segunda-feira, 18 de junho de 2018

A camisa maldita ( conto )



Essa mensagem ou carta foi encontrada em um notebook, ao lado do corpo de um suicida aparentemente com pendores literários. 
É uma espécie de confissão e carta de despedida com um teor muito estranho em forma de conto.
As autoridades mantém absoluta discrição sobre o caso, mas um informante revelou a coisa toda.

"A quem estiver lendo isso

Eu sempre fui um sujeito normal e ponderado, ciente dos meus inúmeros defeitos e raras qualidades.

E sempre tentando melhorar, mais errando que acertando.

Um sujeito normal se equilibrando nessa corda bamba chamada vida.

( Credo, essa foi ruim! )

Estudei, trabalhei, me diverti, confesso que bebi, namorei, casei, tive um filho.

Enfim.

Foi em 2013 que tudo mudou.

Ou melhor, eu mudei.

E pra pior ( VEJO ISSO AGORA! )

Aquelas marchas.

A música nos trios elétricos.

As danças coreografadas.

A união.

As selfies com policiais.

Foi muito lindo.

Discursos contundentes.

O país não podia continuar daquele jeito.

Fui conquistado pelo espírito da mudança.

Não dei, nem tive mais trégua.

Comecei a fazer parte de inúmeros grupos de Whatsapp.

Éramos uma rede.

Uma rede de redes.

Discutiamos a situação do país.

Compartilhavamos alertas.

Mudaríamos o país.

Estavamos decididos.

E havia ela.

A camisa.

Lembro de meu pai, me trazendo uma camisa amarela, quando eu tinha cerca de 10 anos.

Eu nem sabia o que era aquilo.

Mas sabia o que era o sorriso do velho.

Meu velho.

Eu nem gostava de futebol.

Mas para o velho, aqueles caras correndo atrás da bola vestindo a camisa amarela eram como semideuses. Artistas. Como os cantores de ópera e escritores que ele tanto amava. Falava deles como se fossem visitas que iam em casa.

Saudades, velho.

Agora eu sou o velho do meu filho.

Eu não o convenci a usar a camisa amarela por causa de futebol, como meu velho fez comigo.

Eu o levava às marchas. Eu e ele. Ele nos meu ombros.

Pai e filho.

E a amarelinha.

Fiz isso por ele. Pela criancinhas do Brasil, como disse o Pelé uma vez.

Eu estava lá no "Não vai ter Copa".

Que ironia. "Não vai ter Copa" e eu usando o uniforme da Copa.

Da seleção.

Do velho.

Teve Copa, mas não ficou assim não.

Eu estava lá no estádio.

"EI DILMA, VAI TOMAR NO CU!!"

Gostou, velho?

Eu havia tomado gosto pela coisa.

A camisa.

Ela me dava força.

E segurança.

E confiança.

A camisa.

FOI ELA!!!!

A causa disso tudo!

SUA MALDITA!!!!

Eu me transformava.

Minha mulher me avisou:

- Querido, você está estranho!

Ela não sentia o que eu sentia.

Ela nunca vestiu a camisa.

EU VESTI!!!

Eu estou pagando por isso.

MEU DEUS ME PERDOA!

SUA MALDITA!

NÃO, NÃO!! ME DESCULPA.

MALDITA É ELA.

A esposa, não a camisa!

Eu amo a camisa.

Todos nós amamos!!!!

ELA! Nos ama de volta.

Ela nos fortalece contra os inimigos.

Os comunistas. As feministas. Os viados!!!!

Nossa camisa jamais será vermelha.

Né, velho???

Semideuses.

Somos semideuses.

Eu preciso usar a camisa. Ela me protege e me dá força.

Ela me diz o que fazer.

Minha mulher se afastou de mim e levou meu filho.

Eu sou o velho dele.

Ele precisa de mim.

Ele precisa vestir a camisa.

Ela disse:

- Amor, o que aconteceu com você? Você parece um monstro. Eu não casei com um monstro.

"Os comunistas são monstros!", eu respondi a ela.

Ela implorou que eu parasse com aquilo. Me afastasse daqueles grupos "estranhos" e "paranóicos". Que fizéssemos uma viagem. Que ninguém mais falava conosco. Nem vizinhos, nem amigos. Não havia mais visitas.

Eu respondi que ela estava louca.

Um dia eu cheguei em casa e não estavam lá, nem minha mulher, nem meu filho.

Eu fiquei desesperado.

Corri e vesti a camisa.

Me senti melhor.

Fui pro Whatsapp

O pessoal me explicou: ela virou comunista.

Disseram que eu não preciso dela.

E que eu estarei melhor sem ela.

Comunista feminista!

Alguns dos caras do grupo me chamam pra ir ver o jogo do Brasil no bar.

É uma boa.

Eu, os caras e minha linda camisa.

Sem comunistas.

Estamos no bar, e lá tem umas gringas.

Ficamos sabendo que elas são russas.

Ou seja, comunistas feministas.

Alguém sugere pra irmos zuar com elas.

A gente zoa e filma tudo.

- Olá!

- Ola!

Somos simpaticos com elas.

Começamos a ensinar-lhes palavras e a filmá-las falando os palavrões que as ensinamos:

- Buceta rosa!

- Bôcêtah rôza!

hahahahahahahahaha!

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

O video cai na rede. Somos um sucesso.

Batem à porta.

Eu estou assistindo ao vídeo pela 50a. vez.

É minha mulher.

Ela fala sobre o vídeo.

Eu fui reconhecido.

Naquele exato momento, toca o telefone.

É do RH.

Me desligaram da organização.

E minha mulher falando ao mesmo tempo que o RH.

Não sei de mais nada.

Estou sozinho agora.

Sem a camisa, apenas de bermuda, tentando colocar as idéias no lugar.

Acho que não tem mais volta.

Pensei, pensei e pensei.

Não tem saída.

Já sei o que fazer.

Foi a camisa.

Foi ela.

Me seduziu.

Me enlouqueceu.

Como a mascara do Maskara.

Outra personalidade.

Eu não era mais eu.

Eu era outro.

Diferente.

Perverso.

Mau.

Você vai queimar, sua maldita! FOI VOCÊÊÊÊ!!!!!

Eu...eu...eu... Não fui eu, foi ela!!!! Olha o que você fez comigooooo!!!!

A camisa diz que não fez nada comigo, que eu fiz tudo por conta própria.

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHCALAABOCACAMISAAAAAAAAAAAAAAA!

ELA NÃO CALA A BOCA!!! PÁRA! PÁRA!!!!

Eu descarrego o pente sobre ela e ela continua falando.

CALA A BOCA MEU DDEUS CALAALAALALALALALALA NAO ESTOU OUVINDOOOOOO!!!!!

CANSEI!!!!

Eu taco fogo na maldita!

Queima!

As chamas também são amarelas!

O amarelo é lindo.

Não, ele não é lindo.

Ele é mau.

Amarelo mau!

Mas...

Eu também sou mau.

Já sei o que fazer.

Pra me livrar do amarelo.

Ja me livrei da camisa.

Só falta uma coisa.

Vai ser agora.

Te amo amor, te amo filho.

Me perdoa.

Assinado: o ( seu ) velho"

Os vizinhos ouviram o barulho do tiro e chamaram a policia.

Explicaram o que sabiam.

Casado, com filho, mas a mulher foi embora e levou junto a criança.

Eriberto ( era o nome do vizinho ) apresentara mudança de comportamento já fazia um tempo. Tornara-se sombrio. Não havia como conversar.

Mais alguma coisa?, perguntou o policial.

- Ele não usava nenhuma outra camisa a não ser a amarelinha da seleção.

Alguma superstição, talvez?

Ninguém sabia ao certo.

Ele não falava muito a respeito e nem gostava quando alguém fazia observações sobre esse hábito.

Respondera mal a um vizinho que uma vez brincou:

- Essa camisa vai sair andando sozinha, heim, Eri?

A polícia levou o notebook e encontrou o conteúdo perturbador da carta de Eriberto, cujo conteúdo reproduzi acima.

FIM


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domingo, 17 de junho de 2018

Forte alta do Bitcoin em 2017 foi sustentada por manipulação, dizem pesquisadores

A forte valorização da criptomoeda Bitcoin verificada ao longo de 2017 apresenta indícios de ter sido sustentada por manipulação do mercado, aponta estudo elaborado por pesquisadores norte-americanos da Universidade do Texas, em Austin.

Dados da plataforma CoinMarketCap mostram que, no primeiro dia do ano passado, a divisa virtual era cotada em US$ 998,62 por unidade e chegou à máxima de US$ 19.758,20 em 17 de dezembro do mesmo ano, com uma valorização de 1.978%.

Utilizando algoritmos para analisar dados do sistema blockchain (tecnologia por trás das moedas virtuais), os pesquisadores verificaram que ordens de compra de Bitcoin pagas com uma outra moeda virtual, Tether, direcionaram as cotações do mercado.

"Percebemos que compras com Tether ocorreram após quedas do mercado e resultaram em altas consideráveis nos preços do Bitcoin", dizem os pesquisadores em relatório. "Menos de 1% das horas associadas a grandes transações de Tether são associadas com 50% da alta meteórica do Bitcoin e 64% de outras das principais criptomoedas."

O Tether é uma criptomoeda supostamente lastreada em dólar e cujo objetivo é tornar mais fluida a negociação de outras moedas digitais. Na pesquisa, as descobertas sugerem que os emissores do Tether estavam aumentando a produção da moeda virtual para comprar Bitcoins, o que criou uma demanda artificial e sustentou os preços.

De acordo com os pesquisadores, o momento e a magnitude das ordens de compra não condizem com a demanda natural de investidores.

As transações também coincidiam com cotações do Bitcoin múltiplas de US$ 500, indicando que os manipuladores tentavam impor a impressão de patamares de resistência no mercado, o que tornava a moeda virtual mais atrativa a compradores.


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El Generalíssimo e a Copa ( conto )



Copa do mundo em qualquer lugar entre os anos 60 e 70.

A disputa do torneio ocorre em um país sul americano sob uma violentíssima ditadura governada com mãos de ferro por uma junta formada por aplicadíssimos ex-alunos da Escola das Américas, do tipo que levava maçã para os professores.

A junta decidiu que a seleção de seu país precisava vencer o campeonato e pegar aquela taça, para animar o moral da população e fazer diminuir as histórias correntes sobre torturas, sequestros e mortes de adversários politicos, como estudantes, trabalhadores, sacerdotes religiosos, jornalistas entre outros. Centenas de milhares sumiram no meio da noite e jamais foram encontrados.

- Tenemos que vencer esto torneio - fala o Generalíssimo Agapito Flores, em seu perfeito portunhol, o idioma do país. Agapito é o Líder Supremo de la Revolución

- No es problema. Compraremos juíces, ameaçaremos atletas de outras equipos, faremos lo diablo, retruca o Brigadeiro Roldán.

- Tiene que manter eso aí, observa o Almirante Alonso Perez.

A Junta assumiu após um golpe de Estado patrocinado pelos Estados Unidos e logo o país virou um matadouro. O que a violência do regime não matou, a fome se encarregou do resto.

E para tentar passar uma imagem de normalidade ao mundo, o país se candidatou a sediar a Copa do Mundo e levou a parada, inclusive com votos dos EUA, Israel, Arábia Saudita, Honduras, El Salvador e outros.

Alguns estádios tiveram que ser construídos, o que endividou ainda mais o país.

Outros tiveram que ser reformados.

E alguns, estes tiveram que receber limpezas monstruosas, pois serviram como local para prisão em massa de opositores do regime e dissidentes.

Havia marcas e manchas de sangue por todos os lados, do gramado, passando pelos vestiários e até nas bilheterias.

Teria dado menos trabalho e gasto de tempo e dinheiro derrubar estes últimos e construir outros, em vez de proceder a limpeza deles, tarefa que durou muito tempo e consumiu muita grana.

Pois bem.

Segue a disputa e a seleção local está na final, contra uma seleção européia.

- La taça del mondo es nuestra!, comemora o Generalíssimo.

Havia sido feito de tudo para que a seleção vencesse o torneio. Só faltava uma vitória simples.

Chega a grande final.

Estádio lotado, emissoras do mundo inteiro a postos.

A Junta ordena que o Estádio Nacional seja cercado pelas tropas militares, o que causou apreensão entre os estrangeiros presentes. A FIFA não se pronunciou. Perguntado a respeito, o diplomata norte-americano respondeu não ver nada demais naquilo e elogiou a democracia no país. E celebrou a festa esportiva que o mundo estava assistindo.

Tudo pronto.

Começa o jogo.

Apesar da forte pressão, a seleção local não consegue oferecer perigo à meta adversária, que ameaça em perigosos contra-ataques.

O jogo é lá e cá. Mas nada de gols.

O Generalíssimo está na tribuna.

Cada vez que uma atleta de seu país comete um erro, ele olha na direção da tribuna onde se encontra o governante de punho de ferro.

Dentro de campo, seus atletas estão sob forte pressão. Antes da partida, um emissário da Junta apareceu no vestiário para levar a mensagem de boa sorte e apoio do governo ao time:

- Si non gañarem, irón pra el fundo del mar.

Fim do primeiro tempo.

Oxo.

Ou, como se diz no futebol, zero a zero.

Irritado, o Generalíssimo emite uma ordem aos comandantes das tropas estacionadas em volta do estádio.

Se a seleção não ganhar, é pra fuzilar os responsáveis.

Recomeça a partida.

Muito nervosismo.

Começam as jogadas mais duras.

O juíz expulsa um atleta do time local.

Ele, que recebeu um amável telegrama horas antes, enviado pela Junta, se dá conta da bobagem e, minutos depois, expulsa dois jogadores da seleção européia. Ninguém entendeu muito bem a razão daquelas expulsões.

O Generalíssimo entendeu.

Apesar dos pesares, a partida termina com empate sem gols.

O mesmo se dá na prorrogação.

A parada será decidida nos pênaltis.

O primeiro tiro será cobrado pela equipe sul-americana:

- GOL!!!

O atleta europeu manda o seu bem longe.

Um a zero pros donos da casa, uma cobrança cada seleção.

Vem o atleta local para a segunda cobrança:

- Pra fueraaaaaa!

Ele se desespera. O Generalíssimo não irá perdoá-lo.

O europeu converte sua cobrança.

Um a um, duas cobranças cada seleção.

E assim segue a disputa.

Nas tribunas, a Junta se alterna entre momentos de euforia pela vitória quase certa e mal estar pela derrota provável.

Quando o jogo estava 33 a 33, pois o desempate não vinha e os times tiveram que começar a repetir os cobradores, o Generalíssimo convoca os colegas:

- Estos incompeténtes! La pátria exige la victória, pero estás muy fueda. Vamos nosotros resolver la questón!

- Como así?, perguntam o Brigadeiro e o Almirante.

- O Almirante assumirá el baliza. Yo Y tu bateremos los penais.

- Mas, eso es fuera de las reglas.

- Fueda-se las reglas. Las reglas somos nosotros. Eso no viene al caso.

Diante da ameaça de se tornarem comida de peixe, tanto árbitro quanto os delegados da FIFA aceitam essa alteração nas regras, de modo que os dirigentes recebem o aval para participar do jogo.

A disputa prossegue.

O Almirante não consegue defender nenhuma cobrança, mas tem sorte em algumas delas, por nervosismo ou estafa dos atletas adversários.

O Generalíssimo e o Brigadeiro convertem seus tiros livres, por nervosismo ou estafa do goleiro rival.

E assim, chegamos à seguinte situação:

O Almirante frangou bem feio uma cobrança.

E o Generalíssimo irá tentar empatar a série.

Ele bebe um gole de água.

E lá vai ele, todo auto-confiante.

Preparou...

Bateu...

E...

- PRA FUERAAAAAA!!!!, grita o estádio.

Aí não teve jeito.

O árbitro encerra a partida e dá a vitória e o campeonato à equipe visitante.

- La chuteira no ayudó, tenta justificar o Generalíssimo.

No caminho para o vestiário, ele e seus colegas de Junta são cercados e detidos por soldados, e levados à presença dos comandantes:

- Tienemos ordes superiores de la Junta del país para punir exemplarmente los responsables por eso terrible vexame diante del mondo!

- O que ustédes están faziendo? Yo soy el Generalíssimo e...

- Cala-te! Tienemos ordes a cumprir. La verguenza no puede ficar impune!

Sem os cabeças da Revolução, logo a coisa degringolou e após meses de conversas e negociações, a oposição e os remancescentes do golpe chegaram a um acordo que previa a volta de eleições livres, fim da censura, investigação de exterminios e violações aos direitos humanos, e prisão de ex-dirigentes do regime, entre outras medidas..

Nunca um país ficou tão feliz pela derrota de sua seleção de futebol.

E o indivíduo que batizou a garrafinha de água bebida pelo Generalíssimo antes do pênalti derradeiro permanece desconhecido até os dias atuais.

FIM

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Temer se aproxima do fim? Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



Com tantas encrencas, Temer se aproxima do fim, apesar de ainda ter seis meses de governo? Para Leandro Colon, sim! É o que vamos ver a seguir.

Leandro Colon, em artigo à FOLHA, sob o título “PF se aproxima do xeque-mate no presidente mais impopular da história”. No texto, ele informa: “A Polícia Federal avança na investigação que envolve o presidente mais impopular da história e uma reforma da casa de sua filha. (...) A expectativa é que a PF conclua nas próximas semanas o inquérito apontando que PROPINA bancou a obra feita no imóvel de Maristela, filha de Michel Temer. (...) O dinheiro teria saído dos cofres da JBS e da Engevix para o coronel João Baptista Lima Filho, suspeito de intermediar RECURSOS ESCUSOS para o emedebista. Três fornecedores da reforma relataram que receberam os pagamentos em espécie da empresa do coronel, a Argeplan, e de sua mulher, a arquiteta Maria Rita Fratezi. (...) Os valores em dinheiro vivo somam R$ 1,1 milhão. Mais R$ 100 mil, de acordo com depoimentos, foram repassados por vias bancárias. (...) Maristela disse à PF que gastou em torno de R$ 700 mil. Afirmou que não GUARDOU COMPROVANTES E CONTRATOS. Segundo ela, O CORONEL E SUA MULHER DERAM UMA AJUDA POR CAUSA DA RELAÇÃO DE AMIZADE COM TEMER. (...) Maristela pode não ter contratos, mas um deles apareceu, E FOI ASSINADO POR ELA, conforme mostrou a FOLHA no sábado (9/6). Dos R$ 120 mil para comprar portas e janelas, R$ 56.500,00 foram depositados em dinheiro vivo na conta da empresa que vendeu o material. Maristela CHANCELOU POR ESCRITO O MODO DE QUITAÇÃO. Um extrato confirma que esse valor caiu no dia combinado. (...) Segundo o dono da empresa, Antonio Carlos Pinto Júnior, foi a mulher do coronel quem pediu para que essa parcela fosse paga em espécie. (...) O EMPRESÁRIO AFIRMOU QUE NÃO É NORMAL ESSA PRÁTICA NO MERCADO. NÃO É NORMAL EM NENHUM LUGAR. Em um país tão inseguro como o Brasil, quem carrega R$ 56.500,oo na carteira para comprar portas e janelas? (...) O xadrez da obra está cada vez mais perto do xeque-mate da PF. Caberá a Raquel Dodge (PGR) decidir por uma terceira denúncia contra Temer. O Datafolha mostrou que 82% dos brasileiros desaprovam seu governo. O povo já o abandonou e o Congresso não dá nenhum sinal de fidelidade para salvar sua pele”.

Será que a Raquel Dodge vai decidir por uma terceira denúncia contra Temer? A VER...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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domingo, 10 de junho de 2018

GOLPISTAS PODRES: Peça-chave no golpe contra Dilma, ministro do TCU cai em operação da Policia Federal


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Temer, o mais impopular da história. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


O Datafolha publicado pela FOLHA em 10 de junho trouxe uma péssima notícia para Temer. No quadro “Presidente Michel Temer tem reprovação recorde”, o jornal apresentou o seguinte quadro: Sarney, set 89, 68%; Collor, mai 92, 68%; Itamar, nov 93, 41%; FHC, set 99, 56%; Lula, dez 05, 29%, Dilma, ago 15, 71% e Temer, jun 18, 82%. Bruno Boghossian comenta essa situação na reportagem sob o título: “Reprovação aumenta e torna Temer o mais impopular da história – Governo é considerado ruim ou péssimo por 82% dos brasileiros, pior índice desde a redemocratização do país”. Na primeira página, a FOLHA (10/6), em manchete, afirma: “Crise não afeta candidatos, mas rejeição a Temer salta para 82% - Fatia dos que avaliam negativamente governo é recorde; sem Lula, Bolsonaro lidera disputa eleitoral”. Nesta mesma reportagem o jornal revela que, em abril, a taxa de rejeição ao presidente era de 70%, ou seja, em apenas um mês a rejeição de Temer subiu 12%!

Segundo a pesquisa, a intenção do voto no 1º Turno é o seguinte: Lula, 30%; Bolsonaro 17%; Marina, 10%; Alckmin, 6%; Ciro, 6%; Alvaro Dias, 4%. A surpresa é Alckmin empatado tecnamente com Alvaro Dias. O desempenho do ex-governador paulista assusta os tucanos. Outra observação. A soma da intenção de voto de Bolsonaro(17%) com a de Marina (10%) =.27%, não atinge a intenção de voto de Lula (30%). Na simulação para o 2º Turno: Lula, 49%; Bolsonaro, 32%. Curioso: a diferença entre eles é de 17%, igual a intenção de votos de Bolsonaro no 1º Turno! Sem Lula, o resultado é: Bolsonaro, 19%; Marina, 15%, Ciro, 10%, Alckmin, 7%; Alvaro Dias, 4%. O presidente da Câmara dos Deputados, Maia, não aparece na pesquisa porque desistiu de concorrer à Presidência. Será candidato a deputado federal com grande chance de se reeleger e, em 2019, voltar a presidir a Câmara.

SIGILO DE TEMER
O ESTADÃO (8/6) noticia: “Fachin rejeita quebra de sigilo de Temer – Ministro, no entanto, aceita investigar ligações telefônicas de Eliseu Padilha e Moreira Franco em inquérito baseado na delação da Odebrecht”. Na notícia: “O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou o pedido a Polícia Federal para quebrar o sigilo telefônico do presidente Michel Temer no âmbito de um inquérito instaurado com base na delação da Odebrecht. O ministro, no entanto, aceitou a solicitação de quebra de sigilo dos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha (MDB) e de Minas e Energia, Moreira Franco (MDB), ALVOS DA MESMA INVESTIGAÇÃO”.

Paulo Henrique Amorim, no seu Blog Conversa Afiada, comentou: “Fachin abre sigilo de Moreira e Eliseu. E rejeita o do presidente que será preso em 1º de fevereiro de 2019”. Será? NÃO ACREDITO. A conferir!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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segunda-feira, 4 de junho de 2018

VEJA contra Temer. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

A VEJA é anti petista. Publicou em várias de suas capas fotos de Lula, com matérias contra o ex-presidente. Portanto, a revista é insuspeita, agora que mostra em sua capa foto de Temer, com críticas ao presidente. Foi o que aconteceu no último número de VEJA. Na capa, publicou uma foto de Temer, com uma mancha de pneu de caminhão atravessada
no peito como se fosse a faixa presidencial. Na legenda, escreveu: “GREVE ATROPELA TEMER – Com a ajuda das transportadoras, os caminhoneiros param o país, impõem mudança no preço dos combustíveis e EXPÕEM A FRAGILIDADADE DESCONCERTANTE DO GOVERNO”. A reportagem tem o título “O GOVERNO ATROPELADO – Greve dos caminhoneiros ganha adesão nacional, paralisa o país e DÁ UM NÓ NO PRESIDENTE MICHEL TEMER – que cede à pressões e fica refém dos piqueteiros”: “Em um movimento sem liderança clara, convocado por meio de grupos no WhatsApp e que ganhou apoio aos poucos, a greve dos caminhoneiros contra OS SUCESSIVOS AUMENTOS NO PREÇO DO DIESEL [aumentou várias vezes por semana!] alcançou mobilização maciça, raras vezes vista no país”.

TUCANO PRESO – Quando Azeredo (PSDB-MG) foi para a cadeia, escrevi o artigo FINALMENTE UM TUCANO FOI PRESO. Agora a VEJA noticiou a prisão, com um título parecido com o meu: “ENFIM, TUCANO NA GAIOLA – A prisão de Eduardo Azeredo é mais um item na pilha de escândalo que envolvem o PSDB -- e mostra que o partido não está imune ao peso da lei”: “Demorou quase vinte anos, mas o ex-presidente do PSDB e ex-governador de Minas Gerais ENFIM INAUGUROU A FILA DE GRÃO-TUCANOS PRESO POR MAUS-TRATOS AO DINHEIRO PÚBLICO”. Veja ainda afirmou: “Quebrou uma escrita histórica: UM TUCANO NA GAIOLA”. Até a VEJA estranhou a demora: QUASE VINTE ANOS!

TEMER RECEBEU PROPINA – Outra reportagem da VEJA, na mesma edição, escrita por Thiago Bronzatto, narra outro escândalo de Temer. O título da reportagem: “Operação Aeroporto – O coronel Lima, amigo do presidente, recebeu 1 milhão de reais. Há um documento justificando o pagamento. VEJA teve acesso ao papel. É A HISTÓRIA DE UM TRAMBIQUE”. Na longa reportagem, Thiago Bronzatto diz: “O primeiro ato é conhecido. Em sua fracassada tentativa de fechar um acordo de delação, o empresário José Antunes Sobrinho, dono da Engevix, disse ter repassado 1 milhão de real a Michel Temer, em 2014, em troca do apoio do então vice-presidente à aprovação de um aditivo contratual na obra da Usina de Angra 3”. Bronzatto conseguiu o texto completo dessa delação e o transcreve na íntegra na reportagem. O jornalista, em ENTREPOSTO, faz esta revelação: “[Coronel] Lima: suspeito de simular serviço para ocultar PROPINA”. Será que essa denúncia, bem fundamentada, terá alguma punição? DUVIDO. A ver...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sábado, 2 de junho de 2018

Petrobras não deve se guiar por preços internacionais, dizem especialistas. Os interesses do povo e dos consumidores têm que ter prioridade sobre os do Mercado

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Petróleo com custo nacional baratearia gasolina, dizem analistas

Cerca de 80% do combustível consumido no Brasil é feito com petróleo nacional, enquanto só 20% são importados. Mas por que, então, os preços no país dispararam com a alta no mercado internacional, como se todo nosso petróleo fosse importado?

Se a Petrobras considerasse apenas os custos nacionais de produção, poderia vender gasolina e diesel por um preço bem abaixo do atual, segundo analistas. Ainda assim, a empresa conseguiria lucrar e não teria risco de quebrar.

No entanto, reduzir os preços dos combustíveis para todos os brasileiros – e não apenas para os caminhoneiros – dependeria basicamente de uma decisão de Estado, com a Petrobras assumindo efetivamente o papel de companhia estatal, com gestão eficiente e transparente. Trata-se de uma mudança radical em relação ao modelo econômico neoliberal vigente na empresa hoje.

Petrobras usa o valor do petróleo internacional

O custo da produção nacional é estimado em US$ 30 a US$ 40 o barril, mas a empresa usa como referência o petróleo internacional, que está custando cerca de US$ 80 por barril. Com isso, busca ter o maior lucro possível e agradar aos investidores privados, visto que é uma companhia de capital aberto, e não 100% estatal.

A saída para a Petrobras vender combustível mais barato, dizem os analistas, também inclui um uso maior de suas refinarias, que hoje operam com dois terços de sua capacidade. Embora o país seja autossuficiente em petróleo, quase 20% dos combustíveis consumidos no país são importados.

Desta forma, as decisões da Petrobras seriam orientadas em nome do interesse coletivo, e não apenas baseadas em critérios econômico-financeiros. Mesmo atuando desta forma, a empresa conseguiria se sustentar no azul, se algumas regras fossem seguidas.

Veja a seguir as explicações dos especialistas que defendem um formato alternativo de gestão da estatal para minimizar os impactos da alta do petróleo sobre a população.

Petrobras atende a três grupos em conflito

Antes de iniciar a discussão sobre qual poderia ser o modelo de gestão da Petrobras, é preciso conhecer e compreender os interesses dos grupos que são diretamente afetados pelas decisões tomadas pela companhia.

- Acionistas

A Petrobras possui mais de 600 mil acionistas, entre pessoas físicas, grandes investidores estrangeiros e fundos de investimentos. Suas ações são negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) e na Bolsa de Nova York (NYSE) sob a forma de ADRs (recibos de ações).

O governo federal é o controlador da companhia, detentor de 63,5% das ações ordinárias (ON, com direito a voto) e de 23,3% das ações preferenciais (PN, sem direito a voto).

"O acionista está interessado simplesmente no lucro. Ele quer que a empresa produza pelo menor custo possível para gerar o maior lucro possível", afirma o professor Ildo Sauer, vice-diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP) e ex-diretor da Área de Gás e Energia da Petrobras.

- Consumidores de combustível

Donos de automóveis, motos, caminhões e as frotas públicas e privadas de ônibus e carretas são os principais consumidores de combustíveis da Petrobras e foram atingidos em cheio pela política de paridade internacional dos preços, adotada pela companhia em outubro de 2016.

A partir de julho de 2017, os ajustes nos preços da gasolina e do diesel passaram a ser diários, provocando impacto ainda maiores sobre os consumidores.

"A decisão da Petrobras de praticar a paridade internacional desencadeou uma série de efeitos sobre a economia brasileira, afetando diretamente os consumidores e também setores da indústria que utilizam os derivados de petróleo para produzir", afirma Cloviomar Cararine, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e assessor técnico da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

- População em geral

Mesmo aquelas pessoas que não possuem automóvel são afetadas pela política de preços dos combustíveis adotada pela Petrobras. As oscilações nos preços dos combustíveis afetam a passagem de ônibus, o frete do transporte de mercadorias e, consequentemente, o preço final dos produtos e o poder de compra do trabalhador.

"No cerne desse conflito está a disputa sobre quais grupos ganham e quais perdem com a atual política de preços da Petrobras. Ao que tudo indica, a população acaba, literalmente, pagando a conta, já que os custos de produção acabam repassados ao preço final, com maior impacto sobre as camadas médias e mais pobres da sociedade", diz Cararine.

Como conciliar interesses tão diferentes?

Os especialistas afirmam que a administração da Petrobras nunca conseguirá atender plenamente aos interesses dos grupos afetados pela companhia. "O acionista sempre vai querer maximizar o lucro e o consumidor sempre vai querer o menor preço de combustível. A saída é buscar uma conciliação civilizada, que beneficie a população em geral", diz Ildo Sauer.

"O petróleo não pertence à Petrobras. Ele pertence à União e, portanto, ao povo. A prioridade no uso do petróleo e das riquezas geradas por ele deve ser dada aos mais fracos. Deve ser pensado um plano estrutural para a Petrobras com foco em justiça social", afirma o professor do IEE/USP.

Cloviomar Cararine, autor da Nota Técnica do Dieese "A escalada do preço dos combustíveis e as recentes escolhas da política do setor de petróleo" também defende que atuação da Petrobras seja voltada ao interesse coletivo, em vez de favorecer "os investidores estrangeiros e especuladores, que ganham com a livre flutuação de preços".

No documento, o técnico do Dieese e da FUP diz que é possível gerir empresas estatais de forma eficiente, sob a perspectiva do interesse público. "As empresas estatais diferem das privadas à medida que, pela natureza, deveriam tomar decisões orientadas pelo interesse coletivo e não apenas por critérios econômico-financeiros."

Conforme o estudo, experiências em países desenvolvidos mostram a viabilidade de diferentes tipos de gestão no setor público, com controle social, que possibilitam reduzir problemas relacionados à corrupção e à apropriação indevida das estatais por interesses privados.

Petrobras não deve se guiar por preços internacionais

Cloviomar Cararine defende que a Petrobras deveria desistir da política de paridade internacional nos preços dos combustíveis. Ele afirma que o país se tornou mais vulnerável aos choques dos preços do petróleo no mercado externo e às oscilações do câmbio, uma vez que o barril é cotado em dólar.

Além disso, a paridade de preços estimulou a entrada de importadores de combustíveis no mercado nacional. O Brasil passou a comprar mais combustíveis no exterior em vez de produzir internamente.

As refinarias da Petrobras possuem capacidade de refinar 2,4 milhões de barris/dia, mas estão utilizando apenas 68% da capacidade.

"A paridade favorece os importadores. Na prática, você está deixando de usar as refinarias aqui para gerar empregos no exterior", declarou o professor Ildo Sauer, do IEE/USP.
Preço deve ser baseado nos custos de extração e refino

"Se o Brasil tem grandes reservas e consegue, hoje, extrair maior quantidade de barris do que o total do consumo nacional, por que o petróleo tem que ser vendido a um preço tão mais alto do que o custo de produção?", questiona o técnico do Dieese.

Segundo ele, a Petrobras deveria levar em consideração outros fatores para definir os preços dos combustíveis, como o volume de extração de petróleo no Brasil, a capacidade de refino no país e, especialmente, os custos dessas duas atividades.

Dessa forma, o preço do combustível ao consumidor seria determinado principalmente pelo custo de produção da Petrobras mais uma margem de lucro. Apenas uma pequena parte do preço teria sua composição baseada no valor internacional, correspondente à parcela de óleo importado.

Dados disponíveis no balanço anual da Petrobras mostram que o custo médio de extração de petróleo da empresa foi de US$ 20,48 (R$ 65,20) por barril em 2017. Esse valor já inclui a chamada participação governamental (royalties e participação especial) sobre a exploração de petróleo, mas não inclui outros impostos.

Já o preço médio de venda do óleo bruto às refinarias praticado pela estatal no ano passado foi de US$ 50,48 (R$ 161,03) por barril. E o custo médio de refino (transformação de petróleo em combustíveis e outros derivados) foi de US$ 2,90 (R$ 9,26) por barril.

Vale lembrar que o petróleo registrou forte valorização no início deste ano, alcançando a casa dos US$ 80 por barril. Em função da sua política de paridade, a Petrobras reajustou os preços da gasolina e do diesel em mais de 50% neste ano.

Petrobras poderia vender barril por US$ 40 em vez de US$ 80

Cararine, do Dieese, afirma que é difícil estimar qual seria o preço de equilíbrio que permitiria à Petrobras vender petróleo às refinarias e continuar lucrativa. "Trata-se de um campo nebuloso. É um segredo da companhia. Mas é um número importante para o governo, tendo em vista que o setor é estratégico para o país, com grande impacto sobre a economia."

O professor Ildo Sauer, do IEE/USP, arriscou um palpite. Ele estimou um preço de equilíbrio entre US$ 30 e US$ 40 por barril. "Esse seria o valor que permitiria a companhia pagar seus custos de produção, os impostos e ainda obter uma margem de lucro satisfatória para os acionistas e para manter a empresa saudável."

Embora o provável preço de equilíbrio (US$ 40) seja metade do valor do barril no mercado (US$ 80), os especialistas explicam que não é possível afirmar que os preços da gasolina e do diesel cairiam pela metade para o consumidor final porque há outras variáveis que interferem na conta, como impostos e royalties. Mas certamente os preços seriam menores que os atuais.

Autossuficiência em petróleo precisa ser aproveitada

O Brasil produziu 2,6 milhões de barris de petróleo por dia no mês de abril, volume mais do que suficiente para atender o consumo doméstico de derivados, que foi de 2,2 milhões de barris por dia. No entanto, as refinarias brasileiras processaram apenas 1,6 milhão de barris por dia no período.

"Mesmo produzindo 400 mil barris de petróleo a mais do que o necessário para atender o consumo nacional, o país importou cerca de 600 mil barris de derivados por dia. Isso aconteceu porque a Petrobras aumentou a exportação de petróleo cru e, ao mesmo tempo, reduziu a utilização de suas refinarias. Além disso, parte da produção de derivados foi direcionada para o mercado externo", afirma Cararine no estudo divulgado pelo Dieese.
Importação de petróleo e derivados deve ser mínima

O especialista do Dieese explicou que, para que o preço do combustível baixe para o consumidor, é importante que a importação de petróleo e derivados seja reduzida ao mínimo necessário.

Mesmo sendo autossuficiente, a Petrobras ainda necessita importar óleo leve para misturar ao óleo pesado produzido no país para obter melhores resultados no processo de refino.

A tendência é que as importações de óleo leve diminuam conforme a produção do pré-sal aumentar, uma vez que o óleo proveniente dessa área é de melhor qualidade.

"Se o preço interno for reduzido, mas a importação de óleo e derivados continuar elevada, vamos repetir erros do passado, quando a Petrobras tinha prejuízo porque comprava combustível a preço de mercado e revendia a um valor mais baixo aqui", diz Cararine.
Lucro viria principalmente da exportação

A produção de petróleo no Brasil hoje, de 2,6 milhões de barris por dia é apenas ligeiramente maior que o consumo nacional de combustíveis e derivados, equivalente a 2,4 milhões de barris por dia.

Com o crescimento da exploração das reservas gigantes do pré-sal da Bacia de Santos, a produção nacional deverá alcançar 4 milhões de barris por dia até 2020.

"Mesmo que o país volte a crescer em ritmo acelerado nos próximos anos, a demanda nacional não deve superar 3 milhões de barris por dia. Ou seja, teremos um excedente de 1 milhão de barris por dia", afirma Cararine.

Segundo o especialista, a Petrobras seguiria a lógica das grandes estatais de petróleo do Oriente Médio, que obtêm a maior parte do seu lucro com as exportações.

"Esse excedente do pré-sal poderá ser vendido pela Petrobras no exterior a preço de mercado, gerando lucro para a companhia. Internamente, o preço do combustível não precisará ser subsidiado pela empresa, nem pelo governo. Ele será baseado no custo de produção e refino, mais uma margem de lucro que garanta a saúde financeira da empresa e não onere demais o consumidor."

Acionistas questionariam qualquer perda

Uma eventual mudança no modelo de gestão da Petrobras certamente não agradaria a todos os grupos que são afetados diretamente pela companhia. O principal questionamento partiria dos acionistas, que veriam a margem de lucro diminuir.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, defende que o petróleo é uma commodity, ou seja, uma matéria-prima básica com preço definido internacionalmente. Dessa forma, a Petrobras deve definir sua política de preços com base na cotação de mercado.

"A Petrobras é uma companhia de capital aberto, com ações listadas em Bolsa no Brasil e no exterior. Portanto, ela tem que seguir a lógica empresarial. Se o governo mandar a empresa vender combustível mais barato aqui, ela vai ter prejuízo. O certo seria ela exportar o petróleo, aproveitando o preço maior lá fora", afirma Pires.

"Agora, se a Petrobras fosse 100% estatal, como a PDVSA (estatal de petróleo da Venezuela), o governo poderia fazer o que bem entendesse", diz o diretor do CBIE.

Para ele, qualquer proposta do governo que cause mudanças na política de preços da Petrobras representaria a volta da interferência política na gestão da estatal, o que geraria reações negativas entre os acionistas.

"Não podemos esquecer que a Petrobras foi processada por investidores nos Estados Unidos por causa dos prejuízos provocados pela má gestão durante o governo de Dilma Rousseff e pela corrupção descoberta na Operação Lava-Jato", diz Pires.

Corte de impostos sobre o diesel pune população

Os especialistas alertam que a decisão tomada pelo governo, de reduzir a carga de impostos sobre o diesel para conceder desconto aos caminhoneiros, provocará impactos sobre o restante da população.

"A população vai sair perdendo. O corte nos impostos sobre o diesel terá um impacto de R$ 13,5 bilhões na arrecadação deste ano. Para fechar a conta, o governo terá necessariamente que aumentar outros impostos ou reduzir o gasto em áreas como educação e saúde", afirma o professor Jaci Leite, coordenador do curso de Negociação da FGV Educação Executiva.

"Uma eventual redução dos preços dos combustíveis via diminuição de impostos implica, necessariamente, renúncia fiscal. Se não houver uma mudança na política do setor de petróleo no Brasil que transforme, de forma mais estrutural, a dinâmica de preços, os cortes na Cide (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico), no PIS/Cofins ou no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) resultarão em medidas paliativas. É um custo que novamente será pago pela população", declarou Cararine no estudo divulgado pelo Dieese.

Petrobras diz que política de preços será mantida

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, declarou várias vezes ao longo da última semana que a política de preços da companhia será mantida.

Segundo ele, independentemente da periodicidade de reajustes que será adotada após a decisão do governo de reduzir o preço do diesel, a empresa continuará tendo liberdade de aplicar os aumentos em função das variações de preço do mercado de petróleo.


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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Deepweb reaça: fake news, alarmismo, burrice e sensacionalismo direitista tornam WhatsApp uma sucursal do Asilo Arkham



O Brasil paralelo no WhatsApp

‘Grupos de notícias’ no aplicativo misturam marketing político de guerrilha e pessoas despolitizadas, mas engajadas

Há, nas entranhas do WhatsApp, um outro Brasil. Nele, uma quantidade imensa de pessoas vive uma realidade paralela. Passei a última semana me dividindo entre, ao fim, seis grupos distintos de mensagens. Estes “grupos de notícias” informam aquilo que a imprensa “não tem coragem” de contar. Para o observador atento, os grupos revelam dois processos paralelos. Um deles é uma estrutura de marketing político de guerrilha em formação, fazendo um jogo sujíssimo. O outro é um novo tipo de brasileiro, despolitizado e, no entanto, engajado, tentando compreender a confusa realidade à volta, com as poucas ferramentas de que dispõe.

Grupos no WhatsApp têm um limite de tamanho: 256 usuários. E os convites podem ser distribuídos por links. Clique na tela do celular, entre no grupo. Estas são informações chaves para compreender a dinâmica de como funcionam. Os links para entrar nos grupos de notícias vão circulando de zap em zap, do grupo de família para o do serviço.

Quem entra é abastecido com centenas de mensagens por dia. São vídeos, áudios e imagens, quase nunca texto. Muitos memes — montagens de fotos críticas ao governo. Os vídeos e os áudios carregam um sentido de urgência. De que é preciso encaminhar, que a notícia tem de alcançar a maior quantidade de pessoas possível. Rápido. Sempre notícias falsas.

Durante o estirão final da greve dos caminhoneiros, as mensagens principais eram três. Primeiro: não confie na imprensa. Depois: a intervenção militar está para acontecer. Basta um dia a mais de caminhões parados. Os generais estão decididos. É segurar um pouco mais. Está chegando. Em terceiro: quem fica na fila de posto de gasolina é burro. Em memes e vídeos, burros foram imagens constantes. É a gente que não aguenta o tranco. Os caminhoneiros parados conseguiram baixar o preço do seu combustível, as cidades precisam ir às ruas, também parar, mostrar sua fibra. Derrubar o governo é fundamental.

Nada é acidental ou espontâneo nestes grupos de WhatsApp. Muitos leem, dois ou três os alimentam com a torrente de posts. E alguém, por trás, passou os dias produzindo material. De dez em dez minutos, tem alguma coisa nova para que todos sejam mantidos em alerta. O conjunto oferece uma mensagem organizada e calculada com um efeito em mente. E, sempre que um grupo começa a encher, novo link, para um novo grupo, é publicado. Distribuam para os amigos.

Há uma operação por trás deste processo, gente especializada construindo a mensagem. O governo, já frágil por deméritos próprios, sofreu uma tentativa de sabotagem por uma ou mais equipes que sabiam muito bem o que estavam fazendo. Tentaram aproveitar-se da greve dos caminhoneiros para provocar um novo 2013 nas cidades. Não conseguiram.

Mas conseguiram outras coisas. Porque todo mundo que se inscreve nos grupos deixa duas informações essenciais. A primeira: é alguém que procurou, que está querendo notícias novas. E, em segundo, celular com DDD. Ou seja: origem geográfica. A turma do marketing de guerrilha construiu, na crise, um banco de dados bem fornido de pessoas crédulas, engajadas, que formarão o marco zero da distribuição de fake news durante a campanha eleitoral.

Não é o fato de os grupos serem de extrema-direita que mais impressiona. É sua credulidade. Sua ingenuidade política. “Os militares já estão chegando em Brasília”, dizia um áudio. Como se eles precisassem ir para a capital. “O general Beltrano vai subir a rampa do Senado às 15h”, informava outro. A rampa é do Planalto. “O deputado Cicrano deu ordens.” Deputados não dão ordens. As incongruências, as notícias falsas tão vagas, não ligam o alerta de ninguém.

Mas alimentam uma raiva já existente. Terreno fértil para um demagogo populista.


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terça-feira, 29 de maio de 2018

Fieis oram em posto de combustível pela volta da gasolina?


Será verdade ou mentira que um grupo de pessoas se reuniu para orar em um posto de combustível pela volta do abastecimento de álcool e gasolina?

A imagem se espalhou através das redes sociais no final de maio de 2018 e mostra várias pessoas no que parece ser uma roda de oração em um posto de combustível. O texto que acompanha a imagem afirma que o grupo estaria orando pela volta da gasolina naquele posto, visto que o abastecimento estava prejudicado há dias com a paralisação dos caminhoneiros em todo o país!


Será que essa imagem é real? O grupo estava orando para conseguir gasolina?

Verdade ou mentira?

Tratado como piada em algumas publicações, a imagem é real. No entanto, houve uma pequena deturpação na história que acompanha a fotografia.

O caso ocorreu na capital do estado de Pernambuco, Recife, no último final de semana de maio de 2018. De acordo com a jornalista pernambucana Tais Paranhos, a fotografia é de autoria de Fernando Vasconcelos e foi tirada em um posto de gasolina no bairro das Graças, no Recife.

Entramos em contato com a jornalista via WhatsApp, que nos confirmou que as pessoas da foto são fiéis da Igreja Episcopal que oraram pela melhora da situação do país!

Conclusão
A foto das pessoas orando em um posto de gasolina é real! Elas estavam orando não só pela gasolina, mas para que a situação do país melhore!


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