à política anterior, em vigor nos governos de Dilma Rousseff, em que as oscilações de preços no mercado externo não eram repassadas aos combustíveis". Antes, de acordo com os golpistas do Grupo Globo, era o populismo lulopetista; agora, no reinado de Michel Temer, é a austeridade do deus-mercado.

No mesmo rumo, outros veículos publicaram pequenas notinhas – sem manchetes ou chamadas de capas – e juraram que o aumento terá pouco impacto na inflação e no crescimento do país. Antes, os urubólogos da imprensa garantiam que não havia crise internacional e que as dificuldades brasileiras eram decorrentes dos erros da presidenta Dilma. Agora, os otimistas de plantão na mídia chapa-branca culpam o cenário mundial – "o preço do barril saiu da casa de US$ 44 para US$ 55 em pouco mais de 20 dias", lamenta a revista Época – e tentam limpar a barra do Judas Michel Temer. O que não faz a grana da publicidade, além das opções políticas e ideológicas dos barões da mídia.


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NO FUTURE Em 2002 pelo menos ainda havia esperança



Em 2002 ao menos havia a esperança de que toda a destruição do país causada pelo PSDB poderia ser revertida. 
As eleições estavam chegando e, finalmente, o huno de Higienópolis - com uma eventual escala na França - seria escorraçado junto com seu partido e, como disse Mino Carta, o maior cabo eleitoral de Lula foi FHC.
Havia esperança de que a situação seria revertida. Venceu Lula ( eu votei no Ciro, assim como em 1998 ). Repito: esperança de reversão.
Agora não tenho certeza alguma de que os projetos [ e seus efeitos ] genocidas, como o que nos obriga a trabalhar até depois de morrer, terão como ser revistos no futuro.
Fodeu, cambada.

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Aeroportos voltarão a ser território livre da presença nauseabunda de pobres e dos coxinhas remediados


"Coxinhas" darão chiliques nos aeroportos

Por Altamiro Borges

Durante os governos Lula e Dilma, os aeroportos viraram motivo de chilique dos tais "coxinhas" - a chamada classe média que gostaria de virar "zelite", mas não consegue e tem ódio dos pobres. Eles ficavam indignados com a popularização dos voos, com a presença de trabalhadores nestes antigos oásis dos ricaços. Eu mesmo presenciei várias cenas de preconceito e ódio de classe no check-in e no saguão de vários aeroportos no Brasil. Esta galera egoísta e tacanha foi às ruas para rosnar pelo "Fora Dilma" e pela volta do seu aparente mundinho de privilégios. Uma notícia publicada nesta quarta-feira (7), porém, produzirá ainda maiores chiliques nos "midiotas" da chamada classe média.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deverá aprovar na próxima semana o fim do transporte gratuito de bagagem dos passageiros. De acordo com as novas regras, as companhias aéreas poderão cobrar pelo despacho das malas em todos os voos nacionais e internacionais. Hoje, quem viaja pode levar uma mala de até 23 quilos nos voos nacionais e até duas de 32 quilos nas viagens internacionais sem cobrança. Caso a nova regra do covil golpista de Michel Temer seja aprovada, os passageiros só terão o direito de levar, gratuitamente, a bagagem de mão, com limite de apenas 10 quilos. 
O blog Todos a Bordo, da Folha golpista, deu a notícia para os "coxinhas" estressados. "A Anac deve aprovar na semana que vem novas normas do setor aéreo que têm como ponto mais polêmico o fim do transporte grátis de bagagem para todos os passageiros. Elas vão permitir que as empresas passem a cobrar pelo despacho de bagagem em todos os voos nacionais e internacionais... Se a norma for mesmo ratificada pelo conselho da agência, os passageiros terão direito a levar, gratuitamente, apenas a bagagem de mão".

Antes o "coxinha" egoísta rosnava que "o aeroporto virou rodoviária". Agora, nem ele terá acesso ao local. Azar dele! Quem mandou servir de massa de manobra dos golpistas?

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PREVIDÊNCIA PRIVADA EM FESTA A reforma da Previdência é imoral




É UM MASSACRE. O POVO BRASILEIRO ESTÁ SENDO ESPOLIADO.

A REFORMA DA PREVIDÊNCIA, PROPOSTA PELO SENHOR TEMER, É ABSOLUTAMENTE INJUSTA E CHEGA MESMO A SER IMORAL ...

QUEREM QUE TODOS OPTEM PELA PREVIDÊNCIA PRIVADA, QUE NÃO NOS DÁ GARANTIA ALGUMA A MÉDIO PRAZO. ESTÃO PRIVILEGIANDO OS INTERESSES DE AGENTES FINANCEIROS PRIVADOS.

TENDO EM VISTA A FORMA PROPOSTA, PRATICAMENTE NINGUÉM VAI SE APOSENTAR, SEJA PELO LAPSO TEMPORAL, SEJA PELA REDUÇÃO DE SEUS GANHOS. A REDUÇÃO DA PENSÃO POR MORTE CHEGA A SER "CRIMINOSA".

A POPULAÇÃO NÃO PODE ACEITAR, PACIFICAMENTE, ESTE VERDADEIRO ATENTADO AO DESEJADO "BEM COMUM".

Afranio Silva Jardim, professor de Direito da Uerj


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O governo Temer derrete, por Jasson de Oliveira Andrade



Politicamente o governo Temer vai mal. Muito mal. No entanto, a grande esperança dele, juntamente com Meirelles, era a Economia. Mas a política econômica está muito pior do que a política. O que era a tábua de salvação, está contribuindo, como diz André Barrocal na CartaCapital, para o governo Temer “derreter”. É o que vamos ver a seguir. 

Vinicius Torres Freire, em artigo à Folha, sob o título “Falido, fedido e com juros altos”, constata: “O governo Temer e os fugitivos da polícia no Congresso decidiram manter as taxas de juros no alto, baixando ainda mais o nível da política. Contribuem para prolongar a recessão.” Adiante ele acrescenta: “Temer corre o risco de se tornar inoperante. Que não consiga nem ao menos estabilizar um país em estado crítico. (...) Note-se que nem está em discussão o teor das lambanças (sic), mas apenas o seu preço. Observe-se ainda que “pinguela” foi o apelido dado por Fernando Henrique Cardoso ao governo, corruptela do nome do programa ultraliberal lançado por Michel Temer faz mais de um ano, o “Ponte [“pinguela”, segundo FHC] para o Futuro”. (...) O sistema político está “falido” e “fedido” (sic), como disse ontem [29/11] Renan Calheiros, expert no assunto. Mas, caso a fedentina não leve o povo para as ruas, o sistema talvez seja tolerado em sua forma zumbi operante, aprovando as reformas de consenso na elite. (...) O sucesso desse acordo tácito entre elite econômica e zumbis fedidos (sic) depende também, ora vejam, da realidade. A economia não embicou para baixo de novo, mas ainda não sai do lodo do fundo do poço (francamente, não dá para dizer se sobe ou se desce). Mas o desemprego cresce ainda cada vez mais rápido. (...) O déficit desesperador e juros muito altos levam até economistas “liberais” respeitáveis e em geral fleumáticos a SUGERIR ALTAS DE IMPOSTOS (destaque meu) para apressar o ajuste fiscal e o desaperto monetário.” Em outro artigo, publicado em 4/12, Vinicius revela: “Recaída foi o assunto da semana. A recaída da economia em ritmo acelerado de recessão (sic). A recaída na crise política aguda. A recaída de um presidente, pois se discute de modo aberto se Temer resistirá no cargo (sic)”. A conferir!

Preocupante, para dizer o mínimo, é essa informação do Painel (FOLHA), de 4/12: “Cresce no setor privado o temor de que Michel Temer não dê conta da crise política e econômica. Mesmo entre figurões do mercado financeiro, reduto que rendeu maior entusiasmo ao presidente até aqui, diz-se que o “inferno astral” está em curso. Os cálculos embutem o risco de Temer perder ministros próximos para a Lava Jato. (...) Caso uma tempestade perfeita se forme, todos – o PSDB à frente – pularão no barco da cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE”. 

A reportagem de capa da revista CartaCapital (7/12) é ainda mais alarmante: “O Governo derrete – Economia em queda livre; confronto com a Justiça e a Lava Jato; protestos em alta; novas denúncias de corrupção... Até quando Temer resiste?” Segundo o jornalista André Barrocal, autor desta reportagem da revista (“BECO SEM SAÍDA”): “Os apoiadores do impeachment começam a ficar impacientes”. Até mesmo Hélio Bicudo, um dos que assinaram o pedido de impeachment de Dilma, como vimos no meu artigo anterior. Ele também aderiu à campanha “Fora Temer”!

Ricardo Galhardo e Pedro Venceslau, no Estadão (4/12), comentam: “Tratada com reservas e incredulidade até duas semanas atrás, a possibilidade de que o presidente Michel Temer não chegue ao final do mandato em 2018 agora é discutida abertamente nos meios políticos. (...) No Congresso, o cenário de interrupção do mandato de Temer e realizações de eleições indiretas já é debatido abertamente. (...) Partidos avaliam que está se formando a “tempestade perfeita” para Temer com a economia patinando, quedas sucessivas de ministros sob acusações de corrupção, a delação da Odebrecht e manifestações de rua tanto à esquerda, que já pede explicitamente “Fora, Temer”, quanto à direita que, por enquanto, mantém o foco no Congresso e poupam o presidente”. 

Com toda essa gravíssima situação, em que seu governo “derrete” ou se “resistirá no cargo”, Temer pede “serenidade e paciência”. Sem comentário!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

MORÉCIO AFFAIR E se a foto fosse de Lula e Moro?

MONTAGEM SOBRE FOTO DE DIEGO PADGURSCHI
Imaginem, apenas imaginem, a cena: em um evento da revista Carta Capital ( para o paralelo ficar mais óbvio dentro dos padrões coxinhas ), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado anteriormente em cinco delações da Lava-Jato, conversa e ri às bragas soltas com o juiz Sergio Moro, comandante da operação. Suponha também que a Lava-Jato estivesse sob a desconfiança de beneficiar o PT, já que jamais atingira políticos do partido. O que diriam a direita e sua parceira, a mídia, sobre a foto? Nossa, o mundo iria cair.

Pois, em se tratando do tucano Aécio Neves, a foto do evento da revista IstoÉ que premiou Michel Temer como “brasileiro do ano” foi recebida com total normalidade pela direita e sua parceira, a mídia. Pelo contrário, houve até reportagens tentando justificar o fato de o senador tucano aparecer em cenas de franca intimidade com o juiz Sergio Moro. Apelou-se inclusive a uma velha foto onde Lula e Aécio conversam praticamente na mesma posição, como se um dos dois fosse juiz de alguma ação envolvendo o outro, numa falsa simetria patética.

Tem dois problemas evidentes e inegáveis na imagem feita pelo fotógrafo Diego Padgurschi que viralizou nas redes sociais. O primeiro é que Aécio aparece, até agora, em cinco delações da investigação comandada por Moro. E o segundo é que a foto, quer queiram os “moristas” ou não, ajuda a reforçar a impressão de que o juiz nutre indisfarçável simpatia pelo tucanato -em outra imagem, ele aparece confraternizando com o ministro das Relações Exteriores, o também tucano José Serra. Também reforça a suspeita, feita pelos adversários de Moro, de que a Lava-Jato protege o PSDB. Afinal, até hoje nenhum tucano foi preso, conduzido coercitivamente ou teve suas residências devassadas pela operação.

Entendo que, num momento de descontração, todos podem relaxar. Afinal, era uma festinha onde tucanos, o governo e Moro também foram para se divertir. Mas, como diz o ditado, não basta ser honesto; é preciso parecer honesto. Ao se deixar flagrar aos cochichos com o senador Aécio Neves, o juiz Sergio Moro demonstrou certa falta de compostura para o cargo que exerce. Me parece inapropriado a um juiz aparecer gargalhando com um político citado na operação que comanda (contando com Serra, são dois). E a imagem sem dúvidas forneceu munição à defesa de Lula, que já o acusa de ter “perdido a imparcialidade” para julgar o ex-presidente.

Em julho do ano passado, a presidenta Dilma Rousseff convidou ministros do Supremo para jantar no Palácio do Alvorada como comemoração do Dia do Advogado. Foi um auê. O próprio ministro Marco Aurélio recusou, dizendo que seria “malvisto”. “A leitura que o pagador de impostos, um cidadão faz, não é boa e acaba indiretamente desgastando a instituição”, disse Marco Aurélio. A frase cabe como uma luva para a foto de Sergio Moro confraternizando com Aécio Neves. Com um detalhe: até hoje não há uma só delação que comprometa Dilma.

UPDATE: uma leitora enviou o trecho do código de ética da magistratura sobre a imparcialidade do juiz. Vejam na imagem (íntegra aqui).



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AUDITORES DA RECEITA APONTAM SOBRA NO CAIXA Déficit do INSS é fictício e fruto de manipulação de dados, diz confederação dos aposentados



Estudo dos auditores fiscais da Receita Federal sustenta tese dos aposentados 

O déficit da Previdência e a sua escalada em progressão geométrica é o argumento mais forte do governo, ao lado do envelhecimento da população, para a aprovação de novas de concessão de aposentadorias. Principalmente a criação da idade mínima de 65 anos para homens e mulheres.

No entanto, segundo a confederação dos aposentados e a associação de auditores fiscais, do próprio governo, em vez de faltar dinheiro para o INSS em 2015, há uma sobra de quase R$ 25 bilhões.

Os auditores e aposentados alertam que o governo ignora a Constituição Federal e deixa de lado a arrecadação da Seguridade Social, que inclui as áreas de Saúde, Assistência e Previdência.

De acordo com a Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), que anualmente divulga os dados da Seguridade Social, não existe déficit, pelo contrário, os superávits nos últimos anos foram sucessivos: saldo positivo de R$ 59,9 bilhões em 2006; R$ 72,6 bilhões, em 2007; R$ 64,3 bi, em 2008; R$ 32,7 bi, em 2009; R$ 53,8 bi, em 2010; R$ 75,7 bi, em 2011; R$ 82,7 bi, em 2012; R$ 76,2 bi, em 2013; R$ 53,9 bi, em 2014.

No ano passado, segundo a Anfip, o investimento nos programas da Seguridade Social, que incluem as aposentadorias urbanas e rurais, benefícios sociais e despesas do Ministério da Saúde, entre outros, foi de R$ 631,1 bilhões, enquanto as receitas da Seguridade foram de R$ 707,1 bilhões. Ou seja, mais uma vez o resultado foi positivo e sobrou dinheiro (R$ 24 bilhões). 

Por outro lado, no anúncio das medidas para equilibrar as contas da Previdência que estão na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 287, o secretário de Previdência Social do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, disse que o rombo nas contas do INSS (arrecadação contra despesa) ficou em R$ 86 bilhões. Caetano também disse que a previsão do governo é que o rombo salte para R$ 152 bilhões este ano e fique em R$ 181 bilhões em 2017.

"É uma falácia dizer que existe déficit. Em dez anos, entre 2005 e 2015, houve uma sobra de R$ 658 bilhões. Este dinheiro foi usado em outras áreas e também para pagar juros da dívida pública, cerca de 42% do total, mas isto o governo não diz", afirma o advogado Guillerme Portanova, diretor jurídico da Cobap (Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas do Brasil).

A diferença entre o déficit (de R$ 86 bilhões) e o superávit (de R$ 24 bilhões), dependendo da fonte considerada, em 2015 foi de R$ 110 bilhões. 

Analisando os dados da Anfip nota-se que o superávit da Seguridade Social está perdendo fôlego, mas é ainda consideravelmente alto para contestar a teoria de rombo. 

A arrecadação da Seguridade Social inclui o Cofins, o CSLL, o Pis-Pasep, impostos sobre exportações, impostos sobre as loterias, entre outros. "O governo usa a DRU (Desvinculação de Receitas da União) para transferir o superávit da Seguridade Social, proveniente dos tributos, e cobrir outras despesas. O déficit no INSS é fictício e fruto de uma manipulação de dados", disse Portanova.


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Coxinha aposentadoiro



- Bom dia!
- Bom dia, gostaria de saber como incluir meu tempo de batedor de panela na varanda na contagem para a aposentadoria.
- Lamento senhor, mas isso é impossível.
- Mas aí eu vou morrer antes de me aposentar.
- Lamento.
- E se incluir marchador de micareta coxinha e o tempo que fiquei acampado na porta da FIESP?
- Tá maluco?
- Nem aquele dia que eu peguei aquelas capas-panfleto da Veja na eleição de 2014 e distribui pelas ruas? 
- Q-quê? Nem pensar.
- Mas...mas...
- Passar bem. Próximo!
- Bom dia.
- Dia.
- Quero ver comofaz pra incluir meu tempo de batedor de panela na varanda na contagem para a aposentadoria.
- Putz, mais um!

FIM

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Reaças inconformados com memes e piadas sobre Moro e Aécio



Inconformados com as piadas e memes sobre a conversa ao pé do ouvido ( que o Globo chama de "momento descontração" ) entre Moro e Aécio, a reaçada nos lembra que Aécio tem moro, digo, foro privilegiado e, por isso, o juizinho jamais poderia fazer qualquer coisa contra Aécio, mesmo que quisesse.

Tá feito o registro.

Agora podem continuar com a zueira, pois a mulher de César precisa ser honesta, não pode apenas parecer honesta.

Sim, eu sei que o ditado sobre a mulher de César é diferente.


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Tudo gira em torno de saber contar uma boa história e cativar a platéia

Eu sempre insisto nisso. Quem conseguiu contar a história de que o Brasil estava "quebrado" e a Petrobrás idem levou o prêmio. Azar de quem não conseguiu contar uma história que desmentisse essa.

Tem gente que fica puto ou estressado por causa de gente tentando vender alguma coisa na rua, no busão, ou mesmo pedir esmola. Ou, pior, aqueles que sempre procuram uma desculpinha esfarrapada pra não dar esmola.Em vez de dizer "não dou e pronto, porra", preferem contar da reportagem que saiu sei lá onde, falando na Indústria da Esmola, ou merdas do tipo. Aí vem aquele papo de "trabalhar que é bom...".

Eu discordo. Uma vez que escritores, roteiristas e outros ganham a vida contando histórias para quem quiser pagar por elas, acho que o mesmo vale pra marreteiro ou quem pede esmolas. Eles estão também vendendo uma história, que pode ser boa ou não, bem contada ou não. São comerciantes e negociantes também, e podem ou não ser remunerados pela atividade. Assim, se o cara te pede uma grana pelo motivo "x", você pode ser convencido a ceder, bastando que a história seja verossímil, tenha um enredo bacana, todos os quesitos que fazem uma história ser apreciada e aprovada pela platéia. Os maus contadores de histórias, ao contrário, são rejeitados pelo público.

Até os de coração endurecido podem ser levados a comprar um chocolate ou dar umas moedas a alguém. Basta, repito, que a história contada seja boa o suficiente para convencer o freguês.

Assim, os roteiristas responsáveis pela reação ao golpe precisam melhorar, porque já tem defunto concordando que precisa trabalhar muito mais e abandonar essa história de "aposentadoria".

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"VC PRENDEU MEU CORAÇÃO" Conversa ao pé do ouvido entre Moro e Aécio vira chacota na Internet









A capa da edição desta semana da revista CARAS traz o enésimo casamento do cantor Fábio Jr. Será que a próxima trará o enlace entre o juiz justiceiro herói dos coxinhas e o senador tucano enea-delatado na Lava Jato? Em todo caso, consta que a grana da lua de mel estaria depositada numa conta em Liechtenstein.


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Pobres são os que mais irão sofrer com a reforma da previdência preparada pelos golpistas que tiraram a Dilma

Trabalhador de baixa renda é quem mais perde na reforma da previdência

A proposta de elevar de 15 anos para 25 anos a contribuição mínima à Previdência como uma das condições de acesso à aposentadoria deve prejudicar principalmente os trabalhadores de baixa renda, segundo Leonardo Rolim, ex-secretário de Previdência Social e atualmente consultor da Câmara.

Pela proposta de reforma previdenciária apresentada esta manhã pelo governo, os trabalhadores passam a se aposentar com idade mínima de 65 anos e 25 anos de contribuição. Hoje, explica Rolim, existe a chamada “aposentadoria por idade”, na qual o trabalhador consegue o benefício com 65 anos de idade e 15 anos de contribuição.

Quem se aposenta mais cedo, atualmente, por tempo de contribuição e bem antes dos 65 anos, explica, são os trabalhadores de maior renda, que têm empregos de maior qualidade e ficam mais tempo na economia formal.

A modalidade da aposentadoria por idade, diz ele, é usada como acesso ao benefício principalmente pela população da baixa renda, que passa muito tempo na informalidade e por isso não consegue se aposentar por tempo de contribuição. “Provavelmente, essas pessoas terão dificuldade de comprovar 25 anos de contribuição aos 65 anos. É provável que elas tenham que se manter mais tempo no mercado de trabalho para se aposentar.”

Os aposentados por idade não são poucos. De acordo com o último boletim da Previdência, referente a outubro, 49,9% dos 100,5 mil novos benefícios previdenciários concedidos no país foram aposentadorias por idade, ou seja, para pessoas de 65 anos e com, no mínimo, 15 anos de contribuição. Em valor, esse grupo representa 34,8% do total de benefícios concedidos. A participação é ainda maior quando se olha o estoque total. Das 18,9 milhões de aposentadorias pagas em outubro, 53% eram por idade, 39,2% do valor pago.

Para Rolim, a grande crítica às medidas anunciadas hoje fica por conta da exclusão dos militares, cujas aposentadorias passarão por discussão mais à frente, segundo o governo. Para Rolim, do ponto de vista técnico e das contas públicas, a reforma apresentada contém mudanças importantes, que irão fazer diferença principalmente no médio e longo prazos, mas ele avalia que, politicamente, a exclusão dos militares torna a discussão mais difícil. “Como é que se explica aos trabalhadores que as regras de aposentadorias ficam mais duras ou menos flexíveis, mas que isso não atinge os militares?” Rolim lembra que atualmente os militares já representam parte importante do déficit financeiro da previdência da União e nos Estados o déficit é atuarial. 


Comentário deste blog: Pela leitura desta reportagem, parece que tá na cara que o objetivo do projeto dos golpistas para a previdência é entregar um enorme contingente de remediados e trabalhadores sem muita qualificação ( de clientes, pra usar um jargão corporativo ) à previdência privada. Capaz até de extinguir a previdência privada dos bancos públicos, pra não atrapalhar os bancos privados, que terão território livre para captar essa "clientela".

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Considerações sobre a imoralidade intrínseca da nossa classe média



Uma das maiores evidências da imoralidade intrínseca da nossa classe média alta é a forma como ela confunde decisão judicial, legalidade e moralidade. Decisão judicial pode ser ilegal, e uma lei pode ser imoral. O extermínio de judeus e a segregação racial nos EUA foram perfeitamente legais, só para ilustrar. Mas esses exemplos são rapidamente apagados da mente da pequena burguesia porque eles em sua maioria jamais se importaram com a justiça ou o bem, nem na hora de decidir sua profissão nem no dia a dia. Só pensam em fazer o bem para suas famílias e quando muito para alguns amigos. Quando não se corrompem é só por medo da punição, nada mais. Seu compromisso não é com o bem, com a justiça e nem sequer com a legalidade, mas com o poder: bastaria um tanque apontar seu canhão para o STF para eles baterem continência. Na verdade, isso já aconteceu nesse país.



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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Serra, Aécio e Moro no Prêmio Brasileiro do Pior Ano, da revista Quanto É






"Ué, mas eles não estão presos?"


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Querer "Intervenção Constitucional" é idiotice de gente burra, muito imbecil e canalha, conforme mostra a lei


Intervenção Constitucional? Você não entendeu a Constituição Federal

Pois bem. Diz a Constituição, em seu artigo 142, o seguinte

As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

Mas afinal de contas, existe essa tal "Intervenção Militar Constitucional"? A resposta é: claro que não. Ou pelo menos não como o pessoal está querendo numa "pagação de mico" em muitas cidades no Brasil.

Não existe essa coisa dos Militares "tomarem" o Brasil - para arrumá-lo - porque, segundo a Constituição Federal, "as Forças Armadas estão sob a autoridade suprema do Presidente da República". Não é permitido as Forças Armadas dar um passo sem autorização do chefe maior do Poder Executivo.

Mas existe Intervenção na Constituição? Sim. Artigos 34 e 35, que determinam que a União somente poderá intervir nos Estados, municípios e no Distrito Federal em casos especificados por lei - como a manutenção da integridade nacional e da ordem pública. Fora disso, não é possível.

As Forças Armadas não podem se intrometer em assuntos políticos ou econômicos de um país, pois não é de sua competência - e, certamente, talvez nem sejam competentes para isso.

Além do mais, diz a Constituição em seu artigo 90

Compete ao Conselho da República pronunciar-se sobre:

I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio;

II - as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas.

Forças Armadas intervindo em assuntos políticos é Forças Armadas atentando contra a estabilidade das Instituições Democráticas.

Sendo assim, Intervenção Militar, com base no art. 142, para resolver assuntos políticos do Brasil, é coisa de gente sem conhecimento da sua própria constituição - e com uma predisposição quase heróica para pagar mico e passar vergonha toda vez que vai pra a rua de verde e amarelo, dessa vez entoando um novo canto: Sérgio Moro para presidente do Brasil!

Wagner Francesco - Nascido no interior da Bahia, Conceição do Coité, Teólogo e Acadêmico de Direito. Pesquiso nas áreas do Direito Penal e Processo Penal.

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"Moro é perigosíssimo, parcial e busca autopromoção", acusa advogado australiano, em palestra na PUC



GEOFFREY ROBERTSON

Um juiz que comete atos ilegais não deveria ser juiz, diz advogado de Lula


Na noite de segunda (5), o advogado australiano Geoffrey Robertson, que representa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) e é considerado uma das maiores autoridades em Direitos Humanos do mundo, deu uma palestra na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) a estudantes e interessados pelo tema.


Em uma longa explanação, o advogado perpassou a história da construção dos Direitos Humanos no mundo do século 17 até 1948, quando foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos pela ONU, além de outros tratados que foram firmados após a data.

Ele também foi enérgico ao falar sobre a perseguição atual do juiz de primeira instância Sérgio Moro contra Lula, que definiu como “um juiz parcial e que busca a autopromoção”.

O advogado desaprovou, entre outras ações consideradas abusivas, a gravação de grampos contra Lula, sua família e até mesmo contra os advogados do ex-presidente.

A principal crítica foi em relação a divulgação de grampos ilegais de conversas entre Lula e a presidenta eleita Dilma Rousseff, veiculados durante o Jornal Nacional em 16 de março deste ano.

Robertson lembrou que Moro já demonstrou grande empolgação pela Operação Mãos Limpas, realizada na Itália durante a década de 1990. De acordo com o advogado, o juiz paranaense se mostrou entusiasta, por exempo, da ideia de que um processo judicial também deveria servir para levar alguém ao ostracismo político, mesmo sem condenação.

Para mim, Moro é uma figura perigosíssima. Na Itália, por exemplo, [Silvio] Berlusconi, que deveria ser condenado, escapou da justiça. É perigoso quando juízes e promotores se tornam perseguidores”.

Por fim, o advogado criticou o fato de Moro alimentar a imagem midiática que há em volta de sua atividade e o fato de, muitas vezes, fazer pré-julgamentos em relação a Lula e a outras figuras.

“Ele não entende qual é a ética do sistema judiciário. Nos Direitos Humanos internacionais, há um princípio da presunção de inocência. Parece que isso não ocorre no Brasil. Moro criou uma expectativa de culpa. Na Europa, nunca se poderia afirmar que alguém é culpado antes do julgamento final. Por aqui, parece que é diferente”.

Abusos de Moro
A mesa da palestra contou, além de Robertson, com a reitora da PUC-SP, Maria Amalia Pie Abib Andery; o professor da faculdade de Direito da PUC-SP, Rafael Valim; o também professor de Direito da PUC-SP, Silvio Luiz Ferreira da Rocha; e os advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins.

De acordo com Valim, a vinda de Robertson ao Brasil – a quem define como “um dos maiores, senão o maior, defensor dos Direitos Humanos da atualidade” – se deu em um momento fundamental para demonstrar os abusos de Moro.

“De maneira absolutamente técnica e desapaixonada, o ex-presidente Lula, a exemplo de outros réus da Lava Jato, tem sofrido evidentes agressões a direitos fundamentais”.

Para Rocha, é fundamental deixar claro se há ou não abusos da Operação Lava Jato, e que a vinda de Robertson pode ajudar a esclarecer a questão.

“Está se discutindo muito se há violações aos direitos fundamentais de Lula. A operação é conduzida aparentemente dentro dos limites da lei, e é preciso perceber se os direitos, não apenas do ex-presidente, mas de todos os envolvidos, estão sendo efetivamente respeitados”, explicou o professor.

“Na perspectiva de alguns juristas, certas condutas não estariam de acordo ao quadro constitucional em vigência no Brasil”, concluiu.


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domingo, 4 de dezembro de 2016

Os maiores corruptos e ladrões do país são aqueles que vestem camisa da CBF em micaretas golpistas



BURRICE, INGENUIDADE E FASCISMO (TUDO JUNTO E MISTURADO)

Dilma caiu por que se negou a barrar as investigações.

Essa demanda de Cunha, Temer, Aécio e de mais 300 picaretas no Congresso foi o que motivou a queda da legítima presidenta.

Era aquele negócio de dar o golpe para "estancar a sangria" da Lava Jato.

Se um pato amarelo golpista e safado não compreende isso é por que se trata de um caso de doença mental incurável.

Aliás, algum pato amarelo golpista e safado pediu hoje a saída de Judas Temer, um dos principais articuladores do enterro das investigações em curso?

A cada dia que passa mais me convenço de que os maiores corruptos e ladrões deste país são estes que vestem camisetinha da CBF para defender Temer e outros tantos.

Eles já foram "milhões de Cunhas". Nunca quiseram combater a corrupção. Queriam é dar o golpe de estado e nada mais.


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Se Moro não acredita na Justiça, porquê nós devemos?


A turma da Lava-Jato deve confiar na Justiça

A defesa da lei do abuso tem uma carga maldita

Os doutores da Operação Lava-Jato dizem que o projeto que pune os abusos de autoridade praticados por policiais, juízes e promotores destina-se a “aterrorizar procuradores, promotores e juízes”.

Não estão sozinhos. A presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, pergunta: “Criminalizar a jurisdição é fulminar a democracia. Eu pergunto a quem isso interessa? Não é ao povo, certamente. Não é aos democratas, por óbvio. (...) Desconstruir-nos como Poder Judiciário ou como juízes independentes interessa a quem?”.

Joaquim Barbosa, que ocupou a cadeira da ministra, fez um raciocínio mais acrobático. Segundo ele, as forças que cassaram o mandato de Dilma Rousseff estariam num novo lance: “Se eu posso derrubar um chefe de Estado, por que não posso intimidar e encurralar juízes?”.

A ideia de que o projeto aprovado na Câmara intimida, encurrala, ou amedronta os juízes, procuradores e policiais repetiu-se dezenas de vezes. Basicamente, o projeto estabelece penas de seis meses a dois anos de prisão para magistrados que ajuízem ações com má-fé, por promoção pessoal ou perseguição política ou procuradores que instaurem procedimentos “em desfavor de alguém, sem que existam indícios mínimos de prática de algum delito”. O nó está aí, uma investigação aberta levianamente pode dar cadeia.

Alguns artigos são banais, como o que penaliza os servidores que venham a “proceder de modo incompatível com a honra, a dignidade e o decoro de suas funções”. Houve época em que um presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo deixava sua Porsche no estacionamento da Corte. Vá lá. Num surto, o projeto quer proibir juízes de dar entrevistas. É verdade que eles não deveriam falar fora dos autos, mas não podem ser amordaçados.

A Lava-Jato e todas as investigações estariam ameaçadas porque, aberto um inquérito, um cidadão que se julgue prejudicado poderá processar procuradores ou mesmo o juiz por abuso de autoridade. “Um atentado à magistratura”, nas palavras do juiz Sérgio Moro.

Antes de concordar com o fim do mundo, fica uma pergunta: quem poderá condenar o policial, o procurador ou o juiz? Um magistrado, e só um magistrado. Se os procuradores da Lava-Jato, o juiz Moro, a ministra Cármen Lúcia e seu colega Joaquim Barbosa não confiam na Justiça, por que alguém haverá de fazê-lo?

De fato, juízes e procuradores podem se sentir intimidados, até mesmo aterrorizados. A Lei Maria da Penha, por exemplo, intimida e aterroriza milhares de homens que pensam em bater numa mulher. Assim são as coisas e é bom que assim sejam.

Com novos mecanismos de correição, uma juíza como a doutora Clarice Maria de Andrade, da comarca paraense de Abaetetuba, poderia ficar intimidada ou mesmo aterrorizada antes de permitir, em 2007, que na sua jurisdição uma menina de 15 anos fosse mantida presa numa cela com 23 homens durante 26 dias. Três anos depois, o Conselho Nacional de Justiça puniu-a, com a pena de aposentadoria compulsória. Em outubro passado, o CNJ reviu a decisão, colocando-a em disponibilidade, por dois anos, com vencimentos proporcionais. Depois, zero a zero e bola ao centro.

A defesa da lei do abuso tem uma carga maldita. De um lado, estão juízes e procuradores que batalham em defesa da moralidade, e, do outro, personagens de pouca reputação. Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Imagine-se um sujeito que entra numa igreja e vê um batizado. Os padrinhos são os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, mais os deputados Rodrigo Maia e Weverton Rocha, signatário da emenda que define crimes de responsabilidade para juízes e procuradores. O bebê é inocente, nada sabe da vida, mas acaba associado aos quatro padrinhos.


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