quinta-feira, 28 de maio de 2015

Virou casaca: Romário já simpatizou com dirigentes que tanto critica hoje


Rio - Romário já jogou no time dos que elogiavam os dirigentes de futebol que hoje ele tanto critica. Em 2012, em audiência na Câmara dos Deputados, o Baixinho abraçou José Maria Marin, então presidente da CBF, ressaltou que ele poderia contar com o seu apoio e se disse feliz com os rumos da entidade.

Na foto do encontro aparece também o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero ( gravata vermelha ). Na ocasião, Romário frisou a “integridade” de Del Nero. Ontem, ao saber da prisão de Marin, chamou os dois de ladrões.

Em 2011, o hoje senador esteve com Ricardo Teixeira, então presidente da CBF. Na saída da reunião, que teve a participação de Ronaldo Fenômeno, não repetiu as críticas que já fazia ao dirigente. Romário afirmou que não tinha nada contra Teixeira, e classificou de “convincentes” as explicações sobre a Copa de 2014.


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Marin, Aécio e os paneleiros com a camisa da CBF. Por Kiko Nogueira


Segundo a Justiça dos EUA, José Maria Marin recebeu propinas de 2 milhões de reais por ano de parceiros comerciais para a realização da Copa no Brasil quando presidente da CBF. Tentou ainda transferir para suas contas o dinheiro que era antes destinado a Ricardo Teixeira.

Na manhã de quarta, Marin era um dos detidos em Zurique, com outros seis cartolas da Fifa, a mando do FBI. O atual chefão da entidade, Marco Polo del Nero, tratou de atirar a bola no colo de outros. “Isso é algo antigo “, disse, corajoso. O secretário geral Walter Feldman, ex-coordenador de campanha de Marina Silva, conseguiu afirmar que as denúncias são “casos do passado” e que Marin tem hoje “papel decorativo”.

Compreensivelmente, em se tratando de gente desse tipo, os amigos de Marin sumiram todos, a empresa onde ele trabalhava tornou-se correta em dois meses e um pessoal quer que você acredite que ele operava sozinho diretamente de sua penteadeira nos Jardins.

Um companheiro fiel, particularmente, desapareceu e não dá pinta que de vai oferecer uma palavra de solidariedade: Aécio Neves. A relação de ambos é próxima, antiga e cheia de passagens edificantes.

Em 2013, Marin inaugurou uma placa em homenagem a Aécio no Mineirão do dia de um amistoso entre Brasil e Chile. Lembrou que o tucano foi dos primeiros a parabenizá-lo quando ele assumiu o cargo. Deu-lhe uma réplica de uma camisa da seleção de 58 e participou de um jantar em torno do senador.

Foi uma cortesia em retribuição a serviços prestados. Juntamente com o colega Zezé Perrella, o dono do Helicoca, ex-presidente do Cruzeiro, Aécio ajudou a enterrar a CPI da CBF, que visava investigar abusos de poder econômico na eleição de dirigentes, transferências irregulares de recursos, desvios de verbas, entre outras mumunhas.

Perrella e Aécio convenceram nove senadores a retirar suas assinaturas do pedido de abertura da comissão parlamentar de inquérito, inviabilizando-a (entre eles, Cássio Cunha Lima, paladino da moral e dos bons costumes). Na época, Perrella falou no plenário que “não achava motivo que fundamente uma CPI”.

Na campanha presidencial, Marin declarou voto no mineiro. Após a Copa, a ligação não esfriou. De acordo com um comunicado da CBF, Aécio ligou duas vezes para Marin na ocasião de um jogo com o time de Messi: “Antes da partida, Aécio Neves desejou boa sorte para a seleção brasileira que iria enfrentar a Argentina. Terminado o jogo, Aécio voltou a telefonar, dessa vez para parabenizar o presidente da CBF, jogadores e integrantes da comissão técnica pela bela vitória sobre a Argentina e pelo tricampeonato do Superclássico das Américas”.

A confederação ainda conta com um antigo aliado de Aécio, o lobista João Doria Jr, pessedebista de coração, empossado chefe da delegação. Galvão Bueno estranhou o fato de Doria não ter nada a ver com o esporte, como se esta fosse a especialidade da casa.

Os telefonemas devem estar fazendo falta a José Maria Marin, que pode pegar até 20 anos de cana. Numa das manifestações pelo impeachment, aquela em que chegou mais perto da rua, Aécio se deixou fotografar na janela do apartamento no Leblon com a camiseta da CBF, orgulhoso.

A mesma camiseta que milhares de coxinhas vestem para bater suas panelas e gritar pelo fim da corrupção, num tributo enviesado a brasileiros do bem como Marin, Teixeira, Del Nero e tantos outros que estão, neste momento, em pânico.



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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Conheça os 14 acusados de corrupção da investigação na Fifa



Brasileiro José Maria Marin está entre os presos em Zurique

Operação das polícias da Suíça e dos Estados Unidos, que resultaram na prisão imediata de sete dirigentes da Fifa, acusam ainda outras sete pessoas por suposta corrupção em contratos da entidade máxima do futebol.

Conheça os acusados: 

Jeffrey Webb, atual vice-presidente da Fifa e presidente da Confederação de Futebol da América do Norte, América Central e Caribe (Concacaf). Foi detido hoje. 

Eduardo Li: Detido nesta quarta, é presidente da Confederação de Futebol da Costa Rica, membro do atual Comitê Executivo da Fifa e do Comitê Executivo da Concacaf

Julio Rocha: Vindo da Nicarágua, é diretor de desenvolvimento da Fifa e também foi levado pelos policiais

Costas Takkas: Preso hoje, é assistente da Presidência da Concacaf

Jack Warner: ex-presidente da Concacaf, ex-vice-presidente da Fifa e membro do Comitê Executivo da entidade

Eugenio Figueredo: Preso na operação, é atual vice-presidente da Fifa e membro do Comitê Executivo. Também é ex-presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol)

Rafael Esquivel: atual membro do Comitê Executivo da Conmebol e presidente da Federação Venezuelana de Futebol. Foi preso hoje

Nicolás Leoz: ex-membro do Comitê Executivo da Fifa e ex-mandatário da Conmebol

Alejandro Buzarco: CEO da Torneos y Competencias, empresa de marketing esportivo

Aaron Davidson: presidente da Traffic Sports USA Inc., empresa de marketing esportivo

Hugo Jinkis: Empresário e sócio da empresa argentina de marketing, Full Play Group

Mariano Jinkis: Empresário e sócio da empresa argentina de marketing, Full Play Group

José Margulies: Empresário brasileiro que é dono da Valente Corp. e Somerton Ltd, empresa de transmissão de eventos esportivos

José Maria Marín: Preso hoje, é o vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). É também ex-presidente da entidade.

Além deles, o jornal “The Guardian” revelou que outros dez dirigentes ou ex-dirigentes serão ouvidos pela Justiça – sem terem sido acusados pelo crime: Vitaly Mutko ( ministro do Esporte e chefe da Copa na Rússia 2018 ), Issa Hayatou ( presidente da Confederação Africana de Futebol ), Angel Maria Villar Llona (Espanha), Michel D’Hooghe (Bélgica), Senes Erzik (Turquia), Worawi Makudi (Tailândia), Marios Lefkaritis (Chipre), Jacques Anouma (Costa do Marfim), Rafael Salguero (Guatemala), Hany Abo Rida (Egito).



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terça-feira, 26 de maio de 2015

Psicanalista e professor da USP responde a Rodrigo Constantino da @VEJA


“A palavra perdida cria a bala perdida. É assim que funciona a lógica do condomínio, Sr. Constantino. Menos do que em sua moradia norte-americana ela está em suas próprias palavras”, aponta, em artigo, o psicanalista Christian Dunker, atacado pelo blogueiro da Veja

Por Redação FORUM

No último dia 8, o psicanalista e professor da Universidade de São Paulo Christian Dunker participou do programa Café Filosófico, promovido pela TV Cultura e pela CPFL (para assistir, clique aqui), em que discutiu a existência de condomínios fechados no Brasil – e porque as pessoas recorrem a eles.

No dia seguinte (9), o blogueiro Rodrigo Constantino, da Veja, publicou texto desqualificando o trabalho de Dunker e o chamando de “‘psis’ invejoso”, que parece um “filósofo frustrado” ou um “escritor ressentido”. Como não podia faltar, acusou o professor de integrar a ala intelectual da “esquerda caviar” (termo cunhado pelo próprio colunista).


Na última segunda-feira (25), Dunker divulgou sua resposta, em forma de artigo. Confira a seguir:

A palavra perdida contra a bala perdida | Resposta de Dunker a Rodrigo Constantino

Lacan dizia que o equívoco é a essência da comunicação. É no deslize, na palavra que escapa, naquele tom de voz descompassado, é na incompreensão que o inconsciente trabalha gerando equívoco de sentido, posicionando os sujeitos mais além do que eles “queriam dizer” em seus devaneios e intenções mais ou menos conscientes. Recuperar a essência perdida da palavra, em meio à série dos equívocos que ela necessariamente acarreta talvez seja uma das tarefas mais importantes se quisermos constituir uma política sobre a violência que não seja ela mesma um exercício de violência, de guerra e de vandalização do outro. Acredito que esse tipo de consequência com a palavra – seja ela uma atitude ética ou rigorosa, seja ela uma atenção implicada ou cuidadosa – poderia tratar nosso atual pressuposto de que não é possível conversar e, portanto, reconhecer os que estão fora de nosso condomínio.

Trata-se, portanto, de uma espécie de experimento de casos mais simples mas em que se encontra em jogo um princípio maior. Muitos dizem que contra os irracionais, os incultos, os bárbaros os mal-intencionados não é desejável partilhar a palavra. Eles não se conformarão a nenhuma ideia e violarão permanentemente o que “nós” entendemos por debate público, por conversa ou por argumentação. “Eles” nos posicionam em uma pequena categoria diagnóstica e, a partir disso, repetem sempre a mesma ladainha de preconceitos sobre o tal inimigo imaginário nos quais nos tornamos, como um espantalho. Deles nós devemos nos afastar.

Tenho que admitir: “deixar secar”, não se envolver em brigas com alguém que não seja de seu tamanho, manter a política da “caravana passa enquanto os cães ladram” é uma atitude salubre. Contudo, manter-se na zona de conforto seria um ideal simples e razoável, não fosse o fato de que o equívoco, sendo a essência da comunicação, torna a nossa zona deconforto uma zona de confronto. A palavra perdida, na comunicação com o outro, volta como uma bala perdida. E dela temos que nos proteger, com novos muros, objetivos e subjetivos. Quanto mais recusamos a reconhecer nossa palavra simbolicamente perdida, mais ela tende a voltar como bala no Real.

São duas tarefas: nos proteger da palavra e da bala perdida. Nisso nosso mundo vai ficando menor. Mal tratado, isso caminha até tornar-se impossível habitar o lugar onde estamos. É neste ponto que nos mudamos para Miami ou para a Austrália (o Brasil que deu certo). Por isso a conversa com os “impossíveis” é uma tentativa de explorar os limites da palavra perdida. Espero que aqui o equívoco ressoe conforme a escolha do leitor: perda de tempo, extravio da palavra, suspensão do diálogo, derrota na batalha verbal,inconsequência no uso do sentido, palavra mal-dita, palavra maledicente.

O caso que trago à consideração do leitor baseia-se em uma trivial sequencia de equívocos, semelhante à que vemos em filmes como Faça a coisa certa (1989, dir. Spike Lee), Babel (2006, dir. Alejandro Iñarritu) ou Cronicamente inviável(2000, dir. Sergio Bianchi). Neles os acontecimentos acumulam desencontros, desacertos e equívocos que terminam em bala perdida, que depois ninguém consegue entender como aconteceu.

Pois bem, na gravação do Café Filosófico da TV Cultura, que tem por tema meu livro Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros, afirmei que há duas linhas de afeto concorrendo para a experiência simbólica do condomínio no Brasil.

A primeira reproduz expectativas de segurança e de solução para o medo. Defendo-me do mundo perigoso lá fora, erguendo muros e criando uma lei interna para consumo próprio com meus síndicos e regulamentos. A segunda determinação afetiva da vida em forma de condomínio baseia-se na inveja. Uma vez guarnecido e protegido imagino que o meu sonho é também o dos outros. Mas só alguns conseguem realizar esta ambição de consumo. Há uma graça adicional em pensar que os outros desejam ter o que eu tenho, portanto, que os outros me invejam. Isso faz parte da mais banal lógica do consumo conspícuo. Minhas determinações de consumo não são dadas pela satisfação para minhas necessidades, ainda que sejam as mais básicas necessidades de proteção e segurança.

Uma consequência trivial da psicanálise para a teoria do consumo é pensar que este seja sobre-determinado pelo desejo do Outro. Isso torna o consumo um ato de palavra. Ao usar um tênis, pilotar um carro importado ou comprar uma casa em um condomínio não estou apenas satisfazendo necessidades, estou dizendo algo para os outros. Este ponto é crucial, pois se não levo isso em conta, se minha palavra é perdida neste ponto, posso não perceber que estou dizendo coisas agressivas, provocativas ou violentas. Posso não entender que para outras pessoas a minha opulência e ostentação possam causar desagradável inveja. E ao não reconhecer isso, a inveja, que é um dos nomes do desejo, pode virar ódio. Desta maneira, ao perder a dimensão a palavra, envolvida em meus gestos, inclusive os gestos de consumo, particularmente os que têm expressão pública, posso reforçar a mensagem de perigo e violência da qual tento fugir. Pois bem, o leitor pode verificar a pertinência deste resumo do que eu disse na gravação do Programa por si mesmo, afinal a tese é de que a palavra vem com o equívoco.

Mas qual não foi minha surpresa quando vejo a coluna de meu interlocutor Rodrigo Constantino comentando minha apresentação, redescrita por Francisco Razzo, da seguinte maneira:

“Nem me dei ao trabalho de quem é a pérola. Há fortes indícios de ser mais uma análise de um desses ‘psicólogos sakamotianos’ tomados pelo espírito de justiça social tentando realizar uma anatomia da alma dos opressores.”

Ou seja, basta saber quem você é para que imediatamente possamos julgar a pertinência ou veracidade do que estásendo dito. A palavra está perdida para a pessoa. E assim, por ouvir dizer de outro, auto-declaradamente preguiçoso, Rodrigo Constantino comenta, não a tese, mas a pessoa que a enuncia:

“Esses psicanalistas parecem filósofos frustrados ou escritores ressentidos, e no fundo fazem de tudo para atacar os mais bem-sucedidos. […] Vivendo numa redoma, essas pessoas se blindam contra o ‘real’ e não querem se deparar com o Outro.”

Atualmente vivendo em Miami, ele defende-se da crítica de que teria fugido do Brasil por covardia, dizendo que essa é uma atitude racional (para os que podem). “Eles” psicanalistas frustrados, ressentidos atacam a “nós” pessoas “mais bem sucedidas”. Ou seja, se Constantino está certo eu (junto com toda minha classe) o invejo. Mas era exatamente isso que eu estava dizendo sobre a inveja e, portanto, ele me dá razão ao dizer que eu a perdi. Também quando diz que estou em uma “redoma blindada contra o real” reencontro meu argumento sobre a vida em forma de condomínio sendo empregado, desta vez contra mim. Ou seja, minhas palavras estão certas, minha pessoa é que está errada.

Este ponto é decisivo para entendermos como este discurso gera violência. O que vemos aqui é a transformação das diferenças sociais, da existência de pobres e ricos, da distribuição não equitativa de bens materiais e simbólicos, em um ressentimento de classe. Por isso os que estão naesquerda caviar são traidores, hipócritas e impostores. Eles não jogam no time dos ricos contra o time dos pobres. Pela regra do jogo os que perderam direito à palavra só podem se vingar por meio da bala. Por isso a coisa mais “lógica” a fazer é retirar-se para o condomínio, de preferência em Miami, e viver uma vida de refugiado sobrevivente.

Aqui encontramos o tradicional argumento da ameaça. Se você critica a vida em condomínio, e diz que ela envolve um tanto de inveja que pode causar nos que estão fora, você está apoiando o crime, o tráfico, os bandidos… enfim, os pobres que não podem ter condomínio. Mais uma vez os intelectuais (ou “pseudo-intelectuais”) são traidores. Se eles defendem os pobres eles deveriam… ser pobres. Quem come caviar não pode querer que os de outros condomínios comam também. Isso é um contra senso, uma ameaça ao mais geral princípio da identidade.

(Aliás, por esta lógica de equívocos é bom lembrar que o melhor caviar é feito de ovas do esturjão, peixe que abunda o mar Cáspio, que circunda a Rússia, que por sua vez é parte da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas… tá vendo? Caviar é da esquerda, você é que só sabe comer “x-burguêis”!)

Mas em outro sentido Constantino tem razão e suas palavras se ligam com sua pessoa. Somos traidores porque não aceitamos que a regra do jogo seja a da guerra de ricos contra pobres. Somos traidores porque acreditamos que as palavras recuperadas podem ser o meio para a suspensão das balas perdidas. Somos traidores porque acreditamos na regra da palavra, como meio de reconhecimento, entre ricos e pobres. E temos tanto medo quanto todos nós, pobres e ricos. Portanto estamos de acordo na medida em que:

“Não querem[os] encontrar o ‘outro’ mascarado e prestes a estuprar sua filha. Não querem[os], enfim, encontrar uma bala ‘real’.

Mas estamos em desacordo que este medo:

“É só fuga.”
(Rodrigo Constantino, “O gozo da inveja e o rancor dos pseudointelectuais“, Blog da Veja)

O que o colunista da revista Veja, que acredita que estou parasitando sua audiência ao discutir com ele, não consegue perceber é que o condomínio é uma estrutura. Semelhante à prisão, ao Shopping Center ou à favela. Por não ter assistido ao programa, nem lido o livro, nem qualquer de suas resenhas e críticas (o que torna bastante prática esta lógica do ‘basta saber quem você é’), Constantino simplesmente não entendeu o conceito de vida em forma de condomínio e acha que estou recriminando as pessoas que optam por este tipo de moradia, por bons e maus motivos.

Ele não entendeu que esta lógica toca a todos nós no Brasil de hoje. Não entendeu que ela concorre para a produção da violência da qual ele e todos nós nos queixamos. Um equívoco, gerado por outro equívoco, o do Sr. Razzo (e isso não é uma piada lacaniana!), que por sua vez engendra outros equívocos, que são soberbamente reproduzidos pelos leitores de Constantino. Esses sim são objeto de minha extrema preocupação (e ‘inveja’, dirá meu interlocutor). Comojá havia verificado em outras ocasiões, nestes comentários encontramos uma mutação de tom, um aumento de virulência, uma acréscimo de gozo, que culminará na violência. Como se para agradar o mestre fosse preciso exagerar e amplificar seus métodos. Reproduzo as pérolas:

“Nosso suado dinheiro que banca as micaretas acadêmicas dessa corja.”

“São simplesmente idiotas, imbuídos de má-vontade, tentando parecer importantes.”

“O que um psicopata quer mesmo, principalmente se ele for de esquerda, não é ajudar os que ainda querem se arrumar na vida. Ele quer mesmo é atacar os que lutaram e conseguiram através do trabalho uma vida razoavelmente boa.”

“Gozo através da inveja têm esses merdinhas que podem olhar debochadamente da nossa cara.”

“Se Dunker mora em um prédio assim, é um hipócrita, como é a maioria dos intelectuais da Unicamp, USP., UERJ, UFF, PUC…”

“Na verdade, o que sustenta a suposta postura magnânima desta ‘psicanalhada’, é um profundo desrespeito pelo tal desejo do Outro, desejo de escolha, Liberdade para cada um decidir o seu próprio caminho, aspectos que ficam esquecidos no meio desta maldita Patrulha do Pensamento, que se instalou no campo da psicologia e da psicanálise neste país.”

“Psicanalistas, psicólogos e semelhantes, na esmagadora maioria, sempre tiveram graves distúrbios mentais que os inclinaram a essas atividades em busca de aliviar seus próprios males!”

Ora, depoimentos como estes já são em si a prática da violência da qual se gostaria de fugir. Preconceitos contra professores, intelectuais, psicanalistas, psicólogos, uso de expressões ofensivas, declarações de ódio, como se o problema do país fossem seus… professores! O leitor deve ter percebido uma espécie de escalada discursiva, primeiro um comentário levemente depreciativo e desinformado do Sr. Razzo, depois uma incitação generalizada do Sr. Constantino, e ao final a força covarde de um grupo cantando o jogral do ódio contra outros grupos. Qual seria o próximo passo?

Acredito que uma parte substancial da violência não decorre das diferenças reais com as quais temos que lidar, mas como desprezo por seu reconhecimento enquanto diferenças de palavra. Uma série como a que apresentei acima é o retrato banal de como diferenças evoluem rapidamente numa somatória de equívocos para convergirem em uma violência, inicialmente verbal mas cujo passo seguinte todos sabemos bem qual é. Uma vez que as palavras do outro não importam, pois já sabemos o que ele vai dizer, basta classificar pessoas. Depois da classificação vem a segregação e finalmente a violência. A palavra perdida cria a bala perdida. É assim que funciona a lógica do condomínio, Sr. Constantino. Menos do que em sua moradia norte-americana ela está em suas próprias palavras.

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Todos Soltos: PSDB prova do próprio veneno, Por Jasson de Oliveira Andrade



O jornalista Ricardo Melo, em artigo sob o título que encima este texto, publicado na Folha (18/5/2015), comenta: “Nada como um dia depois do outro. Eis que um auditor da Receita paranaense, Luiz Antônio de Souza, fez o que o doleiro Alberto Youssef [no Lava-Jato] pratica período sim, período não. Entrega uma delação premiada em troca de redução de penas. (...) Para quem não sabe, Souza é acusado de participar de um esquema em que empresários pagavam propina em troca da redução ou até anulação de calotes tributários. Puxando o novelo, surgiu a denúncia de que o grupo de auditores criminosos deveria molhar a mão (sic) da campanha de Beto Richa [PSDB e governador do Paraná] com R$ 2 milhões surrupiados (sic) na propinagem”. No programa tucano, em 19/5/2015, se preferiu, obviamente, falar dos malfeitos alheios. Sobre a denúncia no Paraná, logicamente, o PSDB silenciou!

O analista político José Roberto de Toledo, no Estadão (21/5/2015), analisou o programa tucano: “A razão para o partido dedicar seu programa de TV à crítica dura ao PT é que, após as eleições do ano passado, o PSDB perdeu a primazia da oposição, seja na opinião pública, seja no Congresso. Nas ruas, movimentos há poucos meses desconhecidos assumiram a frente dos protestos contra Dilma, enquanto líderes tucanos assistiam da janela (sic). Correm atrás do tempo perdido”. Adiante ele constatou: “O PSDB marca passo enquanto quem dá o tom e obriga Dilma e seus ministros a dançar conforme sua música é o PMDB. Nas orquestrações de Cunha e Renan, os tucanos tocam triângulo”. Já Hélio Schhwartsman, na Folha (22/5/2015), escreveu um artigo sob o título “Abusando (sic) do eleitor”, dizendo: “Está divertida a briga do PT com o PSDB em torno do programa de TV que os tucanos veicularam nesta semana [19/5/2015]. Rui Falcão, o presidente do PT, diz que vai à Justiça contra a peça. Se entendi bem, é porque os tucanos não mencionaram que havia corrupção também quando eles estavam no poder. (...) Obviamente, Falcão tem razão. Houve corrupção (sic) durante a gestão FHC. A rigor, existe corrupção [até] nos países nórdicos, tidos como os mais virtuosos do planeta (...)”.

Outra briga dos tucanos não é com o PT e sim com os movimentos favoráveis ao impeachment de Dilma. O PSDB desistiu desta ação porque não encontrou base Jurídica para tanto. Os tucanos preferem outra, encomendada ao jurista Miguel Reale Júnior. A Folha noticiou a revolta do movimento: “O PSDB disse que não irá aderir à pauta do impeachment, traindo os mais de 50 milhões de votos na última eleição de brasileiros que apostaram nessa falsa (sic) oposição que continua nos decepcionando (sic)”, criticou o MBL [Movimento Brasil Livre]”. Este Movimento publicou um convite para a manifestação que pretende realizar no dia 27/5, em Brasília. O convite contem a foto da Dilma cumprimentando Aécio, com esses dizeres em letras maiúsculas: “AÉCIO TRAIU O BRASIL (sic)”. A Folha ainda noticiou: “Na defesa do PSDB, Xico Graziano, assessor especial do ex-presidente da República [FHC], respondeu aos ataques: “Entendo a frustração de quem quer Impeachment. Agora, atacar Aécio, FHC ou PSDB mostra ignorância política (sic). Revela pendor ditatorial (sic)”. 

Pelo visto, ao incentivar o impeachment, empolgando milhões de pessoas, e depois desistir, o PSDB provou do próprio veneno, como afirmou Ricardo Melo!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Publicado na GAZETA GUAÇUANA em 26/5/2015

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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Jornalista faz as contas e percebe que Marcha para Brasília é a maior fraude



Por Leandro Fortes

A Marcha da Liberdade saiu de São Paulo no dia 24 de abril para percorrer os 1.015 quilômetros que separam a capital paulista de Brasília.

Quando eu estive na Força Aérea, participei de marchas forçadas nas estradas de Minas Gerais e, na época, o cálculo de distância percorrida pela tropa era de 4km/hora.

Estou falando de um grupo organizado, com idades variadas de 17 a 18 anos, bem treinado e muito bem preparado física e disciplinarmente. É bem verdade que carregávamos 15 quilos de equipamentos nas costas, mas, ainda assim, mantínhamos o ritmo sem parar: 4km/hora.

Levando-se em conta que os gatos pingados da tal marcha libertária têm gente visivelmente fora de forma, e outros que até para comprar pão costumam mandar a empregada, é pouco provável que as informações passadas por seus participantes sejam verdadeiras.

Senão, vejamos.

Os marchantes da liberdade alegam que percorrem, em média, de 20 km a 40 km por dia.

Mantida a média de 4 km/h da marcha militar, na primeira hipótese, o grupo anti-Dilma gastaria 5 horas por dia para percorrer 20 km.

As outras 19 horas, imagino, devem gastar para dormir, urinar, defecar, comer, cantar o Hino Nacional, tirar selfies, gravar vídeos, mandar eventuais transeuntes irem para Cuba e, à noite, fazer fogueirinhas de gravetos na beira da estrada ao som de Lobão ao luar.

“Tá tudo cinza sem você…”

Na segunda hipótese, os marchantes andariam 40 km por dia, numa média de 10 horas de caminhada puxada, sob sol e frio, seca e sereno.

Melhor esquecer à fogueirinha à noite.

Na verdade, melhor esquecer a hipótese: a chance de essa gente ter percorrido 40 km por dia é a mesma de os hebreus terem caminhado por 40 anos no deserto comendo só maná.

Quem acredita nisso, costuma dizer o jornalista Paulo Nogueira, citando Arthur Wellesley, o primeiro duque de Wellington, acredita em qualquer coisa.

Então, centremo-nos na primeira hipótese (20 km/dia): o grupo terá percorrido, até agora, 30 dias depois de sair de São Paulo, 600 km. Teriam, portanto, mais 415 km até chegar a Brasília.

Ocorre que Kim Kataguiri, o Jaspion da TFP, foi atropelado a 5 km de Alexânia, em Goiás, logo, a 85 km de Brasília.

Façam as contas: mas a trupe da liberdade deveria estar, então, a 500 km de Brasília.

Ainda dá tempo de fugirmos para a Chapada dos Veadeiros, portanto.

Mas, além do embuste patético dessa ópera bufa das BRs, há outras questões envolvidas.

Por alguns anos, cobri, como repórter, a movimentação do MST nas estradas brasileiras. Em uma delas, em Minas, participei ao lado dos trabalhadores sem-terra, caminhando na pista, dormindo nos acampamentos.

Nessa época, todo santo dia, jornais, revistas e TVs batiam na tecla de que os sem-terra usavam o acostamento de forma ilegal, que eram um perigo na estrada, que iriam provocar uma tragédia.

Tragédia, se houve, não me lembro, nunca soube.

Eles andavam cerca de 30 km por dia, a maioria de sandália havaiana, ora em silêncio, ora entoando cânticos de luta:

“Che, Fidel, Antônio Conselheiro, na luta pela terra somos todos companheiros”!

Pelo que ando lendo, os paneleiros da liberdade têm sempre o apoio de um carro e dois ônibus.

Como assim?

Um carro e dois ônibus (!), por 1.015 km, nos acostamentos das estradas?

Ou eles andam na estrada mesmo, a 4 km por hora?

Cadê a mídia para denunciar esse absurdo? E os registros da Polícia Rodoviária?

A verdade é que esses cretinos pró-impeachment criaram um falso movimento, organizado em uma falsa marcha, que só pôde ter continuidade, por um mês inteiro, porque temos a mídia mais cafajeste e sem noção das Américas, quiçá do mundo.

Qualquer jornal, qualquer revista, tivesse mandado um repórter minimamente preparado passar uma semana com esses debiloides, teria em mãos uma reportagem sensacional sobre essa fraude cívica montada e operada por farsantes alimentados por uma oposição irresponsável.

Poderiam, inclusive, ter evitado que esse menino idiota, de apenas 19 anos, se tornasse uma referência para outros jovens.

Ou mesmo que ele e outra colega de marcha acabassem sofrendo um acidente, como houve agora, próximo a Alexânia.

Há, portanto, muitos culpados por essa marcha de celerados.

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O racismo dos filhos de imigrantes no Brasil contra os haitianos, Por Túlio Milman ( Acompanha: texto pessoal do blogueiro )


É estarrecedor. Netos e bisnetos de imigrantes torcendo o nariz para a imigração haitiana. Ainda mais no Brasil. Ainda mais no Rio Grande do Sul. Durante a semana, ao apoiar o acolhimento aos caribenhos, ouvi de tudo. “Ignorante, mal-informado, mal-intencionado.” Senti vergonha de ler o que li e de ouvir o que ouvi. Não por mim. Estou acostumado às críticas. Senti vergonha pelo passado. Talvez porque conheça bem duas histórias.


A segunda história que conheço bem é a da minha família – a mesma das famílias de milhões de gaúchos. Imigrantes miseráveis, sem dinheiro e cheios de esperança que cruzaram o mar e o mundo em busca de uma nova vida. Aqui chegaram, aqui foram acolhidos, aqui viraram iguais aos outros e iguais entre si.

Os tempos eram outros, argumentam. Sim, eram outros. Mas os dramas e a essência das pessoas são os mesmos. É o ângulo pelo qual enxergo a questão. O direito à liberdade é o mesmo. O sonho é o mesmo.

Quando os europeus chegaram, faltava mão de obra. Hoje, sobra. Mesmo assim, é impossível que um país tão grande não consiga organizar esse novo fluxo imigratório.

Criar incentivos para a colonização de áreas menos habitadas, estimular o preenchimento de vagas em locais onde elas estão disponíveis.

Há uma outra questão camuflada nesse debate. Camuflada, mas fundamental. O racismo. Se os novos imigrantes que chegam ao Brasil e ao Rio Grande fossem loiros de olhos claros, a celeuma seria bem menor. Mas são negros, são pobres, são sós. Têm nomes estranhos e falam uma língua estranha, o creole.

Outro dia, fui abastecer meu carro em um posto de Porto Alegre. A frentista era haitiana. Orgulhosa por estar trabalhando. Vi o brilho no olho dela. Me lembrei dos meus avós. E saí me perguntando como seres humanos podem esquecer tão rapidamente das suas próprias trajetórias.

O Haiti não é aqui.

Aqui é o Brasil.

Não temos o direito de negar a essa gente as oportunidades que nossas famílias tiveram em um passado não tão distante. Nem que tenhamos que nos sacrificar um pouco mais para isso.


LEIA TAMBÉM:

"Give me your tired, your poor,
Your huddled masses yearning to breathe free, BELLO!"

Um dos meus problemas com minha ascendência européia é que eu nunca me importei com ela. Nunca me interessei em saber direito porque os italianos vieram pra cá ( Sampa ) ou os iugoslavos ou sei lá que porra de raça e nem quis saber de procurar algum tipo de cidadania, como foi moda uns tempos atrás. 
Quando era mais jovem e algum bicho dágua vinha me perguntar de onde vieram meus antepassados, eu até respondia. 
Depois, mais velho e desconfiado comecei, ao longo do tempo, a notar um eventual ranço de xenofobia na pergunta, e a resposta que eu ainda não tinha dado já vinha com uma espécie de aprovação subliminar prévia, e passei a responder ( invocado ) naquelas de "Eles não sei. Eu sou brasileiro". 
Nada de orgulho, apenas fato. 
Da mesma forma é um fato que eu sou branco de olho azul. Não tenho como mudar isso, e nem pretendo. Mas não vou gostar de espaguete por causa disso ou cultivar um saudosismo artificial em relação a uma terra onde nunca estive. Minhas raízes estão aqui. Somente aqui. 
E eu não celebro ter nascido em determinado bairro ou sou grato por ter nascido aqui ou acolá. Não sou "buona gente". Embora, se eu jogasse de acordo com essas regras, minha vida teria sido, digo, estaria sendo MUUUUITTOOO mais confortável.
De modo que fico muito irritado quando gente com quem convivo ( forçosamente, por causa do trabalho ) vem com um papo-furado pseudo-humanista de que "a gente" (sic) mal tem condições de cuidar de "nossos" (sic de novo) pobres e ficam mandando esses haitianos [ leia-se: pretos pra caralho e pobres pra caralho ] pra São Paulo", quando tais neohumanistas não conseguem esconder vários preconceitos e xenofobia paulistana contra "nossos pobres", sobretudo os nordestinos, favelados, os que recebem Bolsa-Família, estejam eles aqui em Sampa, estejam lá na "terra deles" ( o "Norte", que é como muitos se referem ao Nordeste ).
Infelizmente, a gente precisa ser social para ganhar a vida nessa cada vez pior bosta de cidade. Eu não sou politicamente correto ou um campeão dos direitos humanos, as pessoas do dia-a-dia é que estão virando umas merdas e o orgulho ( da boca pra fora? ) de ser uma cidade "que abriga de braços abertos, com um franco e generoso abraço e um brilhante sorriso no rosto, todas as raças, nações, povos e etnias" e o caralho a quatro sempre me pareceu propagada do Itaú de 25 de Janeiro. 
Não sei o que pode ou deve fazer o Brasil com os refugiados que vêm para cá, que tipo de tratado o país assinou e que tipo de compromisso deve cumprir, mas nunca ninguém vai me ouvir mandá-los de volta ou jogá-los ao mar. Tenho inúmeros defeitos, mas esse não é um deles. 
E não adianta mudar de emprego, isso é que é pior.

Postado no FACEBOOK

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sábado, 23 de maio de 2015

Washington fabrica um dossiê contra Caracas



Os Estados Unidos, que declararam que a Venezuela constitui uma «ameaça» à sua segurança nacional [1] e que adoptaram sanções unilaterais contra alguns dos seus dirigentes [2], estão agora a cozinhar os seus argumentos.

Depois de ter financiado uma guerrilha urbana [3], Washington acusou Caracas de ser responsável pelas mortes provocadas pelos seus próprios mercenários. Em seguida, Washington organizou uma tentativa de golpe de Estado, em Fevereiro de 2015 [4]. Agora, a Drug Enforcement Administration (DEA) (Agência de Luta contra a Droga- ndT) e os procuradores de Miami e Nova Iorque fabricam um dossiê acusando o presidente da Assembleia Nacional, e segundo personagem do Estado, Diosdado Cabello, de ser um traficante de drogas.

No ano passado, os Estados Unidos haviam feito deter em Aruba (uma ilha das Caraíbas dependente dos Países Baixos), o antigo chefe da Inteligência militar venezuelana, Hugo Carvajal Barrios, acusando-o, identicamente, de ser um traficante de drogas. Mas, Amesterdão acabou finalmente por se recusar a extraditá-lo para os Estados Unidos e libertou-o.

Washington visa igualmente Tarek El Aissami, o antigo ministro do Interior e actual governador da região de Aragua ; Jose David Cabello, irmão do presidente da Assembleia Nacional e director de um serviço fiscal ; e o general Luis Motta Dominguez, encarregado da região central do país.

Segundo o Wall Street Journal, o dossiê da DEA seria baseado no testemunho de um certo capitão Leamsy Salazar que teria sido o guarda-costas de Diosdado Cabello [5]. Ora, é claro que esta testemunha chave jamais exerceu as funções que alega ter tido.

Tradução 
[1] “Declaration of a National Emergency with Respect to Venezuela” (Ing- «Declaração de uma Emergência Nacional devido à Venezuela»- ndT), por Barack Obama, Voltaire Network, 9 March 2015.

[2] “Executive Order – Blocking Property and Suspending Entry of Certain Persons Contributing to the Situation in Venezuela” (Ing- «Ordem Presidencial—Bloqueio de Propriedade e Suspensão de Entrada de Certas Pessoas que contribuem para a Situação na Venezuela»- ndT), por Barack Obama, Voltaire Network, 9 March 2015.

[3] “Os EEUU contra a Venezuela: a Guerra Fria se esquenta”, Nil Nikandrov, Tradução Marisa Choguill, Strategic Culture Foundation(Rússia), Rede Voltaire, 9 de Março de 2014.

[4] “Obama falha o seu golpe de Estado na Venezuela”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 23 de Fevereiro de 2015.

[5] “Venezuelan Officials Suspected of Turning Country into Global Cocaine Hub” (Ing- «Responsáveis Venezuelanos Suspeitos de Transformar o País num Centro Global de Cocaína»- ndT), por José de Córdoba e Juan Forero, The Wall Street Journal, May 18, 2015.


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Bobagens requentadas sobre a morte de Celso Daniel


Tenho a impressão de que quando a mídia eletrônica está sem assunto e precisa alavancar a audiência o caso Celso Daniel é pinçado dos arquivos de idiotices já publicadas e vira um espetáculo de sensacionalismo barato.

Anteontem fui alertado sobre um programa da TV Record, emissora a qual assisto muito pouco. Estava acompanhando nem sei bem o que na TV e fui instado a mudar de canal. Sempre que a morte do então prefeito de Santo André ressurge, fico curiosíssimo porque desse assunto entendo bem. Muito bem. E a qualidade do produto entregue aos ouvintes, telespectadores ou leitores é escrutinada em alguns poucos minutos de observação. O que a TV Record apresentou na noite de quarta-feira foi o requentamento de uma fraude informativa que, dada a situação do PT nestas alturas do campeonato de governança e de governabilidade do País, ganha forma de verdade.

Foram tantas as imprecisões da reportagem televisiva que não vou perder meu tempo em apontá-las. Prefiro centrar fogo apenas num aspecto, que a mídia disseminou no dia seguinte, caso do portal daquela emissora. O título da matéria capturada pelo Google (“Sombra abriu porta para assassinos de Celso Daniel, diz testemunha localizada pela Rede Record”) é de lascar. Está à altura daquela programação televisiva.

Vejam os leitores que uma testemunha localizada pela TV Record afirmou que viu Sérgio Gomes da Silva abrir a porta do carro em que estava com o prefeito Celso Daniel, para que os assassinos do político o sequestrassem. O parágrafo final da matéria é deslumbrante: “A testemunha localizada pela TV Record, hoje com 20 anos, deve ser ouvida pelo Ministério Público”. Espetacular, não acham?

Criança prodígio
Uma criança de sete anos de idade, à época, vale muito mais como informação jornalística do que os próprios autores do sequestro, presos poucos dias depois e antes que o caso Celso Daniel fosse atirado na vala comum de crime político, quando não passou de crime de ocasião numa Região Metropolitana de São Paulo coalhada de sequestradores. Basta ir às arquivos para contextualizar aquele crime.

Sei que não deveria perder meu tempo precioso para recordar aquele sequestro e desclassificar integralmente a reportagem da TV Record, mas não resisto porque meu sentimento de justiça fala mais alto. Num texto que publiquei em maio de 2012 a propósito de uma dessas sazonais incursões oportunistas para reavivar o caso Celso Daniel, sempre com conotação político-partidária, recordei o que escrevera anteriormente.

O Auto de Qualificação e de Interrogatório 183/02 datado de 2 de março de 2002, menos de duas semanas após o assassinato de Celso Daniel, mostra o depoimento no DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) de Itamar Messias da Silva dos Santos, um dos sequestradores. Repassei àquela ocasião e repasso novamente agora os trechos do depoimento de um dos homens que levaram Celso Daniel na abordagem feita no chamado Três Tombos, onde se deu o primeiro passo de um crime que abalou o País:

(...) Que o interrogando passa então a forçar a maçaneta externa da porta do motorista, e esta não abre, batendo com o cano da arma no vidro do auto, ao mesmo tempo em que fica gritando abre, abre, abre, e a porta do motorista não abriu; que na porta dianteira direita da Pajero, ou seja, do lado onde se encontrava o prefeito Celso Daniel, o ataque era efetuado por Bozinho, que também passou a mexer na maçaneta daquela porta, havendo um momento em que a mesma se abre; que Bozinho tira o prefeito de dentro do carro e o puxa em sentido da Blazer; que o interrogando dá a volta pela frente da Pajero, indo para a porta de onde saiu o prefeito e por ali tenta retirar o empresário Sérgio Gomes da Silva, não tendo êxito em tal manobra; que afirma que puxou o referido empresário pelo seu braço direito, utilizando-se de sua mão esquerda; que chega o VW/Santana e para praticamente ao lado da Blazer, e Ivan desce do Santana, falando vamos, vamos, vamos, sendo que o interrogando, Bozinho e Ivan apanham o prefeito e o levam para a Blazer, ficando então John guiando, e no banco traseiro ficam o interrogando, atrás do banco do motorista, o prefeito no meio e Bozinho na outra extremidade; que Ivan embarcou novamente no Santana, e o interrogando se recorda que chegou a cutucar as costas do prefeito Celso Daniel com sua arma.

Versão infantil
Quando um programa jornalístico prefere dar a versão de uma criança crescida e sufoca o relato oficial de um dos próprios sequestradores presos poucos dias depois só não chegamos ao fundo do poço do despreparo ou de outra coisa qualquer porque o caso Celso Daniel está recheadíssimo de barbaridades alimentadas pelo delegado Romeu Tuma Júnior, patético informante até outro dia secreto da força-tarefa do Ministério Público Estadual escalado para melar o jogo da verdade configurada por intensas investigações da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Federal.

Lamentavelmente para quem aprecia ficção e faz dessa especialidade tudo no sentido de ganhar foro de realidade, o assassinato de Celso Daniel foi um incidente exclusivamente de descaso com a segurança pública, amenizado com a troca do secretário da pasta e a introdução de novo modelo de atuação que, sem juízo de valor sobre a metodologia adotada, fizeram despencar os casos de homicídios no Estado de São Paulo e reduziram a pó os registros de sequestros.

Por DANIEL LIMA, no Capital Social

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FHC e a corrupção, Por Jasson de Oliveira Andrade



Atualmente a corrupção está sendo combatida. Até os corruptores, pela primeira vez, estão sendo presos. Empreiteiros ficaram meses na prisão. Isto nunca havia ocorrido no Brasil. Além de presos, eles tiveram que devolver parte do dinheiro roubado. Antigamente isso não acontecia. A roubalheira era jogada para debaixo do tapete. Esses falsos moralistas que criticam a corrupção presente, esquecem a do passado: não olham para o próprio rabo, como se costuma dizer. Quanto aos corruptos, eles são de todos os partidos, sem escapar nenhum Por este motivo não se pode acusar um ou outro partido. Isto não ocorria no passado! É o que vamos ver a seguir.

Exibindo CAPA DO LIVRO O PRINCIPE DA PRIVATARIA DE PALMÉRIO DÓRIA.jpgO jornalista Janio de Freitas, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, em 17/5/2015, faz essa revelação no Tópico BEM CLARO: “Fernando Henrique em Nova York: “Esses malfeitos (sic) vêm de outro governo, isso deve ficar bem claro. Vêm do governo Lula. Começou aí”. (...) Se é para “ficar bem claro”, vêm de outro governo, sim. Como disse Pedro Barusco em sua delação premiada e na Câmara, “começou em 1997” na Petrobras do governo Fernando Henrique. Ou o que é dito em delação premiada vale só contra adversários de Fernando Henrique?”. Sem comentário!

Quem nunca pecou que atire a primeira pedra. Este dito popular serve como luva para a corrupção que ocorre no Brasil, que não vem de hoje. Ela aconteceu no Império, na Republica, na Ditadura Militar, que não se conhecia por causa da censura, e também na Democracia. Todos os regimes foram atingidos. É por este motivo que sempre digo: A pior das Democracias sempre é melhor do que a melhor das Ditaduras! Temos os nossos pecados, mas é sempre menor do que no tempo da Ditadura Militar. Isto hoje, sem censura, está comprovado através de vários livros, inclusive os de autoria de militares golpistas, os quais romperam com o governo militar justamente por causa da corrupção. Escrevi artigo sobre o assunto. É o caso também de FHC. Fala da corrupção alheia, mas os “malfeitos”, como revelou Janio de Freitas, começaram no seu governo!

PS: No programa do PSDB (19/5/2015), Fernando Henrique bateu na mesma tecla sobre a corrupção. No entanto, quem quiser conhecer os “malfeitos” de FHC deve ler o livro “O Príncipe da Privataria – A história secreta (sic) de como o Brasil perdeu seu patrimônio (sic) e Fernando Henrique Cardoso ganhou (sic) sua reeleição” (Geração Editorial, 2013), no qual o autor focaliza a privatização de FHC, que vendeu as estatais a preço de banana, praticamente doou-as, e a compra de deputados para aprovar sua reeleição, pagando R$ 200 mil (dinheiro da época) cada voto. Palmério Dória revelou um dos deputados que recebeu o dinheiro, conhecido na época por “Senhor X”. Depois da leitura do livro, o leitor vai concluir que se existe uma pessoa que não pode falar dos “malfeitos” dos outros, é justamente Fernando Henrique Cardoso! A imprensa escrita e falada, por motivos óbvios, não comentou o livro...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Publicado no TRIBUNA DO GUAÇU em 23/5/2015

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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Toca o telefone no Palácio dos Bandeirantes e...


- Alô, Governo do Estado de SP falando!

- Oi, aqui é do Estadão. Vocês já prepararam o nosso Editorial sobre as greves dos funcionários Metrô e da CPTM?

- Ah, tá, a gente só tá esperando os retoques finais do texto, nós passamos pros gerentes das empresas citadas e estamos aguardando o retorno.

- Só pra confirmar: não esqueceram de incluir a expressão "greve política" não né? Essa não pode faltar em nossos editoriais a favor do governo de SP.

- Não, claro que não. Mas já está em processo de finalização. A Folha ligou hoje de manhã, também querendo saber do texto. Eles querem botar na edição de domingo próximo, aquela que vai sair com a coleção dos livros dos filósofos.

- Hmmm. É, tem que agilizar isso logo. E a greve dos professores, como tão as coisas?

- Que greve?

- HAHAHAHAHAHA! Você é um pândego!

- Ha ha ha, bondade a sua.

FIM

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A cultura do ódio na internet e fora dela, Por Juremir Machado



A cultura do ódio na internet e fora dela


A deputada Manuela d’Ávila (PCdoB) organizou uma mesa na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul sobre ódio na internet.

Intitulou o evento HumanizaRede.

Convidou jornalistas: eu, Moisés Mendes (Zero Hora) e Luciano Potter (Rádio Gaúcha).

O chefe de gabinete do Ministro de Estado da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Roberto Nascimento, nem chegou a falar.

Participou também o deputado Jorge Pozzobom (PSDB).

Manuela é vítima constante de ódio na rede.

Já teve “ativista virtual” desejando que seu bebê secasse na barriga dela.

Assim mesmo.

Jorge Pozzobom é outro que não escapa da barbárie virtual.

Um psicopata perguntou quem ele mataria primeiro, a filha ou o seu cachorro.

Na mesa, todos se manifestaram contra o ódio na internet.

Quando Potter estava falando, um homem o interrompeu. Segundo ele, faltava contraponto na mesa.

Ficamos perplexos. Deveria ter alguém na mesa que fosse a favor do ódio na internet?

O tempo fechou.

Um grupo, visivelmente organizado, começou a boicotar o evento.

Gritavam palavras de ordem do tipo “verde amarelo sem foice nem martelo”.

Algo assim.

Era uma armação para esculhambar a mesa organizada por Manuela.

Um sujeito, de boné do MST, berrava:

– Reaça tem que morrer.

Segundo Gregório Grisa, presente ao evento, era mais um infiltrado para melar a discussão. No facebook, Grisa contou o que ouviu: “Ao fim desci as escadas casualmente atrás deles, eram umas 15 pessoas, o jovem com boné do MST estava junto com o grupo nitidamente antiesquerdista. Quando chegamos no térreo eu o ouvi comentar:

- essa do boné sempre da certo, todos saem achando que sou do MST.”

Consta que a tropa de choque que boicotou e levou à interrupção do evento teria sido enviada por um deputado de direita.

Um novo inimigo de Manuela.

O ódio na internet é uma evidência.

No twitter, comentando esse rolo, um cara escreveu: “Passa mais hipoglós no seu rabo que tá pouco, seu subnitrato de bosta!!”

Leonardo Sakamoto, blogueiro da Folha de S. Paulo, e eu, sem qualquer contato, paramos de liberar comentários em nossos blogues.

Por quê?

Simples. Cansaço com ameaças, perseguições, calúnias e bullying.

Como ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo, também não somos obrigados a trabalhar contra nós mesmos.

Sou totalmente a favor de que falem mal de mim. De preferência, milhares de vezes por dia. Colaboro para isso. Escrevo. Com isso, alimento quem queira me combater. Mas não tenho mais disposição para fazer moderação de insultos sistemáticos.

Censura é uma política de Estado pela qual se fica impedido de publicar em qualquer lugar.

Não há isso no Brasil.

O resto é opção.

Sugiro a criação de blogues contra mim. Dezenas, milhares, milhões.

Por que alguns não fazem isso? Porque ninguém os leria.

Querem carona para aparecer.

Não dou mais carona.

Cansei da Síndrome de Estocolmo. Não trabalho para meu sequestrador. Não colaboro com o estuprador. Não sirvo ao amo.

A chantagem da internet é essa: a vítima, para não ser censor, teria de trabalhar para o seu algoz.

Não contem comigo.

O evento interrompido da deputada Manuela mostrou, em tempo real, a cara horrenda da extrema-direita.

Curiosamente com discursos contra o politicamente correto e em nome da liberdade de expressão.


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Dono de telhadão de vidro, PSDB esconde todos seus governadores em propaganda partidária na TV




Não foi só Beto Richa. PSDB escondeu todos os seus governadores

Sem projeto para o Brasil nem vitrines nos estados em que é governo, aos tucanos restou em seu programa na TV maquiar Aécio e FHC como 'mortos-vivos' para encarnar o antipetismo

A propaganda partidária nacional do PSDB de dez minutos na TV, levada ao ar na noite de terça-feira (19), continua rendendo assunto na mídia partidária, que a todo momento procura o senador Aécio Neves (PSDB) para o disse-me-disse. O programa só exibiu duas “lideranças”: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – que já pendurou as chuteiras em disputas eleitorais – e Aécio, que luta para manter um protagonismo político raivoso, destilando ódio. Talvez o partido tenha ficado com vergonha de mostrar os seus cinco governadores. Nenhum deles foi sequer mencionado.

É do jogo que partido na oposição ataque quem está no governo, e o PSDB atacou o governo Dilma – e de fato “sangram'” Dilma, na expressão do senador Aloysio Nunes, para desidratar o nome mais robusto na disputa de 2018 pelo Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas os partidos, se querem ser confiáveis, precisam apresentar também propostas sobre o que fariam se fossem governo. E isso o PSDB não fez. Os tucanos governam cinco estados, inclusive o mais populoso e de maior PIB. Geralmente as administrações estaduais, quando exitosas, são vitrines para o partido se cacifar como alternativa para o Planalto. Mas FHC mirou sua metralhadora em Lula, evidenciando ser este o maior oponente para o PSDB em 2018.

Que vitrine o governador Beto Richa tem para mostrar no Paraná? Propinas, corrupção, quebradeira nas finanças e massacre de professores.

Por um lado, Richa diz que o estado está quebrado a ponto de jogar despesas que eram da competência do tesouro estadual para o fundo de previdência dos funcionalismo pagar a conta, além de arrochar os salários dos funcionários. E quem reclama ou protesta de forma organizada e pacífica, como fizeram os professores, é massacrado pela violência, em uma ação que despertou o repúdio de toda a sociedade e derrubou o secretário de Segurança, Fernando Francischini.

Por outro lado, descobre-se que havia um esquema de corrupção na Receita Estadual para fiscais acobertarem sonegação em troca de propina que supostamente alimentava o caixa da campanha eleitoral do próprio Richa. O auditor do fisco paranaense Luiz Antônio de Souza afirmou em delação premiada que ele e seus colegas arrecadaram até R$ 2 milhões via caixa 2 para a reeleição do tucano no ano passado. Souza mostrou como prova notas fiscais de compra de mobiliário para um comitê de campanha de Richa, pago por ele com dinheiro supostamente de propina, sem contabilizar na prestação de contas da campanha.

A Promotoria de Justiça e Patrimônio Público de Curitiba investiga uma denúncia contra a própria mulher do governador, Fernanda Richa, que teria exigido R$ 2 milhões de auditores fiscais para que o tucano os promovesse. “O valor teria sido arrecadado mediante contribuições espontâneas de integrantes da Receita Estadual e estaria destinado à campanha de reeleição de Carlos Alberto Richa”, diz o texto da denúncia. A primeira-dama afirmou em nota que esses fatos são “inverídicos e caluniosos” e que “jamais interferiu em atos administrativos de competência do governador”.

É preciso aguardar o resultado das investigações – desde que não sejam engavetadas, como costuma ocorrer com malfeitos tucanos –, mas vamos desenhar: se os sonegadores pagassem os impostos em vez de subornar fiscais a situação econômica do estado estaria bem melhor e não precisaria meter a mão no fundo de previdência nem nos salários dos professores e demais funcionários. Se confirmado o caixa dois da sonegação, significa que os cofres públicos eram desfalcados enquanto a campanha tucana ficava mais rica.
Sem educação

Outra vitrine difícil de mostrar é a do governador tucano de São Paulo. Do ponto de vista do marketing político, melhor esconder do que mostrar a falta d’água, o abandono da educação, a falta de ímpeto para investigar os escândalos das propinas nos trens, o próprio desdobramento da Operação Lava Jato, que encontrou em uma planilha apreendida do doleiro Alberto Youssef indícios de corrupção em obras do monotrilho do Metrô paulista, em obras da Sabesp e do Rodoanel.

Geraldo Alckmin impõe um racionamento no abastecimento de água de fato, apesar de se recusar a oficializá-lo. Também aumenta a tarifa para equilibrar a perda de receita da companhia de águas Sabesp com o racionamento, e isso depois de distribuir polpudos lucros a acionistas na Bolsa de Nova York, em vez de investir na segurança hídrica.

O governador paulista também lida mal com a greve dos professores. Não chegou ao ponto de promover o massacre ocorrido no Paraná, mas não dialoga, não negocia, e busca asfixiar os professores recorrendo ao Poder Judiciário para cortar o ponto. As reivindicações dos professores não se limitam a salários. São contra o fechamento de 2.700 salas de aula, redistribuindo os alunos para superlotar outras salas. É o choque de gestão tucano cuja proposta para educação é entupir as salas de aula com até 50 alunos, prejudicando bastante o aprendizado.

Há também a eterna crise na segurança pública, abafada no noticiário da imprensa oligopolista simpática aos tucanos, mas com os problemas se agravando ao serem varridos para baixo do tapete.

Como se não bastasse, os tucanos paulistas na Assembleia Legislativa chegaram ao deboche de escolher o deputado estadual Coronel Telhada para representar o partido na Comissão de Direitos Humanos. A pessoa errada no lugar errado. O que antigos membros do antigo PSDB comprometidos com a causa, como José Gregori, dizem disso?

O governador de Goiás, Marconi Perillo, vive atualmente um período menos turbulento do que Richa e Alckmin, mas se foi reeleito em Goiás, sua imagem nacional continua associada ao escândalo do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que indicava nomes no alto escalão estadual. Coim o programa do PSDB já parecido com o desempenho de um ator “canastrão”, ao colocar um FHC posando de indignado com a corrupção que ele nunca combateu, imagine se colocar Perillo junto.

Outro governador tucano que não deu as caras foi Simão Jatene, do Pará. No programa em que Aécio Neves falava em reduzir ministérios sem explicar quais (das Mulheres? da Igualdade Racial? do Desenvolvimento Social? do Desenvolvimento Agrário?), não pegaria bem Jatene aparecer após criar no Pará a Secretaria Extraordinária de Integração de Políticas Sociais e nomear para titular da pasta a própria filha, com salário de R$ 21 mil. Também não favorece Jatene a ação movida pelo Ministério Público Eleitoral de cassação de seu mandato por abuso de poder político.

O quinto governador tucano escondido na TV, Reinaldo Azambuja, do Mato Grosso do Sul, foi acusado pelo senador paraguaio Arnoldo Wiens de ter vínculos com o empresário Vilmar Acosta, suspeito de ter mandado assassinar o jornalista paraguaio Pablo Medina, correspondente do jornal ABC Color, e a assistente dele, Antonia Almada. Os nomes de todos os envolvidos foram delatados pelo motorista de Vilmar Acosta, Arnaldo Cabrera.
O que restou

Como nenhum governador tinha uma agenda positiva para mostrar na TV, sumiu-se com eles. Restou FHC e Aécio, não para expor projetos, mas se limitando ao papel de antipetistas.

O primeiro praticamente lançou a candidatura do ex-presidente Lula à presidência em 2018, ao se escalar para falar mal dele. O problema é que FHC vestiu um figurino que não lhe cai bem, de “indignado” com a corrupção, pois atitudes e condutas de seu governo favoreceram a impunidade de políticos corruptos que sobrevivem até hoje. Não convenceu.

FHC só convencerá quando fizer uma espécie de delação premiada ao público contando o que se passou nos bastidores da compra de votos de deputados para aprovar a emenda da reeleição; os bastidores da privataria tucana e quais os métodos de persuasão foram usados para conseguir vender a Vale a preço de banana; a privatização camarada da rede estadual de bancos em vez de incorporá-los à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil; e a privatização do sistema Telebrás com prejuízo para a União, pois foi vendida por menos do que se investiu para privatizá-la – entregando os ovos de ouro da então iminente era digital às teles privadas estrangeiras .

Pensando bem, FHC precisaria de uma verdadeira comissão da verdade sobre corrupção em seu governo para esclarecer as centenas de escândalos de corrupção que marcaram seus mandatos.

Já Aécio se escalou para atacar a presidenta Dilma Rousseff, com quem disputou a última eleição e perdeu. Mas se reparar bem nas entrelinhas, Aécio também usou seus minutos para se defender. Ele foi delatado pelo doleiro Alberto Youssef por supostamente rachar propinas com o ex-deputado José Janene vindas de Furnas e existe uma robusta representação apresentada por deputados mineiros ao Procurador Geral da República pedindo para investigar o senador o tucano, já que as declarações de Youssef coincidem com a chamada Lista de Furnas, outro escândalo de corrupção envolvendo tucanos nunca investigado. Daí Aécio dizer defensivamente que “quer tudo apurado”, em tom de bravata.

O programa foi fraco também em mensagem política. A abertura colocou “paneleiros” se associando à grupos que defendem a volta da ditadura ou o golpe do impeachment.

O PSDB não se manifestou sobre nenhuma reforma, nem sobre a reforma política. Nem sobre qualquer outro grande tema nacional. Não defendeu os trabalhadores e o emprego. Nada falou sobre a ameaça da terceirização ilimitada. Foi um programa de paneleiros. O deputado Carlos Sampaio denunciou a mudança nas regras do seguro-desemprego, mas silenciou sobre os índices de brasileiros sem trabalho nos anos FHC.

Como se não bastasse, nem a estética do programa ajudou. A fotografia escolheu cores escuras e soturnas. FHC e Aécio, com tons pálidos e sombras escuras, pareciam maquiados para estrelar um episódio da série The Walking Dead (os mortos-vivos). Tudo a ver com um ex-presidente que encerrou seus dois mandatos rejeitado pela população e um senador que perdeu as eleições em seu próprio estado.


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#TREMSALÃO: "Corrupção no metrô de SP deve ter sido ‘roubo sem causa’", diz jornalista



De Elio Gaspari, no Globo:

(…)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que “nunca se roubou tanto em nome de uma causa”. O tucanato paulista, contudo, ainda carrega nas costas o escândalo do cartel de equipamentos ferroviários.

Em 2008 a Siemens reconheceu que participava de um contubérnio para fornecimentos ao metrô de São Paulo e demitiu o presidente da sua filial brasileira “por grave contravenção das diretrizes da empresa”. Isso era resultado de uma faxina interna da Siemens e nada tinha a ver com política.

Quando ela resolveu colaborar com as autoridades, o governador Geraldo Alckmin anunciou que pretendia processá-la: “As outras empresas não confessaram, mas a Siemens já confessou”. Sendo “ré confessa” devia devolver “centavo por centavo”. Sobrou para quem estava ajudando a Viúva. Passados sete anos, José Dirceu pegou uma cadeia, o “amigo Paulinho” está de tornozeleira, mas ninguém foi em cana pelo velho caso paulista.

Até hoje não apareceu prova de que dinheiro arrecadado pela quadrilha tenha ido para a caixa do PSDB. Seria um roubo sem causa.

(…)


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"No tolerancia, venimos a aniquilar"
Edificante frase motivacional grafitada por soldados israelenses em paredes de imóveis tomados como bases, durante a última guerra de Israel contra o Hamas, em janeiro, em Gaza, quando o Estado israelense cometeu inúmeros crimes de guerra. Saiu no El País.

"Você acha que os Estados Unidos foram um Estado fascista até 1945, quando tínhamos a mesma regra?"
Noam Chomsky
, em entrevista à Isto É, sobre as possibilidades de Hugo Chavez se reeleger infinitas vezes, o que alguns chamam de "caminho asfaltado para uma ditadura".


“Graças a Deus que nós conseguimos comprar aquele delegado babaca, que não sai do nosso pé.”
Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, traíndo o Segundo Mandamento

"Quero me pronunciar em termos práticos como cidadão, distintamente daqueles que se chamam antigovernistas: o que desejo imediatamente é um governo melhor, e não o fim do governo. Se cada homem expressar o tipo de governo capaz de ganhar o seu respeito, estaremos mais próximos de conseguir formá-lo."
Henry David Thoreau, A Desobediência Civil

"The torture never stops."
Frank Zappa, músico

"Além da nobre arte de fazer coisas, existe a nobre arte de deixar coisas sem fazer. A sabedoria da vida consiste na eliminação do que não é essencial."
Lin Yutang, filósofo chinês (1895-1976 )


" Nunca deve valer como argumento a autoridade de qualquer homem, por excelente e ilustre que seja...
É sumamente injusto submeter o próprio sentimento a uma reverência submetida a outros; é digno de mercenários ou escravos e contrário à dignidade humana sujeitar-se e submeter-se; é uma estupidez crer por costume inveterado; é coisa irracional conformar-se com uma opinião devido ao número dos que a têm...

É necessário procurar sempre, com compensação, uma razão verdadeira e necessária... e ouvir a voz da natureza"
Giordano Bruno


" (...) E depois, quando um astrônomo lhe disser que o que você viu não existe, lembre-lhe que cem anos atrás (1874) isso era o que os astrônomos diziam sobre meteoritos. (...)"
Ralph Blum e Judy Blum, em "Toda a verdade sobre os discos voadores" , Edibolso , 1974

Na rádio Agulha pop/rock você escuta:

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