quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Jornalista defende "rastreamento" dos investidores em empresa de Dória Jr. para mensurar seu possivel envolvimento com especuladores e contraventores imobiliários


Avisei em novembro: Doria não é exemplo aos prefeitos da região

DANIEL LIMA - 22/08/2017 

Antes de tudo e acima de qualquer coisa que possa cheirar à perseguição, que muitos confundem com conhecimento, vou reproduzir os primeiros parágrafos do artigo que escrevi em 25 de novembro do ano passado. Em seguida, trato do assunto de hoje. Vamos ao que produzi sob o título “Que nossos prefeitos não sigam mau exemplo de Doria”: 

- O recém-eleito prefeito paulistano João Doria não serve de bom exemplo aos vencedores de outubro nas eleições na Província do Grande ABC caso o assunto em discussão seja mobilidade urbana – mais precisamente mercado imobiliário. O prostíbulo de negócios imobiliários na região, quase todos impunes, poderá ficar ainda pior se João Doria for o referencial. Os acenos preliminares são afrontosos nesse sentido horroroso. O legado de Fernando Haddad poderá ser dizimado, mas providencialmente dissimulado por marqueteiros especializados em embromação. Não estaria longe o dia em que o ainda prefeito de São Paulo seria reconhecido como gerenciador sério e que possivelmente só foi apeado do cargo por conta da demonização do PT nas últimas eleições. Haddad botou o dedo na ferida das roubalheiras imobiliárias juntamente com o Ministério Público Estadual. A Máfia do ISS é a prova disso. João Doria, empreendedor comprometido até a medula com o capitalismo sem pesos e contrapesos, está a dar refresco aos potenciais contraventores -- os bandidos imobiliários, que caracterizo aqueles que querem levar vantagem a qualquer custo. Principalmente ao asfixiarem ainda mais a mobilidade urbana. Talvez fosse interessante um rastreamento rigoroso dos investidores ao longo dos tempos na empresa de João Doria para entender até que nível sobressaíram os volumes de dinheiro de empreiteiros e mercadores imobiliários. 

Reportagem do Estadão 

Reproduzidos os parágrafos que considero importantes (embora não descarte outros do mesmo artigo na sequência) corro os olhos a uma reportagem publicada hoje pelo Estadão sob o título “À Justiça, ex-secretário põe sob suspeita concessão de licenças ambientais em SP”. Nada melhor que reproduzir os parágrafos mais importantes da matéria: 

- No mesmo dia em que foi confirmada a demissão do secretário Gilberto Natalini, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, ainda sob seu comando, relatou à Justiça de São Paulo uma série de irregularidades envolvendo licenças ambientais de obras na capital, que vão da falta de pagamento de taxas por construtores à pressão e ameaça a servidores por empresas de consultoria que cuidam dos processos de liberação de empreendimentos. A Justiça já encaminhou as informações ao Ministério Público, e a Prefeitura investiga a denúncia. 

Agora, CapitalSocial 

Faço um cavalo de pau editorial e volto ao que escrevi em novembro do ano passado – e que tem tudo a ver com as informações de hoje do Estadão: 

- A principal agressão de João Doria ao sistema de responsabilidade social a ser legado de Fernando Haddad é o desmonte da Controladoria-Geral do Município (CGM), organismo de fiscalização que alguns prefeitos eleitos na região em outubro último já anunciaram pretender agregar ao organograma oficial, embora não se saibam muitos detalhes. A CGM da Capital vai deixar de contar com o status de secretaria para virar departamento da futura Secretaria de Justiça. Num microartigo publicado na edição de hoje do jornal Estadão o colaborador Marco Antonio Teixeira, doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor do Departamento de Gestão Pública da Fundação Getúlio Vargas, expressa bem o significado dessa mudança (...): “Subordinada a uma secretaria municipal, a Controladoria-Geral do Município perde poder. Como é que um órgão de segundo escalão pode ter autonomia para fiscalizar um órgão de primeiro escalão? A agilidade que a CGM tem até o presente momento, de se mover sem nenhum tipo de barreira, seria perdida para encontrar no mínimo duas barreiras: a do secretário e do próprio prefeito. Ou seja, ela poderia perder autoridade. Se durante alguma apuração, a CGM tiver necessidade de convocar algum funcionário de outra secretaria, ela terá de obter antes a autorização de uma hierarquia superior, uma vez que ela tem de se reportar ao secretário ao qual está vinculada. Hoje ela se reporta diretamente ao prefeito. Mesmo assim, pela natureza de sua atividade, a CGM não deve tanta satisfação ao prefeito quanto às demais secretarias. Seria possível que o secretário de governo, como consequência dos trabalhos da Controladoria, ser investigado e acabar deixando o cargo, como aconteceu na gestão Haddad, se o órgão não tivesse tanta autonomia?” – escreveu o especialista Marco Antonio Teixeira. 

Estadão de volta

Agora, para que o entendimento seja completo nesse processo mais que escancarado de fragilização de mecanismos de controle do poder pantagruélico do mercado imobiliário comandado por um baronato aparentemente intocável como as empreiteiras flagradas pela Operação Lava Jato, leiam o que o Estadão publicou há três dias: 

- A gestão João Doria (PSDB) trocou nesta quinta-feira, 17, a controladora-geral do Município, Laura Mendes, responsável pelo órgão da Prefeitura que tem o objetivo de apurar e corrigir irregularidades administrativas e combater a corrupção. Em seu lugar, assumirá Guilherme Mendes, atual ouvidor de São Paulo. “Estamos fazendo mudanças administrativas e precisamos de uma Controladoria mais alinhada com as diretrizes do prefeito”, disse o secretário municipal de Justiça, Anderson Pomini. Criada como órgão independente na gestão Fernando Haddad (PT), a Controladoria-Geral do Município (CGM) é atualmente subordinada à Justiça. Segundo técnicos da área, Laura vinha enfrentando atritos. A avaliação é que havia conseguido manter a independência, mas ao custo de confrontos frequentes. Teria pesado para o desgaste suas negativas de compartilhar informações tidas como sigilosas por parte do órgão, a cobrança para que a gestão cumprisse a Lei de Acesso à Informação (LAI, que obriga a transparência de dados) e a fiscalização e a divulgação das doações recebidas pelo prefeito. 

Mais Estadão 

- Pomini nega. Ele afirma que pedia informações à CGM porque sua pasta é o órgão recursal dos processos abertos pela controladoria. “Assim, tinha de solicitar informações, o que fazia por ofício.” Diz ainda que a dificuldade em respeitar a LAI é decorrente do volume de pedidos feitos por meio da lei. E afirma ter sido a secretaria -- não a CGM -- quem organizou a divulgação das doações. A atual gestão já tornou público o resultado de 18 auditorias conduzidas pela CGM, todas referentes a contratos assinados por Haddad. A gestão anterior havia publicado 49 relatórios de auditorias, todos referentes à própria administração. Atualmente, estão em andamento as investigações da chamada Máfia da Cidade Limpa, esquema de propina revelado pela Rádio CBN. Em meio à crise financeira, o órgão tem ainda recebido menos recursos. Entre janeiro e julho foram executados R$ 6 milhões do orçamento de R$ 32,5 milhões. No ano passado, até julho, haviam sido R$ 10 milhões.

Mais CapitalSocial

Completo este artigo com outros trechos do artigo que escrevi no final do ano passado, em alerta aos prefeitos eleitos: 

- Aqui os bandidos imobiliários deitam e rolam faz muito tempo porque jamais houve um prefeito sequer que tenha tido a coragem e a independência de introduzir algo semelhante ao que Fernando Haddad acrescentou ao gerenciamento público. E não acredito que entre os sete titulares dos paços municipais no ano que vem alguém tenha tutano para travestir-se de Haddad. As ações de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo no campo da mobilidade urbana, especificamente do mercado imobiliário, não se restringiram a pegar os mafiosos do ISS (que ainda vivem a vida boa da impunidade, já que não existe uma Operação Andaime, espécie de Lava Jato, para acelerar o ritmo de condenações) já que se expandiram na área de auditorias de contratos firmados por secretarias municipais e subprefeituras. O balanço financeiro mais recente das operações da Controladoria-Geral do Município sob a liderança de Fernando Haddad aponta que só com a revisão de contratos houve economia de R$ 58 milhões no mesmo período. Foram emitidas 185 ordens de serviço de auditorias, sendo que 134 já foram homologadas. As apurações já abrangeram 25 das 29 secretarias, 28 das 32 subprefeituras e 14 das 18 unidades da Administração Direta.  Agora me respondam: com o desmonte mais que ensaiado de João Doria, o que restará desse trabalho todo e que mensagem o novo prefeito de São Paulo vai repassar como padrão de atuação aos demais titulares de paços municipais do País, especialmente de região tão próxima que o rebocou como liderança a ser seguida nas disputas de segundo turno? 

Mais Capital Social 

- Tenho todo o direito e o dever de colocar a gestão de João Doria na marca da penalidade máxima quando o assunto é o mercado imobiliário. Tomara que outros agentes informativos e analíticos também o façam. Que a Capital do Estado não repita a vergonhosa omissão generalizada da mídia regional. Aqui os mercadores imobiliários deitam e rolam porque sabem que podem controlar os cordéis de distanciamento da Imprensa. As tratativas nada republicanas com servidores públicos são homologações de negócios escusos porque o ambiente gerado ao longo dos tempos assim o determinou. Ao que tudo indica a São Paulo de João Doria voltará a ser a Capital de Gilberto Kassab. 


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Artigo: Temer contra Alckmin. Por Jasson de Oliveira Andrade



Temer mostra mais uma faceta: é vingativo. Ele tenta jogar Dória contra Alckmin para se vingar dos votos dos tucanos paulistas, alinhados ao governador, que votaram a favor da denúncia do procurador-geral Janot. Da bancada de São Paulo, 11 votaram pelo prosseguimento do processo e apenas uma deputada foi contra. Eis como votaram os tucanos paulistas: Bruna Furlan, SIM. Os outros votaram NÃO: “Carlos Sampaio, Eduardo Cury, Izaque Silva, João Paulo Papa, Lobbe Neto, Mara Gabrilli, Miguel Haddad, Ricardo Trípoli, Silvio Torres, Vanderlei Macris e Vitor Lippi.  O líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Trípoli, além de votar contra o presidente, ainda orientou a bancada a votar pelo prosseguimento da denúncia!

Eliane Cantanhêde, em artigo ao Estadão, comentou: “Quando Temer “abriu a porta” para Doria entrar (sic) no PMDB, também estava abrindo para o PMDB entrar na campanha (sic)  de Doria”. Trocando em miúdo: Temer, ao convidar Doria a se filiar ao PMDB, estava pondo em prática sua vingança, ou seja, jogando o prefeito de São Paulo contra Alckmin. Mais. Segundo a jornalista, incentivou o partido a entrar na campanha de Doria, como candidato a Presidência, enfrentando, ou melhor dizendo, traindo Alckmin…

O Estadão (16/8), na reportagem sob o título “Alckmin e Doria medem forças (sic) em diretórios de SP – Governador e prefeito querem seus aliados em postos-chave da máquina partidária tucana”, o jornal publicou uma foto dos dois juntos, com essa legenda: “BASE. Alckmin e Doria têm pretensões eleitorais em 2018”. Apesar de afirmar publicamente que não irá trair o seu criador, tudo indica, pela sua movimentação política em vários Estados, essa promessa não será mantida. Na matéria, o Estadão revela: “Com a decisão da Executiva Nacional do PSDB de antecipar as convenções municipais e estaduais do partido, aliados do governador Geraldo Alckmin e do prefeito João Doria buscam correligionários afinado com seus projetos eleitorais (sic) para ocupar postos-chave na máquina partidária. (…) Os dois grupos querem blindar prefeito e governador, ambos cotados para disputar (sic) o Palácio do Planalto em 2018, contra eventual “fogo amigo” em ano eleitoral”.

Não apenas o PMDB (leia-se Temer) deseja atrair Doria. O DEM está também na jogada. O Painel da Folha (15/8) noticiou: “O pastor Silas Malafaia enviou mensagem a Doria [prefeito de São Paulo] estimulando-o a trocar o PSDB pelo DEM. O prefeito teria respondido que está “analisando”. A ver!

O convite de Temer ao Doria para se filiar ao PMDB parece que está estimulando o prefeito de São Paulo a trair Alckmin, repetindo o que ele fez com Dilma. Conseguirá a sua vingança? Como sempre digo: A conferir!

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

GAZETA GUAÇUANA, 22/08/2017

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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Mudar PMDB para MDB não resolverá o problema do partido. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

Em 1966, filiei-me ao MDB de Mogi Guaçu. O líder era o Carlos Nelson Bueno, que se elegeu deputado estadual por esse partido. Eu, além de filiado, me elegi Delegado dessa sigla. Tive uma participação nas lutas políticas em nossa cidade, redigindo boletins em defesa do MDB. Posteriormente, Carlos Nelson se elegeu deputado federal, também por esse partido. Em 1979, o MDB era bem votado e a ARENA, partido da Ditadura, estava em baixa. Por este motivo, o presidente João Figueiredo resolveu extinguir os dois partidos. Participei da Sessão que apreciou essa proposta do presidente, juntamente com o então vereador Wilson Alves Ferreira, falecido em 27/4/2015. No meu livro “Defensores da Ditadura Militar Estão na Contramão da História”, à página 209, relatei: “Em vista disto [baixa popularidade da ARENA], o presidente João Figueiredo, em novembro de 1979, resolveu extinguir os dois partidos. O MDB resistiu . Os arenistas eram a favor. Convidado pelo deputado federal Carlos Nelson (MDB), o então vereador Wilson Alves Ferreira (MDB) e eu estivemos em Brasília. Assistimos essa histórica sessão. O tempo esteve “quente”. Havia duas assistências, uma hostilizando a outra. O “Clube do João”, como era conhecido os partidário do presidente, provavelmente militares à paisana, provocavam os emedebistas. Houve atritos e gases lacrimogêneos. (...) No final, realmente o MDB e a Arena foram extintos”. Com a extinção do MDB, filiamos ao PMDB, criado com o acréscimo do “P”. Agora, o presidente do PMDB, senador Romero Jucá, após o partido se afundar na corrupção, quer tirar o “P”, voltando a ser MDB. Resolverá o problema? Logicamente, NÃO. É o que veremos.

Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, analisou essa estapafúrdia ideia de Jucá. Vamos transcrever o seu texto, sob o título “Tira o P, fica o resto”: “O PMDB teve uma ideia para tirar o nome da lama: aposentar o P da sigla. Parece piada, mas a proposta foi discutida a sério nesta quarta-feira [16/8]. O presidente do partido, Romero Jucá, associou a mudança a planos grandiosos. “Queremos realmente ganhar as ruas”, declarou. (...) Antes que alguém perguntasse, o senador disse que a troca de nome seria mera maquiagem. “Quero rebater críticas de que o PMDB estaria mudando de nome para se esconder. Não é verdade”, apressou-se. (...) Sem a letra inicial, o partido voltaria a se chamar MDB. Esta era a sigla do Movimento Democrático Brasileiro, criado em 1966 para fazer oposição à ditadura. Nos anos de chumbo, a legenda abrigou figuras como Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Eram políticos honrados (sic), que não têm culpa pelo que está aí. (...) Conversei com dois fundadores do MDB sobre o plano de reciclar a sigla histórica. O deputado Jarbas Vasconcelos, 74, expressou sua opinião em poucas palavras: ´”É uma ideia irrelevante. O que melhora a imagem de um partido não é mudar o nome, e sim o seu comportamento”. (...) O ex-senador Pedro Simon, 87, pareceu mais preocupado. Ele ainda sonha em reviver o velho MDB, mas não quer ver as três letras misturadas aos escândalos de hoje. “Fazer isso agora vai parecer malandragem”, resumiu. (...) Para o político gaúcho, a ideia deveria ser guardada para outro momento. “Mudar o nome sem ter um projeto não significa nada. Qual é a bandeira nova? Vão tirar uma tabuleta e botar outra?”, questionou. (...) Simon não acredita em renovação enquanto o partido continuar nas mãos de personagens notórios. “O Jucá é um cara meio comprometido, né? Ele representa o que está aí, disse, numa referência elegante à multidão de colegas na mira da Lava Jato. (...) O ex-senador se limitou a citar o atual presidente da sigla, alvo de nove inquéritos no Supremo. Mas poderia ter mencionado Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Geddel Viera Lima, Jader Barbalho...” Entre eles pode-se ainda citar o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral Filho. Não descarto Baleia Rossi, que, como presidente do partido em São Paulo, bagunçou a sigla. Em Mogi Guaçu, cada ano, muda sua direção!

Eu me honro em ter pertencido ao MDB. No entanto, me envergonho de ser do PMDB. Por favor, presidente Jucá, esqueça da sigla antiga, que hoje pertence à História, com seus nomes ilustres e honrados: Ulysses Guimarães e Tancredo Neves!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Maduro realizou as eleições mais democráticas da história da Venezuela


As eleições são um jogo de cartas marcadas. Por meio do poder econômico, os capitalistas garantem seu controle sobre o Estado burguês apesar do inconveniente das eleições. O processo eleitoral serve de fachada democrática para o regime burguês, fornecendo uma ilusão de que os eleitores exercem algum controle sobre o Estado. Mas o poder econômico apenas ainda não é suficiente para garantir a vitória permanente e indefinida da direita nas eleições. A burguesia controla também as regras do jogo.

Mesmo com todas essas precauções, em momentos de crise como o atual o regime ainda escapa do controle de seus donos.

Na França, a burguesia teve que sacrificar seus dois principais partidos para colocar um desconhecido na presidência e derrotar uma candidatura da extrema-direita. Nos EUA, Donald Trump tomou de assalto a candidatura do Partido Republicano contra a vontade do aparato partidário e dos principais setores do imperialismo. E depois derrotou a candidata do establishment, Hillary Clinton, que só conseguiu ser a candidata do Partido Democrático graças a um golpe contra Bernie Sanders. No Reino Unido, os trabalhadores impuseram um representante próprio para liderar o partido da esquerda oficial do regime, assombrando os capitalistas. No Brasil, a direita só conseguiu se livrar do PT dando um golpe de Estado.

O golpe no Brasil
No Brasil, as eleições para o Executivo tendem a colocar os programas políticos e a ideologia dos candidatos em maior evidência do que nas eleições parlamentares. Por isso a burguesia pode perder o controle mais facilmente nesse tipo de eleição. Foi o que aconteceu depois que o PT continuou ganhando as eleições a partir de 2006. Depois de chegar à presidência para cumprir um mandato em 2002 por um acordo, o PT continuou vencendo as eleições presidenciais se tornando um intruso cada vez mais incômodo dentro do Estado burguês brasileiro. É por isso que agora se fala em parlamentarismo, ignorando-se o resultado do plebiscito sobre a forma de governo de 1993.

Com pressa para aplicar o programa neoliberal, o imperialismo teve que impulsionar um golpe de Estado no Brasil. Eleitoralmente, a direita tornou-se inviável, apesar de toda a manipulação, de toda a campanha da imprensa golpista, de todas as regras favoráveis aos conservadores. Agora, no marco do golpe de Estado perpetrado pelos entreguistas, os usurpadores estão discutindo uma reforma política para consolidar o golpe.

A reforma é parte de uma política de destruição do PT que consiste em perseguir seus principais quadros e atacar todas as organizações da classe trabalhadora que tenham relação com o partido. Apesar de todos os ataques ao PT, a reforma vem como mais uma garantia para a direita de que a classe trabalhadora será totalmente excluída do poder. Esse é o objetivo por trás da destruição do PT (e do resto da pequena esquerda restante como um brinde). A impopularidade da direita chega ao ponto de terem que prender o candidato em quem o povo quer votar: Lula.

As eleições, portanto, precisam ser contornadas nesse momento de crise porque o programa do imperialismo para os países atrasados é absolutamente impopular. Não pode haver a menor brecha para uma escolha genuinamente popular. A direita teleguiada quer acabar com os direitos trabalhistas, com os serviços públicos para os trabalhadores, roubar as aposentadorias e roubar as riquezas do país. Esse é o programa do imperialismo para todos os países atrasados e para os trabalhadores do mundo inteiro. Para realizar a manutenção do capitalismo falido, é preciso fazer com que a população pague caro pela crise. É difícil eleger alguém com esse programa.

A Constituinte na Venezuela
A Venezuela é alvo desse mesmo golpe, dirigido contra a América Latina de conjunto. Enquanto a imprensa burguesa cinicamente finge que o Brasil continua sob uma normalidade democrática, acusa, também cinicamente, Nicolás Maduro de ser um “ditador”. Uma inversão da realidade propagandeada à exaustão nos jornais, rádios e canais de TV da burguesia. Toda essa imprensa defende o programa dos golpistas contra os trabalhadores e por isso ataca quem impede ou pode atrapalhar a aplicação desse programa.

O Brasil, com um presidente golpista não eleito e com um Congresso discutindo como mudar as regras eleitorais de forma mais favorável à direita e desfavorável à esquerda, seria uma democracia. Uma democracia em que você termina sem aposentadoria, sem direitos trabalhista, ganhando mal e sem estabilidade no emprego, caso tenha a sorte de ter um emprego. Na Venezuela, onde o presidente foi eleito e acabam de ser realizadas eleições constituintes, o governo seria “ditatorial”.

A verdade sobre a Venezuela é justamente o contrário desse retrato feito pela imprensa golpista que apoia o assalto à aposentadoria e o congelamento de gastos públicos. O presidente Nicolás Maduro realizou as eleições mais democráticas que já aconteceram no país. A imprensa que o acusa de ser um “ditador” quer justamente que um ditador entre no lugar de Maduro para promover a catástrofe neoliberal contra os venezuelanos.

Composição da Assembleia Constituinte
Nenhuma eleição anterior foi tão democrática quanto a da Assembleia Constituinte. A Assembleia é composta por mais de 500 membros. Entre eles, 364 são representantes de determinados territórios, como costuma acontecer nas eleições parlamentares. Outros 173 membros são representantes de determinados setores da sociedade venezuelana. Esses 173 constituintes são divididos por setor da seguinte maneira: 5 empresários, 8 camponeses e pescadores, 5 portadores de deficiência, 24 estudantes, 79 trabalhadores, 24 representantes de comunidades e conselhos comunais e 28 aposentados e aposentadas. Outros 8 deputados ainda serão eleitos entre as comunidades indígenas.

Com tal composição, a Assembleia Constituinte da Venezuela tem uma participação popular efetiva muito maior do que a participação que resulta de eleições mais tradicionais comandadas pela burguesia. Enquanto o Congresso brasileiro conspira para excluir os trabalhadores totalmente do Estado, a Constituinte garante pelo menos 79 vagas para os trabalhadores na Venezuela. Enquanto os indígenas precisam implorar para serem ouvidos em Brasília, na Constituinte venezuelana eles elegerão 8 deputados de acordo com seus métodos tradicionais. Isso jamais seria possível dentro das regras mais usuais das eleições burguesas.

O regime venezuelano continua sendo um regime burguês, e o governo continua sendo um governo nacionalista burguês, que se apoia na burguesia nacional e nos trabalhadores. Porém, dentro dos marcos de um regime burguês, as eleições para a Assembleia Constituinte foram as mais democráticas da região. Maduro, que o jornal golpista Folha de S. Paulo passou a chamar de “ditador”, é o presidente mais democrático da América do Sul neste momento.

Como a Constituinte é efetivamente popular, a direita golpista boicotou as eleições e procurou impedir a população de votar. Um candidato chavista foi assassinado uma semana antes da votação. A população teve que enfrentar a ameaça de violência da direita golpista para poder exercer seu direito ao voto. Apesar desses obstáculos, as eleições foram um sucesso.

O sucesso eleitoral de Maduro
As eleições na Venezuela não são obrigatórias, e não tiveram participação da oposição, que resolveu boicotar e sabotar o processo eleitoral. Mesmo assim, 40% do eleitorado foi à urnas, 8 milhões de pessoas manifestaram seu apoio a Maduro. Um apoio maior ainda do que nas eleições de 2013, quando Maduro derrotou a direita com 7,5 milhões de votos. Um dos melhores resultados eleitorais da história do chavismo.

Desde que começou a se reunir a Assembleia Constituinte já tomou decisões importantes em defesa da Venezuela sob a ameaça de um golpe e sob a ameaça externa de uma “intervenção militar” dos EUA. Nicolás Maduro colocou seu cargo à disposição e foi ratificado pela Assembleia na presidência. Os deputados também votaram medidas para preparar a defesa do país contra o imperialismo e contra a especulação e a sabotagem econômica.

A maior democratização do Estado na Venezuela fortalece os trabalhadores e a população em geral contra a direita golpista. Os golpistas querem suprimir os direitos da população. A Constituinte pretende inscrever os programas sociais na própria Constituição. A direita, como o caso do Brasil mostra, precisa excluir o povo das decisões do Estado completamente. A Constituinte tem participação popular em uma proporção bastante grande.

Quando os jornais que apoiaram o golpe no Brasil chamam Maduro de “ditador” estão falsificando a realidade. E essa falsificação serve ao objetivo do imperialismo de substituir Maduro por um, aí sim, ditador. Um Pinochet capaz de impor uma série de retrocessos contra os trabalhadores e de entregar o petróleo para os monopólios estrangeiros.


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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Temer colhe o que plantou. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


O que Temer diz de manhã, ele recua na parte da tarde. Esta atitude, logicamente, o desmoraliza: quem vai acreditar na palavra dele? É o que aconteceu com o anuncio do aumento do IMPOSTO DE RENDA. De manhã do dia 8/8, anunciou o aumento. À tarde voltou atrás. É o que diz o Estadão (9/8). O jornal informou que o recuo se deveu à forte reação de deputados da base aliada do governo e do empresariado. O Estadão revelou ainda: “Em nota, no início da noite [7/8], porém, o Palácio do Planalto afirmou que não encaminhará ao Legislativo proposta de elevação do Imposto de Renda. “A Presidência da República não encaminhará proposta de elevação do Imposto de Renda ao Congresso Nacional”. Era a confirmação oficial do recuo. Uma vergonha! O jornalista Kennedy Alencar, no texto sob o título “Congresso leva Temer a recuar de aumento de tributo”, comentou: “A dura reação do Congresso à ideia de aumentar tributos levou o presidente Michel Temer a recuar da possibilidade de criar uma alíquota de 35% para o Imposto de Renda das Pessoas Físicas, ideia em estudo pela equipe econômica [Meirelles]. O Palácio do Planalto divulgou nota enterrando (sic) a ideia. (...) O recuo aconteceu porque é mais importante manter o apoio da Câmara a fim de enfrentar eventuais novas denúncias do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e porque o Congresso barraria a elevação do IRPJ. (...) O governo subiu o preço dos combustíveis justamente porque não precisava de autorização (sic) dos parlamentares. A pouco mais de um ano das eleições, deputados e senadores resistem a elevar tributos”. Sobre o déficit fiscal, Kennedy analisa: “Com um rombo maior nas contas públicas, a conta fica para todo conjunto da sociedade, o que penaliza mais os mais pobres (sic)”. À respeito do aumento, a COLUNA DO ESTADÃO revela: “PMDB DIZ QUE NÃO VOTA AUMENTO DE IMPOSTO – Michel Temer enfrentará resistência no seu próprio partido se decidir por aumentar impostos para enfrentar a crise fiscal”.

Temer, como já escrevi, manteve seu mandato COMPRANDO deputados. Até o Zorra Total ironizou essa compra, como publiquei no artigo anterior. Agora o presidente está colhendo o que plantou. O mesmo Estadão, na edição de 10/8, revelou: “Centrão vincula análise da Previdência a cargos - integrantes do grupo partidário ameaçam (sic) paralisar trâmite ou derrotar a pauta econômica do governo; líderes COBRAM (destaque meu) redistribuição de postos nas mãos de “infiéis” [principalmente do PSDB]”. Em declaração ao jornal, Arthur Lira disse: “Decidimos não votar a reforma da Previdência. Só retomaremos o diálogo quando o governo resolver quem é base e quem é oposição”. Já Marcos Montes (MG) afirmou: “Não tem clima para votar. Quem foi fiel precisa ser prestigiado [com cargos e verbas]”. O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia DEM-RJ), que dias atrás disse que o governo já tinha deputados suficientes para aprovar a reforma até outubro, agora declarou à imprensa que “não é fácil” votar a Reforma da Previdência. Trocando em miúdo: Temer está colhendo o que plantou. Como comprou os votos para salvar a própria pele, agora também vai precisar dar cargos e verbas aos parlamentares. Quem acostumou mal os deputados foi Temer!

A FOLHA, no Editorial “A pauta se apequena”, também abordou o fisiologismo do Centrão: “Eis que o famigerado centrão (sic), como é conhecido o bloco de partidos sem nitidez ideológica capaz de se alinhar a qualquer governo, rebela-se (sic) em nome de principio que regem as coalizões do presidencialismo nacional. (...) As siglas que se mantiveram majoritariamente fiéis ao presidente – PP, PR, PSD e outros – julgam-se no direito de obter MINISTÉRIOS E CARGOS (destaque meu) hoje ocupados pelo PSDB e por outros recalcitrantes. (...) Amesquinha-se, inevitavelmente, a pauta legislativa. Recrudescem as ameaças de boicote a votações e os lobbies por vantagens setoriais Á CUSTA DO ERÁRIO (destaque meu)”. Deu no Painel da FOLHA: “Aliados de Temer calculam que, hoje [14/8], governo só deve contar com 150 votos a favor da Previdência”. Para 308, faltam: 158! Muito difícil, mas o governo poderá aprovar a Reforma. No entanto, terá que comprar muitos parlamentares! E quem é culpado por essa situação? Repito: Temer que colhe o que plantou!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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domingo, 13 de agosto de 2017

A direita quer um Pinochet na Venezuela



Há quase duas décadas, a Venezuela está sob uma contínua campanha golpista. Desde 1998, quando Hugo Chávez venceu as eleições presidenciais, a direita trabalha para derrubar o chavismo por fora das eleições. Naquela eleição, os dois principais partidos até então abriram mão de seus candidatos para apoiar um terceiro candidato, no esforço de tentar derrotar Chávez. Nada adiantou, o ex-militar rebelado que tinha tentado dar um golpe de estado em 1992, reagindo à catástrofe neoliberal que assolava seu país, era popular demais naquele momento para ser parado por manobras eleitorais da direita.

A eleição de Chávez era uma reação a uma catástrofe neoliberal provocada na Venezuela pela direita, que deixou o regime político em crise. Nessas circunstâncias, não conseguiram impedir sua vitória. Sem capacidade de voltar ao poder por meio das eleições, a direita começou sua campanha golpista. Em 2002, chegaram a tirar Chávez do poder por quase 48 horas. Tomaram o Palácio de Miraflores, sede do governo, e até anunciaram um novo governo. A reação popular, no entanto, foi avassaladora. As ruas de Caracas foram tomadas, e não havia consenso nas Forças Armadas de que Chávez deveria ser derrubado. O presidente foi reconduzido ao seu cargo, e o golpe fracassado custou caro para a direita.

A tentativa fracassada de golpe levou a um expurgo no exército. Desse modo, a direita começou a perder o controle sobre as instituições estatais. A partir daí, a direita foi contida por um certo tempo, procurando se mobilizar contra Chávez durante as eleições, com apoio de toda a imprensa burguesa. Até a morte de Hugo Chávez e a eleição, em 2013, de Nicolás Maduro. Desse momento em diante a direita passou a realizar protestos violentos e atentados terroristas para desestabilizar o governo, enquanto o país era sabotado economicamente e, novamente, o governo era atacado diariamente pela imprensa burguesa.

O último capítulo dessa história de golpismo da direita foi a tentativa de impedir a realização das eleições constituintes, no dia 30 de julho. Maduro convocou uma Assembleia Constituinte mais democrática do que qualquer Parlamento já eleito no país, com representantes de setores de trabalhadores e populares, e a direita resolveu boicotar o processo eleitoral, com a esperança de que a participação fosse baixa e permitisse uma tentativa imediata de tomar o poder à força, mais uma vez.

A manobra da direita foi um fracasso. Apesar das ameaças dos golpistas, que chegaram a matar um candidato constituinte e que queimam pessoas no meio da rua por terem “cara de chavista”, mais de 8 milhões de eleitores participaram da votação. Todos esses votos foram de apoio a Maduro, diante do boicote da direita. São mais de 40% do eleitorado, em eleições que não são obrigatórias, e representam um aumento do apoio eleitoral a Maduro em relação às eleições de 2013, quando derrotou a candidatura dos coxinhas com 7,6 milhões de votos.

Diante disso, a tendência da direita venezuelana é recorrer a métodos cada vez mais violentos, com uma frequência cada vez maior. Com o apoio do imperialismo, a direita está a ponto de arrastar a Venezuela para uma guerra civil, com a conivência de todos os governos capachos dos EUA na região, como por exemplo o governo golpista que usurpou a presidência no Brasil.

A violência da direita venezuelana contra o povo, como da direita de toda a América Latina, é uma tradição. Em 1989, durante o caracaço, uma revolta popular que explodiu em todo o país, a direita esmagou o povo. Segundo os dados oficiais da época, 276 pessoas foram assassinadas pela Guarda Nacional e pelo exército, que saíram às ruas para conter a situação. Estimativas extraoficiais chegam a até 3 mil desaparecidos. A direita promoveu um gigantesco massacre contra a população naquele dia, 27 de fevereiro de 1989.

Esse é o perigo que a direita representa para os trabalhadores venezuelanos. A direita do caracaço no governo terá que promover um massacre de proporções catastróficas para impor na Venezuela os retrocessos que o imperialismo planeja para o conjunto dos países atrasados. Na resistência ao golpe e à violência da direita ao longo das últimas décadas, os trabalhadores venezuelanos nos bairros populares se armaram para se defender e defender seus direitos.

Portanto, para que a direita aplique contra o povo venezuelano a hecatombe neoliberal, a repressão terá que ser muito dura. A vitória da direita significaria uma gigantesca carnificina. Enquanto faz campanha pela “democracia” contra Maduro, é isso que a propaganda imperialista, reproduzida na imprensa burguesa e golpista do Brasil, está defendendo de fato. Em nome da “democracia” estão prontos a apoiar um conjunto de atrocidades. Querem colocar um Pinochet na Venezuela, com chances de ser mais sanguinário que o próprio Pinochet original, diante das circunstâncias. Essa campanha cínica é, desde já, cúmplice de um potencial genocídio político.


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Recentementa a capa de alguns jornais brasileiros informava que Trump "considera 'opção militar' na Venezuela".
Se a desculpa for 'violação dos direitos humanos' ou 'a fome do povo', os malditos Estados Unidos tiveram várias oportunidades de 'usar opção militar' ANTES da ascensão do chavismo ao poder na Venezuela.
Os malditos americanos não fizeram nada em relação ao massacre do 'Caracazo' e nunca se incomodaram pelo fato de que até 1999 havia 85% da população na miséria vivendo abaixo do nivel de pobreza.
Se sou o governo legitimo venezuelano, eu distribuiria armas pros pobres, não para combater o invasor estrangeiro, mas para combater o inimigo interno, aquela porcentagem ínfima da populaçao que detem a maioria esmagadora da riqueza do pais, e seus papagaios de classe-média também: "Saiam dos barrios e vão fazer sua auto defesa. Se os gringos invadirem, a gente vai morrer, mas os vermes gusanos não ficarão pra usufruir das migalhas que os gringos lhe darão por seu colaboracionismo"
Seria o equivalente a armar a população do Capão Redondo ou alguma outra quebrada e mandá-los dar um rolezinho por Higienópolis.

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Permanência de Temer beneficiará Lula e o PT. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


  

Na Câmara dos Deputados, Temer ganhou, mas perdeu. A afirmativa poderá parecer contraditória. No entanto, não é: o presidente realmente perdeu, como vou demonstrar.

Em entrevista ao Estadão (5/8), Temer chama de “ridículo jurídico” a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República. No entanto, na votação da denúncia, os deputados que votaram “SIM” disseram que assim votavam pela Economia ou que não estavam inocentando o presidente, visto que, após o fim de seu mandato, o processo continuará. Poucos defenderam Temer, dizendo que o processo era inepto. Uma minoria insignificante. Para mim, sem dúvida, essa manifestação majoritária foi uma derrota do presidente: os que votaram com ele mostraram-se envergonhados, mesmo recebendo verbas e cargos! Bernardo Mello Franco, em artigo na FOLHA, afirma que Temer se contentou com o apoio dos que não têm nenhuma vergonha. “Ele tem sido elogiado por tipos folclóricos (sic) como Wladimir Costa, que o define como o “maior estadista do Brasil”. No fim de semana, o deputado apareceu com o nome do presidente tatuado no ombro. Essa nem os bajuladores do palácio ousariam imitar”. Flávia Tavares, na revista Época, revelou: “A tatuagem custou R$ 1.200 a Wlad, mas a fidelidade dele para salvar Temer saiu por quase R$ R$ 5 milhões em emendas”. A revista na Seção “Personagem da Semana”, publicou a foto dele com esses dizeres: TEMER NO OMBRO E NO BOLSO – Há momentos em que sobram aos governos fracos (sic) apenas aliados de ocasião, aqueles que topam tudo em troca de algo. Michel Temer encontrou o seu”. Voto caro. Não para o bolso do presidente e sim para o País. Como costuma dizer Boris Casoy: É UMA VERGONHA!

O programa “Zorra Total” ironizou a compra de votos por Temer. É o que comenta o jornalista Maurício Stycer, no seu Blog, sob o título “Indignado com a crise, “Zorra” vê o presidente comprando votos de deputados”. Ele noticia: “Na imaginação do “Zorra” [TV Globo], antes de o presidente da Câmara dar início à votação que decidiria se a denúncia contra o presidente seria julgada pela Justiça, o próprio chefe da Nação falou aos deputados. E disse, pontuando suas frases com o dedo [Temer fala com as mãos]: “Olá, nobres deputados. Eu poderia estar roubando, eu poderia estar conspirando, eu poderia até estar carregando uma mala com R$ 500 mil. Mas não. Eu estou aqui comprando o seu voto. Vai uma emenda aí?” E enquanto os deputados corriam em direção à mesa, o presidente lançou emendas aos parlamentares como quem distribui comida aos esfomeados”. SEM COMENTÁRIO!

Os jornais noticiaram: Governo exonera aliados de “infiéis”. Se eles perderam os cargos, na prática foram beneficiados com essas demissões. A maioria da população, 75% segundo as pesquisas, queria a cassação de Temer.

Se Temer perdeu ganhando, o PT, que aparentemente foi derrotado, na realidade saiu beneficiado. É o que dizem os analistas políticos. Eliane Cantanhêde, em artigo ao Estadão (4/8), sob o título “Entre mortos e feridos”, escreve: “O PT se dividiu quanto à estratégia de dar ou não quórum, mas aproveitou bem a exposição em horário nobre, votou em bloco com a oposição pela continuação do processo contra Temer no Supremo e condenou a reforma da Previdência”. Além do mais, acrescento eu, chamou o governo de corrupto. Fábio Wanderley Reis, em entrevista ao UOL, afirma que com mais de 80% de rejeição e o desgaste adicional que o processo sobre denúncia na Câmara o envolveu, “é difícil imaginar que Temer se recupere e que recupere as condições de administração. (...) Do ponto de vista eleitoral, isso é vantajoso para o PT”. Para o professor Michel Zaidan Filho, essa hipótese do “sangramento de Temer” é um cenário mais favorável a Lula do que a entrada do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, por meio de eleições indiretas. Para o cientista político Vitor Marchetti, a permanência de Temer ajudaria o PT a encontrar um discurso” (...) Dá mais possibilidade para o PT se posicionar como uma oposição mais dura, demarcada”, acrescentando: “A oposição a Temer não saiu às ruas, seja pela direita, esquerda ou centro. Muita gente vai tentar surfar nessa crise, e não está claro quem vai conseguir fazer isso”. Para mim, aqueles que não saíram às ruas por decepção política, provavelmente, em 2018, anularão o voto. Caso isso ocorra, quem se beneficiará será, realmente, o PT.

Será que o Lula e o PT vão mesmo se beneficiarem dessa situação ( manutenção de Temer no Poder )? A CONFERIR.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Homens de confiança de Temer enfrentam problemas na Justiça. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Os jornalistas Camila Mattoso e Gustavo Uribe fizeram uma esclarecedora reportagem, sob o título “Entorno de Michel Temer enfrenta problemas na Justiça”, publicada na FOLHA (26/7). A seguir revelamos a Lista que consta na reportagem.

LÚCIO FUNARO – Apontado como operador do PMDB da Câmara dos Deputados e principalmente do ex-deputado Eduardo Cunha, o corretor de valores está preso há um ano no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. É réu em apenas um processo, mas tem dois mandados de prisão que o mantém na cadeia. Foi ele que entregou documentos à Policia Federal contra Geddel Vieira Lima, determinantes para o decreto de prisão do ex-ministro [de Temer].

JOSE YUNES – Melhor amigo do presidente da República, o advogado é um dos seus principais conselheiros políticos e interlocutor junto ao setor empresarial. Foi alçado a assessor especial no início do governo Temer, mas pediu demissão após ter seu nome citado por delatores da empreiteira Odebrecht. Ainda hoje, no entanto, conversa semanalmente com Temer. É alvo de uma investigação, mas não é réu.

GEDDEL VIEIRA LIMA – Alvo de duas investigações, foi o principal articulador político do presidente junto ao Congresso no primeiro ano da gestão Temer. Como ministro da Secretaria de Governo, tinha carta branca do presidente para negociar cargos e emendas e fechar acordos com partidos da base aliada. Preso acusado de tentar atrapalhar investigações, está em prisão domiciliar.

ROMERO JUCÁ – Inicialmente de um grupo diferente do de Michel Temer no PMDB, o senador por Roraima ganhou a confiança do presidente ao assumir a articulação do impeachment de Dilma Rousseff (PT). Virou ministro do Planejamento do novo governo, mas caiu (sic) após a FOLHA revelar áudio em que reclamava da Lava Jato em conversa com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. É alvo de 13 investigações, mas não é réu.

ELISEU PADILHA – Braço direito de Michel Temer e homem forte do governo federal, o ministro-chefe da Casa Civil da Presidência á apontado por delatores da Odebrechet como o autor dos pedidos de dinheiro para campanhas do PMDB. É avaliado como o aliado mais fiel do presidente, de uma “obediência quase cega”. Alvo de dois inquéritos no Supremo.

TADEU FILIPELLI – Ex-vice-governador do DF [Distrito Federal], fazia a interlocução do governo com parlamentares e empresários. Atuava em articulação políticas que exigiam sigilo, como a sondagem de ministeriáveis. Foi preso em maio acusado de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o estádio Mané Garrincha, após delação da Andrade Gutierrez.

RODRIGO ROCHA LOURES – Ponte de Temer com lobistas e investidores, inclusive do mercado internacional, era um dos homens de confiança do presidente desde 2008, quando se conheceram na Câmara. Era tão próximo (sic) que foi quem intermediou a conversa com Joesley Batista, em março deste ano. Após ser filmado (sic) carregando uma mala de dinheiro da JBS, foi denunciado pela PGR por corrupção passiva. Está em prisão domiciliar.

EDUARDO CUNHA – Aliado do presidente, foi o principal avalista da chegada de Temer ao Palácio do Planalto. Apesar da relação de proximidade, o presidente sempre teve cautela pela personalidade explosiva e inesperada do ex-deputado. Preso em Curitiba, alvo de 30 investigações, condenado por Sérgio Moro [15 anos e quatro meses] e réu em quatro processos, ameaça Temer com sua delação premiada, em negociação.

MOREIRA FRANCO – Principal estrategista do governo, é o interlocutor do presidente com a sociedade civil, como com intelectuais e jornalistas. Participa de todas as decisões governamentais e costuma ser a voz decisiva nas escolhas de Temer. É alvo de duas investigações no Supremo. Sua nomeação como ministro foi questionada por ser suposta tentativa de blindagem.

CORONEL LIMA – São próximos desde a década de 80, quando o coronel assessorou Temer no gabinete da Segurança Pública de SP. A fazenda de Lima era usada pelo presidente em comícios. Ganhou contratos milionários com o governo federal nos últimos anos. A Operação Patmos encontrou documentos que vinculam o coronel a Temer, por meio de obras na casa de uma das filhas do presidente. Delação da JBS diz que foi entregue a ele R$ 1 milhão em dinheiro em 2014, a pedido do presidente. Não é réu e ainda não é formalmente investigado – a PGR fez pedido nas últimas semanas.

Nessa lista faltou Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ex-ministro de Turismo de Temer e ex-presidente da Câmara dos Deputados. Atualmente preso, desde 6 de junho.

O que dizer dessa Lista de amigos de Temer, que enfrentam problemas na Justiça? Os leitores que a julguem!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sábado, 29 de julho de 2017

Evento organizado pelo Centro Islâmico no Brasil discute o combate ao terrorismo e ao radicalismo



Estivemos hoje no importante evento organizado pelo Centro Islâmico no Brasil (http://www.arresala.org.br/) que tinha como tema o combate ao terrorismo e ao radicalismo. Participaram do evento diversas personalidades políticas e religiosas (das correntes xiita e sunita). Todos os palestrantes condenaram o terrorismo, seja o praticado por grupos ilegais assim como o terrorismo de estado praticado pelas potências imperialistas contra a soberania de países que eles desejam subjugar. Também foi condenada a ignorância e mais de um palestrante citou a educação como um caminho a ser seguido para diminuir a influência das correntes radicais.

O líder sunita no Irã, da minoria curda, também esteve presente e discursou a favor da convivência, lembrando a importância que teve a cultura islâmica na história.

Socorro Gomes, presidente da Cebrapaz e presidente do World Peace Council, também foi convidada a participar da apresentação e também condenou todas as formas de terrorismo, principalmente o terrorismo praticado por EUA e Israel contra as nações que não se curvam aos seus caprichos.

Houve outros discursos, todos muito interessantes como o do representante islâmico de Moscou, o ex-Ministro de Exteriores do Paraguai, que foi entrevistado pela revista Ópera, Eduardo Suplicy e muitas outras figuras de destaque. Diversas personalidades que não puderam comparecer ao evento, enviaram saudações.

O discurso do Aiatolá Mohsen Araki foi focado em condenar a violência e a injustiça. Ele lembrou que o Islam proíbe a prática do mal e ordena a instauração da justiça na terra e que este objetivo só pode ser alcançado pela união de todas as pessoas conscientes de qualquer religião. Ele condenou as potências que controlam o mundo e promovem a injustiça, lembrou dos povos sofridos do Iêmen, do Iraque, da Síria, Palestina, Bahrein e Líbia e não deixou de apontar os culpados deste sofrimento. Outro ponto importante no discurso de Mohsen Araki foi quando ele fez referência às acusações que EUA faz contra o Irã, sendo que são os próprios EUA que patrocinam grupos terroristas para promover mudanças de governos! EUA e sua política externa não foram poupados de críticas, o clérigo lembrou que todas as últimas guerras que tem acontecido no mundo SEMPRE tem um dedo de EUA. Ele afirmou que todos os conflitos atuais poderiam ser resolvidos se EUA não interferisse mais. Falou sobre como era o Iraque antes de EUA semear a discórdia por lá, sobre como era a convivência entre sunitas, xiitas e outras minorias e como isto foi destruído pela interferência externa. Também defendeu o Hezbollah, lembrando que o grupo é condenado sendo que o único que ele fez foi DEFENDER O LÍBANO DE UMA INVASÃO! O foco do trabalho do Aiatolá Mohsen Araki é o diálogo entre as correntes do Islam e o combate ao extremismo, que é representado atualmente pela corrente wahabita, que prega o extermínio dos que eles consideram infiéis.

Enfim, não tenho como colocar tudo aqui, neste post, vamos compartilhar os artigos que forem aparecendo em outras mídias para manter vocês informados. Estamos muito honrados de termos participado de um evento tão importante e admirados com a inteligência e habilidade política de todos os envolvidos. Parabéns aos responsáveis e esperamos que eventos como este se multipliquem.


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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Meus heróis consertando o Brasil que o PT destruiu







OS MEUS HERÓIS CONSERTANDO O PAÍS QUE O PT DESTRUIU.

Finalmente esse país toma um rumo certo, longe desses vermelhos bolcheviques, esses comunistóides empedernidos e todos em volta daquele tal de Lula molusco, trilionário com dinheiro público , dono da OI, da OLÁ, e até da ATÉ LOGO.

Apesar de estar passando agruras com esse desemprego tenho certeza que isso tudo é fruto do PT que pegou o nosso dinheiro, o dinheiro da classe média e foi enfiar no rabo dessa patuléia, dessa pobralhada distribuindo bolsa familia.

Ora, para pobre se distribui é bolsa chumbinho, Pobres , negros e nordestinos deveriam saber que eles não tem direito a nada nesse país a não ser nos servir, fui para a rua com muita honra para salvar o meu país desses comunistas.

Pobres invadindo aeroportos, imagina que vi um negro dirigindo um Camaro e eu a pé suando como um jumento. Tenho certeza que esse governo justo e cristão irá acabar com esses absurdos e colocar cada um em seu lugar.

Agora para melhorar as nossas espectativas sairá do comando da economia o honestíssimo e probo Henrique Meireles e entra o mais correto e digno Arminio Fraga, dois homens que mereceriam junto com o Moro e o Temer uma estátua.

Dois patriotas, brasileiros de coração e alma, honestíçimos , que só amealharam nas suas vidas alguns caraminguás juntados com muito suor e trabalho, Armínio então esse menino no governo FHC enquanto a economia quebrava ele fundava bancos.

Lembro dele ainda novinho mas já careca se esforçando para vender as ações da petrobras por menos de 10% do seu valor, inclusive seu patrão na época por pena e como quem compra uma rifa comprou por cinco o que valia cinquenta, provando que o fez só para ajudar o pupilo.

Sendo assim na volta o FHC desgostoso com a venda das ações comprou um apartamento modestíssimo em Paris por 45 milhões de reais e o Arminio sem saber o que fazer com aquelas moedinhas doadas por seu ex patrão fez o que qualquer pobre faria: Montou um banco.

Hoje tenho certeza que tudo vai melhorar e voltaremos em breve a ocupar o lugar que sempre ocupamos no planeta, nada de protagonismo ou pobres, negros e nordestinos nos envergonhando frente aos estrangeiros nos nossos aeroportos, esse lugar é para nós, a elite .

Foi para isso que fomos às ruas bater panelas e preferimos passar fome a ter que ver essa pobralhada e esse partido defensor de pobres e trabalhadores ( arghhh ) no comando desse país, portanto se você é comunista volte para a União Soviética já !!!!!!!!!!!!!

( Da página do Facebook COXA CORNEADO )

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quinta-feira, 27 de julho de 2017

BRASIL NO CAMINHO CERTO A importância dos sucessivos aumentos da gasolina



Somente fracassomaníacos podem ser contra os aumentos seguidos do preço da gasolina.

Trata-se de importantissima medida humanitária, econômica e ecológica.

Ecológica porque retirará muitos veiculos poluentes das ruas.

Humanitária porque retirará muitos veículos atropeladores das ruas.

Não foi o prefeito de Sampa quem disse que o aumento dos acidentes no trânsito paulistano se deu por causa da melhora no cenário econômico?

Então se tornou imperativo que os efeitos deletérios dessa magnifica retomada econômica atestada por diversos setores produtivos sejam minimizados.

Econômica porque as pessoas terão que gastar mais para encher o tanque, e não sobrará grana para as compras costumeiras. Com baixas vendas e sobra de mercadorias em estoque os comércios e serviços se verão, pelas leis de oferta e procura, obrigados a reduzirem seus preços.

Reduzirão seus preços, mas não suas margens. A diferença será coberta pela demissão de funcionários inúteis, caros e dispendiosos, e a contratação de novos funcionários, mais antenados com os novos tempos. E contratados a valores de liquidação. Não é ótimo?

Assim, demite-se um empregado e contratam-se dois, elevando o nivel de emprego.

Serão favorecidos os ecologistas, o comércio, os trabalhadores e os consumidores.

Assim, a pergunta: quem pode ser contra o aumento da gasolina?

Não seja do contra. Fique do lado certo da Luz.

Vamos construir juntos.

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sábado, 22 de julho de 2017

Aumento de impostos: povo paga o pato. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

O governo aumentou os impostos sobre a gasolina. Como diz a CartaCapital, na capa: TEMER CUSTA CARO – Para manter-se no Poder, ele apela à fisiologia [bilhões para verbas e cargos]”. No editorial “Remendo (sic) tributário”, a FOLHA criticou o aumento. Já o governista Estadão silenciou. No entanto, seus leitores criticaram. Entre as críticas destaco essa: “Quer dizer que o presidente “compra” parlamentares na CCJ e nós pagamos a conta na bomba de gasolina?” -- Moisés Goldstein, São Paulo”.

A FIESP publicou nos jornais matéria paga (uma página!), com essa crítica: “O QUE É ISSO, MINISTRO? MAIS IMPOSTOS?”. No texto afirma: “Nesta semana, ficamos indignados com o anúncio da alta de impostos sobre os combustíveis. (...) Aumento de imposto recai sobre a sociedade, que já está sufocada, com 14 milhões de desempregados, falta de crédito e sem condições gerais de consumo. (...) Somos contra o aumento de impostos porque acreditamos que isso é prejudicial para o conjunto da sociedade. (...) CHEGA DE PAGAR O PATO. DIGA NÃO AO AUMENTO DE IMPOSTOS!”

Eliane Cantanhêde, em artigo no Estadão, comenta: “Nós, os leigos, que não presidimos nenhum partido e nem sequer temos mandato parlamentar, não estamos entendendo nada. (...) Michel Temer aumenta impostos enquanto ABRE OS COFRES PARA A BASE ALIADA? (destaque meu)”. Adiante ela analisa: “O risco de Temer é o azedume contra o Planalto piorar ainda mais. Aumento de imposto é um prato feito para a oposição, irrita a população e os setores produtivos. AINDA MAIS SE O GOVERNO ABRE AS BURRAS PARA GARANTIR VOTOS DA CÂMARA CONTRA A DENÚNCIA DO PROCURADOR RODRIGO JANOT E EMPURRA A CONTA DA CRISE FISCAL PARA A MAIORIA DA SOCIEDADE (destaque meu)”.

Bernardo Mello Franco escreveu: “O aumento do imposto do combustível mostra que existe um abismo entre a propaganda do governo e a situação real (sic) da economia. DIANTE DOS MICROFONES, O PRESIDENTE MICHEL TEMER DIZ QUE O PAÍS VOLTOU AOS TRILHOS (destaque meu). No silêncio dos gabinetes, a equipe econômica [Meirelles] admite que as contas estão longe de fechar. (...) No ritmo atual, seria impossível cumprir a meta de R$ 139 bilhões de déficit. O governo asfixIou a máquina e parou até a emissão de passaporte, mas a arrecadação continua muito abaixo do esperado. Para tapar o rombo, vai apelar ao remendo de sempre: tungar o contribuinte”.

O economista Celso Ming, no artigo “Você pagará mais impostos”, explica: “Essa nova expropriação (sic) de recursos do consumidor não vem, como inadvertidos poderiam entender, para zerar rombo. Vem apenas com o objetivo de melhorar a possibilidade de manter o déficit deste ano nos R$ 139 bilhões, como ficou estabelecido na PEC do Teto dos Gastos, O QUE AINDA NÃO ESTÁ GARANTIDO (destaque meu)”. Adiante o economista faz essa revelação: “O governo está desdenhando o impacto sobre a inflação, que é outra consequência. Está dizendo que o momento é de baixa forte da inflação e que um adicional sobre os preços dos combustíveis não vai matar ninguém. Não é bem assim, aumento de imposto sobre os combustíveis é inflação em fim de ciclo já na chocadeira”. Será que esse aumento vai mesmo aumentar a inflação? A CONFERIR!

Um fato merece meu comentário. Meirelles é considerado um ótimo economista. Lula até o recomendou à Dilma, mas ela não o nomeou. Temer escolheu Meirelles como o SALVADOR DA PÁTRIA. No entanto, ao que parece, para a nossa decepção, ele fracassou. Pelo visto, Lula e Temer estão errados e Dilma certa: ele não conseguiu colocar o País nos trilhos!

“A população brasileira irá compreender”, afirma Temer sobre o aumento da gasolina. SEM COMENTÁRIO!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Ponto parágrafo, por Paulo Nogueira Batista Jr.



O juiz bateu recordes de desfaçatez. Um certo juiz

‘O Brasil é um país em franca decadência”, me disse ao telefone um alto funcionário do governo brasileiro, diplomata de carreira. Foi no fim do ano passado. Tenho esse diplomata em alta consideração. E a frase me doeu, ficou reverberando dentro de mim.

Tenho toda uma vida profissional investida no Brasil e na sua projeção internacional. Tudo o que faço, de uma maneira ou de outra, diz respeito a nosso país. Mesmo agora que sou um funcionário internacional, que não representa o país no banco aqui em Xangai, todas as minhas atividades remontam, em última análise, à ideia central de que o Brasil é uma grande nação, destinada a deixar sua marca na história e no mundo.

Ilusão? Creio que não. Mas é, sem dúvida, muito difícil sustentar essa crença hoje. Lembrei-me da frase do diplomata por causa de algo estarrecedor que aconteceu na semana passada: a sentença de um certo juiz, condenando o ex-presidente Lula a mais de nove anos de prisão. Com todos os absurdos que ocorrem atualmente no Brasil, é difícil encontrar um documento que sintetize de forma tão perfeita o nosso quadro de decadência moral, intelectual, profissional e política. O juiz bateu recordes de desfaçatez.

Um certo juiz. Por que não dizer os seu nome? Explico. Conta Nelson Rodrigues que na antiga imprensa carioca havia um editor que era contra, simplesmente contra o ponto parágrafo. Dizia que o ponto parágrafo era um espaço desperdiçado e perdido para sempre. Pois bem, o nome do juiz seria outro espaço desperdiçado e perdido para sempre. E de qualquer maneira: o seu nome não entra na minha coluna nem a tiro, como não entra palavrão em casa de família.

Bem, casa de família já é exagero. Reconheço que figuras infames já passaram por esta coluna. Mas há limites, leitor, há limites! A referida sentença está coberta de barbaridades e absurdos. Trata-se de uma selvageria pura e simples. Dou um ou dois exemplos, entre muitos que poderia dar se o espaço permitisse.

O ex-presidente foi condenado em primeira instância por crime de corrupção passiva. Ora, para caracterizar tal crime, parece que há pelo menos dois requisitos indispensáveis. Primeiro, comprovar o recebimento pelo corrupto de um favor ou benefício. No caso, o tríplex em Guarujá. Segundo, comprovar que o acusado valeu-se de um cargo para prestar alguma contrapartida ao corruptor, no caso a OAS.

Quanto ao primeiro aspecto, o juiz reconhece que não tem provas de que o tríplex pertence ou tenha pertencido a Lula. Alega, entretanto, que o ex-presidente era “proprietário de fato”. O juiz comprova a “propriedade de fato”? Comprovou-se o uso frequente do imóvel por Lula e seus familiares? Não. O que se alega simplesmente são uma ou duas visitas de Lula e dona Marisa ao tríplex.

Uma, talvez duas visitas. Parece caricatura, mas não é.

Quanto ao segundo aspecto, como o juiz comprova a contrapartida? Não precisa comprovar. A sentença alega: “Basta para a configuração que os pagamentos sejam realizados em razão cargo ainda que em troca de atos de ofício indeterminados, a serem praticados assim que as oportunidades apareçam”.

Atos de ofício indeterminados. A citação é literal.

É isso que passa por justiça no Brasil hoje?

Paulo Nogueira Batista Jr. é vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, sediado em Xangai


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Gasolina pela hora da morte



Radamés bateu panela. E usou camisa da CBF. Não faltou a nenhuma manifestação patriotica convocada pela Globo e pelo MBL. 

Ele tomou um porre no dia em que cassaram a Gilma:

- Isso aí! Pelo Brasil! Por Deus! Pelo tomate! Pela gasolina.

Um ano depois, desempregado, Radamés teve que vender o carro.

Camila, sua esposa, tenta encorajá-lo.

- Ainda bem que vendeu. Olha aí, a gasolina subiu de novo. Melhor andar de bicicleta.

Radamés teve que engolir o orgulho. Bicicleta lembrava Raddard e comunistas. Só comunista anda de bicicleta. Stalin deve ter inventado a bicicleta.

Surge uma vaga de emprego. Radamés prepara o curriculo e vai à luta. De bicicleta, pra economizar a grana do busão. E, afinal, dá uns 40 minutos só. Moleza.

Ao entrar na avenida daquele bairro de classe-média alta, Radamés é fechado por um SUV. O motorista xinga Radamés:

- Vai tomá no cu, pobre do caralho!

Radamés nem tem tempo de responder. Outra fechada e a queda. Radamés morre ao bater a cabeça.

O motorista do SUV, filho de algum bacana influente, alega que o ciclista foi imprudente e responsável pelo acidente. É condenado a pagar algumas cestas básicas.

A vaga que Radamés ia tentar era de frentista em posto de gasolina. No mesmo posto em que o proprietário distribuiu aos seus clientes adesivos da Gilma com as pernas abertas.

Aliás, é só fachada. O posto é lavagem de dinheiro e suas ligações chegariam, se houvesse investigação, a algum deputado da base governista estadual.

FIM

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Hora dos coxinhas pagarem o pato: aumento da gasolina faz a alegria da galera





FONTE: Internet

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Como alguns brasileiros lidarão com a crise econômica



Matheus!
- Quié, Laura?
- Soube quem se matou?
- Quem?
- A Karem.
- Putz.
- Ela deixou um bilhete. Que tava cheia de dívidas. Que tomou calote da empresa. Que não arrumava emprego fazia dois anos, só fazia bico.
- Ela tinha a mesma profissão da nossa filha, né.
- Isso. Já sairam juntas pra procurar emprego, lembra? A Karem até pagou o lanche da Heloisa.
Matheus relfete um pouco sobre aquela tragédia. Uma vida humana. Por causa de problemas econômicos. Que chegou até a procurar emprego junto com Heloisa, sua filha.
- Laura!
- Sim, Matheus?
- É uma a menos pra disputar vaga de emprego com a Heloísa.


FIM

PS: Eu coloquei "alguns" no título, mas acho mesmo que será a maioria. Não tenho esperanças nem otimismos.

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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Preparem a vaselina: deflação é só a ponta da saroba que vem por aí


A crise só começou, viu? A deflação foi só o primeiro estágio da Grande Depressão (1929-1939). Deflação significa que está havendo uma queda nos preços ao consumidor. Não porque os capitalistas são bonzinhos, mas porque as pessoas não estão comprando os produtos disponíveis no mercado (por ora, fraldas descartáveis, pão, queijo e iogurte lideram a lista de produtos que os brasileiros estão deixando de comprar). Há menos dinheiro circulando na sociedade do que havia no ano passado. Nesse cenário - e sem investimentos públicos ou privados - a produção industrial vai cair. Sem produção e sem consumo, a indústria e o comércio vão demitir ainda mais. Sem salário, as pessoas não vão comprar e os preços vão continuar "congelados". Além disso, os salários, que eram ajustados pela inflação, deixarão de aumentar num cenário de inflação zero, o que vai manter o nível de consumo no patamar atual daqueles que ainda tiverem emprego, prejudicando ainda mais o comércio. A crise vai se retroalimentar até que os investimentos externos voltem e o governo intervenha incentivando o mercado interno, seja através de financiamentos, liberação de crédito ou criação de postos de emprego. Não é exatamente isso que Michel Temer pretende fazer. O "crédito" que ele libera é o FGTS, de impacto imediato e limitado na economia. O discurso de Temer é um de enxugar a máquina pública e os investimentos públicos, algo que vai agir no sentido de amplificar ainda mais a crise. Não se assustem se um dia o desemprego chegar a afetar 25% ou 30% da população (mesmo com as mudanças de metodologia do IBGE para acobertar quem estiver no poder). Ninguém mandou você acreditar no terrorismo neoliberal da Globo, segundo o qual toda e qualquer inflação era o fim do mundo. 


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