quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Mino Carta: "Está claro que de FHC e de Aécio não é admissível suspeitar: são intocáveis."



Muito além das fronteiras do ridículo

Na tentativa de incriminar Lula, os perdigueiros da informação mordem seu próprio rabo, mas poucos se riem

Na semana passada, sugeri aos perdigueiros da informação que passassem a procurar o jatinho, o Rolls-Royce, a fazenda, o iate que Lula não possui. E não é que acharam o barco de dona Marisa? De lata, custa 4 mil reais. Quanto à fazenda, fazendeiro mesmo é Fernando Henrique Cardoso e de jatinho há de voar Aécio Neves, ao certo sei que dispõe de campo de pouso.

Está claro que de FHC e de Aécio não é admissível suspeitar: postam-se na proa da fragata tucana e, portanto, são intocáveis. Seu partido tornou-se de fato o mais perfeito intérprete dos ideais da direita mais reacionária do País. O Partido da Social-Democracia Brasileira, e já aí nos defrontamos com uma piada. Nunca houve quem ousasse perguntar-se como um professor universitário seja proprietário de um apartamento paulistano muito maior do que o triplex praiano que dona Marisa não comprou, e de uma fazenda de boa extensão, fruto de uma obscura história a envolver um certo Jovelino Mineiro, de turva memória. O único filho de FHC (o outro dele não era) andou metido em aventuras estranhas e eu não esqueço as excelentes relações que o ex-presidente mantinha com Daniel Dantas, o banqueiro do Opportunity, deliberadamente favorecido pelo então presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, por ocasião da bandalheira da privatização das comunicações.

Tive a oportunidade de ouvir a gravação dos grampos das conversas telefônicas entre Mendonça de Barros, André Lara Resende e Persio Arida e parte mais significativa CartaCapital publicou em 25/8/1998, ecoada obviamente pelo estrondoso silêncio da mídia nativa. Ouvi claras referências à manipulação dos resultados da privatização a favor “dos italianos” e, portanto, de Dantas, admitida a possibilidade de recorrer, caso necessário, à “bomba atômica”, ou seja, o presidente FHC. Certa vez, de volta de Cayman, onde cuida dos seus negócios e de muitos outros graúdos, o banqueiro foi diretamente a Brasília para uma visita ao Alvorada. Perguntei-me se estaria em missão de agradecimento.

A vocação aérea de Aécio Neves é certa e sabida, costumava usar o avião da governança mineira para viagens sem agenda oficial, e o emprestava com generosidade aos amigos e nem tanto para suas deslocações Brasil afora. Até um vilão recente, Delcídio do Amaral, gozou da regalia. Do ex-governador falou-se muito e mal, em incursões inclusive por sua vida privada, e eis que, de improviso, ao se tornar candidato tucano contra Dilma Rousseff, a mídia nativa o assume como varão de Plutarco.

Os argumentos brandidos agora na tentativa de incriminar Lula, repetidos à exaustão produzem jornalões idênticos de um dia para o outro, e também revistas e programas de rádio e tevê. Ao ler a Folha de S.Paulo de sexta-feira você pode ser levado a crer que de verdade se trate de O Globo de domingo ou do Estado de S. Paulo da quinta seguinte. Não se distingue colunista, ou um comentarista, de outro. Por exemplo, Dora Kramer de Eliane Cantanhêde. De todo modo, na terça 2 de fevereiro, na Folha Mario Sergio Conti aponta em Ernesto Geisel um herói da probidade. Dado a esquecimentos, o colunista graciosamente olvida a vivenda nababesca que Geisel construiu na encosta da Serra do Mar e de como permitiu que o então mandachuva da Petrobras, Shigeaki Ueki, cobrasse pedágio sobre cada barril produzido ou importado. Sem contar que, ao encerrar o seu “mandato”, levou para casa os presentes recebidos de visitantes ilustres na qualidade de ditador. Consta ter apreciado sobretudo vasos chineses da dinastia Ming.

Mesmo para quem se acostumou à leitura da imprensa, ou acompanha programas políticos na tevê e no rádio, haveria de sofrer autênticas crises de desalentado enfado diante da repetição dos tais argumentos, de resto até o momento tão pouco consistentes. Os jornais contam até as vezes em que a família de Lula esteve no celebérrimo sítio de Atibaia como se os passeios apontassem para os verdadeiros donos do imóvel. Fica provado apenas que a polícia segue os passos da família Lula da Silva e se prontifica a vazar informações aos repórteres que certamente não se dispõem a certas tarefas.

Ampla conspirata em andamento como se vê, conluio de policiais com os perdigueiros midiáticos, diante do olhar atônito de Rolando Lero, perdão, do ministro da Justiça. Envolvidos, ainda, promotores certos da autoridade que a Constituição lhes concede, qual fossem instituições à parte, além das três previstas pelo regime democrático. No caso, o doutor Ulysses Guimarães, pai da Carta de 1988, cometeu um equívoco. Houve, entre seus assessores, quem recomendasse não conceder ao Ministério Público tamanho poder, mas o “Senhor Diretas Já”, movido a idealismo, não quis ouvir.

Os enredos protagonizados pelo triplex praiano e pelo sítio interiorano foram completamente desenrolados. No caso do sítio, um dos donos é filho de um dos fundadores do PT, Jacó Bittar, velho companheiro de lutas sindicais do ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema. Jacó comandava o sindicato dos petroleiros de Paulínia, e os filhos dos dois sindicalistas cresceram juntos. Seria imaginável que um Bittar funcionasse como laranja de Lula? Mesmo assim, os perdigueiros farejam o pecado e contam com um promotor paulista, Cassio Conserino, para dar ouvidos à sua algazarra e indiciar o casal Lula da Silva para depor no próximo dia 17. Admita-se a hipótese de que Conserino aspirasse a ter seu retrato nas páginas dos jornalões.

A razão da caçada é transparente, nasce do ódio de classe dos senhores da casa-grande e visa cortar pela raiz a eventualidade de uma candidatura de Lula em 2018. Ocorre que os perdigueiros se perdem pelo caminho à procura do que não existe, vítimas de sua própria insistência ao longo da pista que a nada leva. Surpresa? O jornalismo à brasileira é o mister, com raríssimas exceções, de uma horda de lacaios dos barões midiáticos. Estes se odeiam entre si, mas se unem à frente do risco comum, para formar o verdadeiro partido de oposição a qualquer ameaça à fórmula medieval, casa-grande e senzala. Nem por isso sobra espaço para espanto quando os perdigueiros estão a morder seu próprio rabo.

Quantos, além do promotor Conserino, não percebem o ridículo? Em primeiro lugar, os proprietários de apartamentos mensuráveis em milhares de metros quadrados de construção, dotados de terraços gourmet e de sete a oito garagens, em edifícios definidos como torres. Foi-se o tempo em que veraneavam em Guarujá. Por lá havia até um cassino em roleta, dedicado, porém, a jogos de baralho, e à mesa de pôquer o rebento de uma graúda família paulistana certa vez perdeu um carro Studebaker, verde e recém-importado. Décadas e décadas atrás, quando a Praia das Astúrias servia apenas para os passeios dos moradores de Pitangueiras, esta sim, habilitada a receber na orla a aristocracia, enquanto o time aspirante se espalhava por trás, em prédios ou sobrados sem vista para o mar. Guarujá é hoje uma amostra terrificante da degradação brasileira, com suas praias cercadas de favelas e bandos de assaltantes estavelmente instalados no túnel que dá acesso às praias da Enseada, Pernambuco e Perequê no rumo de Bertioga.

É um faroeste do terceiro milênio, bem diferente de Coral Gables, onde inúmeros privilegiados brasileiros têm apartamentos, quando não os têm em Nova York, com vista para o Central Park, e em Paris na Avenue Foch. Das Astúrias cabe dizer ter-se tornado há muitos anos a meta preferida dos farofeiros. Permito-me achar que dona Marisa agiu bem ao renunciar a tão falado triplex, que, aliás, com seus duzentos e poucos metros de construção, não há de ser a morada do rei. Basta, no entanto, pensar nele e, evidentemente, na possibilidade de que a família Lula da Silva dele usufruísse, para enraivecer os senhores até o paroxismo, bem como toda uma dita classe média que aspira a morar, algum dia, ao menos na mansarda da casa-grande.

Não vivessem uma poderosa degradação mental, fruto da incultura e da parvoíce dignas de uma república bananeira, perceberiam que essa história transpôs as fronteiras do ridículo, e o fracasso dos perdigueiros se retorceria contra quem os soltou. Receio que ninguém escape ao final infeliz de uma tragicomédia, mesmo quantos não merecem este destino, vítimas do carnaval encenado pela minoria branca, como diria Cláudio Lembo.


NOTAS DESTE BLOG:

1 - Essa daqui é da época em que começaram a falar da Gamecorp. Assim registrou o jornalista Sérgio Lírio, de Carta Capital, na edição de 20 de julho de 2005:
"Espanta apenas a ânsia com que parte da mídia decidiu, com ímpeto nunca antes notados, esmiuçar a vida de um presidente.
Não se viu o mesmo entusiasmo, por exemplo, quando se tratava de Paulo Henrique, o filho de FHC. Sem profissão definida, Paulo Henrique costumava intermediar o encontro de representantes da iniciativa privada com integrantes do governo de seu pai.
O último emprego fixo conhecido de PH foi a edição de uma revista sobre a exportação nos estertores da era FHC. Quando o pai presidia o Brasil, a publicação de Paulo Henrique prosperou, recheada de anúncios de grandes empresas. Em 2003 já não existia mais."

2 - Tem essa aqui também, é mais ou menos de 2000, 2001, por aí:




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Apocalipse Carrocrata sofre revés: Mortes no trânsito caem 21% em São Paulo, afirma CET



Na comparação entre janeiro a novembro de 2014 com o mesmo período do ano passado, 246 vidas foram salvas no trânsito da cidade

De acordo com um estudo feito pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), divulgado nesta quinta-feira, dia 11, o número de mortes no trânsito teve uma queda de 21,4% na cidade de São Paulo. Na comparação entre janeiro a novembro de 2014 com o mesmo período do ano passado, o levantamento mostra que 246 vidas foram salvas na capital paulista.

Enquanto nos 11 primeiros meses de 2014 foram registrados 1.150 óbitos, no mesmo período de 2015 ocorreram 904 casos. Considerando apenas o mês de novembro dos dois anos, as mortes diminuíram 23,5%, com 75 casos no ano passado, contra 98 em 2014.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, as ações implantadas por meio do Programa de Proteção à Vida (PPV), que busca reduzir acidentes e atropelamentos, colaboram para que a cidade se aproxime da meta da capital para a Década de Segurança Viária da ONU, de 6 mortes a cada 100 mil habitantes até 2020.

Em novembro do ano passado, esse índice foi de 8,36 por 100 mil habilitantes na cidade. Em dezembro de 2014, era de 10,47. No caso do Brasil, o índice é de 23,40; no Estado de São Paulo, é de 17,40 e, na Região Metropolitana (RMSP), de 19,40 mortes por 100 mil habitantes.

Ciclistas

Em relação aos ciclistas, o estudo apontou uma queda de 27,4% no número de mortes, na comparação de janeiro a novembro de 2014 com o mesmo período do ano passado. Nos 11 primeiros meses de 2015 foram registradas 31 mortes e, em 2014, foram 43 casos fatais.

Motociclistas

As mortes de motociclistas em acidentes registraram queda de 19% na comparação entre os 11 primeiros meses de 2014 com o mesmo período do ano passado. A redução foi de 410 casos para 332. No mesmo período de 2013, foram 367 casos, o que significa que a curva vinha de um crescimento de 11,7%.

Pedestres e motoristas

O estudo ainda constatou uma redução de 23,9% no número de mortes de pedestres, que passou de 506 óbitos de janeiro a novembro de 2014 para 385 casos no mesmo período do ano passado. As ocorrências fatais envolvendo motoristas e passageiros também tiveram queda, de 18,3%. Foram 156 mortes em 2015, contra 191 casos em 2014.


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Alckmin torra três milhões de reais da Educação em revistas e jornais do imprensalão amigo



Alckmin usou R$ 3,37 mi da Educação em assinaturas de jornais e revistas 'dos amigos'

Governador tentou fechar escolas no ano passado alegando medidas de economia, mas continua usando verbas públicas para pagar – caro – por assinaturas de jornais e revistas da imprensa que não o ataca

No ano de 2015, a empresa O Estado de São Paulo, que publica o jornal O Estado de S. Paulo, recebeu R$ 1.173.910,43 dos cofres públicos paulistas, mais especificamente vindos da Secretaria da Educação, por meio da Fundação para o Desenvolvimento para a Educação (FDE).

Pelos mesmos caminhos, a empresa Folha da Manhã, dona do jornal Folha de S.Paulo, recebeu R$ 1.163.610,83. A Abril Comunicações, da revista Veja, foi aquinhoada com R$ 557.600,40. Para a Editora Globo, publicadora da revista Época, foram R$ 480.548,30. Os dados são oficiais e podem ser conferidos na imagem ao fim deste post.

Em sua página dentro do portal do governo estadual paulista, a FDE é apresentada como "responsável por viabilizar a execução das políticas educacionais definidas pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, implantando e gerindo programas, projetos e ações destinadas a garantir o bom funcionamento, o crescimento e o aprimoramento da rede pública estadual de ensino".

Ainda segundo a própria FDE, "entre suas principais atribuições estão: construir escolas; reformar, adequar e manter os prédios, salas de aula e outras instalações; oferecer materiais e equipamentos necessários à Educação; gerenciar os sistemas de avaliação de rendimento escolar; e viabilizar meios e estruturas para a capacitação de dirigentes, professores e outros agentes educacionais e administrativos, visando sempre a melhor qualidade do ensino e a aplicação apropriada das políticas educativas definidas pelo Estado".

Vamos ficar nas empresas acima. No Portal da Transparência, dos R$ 3.375.669,96 pagos a Estadão, Folha, Veja e Época, é possível identificar pelo menos R$ 2,5 milhões sob a rubrica "renovação de assinaturas" - sem especificar de qual publicação, nem a quantidade de assinaturas. Um valor irrisório de R$ 279,95 está identificado como "publicidade legal". E há ainda R$ 857 mil sem identificação precisa do motivo do pagamento – só foi incluído ou o número da nota fiscal ou a descrição genérica "serviços prestados", sem nem mesmo especificar a natureza de quais foram estes serviços.

Destes R$ 857 mil por serviços não discriminados – o que vai contra o princípio da transparência – houve uma curiosa divisão "salomônica". Metade para a Folha e metade para o Estadão. Em um mesmo dia, 15 de maio de 2015, foram pagos R$ 215.663,28 para o jornal da família Frias e quase o mesmo valor, R$ 212.968,76, ao dos Mesquita.

Em julho do mesmo ano, no dia 22, o Estadão recebeu outro pagamento no mesmo valor recebido em maio, como uma segunda parcela. No dia 29, a Folha também recebeu R$ 215.714,12 - valor apenas R$ 50,84 acima do recebido em maio – o que também sugere se tratar de uma segunda parcela.

Fossem as duas empresas empreiteiras recebendo de algum órgão federal, certamente choveriam ilações sobre "combinação" de licitação.

O fato de o governo tucano ser, possivelmente, o maior e melhor cliente de cada uma destas empresas, traz por natureza conflito de interesses entre o público e o particular. Os resultados desta relação são facilmente notáveis na linha editorial destes jornais e revistas: reverente e dócil ao grupo político do governador, por mais que pipoquem denúncias de irregularidades e ilícitos, e muito acima do tom nos ataques aos adversários, por mais que se apontem a inconsistência das matérias que publicam.

Foi notável, como mostra de cortesia entre parceiros comerciais de longa data, a presença do governador num almoço, em dezembro passado, na sede da Folha quando, coincidentemente, o jornal retirou de seu site um vídeo-reportagem de alunos da rede estadual que ocupavam as escolas em ato de resistência contra a reorganização do ensino público proposta por Alckmin.

O questionamento sobre o mau uso de verbas deslocadas da educação para assinar jornais e revistas, principalmente não didáticas, pelos governos tucanos paulistas é antigo. Aqui na Rede Brasil Atual, fizemos em 2013 um post sobre a relação de Alckmin com a revista Veja, cujo parágrafo final continua mais atual do que nunca:

"Enfim, a decisão de continuar comprando estas assinaturas é muito boa para os interesses empresariais dos donos da revista, inclusive sustentando a tiragem artificialmente, o que segura o preço dos anúncios. Pode ser boa também para os interesses políticos do governador, mas é péssima para os cofres públicos paulistas e para os estudantes das escolas públicas".

Haverá desdobramentos.


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Máfia da merenda se espalha por órgãos do governo Alckmin, suspeita Ministério Público



Ministério Público acredita que o esquema se ramifica por diversos órgãos do governo do Estado, além das secretarias de Educação, Agricultura e 22 cidades

Não é apenas o presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), Fernando Capez, e o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB), Luiz Roberto dos Santos, os únicos suspeitos de participarem de um esquema de fraudes na compra de produtos agrícolas para a merenda escolar. O Ministério Público acredita que o esquema se ramifique por diversos órgãos do governo do Estado, além das secretarias de Educação, Agricultura e 22 cidades.

Na semana passada, a Polícia Civil deflagrou a Operação Alba Branca, que investiga o superfaturamento de até 30% dos contratos de merenda em escolas paulistas. O dinheiro era pago pela Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) em forma de propina para garantir contratos de fornecimento de alimento às unidades escolares.

A investigação descobriu a falsificação de centenas de títulos de DAPs (Declaração de Aptidão ao Pronaf), um documento de identidade para agricultor ou associação utilizado para conseguir financiamento para o setor agrícola.

Os investigadores garantem que prefeitos, vereadores, funcionários públicos e autoridade do governo do Estado participam do esquema. “Nós estamos fazendo o levantamento de todas as prefeituras que celebraram esses contratos”, garantiu o procurador-geral Márcio Elias Rosa em reportagem do jornal Folha de S.Paulo.


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Eleições 2018: Quem ganha com a destruição política de Lula. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade




Sob o título acima, Renato Rovai, em 31/1/2016, escreveu um texto, analisando a campanha da imprensa escrita e falada, juntamente com a Justiça de São Paulo, contra o ex-presidente Lula. As denúncias são de que ele tem um Triplex, que Lula nega possuir, e que visitou muitas vezes um sítio de um amigo, que se diz ser de sua propriedade, o que também nega. O autor faz uma análise da vida político do ex-presidente, inclusive um fato pouco conhecido do ex-presidente. Ele é considerado uma pessoa ambiciosa. Rovai PROVA que é o contrário: Lula é um caso raro de fidelidade!. É o que vamos ver.

Renato Rovai constata: “O Brasil poderia ter se tornado um país muito mais violento do ponto de vista político se a liderança de Lula não tivesse se consolidado nos setores mais populares e de esquerda. Lula foi quem deu esperanças a esses segmentos de que as coisas poderiam mudar no voto e que o país poderia se tornar mais justo (sic) com a eleição de pessoas comprometidas com um programa de reformas. (...) Lula disputou quatro eleições para ganhar a presidência da República e, ao vencer fazendo acordos, manteve não só muitos deles como fez uma serie de outros. (...) De alguma forma, eles permitiram que realizasse dois governos MUITO BEM AVALIADOS (destaque meu). (...) Mas Lula poderia ter feito como Fernando Henrique e mudado as regras do jogo no meio do seu mandato, aprovando uma emenda que permitisse reeleições indefinidas. (...) Provavelmente ainda hoje seria presidente da República. Mas seu espírito conciliador o levou DE FORMA CORRETA (destaque meu) a não jogar fogo no país comprando uma briga desnecessária. (...) Depois das grandes manifestações de 2014, poderia ter dito a Dilma que [2014] era hora de voltar. E seria ungido não só pelo PT como candidato, como teria amplo apoio na sociedade. Não foram poucos os empresários a ir ao seu Instituto lhe pedirem para aceitar o desafio. (...) Mas Lula não queria problemas com Dilma. E achava que ela tinha o direito de disputar a reeleição (sic). Aos mais íntimos dizia que só havia uma chance de disputar em 2014, se Dilma lhe pedisse. Ou seja, por FIDELIDADE (destaque meu), manteve-se fora da última disputa presidencial”, acrescentando: “Neste período em que atuou como figura pública, ou seja, desde o final dos ano 70 até agora, Lula fez muita coisa errada. Mas em geral errou mais por conciliar do que por botar fogo no país, como alguns sugerem. (...) Errou mais por fidelidade (sic) do que por traição. (...) O fato é que sem Lula e sua liderança o Brasil poderia estar vivendo hoje um momento mais Haiti do que Espanha ou Portugal, por exemplo. A democracia brasileira tem problemas, mas avançou muito neste período democrático. E isso também tem muito a ver com a forma como Lula se comportou. (...) Isso não significa que Lula não deve ser investigado e até ser condenado se praticou crimes. Mas execrá-lo e persegui-lo não é um bom caminho”, concluindo: “Destruir Lula pode até satisfazer a sanha por sangue de alguns, mas pode alimentar o desejo por sangue de outros. (...) Ninguém ganha nada com isso”.

Bresser Pereira, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), INSUSPEITO, opinou: “Não é razoável o que se está fazendo com Lula. Só um clima de intolerância e de ódio pode explicar o cerco que está sendo vítima”.

Vamos aguardar para ver até onde vai essa campanha DELENDA (DESTRUA) Lula!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu.

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Juiza Melissa Pinheiro Costa Lage nega recurso de ex-presidente nacional do PSDB condenado a 20 anos de cana


Justiça nega recurso de Azeredo contra condenação a 20 anos de prisão

Ao analisar os argumentos dos advogados, a juíza entendeu que o magistrado não é obrigado a mencionar todas as provas produzidas, mas somente as necessárias a seu convencimento

Brasília – A Justiça de Minas Gerais negou recurso apresentado pela defesa do ex-senador Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas Gerais, contra condenação a 20 anos e dez meses de prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. A decisão foi proferida no dia 2 de fevereiro pela juíza Melissa Pinheiro Costa Lage, na ação penal que ficou conhecida como mensalão mineiro.

No recurso, a defesa do ex-parlamentar alegou que houve omissões na sentença anunciada em dezembro do ano passado. A suposta omissão é em relação às declarações de testemunhas que inocentavam Azeredo.

Ao analisar os argumentos dos advogados, a juíza entendeu que o magistrado não é obrigado a mencionar todas as provas produzidas, mas somente as necessárias a seu convencimento. Além disso, a ela entendeu que não há obscuridade ou contradição na sentença.

Azeredo foi condenado por crimes cometidos na campanha eleitoral por sua reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998. Ele respondeu pelos crimes de peculato, ou seja, desvio de bens por servidor praticado contra a administração pública, e de lavagem de dinheiro. Ele pode recorrer da sentença em liberdade.


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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Eleições 2018: O delírio do “peguem o Lula” perdeu qualquer restinho de sanidade. Artigo de Fernando Britto






A Folha, no clima de “vale tudo, hoje é Carnaval”, lança hoje mais uma surpresa, destas que nos tempos da minha avó a gente poderia atribuir aos efeitos dos lança-perfume.

“Uma lei assinada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio de 2010 estimulou uma nova linha de negócios de um dos donos do sítio frequentado pelo petista em Atibaia (SP)”

Aí você descobre que a tal lei (o jornal não especifica, mas a gente faz isso aqui: é a Lei 12.244/10), que obrigava, num prazo de dez anos, todas as escolas públicas a terem – vejam que absurdo! – uma bi-bli-o-te-ca!

A lei, formalmente proposta em 2003, pelo deputado tucano Lobbe Neto, teria um “gato” para beneficiar Jonas Leite Suassuna Filho, que tem negócios com um dos filhos de Lula: a inclusão da expressão ” “em qualquer suporte” para a contagem, ao lado de livros e vídeos, do número de títulos por aluno, que deveria o índice “estratosférico” de um por aluno matriculado!

A suposta “novidade” seria para beneficiar Jonas, que publica livros físicos e também em plataformas virtuais. E, aliás, é um dos principais fornecedores da Fundação Roberto Marinho, das Organizações Globo! E não consta que outros editores não estejam entrando ou não possam entrar num tipo de atividade que até o Cego Aderaldo vê que vai crescer.

Bem, isso não vem ao caso.

Voltemos, portanto, ao específico, para ver que o texto da Folha é um amontoado de sandices.

O relator do projeto no Senado, última etapa de sua aprovação, é quem acata ou rejeita emendas e era ninguém menos que Cristóvam Buarque, que até as pedras sabem ser ferrenho opositor de Lula, desde que foi demitido do Ministério da Educação.

E Cristóvam reclamou apenas de duas coisas no projeto: da demora em ser aprovado e do prazo de dez anos para o cumprimento da exigência.

A matéria é um delírio.

Basta uma consulta ao projeto original do deputado tucano para ver que lá já se previa como integrantes das bibliotecas, “coleção de livros, materiais videográficos e documentos congêneres destinados a estudo, consulta ou leitura recreativa”. Livro virtual é documento congênere, pois não? Aliás, se não houvesse a expressão “qualquer suporte”, não valeriam os livros infantis em CD ou DVD, preferidos pela criançada e muito mais adequados para as atividades coletivas de leitura e interpretação, por desobrigar de ter um exemplar para cada aluno.

E as enciclopédias teriam de ser em papel, como as minhas pobres Delta-Larrousse e Barsa, que preservo naquelas altíssimas prateleiras do guarda-roupas, porque me falta estante para a casa e casa para as estantes….

Aliás, bastaria o uso do bom-senso para lembrar que, em 2003, o acesso e o uso da internet não era 10% do que já se fazia em 2010 e muitos de nós ainda ouvíamos aquele barulhinho esquisito da conexão sendo estabelecida por linha discada, recordam? A Folha deve ter esquecido do “detalhe”.

Pior ainda: a possibilidade de negócios editoriais aberta pela lei não foi ampliada pelas modificações do projeto, mas reduzida. É que o projeto original tucano previa quatro títulos por aluno e não apenas um, como ficou no texto final. Pouco, porque na justificação, Lobbe Neto argumenta que a “proporção proposta pela Associação Americana de Bibliotecas (USA), é de dez livros por aluno”.

Por fim, a malícia de dizer que a lei foi “assinada” por Lula. O que deveria fazer o então presidente, vetá-la depois de aprovada pelo Congresso?

O furor acusatório contra Lula chegou às raias da loucura: canoa, pedalinho e, agora, bibliotecas escolares.

O que essa Lava Jato (*) lavou mesmo, parece, foram as cabeças: lavagem cerebral coletiva, em escala nacional.


( * ) NOTA DESTE BLOG: Creio que o autor se confundiu e falou Lava Jato, mas deve ser a Zelotes.

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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Aécio Neves é inocente?, por Juremir Machado da Silva



Meu problema é a lógica: ou acredito em tudo o que os delatores falam ou não acredito em coisa alguma? Como saber quando eles contam a verdade? Minha tendência é crer em tudo. Se dizem que Lula levou bola, acredito. Se falam que Aécio Neves se enfurnou, também acredito. Não deveria? Li na Folha de S. Paulo: “O lobista Fernando Moura disse, em depoimento à Justiça Federal, que Aécio tinha esquema semelhante ao que existiu na Petrobras e controlava as indicações à diretoria da estatal”.

O senador Aécio Neves reagiu violentamente: “Estou sendo alvo de declarações criminosas, feitas por réus confessos e que se limitam a lançar suspeições absurdas, sem qualquer tipo de sustentação que não a afirmação de que ouviu dizer”. Hummm!

Declarações de réus confessos não devem ser levados a sério? Neste caso, Aécio não crê nas declarações feitas por esses mesmos réus confessos quando denunciam seus adversários? Moura foi direto. Afirmou ter ouvido de Dimas Toledo: “Em Furnas era igual”. Mais: ‘Não precisa nem aparecer aqui. Vai ficar um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio”. Até o Jornal Nacional da Rede Globo teve de noticiar isso. Toledo, ex-diretor de Furnas, nega. Sabe-se que Moura mente. Ele acusou José Dirceu de ter-lhe dado a dica de cair fora do país. Depois, voltou atrás. Por fim, admitiu ter mentido e reafirmou a acusação contra o mais famoso larápio petista. Estará Moura mentido para comprometer Aécio Neves e ganhar pontos com o PT?

A hipótese de Aécio Neves passa por aí: “É preciso que se investigue a fundo para que sejam reveladas as verdadeiras motivações das falsas acusações. A tentativa de afundar a todos no mar de lama no qual hoje estão atolados os principais dirigentes do PT é parte de uma estratégia que busca unicamente diminuir aos olhos dos brasileiros a enorme dimensão dos graves crimes cometidos pelo partido e seus aliados”. Pela leitura de Aécio, o delator fala a verdade quando cita o PT e mente quando atira num tucano como ele. Pode-se chamar isso de percepção seletivas das delações premiadas?

Será Aécio Neves um inocente envolvido em articulações ardilosas de petistas para colocar todo mundo no mesmo saco? Não é improvável. O mundo é complexo. O colunista Jânio de Freitas, um dos mais conceituados do Brasil, escreveu nesta semana sobre o que chama de aberração política e moral: “Eduardo Cunha está apoiado pelo PSDB e pelo DEM. Os peessedebistas até examinam sua adesão solidária à ação de Eduardo Cunha no Supremo. A baixeza não tem fundo”. Será que Jânio de Freitas está mentindo para colocar todos no mesmo balaio de gatos e gatunos e defender o PT?

Não sei mais em quem acreditar.

Jânio quer me confundir: “De cada vez que Dilma Rousseff, ao discursar na reabertura do Congresso, defendeu medidas neoliberais e antissociais, o PSDB comandou a vaia. Aécio Neves, em entrevistas de chefe da turma, logo depois verbalizou as vaias. Ou seja, em vez da inteligência de explorar a adesão de Dilma, o PSDB vaia as medidas de que é o representante”. Segundo outro colunista da Folha, Josias de Sousa, falando da máfia da merenda, o PSDB não pratica, mas quer honestidade.

Eu digo: não confiem em mim. Eu não confio em ninguém.


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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Empresa investigada na Lava Jato fez contratos sem licitação em SP



Consist firmou 106 milhões de reais com Nossa Caixa, Prodesp e Cesp; contratos foram feitos entre 1994 e 2012

Em agosto do ano passado, a força-tarefa da Operação Lava Jato saiu às ruas para cumprir a 18.ª fase da investigação. Um novo esquema de desvios começava a ser apurado a partir de contratos firmados entre o Ministério do Planejamento e bancos públicos e privados para liberação de crédito consignado.

Uma empresa de informática, a Consist Software, teria firmado um acordo de cooperação técnica com o governo federal, sem licitação, para ter acesso a dados bancários de dois milhões de servidores públicos federais.

A empresa fechou, além desta parceria com o Planejamento, outros contratos com a administração federal no valor de 63 milhões de reais. O intermediário da “facilitação” da operação teria sido o ex-vereador do PT de Americana, interior de São Paulo, Alexandre Romano. No papel de lobista, segundo as investigações, Romano teria intercedido em favor da Consist em associações de servidores, bancos e no Ministério do Planejamento. 

O vereador deixou rastros. A movimentação bancária das empresas de Romano indicaram repasses de 37 milhões reais da Consist por conta dos contratos obtidos. Simularam-se falsas prestações de serviço para justificar a movimentação. O dinheiro teria como destinatário campanhas políticas e o caixa do Partido dos Trabalhadores, incluindo a senadora Gleisi Hoffmann, supostamente beneficiada com recursos da Consist. 

Contratos desse tipo, firmados sem concorrência pública, passam pelas mãos de quem tem trânsito na administração pública. De acordo com os investigadores de Curitiba, a ausência de licitação permitia aos lobistas traficar influência para cobrar comissões por contratos que deveriam ter sido celebrados em hastas públicas. 

Se a investigação teve como uma das bases esse princípio, seria importante o Ministério Público de São Paulo se debruçar sobre os contratos da Consist com órgãos ligados ao governo do estado nos últimos 22 anos. Criada na década de 70, a Consist cresceu bastante nos anos 90 sob o comando do argentino de origem judaica Natalio Friedman.

Entre janeiro de 1994 e o fim de 2012, a empresa obteve cerca de 110 milhões de reais em contratos diretos com órgãos ligados ao governo do estadual sem nenhuma licitação. A empresa levou serviços na Companhia Energética do Estado de São Paulo, na Companhia de Processamento de Dados de São Paulo e principalmente no extinto banco Nossa Caixa.

A instituição financeira foi uma sociedade de economia mista até 2008, quando o Estado de São Paulo, sócio majoritário do banco, transferiu o controle acionário da instituição para o Banco do Brasil por 5,38 bilhões de reais.

Durante os anos em que a Nossa Caixa esteve sob administração estadual, a Consist acumulou serviços no valor aproximado de 83 milhões de reais. Foram adquiridos pelo estado cessão de direito de uso de software, prestação de serviços de atualização tecnológica, tudo por meio de negociação direta. 

O banco havia se envolvido em outro escândalo em 2005 quando o Ministério Público abriu uma investigação sobre contratos de publicidade irregulares. A instituição teria usado anúncios publicitários em veículos de comunicação alinhados com o governo para destinar recursos da comunicação a assessores da administração tucana donos de agências de publicidade. 

Outro órgão ligado à administração paulista que recebeu por contratos sem licitação com a Consist foi a Prodesp (Leia Outro Lado). Vinculada à Secretaria de Governo, é uma empresa de economia mista, e seus principais acionistas são a Secretaria da Fazenda e o Instituto de Previdência estadual.

Mesmo capacitada para gerar tecnologia, a companhia não se fez de rogada para adquirir serviços de software de uma outra empresa. A Prodesp firmou cerca de 20 milhões de reais em contratos sem concorrência pública com a Consist.

Na Cesp (Leia Outro Lado), os negócios repassados à Consist somaram 2,4 milhões de reais. No total, foram firmados entre a empresa de informática e o governo estadual 20 contratos sem licitação nos últimos anos. Todos os procedimentos passaram pelo Tribunal de Contas de São Paulo, conhecido pela sua complacência com as contas do Executivo, sem que nenhuma irregularidade fosse apontada. 

Há inclusive contratos de serviços sigilosos. De acordo com um funcionário que trabalhou na Consist durante 20 anos, outra investida da empresa nunca totalmente esclarecida foi a implantação do Sistema de Acompanhamento às Ações Parlamentares no ambiente da Serpro, empresa federal de processamento de dados, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

O programa foi implantado no gabinete do ex-presidente com a intenção de mapear os “gostos de cada parlamentar”. As reuniões aconteciam no Palácio do Planalto e a ideia era levantar as preferências e dados de deputados e senadores.

Segundo o funcionário da Consist, havia a suspeita de que o sistema pudesse monitorar a vida de parlamentares e servir como instrumento de controle do Congresso. A empresa informou que não iria se manifestar. Quanto os detalhes da vida da Consist na máquina pública paulista, só o MP paulista poderia se interessar. Ou será que não vem ao caso? 

Outro lado

Cesp

A CESP celebrou com a Consist - Consultoria, Sistema e Representação Ltda, nos anos de 1995 e 2001, contratos por Inexigibilidade - Inviabilidade de competição (Lei 8.666/93, artigo 25, inciso I) - fornecedor exclusivo com base em atestado expedido por representante da Entidade de Classe. Vale destacar que os dois contratos foram julgados regulares pelo Tribunal de Contas do Estado - TCE.

Os contratos citados referem-se à renovação da Licença de uso e garantia de atualização técnica e suporte da linguagem de programação Natural e do Banco de Dados ADABAS, tecnologias utilizadas pela companhia. Os trabalhos prestados foram concluídos e os contratos encerrados 

Prodesp

A Prodesp manteve contratos com a empresa entre 2003 e 2008. As contratações foram feitas por inexigibilidade de licitação (artigo 25 da Lei de Licitações 8.666) porque a Consist era única representante comercial no Brasil da empresa alemã Software AG. Esta empresa oferece software e serviços correlatos (como suporte e manutenção técnica) para o banco de dados e linguagem de banco de dados da Prodesp.

Desde a década de 80 até hoje, a Prodesp utiliza os produtos da Software AG, preservando assim os critérios técnicos e investimentos realizados. Até 2008, a Software AG comercializava seus produtos no Brasil por meio de representantes.

No período questionado por Carta Capital, o representante exclusivo da Software AG no Brasil era a empresa Consist. Portanto, a Consist não foi uma escolha da Prodesp, tanto que o relacionamento comercial com a Consist se encerrou em 2008, quando esta perdeu o status de representante exclusiva da Software AG no Brasil. Todas as contratações relacionadas por CartaCapital, anteriores a 2008, foram analisadas e julgadas regulares pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Desde então, a Prodesp contrata os produtos / serviços em questão diretamente com a própria Software AG, alternativa até então inexistente. Muitas outras empresas e instituições do Governo Federal e de outros Estados utilizam a Software AG. Na prática do bom jornalismo, espera-se a utilização dos mesmos critérios para apuração dos contratos em outras esferas de governo


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Eleições 2018: Clima de intolerância e de ódio explica o cerco a Lula, diz fundador do PSDB Bresser-Pereira



O cerco a Lula

Luiz Carlos Bresser-Pereira, no FACEBOOK

Há meses que eu ouço frases como: “Quando vão chegar no Lula?”, ou então, “Quando vão pegá-lo?”. Porque, afinal, este é o objetivo maior do establishment brasileiro: atingir o maior líder popular do Brasil desde Getúlio Vargas. Não porque ele seja desonesto, mas porque ele se manteve de esquerda, porque se manteve fiel à sua classe de origem não obstante o clássico processo de cooptação de que foi objeto. Pois bem, o establishment chegou ao Lula. Não para incriminá-lo, mas para tentar desmoralizá-lo.

As duas manchetes de primeira página dos dois principais jornais de São Paulo de hoje são significativas. Na Folha leio que “Lula é investigado por suposta venda de MPs”. Não há nada contra o ex-presidente na Operação Zelotes, a não ser a desconfiança de um delegado irresponsável. O que há nessa operação é o envolvimento de grandes empresas e de seus dirigentes em um escândalo de grandes proporções de pagamento de propinas para obterem MPs favoráveis. No Estado, por sua vez, a manchete é “Compra de sítio foi lavrada no escritório de compadre de Lula”. Neste caso – o do uso por Lula e sua família de um sítio no qual construtoras se juntaram para realizar obras sem que houvesse pagamento – o caso é mais objetivo. Lula aceitou um presente que não deveria ter aceito. 

As contribuições de empresas a campanhas eleitorais (que até a decisão do Supremo eram legais) são afinal presentes. Mas é impressionante como empresas dão ou tentam dar presentes mesmo a políticos – presentes dos quais elas não esperam nada determinado em troca; fazem parte de suas relações públicas. Eu sempre me lembro de como tentaram reformar a piscina da casa do Ministro da Fazenda em Brasília quando ocupei esse cargo em 1987. Minha mulher os pôs para correr. Era o que devia ter feito Lula, que havia acabado de sair do governo. Não o fez, e isto foi um erro político. A reforma não aumentava seu patrimônio, apenas lhe proporcionava mais conforto. Ele não trocou o reforma do sítio por favores às duas construtoras. Não há nada sobre isto na investigação sobre o sítio.

O Estado brasileiro está revelando capacidade de se defender – de defender o patrimônio público – ao levar adiante as operações Lava Jato e Zelotes. Dirigentes de empresas, lobistas e políticos envolvidos estão sendo devidamente incriminados e processados. A instituição da delação premiada revelou-se um bom instrumento de moralização. Mas está havendo abusos. Houve e estão havendo abusos na divulgação de delações sem provas, houve abuso em prisões cautelares ou provisórias quando não havia razão para elas. E não é razoável o que se está fazendo com Lula. Só um clima de intolerância e de ódio pode explicar o cerco de que está sendo vítima.

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Ex-Delegado de Policia Federal Armando Coelho Neto fala sobre Lava Jato, Zelotes e a direção nada imparcial que a Polícia Federal tem tomado


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Balança descalibrada: Moro não notou que Aécio, o "Chato da Propina" já foi delatado 4 vezes



LEANDRO FORTES, no FACEBOOK

O LABIRINTO DE MORO

Como bem lembrou meu amigo Vagner Pinho, é a quarta-vez que Aécio Neves é citado em delações da Lava Jato e o senador e presidente do PSDB, simplesmente, sequer é incomodado.

Outro senador, Delcídio Amaral, do PT (claro), está preso desde dezembro. Na mesma situação estão José Dirceu e o tesoureiro João Vaccari, todos encarcerados por conta de delação.

Aécio foi citado como o chato que mais pedia propina e, agora, como destinatário de 1/3 dos subornos em Furnas.

Obviamente, a balança do juiz Sérgio Moro está visivelmente descalibrada.

Não que eu concorde com esse aprisionamento generalizado baseado em depoimento de bandidos colocados sob pressão. Na minha opinião, nenhuma dessas pessoas deveriam ter sido presas com base apenas desses relatos arrancados via delação premiada.

Não sem provas materiais, o que vale para todos, inclusive Aécio.

Mas desde o surgimento das contas bancárias de Eduardo Cunha na Suíça, e do envolvimento comprovada da mulher dele nessa tramoia, tornou-se difícil compreender qual lógica judicial está sendo aplicada por Moro nos muitos campos da Lava Jato.

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Portuguesa 0 X 1 Juventus teve mais público que três times grandes do Rio JUNTOS




Clássico da A2 paulista bate público de três grandes do Rio juntos

Você já imaginou que fosse possível três clubes grandes, com seus públicos somados, tivessem menos pagantes do que um jogo de uma segunda divisão estadual? Pois um clássico da Série A2 do Campeonato Paulista, disputado na quarta-feira entre Portuguesa e Juventus, contou com mais público do que os jogos de Botafogo, Fluminense e Flamengo, juntos, nesta semana.

Pela segunda rodada da Segundona do Paulista, o Moleque Travesso bateu a Lusa por 1 a 0 com 7.076 pagantes. O ingresso mais barato custou R$ 10 e a diretoria da Portuguesa fez uma promoção em que duas garrafas pets valiam uma entrada para o jogo, um duelo tradicional da capital paulista. As partidas desta semana de Bota, Fla e Flu no Carioca somaram 5.736 pagantes. O público total dos três, contando também não pagantes, chegou a apenas 7.519.

O jogo que mais chamou atenção foi entre Fluminense e Bonsucesso, com apenas 537 pagantes em Volta Redonda-RJ: público total de 1.116. A renda foi de R$ 7.160 no Raulino de Oliveira. O Flamengo, com o maior público dos grandes, jogando em Macaé-RJ, levou 3.926 pagantes ao estádio na última quarta-feira, enquanto que o Botafogo, que encarou a Portuguesa-RJ em São Januário na terça, contou com 1.273 pagantes. O Vasco fecha a rodada dos grandes cariocas nesta quinta, às 19h30, contra o América.

No jogo do Bota, o ingresso mais barato custou R$ 15. Na partida do Fluminense, saiu por R$ 20, enquanto que em Macaé, por R$ 60.

Em São Paulo, o único grande que já jogou pela rodada de meio de semana foi o Santos, que bateu a Ponte Preta por 2 a 0, em Campinas, com 7.004 pagantes. O Palmeiras já vendeu 15 mil ingressos antecipados para o jogo desta quinta, contra o São Bento, no Pacaembu. O Corinthians pega o Osasco Audax, em Osasco (mais de 31 mil pessoas viram a estreia do Timão, na Arena, no último domingo). O São Paulo não atuou pelo Estadual por conta da Libertadores - time empatou em 1 a 1 com o César Vallejo, no Peru.

2ª RODADA DO CARIOCA:

Botafogo 2x1 Portuguesa
Estádio: São Januário, Rio de Janeiro - horário: 20h30
Público pagante: 1.273

Fluminense 4x0 Bonsucesso
Estádio: Raulino de Oliveira, Volta Redonda - horário: 19h30
Público pagante: 537

Macaé 0x2 Flamengo
Estádio: Moacyrzão, Macaé - horário: 21h45
Público pagante: 3.926

2ª RODADA DA SÉRIE A2 DO PAULISTA:

Portuguesa 0x1 Juventus
Estádio: Canindé, São Paulo - horário: 20h
Público pagante: 7.076


Nota deste blog: ano passado eu estive na Javari, estádio do Juventus, na Moóca. A partida, pela SÉRIE A3, levou quase 3 mil pessoas. Naquela mesma semana, talvez no dia anterior, o Flamengo havia jogado pelo Carioca para um público de 700 ou 800 pessoas.

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Delator: Dimas Toledo disse que Aécio Neves embolsava 1/3 da propina de Furnas; 2/3 eram para o PSDB paulista e nacional


DIMAS TOLEDO EM FURNAS ERA O HOMEM DO PSDB. IMAGEM: HORA DO POVO, 21.06.2006

‘É um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio’, relata delator


VIOMUNDO, com informações ESTADÃO


São Paulo, 03 – O empresário Fernando Moura, ligado ao PT, afirmou nesta quarta-feira, 3, que logo após a eleição presidencial de 2002, vencida por Lula, foi feita uma reunião para discutir as nomeações para cargos em diretorias de autarquias e empresas públicas estratégicas da administração.

Segundo ele, uma das diretorias era a de Furnas, apontada como cota do senador Aécio Neves (PSDB).

“Quando acabou a eleição de 2002, ganhamos a eleição, foi feita uma reunião para definição de mais ou menos umas cinco diretorias de estatais para poder ajudar a nível de campanha, posteriormente, o que seria interessante na nomeação das pessoas”, relatou Moura, em novo depoimento ao juiz federal Sérgio Moro.

Delator e réu confesso do esquema de propinas instalado na Petrobras, Fernando Moura teve que ficar outra vez frente a frente com o juiz da Lava Jato porque admitiu ter mentido anteriormente.

Em sua delação premiada, ele disse que Dirceu orientou-o a ‘fugir do País’, em 2005, quando estava no auge o escândalo do Mensalão.

Ouvido uma primeira vez por Sérgio Moro, ele disse que não recebeu a orientação do ex-ministro chefe da Casa Civil.

Diante de procuradores da República, na semana passada, disse que mentiu para o magistrado porque havia sofrido ‘ameaça velada’.

Nesta quarta, 3, recebeu uma chance para contar a verdade e não perder os benefícios da colaboração. “Foi conversado sobre Petrobras, Correios, Caixa Econômica Federal, Furnas, Banco do Brasil, essas diretorias”, declarou.

Segundo ele, os indicados para as diretorias deveriam ter 20 anos de casa, ‘tinha que ser funcionário da casa para poder receber essa indicação’. A reunião ocorreu novembro de 2002.

“Nessa relação foi indicado o nome do Renato Duque para a Petrobras, foi indicado o nome do sr. Eduardo Medeiros para os Correios. A princípio levei pro Zé (Dirceu) o nome do Dimas Toledo, que continuasse na diretoria de Furnas. Ele (Dirceu) usou até uma expressão comigo. ‘O Dimas não, porque se o Dimas entrar em Furnas até como porteiro vai mandar em Furnas, está lá há 4 anos, é uma indicação que sempre foi do Aécio’. Passado um mês e meio ele (Dirceu) me chamou e falou ‘qual a sua relação com Dimas Toledo?’ Eu falei, estive com ele três vezes, achei ele competente, cara profissional. O Zé me disse. “Porque esse foi o único cargo que o Aécio pediu pro Lula, então, você vai lá conversar com Dimas e diga que a gente vai apoiar a indicação dele.”

Fernando Moura disse que ‘foi conversar com o Dimas’.

“Na oportunidade, ele (Dimas) me colocou, da mesma forma que eu coloquei o caso da Petrobras, em Furnas era igual. Ele falou ‘vocês nem precisam aparecer aqui, vocês vão ficar é um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio.’”

PS do Viomundo: José Serra deve estar rindo à vontade; em São Paulo, Geraldo Alckmin detonado pelo merendão; em Minas, o cerco se fecha contra Aécio…


PS do Correio da Elite: Serra talvez não tenha tempo de rir à vontade como coloca o Viomundo, já que essa semana saiu a notícia de que houve fraude nas obras de ampliação da Marginal Tietê, e investiga se 71 milhões de reais foram pra campanhas tucanas. Basta a gente não deixar de prestar atenção também neste caso. Ou seja: 1/3 de atenção pro MerendaGate, 1/3 pro Furnasduto e 1/3 pra Marginal. Curioso é que falam muito a respeito da "parceria" ou "convênio" entre Estado e Prefeitura, mas na época em que foi anunciada, e no decorrer das obras até a conclusão e inauguração, os "louros" ficaram com Serra, a imprensa dedicava atenção a ele. Afinal, R$1, 1 bi foi gasto pelo Governo Estadual e 200 milhões pelas concessionárias. Por fim, cinco meses depois e um bilhão e uns trocados gastos, o trânsito ali voltou a piorar. Ou seja, era melhor ter gasto em Metrô.

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Golpe de Miami: O "Lula real" e o "espectro Lula", por Flávio Aguiar




Este Lula, monstro que suga a seiva do Brasil para dar-se ao luxo de navegar em barquinhos de alumínio, é o espectro terrível que a direita construiu.

Dizem os psicanalistas que as nossas fantasias são sempre mais intensas do que a realidade, sobretudo quando são para o pior. Hoje no Brasil se vê a demonstração desta tese.

A velha mídia, o promotor açodado de São Paulo, o Supremo Tribunal do Paraná, que às vezes parece mais poderoso do que o STF de Brasília, todos lidam com um espectro que fabricam e ao mesmo tempo são vítimas dele: o espectro Lula, um horrível monstro, pior que Godzilla, Drácula e Darth Vader todos juntos, que suga a seiva do Brasil. Bom, é verdade que este monstro suga esta seiva para dar-se ao luxo de navegar em barquinhos de alumínio e descansar (?) em apartamentos que não comprou nem de que desfruta. Mas não importa: eles vão em frente, para impressionar a parte crendeira da classe média, aquela propensa a acreditar que estamos mergulhados num mar de lama como nunca houve no país, assim como acredita que PSDB, DEM, o PMDB da direita são mosteiros de probidade, onde Cunha é o Pai, Aécio é o Filho e os juízes e os promotores assanhados são os Espíritos Santos.

O espectro Lula é terrível: imbatível nas urnas, tem que ser abatido nos tapetões do Judiciário, por meio do “Golpe Paraguaio”, que na verdade deveria ser chamado de “Golpe de Miami”, já que quem inventou isto de substituir os tanques nas ruas pelos juízos à socapa nos tribunais foi a eleição trucada de Bush Filho na Flórida em 2000.

O espectro Lula ameaça a paz dos cemitérios que a direita brasileira sonha ser o Brasil. Não só a direita brasileira: os porta-vozes da City Londrina e de Wall Street também são assombrados pelo espectro. Porque o Brasil é um porão (assim eles o vêem) imenso, que, vindo à superfície, vai destruir os alicerces da Casa Grande que é o mundo financeiro internacional e seu primado sobre corações e mentes – não só na América Latina, mas na Europa e no resto do mundo, do Oiapoque ao Vulcão Fuji, de Vladivostok a Ushuaia.

Mas por trás ou à frente do espectro Lula, existe um personagem real, chamado Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil e talvez (sei lá, o futuro a Deus pertence) futuro presidente também. É um personagem extraordinário, ou seja, uma figura humana como qualquer outra, que pode ter defeitos assim como tem qualidades. Mas que liderou uma das maiores transformações sociais do seu país e do mundo, ao mudar o patamar de vida de mais de 60 milhões de pessoas em meia América do Sul, transformando sua terra num global player que agora não pode mais ser jogado para baixo do tapete, embora haja gente e mais gente desejosa de que isto acontecesse. Dentro e fora do Brasil.

Prova disso é que enquanto se tramavam as farsas ridículas das acusações sobre o apartamento no Guarujá e o barquinho no sítio em Atibaia, o Prêmio Nobel da Paz Kailash Sathyarthi, reconhecido pelo combate à exploração do trabalho infantil, convidava este Lula, que a caterva crápula do Brasil acha que deve cuspir em cima, para integrar associação mundial contra aquela atividade criminosa, por ser ele uma referência mundial em matéria de temas e iniciativas sociais.

Prova disso é que sou testemunha do respeito com que Lula é recebido aqui na Alemanha. Em dezembro, acompanhei-o em sua visita à sede do SPD e depois da Fundação Friedrich Ehbert, em Berlim, quando foi recebido pelo vice-chanceler Sigmar Gabriel e o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, e por mais uma enorme comitiva de representantes dos partidos social-democratas europeus, além dos jornalistas, com os tapetes vermelhos do reconhecimento e admiração.

A verdade é que o Brasil teve, até o momento, entre muita gente boa, três mandatários fundadores ou refundadores do país e de seu papel no mundo. O primeiro foi D. Pedro II. O pai, Pedro I, deu o brado do Ipiranga, outorgou uma Constituição de cima para baixo, embora os reacionários senhores de terra fossem contra, mas foi só, além de ter um dos casos amorosos mais espetaculares da nossa história política. Já o filho, Pedro II, consolidou o país (e olhem, leitor@s, que se eu vivesse em 1840, estaria combatendo contra ele, ao lado dos republicanos farroupilhas antiescravistas, como o coronel Teixeira Nunes e o general Netto…) e foi dos mandatários nacionais de mais alto reconhecimento internacional. Escorraçado do país pelo golpe republicano, ao morrer, foi declarado por editorial do New York Times ser “o mais republicano dos imperadores”…

O segundo foi Vargas que, como toda a carga autoritária de seu governo, introduziu a legislação trabalhista que nada tem de fascista e muito de positivista e de Bismarck, negociou de igual para igual com Roosevelt, fundou a Petrobras que hoje querem de novo destruir, e deixou a vida para entrar na história, neutralizando com seu sacrifício o golpe de estado contra o povo brasileiro.

O terceiro, para desespero de certo professor de Sociologia, é Lula, o real, não o espectro, que projetou Brasil como liderança do Terceiro Mundo, abriu caminho para a negociação bem-sucedida com Irã e liderou esta marcha de ascensão social digna de um filme de Cecil B. de Mille dos anos 50 ou do Spielberg atual. Isto no cinema; Lula, na vida real.

Erros? Sim, afinal, trata-se de um ser humano, não do monstro infalível que os arautos da Casa Grande querem impingir ao povo brasileiro. Talvez o principal erro cometido, junto com seu partido, o PT, tenha sido o de imaginar que toda esta gigantesca operação positiva na sociedade brasileira não despertaria ódios nem a aversão por parte de quem não aguenta, no fundo, ter de disputar espaço com o povão das filas de aeroporto, nos vestibulares das universidades, nas escadas rolantes dos shopping centers, ou ter de pagar salário mínimo com carteira assinada para empregada doméstica. Parecia apenas que a “beleza do quadro” da melhoria social seduziria todo mundo.

Muito pelo contrário.

Quem detesta o bonito, feio lhe parece. Tem gente que não suporta a igualdade. Tem gente que prefere matar a conviver. Nos casos extremos, outras gentes. Mas no meio do caminho, também ideias.

Como não há mais estacas nem água benta disponível para conjurar o espectro Lula, o caminho é mesmo o de procurar destruí-lo juridicamente. Fazer o seu impeachment antes mesmo dele assumir qualquer cargo. Como se fosse um exorcismo avant-la-lettre.

Não vai funcionar. É possível enganar todos por algum tempo, alguns o tempo todo, mas não a todos o tempo todo. O Lula real vai sobreviver a seu espectro fajutado por essas tentativas canhestras de golpe.


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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Incêndio destruiu 0,4% do acervo da Cinemateca Brasileira, mas títulos afetados possuem cópias



Segundo dados da instituição, cerca de mil títulos foram incinerados, mas possuem cópias em outras mídias e suportes

O incêndio que atingiu na madrugada desta quarta-feira (3) um dos quatro depósitos de armazenamentos de filmes da Cinemateca Brasileira, sediada na Vila Clementina, zona sul de São Paulo, felizmente não causou perdas tão expressivas como as provocadas, em dezembro último, pelo acidente que devastou o Museu da Língua Portuguesa, no centro da capital paulista.

Segundo nota oficial da Cinemateca Brasileira, cerca de mil cópias de filmes foram destruídas, número que representa algo em torno de 0,4% do acervo da instituição, a maior do gênero na América Latina. Ainda segundo a nota, grande parte das películas destruídas no incêndio possuem cópias em outras mídias e suportes. 

Leia, a seguir, o comunicado da Cinemateca Brasileira na íntegra:

“A Cinemateca Brasileira comunica que na madrugada desta quarta-feira (03), ocorreu um incêndio que atingiu um dos 4 depósitos de armazenamento de filmes em suporte de nitrato de celulose, característico da produção cinematográfica anterior à década de 1950. 

A corporação foi acionada às 5h30, horário de Brasília, e 12 bombeiros participaram do combate ao fogo, que durou cerca de 30 minutos. Às 6h20, o fogo já havia sido totalmente controlado e permanece ainda o trabalho dos bombeiros para rescaldo da área atingida.

Cerca de mil rolos de filmes foram queimados. Deste total, a grande maioria está conservado em outras mídias/suportes. Os filmes destruídos estavam todos em domínio público e o levantamento da pequena parte afetada, sem duplicação, será informado pela Cinemateca nos próximos dias. 

A estrutura criada especificamente para acomodar o acervo de filmes no suporte de nitrato não tem rede elétrica (para evitar riscos de curto-circuito) e as paredes não são conectadas com o teto para evitar propagação do fogo. Neste sentido, a construção se mostrou eficiente para sua finalidade, uma vez que o fogo não atingiu nenhuma outra câmara do depósito.

O nitrato de celulose é um material, que pela sua composição físico-química, pode entrar em combustão espontânea, dependendo da temperatura no ambiente. Os bombeiros farão a perícia, com vistas a tentar identificar a causa do incêndio.

O arquivo de matrizes audiovisuais, filmes de depósito legal, e todas as coleções da instituição com cerca de 250 mil rolos de filmes não foram afetados, e seguem com suas câmaras intactas. O incêndio destruiu pouco menos de 0,4% do total do acervo. 

As áreas de acesso público da Cinemateca e todo o seu acervo não-fílmico, composto por aproximadamente 1 milhão de documentos e objetos, estão distantes do acervo de nitrato e não apresentam nenhum risco. 

O foyer e a Salas de Cinemas em funcionamento estão devidamente equipados e a Cinemateca tem em seu corpo funcional dois bombeiros civis. Portanto, o atendimento ao público será normalizado ao longo da semana, de acordo com a disponibilidade das equipes técnicas, que neste momento concentram seus esforços no acervo atingido.”


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Vivandeiras desmemoriadas, por Diogo Costa



“Eu os identifico a todos. E são muitos deles, os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bulir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar.”
- Marechal Humberto Castelo Branco ironizando, antes de 64, os civis que batiam nas portas dos quartéis pedindo um golpe de estado.

Não há nada mais irritante, pelo menos para mim, do que ver pessoas falando em ''populismo'', em ''farra fiscal'' e em outras idiotices no presente momento.

Muitos destes reclamadores de plantão foram os que sempre demandaram medidas de desoneração fiscal no passado, e comemoraram quando as mesmas foram implementadas (agora se fazem de tansos, como se o caso não fosse com eles).

Um dos ilustres ''desmemoriados'' é o neo golpista Paulo Skaf, presidente da FIESP e do CIESP.

Este cidadão fez campanha alucinada, desde 2010, pela redução nas tarifas do setor elétrico e pela edição da MP 579 (enviada por Dilma ao Congresso em 2012 e aprovada no final do mesmo ano).

Como é que um cidadão desses hoje se omite do debate sobre o setor elétrico?!

Vejam a comemoração do entojado pela aprovação do projeto, via site da FIESP, em 2012:

''(...) “O governo federal acatou nosso pleito. Editou a MP 579 de forma a obter o desconto junto às empresas de energia e beneficiar todos consumidores. Essa é, portanto, uma vitória não só da Fiesp e do Ciesp, mas de todos os brasileiros. É também mais um passo no longo caminho de recuperação da competitividade do Brasil, e marca o início de um processo de reindustrialização. “No ano que vem, a palavra vai ser reindustrialização”, afirmou Paulo Skaf. (...)''

A presidenta Dilma deveria nomear de um por um estes seres que no passado recente aprovaram e, antes disso, simplesmente exigiram que medidas de desoneração tributária fossem implementadas.

Se populismo houve, no caso do setor elétrico, ele partiu do sr. Paulo Skaf e da maior federação industrial do país (FIESP).

Há outros vários exemplos, como a questão da desoneração da folha de pagamentos, que também foi comemorada em prosa e verso pelos ''industriais'' de Pindorama.

Os mesmos que hoje enterram a fuça no primeiro buraco que aparece ou que bradam a plenos pulmões a favor do golpe.

Nomear estes seres e as medidas apoiadas por eles é pedagógico. É de fundamental importância, aliás.

DIOGO COSTA, no FACEBOOK

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"No tolerancia, venimos a aniquilar"
Edificante frase motivacional grafitada por soldados israelenses em paredes de imóveis tomados como bases, durante a última guerra de Israel contra o Hamas, em janeiro, em Gaza, quando o Estado israelense cometeu inúmeros crimes de guerra. Saiu no El País.

"Você acha que os Estados Unidos foram um Estado fascista até 1945, quando tínhamos a mesma regra?"
Noam Chomsky
, em entrevista à Isto É, sobre as possibilidades de Hugo Chavez se reeleger infinitas vezes, o que alguns chamam de "caminho asfaltado para uma ditadura".


“Graças a Deus que nós conseguimos comprar aquele delegado babaca, que não sai do nosso pé.”
Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, traíndo o Segundo Mandamento

"Quero me pronunciar em termos práticos como cidadão, distintamente daqueles que se chamam antigovernistas: o que desejo imediatamente é um governo melhor, e não o fim do governo. Se cada homem expressar o tipo de governo capaz de ganhar o seu respeito, estaremos mais próximos de conseguir formá-lo."
Henry David Thoreau, A Desobediência Civil

"The torture never stops."
Frank Zappa, músico

"Além da nobre arte de fazer coisas, existe a nobre arte de deixar coisas sem fazer. A sabedoria da vida consiste na eliminação do que não é essencial."
Lin Yutang, filósofo chinês (1895-1976 )


" Nunca deve valer como argumento a autoridade de qualquer homem, por excelente e ilustre que seja...
É sumamente injusto submeter o próprio sentimento a uma reverência submetida a outros; é digno de mercenários ou escravos e contrário à dignidade humana sujeitar-se e submeter-se; é uma estupidez crer por costume inveterado; é coisa irracional conformar-se com uma opinião devido ao número dos que a têm...

É necessário procurar sempre, com compensação, uma razão verdadeira e necessária... e ouvir a voz da natureza"
Giordano Bruno


" (...) E depois, quando um astrônomo lhe disser que o que você viu não existe, lembre-lhe que cem anos atrás (1874) isso era o que os astrônomos diziam sobre meteoritos. (...)"
Ralph Blum e Judy Blum, em "Toda a verdade sobre os discos voadores" , Edibolso , 1974

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