quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Jango caiu por erros na área militar, por Jasson de Oliveira Andrade


Jango não pretendia um golpe para introduzir o comunismo no Brasil, como propalaram os golpistas militares e civis, visando justificar 64. Se isto fosse verdade não ficariam 21 anos no Poder. Ao contrário, militares anti-janguistas desde a época de Getúlio, é que estavam conspirando. Goulart ingenuamente promoveu os golpistas, dando-lhes ainda comando. Além do mais, ele preteriu os seus amigos militares. Quando Jango precisou destes amigos, eles, contrariados, ajudaram o Golpe Militar! É que o presidente confiou mais no Cabo Anselmo, um traidor a serviço da CIA. Um erro que lhe custou a Presidência.

O historiador Jorge Ferreira, no livro “João Goulart, Uma Biografia” (Civilização Brasileira, 2011), à página 357, revelou: “A conspiração já ocorria abertamente (sic). O Serviço Federal de Informações (SFICI), órgão do Conselho de Segurança Nacional, informava ao presidente as movimentações dos golpistas (sic)”. (...) O presidente estava cercado por pessoas que desconsideravam (sic) qualquer informação que aludisse a golpes ou a insatisfações nos meios militares com seu governo. (...) Jango acreditava que o sentimento legalista da maioria da oficialidade do Exército impediria golpes de Estado. O apoio popular seria fator decisivo para desarticular qualquer atentado à democracia”. Outros depoimentos igualmente ressaltam que Jango não acreditava em conspirações militares. Evandro Lins e Silva, quando ministro das Relações Exteriores, levou ao presidente informações de que o general Castelo Branco (sic) estaria conspirando contra o governo. O presidente não levou a sério a notícia. Para Evandro, ele não acreditava (sic) em conspirações. (...) O general Jair Dantas Ribeiro já era quarto (sic) ministro da Guerra, sucedendo Segadas Viana, Nelson de Melo e Amaury Kruel. Segundo [o jornalista] Carlos Castelo Branco, nenhum deles teve tempo de armar um sistema próprio de segurança do governo (sic)”.

Adiante, à página 358, o historiador cita a opinião de Abelardo Jurema, ex-ministro de Jango, sobre essa troca de ministros da Guerra: “Cada vez que assumia um ministro [da Guerra], diversos comandos militares eram substituídos (sic). Descontentes com a perda do posto, eles, muitas vezes, contrariados (sic), tornavam-se receptivos à pregação dos grupos golpistas (sic)”. Jorge Ferreira cita também a opinião de Eduardo Chuay, na época capitão do Exército servindo no Gabinete Militar. Ele se refere a promoções equivocadas nas Forças Armadas: “Goulart preteriu dois coronéis de esquerda, mas promoveu José Horácio Coelho Garcia, homem de ultradireita que, no passado, tinha sido o responsável pelo “inquérito do pinho”, indiciando Jango por corrupção, e que depois, em 1964, estaria ao lado dos golpistas. Na Casa Militar, Chuay conseguiu impedir a promoção a general de Orlando Geisel (sic), um homem sabidamente de direita. Poucos dias antes do golpe, Orlando, jurando fidelidade ao presidente (sic), pediu que Assis Brasil o levasse até ele. Sua ascensão ao generalato saiu imediatamente (sic). Castelo Branco e Mourâo Filho [que iniciou o Golpe de 64] também foram promovidos (sic) em seu governo. Na avaliação de Chuay, Goulart foi um grande presidente, “mas, no setor militar, foi muito fraco (sic)”. Darcy Ribeiro [ex-ministro de Jango], da mesma maneira, avalia que “a política de promoções do presidente não podia ser mais desastrosa (sic)”. Promovendo militares sabidamente de direita, muitos reacionários, ele “decepcionava nossos aliados e demonstrava a inépcia (sic) de um governo que obedecia à oficialidade de direita (sic), desprezando seus aliados (sic)”.

Por esses fatos relatados, Jango caiu por seus erros na área militar, como reconheceram seus antigos colaboradores, e não porque queria um Golpe. Ao ajudar os verdadeiros golpistas ele preparou sua própria queda ou, como se diz na gíria, entregou o ouro ao bandido!

JASSON OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Janeiro de 2015

Publicado na GAZETA GUAÇUANA em 27/1/2015

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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Pessoas podem ser convencidas de ter cometido um falso crime


Uma nova pesquisa mostrou que, em apenas algumas horas, as pessoas inocentes podem ser convencidas de ter cometido um crime.

Alguns desses crimes podem ser tão graves quanto assalto com uma arma - mesmo que o crime tenha sido completamente inventado.

Pessoas inocentes podem ser interrogadas pela polícia de tal forma que acabam a convencer-se de que cometeram um crime. E essa crença pode ser tão forte que pode levar a uma falsa confissão.

No início do ano passado, uma equipe de advogados e estatísticos publicou um artigo afirmando que 4,1 por cento dos réus condenados à morte nos EUA são falsamente condenados. Para investigar esse fenômeno, um estudo conduzido por Julia Shaw, psicóloga da Universidade de Bedfordshire, no Reino Unido investigou a possível causa.

Ela descobriu que, se as pessoas forem questionada no caminho certo, mesmo as pessoas inocentes podem fabricar histórias nas suas mentes, com tantos detalhes que podem falsamente convencer-se de que cometeram um crime.

"Os nossos resultados mostram que as falsas memórias de cometer um crime podem ser surpreendentemente fáceis de gerar, e podem ter os mesmos tipos de dados complexos das memórias reais", disse Shaw em comunicado de imprensa.

Shaw e o seu colega Stephen Porter, psicólogo forense da Universidade de British Columbia, no Canadá, recrutaram 60 estudantes universitários que não tinham estado envolvidos em quaisquer crimes.

Em seguida, pediram aos seus cuidadores primários para preencher um questionário relativo a eventos específicos que esses alunos possam ter experimentado entre as idades de 11 e 14 anos. Estas questões foram mantidas em segredo para os alunos.

Em seguida, os alunos foram levados para o laboratório onde foram submetidos a três entrevistas de 40 minutos que se estenderam ao longo de um período de três semanas. Durante a primeira entrevista, os pesquisadores descreveram brevemente dois eventos a cada um dos alunos, que os estudantes tinham experimentado na sua adolescência (cujos detalhes foram fornecidos por seu cuidador), e um que era falso, e que nunca aconteceu.

Metade desses falsos eventos envolveram um crime que chamou a atenção da polícia, como um assalto, um assalto com uma arma, ou um roubo. Os outros 50 por cento incluíram um ataque falso de um cão ou algum outro tipo de lesão, ou a perda de uma grande soma de dinheiro.

Esses eventos nunca realmente aconteceram, mas os pesquisadores salpicaram as suas descrições com bastantes detalhes verdadeiros do tempo de adolescência do aluno - como o nome de um amigo naquele momento de sua vida - para que as histórias soassem convincentes.

Os alunos foram convidados a explicar o que aconteceu com eles durante cada um desses eventos. Naturalmente, eles lutaram para se lembrar dos detalhes do falso evento, mas foram encorajados a continuar a tentar, sendo que os pesquisadores sugeriram várias estratégias de memória para ajudá-los a se lembrarem.

Durante as segunda e terceira entrevistas, nas semanas seguintes, os estudantes foram novamente convidados a recordar o que aconteceu durante os eventos verdadeiros e falsos. Como eles estavam descrevendo certas características das suas memórias, eles foram convidados a indicar quão vivas essas memórias eram, e como eles estavam confiantes de que seriam a verdade.

Na publicação dos seus resultados na revista Psychological Science, Shaw e Porter constataram que dos 30 estudantes que foram informados que tinham cometido um crime na adolescência, 21 - ou 71% - acabou por desenvolver uma falsa memória do evento.

Dos 20 que foram informados de que cometeram algum tipo de agressão, seja com ou sem arma, 11 foram capazes de descrever com detalhes incríveis a sua interacção com a polícia sobre o assunto - um evento que nunca aconteceu.

Da mesma forma, 76,6 por cento dos 30 estudantes que foram alimentados com histórias falsas sobre a sua adolescência, mas que não eram de natureza crimal, acabaram formando memórias falsas sobre esses eventos também. Os pesquisadores dizem que estes resultados podem ter enormes implicações para o sistema de justiça, nomeadamente no que respeita aos testemunhos. [Sciencealert]


Nota do blog: SERÁ?

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Chuck Norris critica Monsanto e os danos que a empresa causa ​​à saúde global


Em artigo, o ator estadunidense fala sobre o perigo do glifosato, o herbicida mais utilizado no mundo.


O ator Chuck Norris escreveu um contundente artigo contra a Monsanto e os danos que a empresa causa ​​à saúde global

O famoso ator americano Chuck Norris, preocupado com os riscos que representa para a saúde o herbicida mais popular no mundo - glifosato -, falou em um artigo sobre os perigos deste produto fabricado pela Monsanto.

"Sempre aparece algo que pode colocar em risco a nossa saúde e bem-estar, mas o problema é que a ameaça nem sempre é clara", escreve Norris em sua publicação no WND Health.

O ator assinala que um exemplo é o glifosato, o ingrediente ativo do herbicida Roundup da Monsanto, o mais vendido no mundo. De acordo com vários estudos, o uso intensivo do glifosato está causando problemas para plantas e animais, e até seres humanos.

No entanto, diz o ator, para a regulamentação do glifosato, o governo se baseia em evidências e dados fornecidos pela Monsanto, que considera os riscos insignificantes. "Mas eu tenho uma sensação incomoda ao ouvir expressões 'risco insignificante ou provas insuficientes', quando a questão é o potencial impacto e a proliferação contínua de um composto sintético que ainda precisa ser objeto de estudo amplo e independente por parte do governo dos Estados Unidos", ressalta.

Norris argumenta que "devemos estar vigilantes neste momento em que o glifosato está sendo submetido a um registro padrão pela Agência de Proteção Ambiental." A agência está determinando seu uso. Se o mesmo deve continuar como está, ou se deverá ser limitado ou suspenso.

Clique aqui para ler o artigo em inglês

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Orçamento do MEC e o imprensalão sendo o velho imprensalão de guerra


Eu não tenho formação além do segundo grau. Não sei ler uma planilha. Não sei pra que serve o Diário Oficial e nem como se consulta isso. Não sei como se analisa um orçamento, seja do vidraceiro que vem consertar uma janela, nem o orçamento de alguma secretaria de governo. Não sei como funciona o orçamento público, as contas públicas. 

Eu sei das coisas pelos mesmos mecanismos que um cidadão médio faz: pelos jornais e revistas.

Para tentar compensar essa deficiência escolar eu tentava, ao menos, ler com atenção as notícias apresentadas pelos meios de comunicação impressos. Como eu disse outro dia, no entanto, além de "ler jornal", eu procuro "ler o jornal", que é mais ou menos o que fazem os jogadores de pôquer ao tentar captar informações na fisionomia e nas expressões dos adversários, informações que estes pretendem esconder. Se você sabe quem o jornal apóia politicamente, você tem 50% menos de chances de ser enganado. 

Isso de "50%" foi uma cifra que inventei, arbitrariamente. 

E eu também não leio jornais [ não sei se ficou claro pelo exposto acima ], embora tenha lido muito, mais ou menos até 2009 ou 2010. Aí cansou. Eles me cansaram. Ler jornal é uma corrida de obstáculos. Eu lia tentando adivinhar o que eles estavam escondendo, manipulando ou mentindo. Tinha que esperar o tempo passar para ver se as noícias sobre determinado tema se mantinham ou se eram depois desmentidas. E com a deficiência escolar que admiti acima, as chances de deixar preciosidades passarem batido eram - e continuam - enormes. 

De modo que, pra manter o que me resta de sanidade, desisti de ler jornais. Decidi acabar com aquele masoquismo. Eventualmente dou uma fuçada numa notícia, mas é como se eu lesse aqueles papéis que entregam nas ruas, de amarração para o amor. Dou uma olhada e esqueço segundos depois. Não acredito neles e ponto final. E nem noticiario de TV e rádio.

Assim, não me surpreendo com o que vem a seguir, e que tá rolando nas redes sociais:


PRECEDENTES
Em 04.06.2008 o finado ( ainda bem ) Jornal da Tarde ( grupo Estadão ) publicou no caderno Seu Bolso, pag 4B matéria [ EU TENHO ESSE RECORTE ATÉ HOJE ] com o título "Renda cai 20,8% em dez anos". Subtitulo afirmava que "Remuneração média na Região Metropolitana sofreu uma queda de R$ 1610 para R$ 1274". 
A reportagem prosseguia fazendo a comparação "...o valor médio mensal em março último ficou em R$ 1274 ante o valor de R$ 1610 apurado em março de 1999...". 
Só láááaááá pro meio do texto --- que não deixou, é verdade, de mencionar que houve a desvalorização do real em janeiro de 99 ( embora sem mencionar a palavra "estelionato", que cabia, claro ) e sequente elevação da Selic para catastróficos 45% e o resultado disso foi a detonação dos salários ( 29% ) ENTRE 1999 E 2003 --- é que éramos informados que "...a recuperação veio em 2004 com a melhora do nível da economia...".

O gráfico era mais "intuitivo" e mostrava claramente que a renda caíra de $ 1610 em 1999 para $ 1177 em 2003 e dalí pra diante SÓ CRESCEU.
Os objetivos da redação meio Mandrake da matéria seriam:
1 - Esconder a queda de 29% dos salários sob FHC, em apenas 4 anos; 
2 - Depois da saída de FHC - e graças a ela - as coisas começaram a melhorar, e assim foi, lenta e modesta porém regularmente, de 2003 até o momento da reportagem, 2008, ainda que não tenha sido suficiente pra recuperar-nos do tombaço da turma do apagão ( verdadeiro ) e da falta de água ( verdadeira ). Mas não, o objetivo era, como faz o Datena, juntar e bater tudo num liquidificador de modo a não se distinguir quem fez cair e quem fez cessar a queda. E esconder que a queda havia cessado.

Então, essa manipulação acima reproduzida não surpreende em nada. Há precedentes.

E muitos. E não é de agora.

Pouco antes de falecer, no ano de 2000, o jornalista econômico Aloysio Biondi escreveu um artigo intitulado "Mentira e cara-durismo (ou: a imprensa no reinado FHC)". Ele enumerou várias tramóias que o noticiário lançava mão para proteger o governo do "Príncipe dos Sociólogos". Escreveu ele, diante da capitulação governamental ante do fato que a inflação voltara a dar as caras, apesar de anteriores negativas por parte do governo e da imprensa, para quem, até então, tudo estava indo às mil maravilhas:

"A surpresa do perplexo cidadão brasileiro não era, certamente, com o otimismo de Brasília, delirantemente exibido nos últimos anos.Tampouco, com o adesismo dos de-formadores de opinião, cada vez mais desnudados aos olhos do públicom a ponto de alguns deles provocarem engulhos até em antigos admiradores. A surpresa, mesmo, era com o total cara-durismo do governo FHC e adeptos:"Uai, ué, refletia o cidadão: até há poucos dias, a gente só via, lia e ouvia esse pessoal dizer que o Brasil "surpreendeu", a economia está muito bem; a indústria em recuperação; o consumidor, voltando às compras... Cumé que, da noite para o dia, o governo e imprensa passam a dizer exatamente o contrário, a admitir que o Brasil está em recessão, forçados a mudar de conversa para dizer que a inflação não assusta?" Na verdade, a volta da inflação criou uma das poucas oportunidades em que o povo brasileiro pôde descobrir, por si mesmo, a gigantesca e, mais do que vergonhosa, deprimente e lesa-sociedade manipulação do noticiário econômico (e político) no governo FHC. Sem medo de se exagerar, pode-se comprovar que as técnicas jornalísticas e experiências de profissionais regiamente pagos foram utilizadas permanentemente para encobrir a realidade.Valeu lançar mão de tudo: de manchetes falsas, inclusive "invertendo a informação", a colocar o lide no final das matérias, isto é, esconder a informação realmente importante nas últimas quatro linhas. Segue-se um pequeno roteiro, dos truques mais usados, pelos meios de comunicação, para ajudar o leitor a ler, ver e ouvir os meios de comunicação brasileiros neste reinado de FHC. Ou para ajudar os estudantes de comunicação e jornalistas principiantes a decidirem se estão dispostos a aderir ao jogo da manipulação."

A constatação que nos ofereceu Biondi era aterradora e nem um pouco alarmista ou exagerada:

"Advertência essencial: é absolutamente injusta, e até politicamente equivocada, a mania de criticar o adesismo desta ou daquela rede de televisão, deste ou daquele jornal e, principalmente, desta ou daquela colunista/comentarista de economia e política. Esse é um grave erro político, porque transmite à opinião públicaa falsa impressão de que a manipulação - permanente - tem sido feita por este ou aquele veículo, ou por este e aquele profissional. Com isso, acaba-se levando a sociedade a acreditar que se trata de exceções, quando a verdade é que a manipulação é generalizada e constante, contando-se nos dedos os profissionais e veículos que têm procurado manter a eqüidistância em relação ao governo FHC e interesses a ele ligados. Por isso mesmo, como seria injusto citar especificamente determinados veículos e jornalistas, todos os exemplos abaixo são reais, retirados do noticiário e devidamente guardados em nossos arquivos, mas deixamos de identificar seus autores."

Em seguida, Biondi nos ofereceu uma pequena lista [ UTIL ATÉ HOJE, UM VERDADEIRO MANUAL DE DEFESA DO LEITOR ] de 9 truques, da qual eu destaco um apenas, e o primeiro de sua lista, que me parece mais adequado para ilustrar o texto do Estadão sobre o MEC. Se ontem o objetivo era escamotear a barbeiragem do governo federal sob FHC, atualmente ( desde 2003... ) os esforços se dão com o objetivo de tentar levar a turma dele de volta ao Planalto. Não que o governo atual seja uma maravilha 100% defensável, mas a turma não precisa ficar manipulando as coisas. Tem gente de olho que acaba achando, cedo ou tarde.
Evidentemente, deixarei um link com a recomendação de que visitem e leiam o texto integralmente. Leiam, releiam e repassem. Você nunca mais lerá uma notícia com os mesmos olhos de hoje:

TRUQUE 1: MANCHETE ÀS AVESSAS
A falta de ética da imprensa chegou a tal ponto, que se chega a inverter completamente a informação, para enganar o público. Excelente exemplo dessa prática ocorreu com uma pesquisa sobre o endividamento das famílias brasileiras, realizada por uma empresa de consultoria. As conclusões foram aterradoras: nada menos de 40 por cento do orçamento familiar já estava "amarrado" com o pagamento de compromissos financeiros: cartões de crédito, cheques pré-datados, prestações diversas. E, mais exatamente: esse comprometimento havia exatamente duplicado de 20 por cento para 40 por cento, após o Real. Qual a importância desse dado? Ele já mostrava as perspectivas de problemas sérios para a economia, com menos dinheiro disponível para o consumo, isto é, mais recessão - e aumento inevitável da inadimplência, ou "calote" forçado, por parte dos consumidores. Os resultados da pesquisa ganharam uma manchete na edição dominical. Mas, pasme-se o leitor: o editor fez uma mágica desonesta. A manchete dizia: "Dobra acesso do consumidor ao crédito", e o texto mentia que, "graças a estabilidade da moeda, as famílias brasileiras já estão conseguindo planejar seus orçamentos e programar o endividamento desejado e lá-rá-li-lá-rá-lá, e as instituições financeiras, reconhecendo a nova situação criada pelo Real, blém-blém-blém, até duplicaram a concessão de financiamentos ao consumidor...". Pois é. Cinismo total. Com um toque de mágica e muita falta de ética os problemas foram transformados em "novas vantagens" do Real, martelando-se na tecla da "estabilidade da moeda", que tantos dividendos políticos trazia ao governo FHC...

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domingo, 25 de janeiro de 2015

Sucesso e fé em São Paulo, "terra das oportunidades"


Vocês sabem que a medida da coisa quando se fala em milagres é a crença. O acreditar. Quem supostamente recebeu um milagre é porque "acreditou" o suficiente ( "Recebi porque acreditei." ). O resultado fala por si. E é por isso que alguns recebem seu milagre, e outros não. Os primeiros, ganharam o bilhete premiado, os segundos não acreditaram o suficiente. Tá certo que não dá pra medir isso como se mede o conteúdo de um copo de água. 
Por isso é que o milagre é a prova da quantidade de fé depositada. A prova é o próprio resultado. Prova da fé, e prova da existência do ser que nos presenteia com favores espantosos e inexplicáveis.

Sobre o esforço e o empreendedorismo individual com foco em metas e superação de obstáculos, ou seja, aquela conversa sobre quem trabalha muito "chega lá" e quem não "atinge os objetivos" é preguiçoso e não é contemplado pela deusa Fortuna, algumas linhas dum texto antigo da Bárbara Gancia vêm bem a calhar:

"CERTA VEZ , perguntei a Olacyr de Morais qual era o segredo do seu sucesso. O rei da soja pensou e pensou e saiu-se com a genial conclusão: "Desde menino, sempre trabalhei de sol a sol".
Ora, não deixa de ser comovente e é sempre bom ter esse tipo de informação, mas fui obrigada a lembrá-lo de que minha empregada também observou estritamente a mesma rotina e nem por isso ficou milionária.(...)
Em tempo, depois de pensar melhor, Olacyr respondeu que seu sucesso se devia à persistência de ter seguido plantando por anos a fio, mesmo quando seus pés de soja não ultrapassavam os 12 cm de altura."

[ Link pro artigo ( mas fãs de Lula e Celso Amorim não devem ler, acho que não vão gostar muito ha ha ha): http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2304201004.htm ]

Exemplifica-se aí que "o sucesso" é medido pelos resultados, não pela quantidade de esforço despendida pelo vivente. No fim do texto, conclui-se que a teimosia é que é a qualidade maior. Só que uma pessoa esforçada nem sempre se tornará um Olacyr de Moraes, inda mais nesse mudo em que 1% das pessoas mais ricas fica com mais grana que os outros 99% ( e ainda tem quem ache que é graças a plantar pés de soja de sol a sol ) . É possível - se é que não é a regra - que haja pessoas mais esforçadas e trabalhadoras ainda, mas que não passarão de mão de obra barata pros Olacyres do mundo

Como é evidente, se você não quiser - ou seja, se seu cérebro não mandar um comando pras pernas - nem atravessar a rua você faz. Isto é a tal "vontade", o "querer" e isto te levará a "atingir o objetivo" de atravessar a rua. Mas isto é um impulso, um comando elétrico, cerebral ou bio-sei lá o que, e sem esse impulso, não haverá o "sucesso" ( atravessar a rua ). A menos que você seja obrigado ou coagido a atravessar a tal rua. 

A simples "vontade" de prosperar não significa porra nenhuma e ninguém pode garantir os resultados, mesmo que você exploda de trabalhar. A propósito disso, lembrei-me da expressão "Karoshi tropical" (*), de Ricardo Antunes.
Dito de outro modo: se você não trabalhar de alguma forma, a menos que aja de formas ilícitas, ou ganhe na loteria, você realmente tem poucas chances na vida de conseguir algum acúmulo material. Mas trabalhar de sol a sol tampouco garante coisa alguma, como geralmente se promete aos esforçados. Um jogador de futebol só faz gol se chutar a gol. Sem isso, diminuem bastante suas chances. Mas nada garante que o jogador que der 30 chutes a gol por partida realmente fará 30 gols. É uma condição sine qua non, não uma relação de causa X consequência infalível.

Então, acho que fica razoavelmente demonstrada a familiaridade entre "fé" e "esforço". Em ambas, a recompensa concreta é que justifica sua devoção e serve mais como prova do sucesso do sistema e propaganda dele. Além de dar água na boca da gente. 
Nos casos em que se despende "fé" ou "trabalho árduo", mas sem atingir o sucesso, é como se não existissem. O trabalho despendido vai garantir, na melhor das hipóteses, que haja uma vida apertada. O pagamento do aluguel, provavelmente, mas não garantirá a compra da casa.


O texto acima [ que postei no Facebook, sendo esta uma versão um pouco aumentada ] é uma ligeira reflexão sobre algo que li, a propósito do aniversário da Cidade de São Paulo. O autor só faltou dizer que só é pobre quem quer e São Paulo dá tudo de mão beijada pra quem se disponha a trabalhar ( e que basta isso ), parecendo aquela visão datada e importada dos EUA, acho que dos anos 50. A gente sabe que não é assim. E quase nunca eu vejo celebrações do aniversário de São Paulo, ou manifestações de amor a esta cidade, que não venham carregadas ou permeadas de xenofobia regional, ou seja, preconceito contra sobretudo nordestinos. Isso considerando que EU SOU BRANCO DE OLHO AZUL E VIVO A VIDA TODA AQUI DESDE QUE NASCI. Ou seja, sou insuspeito, um paulistano "da gema". 
Isto não é, advirto, uma propaganda a favor do ócio, da preguiça, da aposentadoria aos 48 anos de idade e passar o resto da vida no tédio e no álcool. É apenas uma constatação, da qual vocês podem discordar.

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"Petrolão": A mídia escondeu a verdeira história do doleiro Youssef ( e seus vínculos muito antigos com o PSDB )



Por Miguel do Rosário

Alberto Youssef foi condenado em 2004, pelo mesmo juiz Sergio Moro, do Paraná, por corrupção.

Segundo a Ação Penal movida contra Youssef, ele obteve um empréstimo de US$ 1,5 milhão, em 1998, numa agência do Banestado, banco público do Paraná, nas Ilhas Cayman.

No processo de delação premiada da época, Youssef confessou que internou o dinheiro no Brasil de forma ilegal, ao invés de fazê-lo via Banco Central.

Mas negou que tenha pago propina a um executivo do Banestado. Segundo o doleiro, a condição imposta para o Banestado liberar o dinheiro para sua empresa, a "Jabur Toyopar", era fazer uma doação para a campanha de Jaime Lerner, do então PFL (hoje DEM), aliado do PSDB, para o governo do Paraná.

Doação “não-contabilizada”. Caixa 2.

A mídia nunca deu destaque a essa informação.

Alberto Youssef operava para tucanos e demos do Paraná desde a primeira eleição de Jaime Lerner, em 1994. Assim como operou também para FHC/PSDB e Serra/PSDB em 1994 e 1998.

O Banestado, um dos bancos mais sólidos do sistema financeiro do país, foi saqueado pelos tucanos na década de 90. Após devastarem as finanças da instituição, o PSDB, que governava o país, iniciou um processo de privatização cheio de fraudes.

O Banestado foi então vendido para o Itaú, pela bagatela de R$ 1,6 bilhão.

Existem acusações de que a privatização do Banestado gerou prejuízo de R$ 42 bilhões aos cofres públicos.

Mas tucanos podem tudo.

Depois de tanta roubalheira, o único condenado foi o mordomo, o doleiro Alberto Youssef, um homem de origem simples que ficou milionário operando para a elite tucana.

Mas a elite tucana é magnânima, e o juiz Sérgio Moro absolve o doleiro após um ridículo acordo de delação premiada, que não resultou em nada.

Esse é o Sérgio Moro que a mídia chama de “duro”.

Em agosto deste ano, Youssef é preso outra vez e Moro cancela o acordo anterior de delação premiada do doleiro.

O juiz e a elite tucana tinham outros planos para o doleiro. Ele poderia ser útil numa operação midiática para derrotar Dilma nas eleições de 2014.

O advogado do doleiro, Antônio Augusto Figueiredo Basto, tem profundas conexões com o PSDB. Foi membro do conselho da SANEPAR, estatal paranaese que cuida do saneamento do estado, e foi também advogado de doleiros tucanos envolvidos no trensalão.

Os escândalos de corrupção no PSDB paranaense envolvem mais nomes. Em 2001, a Procuradoria de Maringá acusou o prefeito tucano Jairo Gioanoto de desvios superiores a R$ 100 milhões, feitos durante o período de 1997 a 2000. Em valores atualizados, esse montante aproxima-se de R$ 1 bilhão.

E quem aparece nesse escândalo, mais uma vez?

Ele mesmo: Alberto Youssef.

Trecho de matéria publicada na [própria tucana] "Folha", em 4 de março de 2001:

“Um dos nomes sob investigação, o ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luís Antônio Paolicchi, apontado como pivô do esquema de corrupção, afirmou, em depoimento à Justiça, que as campanhas de políticos do Paraná, como o governador Jaime Lerner (PFL) e o senador Álvaro Dias (PSDB), foram beneficiadas com dinheiro desviado dos cofres públicos, em operações que teriam sido comandadas pelo ex-prefeito Gianoto.

A campanha em questão foi a de 1998. “A pessoa que coordenava (o comitê de Lerner em Maringá) era o senhor João Carvalho (Pinto, atual chefe do Núcleo Regional da Secretaria Estadual de Agricultura), que sempre vinha ao meu gabinete e pegava recursos, em dinheiro”, afirmou Paolicchi, que não revelou quanto teria destinado à campanha do governador -o qual não saberia diretamente do esquema, segundo ele.

Quanto a Álvaro Dias, o ex-secretário disse que Gianoto determinou o pagamento, “com recursos da prefeitura”, do fretamento de um jatinho do doleiro Alberto Youssef, que teria sido usado pelo senador durante a campanha.

“O prefeito (Gianoto) chamou o Alberto Youssef e pediu para deixar um avião à disposição do senador. E depois, quando acabou a campanha, eu até levei um susto quando veio a conta para pagar. (…) Eu me lembro que paguei, pelo táxi aéreo, duzentos e tantos mil reais na época”, afirmou.”

Todas as histórias que envolvem o doleiro Alberto Youssef e seus advogados desembocam em escândalos tucanos: Banestado, caixa 2 de campanhas demotucanas na década de 90, desvios em Maringá, trensalão.

Todavia, na última hora, os tucanos e a mídia levaram um susto.

Houve uma fissura na conspirata para prejudicar Dilma, quando apareceu um dos “testas de ferro” do doleiro, o senhor Leonardo Meirelles.

Em depoimento à Justiça, Meirelles acusou Youssef de operar para o PSDB, e de ter como “padrinho” um político de oposição do estado do Paraná, praticamente nomeando Álvaro Dias (e confirmando o depoimento do secretário da fazenda de Maringá, citado acima).

Assim que a informação do testa de ferro de Youssef veio à tôna, o advogado do doleiro, Antônio Augusto Figueiredo Basto, iniciou uma operação midiática desesperada para negar que seu cliente tivesse operado para o PSDB. A mídia seguiu-lhe os passos, tentando neutralizar uma informação que poderia atrapalhar os planos de usar o doleiro para derrotar Dilma.

Em segundos, todos os jornais deram um destaque desmedido à “negativa” de Youssef de ter operado para o PSDB.

Só que não tem sentido.

A própria defesa do doleiro, em suas argumentações contra a condenação imposta por Sérgio Moro, pela Ação Penal de 1998, extinta e retomada agora, diz que os US$ 1,5 milhão que ele internou no país em 1998 foram destinados à campanha de Jaime Lerner, candidato demotucano ao governo do Paraná.


Youssef operou a vida inteira para o PSDB! Era a sua especialidade!

Tentar pregar uma estrelinha do PT no peito do doleiro não vai colar.

Alberto Youssef é um produto 100% tucano".

FONTE: escrito pelo jornalista Miguel do Rosário em seu blog "O Cafezinho"(http://www.ocafezinho.com/2014/10/27/a-historia-do-doleiro-que-a-midia-nao-contou/).

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Capacetes azuis da ONU revelam: Israel colabora com Al Qaeda na Síria. Ataques visam exército sírio e aliados e não Exército Islâmico.


O recente ataque de um drone israelita, que matou um general iraniano e cinco combatentes do Hezbollah, encorajou os "capacetes azuis" da ONU a falarem. E contaram que é sistemática a política israelita, de visar o bloco Irã-Síria-Hezbollah, e de poupar as forças da Al Qaeda e do "Estado Islâmico".

Os testemunhos dos "capacetes azuis" estacionados numa zona-tampão dos Montes Golã são referidos extensamente num artigo publicado em Der Spiegel, sobre a situação naquele território sírio parcialmente ocupado por Israel. 

Segundo esses testemunhos, e segundo quatro relatórios de Ban Ki Moon entregues ao Conselho de Segurança no ano passado, tinha havido até 19 de Novembro pelo menos três tentativas originadas naquela zona tampão para colocar armadilhas explosivas em território israelita. Também tinha havido vários disparos de armas ligeiras e de morteiros dessa zona contra Israel, tendo-se registado um morto e dois feridos israelitas.

Os testemunhos e relatórios da ONU não identificam os responsáveis dos atentados e dos disparos, nem precisam se se tratou de disparos direccionados para atingirem alvos israelitas ou de consequências de trocas de fogo entre as forças beligerantes que operam na região. E admitem que o Hezbollah tenha visado alvos israelitas a partir daquela zona tampão, porque assim protegeria de algum modo as suas bases em território libanês contra as retaliações israelitas.

Mas os "capacetes azuis" tornam-se muito mais assertivos quando se referem ao alvo das retaliações em território sírio: em cinco vezes que elas ocorreram, dizem, nenhuma foi apontada contra as forças da Frente Al-Nusra, o ramo sírio da Al Qaeda, ou contra o "Estado Islâmico". Os ataques israelitas visaram sempre o Exército sírio ou os seus aliados iranianos e libaneses. No conjunto, causaram a morte de sete soldados sírios e ferimentos em 43.

Além disso, têm-se registado episódios de auxílio activo de Israel aos combatentes da Al Qaeda. Segundo os relatórios da ONU, verificou-se pelo menos uma vez a entrega de caixotes por militares israelitas aos rebeldes sírios. E verifica-se repetidamente a vinda de rebeldes feridos para tratamento médico em Israel.

Oficialmente, as autoridades israelitas admitem receber feridos sírios, embora digam que não procuram saber se se trata de civis ou combatentes e, neste caso, por conta de quem. De qualquer modo, tal como a política externa israelita tem hoje no Irão e no Hezbollah os seus alvos prioritários, não surpreende que, no terreno, a política militar israelita considere os inimigos dos seus inimigos, ao menos temporariamente, como aliados tácitos.


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sábado, 24 de janeiro de 2015

Obras tucanas da Sabesp, Rodoanel e Metrô de SP: das planilhas do doleiro do "Petrolão" (*) para a mesa do Ministério Público


Os contratos apareceram na planilha apreendida na casa do doleiro Alberto Youssef
por Fabio Serapião — publicado 24/01/2015

Alvo de uma série de processos e inquéritos para apurar a atuação de um cartel de empresas em suas licitações, o Metrô de São Paulo entrou na mira dos promotores paulistas após aparecer em uma planilha apreendida na casa de Alberto Youssef. No documento, revelado por CartaCapital em sua edição 828, a estatal aparece em meio às 750 obras que, segundo a Polícia Federal, foram intermediadas pelo doleiro preso desde março em Curitiba e alvo principal da Operação Lava Jato. Com base nas informações publicadas pela revista, o Ministério Público instaurou um procedimento preliminar e solicitou à Justiça Federal do Paraná o compartilhamento de provas relacionadas à suposta ação de Youssef em solo bandeirante.

Além do Metrô, serão investigadas outras três obras apontadas na planilha, duas da Companhia de Saneamento, a Sabesp, e uma do Rodoanel. Subscrita pelo promotor Augusto Eduardo de Souza Rossini, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, o pedido relacionado ao setor metroferroviário tem como objetivo investigar possíveis “irregularidades consistentes em supostos desvios na licitação do trecho do Monotrilho entre as estações Oratório e Vila Prudente, integrante da Linha 15-Prata do Metrô e descumprimento do prazo de entrega do referido trecho pelos representados”.

No documento, uma planilha de 34 páginas com nomes de clientes relacionados a obras e órgãos públicos, a “Obra Vila Prudente” tem como cliente do doleiro a construtora baiana OAS. Além de alvo da Lava Jato, a empreiteira é integrante do consórcio responsável pela construção do monotrilho ao lado da Queiroz Galvão e da canadense Bombardier. Prometida pelo governador Geraldo Alckmin, do PSDB, para janeiro de 2014, a obra ainda não foi inaugurada. Na planilha, o doleiro cita o engenheiro Vagner Mendonça e aponta como o valor do contrato a cifra de 7,9 milhões de reais. Ao analisar a lista de projetos, a PF apontou que “pode-se deduzir que o doleiro tinha interesse especial nos contratos dessas empresas, onde de alguma forma atuava na intermediação”.

Além da planilha, caso o compartilhamento seja autorizado pelo juiz Sergio Moro, os investigadores da força-tarefa paranaense enviarão aos promotores paulistas uma série de documentos com potencial para colocar, mais uma vez, as caríssimas e lentas obras do Metrô no centro de um escândalo de corrupção. Em meio à papelada amealhada pelas diversas fases da Lava Jato encontram-se registros de movimentações financeiras em contas do doleiro sediadas no exterior que devem comprometer duas integrantes do consórcio do Monotrilho. Além da OAS, a Bombardier aparece em extratos encontrados sob a tutela do funcionário de Youssef João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado. A empresa canadense é alvo das investigações sobre o cartel de trens que teria operado em São Paulo durante as gestões de Mario Covas, José Serra e Alckmin.

O material no qual a Bombardier aparece foi apreendido na Queluz Investimentos, que, segundo a PF, servia de escritório ilegal do banco suíço PKB no Brasil. Os investigadores chegaram até a sede da empresa em busca dos rastros deixados por Almeida Prado. Preso desde o dia 1º de julho, o funcionário de Youssef é considerado pela força-tarefa como responsável pela abertura deoffshore em paraísos fiscais, por onde a organização criminosa escoava o dinheiro proveniente de desvios em licitações públicas. Ele é integrante da centenária família Almeida Prado e concunhado do vice-presidente da Camargo Corrêa, João Auler, outro detido na carceragem da PF no Paraná.

Uma das offshore criadas e administradas por Almeida Prado é a Santa Tereza Services Limited Partnership. Nela, além da Bombardier, os investigadores encontraram movimentações financeiras de outras empresas com contratos milionários em estatais federais e estaduais. Diz o MPF sobre a offshore: “Apurou-se que dentro da conta da Santa Tereza na Suíça há quatro subcontas, todas controladas pela organização criminosa de Youssef e utilizadas para práticas delitivas. No extrato da subconta Sanko Sider aparecem depósitos que são também relacionados à corrupção de funcionários públicos brasileiros: Bombardier, OAS Investments, Cimentos Tupy (...)”.

Mantida no PKB Private Bank da Suíça, a conta da offshore chegou a ter 3,2 milhões de dólares de saldo e, segundo análise dos peritos da PF, seus extratos do período entre 8 de outubro de 2012 e 4 de março de 2014 indicam “intensa movimentação financeira, com diversas operações com valores iguais ou superiores a 1 milhão de dólares”. A subconta Sanko Sider, diz a PF, era abastecida por numerário proveniente da ação do doleiro em negociações relacionadas à venda de tubos para empreiteiras envolvidas no cartel da Petrobras. A planilha apreendida com o doleiro também está relacionada à Sanko.

Em nota, a Bombardier negou manter contato com a Santa Tereza ou empresas pertencentes a Alberto Youssef. Segundo a multinacional, em 2013, a empresa emitiu títulos para captação de recursos na forma de bonds que teriam sido adquiridos pelaoffshore em operação transparente e de acordo com as normas financeiras. “A Bombardier reforça seu compromisso com os mais altos padrões de ética corporativa em todos os países onde está presente”, diz a nota. Também em nota distribuída à imprensa, o Metrô criticou “a tentativa de extrair conclusões de documento cuja autenticidade e significado dependem de provas que já estão sendo produzidas com muita correção pelo Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal”. Segundo a estatal, o​ projeto da Linha 15, bem como todas as obras​ executadas pela Companhia, foi licitado com base na Lei nº 8.666, com ​ampla concorrência entre os consórcios participantes. O certame foi vencido pelo Consórcio Expresso Monotrilho Leste, que ofereceu o melhor projeto e o menor preço.

Somadas, as obras listadas na planilha de Youssef alcançam a cifra de 11,5 bilhões de reais. São 747 projetos executados por órgãos públicos entre 2008 e 2012. No caso do monotrilho da Vila Prudente, as relações do doleiro com as licitações ainda necessitam de uma investigação mais aprofundada. Mas o fato é que a instauração dos inquéritos por parte das autoridades paulistas é mais um passo no caminho da busca por todos os tentáculos da organização criminosa comandada por Youssef e que, segundo a PF, extrapola os limites da Petrobras e “assola o País de Norte a Sul.”

CARTA CAPITAL

(*) Lamentamos informar, mas a capivara do Yousseff remonta tempos muito anteriores a este tal "Petrolão"
Na verdade este Yousseff já operava com os tucanos Sérgio Motta ( Rest In Pieces ) e Ricardo Sérgio de Oliveira, truta de Serra e hoje na cadeia, mas sabe como é, a imprensa não costuma citar estes detalhes e aí toca a gente fazer garimpagem pros preguiçosos - a maioria - que só lêem manchetes de jornal:

PF descobre que conta no exterior de Motta e Ricardo Sérgio movimentou US$ 280 milhões em apenas 3 anos
A equipe montada pela Polícia Federal para investigar o esquema de lavagem de dinheiro da corrupção e outros crimes através do Banestado – que lavou e externou cerca de US$ 30 bilhões entre 1996 e 1999 – voltou de Nova Iorque com montanhas de documentos que decifram o mapa da lavagem de dinheiro no Brasil, sobretudo dinheiro roubado dos cofres públicos, caixa dois de campanhas e propinas arrecadadas no processo de doação das estatais.

Nesse submundo, foram identificados nada mais nada menos que os próceres do tucanato – Sérgio Motta, Ricardo Sérgio de Oliveira e outros nomes que não foram divulgados ainda para não prejudicar as investigações – como o cérebro do esquema criminoso.

Desde 1998, com a revelação do Dossiê Cayman, o país tomou conhecimento de que o quinteto tucano (Fernando Henrique, Covas, Serra, Sérgio Motta e Ricardo Sérgio) havia depenado o país e mandado o dinheiro para o exterior. No entanto, apesar das denúncias e da documentação, o abafa nas investigações da Polícia Federal e o silêncio da imprensa fernandista fez com que as provas fossem sendo esquecidas e escondidas até que, ao investigar o esquema de remessas de dinheiro ao exterior através das contas CC-5, tendo como mote a lavagem de dinheiro do narcotráfico, o delegado da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, José Castilho Neto, descobriu que, na verdade, o esquema era utilizado principalmente por políticos, sobretudo tucanos, para remeter dinheiro sujo ao exterior.

De acordo com o laudo técnico feito pelos peritos da PF, até 1997 - e ainda não ficou pronto o levantamento dos anos posteriores - Ricardo Sérgio enviou US$ 56 milhões ilegalmente para Nova Iorque. De Nova Iorque, o dinheiro era distribuído para outras contas em bordéis fiscais, particularmente nas Ilhas Virgens, pertencentes a empresas de Ricardo Sérgio ou em nome de testas-de-ferro que passavam procuração a Ricardo Sérgio para gerir as empresas (ou seja, as contas, pois essa era a única atividade dessas empresas). Ricardo Sérgio de Oliveira tinha experiência em operar negócios no exterior: foi vice-presidente do Citibank, em Nova Iorque, e diretor da área internacional do Banco do Brasil, tendo, inclusive, suspeita o Ministério Público, ajudado a montar o esquema no Banestado.

Segundo o laudo de exame financeiro elaborado pelos peritos Renato Rodrigues Barbosa, Eurico Montenegro e Emanuel Coelho, referente aos anos de 1996 e 1997, publicado pela revista “IstoÉ”, os US$ 56 milhões de Ricardo Sérgio foram externados pelo doleiro foragido da Justiça Alberto Youssef. Conforme o laudo, o doleiro – que também operava para Fernandinho Beira-Mar – enviava os recursos através de uma rede de laranjas e doleiros paraguaios e uruguaios para uma conta de número 1461-9, na agência do Banestado em Nova Iorque. De lá, o dinheiro partia para uma conta de número 310035 no banco Chase Manhattan, hoje JP Morgan, batizada com o inusitado nome de “Tucano”, no melhor estilo Sérgio Motta.

Sérgio Motta, que sempre foi conhecido como o “gestor financeiro” da corriola fernandista, era perito em montar esquemas com nomes que pareceriam amadores, mas autênticos, como a empresa de fachada montada por ele com o nome de “Laranja Azeda”. Portanto, a conta “Tucano” tem a impressão digital de Sérgio Motta.

De acordo com a revista “IstoÉ”, do último final de semana, entre os novos documentos analisados pelos peritos, a conta “Tucano” era utilizada como centro de distribuição do dinheiro que partia para outras contas em bordéis fiscais. Apenas entre 1996 e 1998 a conta “Tucano” movimentou cerca de US$ 280 milhões.

Outro ponto que está para ser esclarecido é que a conta “Tucano” era o centro da movimentação financeira do alto tucanato, mas os nomes ainda estão sendo mantidos em sigilo. Em janeiro de 98, Sérgio Motta ordenou o pagamento de US$ 27 mil para a conta da empresa Vision Design no Banenett Bank de Miami. O dinheiro saiu da conta da offshore caribenha New Satar Fianc Corp. Na mesma data, essa mesma offshore, enviou outros U$ 180 mil para a conta “Tucano”. Após a morte de Motta, os movimentos mais pesados começaram a ser feitos por Ricardo Sérgio de Oliveira.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Golpe de 64 levou à morte o dono do Estadão, Por Jasson de Oliveira Andrade


Julio de Mesquita Filho, dono do Estadão, apoiou, segundo ele, um golpe preventivo em 1964. Em sua opinião e na dos militares, Jango planejava um Golpe. É o que se dizia naquela época. No entanto, quem conspirava para derrubar o presidente eram os militares anti-janguistas, entre eles Castelo Branco, como se constatou posteriormente. Mas esta é outra história, que fica para um próximo artigo.

Julio de Mesquita Filho acreditava que Castelo Branco iria ficar pouco tempo no Poder e depois convocaria a eleição para 1965. O seu candidato era Carlos Lacerda, também conspirador. O apoio dele durou pouco tempo, como constatou o jornalista José Maria Mayrink, em reportagem publicada no Caderno Especial 140 anos Estadão (18/1/2015): “[o jornal, leia-se Julio de Mesquita Filho} “rompeu definitivamente com o regime militar após a edição do Ato Institucional nº 2 (AI-2) que cancelou (sic) as eleições previstas para 1965”, acrescentando: “O jornal passou a publicar violentos editoriais (sic) contra a ditadura já antes de 1968, quando o presidente Costa e Silva baixou o Ato Institucional número 5, que fechou o Congresso, cassou mandatos parlamentares, arrochou a censura à imprensa [inclusive no Estadão] e prendeu dezenas de opositores [entre eles Carlos Lacerda, o líder civil do Golpe]”. A decepção de Julio de Mesquita Filho, que já era grande, aumentou. Com a consciência doendo por ter sido um dos responsáveis pelo Golpe de 64, o dono do jornal não agüentou, ficou doente e morreu. É o que conta José Maria Mayrink: “O “Estado” pagou caro pela derrota (sic) de seus ideais. “Foi em primeiro a vida (sic) de meu pai: com o AI-5, ele deixou de escrever o principal editorial do jornal e caiu doente (sic)”, afirmou Ruy Mesquita em 2004. O último foi justamente “Instituição em Frangalhos”, que causou a apreensão (sic) do jornal antes do anúncio do AI-5. Júlio de Mesquita Filho morreu seis meses depois, em junho de 1969, após a reativação de uma úlcera de duodeno. “O trauma moral (sic) pelo que estava acontecendo no País o levou à morte (sic)”, concluiu Ruy na mesma entrevista”.

Mayrink termina assim sua reportagem: “Julio de Mesquita Filho viu com grande arrependimento (sic) a modificação do movimento do qual participou em 1964”, escreveu Roberto Salone no livro “Irredutivelmente Liberal” (Albatroz Editora). “Com essa decepção, começa a mais desabrida oposição do “Estado” à ditadura”.

Pode-se discordar do liberalismo de Julio de Mesquita Filho e do Estadão. No entanto, deve-se louvar sua corajosa atitude. Errar é humano. Ele não persistiu no erro e se tornou um opositor ao Golpe de 64, que ajudou a colocar no Poder. E morreu por defender essa perigosa posição. Enquanto alguns jornalistas, deixe para lá ... Vamos nos preocupar, apenas, com a grandeza de Júlio de Mesquita Filho!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu (janeiro de 2015)

PUBLICADO NA “GAZETA GUAÇUANA” EM 22/1/2015

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Ramones - 53rd & 3rd


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Iggy Pop - Dog food



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Duas de Lógica


PRIMEIRA

Certa vez um pesquisador em seu laboratório pegou uma aranha treinada, que ao ter o comando de pular, pulava, então ele arrancou uma pata da aranha e ordenou que pulasse, ela pulou e ele anotou em sua prancheta, “a aranha com sete patas pula”. Arrancou novamente outra pata repetiu o processo, tornou a anotar em sua prancheta “aranha com seis patas pula”, e foi assim até que arrancou todas as patas, ordenou mais de três vezes que a aranha pulasse, a aranha não pulou, então concluiu sua pesquisa “a aranha sem patas fica surda”. ( AUTOR DESCONHECIDO )

SEGUNDA

Mentiras verdadeiras, verdades mentirosas?
Eric Nepomuceno

Em tempos de meias-verdades e mentiras inteiras, de omissões insuspeitas e vaidades insuportáveis, não posso continuar calado sobre dois momentos especiais da minha vida. Quero deixar claro que não sou oportunista: não contei antes o que conto agora por respeito à intimidade, a minha e a das moças envolvidas. Além disso, por serem duas figuras públicas (aliás, por uma delas continuo sentindo irrestrita admiração). E também por modéstia.
Antes de revelar o que até agora guardei no mais absoluto segredo, confesso que careço de provas materiais. Jamais apelaria para recursos como fotografias, gravações de vídeos ou de fitas com os sons que surgiram, espontâneos, enquanto acontecia o que aconteceu. Mas vamos lá:
1) Aos meus 15 anos, aprendiz da vida, tomei um banho inesquecível com Brigitte Bardot, que estava no apogeu. Depois que saímos do banho, inebriados os dois, notei que ela, com aquela falsa e endemoniada ingenuidade que era sua marca mais fascinante e mortal, passou a não me dar importância. Não tornei a chegar perto dela (aliás, nem tentei). Pensando bem, aquele banho até que foi um tanto agitado e fugaz. Mas minha vida nunca mais foi a mesma.
2) Aos meus 38 anos, meio cansado de tanta aventura, no Aeroporto do Galeão olhei Malu Mader nos olhos e, com calma e frieza, disse a ela que não. Em voz baixa, pedi que continuasse o seu caminho e me deixasse seguir o meu. Malu começava a mostrar-se no apogeu que dura até hoje, estava queimada pelo sol de um verão inesquecível, os cabelos presos com displicência num rabo de cavalo, os ombros deixados livres pela camiseta branca. Recordo, nítido, meu esforço para ser firme na hora de dizer que apreciava profundamente seu interesse, mas que não iria com ela.

Essas são verdades absolutamente verdadeiras.

Claro que haverá o batalhão dos maldosos de sempre, prontos para duvidar. Elas e eu, em todo caso, sabemos que tudo isso aconteceu. Talvez deva acrescentar alguns pequenos detalhes que só confirmam o que guardo no melhor das minhas memórias:

1) No verão de 1964 meu pai me levou, numa velha Rural Willys, para conhecer Cabo Frio. De lá seguimos, numa estrada que era uma seqüência formidável de obstáculos, até Búzios. Fascinados pela beleza, paramos numa praia deserta. Corri e mergulhei, nu, naquele mar perfeito. Saí inebriado. Pouco depois, num almoço tardio, meu pai me contou que na mesma hora e na enseada vizinha Brigitte Bardot havia nadado exibindo, sem nenhum recato, sua nudez desaforada. Estávamos nus, era o mesmo mar, a mesma água. Ou seja: o mesmo banho, é lógico.
2) Em janeiro de 1987 eu chegava de volta ao Rio depois de 20 longos dias passados em Manaus, escrevendo o roteiro de um documentário sobre o Amazonas. Viajava com um ator amigo. Malu Mader estava no Galeão. Meu amigo nos apresentou e ela, cordial e belíssima, me ofereceu uma carona. Quando contei que morava em São Conrado, notei em seus olhos a passagem fugaz de uma ínfima contrariedade: teria de fazer um longo desvio. Agradeci, disse que não se preocupasse e fui embora de táxi.
Esses são os tais pequenos detalhes, mas é claro que jamais me importei com eles. Afinal, o que aconteceu, aconteceu. E de verdades como estas é feita a história neste país de anjos imaculados. Ou não?

Jornal do Brasil
21/JUN/2005


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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O cinismo nosso de cada dia, Por Gilson Iannini


“Não vos conformai com o século presente, mas sede transformados pela renovação de vosso pensamento” (Romanos, 12:2)

1 O que pode estar errado com isso?

— A riqueza das oitenta e cinco pessoas mais ricas do mundo equivale à dos três bilhões e meio mais pobres.

— É fantástico. E é uma coisa ótima, porque inspira a todos, dá motivação para olhar para os 1% e dizer “eu quero ser uma dessas pessoas, eu vou lutar muito para chegar ao topo”. [...] O que pode estar errado com isso?

— Sério?

— Sim, sério. Eu celebro o capitalismo.

— Então, alguém que ganha um dólar por dia na África acorda de manhã e diz “eu vou ser Bill Gates”?

— É essa a motivação que todos precisam.

— A única coisa entre eu e essa pessoa é “motivação” [...].

— Eu não sou contra caridade. Veja, não me diga que você quer redistribuir riqueza outra vez. Isso nunca vai acontecer.

Esse diálogo, infelizmente, não é ficcional. Ocorreu entre a repórter Amanda Lang e o investidor Kevin O’Leary, a respeito de um relatório que mostrava que as oitenta e cinco pessoas mais ricas do mundo detêm a mesma riqueza que os três bilhões e meio de pessoas mais pobres. Isso mesmo, oitenta e cinco pessoas, que poderiam caber confortavelmente num jantar entre amigos num apartamento de cobertura, possuem o equivalente do que os três bilhões e meio de pessoas, contingente que ocuparia quase a totalidade do território da Ásia. Isso corresponde a dizer que a chance de alguém realizar essa “promessa inspiradora” é de bem menos do que 1%. Na verdade, é algo em torno de uma chance a cada quarenta e quatro milhões de pessoas. Como se uma pessoa num país do tamanho da Espanha pudesse ser extremamente rica, e todas as demais extremamente pobres. O que pode estar errado com isso?

Além disso, segundo o relatório, nos últimos vinte e cinco anos, houve um fenômeno mundial de concentração de renda. “Esse fenômeno global levou a uma situação na qual 1% das famílias do mundo são donas de quase metade (46%) da riqueza do mundo”, concluiu o documento do PNUD. Mas o que nos espanta nesse diálogo surreal é, justamente, o entusiasmo com que o investidor comenta o relatório. Para ele, são notícias fantásticas, inspiradoras, que deveriam motivar os mais pobres a trabalhar duro! A rigor, O’Leary disse apenas uma verdade grotesca, e disse sem véus, sem dissimular nada. Como um bufão. Retirou o verniz de cinismo necessário que, no dia a dia, encobre essa verdade acerca do modo de funcionamento do capitalismo. Quando retirado esse verniz, quando expostas as vísceras, sentimos apenas repulsa. Pois sabemos que o máximo que é permitido segundo essa lógica é que alguém (um em quarenta milhões) consiga furar o bloqueio e entrar para o seleto grupo dos podres de ricos. Mas mudar algo no próprio funcionamento do negócio, isso não, isso nunca vai acontecer. A história acabou, temos que aceitar os fatos. Redistribuir riqueza? Não, eu celebro o capitalismo. O diálogo termina assim:

— Nós estamos falando de pessoas que estão em abjeta extrema pobreza [...].

— Não, não estamos. Estamos falando de pessoas realmente ricas.

Para o investidor, os pobres não existem sequer como fatos de discurso. Não existem nem ao menos simbolicamente. Não por acaso, é plenamente possível saber de cor os nomes dos oitenta e cinco endinheirados, ao passo que os três bilhões e meio são, necessariamente, sem-nome. O máximo que podemos fazer é alguma caridade e contar-lhes histórias inspiradoras.

2 Histórias inspiradoras

Nas antípodas desse cinismo grotesco, o professor de ética prática Peter Singer, em sua palestra “O porquê e o como do altruísmo eficaz” convida-nos a nos valermos de nossa razão a fim de perspectivar o sofrimento do outro e nos engajarmos no que ele chama de “altruísmo eficaz”. Mobilizando nosso altruísmo e compaixão, podemos ajudar, por exemplo, crianças pobres dos países pobres. No entanto, apesar de estarem em extremos opostos quanto ao significado da pobreza e nossa tarefa diante dela, as duas perspectivas, ironicamente, se tocam num ponto: a naturalização da própria lógica que fundamenta tal estado de coisas. O melhor exemplo disso é o conselho de que estudantes desistam da carreira acadêmica e se tornem banqueiros ou trabalhem no mercado financeiro, porque quanto mais rico o indivíduo for, mais caridade poderá fazer. O que esse inspirador exemplo nos mostra é a total cegueira, senão a total impossibilidade de pensar fora da lógica que, justamente, resulta no estado de coisas que pretende remendar. Pois é justamente essa lógica financeira que resulta necessariamente na produção da miséria. Contudo, a má consciência pode dormir tranquila: depois de doar o excedente inútil, a consciência deita no travesseiro reconciliada consigo mesma. Esse é o altruísmo mais efetivo do mundo: reconcilia a consciência narcísica consigo mesma. Minha forma de vida, meu conceito de razão aprofundam a miséria social. Mas não há problema algum, pois minha moral me lembra de doar o excedente, ou até mesmo um tanto mais do que o excedente. No fundo, a lógica que inspira esse pensamento não é ainda pensamento, mas apenas justificação conceitual de uma forma de vida historicamente determinada. Uma forma de vida cuja lógica produz miséria e exporta pobreza. Nesse sentido, o altruísmo eficaz é um exemplo perfeito de um pensamento afásico e, no limite, conivente. Um pensamento piedoso e benevolente, i.e., culpado. Incapaz de interrogar seus próprios pressupostos, naturaliza formas de vida contingentes; impossibilitado de interrogar o próprio conceito central, o conceito de razão, naturaliza a razão instrumental calcada no individualismo, sem se dar conta de que é essa própria razão que é responsável pelo crime que sua consciência infeliz tenta expiar através da caridade. Em termos lacanianos, tal perspectiva solda o real à realidade.

Não restam dúvidas de que ações altruístas como essas devem ser aplaudidas e incentivadas. Mas elas pertencem ao domínio da ética. Não são ainda políticas. Não são ainda capazes de engendrar políticas públicas para fazer face àquele estado de coisas. Remendar os efeitos insuportáveis da desigualdade seria tarefa dos indivíduos, não do Estado ou da sociedade. Quando a moral serve para tampar o furo da política perdemos a capacidade de pensar, capitulamos diante do peso do já existente. Incapaz de interrogar sua própria ideia de razão, a filosofia se torna religião. Ou seu nome no mercado das palestras: motivação. Diante do conselho de Singer não há como não lembrar Brecht: o que significa roubar um banco, comparado a fundar um?

3 Fúria e economia

Certa feita, a filósofa Hannah Arendt escreveu: “A fúria não é de modo nenhum uma reação automática diante da miséria e do sofrimento em si mesmos; ninguém se enfurece com uma doença incurável ou um tremor de terra, ou com condições sociais que pareçam impossíveis de modificar. A fúria irrompe somente quando há boas razões para crer que tais condições poderiam ser mudadas e não o são”. Por essas razões, o maior desafio do sistema capitalista global é justamente o de naturalizar a crença de que é impossível modificar nosso sistema social, é nos fazer crer na naturalidade de nossas relações sociais. A única maneira de evitar a revolta dos segregados é envolvê-los nessa crença da inexorabilidade das condições sociais e econômicas. Para funcionar bem, a máquina precisa encobrir suas engrenagens. O véu cínico é absolutamente necessário para gerir os afetos sociais. A democracia liberal funciona como um desses sete véus. Histórias pessoais de sucesso, do tipo “comecei do zero e cheguei ao topo”, servem como um cimento imaginário que esconde as fraturas. O problema é que inclusão social massiva, quando ocorre, sugere que a doença não é tão incurável assim.

Mas como funciona essa inculcação sistemática da crença de que o estágio atual do capitalismo é um fato fechado em si mesmo e que a sociedade e a história devem se curvar a isso? As estratégias são muitas: a própria reprodução material de uma forma de vida esculpida para esses fins, com seus sonhos de consumo, de sucesso individual, de aquisição de bens. Tais desejos são esquematizados na indústria cultural do sucesso, incluindo aí o culto à personalidade, impregnado na verdadeira religião das celebridades, suas ilhas caras e suas carreiras. Contudo, uma das estratégias mais eficazes raramente é lembrada: trata-se da naturalização da linguagem econômica.

Acostumamo-nos a medir a política pela economia. Fomos habituados a escutar e falar em economês: “o Mercado está apreensivo com as eleições”. Bingo. Quem é o mercado? Alguém já fez essa simples questão? Essa entidade metafísica pós-moderna a que chamamos de mercado parece ser um vetor de humores extremamente voláteis: falamos em temor, apreensão, confiança, pessimismo, credibilidade, etc. Uma certa economia, e mais ainda o jornalismo econômico, é, na verdade, o prolongamento de uma psicologia mal fundada (com suas teorias dos jogos, da escolha racional etc.), que não consegue esconder seu viés ideológico debaixo da camada científica de modelos matemáticos e de estatísticas. O mercado, essa entidade metafísica, nem é tão metafísico assim: metade de seu capital pertence a pouco mais de algumas dúzias de investidores e seus grupos, todos de carne e osso, com fotos sorridentes nas listas da Forbes. Parte do jornalismo é, no melhor dos casos, um psico-economês pseudo-científico.

Em nosso jornalismo, não há lugar para a política. De um lado, a política é reduzida à economia. De outro lado, é judicializado, transformado numa novela, com seus maniqueísmos grotescos, seus mocinhos e bandidos, como mostrou Ivana Bentes recentemente. O paradigma dos programas de polícia vigora no noticiário político. Nos dois casos, estamos diante de uma espécie de corrupção da política pela antipolítica.

Há alguns meses, um programa televisivo resolveu debater um tema importante, a polarização do debate “esquerda x direita” na política nacional. Para falar de “esquerda x direita”, W. Waack escalou L.F. Pondé, B. Lamounier e R. Azevedo! O equivalente de assistir a um Fla-Flu em que o juiz, o narrador e o comentarista estão todos de um lado só. Entre outras pérolas, eles diziam que não havia nada como uma “guinada direitista da midia”. Ao contrário, completavam, “a midia é toda de esquerda”! Só se esqueceram de olhar para si mesmos: a própria forma do programa comprovava o inverso do que eles diziam. Tecnicamente, isso se chama “contradição performativa” – ou seja, quando minha forma de dizer prova o contrário do que digo.

O resultado disso é que a média da população brasileira, inclusive aquela que se orgulha de seu bom nível de escolaridade, simplesmente desconhece que existe pensamento político de esquerda. E que existe um pensamento sofisticado, posterior à queda do muro de Berlim. Um pensamento que embasa políticas sociais em vários países democráticos ou que serve de contraponto ao discurso hegemônico das democracias liberais como realização máxima da justiça possível. Não por acaso, qualquer “crítica ao capitalismo” é rapidamente sugada para o buraco negro dos exemplos de fracasso de ditaduras comunistas: “vai pra Cuba”, “bom é na Coréia do Norte”, ouvimos recentemente nas patéticas manifestações contra os resultados das eleições brasileiras. Como escutamos de alguns sábios jornalistas, gestores do medo e do ódio: “estão querendo implantar uma espécie de bolivarianismo tropical!”.

Uma nova política necessariamente passa pela distinção entre ato e potência, como bem mostra Agamben. Nenhuma forma de justiça efetivamente existente no presente ou já experimentada no passado pode nos dar a figura de uma sociedade justa. Ideais normativos de justiça já realizados não podem ser tomados como critérios definitivos de validade de um pensamento político renovador, pois isso equivaleria a renunciar à possibilidade de criticar nossa forma de vida contingente, como se vivêssemos na realização máxima da justiça social. Ali onde o pensamento se conforma ao positivamente dado, eliminando a historicidade do existente, retiramos aquilo que é mais caro ao pensamento: ultrapassar coordenadas efetivamente dadas. Nossas democracias liberais querem fazer crer que o real e o possível são equivalentes. Trata-se de uma redução do real à imagem. Um efeito colateral disso é que ali onde não há pensamento, tudo o que temos são imagens, com seus véus. Ora, não nos ensina Lacan que a colonização do real pelas imagens é a fonte da agressividade especular?

4 Quem disse “corrupção”?

Para concluir, não poderia deixar de dizer uma palavra sobre a corrupção. A corrupção é um problema muito mais grave do que parece. E a solução, muito mais difícil. Não é um problema de um ou outro partido. É endêmico. Não é um problema exclusivo da classe política, está enraizado em nosso jeito de levar vantagem em tudo, e isso nivela o porteiro do prédio ao empresário que mora na cobertura. A única maneira de realmente enfrentar o problema da corrupção é reconhecer sua gravidade. Reconhecer que ele envolve não apenas o Estado e a classe política, mas parte considerável do sistema financeiro e do empresariado, assim como o cidadão comum, com diferença apenas de escala, não de natureza. A tentativa de amalgamar a ameaça em apenas um culpado é, na verdade, uma tentativa de encobrir o funcionamento podre de toda a máquina, dos indivíduos ao Estado, passando pelo mercado, há muitas e muitas décadas.

A ideia de que tirar este ou aquele partido do poder seria uma maneira de combater a corrupção é, na verdade, uma tentativa de deixar tudo como está, trocando apenas as peças, sem mexer nas engrenagens.

Gilson Iannini é psicanalista, Doutor em Filosofia e Professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).


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Há trinta anos Tancredo se elegeu Presidente. Era o fim da Ditadura, por Jasson de Oliveira Andrade


“Vitorioso, Tancredo Neves não foi empossado. Ficou gravemente doente e morreu antes da posse (21/4/1985). Morte até hoje duvidosa, mas que não se conseguiu provar que ele tenha sido assassinado.”


Com o Golpe de 64, os militares impuseram uma ditadura, que a jornalista Maria Isabel Pereira designou, acertadamente, como “Uma noite que durou 21 anos”. No período, só eles podiam ser candidatos, não se aceitava candidatura de civis. Tivemos cinco deles no comando, eleitos em votação indireta, sem participação do eleitor. Eis os militares que foram eleitos indiretamente: Castelo Branco (15/4/1964 a 15/3/1967), Costa e Silva (3/10/1967 a 31/8/1969) - com a doença dele, governou uma Junta Militar no lugar do vice Presidente Pedro Aleixo (UDN), impedido de assumir por ser civil – Emilio Garrastazu Médici (30/10/1969 a 15/3/1974), Ernesto Geisel (15/3/1974 a 15/3/1979) e João Batista de Figueiredo (15/3/1979 a 15/3/1985). Só foram permitidos candidatos civis apenas em 15 de janeiro de 1985, mas ainda no Colégio Eleitoral. Por sinal dois candidatos civis: Tancredo Neves, avô de Aécio, e Paulo Maluf.

Na eleição indireta de 30 anos atrás, Tancredo foi o candidato do PMDB, oposição, e Paulo Maluf pela situação, candidato do PDS, antigo ARENA. O peemedebista conseguiu dividir o partido do governo, apoiado pelo presidente militar João Batista Figueiredo. Para tanto, teve como candidato a vice José Sarney, do PDS e ex-presidente da ARENA, partido da Ditadura. Com a divisão, Tancredo obteve uma vitória esmagadora: 480 votos contra apenas 180 de Maluf. Essa diferença de 300 votos foi surpreendente. Ao se pronunciar, após a vitória, Tancredo declarou: “Essa foi a última eleição indireta”. E foi!

No depoimento prestado ao UOL, em 15/1/2015, o senador José Sarney (PMDB), fez revelações que merecem ser conhecidas por serem históricas: “No Brasil, o colégio eleitoral [eleição indireta] foi uma exigência de Castelo Branco, que a vida inteira foi um legalista (?), não tendo participado dos reiterados levantes tenentistas da sua geração e, admirador dos udenistas (sic), desejava revestir o poder de legalidade, enquanto nada mais era do que o rompimento (sic) da ordem constitucional. (...) Assim, ele só aceitaria ser presidente se fosse eleito. E criou-se o colégio eleitoral para esse fim. Acontece que ele cumpria a formalidade, mas não tinha capacidade de legitimar (sic) sua investidura. (...) Os militares não aceitavam candidato civil (sic), e o colégio eleitoral [em1985] obediente às forças vitoriosas em 64, não tomaria outra posição. Mas apresentou-se uma clareira para que os políticos pudessem atuar: Figueiredo, picado pela mosca azul (sic), queria permanecer no governo por meio da prorrogação do seu mandato, tese apoiada pelos partidos comunistas (sic) e pelo governador Leonel Brizola (sic), que se tornaria o teórico da solução, uma vez que Figueiredo comprometia-se, prorrogado o seu mandato, a fazer eleição direta. (...) Como ele não dispunha de prestígio dentro da tropa (sic), mandou fazer uma consulta a todos os generais (sic), mas estes se manifestaram contra sua permanência no governo (sic). Diante desse fato, apresentou o seu candidato, que devia ser Paulo Maluf, para embaralhar o processo eleitoral”. Aí houve a dissidência de Sarney, daí a vitória folgada de Tancredo.

Vitorioso, Tancredo Neves não foi empossado. Ficou gravemente doente e morreu antes da posse (21/4/1985). Morte até hoje duvidosa, mas que não se conseguiu provar que ele tenha sido assassinado. Hoje prevalece a morte por doença e não um atentado.

Atualmente (2015), o senador Sarney se aposentou da política (seu mandato termina em 31/1/2015) e Paulo Maluf continua na política, tendo sido reeleito deputado federal, com 250.296 votos.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu.

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"Quero me pronunciar em termos práticos como cidadão, distintamente daqueles que se chamam antigovernistas: o que desejo imediatamente é um governo melhor, e não o fim do governo. Se cada homem expressar o tipo de governo capaz de ganhar o seu respeito, estaremos mais próximos de conseguir formá-lo."
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"Além da nobre arte de fazer coisas, existe a nobre arte de deixar coisas sem fazer. A sabedoria da vida consiste na eliminação do que não é essencial."
Lin Yutang, filósofo chinês (1895-1976 )


" Nunca deve valer como argumento a autoridade de qualquer homem, por excelente e ilustre que seja...
É sumamente injusto submeter o próprio sentimento a uma reverência submetida a outros; é digno de mercenários ou escravos e contrário à dignidade humana sujeitar-se e submeter-se; é uma estupidez crer por costume inveterado; é coisa irracional conformar-se com uma opinião devido ao número dos que a têm...

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