sábado, 9 de dezembro de 2017

Barbárie. Por Paulo Nogueira Batista Jr.




​O Estado de direito, as garantias individuais, o amplo direito à defesa, a proteção contra o abuso de autoridade, a presunção de inocência – tudo isso é como o ar que se respira, a água que se bebe. Só nos damos conta da sua importância vital quando nos são retirados.
​O Brasil parece caminhar a passos largos para um estado de exceção, em que prevalecerá o arbítrio, a truculência, o desrespeito aos direitos humanos. A barbárie avança a olhos vistos. Nos últimos dias, tivemos um ataque à Universidade Federal de Minas Gerais – episódio que parece fazer parte de uma ofensiva contra as universidades públicas.
Mais uma vez, assistimos ao abuso da prisão coercitiva do reitor e de professores da universidade, uma humilhação desnecessária e ilegal. Mais uma vez, integrantes do poder judiciário e da polícia federal se aliaram à mídia para fazer operação espalhafatosa e arbitrária de combate à corrupção. Soldados armados até os dentes, como se estivessem enfrentando perigosos inimigos, invadiram uma universidade para expor professores à execração pública.
​Ainda pior foi o que aconteceu há pouco tempo em Florianópolis, na Universidade Federal de Santa Catarina. Prenderam o reitor Luiz Carlos Cancellier, sob a acusação de que ele estava obstruindo investigações. A mídia se encarregou de jogar o seu nome na lama, como corrupto e responsável por desvio de imensas somas. Na prisão, foi submetido a humilhações. Depois de solto, foi proibido de entrar na Universidade.
​O trabalho na Universidade era sua vida. Poucos dias depois, o reitor Cancellier atirou-se do alto de um shopping em Florianópolis. No bolso, trazia o bilhete: “A minha morte foi decretada quando me baniram da Universidade!!!”. Poucas coisas são mais importantes no Brasil hoje do que apurar o ocorrido na Federal de Santa Catariana e punir os responsáveis pelo abuso de poder.
​O caso do reitor Cancellier me tocou particularmente, leitor. É que há algumas semelhanças com o que eu mesmo vivenciei. Também sofri recentemente um processo administrativo irregular e arbitrário que levou a meu afastamento da vice-presidência no banco dos BRICS em Xangai. Dou nome aos bois. A iniciativa foi de alguns integrantes do governo brasileiro, nomeadamente do presidente do Banco Central, Ilan Goldfayn, acolitado por Marcello Estevão, um assessor irresponsável e bisonho do Ministro da Fazenda. Acusaram-me, sem base, de quebrar o código de conduta, em alguns artigos publicados nesta coluna. Acusaram-me, também sem qualquer base, de ter assediado moralmente um funcionário brasileiro, um certo Sergio Suchodolski, cuja demissão havia recomendado por desempenho pífio no período probatório.
Depois, acusaram-me, sem provas, de obstruir investigações. Negaram-me o direito de defesa. Fui condenado em uma reunião de diretoria, que ocorreu pelas minhas costas, quando estava em viagem de trabalho. Meus funcionários foram instruídos a não fazer qualquer contato comigo. Fui proibido de entrar no banco, e minha sala foi lacrada.
​Mas, enfim, poderia ter sido pior. Estou vivo, com saúde, próximo à família, aos amigos e aos correligionários. E disposto a fazer minha parte, por pequena que possa ser, na luta contra a maré ascendente da barbárie.

Paulo Nogueira Batista Jr. foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países.
Email: paulonbjr@hotmail.com
Twitter: @paulonbjr

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A Reforma da Previdência é realmente necessária? - Artigo de Jasson de Oliveira Andrade





O governo procura assustar o País: Ou a Reforma da Previdência ou o Caos. Essa colocação é verdadeira? Penso que não.

O Estadão noticiou: “Planalto “gasta” R$ 43 bi por Previdência, mas tem dificuldade em convencer aliados”. Em outra manchete o mesmo jornal revelou: “Parlamentares pedem R$ 3 bi para aprovar reforma da Previdência”. Em outra notícia, sob o título de “BENESSES”, o Estadão diz que o governo perde R$ 22,8 bi em renúncia (sic) fiscal, com parcelamentos de dívidas para micro e pequenas empresas e com o FUNRURAL (para agradar a bancada ruralista, numerosa no Congresso). Por falar em renúncia fiscal, Fania Rodrigues, em reportagem à Caros Amigos, faz essa espantosa revelação: “Tratada como crime de menor intensidade pelo código penal brasileiro, as dívidas dos grandes sonegadores totalizam R$ 906 bilhões”. Leonardo Sakamoto, em seu Blog, comenta: “Há muitos ricos que afirmam, na maior cara de pau, que a sonegação é sua forma de protestar contra a alta carga tributária do país”.

Deve-se ainda ressaltar que Temer exigiu dos partidos aliados que fechem a questão, ou seja, que os deputados votem “na marra” ou perdem o mandato. Mesmo assim, há resistência. O Estadão (9/12) noticiou: “Vice-líderes do governo se dizem contra o projeto”. Na matéria consta: “Deputados que exercem função de liderança em partidos governistas na Câmara fazem duras (sic) críticas no texto em debate da reforma da Previdência e dizem que não estão dispostos a dar nova cota de sacrifício pelo governo Michel Temer. (...) Lúcio Mosquini, vice-líder do PMDB, -- que diz não ser o primeiro da fila para expulsão do PMDB caso mantenha o voto contra a reforma – considera que já deu sua “cota de sacrifício” pelo partido ao ajudar a livrar Temer de duas denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas agora não pode “pagar sozinho”. “Não é hora de sacrificar meu mandato mais uma vez”, declarou.”

Com tanto dinheiro que o governo gasta para comprar votos para aprovar o projeto de Reforma da Previdência e também por não combater a sonegação daria para pagar o déficit da Previdência e ainda sobraria muito dinheiro! Então é uma mentira dizer que a Reforma é necessária!

ADVOGADOS: OS NOVOS RICOS DA LAVA-JATO – A Lava-Jato é péssima para uns e ótima para outros. Neste último caso se encontram alguns advogados. A revista VEJA, de 29/11, fez uma reportagem de capa, sob o título: “Os Novos Ricos da Lava-Jato – A história dos advogados que estão ganhando fortunas para defender empresários e políticos acusados de corrupção”. Na matéria, assinada por Ullises Campbell, faz essa revelação: “Aos 34 anos, Ticiano Figueiredo é um dos novos ricos. Em sua carteira de clientes figuram nomes como o ex-deputado Eduardo Cunha e os empresários Joesley e Wesley Batista”. O jornalista faz uma revelação espantosa: “ORDEM DOS ADVOGADOS MILIONÁRIOS DO BRASIL - Quanto custa ser defendido na Lava-Jato pelos profissionais mais estrelados: A REALEZA – Honorários de até 10 MILHÕES DE REAIS; A ELITE: Até 8 MILHÕES DE REAIS; OS EMERGENTES – Até 5 MILHÕES DE REAIS.” Outra revelação espantosa do jornalista: “Bretas é uma das mais jovens estrelas da geração Lava-Jato. Aos 35 anos (sic), trocou a sala de 40 metros quadrados no centro de Curitiba por um andar inteiro no mesmo prédio. “Desfruto de um padrão de vida que jamais sonhei ter”, admite. (...) Formado na Faculdade de Direito de Curitiba e filho único de um criminalista, ele hoje acompanha cerca de cinquenta processos da Lava-Jato relacionados a quinze clientes. Estima-se que já tenha embolsado em razão da operação algo na linha de 20 milhões de reais (sic)”. Sem comentário!

MARCO MACIEL - O jornalista Thiago Faria comenta no Estadão a biografia “Marco Maciel: um artífice do entendimento”, escrita por Angelo Castelo Branco. Segundo o comentarista, Maciel era tratado como “vice dos sonhos” pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Já a ex-presidente Dilma não pode dizer a mesma coisa de seu vice: Michel Temer. Este a traiu e tramou sua queda com o ex-deputado Cunha, hoje preso. Se fosse escrever a biografia do atual presidente, Angelo Castelo Branco daria o título: “Michel Temer: um artífice da Conspiração”. No comentário, essa triste notícia: “Hoje, aos 77 anos, diagnosticado com Alzheimer, não consegue pronunciar nem sequer uma palavra”. Triste fim de um político que foi, por oito anos, vice dos sonhos de FHC!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A voz muda das ruas



No período de 2013 a 2015 eu sabia de praticamente todos os aumentos de preços relevantes que ocorriam, fossem do tomate, do chuchu, do quiabo ou dos carros importados. E, claro, dos reajustes esporádicos dos combustíveis.
Nas escolas, nas ruas, nos campos e construções, o que eu mais escutava eram reclamações.
Chora Menino, Freguesia do Ó, Carandiru, Mandaqui, aqui
Vila Sônia, Vila Ema, Vila Alpina, Vila Carrão, Morumbi
Pari, o que se reclamava das coisas não tava no gibi.
A voz rouca das ruas não dava uma trégua.
Hoje em dia está bem melhor.
Você pode sair de casa tranquilamente, pegar uma fila, esperar seu busão, dar aquele rolê despreocupado.
Ninguém vai alugar teus ouvidos.
Você pode até fazer uma experiência.
Vá até uma banca de jornais perto de sua casa, de preferência daquelas que expõem as capas dos jornais.
Naquela época que citei, esses locais era o que havia de mais próximo de uma ágora de reclamações. 
Locais cuja densidade reclamográfica era dos mais altos do país.
Hoje em dia alguém pode até comentar: "Xi, vai aumentar a gasolina de novo..."
Mas não terá aquele tom de revolta, de inconformismo, nem de contrariedade aos quais estávamos acostumados.
Aos poucos, tudo foi sendo apaziguado. A calmaria voltou a dar o tom do convívio social. 
Você pode tomar sua cervejinha na padaria, a TV ligada no Datena ou no Jornal Nacional, e ninguém estará fazendo discurso sobre os preços na feira.

Eu era jornaleiro e escutava lamuria e revolta o tempo todo. Eu sou jornaleiro e não escuto mais lamuria nem revolta. Conclusão: pra mim tá bom.

Oh, não é isto a felicidade?

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Quem bater em Lula em 2018 vai quebrar a cara. Por Alex Solnik

O Datafolha não mostra, mas está implícito nos seus resultados que a estratégia de Doria não funcionou.

Ele se apresentou como o anti-Lula. Partiu pra cima do líder das pesquisas. Não perdeu oportunidade de atacá-lo, até mesmo quando não havia relação alguma, como no episódio em que plantou uma árvore.

Achou que daria o maior ibope e seria aclamado pelos brasileiros por associar o “pau-brasil” com a “cara de pau” de Lula.

Foi caindo, caindo, caindo, até sair da disputa.

E a pontuação de Lula só fez subir.

Falar mal do Lula não está mais pegando tão bem assim. Todo mundo está vendo a diferença entre os verdadeiros corruptos, que amealharam centenas de milhões de dólares e depois de delatar a torto e a direito estão presos em suas mansões cinematográficas e Lula, acusado de receber um apartamento de 200 metros quadrados e a reforma de um sítio em Atibaia, apesar de ter sido presidente da República por oito anos e ser apontado como “chefe de quadrilha”.

Um “capo di tutti capi” que mora num apartamento de classe média em São Bernardo do Campo, um pouco melhor que o sitiozinho do ex-presidente uruguaio apontado como exemplo de ética na política em todo o mundo.

Por mais que algumas autoridades do Poder Judiciário levem a sério esse enredo, e o façam tramitar, a população, em peso – não só os petistas – percebe aos poucos que não aparece conta secreta no exterior, nem mansão, nem iate, nem Lamborghini em nome de Lula.

Se ele está rico, onde está a sua fortuna? Em que buraco negro ele a esconde? E por que não usufrui?

A pesquisa Datafolha manda um recado para os candidatos: quem bater em Lula em 2018 vai quebrar a cara.

ALEX SOLNIK, no Facebook
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sábado, 2 de dezembro de 2017

A fuga planejada de Sérgio Moro



MORO ESTÁ FUGINDO

A Operação Lava Jato, dentro de um contexto social e político honesto, teria sido um presente para o Brasil. Acho que ninguém discorda de que, um dia, seria necessário acabar com a cultura da corrupção que sempre ligou empreiteiros e políticos brasileiros.

O fato é que, em pouco tempo, foi fácil perceber que as decisões e ações demandadas pelo juiz Sérgio Fernando Moro estavam eivadas de seletividade. Tinham como objetivo tirar o PT do poder, desmoralizar o discurso da esquerda e privilegiar aqueles que, no rastro da devastação moral levada a cabo pelo magistrado, promoveram a deposição da presidenta Dilma Rousseff.

Hoje, graças à Lava Jato, a economia nacional está devastada, o Estado de Direito, ameaçado, e o poder tomado por uma quadrilha que fez do Palácio do Planalto uma pocilga digna de uma republiqueta de bananas de anedota.

Agora, quando os grupos golpistas ligados ao PSDB e PMDB começam a ser atingidos pela mesma lama que a Lava Jato pensou em represar apenas para o PT, o juiz Moro pensa em tirar um ano sabático, nos Estados Unidos.

Isso, obviamente, não pode ser uma coisa séria.

Um juiz de primeira instância destrói a economia e o sistema político de um país, deixa em ruínas 13 anos de avanços sociais, estimula o fascismo, divide a nação e, simplesmente, avisa que vai tirar férias de um ano?

Não se enganem: o que está havendo é uma fuga planejada.

E precisamos saber o porquê, antes que ela seja consumada.


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Desabafo de Mara Gabrilli (PSDB-SP): “Aécio me fez de boba” - Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) é cadeirante (paraplégica). Ela concedeu uma entrevista à jornalista Marcela Mattos (revista VEJA, 29/11) e desabafou: ”Estou Envergonhada”. A revista revela: “Aos 50 anos, Mara Gabrilli cumpre seu segundo mandato de deputada federal. Eleita com 155.000 votos, ela diz viver sua maior desilusão com o PSDB, partido ao qual pertence desde 2003, sobretudo depois que vieram à tona as denúncias contra o tucano Aécio Neves. “Talvez eu tenha sido ingênua em relação ao Aécio”, admite”.

A VEJA perguntou: “A senhora sempre foi crítica à corrupção no PT. O que acha dos últimos episódios envolvendo o PSDB?” Mara respondeu: “Fiquei bem desiludida desde que veio à tona a história do Aécio Neves. Logo na sequência, encontrei um cadeirante na entrada da Câmara, começamos a conversar e, a certa altura, ele me perguntou qual era meu partido. Foi a primeira vez que não senti orgulho de dizer que era o PSDB. Talvez tenha sido ingênua, principalmente em relação ao Aécio” VEJA perguntou: “Por que?” . A deputada respondeu: “Em 2015, procurei o senador para fazer uma denúncia. Tinha a ver com pagamento de propina, pacotes de dinheiro. Fiquei duas horas falando sobre o envolvimento de pessoas do PSDB com criminosos. (...) Ele disse que não conhecia ninguém, que infelizmente nem todos no PSDB eram honestos com nós dois (sic). Ele me fez de boba”. Depois a revista perguntou: “A senhora ficou surpresa ao tomar conhecimento do diálogo em que o senador Aécio Neves pede dinheiro ao empresário Joesley Batista?”. Mara: “Fiquei com vergonha. Depois dessa história de 2015, comecei a ficar meio cabreira com ele. Mas há outras coisas que aconteceram em Minas Gerais. Marcos Valério, o operador do mensalão [tucano], em uma das visitas que fiz a ele na cadeia, me contou de pessoas que, em nome do PSDB, ofereceram dinheiro para que ele se calasse e não revelasse a corrupção no partido no acordo de delação que está tentando fazer. Para mim, isso foi o estopim. Eu sempre disse que o PT matava [referindo-se ao caso de Celso Daniel). Agora, no entanto, não duvido de nada de nenhum partido, inclusive do meu”. Este é o desabafo da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). Coisa rara entre os políticos!

MDB ou ARENA? – O PMDB, neste mês de dezembro, em convenção pretende tirar o “P”, transformando-se em MDB. A pergunta que se faz é: MDB ou ARENA? Bernardo Mello Franco, no artigo “O MDB virou Arena”, publicado na FOLHA, responde essa pergunta. O que se vai ler a seguir é a opinião do jornalista.

“A comissão de ética do PMDB expulsou a senadora Kátia Abreu. É uma notícia surpreendente. A esta altura do campeonato, ninguém seria capaz de imaginar uma comissão de ética no PMDB. (...) O partido acusa a ruralista de indisciplina por suas críticas ao governo Temer. Ela diz que foi banida porque não compactuou com as práticas do grupo que está no poder. “Lutei pela democracia no partido, mas os corruptos (sic) venceram”, disse. (...) “A mesma comissão de ética não ousou abrir processo contra membros do partido presos por corrupção (sic) e crimes contra o país”, acrescentou. Não é preciso simpatizar com Kátia para reconhecer que ela tem razão. (...) Há muito tempo, o PMDB se esforça para bater seus próprios recordes em modalidades previstas no Código Penal. No ano passado, a Lava Jato começou a recolher alguns campeões. A operação prendeu caciques como Eduardo Cunha, Geddel Viera Lima, Henrique Eduardo Alves e Sérgio Cabral.” Bernardo termina assim o seu texto: “No mês que vem [dezembro], a sigla fará uma convenção nacional para mudar de embalagem. Vai aposentar o P e voltar a se chamar MDB, como nos tempos em que fazia oposição à ditadura militar. Talvez fosse mais honesto adotar o nome da Arena, que proibia qualquer contestação ao regime”.

O PMDB deve mudar o nome para MDB ou ARENA? Pelo visto, o nome certo deveria ser ARENA!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sábado, 25 de novembro de 2017

Quadrilhão do PMDB rouba o Rio. Artigo de Jasson de Olliveira Andrade


De todos os acusados de corrupção o que está em situação pior é o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, que se encontra preso. Para comemorar um ano da prisão dele, houve uma comemoração. O Estadão noticiou: “Manifestantes fizeram um ato ontem [17/11], no Rio para “comemorar” um ano de prisão do ex-governador Sérgio Cabral, condenado por três vezes na Lava Jato um total de 72 anos (sic) de prisão”. O mesmo jornal noticia: “Penas de até 300 (sic) anos ameaçam Cabral”. Fato inédito no Brasil!

Já o ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foi condenado a mais de 14 anos por corrupção e se encontra preso...

Agora outros políticos cariocas, todos do PMDB, também foram presos por 24 horas: deputado Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio; o líder do governo, deputado Edson Albertassi e o deputado Paulo Melo. Eles são acusados de formação de quadrilha (sic), lavagem de dinheiro e recebimento de propina de empresas de transporte urbano.

Ao comentar essas prisões na Assembleia do Rio, Eliane Cantanhêde, no artigo “O Rio de Janeiro chora”, comenta: “A Lava Jato explodiu esquemas em vários Estados do País, inclusive no DF, mas nada tão AVASSALADOR quanto no Rio, pela abrangência, pelos valores (sic) e pela diversidade de órgãos, partidos, personagens. Onde o MP, PF e a Justiça mexem, há escândalos. Nada escapa. (...) O símbolo disso é o ex-governador Sérgio Cabral, que se arvorava até candidato à Presidência da República, enquanto dilapidava o patrimônio público e vivia como magnata com sua mulher, Adriana Ancelmo. Só faltou um apartamento com R$ 61 milhões em dinheiro vivo. (...) Não escapam nem os secretários de Cabral, nem mesmo Sérgio Côrtes, da Saúde. Da Saúde!!! (...) Os desmandos no Rio, que continua lindo, não se resumem ao Executivo. O presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, foi preso com dois outros deputados estaduais e é a ponta de um iceberg. Dá para imaginar as falcatruas na Alerj? E na família Picciani? São três filhos: Leonardo, ministro de Dilma e de Temer, Rafael, deputado estadual, e Felipe, empresário, que também foi preso. (...) É também do Rio o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, um outro peixe graúdo a cair na rede da Lava Jato na Baía da Guanabara e agora passando um tempo [mais de 14 anos de prisão] em Curitiba. Mas grandes, médios e pequenos empresários brilham nesse cardume”. Cantanhêde termina assim o seu texto: “Só falta o Cristo Redentor chorar.”

Bernardo Mello Franco, no artigo “O Rio capturado pelo crime”, publicado na FOLHA, escreve: “No filme “Tropa de Elite 2”, o personagem Coronel Nascimento sobe à tribuna do Palácio Tiradentes e diz que a maioria dos deputados estaduais do Rio deveria estar na cadeia. A vida imitou a arte e nesta quinta-feira [16/11], quando a Justiça Federal mandou prender toda a cúpula da Assembleia Legislativa. (...) O presidente da Casa. Jorge Picciani, foi o primeiro a se entregar à polícia. Também foram em cana o seu antecessor, Paulo Melo, e o atual líder do governo, Edson Albertassi. Todos pertencem ao PMDB de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, responsáveis pela falência (sic) do Estado. (...) Agora estão no xadrez [já saíram, mas podem voltar] que comandaram a Assembleia nos últimos 22 anos. Isso ajuda a explicar o grau de APODRECIMENTO da política fluminense, carcomida por máfias e milícias. A sensação é de que as instituições do Estado foram todas capturadas pelo crime [Quadrilhão do PMDB]. Não à toa, as investigações que pegaram Cabral e seus comparsas correm apenas na esfera federal. (...) A prisão de Picciani, acusado de receber R$ 83 milhões do cartel dos ônibus, joga luz sobre a corrupção nos transportes. O esquema já operava na década de 80, quando o governador Leonel Brizola ENCAMPOU as empresas do setor. A medida seria revertida por Moreira Franco (sic), que terminou seu mandato condecorando os chefes do jogo do bicho”.

Josias de Souza comenta o antecedente da libertação dos deputados cariocas: “Congelaram-se as investigações contra Michel Temer. Enfiaram-se no freezer também as denúncias contra os ministros palacianos Moreira Franco e Eliseu Padilha”. Sem comentário!

Mauricio Dias, na CartaCapital, também analisa essa situação: “A Operação Cadeia Velha, extensão da Lava Jato desencadeada no Rio de Janeiro, exterminou (sic) a vida política do PMDB fluminense. (...) Desaparecem, assim, Sérgio Cabral, ex-governador, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa, Luiz Fernado Pezão, atual governador, e o ex-prefeito carioca Eduardo Paes, que, provavelmente, lamenta o fim da possibilidade de disputar o governo do estado. (...) Sobra apenas um peemedebista carioca, Moreira Franco, ministro de Temer, sujeito a ser preso quando sair do poder”.

Será que a Operação Cadeia Velha vai acabar com o “Quadrilhão do PMDB” do Rio de Janeiro? Como sempre digo: A CONFERIR!

EM TEMPO: Já estava escrito este artigo, quando o Tribunal Regional Federal do Rio decidiu, por unanimidade (5 a 0), o restabelecimento da prisão do presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB. Os três já se entregaram à Polícia Federal após a decisão do colegiado. A decisão final ficará com o Supremo. Vamos aguardar!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sábado, 18 de novembro de 2017

Tucanos se bicam: “Fora, Aécio”. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Os tucanos se bicam. Motivo: sair ou não sair do governo Temer. Incrível, mas é verdade! O inimigo do tucano é também tucano: Aécio X Tasso Jereissati. Parece mentira. No entanto, é verdade...

A FOLHA (12/11), no Editorial, sob o título “Ruína tucana”, portanto opinião do jornal, comenta esse dilema: “Depois de ensaiar algumas vezes sua ruptura com o governo Michel Temer (PMDB), sem chegar a conclusão nenhuma, o PSDB se encontra agora na situação irônica de ver considerada como oportuna, pelo próprio Planalto, a dispensa dos seus serviços ministeriais. (...) É o que indicam, ao menos, as noticiais de bastidores de Brasília. Segundo reportagem desta FOLHA, o presidente já não se empenha tanto em manter os tucanos na administração federal, em nome da paz em sua coalização. (...) Antes de qualquer decisão presidencial, no entanto, o PSDB tratou de aprofundar sua crise na quinta-feira (9/11), quando o senador Aécio Neves, DA ALA PRÓ-TEMER, destituiu seu colega e oponente Tasso Jereissati (CE) da presidência interina da legenda. (...) Já é espantoso que o político mineiro, FLAGRADO EM CONDUTA INDEFENSÁVEL, não tenha se retirado de cena por iniciativa própria ou de seus correligionários. Que ainda preserve tamanha influência dá ideia de quanto os tucanos podem tolerar desmandos gritantes (...) Alegando ter solicitado nada mais que empréstimos pessoais [recebidos por malas!] e ter proposto nada além da venda de um apartamento a Joesley Batista, da JBS, Aécio Neves prossegue incólume no cargo, no partido e NAS SUAS FRÁGEIS EXPLICAÇÕES.” O jornal termina assim o seu Editorial: “Dividido entre suas figuras luminares e seus nomes turvos, entre mensaleiros e donzelões, o PSDB periga naufragar – e, humilhação suprema, NEM MESMO TEMER FAZ MAIS QUESTÃO DE SUA COMPANHIA.”. Sem comentário!

Bernardo Mello Franco constatou: “Depois de perder quatro eleições presidenciais, os tucanos pareciam ter caminho aberto para voltar ao poder em 2018. Em vez de aproveitar o vento a favor, o partido se enroscou na impopularidade de Temer e NOS ROLOS DE AÉCIO COM A POLÍCIA. Perdeu espaço para Jair Bolsonaro e outros aspirantes ao papel de Anti-Lula”. O ex-deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), fundador do partido, foi contundente em seu comentário: “O PSDB como instrumento de modernização acabou. Estamos no velório e em breve será o sepultamento. Pede-se evitar o envio de flores”.

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB-SP), também comenta a briga do PSDB: “A chance de vitória do PSDB, em 2018, é ser o fator de agregação do centro político. Estamos jogando tudo isso pela janela. Se não percebemos isso, a disputa vai ficar entre Lula e Bolsonaro, E O LULA SERÁ ELEITO TRIUNFALMENTE”.

O Estadão (14/11) publicou com destaque na primeira página: “PSDB deixa Cidades e Temer antecipa reforma ministerial – Bruno Araújo pede demissão e é o primeiro tucano a deixar o governo em meio à grave crise que atinge o partido”. Eliane Cantanhêde comenta no mesmo jornal: “A demissão de Bruno Araújo abre a porta de saída do PSDB do governo, implode o centro e deixa Michel Temer a mercê do Centrão”.

Um fato merece destaque. O Estadão noticiou: “Em convenção paulista [PSDB de São Paulo], tucanos gritam “Fora, Aécio”. Deve-se lembrar que Aécio em 2014 obteve uma votação consagradora em São Paulo. Venceu aqui e perdeu em Minas Gerais, seu Estado. Eliane Cantanhêde, em artigo no Estadão, relembra: “O Brasil inteiro considerava Aécio imbatível em Minas, que governou duas vezes, mas ele perdeu o primeiro e o segundo turno para Dilma Rousseff no Estado e seus candidatos para o governo e depois para a prefeitura de Belo Horizonte. Sua liderança política parece esfarelar. Ou não era tanta quanto se imaginava”. E sua vitória estrondosa no Estado de São Paulo também está sendo contestada com o “Fora, Aécio” dos tucanos paulistas! Será o seu fim político? Na Convenção do PSDB mineiro, ele declarou que será candidato, sim, em 2018: para o Senado (reeleição) ou para o governo do Estado. A CONFERIR!

QUADRILHÃO DO PMDB ROUBA O RIO – O PMDB do Rio de Janeiro formou um “quadrilhão”, que está roubando o Estado. Fazem parte do “quadrilhâo”, o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-deputado Cunha e agora Picciani, presidente da Assembléia Legislativa e mais dois parlamentares, todos do PMDB. Esta história escabrosa ficará para outro artigo.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Propinoduto da Globo pela transmissão da Copa

O empresário argentino Alejandro Buzarco negociava direitos de transmissão. Agora, em Nova York delata no julgamento de José Maria Marin, ex-presidente da CBF.

Buzarco delatou a Globo. Disse: a Globo pagou propina para comprar diretos de transmissão de Copas e campeonatos.

Delatou também a Televisa, gigante mexicana, a Fox, de Rupert Murdoch, a Full Play, argentina, e a espanhola Mediapro. Que negocia direitos no mercado europeu.

Em novembro de 2015, Jamil Chade lançou o livro "Política, Propina e Futebol". Jamil, correspondente do Estadão na Suíça há 18 anos.

Em fevereiro de 2016 relatamos aqui, neste espaço: a página 77 desse livro seguia invisível... (E ainda segue)...

Na página 77 a revelação de procuradores suíços: foi paga propina pelos direitos de transmissão das copas 2002 e 2006.

Naquelas Copas, direitos para o Brasil foram comprados pela Globo.

Agora Buzarco delata: a Globo teria pago propina de US$ 15 milhões pela exclusividade dos direitos para 2026 e 2030.

Licitações e resultados para 2026 e 2030 não tornados público pela Fifa. Porque sequer se escolheu onde serão tais Copas.

A Globo assegura: fez auditoria interna, nunca pagou propina e "não é investigada" no caso...

...O FBI não investiga empresas. Investiga pessoas. Não investiga a FIFA, investiga o Blatter. Não investiga a CBF, e sim Ricardo Teixeira, Del Nero, Marin...

O FBI está investigando ex-funcionários da Globo nesse setor. O principal deles, Marcelo Campos Pinto, ex-diretor que negociava pela Globo.

Todos deixaram a Globo entre 2013 e 2016. Marcelo Campos Pinto, à época da prisão de Marin pelo FBI.

Ao menos quando deixou a emissora, Campos Pinto não teria assinado termo de responsabilidade.

Das emissoras do mundo, Campos era o único que se hospedava, ao mesmo tempo, onde estavam dirigentes da FIFA: o hotel Baur Au Lac, em Zurique.

Marcelo Campos Pinto era conselheiro do Comitê de Mídia da Fifa e negociador dos direitos de transmissão para a Tv Globo.

O Jornal Nacional informou não ter conseguido falar com Marcelo Campos Pinto. E a Globo assegura que propinas não foram pagas.

Ricardo Teixeira e Del Nero seguem exilados no Brasil, intocáveis. Mas... tem o Nuzman...


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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

[ Parte 13 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja


O jornalista Silvio Navarro consumiu todas as páginas do livro “Celso Daniel, política, corrupção e morte no coração do PT” para cristalizar uma mentira conceitual que, de tão repetida antes mesmo de lançar aquela sequência de páginas recheadíssimas de ficção, tornou-se verdade aos olhos, ouvidos e mentes populares. 

Que mentira é essa que vira verdade? A de que o empresário e primeiro-amigo do então prefeito de Santo André fora o mandante do assassinato que abalou o Brasil naquele 20 de janeiro de 2002, domingo, quando foi anunciado que aquele corpo estendido numa estrada de terra batida na periferia da Região Metropolitana de São Paulo era de Celso Daniel. O primeiro-amigo é Sérgio Gomes da Silva. Há exatamente um ano ele morreu num leito de hospital.

Sérgio Gomes da Silva recebeu da força-tarefa do Ministério Público o codinome estigmatizador de “Sérgio Sombra”. Tudo para caracterizar a imagem de um bandido a ser crucificado em todas as praças. Sérgio Gomes era conhecido nos bastidores da Prefeitura de Santo André como Sérgio-Chefe. “Sombra” não constava das relações oficiais de Sérgio Gomes. Integrava o léxico de alguns adversários do petista. Era próximo de Celso Daniel como ninguém.  

Sempre que se falar da atuação de Sérgio Gomes da Silva no caso Celso Daniel é preciso lembrar que tanto a Policia Civil de São Paulo, em três investigações, quanto a Polícia Federal, em uma, jamais o apontaram como mandante do crime, como insistiu literalmente até a morte o Ministério Público Estadual. E insistirá sempre que o crime for objeto de tratamento da mídia. 

Bode expiatório do MP
Sérgio Gomes da Silva foi o bode expiatório de uma operação que logrou inteiro êxito, determinada pelo grupo de estratégia política do governador Geraldo Alckmin logo após a estrondosa repercussão do sequestro seguido de assassinato.

A criminalização de Sérgio Gomes da Silva, que passou as últimas horas daquela sexta-feira com o então prefeito de Santo André, num restaurante da Capital, foi a fórmula encontrada pelos tucanos para jogar a bomba da espetacularização do crime no colo petista. E também, ou principalmente, uma réplica de guerrilha eleitoral de lideranças petistas por conta do estado lamentável do setor de Segurança Pública no Estado. Na guerra político-eleitoral (as eleições para governador do Estado e para a presidência da República seriam disputadas oito meses depois) quem pagou caro foi Sérgio Gomes da Silva.

Não se encontrará jamais no livro de Silvio Navarro um capitulo que, mais que o registro, contextualize o assassinato de Celso Daniel ao ambiente de Segurança Pública em frangalhos que, principalmente a Região Metropolitana de São Paulo, vivia. Era o caos. A morte de Celso Daniel teve repercussão internacional e levou o governador a alterar a política no setor. Substituiu um secretário defensor dos Direitos Humanos desde os tempos de Mário Covas, titular do Palácio dos Bandeirantes, por um secretário de linha-dura. A imprensa favorável à versão de crime de encomenda, municiada pela força-tarefa dos promotores criminais instalados em Santo André, raramente situou o crime ao estado de penúria do ambiente criminal sobretudo na Região Metropolitana de São Paulo.

Ambiente criminal desprezado
O jornalista que produziu um livro pontuado de imprecisões, omissões e tantas outras imperfeições para vender a mensagem de que o crime fora cometido intelectualmente por Sérgio Gomes da Silva, por conta das então supostas propinas na Prefeitura dirigida por Celso Daniel, reservou poucas linhas ao ambiente criminal de São Paulo naquele janeiro de 2002. Leiam: 

No Estado de São Paulo, a segurança pública era justamente o calcanhar de Aquiles do PSDB na época, às voltas com índices de criminalidade alarmantes. Na virada do século, o território paulista vivia uma onda crescente de sequestros. Foram 321 casos em 2002, contra 227 em 2001 e 63 em 2000. Quem morava em São Paulo andava perturbado com o temor de acordar num cativeiro e os meios de comunicação lembravam isso todos os dias. A capa do jornal Folha de S. Paulo da segunda-feira, dia 21, foi praticamente toda dedicada ao crime. “Morte de prefeito sequestrado piora crise na segurança de São Paulo” era a manchete. (...) O PSDB estava muito preocupado com o impacto daquele crime nas urnas. Tanto que o próprio governador paulista, ao lado de seu secretário de Segurança Pública, Marcos Vinício Petrelluzzi, que deixaria o cargo em 22 de janeiro, não descartou a tese petista de que a morte poderia ter razão política; “Não podemos ignorar que é o segundo prefeito importante do partido assassinado – disse Alckmin”. 

Editorial da Folha de S. Paulo 
Silvio Navarro poderia ter rebocado às páginas do livro o Editorial da Folha de S. Paulo daquela edição de 21 de janeiro de 2002. Leiam o que a Folha escreveu sob o título “Segurança no cativeiro”: 

O sequestro e a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, encaixam-se perfeitamente na sequência de atos audaciosos e brutais que o crime organizado vem perpetrando no Estado de São Paulo. Se houve motivação politica no assassinato, hipótese que não pode ser descartada, então algo de inominável gravidade terá sido acrescido à vida pública do país. Na noite de sexta-feira, Celso Daniel foi sequestrado na zona sul da cidade de São Paulo. Na final da manhã de ontem, seu cadáver foi encontrado em Juquitiba (a 78 quilômetros da capital), crivado de balas. Dos sequestradores pouco se sabe. De suas intenções, idem. Ao que consta, nenhum contato foi feito com a família do prefeito do PT. Houve ligações de um grupo obscuro para o telefone celular do senador Eduardo Suplicy. Mas as autoridades as tomaram como uma ação de pessoas que nada teriam a ver com o crime, mais uma ousadia oportunista da bandidagem. 

Mais Editorial da Folha 
Em setembro, outro prefeito petista, Antonio da Costa Santos, de Campinas, foi morto a tiros em circunstâncias até agora não esclarecidas. Essa coincidência impele as autoridades policiais a investigarem também a hipótese de crime político. Como sempre, depois de arrombada a porta, se recorre ao cadeado. Foi preciso que a ousadia do banditismo organizado chegasse ao ponto de sequestrar e assassinar o político que cumpria seu terceiro mandato na direção da maior cidade do ABC Paulista para que o governo do estado se movesse. Geraldo Alckmin marcou para hoje uma reunião em caráter de urgência com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Lá pretende apresentar novas propostas para a segurança pública. Mais policiais nas ruas, recompensa para quem denunciar criminosos e unificação das policias estariam entre elas. É tarde, infelizmente, para preservar a vida de Celso Daniel e a de tantas outras vítimas da violência que se expande sem parar nas grandes cidades brasileiras. Mas é preciso reagir.

Artigo de Vinícius Freire
É claro que o escopo do livro escrito por Silvio Navarro não abria espaço ao contraditório e, principalmente, à realidade dos fatos nos sentido mais amplo da expressão. Na mesma Folha de S. Paulo daquela segunda-feira, 21 de janeiro de 2002, o jornalista Vinicius Torres Freire escreveu sobre o assassinato de Celso Daniel sob o título “Terror e terrorismo em São Paulo”. Leiam: 

 “O que mais pode acontecer” e “Pode ter sido qualquer coisa” são uma pergunta e uma resposta que escapam a toda hora da boca dos brasileiros aterrorizados pela bandidagem descarada, os paulistas em particular. Muita vez ditas em tom de incredulidade rotinizada e vazia, tais palavras no entanto parecem muito adequadas a nós, que nos assemelhamos a pessoas em estado de choque, brutificadas por medo ou violência tão difusos quanto absolutos. É o balbucio dos desorientados, de quem não vê mais razão ou saída para o terror que é ou pode ser vítima, aleatório e desvairado. O terrível assassinato de Celso Daniel pode ser obra de terrorismo político. Que dois prefeitos do PT tenham sido mortos em cinco meses pode ser também obra de coincidências, pois tanta gente é violentada e morte. Qualquer terror parece possível mas, ainda que bestificados, sabemos de onde ele vem. Vem da desmoralização de normas e de instituições, em parte tomadas pelo crime, público ou privado. Da tolerância com facínoras, em especial da tolerância exemplar com facínoras ricos e poderosos. Da fartura de armas de fogo.

Mais artigo de Vinicius Freire 
A política é podre e apodrece na mansuetude com que é tratada pelos governos, vide a leniência tucana com insubordinações e ousadias de policiais paulistas; vida fábulas como o “plano de segurança” de FHC natimorto há dois anos. A bandidagem ri desabrida das cadeias de onde foge, voando ou sob a terra, ou que toma em rebeliões rotineiras e controla com a carceragem cúmplice. A desordem se vê na criação de milícias particulares à matroca – privatizaram a polícia. Difunde-se com narcomáfias, umas já instaladas em governos, parlamentos e Justiças. O horror vicejou enfim na grande desesperança do Brasil de 20 anos de crise, no cinismo que prosperou quando a expectativa de vida decente tornou-se objeto de ridículo, pois gerações cresceram em meio à desigualdade social extrema, expropriadas de valores, dignidade e de futuro, no país mais injusto do mundo. 

Artigo de Fernando Rodrigues 
Ainda naquela edição de 21 de janeiro de 2002, um dia após o enterro do corpo de Celso Daniel, é bom lembrar insistentemente, também na página de artigos da Folha de S. Paulo, o jornalista Fernando Rodrigues escreveu sobre o caso, sob o título “O assassinato e a eleição”. É claro que Silvio Navarro não fez qualquer menção ao artigo. Leiam: 

Uma morte pode alterar o desfecho de uma eleição. Em 1988, a Prefeitura de São Paulo estava nas mãos de Paulo Maluf. As mortes de três operários em Volta Redonda, numa greve da CSN, ajudaram a então petista Luiza Erundina a vencer a disputa na reta final. É evidente que Erundina não foi vitoriosa por causa de Volta Redonda. Mas é inegável a ajuda indireta que o lamentável episódio lhe prestou. A morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, de forma bárbara, terá consequências políticas neste ano eleitoral. Ainda é impossível precisar quais serão os efeitos nas urnas. Só não resta um centímetro de dúvida sobre o uso eleitoral – aliás, legítimo – que o PT fará daqui para a frente do debate sobre segurança pública. É justo o PT priorizar o assunto. Trata-se de uma das principais preocupações da sociedade em grandes centros. Além disso, vários petistas foram vítimas diretas da violência no Estado de São Paulo. Já há dois prefeitos mortos (de Santo André e de Campinas). Outros dois estão vivos, mas foram alvos de atentados (nas cidades de Catanduva e Embu). 

Mais artigo de Fernando Rodrigues 
“Vamos mobilizar a sociedade. A segurança pública tem de virar prioridade” diz o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu. “Vamos convidar a população a usar roupas brancas. Vamos fazer manifestações. Pedir que o comércio feche as portas por um período como forma de protesto”, exemplifica o deputado Aloizio Mercadante, candidato ao Senado pelo PT de São Paulo. E não é só isso. “Está prometido”, disse o deputado José Genoino, candidato petista ao governo de São Paulo, ao responder a um pedido do locutor esportivo Milton Neves, numa entrevista ao vivo para a rádio Jovem Pan, no início da tarde – pouco antes do jogo do Corinthians. A promessa ouvida pelos torcedores: apresentar um projeto de lei para aumentar a pena de prisão contra sequestradores. O PT, aos poucos, encontra seu novo discurso deste século 21. 

Editorial do Estadão 
Para completar, embora a oferta de exemplares de manifestações de jornalistas e especialistas em segurança pública seja imensa quando do assassinato de Celso Daniel, o jornalista Silvio Navarro poderia ter recorrido ao Editorial (espaço nobre de opinião de uma publicação) do concorrente da Folha de S. Paulo, o jornal O Estado de São Paulo, do dia 22 de janeiro, dia seguinte ao enterro do corpo de Celso Daniel. Ali está um retrato bem acabado do estado de penúria da Segurança Pública paulista, situação que, mais tarde, foi confirmada pelas investigações policiais como gênese do sequestro e do assassinato de Celso Daniel. Repasso integralmente aquele Editorial: 

O sequestro e o assassinato do prefeito Celso Daniel provocaram a justa indignação da população e dos políticos, despertando nos últimos a lembrança de que existem parados no Congresso projetos que poderiam, se estivessem aprovados há mais tempo, ter contribuído para interromper a onda de violência que aterroriza as cidades brasileiras e São Paulo, em particular. O crime hediondo que vitimou Celso Daniel está tendo grande repercussão por ter sido ele três vezes prefeito de Santo André, coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e um dos políticos mais populares e queridos do Interior paulista. Muitas outras pessoas tiveram o mesmo destino trágico de Celso Daniel sem que houvesse a comoção popular que marca esse caso. Assaltos, sequestros, homicídios tornaram-se parte do cotidiano dos paulistas e foi preciso que alguém com o perfil do prefeito de Santo André fosse vítima de um crime bárbaro – que assim como o que vitimou o prefeito de Campinas, Antonio da Costa Santos, em setembro, não parece ter tido conotação político-ideológica – para que abalasse a letargia em que as autoridades estaduais pareciam estar diante da ousadia crescente dos criminosos. 

Mais Editorial do Estadão 
Os níveis extravagantes a que chegou o crime em São Paulo – resultado direto da cumulativa incompetência de sucessivos governos – autorizam dizer que as cada vez mais ousadas façanhas do banditismo até superam, em matéria de vítimas e de efeitos profundos sobre o cotidiano de milhões de pessoas, o ataque terrorista sofrido pelos americanos em setembro. Daí não ser exagerado que o presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Geraldo Alckmin falem, agora, em guerra contra o crime. Mais do que declarar a guerra, no entanto, é preciso travá-la com eficiência e pertinácia – até agora não demonstradas pela polícia – para que os bandidos de toda espécie saibam que os tempos da impunidade acabaram e o crime, finalmente, não compensa. 

Mais Editorial do Estadão 
É preciso definir e pôr em prática o quanto antes as medidas capazes de prevenir e reprimir, com a máxima dureza autorizada em lei, a escalada de banditismo. Cita o governador paulista a torto e a direito o número de sequestradores presos ou mortos. Mas o fato é que no ano passado houve 307 sequestros no Estado, perto de cinco vezes mais do que em 2000. Há um limite para a sociedade suportar o cativeiro que lhe impuseram os malfeitores, as grades que a cercam em casa e no trabalho, a necessidade de elaborar estratégias de sobrevivência cada vez mais complicadas e psicologicamente onerosas. Há um limite também para a desmoralização do Estado, para o seu fracasso em cumprir o que é literalmente o seu dever elementar – garantir a vida das pessoas. 

Mais Editorial do Estadão 
Esse limite foi ultrapassado muito antes da tragédia deste domingo. Mas, para não ser apenas uma tragédia a mais, o assassínio de Celso Daniel precisa representar um divisor de águas. Infelizmente, não há razão para apostar nesse resultado. A flacidez, a falta de doutrina, de articulação, de comando, de profissionalismo e de energia no combate ao crime no Estado; o envolvimento de policiais civis e militares com os bandidos; a naturalidade com que a Secretaria de Segurança Pública registra as dezenas de homicídios que ocorrem todo fim de semana na Grande São Paulo; a notícia inacreditável de que, três dias depois do resgate aéreo de dois presos em Guarulhos, a polícia ainda não tinha o retrato falado dos sequestradores do helicóptero utilizado na operação – tudo isso evidencia um descalabro que não mais pode ser tolerado pela população.

Mais Editorial do Estadão 
Quem viu o governador de São Paulo no domingo falando na televisão sobre as medidas que irá adotar imediatamente para conter a criminalidade ficou com a impressão de que ele estava admitindo tacitamente o descalabro a que chegou a segurança pública em São Paulo. A pena de prisão perpétua para os sequestradores, o bloqueio dos bens das vítimas de sequestros e de seus familiares e o controle da venda de telefones celulares pré-pagos são medidas de regulamentação federal. Mas a oferta de recompensa para quem der informações que levem à captura de sequestradores consta de lei aprovada no ano passado e até agora não regulamentada pelo governador. A contratação de seis mil estagiários para ocupar funções burocráticas que estão sendo desempenhadas por policiais militares – que serão liberados para policiar as ruas – não é ideia nova e sua implementação depende apenas de um ato administrativo do governador. Explica-se a perplexidade de Alckmin diante da brutalidade de que foi vítima Celso Daniel. O que não se explica é a demora em adotar medidas tão comezinhas para aumentar a eficiência do combate ao crime.



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Arte degenerada ( conto )



Varios membros de uma comunidade direitista recebem mensagens sobre um evento de "arte pornográfica" que se realizará em determinado local, dia tal, hora tal.
A despeito da escassez de informações, eles já começam a combinar a invasão do lugar para impedir que tal evento ocorra.
Onde já se viu? O país precisa ser descontaminado desse tipo de 'arte'.
Chega a data e eles se reunem em frente a um prédio em um bairro distante do roteiro habitual onde costumam ocorrer esses eventos artísticos.
Uma faixa estendida na fachada do prédio estilo decadente informa: "Exposição suja de arte degenerada. É aqui mesmo".

- É aqui mesmo!
- Será?
- Você não leu a faixa não?
- Cadê?
- Ali, ó. "É aqui mesmo"...
- Ah, então é aqui mesmo.
- Vamo invadr essa porra!
- Tá com a Bíblia aí?
- Tô sim.
- E mais umas coisinhas pra presentear esses comunistas.
- Vem cá, gente.
- O que?
- Tá meio vazio. Não entra ninguém, nem sai ninguém.
- Certo. Maior fracasso de público, mas foda-se.
- Vamo acabá com a festa deles logo.
- VAMO!

Eles entram no lugar. O grupo conta com uns 20 individuos. Camisas da CBF. Bíblias. Cartazes. Porretes, pra qualquer eventualidade.

O prédio é cheio de corredores. Cada corredor tem uma placa informando a direção do evento. Nada de porteiros.

- Entra a direita ali, ó.
- Agora sobe três lances de escada.
- Credo, que lugar.
- Comunista é tudo mendigo, tem que fazer arte em prédio fuleiro mesmo.
- Ei, é ali ó.

Eles entram numa sala ampla e vazia. Um cartaz diz que é ali o lugar.

Não há ninguém.

A luz no ambiente é fraca.

Vazio, não.

Há uma espécie de balcão no centro do lugar.

- Vamo olhar lá.

Eles se aproximam do balcão.

Só encontram um vibrador de 30 cm com uma etiqueta onde se lê:

"Parabéns, otários!"

- Mas que merda é essa?
- Uma brincadeira?
- CADÊ VOCÊS SEUS COMUNISTAS VIADOS?
- Tão com medo?

A luz se apaga.

- O q-quê?
- Apagou tudo!
- Cadê a saída?

CLAC!
CLIC!

Sons de portas e janelas se fechando.

- Vamos sair!
- Mas...
-... mas sair por onde?
- Caralho, o celular não funciona aqui dentro.
- Mamãe, fodeu!

FIM


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sábado, 11 de novembro de 2017

Tucanos vão descer do muro? - Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

Os tucanos estão num dilema: saem ou permanecem no governo Temer, onde têm quatro Ministérios? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo no Estadão, defende o desembarque do partido. Os tucanos agora vão descer do muro? O PSDB está dividido. Uma parte, maioria, quer se afastar de Temer. Outra, minoria, mas que está no governo, OBVIAMENTE, é contra o desembarque, incluindo aí o senador Aécio Neves (PSDB–MG), presidente licenciado do partido. Analistas políticos analisam esse dilema, como veremos a seguir.

João Domingos, no texto “Temer não tem como segurar os tucanos”, analisa: “Dificilmente o presidente Michel Temer conseguirá segurar no cargo os ministros do PSDB. Não só por causa da pressão do “Centrão”, que quer o PSDB fora e tem mantido bom índice de fidelidade a Temer, mas também porque, se não fizer nada, Temer corre o risco de ser atropelado pelo desembarque tucano. (...) A rigor, Temer não precisa mais do PSDB, pois já se livrou das duas denúncias do ex-procurador Rodrigo Janot. Os votos do PSDB foram importantes para mandar as ações para o arquivo, mesmo que o partido não tenha lhe garantido nem a metade deles. Se Temer já não precisa mais do PSDB, o PSDB também não quer mais ser identificado com o governo do PMDB. Como disse FHC em artigo no ESTADO, os tucanos correm o risco de se tornarem coadjuvante na eleição presidencial se permanecerem no governo. (...) Agora que desistiu de aprovar a reforma da Previdência, e passou a tarefa a Rodrigo Maia, Temer sabe que tem condições de sobreviver até o fim do mandato só com a parceria dos partidos que se mantiveram fiéis e estão de olho nos ministérios dos tucanos (sic)”.

Kennedy Alencar, no artigo “Temer quer deixar para o PSDB ônus de eventual traição”, comentou: “Em relação à defesa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de desembarque do PSDB do governo em dezembro, aliados do presidente Michel Temer no Congresso argumentaram que o PSDB deveria romper imediatamente (sic). Esses aliados pressionam o presidente a retaliar, demitindo ministros tucanos. (...) No entanto, não interessa a Temer tomar a iniciativa de ruptura com o PSDB. Afastar ministros seria dar um pretexto para fortalecer a ala contrária ao governo. (...) A tendência do presidente é deixar o ônus da marca da eventual traição aos tucanos (sic), se a maioria do partido decidir tomar esse caminho em dezembro, como prega FHC. Mas uma ala do PSDB avalia que seria pior romper com o presidente a essa altura do campeonato depois de ter feito essa longa caminhada ao lado do peemedebista”.

Josias de Souza, no artigo “FHC não notou, mas PSDB já virou coadjuvante”, escreveu: “O habitat natural do PSDB sempre foi o muro (sic). Com Michel Temer, os tucanos finalmente desceram do muro. Só que de lados diferentes. Metade do partido queria a continuidade das denúncias contra Temer. A outra metade festejou o sepultamento das investigações na Câmara. De repente, Fernando Henrique Cardoso despertou: “É hora de juntar as facções internas e centrar fogo nos adversários externos”, disse ele, num artigo em que defendeu a saída do PSDB do governo Temer. (...) FHC voltou à carga: “Ou o PSDB desembarca do governo na Convenção de dezembro próximo, ou sua confusão com o peemedebismo dominante o tornará coadjuvante na briga sucessória”, escreveu FHC, adiando novamente (sic) o rompimento para o mês que vem. (...) É como se o tucanato imitasse um sujeito brigão que diz que vai quebrar a cara do outro, mas demora tanto tempo para levantar da cadeira que compromete a seriedade da cena. FHC ainda não se deu conta. Mas seu partido já virou coadjuvante de 2018. Para retornar ao centro do palco, precisa recuperar o discurso, o rumo e o senso do ridículo”.

Sabe quando os tucanos vão sair de cima do muro? NUNCA!

EM TEMPO: Já estava escrito este artigo quando se noticiou: Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB, afastou da direção do partido Tasso Jereissati, presidente interino, indicando para o lugar dele Alberto Goldman, ex-governador de São Paulo. Segundo Bernardo Mello Franco, “os aliados de Tasso definem sua degola como um “golpe” [mais um!] articulado com Michel Temer”. Se não é verdade, É BEM PROVÁVEL...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sábado, 4 de novembro de 2017

Vampeta e a delação de Funaro. Por Jasson de Oliveira Andrade

Em delação, Funaro revelou que comprou um flat (apartamento) de Vampeta. O destino do apartamento era para o ex-deputado Eduardo Cunha que o presenteou à enteada. O negócio do Vampeta (venda do Flat) não é ilegal. No entanto, teve enorme repercussão.

Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, sob o título “Vampeta vai para o céu”, comentou: “Em 2002, Vampeta entrou para a crônica política numa visita da seleção pentacampeã a Brasília. Após ser condecorado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, o jogador desceu a rampa do Planalto às cambalhotas. Tempos depois, ele ofereceria uma explicação para o excesso de irreverência. “Lógico que eu estava bêbado. A gente bebe sem ganhar nada, imagina sendo campeão do mundo. Eu estava pra lá de Bagdá mesmo”, contou. (...) Nesta terça feira [31/10], o ex-jogador reapareceu no noticiário da capital. Ele foi citado pelo delator Lucio Funaro em mais uma negociata atribuída a Eduardo Cunha.. O doleiro disse ter comprado um flat [apartamento] de Vampeta para ceder à enteada do peemedebista. A repórter Camila Mattoso entrevistou o ex-volante, que não foi acusado de nenhum ato ilegal (sic). Malandro, ele ainda fez piada com o episódio. (....) “Queria ser amigo desses caras, pra eles colocarem R$ 51 milhões na minha conta”, disse, citando a quantia encontrada no bunker do ex-ministro Geddel Vieira Lima, “Se fosse comigo, diria que era bicho pelas tantas vitórias em cima do Palmeiras e do São Paulo”, acrescentou. (...) Além de entregar as roubalheiras do PMDB (sic), Funaro tem criado situações inusitadas nos depoimentos da Lava Jato. Na manhã em que citou Vampeta, ele xingou o empresário Joesley Batista por não pagar uma propina que teria prometido. “Ele deu um tombo em mim, no Geddel e no Eduardo Cunha”, disse indignado. “Se ele fosse me pagar o que me roubou, porque ele é ladrão, seriam R$ 81 milhões”, protestou. (...) Apesar do apelido inspirado no tinhoso, Vampeta é um santo (sic) diante de Funaro e seus amigos do PMDB. Merece ir para o céu sem escalas – e com direito a cambalhotas”. Sem comentário...

Outro fato que também teve enorme repercussão foi o pedido da ministra Luislinda Valois (Direitos Humanos) para receber acúmulo de salário de R$ 61.4 mil. Ela argumenta que, por causa do teto constitucional, só fica com R$ 33,7 mil (sic), situação que “SE ASSEMELHA A TRABALHO ESCRAVO” (destaque meu). Em vista da má repercussão, a ministra desistiu de pedir esse salário!

O Estadão, em Editorial, ironizou a declaração da ministra. O título do Editorial revela a ironia do jornal: “A escrava que não é Isaura”. No texto, o Estadão afirma: “Se Luislinda Valois sente-se insatisfeita, deve pedir demissão do cargo de ministra”. O jornal critica: “O pedido apresentado por Luislinda Valois é manifestação de absoluta incompatibilidade com o cargo que ocupa. O respeito aos direitos humanos tem como requisito primário o cumprimento da lei. Quem busca um privilégio que afronta a Constituição – receber do Estado R$ 61,4 mil mensais – não preenche as condições para ocupar a chefia do Ministério dos Direitos Humanos. (...) Certamente, cabe-lhe o direito de postular suas pretensões salariais e de dizer o que pensa. O que não cabe é fazer tais pedidos e interpretações e continuar ocupando o Ministério dos Direitos Humanos. Se o pesado cargo lhe é demais, alforrie-se. Ela é livre para isso. O que ela chama de “miudezas” está longe de ser miudezas – são acintosos privilégios num país de desprivilegiados (sic)”. É incrível ela estar insatisfeita com o rendimento de R$ 33,7 mil mensais. Além desse bom salário, Luislinda, como ministra, ainda tem: carro com motorista, jatinhos da FAB à disposição, cartão corporativo e imóvel funcional, segundo informou o Estadão!

A ministra desistiu do pedido de aumento (R$ 61,4 mil mensais). Será que vai pedir demissão do cargo, como sugeriu o Estadão? Duvido... Temer a demitirá? Também duvido! A COLUNA DO ESTADÃO informou: “O Planalto empurrou para o PSDB a decisão de manter ou não Luislinda Valois no cargo”. A jornalista Juliana Sofia, em artigo na FOLHA, revelou: “O desatino da ministra Luislinda Valois (Direitos Humanos) pode se tornar o empurrãozinho que faltava ao governo Michel Temer para engatar já uma reforma ministerial”. Será? Não acredito. A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Temer ganhou, mas perdeu. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

A FOLHA (26/10), em manchete de primeira página, noticiou: “Temer escapa, mas perde apoio”. O Estadão (26/10), também em manchete de primeira página: “Câmara barra 2ª denúncia contra Temer, mas apoio da base diminui”. Já o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou: “Com toda a imoralidade (sic) para obter votos, o Planalto ainda sofreu para formar maioria. Temer teve alta. Mas respira por aparelhos”. Trocando em miúdo: o presidente ganhou, mas perdeu! Os comentaristas políticos têm a mesma opinião, como veremos a seguir.

Vera Magalhães, no Estadão, analisa: “O clima na Câmara e no Palácio do Planalto ontem [25/10] não era de comemoração, nem mesmo de alívio. A vitória na votação da segunda denúncia contra Michel Temer foi na ponta do lápis, e a intercorrência médica pela qual passou o presidente mostra um homem fragilizado, além do político. (...) Minas Gerais, Estado de Aécio Neves e do relator Bonifácio de Andrada, deu uma votação massiva a favor do presidente. Foi o único Estado em que prevaleceu, ainda, a influência clara do presidente licenciado do PSDB, que na semana passada recebeu a ajuda do Planalto para se manter no exercício do mandato, a despeito da decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF)”. Temer salvou Aécio. Agora o senador tucano salvou o presidente!

O governo tem um problema mais preocupante, segundo Vera Magalhães: “Não bastasse ter de se ajoelhar até o fim do mandato no altar da negociação com Maia e o Congresso, Temer não poderá dormir tranquilo enquanto aliados da vida toda estiverem presos e tentados a fazer delação premiada. (...) Será necessário monitorar o pulso de Geddel Vieira Lima, Rodrigo Rocha Loures, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves até a reta final do mandato. (...) Vem aí uma convalescença política prolongada para Temer”. A conferir...

Bernardo Mello Franco, no artigo “Ao vencedor, as batatas”, comentou: “Michel Temer é um vencedor. Em junho, ele se tornou o primeiro presidente do Brasil a ser alvo de uma denúncia criminal no exercício do cargo. Foi acusado de pedir propina, obstruir a Justiça e chefiar uma quadrilha (sic), mas não perderá o cargo nem a liberdade. O caso dormirá numa gaveta até 2019. (...) Nos últimos quatro meses, o peemedebista ofereceu de tudo para manter os deputados no cabresto (sic). Seus articuladores leiloaram cargos e emendas na bacia das almas. (...) A operação de compra e venda deu resultado. Nesta quarta [25/10], a Câmara encenou o último ato da blindagem presidencial. A denúncia foi barrada por 251 votos a 233. (...) Temer se sagrou vencedor, mas terá que engolir batatas murchas e amassadas. Sua base de apoio ENCOLHEU (destaque meu), sua impopularidade bateu recorde e seu governo ficou ainda mais fraco e desmoralizado. MESMO ASSIM, ELE TEM O QUE FESTEJAR. É MELHOR CONTINUAR NO PALÁCIO DO QUE ANTECIPAR O ENCONTRO COM OS TRIBUNAIS (destaque meu)”.

PSDB – Na reportagem “Governo Temer sofre perda de votos generalizada e é derrotado no PSDB”, a FOLHA revela: “Se na primeira denúncia o PSDB rachou, mas se inclinou levemente a favor de Temer (22 votos a 21), desta vez o jogo virou: foram 23 votos contra o peemedebista e 20 a favor. (...) Ficaram ao lado de Temer o grupo de Aécio Neves (PSDB-MG), que teve o mandato restabelecido pelo Senado com decisiva ajuda do Palácio do Planalto”.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) divulgou uma Nota, condenando a compra de votos, no valor de C$ 32 bilhões, segundo o Estadão: “A barganha na liberação de emendas parlamentares pelo governo é uma afronta aos brasileiros. (...) O divórcio entre o mundo político e a sociedade brasileira é grave”.

Paulo Henrique Amorim, no seu Blog “Conversa Afiada”, assim anunciou o resultado da Sessão na Câmara: “Safados 251 X 233 povo brasileiro”.

Pelo que vimos, é inquestionável que Temer ganhou, mas perdeu. Agora teremos um Zumbi até janeiro de 2019!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

As cartas de Temer. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

Josias de Souza diz que “Temer é um defunto com caneta e Diário Oficial”. Com esses ingredientes, o presidente sabe que será inocentado na Câmara nesta semana. Mesmo assim está temeroso. Tanto assim que escreveu uma carta aos parlamentares. A segunda. A primeira foi para a ex-presidenta Dilma.

Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, comenta essa carta aos deputados: “Na era da comunicação instantânea, Michel Temer se mantém fiel à cartas. Há quase dois anos, ele escreveu uma para informar que não queria ser um “vice decorativo”. Agora enviou outra para avisar que deseja continuar presidente. (...) Na primeira correspondência, Temer enumerou suas mágoas com Dilma Rousseff. “É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo”, disse. Na segunda, ele repete a ladainha para os congressistas. “É um desabafo. É uma explicação para aqueles que me conhecem”, afirma. (...) Na missiva original, o peemedebista negou ser o chefe de uma “suposta conspiração”. “Não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade”, escreveu. Agora ele muda de papel e se diz vítima de conspiradores. “Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar”, lamuria-se. (...) As citações em latim sumiram, mas o tom de lamentação continua. “Sei que a senhora não tem confiança em mim”, queixou-se o vice de 2015. “O que me deixa indignado é ser vítima de gente tão inescrupulosa”, chia o presidente de 2017. (...) Na nova carta, Temer faz um uso seletivo do que dizem os presos da Lava Jato. Quando eles o incriminam, repetem “mentiras, falsidades e inverdades”. Quando ajudam a sustentar a sua defesa, merecem ser levados ao pé da letra. (...) O presidente desqualifica o depoimento de Lúcio Funaro, a quem chama de “delinquente conhecido”. Ao mesmo tempo, recorre ao testemunho de Eduardo Cunha, que dispensa adjetivos. Os dois estão na cadeia pelos mesmos motivos, mas só o doleiro decidiu delatar os comparsas. (...) Em outra passagem, Temer se diz vítima de “torpezas e vilezas”. Nesta segunda, ele voltou a praticá-las para barganhar (sic) na Câmara. O “Diário Oficial” publicou um portaria que dificulta a fiscalização do trabalho escravo (sic). A medida atende ao lobby da bancada ruralista, que promete votar em peso para enterrar a denúncia contra o presidente.” Com essa medida desumana, Temer vai se salvar. No entanto, sua salvação vai custar caro para o Brasil. Segundo o Estadão (25/10), “O custo para barrar as investigações contra o presidente já chega a R$ 32 bilhões (sic), entre concessões e medidas negociadas”. Como costuma dizer Boris Casoy: É UMA VERGONHA!

Eliane Cantanhêde, no Estadão, também comenta essa carta: “Para falar direto com sua base, sem mediação do presidente da Câmara [Rodrigo Maia], Temer enviou carta para deputados reagindo às “torpezas e vilezas”, inclusive a delação de Funaro, que Maia potencializou pela internet. Para o Planalto, Maia fez propaganda a favor de Funaro e contra Temer. (...) Então, temos Temer versus Maia, PMDB versus DEM, STF contra Legislativo, agora STF contra Executivo e as delações correndo soltas: Lúcio Funaro contra PMDB, Pedro Corrêa contra PMDB, Geddel Vieira Lima é considerado 100% pronto para delatar... o PMDB”.

Vera Rosa, também no Estadão, escreveu: “O presidente Michel Temer já usou outras vezes a palavra “conspiração” para se referir ao que chama de armadilha montada para incriminá-lo, mas decidiu subir o tom após a divulgação de vídeo nos quais o delator Lúcio Funaro o acusa de participar de um poderoso esquema de corrupção. Embora a carta enviada ontem [16/10] por Temer a parlamentares não cite nem o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nem o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, a dupla é vista com muita desconfiança no Palácio do Planalto”. Sobre a palavra “golpe”, a jornalista constatou: “Assim, pouco mais de um ano após ser acusado de ter conspirado para derrubar a então presidente Dilma Rousseff (sic), que sofreu impeachment, Temer agora recorre à expressão que tanto abominou para se defender. Nesse cenário, a tese do “golpe” (sic) – antes usada por Dilma – virou escudo para Temer”. Sem comentário!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Segundo Funaro, Impeachment de Dilma foi comprado


O Impeachment de Dilma é polêmico. Para mim, houve uma trama entre Temer e Cunha, então presidente da Câmara dos deputados. Ele, segundo se propalava, conseguiu convencer vários parlamentares a votarem na iniciativa. Depois Cunha foi afastado da Presidência e posteriormente cassado. Hoje se encontra preso, condenado a mais de 15 anos de prisão. Sem a sua ajuda não haveria o Impeachment. Por este motivo, denomino a queda da ex-presidente como um Golpe Parlamentar. Com a delação de Funaro, ficou-se sabendo que Cunha COMPROU o Impeachment!

A FOLHA (15/10), na reportagem “Cunha pediu R$ 1 mi para impeachment, segundo Funaro”, noticiou: “O operador Lúcio Funaro afirmou em depoimento à PGR (Procuradoria-Geral da República) que repassou R$ 1 milhão para o ex-deputado Eduardo Cunha “comprar” (sic) votos a favor do impeachment de Dilma Rousseff. (...) Funaro disse que recebeu uma mensagem de Cunha, então presidente da Câmara, dias antes da votação no plenário em 17 de abril de 2016. (...) “Ele me pergunta se eu tinha disponibilidade de dinheiro, que ele pudesse ter algum recurso disponível PARA COMPRAR ALGUM VOTO ALI FAVORÁVEL AO IMPEACHMENT (destaque meu). E eu falei que ele podia contar com até R$ 1 milhão e que eu liquidaria isso para ele em duas semanas no máximo”, disse. (...) A FOLHA teve acesso ao depoimento prestado por Funaro à PGR em agosto deste ano. Seu acordo de delação foi homologado pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal). No depoimento, um procurador questiona: “Ele (Cunha) falou expressamente comprar votos?”. Funaro respondeu: “COMPRAR VOTOS” (destaque meu). O delator disse que o R$ 1 milhão acabou sendo repassado (sic). “Consolidou esse valor?”, perguntou a PGR. “Consolidei o valor”, disse o operador, preso na Papuda. (...) “Depois de uma semana de aprovado o impeachment, comecei a enviar o dinheiro para ele [Cunha] ir pagando os compromissos”, disse Funaro. O delator deu um exemplo de deputado “comprado” (sic) o nome de Anibal Gomes (PMDB-CE), que acabou faltando à sessão de votação do impeachment. (...) Em nota, Cunha repudiou as declarações do operador financeiro”. Aí fica a palavra de Funaro contra a de Cunha, desmentindo. No Painel do Leitor (FOLHA, 16-10), Eduardo Guiliani (São Paulo, SP), comentou: “Cunha sempre mentiu, consistentemente, desde o caso do dinheiro na Suiça, sendo assim, tudo o que Funaro disse deve ser verdade. A negação de Cunha, por inferência, é a maior prova da certeza”. Tudo indica que realmente Cunha recebeu dinheiro de Funaro para comprar deputados a favor do impeachment. No Estadão, na matéria “Pontos-Chave da Delação”, revela: “Papel de Cunha – Segundo Funaro, o ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) funcionava como “banco de corrupção de políticos” (sic) e redistribuía o dinheiro recebido do esquema. “Todo mundo que precisava de recursos pedia para ele e ele cedia os recursos em troca ele mandava no mandato do cara. Era assim que funcionava”. Se alguém ainda tinha dúvidas à respeito, essa confissão do operador esclarece definitivamente o assunto: O IMPEACHMENT FOI COMPRADO...

Não é a primeira vez que os deputados são comprados. Fernando Henrique também comprou, como mostrou o jornalista Palmério Dória, no livro “O Príncipe da Privataria – a história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e Fernando Henrique Cardoso ganhou (sic) sua reeleição”, publicado em 2013. Na Apresentação, o jornalista revela: “Da aprovação da reeleição, fala uma figura essencial na denúncia da trama urdida no Palácio do Planalto. É o Senhor X que, após quase duas décadas, mostra o rosto [revela o nome] e rompe o silêncio para contar, em detalhes, como comprovou a compra – R$ 200 mil por voto – de deputados para a aprovação da emenda da reeleição”. Em 2/6/2016, o Estadão revelou: “Em sua delação premiada, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), disse que líderes governistas “compraram votos” de “mais de 50 deputados’ para aprovar a emenda constitucional que instituiu a reeleição no País, em 1997. O ex-deputado também afirmou que o caso foi investigado na época, mas o governo [FHC] “teve força política suficiente para abafar tudo”. (...) O ex-deputado afirmou aos investigadores que o episódio envolvendo o governo do tucano “foi um dos momentos mais espúrios” que ele presenciou. Segundo o delator, houve uma disputa de propinas”. Esta delação de Pedro Corrêa confirma o livro de Palmério Dória!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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