quarta-feira, 18 de abril de 2018

Lembranças de outro país, Por Paulo Nogueira Batista Jr.


Com Lula, o Brasil andava de cabeça erguida. Sem arrogância, sem bravatas, mas sem subserviência

Hoje quero fazer a minha pequena homenagem ao ex-presidente Lula. Muitos já se manifestaram sobre ele, nos últimos dias, em textos e depoimentos emocionados e emocionantes. O que poderia eu acrescentar a tudo que foi dito? Talvez relatar brevemente episódios que testemunhei e que revelam algumas das muitas qualidades de Lula.

Um desses episódios ocorreu em 2009, quando Lula resolveu emprestar dinheiro ao FMI, algo sem precedentes para um país como o nosso. Na época, eu era diretor-executivo pelo Brasil e outros países no fundo. Desde 2006, o Brasil acumulava reservas internacionais em ritmo acelerado e estava em posição forte.

Graças a isso, o País conseguiu atravessar com relativa tranquilidade a aguda crise que irrompeu em 2008 nos sistemas financeiros dos EUA e da Europa. Os países desenvolvidos, apavorados com a instabilidade financeira, queriam reforçar rapidamente o poder de fogo do FMI, criando substanciais linhas de crédito para a instituição. Pediram aos países emergentes mais fortes, inclusive o Brasil, que ajudassem na mobilização de recursos.

O problema é que aportar recursos dessa forma não daria poder de voto adicional ao Brasil no FMI. A reforma da instituição caminhava devagar. Havia sido aprovada a reforma de quotas e governança de 2008, que melhorara um pouco a posição relativa do Brasil e de outros países em desenvolvimento em termos de poder de voto. Mas a segunda etapa da reforma, que prometia avanços mais expressivos, estava ainda em negociação.

Manifestei ao governo brasileiro a minha avaliação de que seria melhor obter avanços em termos de reforma da governança do FMI antes de fazer qualquer empréstimo. O presidente Lula não aceitou as minhas ponderações e autorizou a abertura de uma linha de crédito de 10 bilhões de dólares ao fundo.

Não demorou muito para que ficasse claro para mim que ele estava certo e eu errado. O tino político do presidente valeu mais do que os cálculos do economista. O impacto da decisão foi enorme, tanto fora quanto especialmente dentro do País. O Brasil, devedor contumaz, e às vezes relapso, estava agora na condição de credor da mais importante instituição financeira multilateral. Foi um verdadeiro tiro de canhão no nosso proverbial complexo de vira-lata.

Além disso, a operação se revestia de características especiais. O FMI é um risco de crédito sólido, a remuneração não era muito inferior à rentabilidade média das nossas reservas internacionais e qualquer desembolso feito ao abrigo da linha de crédito tinha liquidez total assegurada pelo FMI e poderia, portanto, continuar a ser contabilizado como parte das reservas brasileiras. Mudava a composição, não o nível das reservas.

Esse episódio com o FMI insere-se em um movimento mais amplo de fortalecimento da posição internacional do Brasil, iniciado por Lula no seu primeiro mandato. Desde o início, ele revelou um talento especial para a articulação internacional. Em poucos anos, ele se tornou conhecido e respeitado no mundo inteiro por governos das mais variadas tendências.

Para a surpresa geral, estabeleceu por exemplo uma relação cordial com o presidente dos EUA, George W. Bush. Isso permitiu que Lula desempenhasse um papel-chave na transformação do G-20 – que inclui os principais países emergentes – no principal foro para cooperação econômica internacional em substituição ao G-7, composto exclusivamente pelos principais países desenvolvidos. Desde a primeira reunião de líderes do G-20, em Washington, no fim de 2008, Lula foi uma presença marcante, verdadeiro orgulho para os brasileiros que, como eu, acompanhavam de perto a sua atuação.

Quando me lembro dessa época, leitor, fico com a sensação de estar tratando de outro país, não deste em que hoje vivemos. Com Lula, o Brasil andava sempre de cabeça erguida. Sem arrogância, sem bravatas, mas sem a subserviência que caracteriza o comportamento de grande parte da elite brasileira.

Outro traço notável de Lula: o poder nunca lhe subiu à cabeça e nunca o afastou das suas raízes. Passei os últimos dez anos no exterior, primeiro em Washington e depois em Xangai, mas sempre que vinha ao Brasil procurava fazer uma visita a ele. Numa dessas visitas, aconteceu algo curioso.

Ao final do nosso encontro, ele me perguntou se eu não gostaria de participar da próxima reunião na sua agenda, que era com as lideranças de catadores de lixo. Aceitei e acabei presenciando um diálogo muito interessante. Vieram lideranças do Brasil inteiro, homens e mulheres, pessoas articuladas e inteligentes, representantes de um movimento social organizado. Lula conhecia todo mundo e mostrou impressionante domínio dos detalhes do trabalho dos catadores, da história do movimento e das suas reivindicações.

O que mais me ficou na lembrança foi, porém, a natureza da relação entre Lula e as lideranças de um movimento popular. A relação era de respeito, mas não de veneração e muito menos adulação. As lideranças questionavam, sem constrangimento, algumas das afirmações de Lula, que aceitava as contestações com toda naturalidade. Era o diálogo franco e substantivo de um líder político natural, autenticamente democrático, com integrantes da sua base social.

Saí dali energizado, confiante de que o Brasil estava entrando em nova etapa da sua história.


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Algumas observações sobre o caso Aécio



algumas observações sobre o caso aécio:

1. o fato de ele ter se tornado réu no STF não teve nada a ver com a lava-jato de curitiba, leia-se sergio moro, que, pelo contrário, sempre se fez de surdo a todas as denúncias contra o sujeito ("não vem ao caso", dizia).

2. concordo com os que dizem que uma eventual condenação agora não vai significar grande coisa no contexto geral, porque o aécio já significava pouco politicamente.

como mostrou o celso rocha de barros num artigo na folha (e numa entrevista na globo news que deixou a renata lo prete com cara de tacho), o estrago contra a esquerda - objetivo principal da operação e do golpe - já está feito. o que vier agora, contra aécio, temer e companhia, terá o efeito prático de mera encenação, pra dizer que "a justiça é para todos".

3. "a justiça é para todos" foi justamente a frase usada para comentar a desgraça do correligionário pelo santo alckmin, que tem sido blindado até a medula pela casta jurídica e pelo oligopólio de mídia. pelo menos até que se escolha outro candidato menos inviável e ele também seja descartado. ("it's a wild world", já cantava o outro.)

4. o que pode sair de mais positivo disso tudo, talvez sendo um pouco ingênuo, é o "efeito pedagógico".
pelo menos uma parcela do pessoal que saiu batendo panela e vendo no mineirinho um paladino contra a corrupção, sacramentado pelas TVs, jornalões e revistinhas, talvez comece a perceber que foi manipulada e passe a ficar mais esperta.

5. até para a consecução desta última possibilidade (ou wishful thinking), estão valendo todas as piadas, memes e sarcasmos contra o discurso moralizador do aécio e seus apoiadores.

6. no mínimo, a gente se diverte.

JOSÉ GERALDO COUTO, no Facebook )

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Isentão do bem ou isentão do mal? Com qual deles você se identifica?



Nem coxinha nem mortadela. 

Agora a "divisão" é entre isentão do bem e isentão do mal (com leves pitadas de psicopatia).

O isentão do bem: quer punição a quem quer que seja, contanto que com provas cabais e sem trambiques judiciais.

O isentão do mal ( com leves pitadas de psicopatia ):quer, genericamente, "todos presos". 

Tanto faz se existem provas ou não, e nem tampouco se importa se juízes ou promotores fazem pacto com o Diabo pra conseguir enjaular alguém. 

Seguidas decepções politicas o levaram a isso. Parece aquela pessoa que decreta que nunca mais irá se apaixonar na vida. 

Sintam só o amargor dessa pobre alma.

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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Reação conservadora, ódio e ressentimento: menos pobres e remediados se tornaram inimigos dos mais pobres


"Uma das bases da estabilidade no Brasil era o fato de os menos pobres se assegurarem um relativo bem-estar pagando salários muito baixos para os mais pobres. À medida que o salário desses trabalhadores menos qualificados começou a crescer, por força da lei, os integrantes dos estratos intermediários se sentiram prejudicados" (Marta Arretche, professora titular do Departamento de Ciência Política da USP)

Melhoria na distribuição da renda pode ter provocado reação conservadora

13 de abril de 2018

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – O tema das desigualdades no Brasil, investigado por estudo de grande fôlego, realizado por 23 pesquisadores de diversas áreas das ciências sociais, resultou no livro Trajetórias das desigualdades: como o Brasil mudou nos últimos 50 anos. Fechando o foco sobre o tema, a coordenadora do estudo destaca que há duas versões sobre tal processo.

“A primeira argumenta que, durante o período democrático, a desigualdade no Brasil permaneceu constante, com os mais ricos se apropriando de um quarto da riqueza nacional. Essa versão é verdadeira e os trabalhos que a sustentam são muito convincentes”, disse Marta Arretche, professora titular do Departamento de Ciência Política da USP, à Agência FAPESP.

“A outra versão diz que, durante o período democrático, a desigualdade no Brasil caiu muito, e caiu ainda mais rapidamente do que em outros países que lograram ser igualitários na mesma época. Essa versão também é verdadeira”, disse a também coordenadora do Centro de Estudos da Metrópole, um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP.

O assunto foi abordado por Arretche em uma das palestras mais concorridas na Escola São Paulo de Ciência Avançada em Ciências Sociais, com o tema “Democracia e desigualdades: teoria e achados empíricos do projeto Trajetórias das Desigualdades”.

“Por estranho que possa parecer, as duas versões são verdadeiras porque tratam de questões diferentes. A primeira trata da concentração da riqueza no topo da pirâmide, do quanto o 1% mais rico se apropria do total da riqueza nacional. A segunda trata dos outros 99%. E o que aconteceu nesse grande contingente de 99% foi um razoável grau de inclusão. No período democrático, de 1984 até 2015, os mais pobres tiveram ganhos relativos maiores do que os mais ricos. Houve inclusão no acesso ao sistema público de saúde e ao sistema público de educação; o salário mínimo real aumentou consideravelmente. Esse foi um atributo da democracia brasileira”, disse Arretche.

A pesquisadora lembra que os maiores avanços em termos de inclusão social ocorreram durante os governos de esquerda, “mas também ocorreram sob os outros governos, porque, no período de transição para a democracia, havia um entendimento bastante compartilhado de que a democracia não ia sobreviver no Brasil se não fosse reduzida a pobreza e a desigualdade. E foram criadas políticas para isso. Mais recentemente, há evidências de que esse consenso já não existe. A sociedade brasileira está muito dividida com relação à inclusão. Para além dos conflitos entre pobres e ricos, há também um conflito entre os muitos pobres e os menos pobres. Porque os ganhos dos primeiros podem representar custos para os segundos”.

Arretche exemplificou sua afirmação citando a aprovação, em 2013, da Proposta de Emenda à Constituição 478, que estendeu aos empregados domésticos os direitos trabalhistas usufruídos pelos demais trabalhadores urbanos e rurais. Essa extensão de direitos, que beneficiou os muito pobres, teria impactado fortemente o orçamento dos menos pobres que dependiam dos serviços dos primeiros.

“Este é, provavelmente, um conflito típico de sociedades muito desiguais que começam a mudar – sociedades nas quais os cidadãos não podem contar com serviços públicos. Uma das bases da estabilidade no Brasil era o fato de os menos pobres se assegurarem um relativo bem-estar pagando salários muito baixos para os mais pobres. À medida que o salário desses trabalhadores menos qualificados começou a crescer, por força da lei, os integrantes dos estratos intermediários se sentiram prejudicados. Esta perversidade, característica de sociedades muito desiguais, é um grande desafio para a democracia”, disse.

A diretora do CEM ponderou que a resistência às mudanças por parte desses setores situados no meio da curva da distribuição de renda poderia estar associada a esse tipo de conflito.

“O salário mínimo aumentou significativamente no período considerado. E isso não teve impacto apenas sobre o orçamento fiscal ou sobre o orçamento das grandes empresas, mas também sobre o orçamento das pequenas empresas e sobre o orçamento das famílias – enfim, daqueles que compram os serviços dos trabalhadores que recebem o mínimo. Os dados mostram que 25% dos eleitores brasileiros têm sua renda diretamente indexada ao salário mínimo”, disse.

“Isso tende a provocar uma grande divisão no próprio interior das famílias. Pois se, por um lado, o aumento do salário mínimo pode representar um ganho de renda para alguns membros, ele também pode representar um aumento de custos para outros. Muito provavelmente este é um dos fatores na base do que tem sido caracterizada como uma reação conservadora. Trata-se do efeito típico de uma sociedade altamente desigual que começa a se tornar menos desigual pela via da proteção dos piores situados”, disse Arretche.

A principal base de dados utilizada no livro Trajetórias das desigualdades: como o Brasil mudou nos últimos 50 anos foi o Censo de 2010, o mais recente realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas, na palestra, Arretche atualizou os dados até 2015. Sua análise não contempla as mudanças ocorridas após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. 


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O ÓDIO: Como alguns pobres e remediados fazem para não parecerem pobres e remediados ou não se verem como tal


O PASSADO ESCRAVISTA NOS MARCA NO ÓDIO

Juro que não entendia o vizinho raivoso, a manicure ou o garçom do bar da esquina destilarem ódio contra o Lula, pobres possuídos pelo ódio de classe que não é a sua. O que está bastante claro era que não é pela corrupção que eles babam de ódio. Os corruptos estão aí soltos nas instituições desse país e o único ex-presidente encarcerado com a desculpa da corrupção pós redemocratização foi o Lula. Roubaram tanto, antes e depois dele, com a impunidade inerente ao cargo. Lula não. Foi celeremente processado e encarcerado. Algo de diferente ele tinha. Ou representava.

Nem vou aqui falar de seus erros, tantos que cometeu na sua equivocada conciliação de classes para ser traído pelas alianças e nomeados do judiciário logo a seguir. O ódio deles também não é por isso. Acho que é por ele ter se atrevido a entrar na casa grande e melhorado um pouco que seja as condições da senzala. Mas porque a raiva se ele nem tirou os privilégios das elites? O que deu nesse povo todo para tanta raiva?

Estou lendo “Brasil, uma biografia” de Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Starling e acho que encontrei uma pista. Muito lá atrás, nos primórdios do Brasil escravista. As autoras ressaltam que no Brasil “a escravidão foi mais que um sistema econômico: ela moldou condutas, definiu desigualdades sociais, fez de raça e cor marcadores de diferença fundamentais, ordenou etiquetas de mando e obediência, e criou uma sociedade condicionada pelo paternalismo e por uma hierarquia estrita”. Segundo as autoras, a escravidão moldou o caráter da sociedade brasileira desde cedo. Para não ser escravo você tinha escravos. Era a identidade social explícita. Portanto, entre nós, o escravo não era propriedade apenas dos senhores do capital, importantes na reprodução econômica social. A escravidão moldava a vida em sociedade. Entre nós, “padres, militares, funcionários públicos, artesãos, taberneiros, comerciantes, pequenos lavradores, pobres e remediados, e até libertos possuíam escravos”.

Esse foi o traço mais marcante da nossa sociedade escravista. O próprio escravo liberto tinha que possuir escravos para reafirmar sua identidade de liberto. Pobres e remediados possuíam escravos para não serem identificados como tais. Pequenos lavradores, artesãos, comerciantes, taberneiros inscreviam no escravo a sua aspiração de ascensão social. Os militares e burocratas do sistema mostravam sua opção servil de classe possuído escravos como a elite a quem serviam. Até o clero mostrava sua opção pelos ricos sendo proprietários de almas cativas, escravas do Senhor.

Numa sociedade que foi se constituindo assim é possível entender os dias de ódios em que vivemos. Um escravo que nem fez um quilombo, mas ameaçou ao se sentar na mesma mesa com os senhores da casa grande. Que seja punido e volte para a senzala de onde nunca deveria ter saído. Senão perdemos o contorno dos possuidores de escravos e eles próprios.

Portanto, agora quando você estiver com sua vizinha raivosa, com o motorista de táxi babando ódio, com a manicure e o garçom tentando ficar ao lado do cliente a que servem, imagine que eles foram os possuidores de escravos lá no começo de nossa história. E percebamos que cada um deles possui o seu escravo imaginário, que carregam presos a correntes, representados por um Outro pobre diferente deles. De quem eles precisam da identidade para ter a sua.

E talvez aí entendamos o ódio que não parece ter sentido algum. É a inscrição da nossa história na formação de nossa sociedade complexa.


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O ‘Quadrilhão do MDB”: Justiça torna réus Yunes e coronel Lima. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


O ESTADÃO (10/4) noticiou: “Justiça torna réus Yunes e coronel Lima – Decisão é do juiz da 12ª Vara Federal de Brasília; os dois são acusados de integrar organização criminosa no caso do “quadrilhão” do MDB”.

Na reportagem: “O juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal, em Brasília, aceitou a denúncia contra o advogado e ex-assessor especial (sic) do Palácio do Planalto José Yunes, o coronel João Baptista Lima Filho e integrantes do grupo político do presidente Michel Temer, o MDB da Câmara. Com a decisão, além de Yunes e Lima Filho, outras sete pessoas vão responder a ação penal por organização criminosa, entre elas os ex-deputados emedebistas Eduardo Cunha (RJ), Henrique Eduardo Alves (RN), Geddel Vieira Lima (BA) e o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures (PR). O caso é um desdobramento do inquérito que ficou conhecido como “quadrilhão” do MDB”. No mesmo jornal, do dia 11 de abril, outra notícia, com esse título “Denúncia diz que amigos operavam propina para Temer – Acusação na ação que apura “Quadrilhão’ do MDB afirma que Yunes e coronel Lima auxiliavam na arrecadação de recursos para o presidente”. Na reportagem: “O Ministério Público Federal afirmou, EM ADITAMENTO DE DENÚNCIA, que o advogado e ex-assessor do Palácio do Planalto, José Yunes e o coronel da reserva da Polícia Militar João Baptista de Lima Filho, o coronel Lima, auxiliavam integrantes do MDB na arrecadação de PROPINA, EM ESPECIAL PARA O PRESIDENTE MICHEL TEMER. (...) Conforme a acusação formal, Yunes e o coronel Lima tinham o papel de auxiliar integrantes do núcleo político classificado como “quadrilhão” do MDB na Câmara na arrecadação de recursos”.

Tanto Yunes como o coronel Lima estão encrencados em outro processo. Veja o meu artigo “Porto de Santos: prisões complicam Temer”.

Manchete de primeira página da FOLHA (12/4): “Obra para filha de Temer foi paga por mulher de coronel [Lima]”.

A COLUNA DO ESTADÃO de 3 de abril trouxe essa espantosa e incrível notícia: “O criminalista Cristiano Benzota diz desconhecer a pressão ao seu cliente [Coronel Lima]. Ele passou o dia ontem [2/4] explicando por que o coronel foi de CADEIRA DE RODAS para a prisão e SAIU ANDANDO SEM DIFICULDADES AO SER SOLTO”. Sem comentário!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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domingo, 8 de abril de 2018

Cartinha para o Presidente Lula. Endereço: Polícia Federal, Curitiba, PR



CARTINHA

Está correndo na rede o endereço para enviar cartas para o Presidente Lula, eu ainda não peguei o endereço mas já me adiantei e estou com a minha cartinha já pronta, amanhã mesmo eu vou postar, mas antes eu vou mostrar aqui:

Prezado Presidente Lula:

Eu vou aproveitar essa chance para lhe dizer uma porrada de coisas que estavam atravessadas na minha garganta, principalmente nestes últimos anos que você e sua categoria inteira mostraram quem vocês realmente eram.

Um bando de parasitas, um bando de ladrões que nunca se deram conta ou respeitaram esse povo, sempre se comportaram como deuses, acima do povo, encastelados nas benesses e na boa vida, tudo as custas do povo.

Você não passa de um canalha, enganador, que desfila uma cara mas no fundo é outra coisa completamente diferente, fez promessas mil enquanto estava do lado de fora de servir ao povo do país e agora nada, deu esquecimento.

Sua índole é a cara da categoria que você representa, um bando de embusteiros que ainda vão pagar a sua enorme conta com as pessoas humildes e comuns, nem parece que você veio do seio da sociedade, do meio desse povo.

Quero encerrar essa cartinha para dizer que tanto na justiça dos homens e na justiça de deus e na dos homens tanto você quanto a sua turma vai acertar contas por tudo de mal que vocês fizeram a nação, não se amofine que escreverei outras cartas, essa é a primeira de muitas.

Ahhhh, ia esquecendo, favor desconsiderar o cabeçalho, essa carta não é para o Lula, é para você bisbilhoteiro que está lendo carta dos outros, ela é para você e para toda a sua categoria da FEDERAL que foi tirada da merda e da lama pelo presidente Lula e hoje cagam no prato que comeram.

Mas como já falei acima e no melhor estilo de praga de pobre - aquela que pega pra valer - Deus tá vendo, isso não vai ficar assim não, vocês vão pagar caro por terem participado dessa farsa, ninguém aqui esquecer disso e vai cobrar essa conta, nós não temos pressa....

RUBEM GONZÁLEZ, no Facebook

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Achar que empreiteira precisaria dar triplex a politicos para participar de obras públicas é delírio



Vendo inúmeros posts por aqui falando sobre a espera por um tucano preso ou sobre o absurdo que foi a forma como a Carmen Lúcia pautou a questão do Lula no STF.

Evidentemente é preciso gritar sobre tudo isso.

Mas para mim a questão central segue sendo os argumentos que a primeira instância usou para condenar o Lula.

Porque mesmo se o Lula tivesse aceito o triplex da OAS, a única possibilidade de tornar isso uma questão criminal seria no debate sobre lobby (que no Brasil é ilegal mas é praticado todos os dias). Debate, inclusive, que em nenhum momento apareceu nesse processo;

O lobby espontâneo que o Lula, como ex presidente, fez por essas empresas nas suas viagens internacionais produziu lucros incalculáveis.

Lucros que certamente elas não teriam mesmo que gastassem milhões com os serviços dos melhores lobbystas disponíveis no mercado.

Agora, a ideia de que as grandes empreiteiras citadas na lava jato precisariam dar um apartamento para serem contratadas para obras públicas no Brasil é estapafúrdia, é uma ofensa a inteligência de qualquer um que acompanha o histórico da nossa política.

Essas empresas participam de obras públicas há décadas e já atuaram em parceria com governos de todos os partidos que tiveram um candidato eleito no Brasil. Da mesma forma não ficariam de fora das obras públicas nos anos do PT no governo.

Por isso não há na acusação da procuradoria nenhum valor rastreado ou contrato indicado que comprove a prática de corrupção.

Por isso o absurdo da expressão "atos indeterminados" na sentença do juiz.

E foram quatro anos de investigações parciais e com foco todo na direção do Lula e da sua relação com a Petrobras.

É urgente resistir aos absurdos desses dias, claro. 

Mas o que eu quero é ver esse processo revertido. Esse juiz punido e a procuradoria repreendida. 

E um pedido de desculpas oficial do sistema jurídico ao Lula por perseguição política. Só isso seria fazer justiça.

MIGUEL JOST, no Facebook

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A prisão de Lula na mídia internacional


O discurso do líder brasileiro como vítima de uma perseguição política está na imprensa estrangeira, que destaca ainda o favoritismo dele para as eleições presidenciais de outubro

A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de sábado, e seu discurso no ato político realizado em São Bernardo do Campo, onde anunciou que se renderia à Polícia Federal, receberam grande destaque na imprensa estrangeira. O assunto está nas primeiras páginas de diversas publicações em todo o mundo e é um dos principais temas das agências internacionais de notícias. A foto de Lula, cercado por uma multidão em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tirada por Francisco Proner, foi distribuída pela Reuters para todo o mundo e reproduzida em jornais influentes, como o inglês The Guardian e o canadense The Globe and Mail.

As palavras-chave são a rendição do maior líder da esquerda brasileira, que está à frente na corrida presidencial, a transformação de Lula em preso político e a desconfiança sobre o sistema judiciário do país. O material produzido pelas principais agências de notícia – AP, Reuters, Bloomberg, AFP, EFE, DW e Prensa Latina – ganhou o mundo. Vários despachos foram sendo atualizados ao longo do dia.

O americano The New York Times traz longa reportagem assinada pelos correspondentes Manuel Androni, Ernesto Landoño e Shasta Darlington, com foto de Lalo de Almeida, destacando que Lula se rendeu para cumprir pena de 12 anos de prisão. “Sua prisão é uma reviravolta ignominiosa na notável carreira política de Lula, filho de trabalhadores rurais analfabetos que enfrentou os ditadores militares do Brasil como líder sindical e ajudou a construir um partido reformista de esquerda que governou o Brasil por mais de 13 anos”, diz a reportagem.

Os correspondentes do NYT relatam que antes de se render às autoridades policiais federais, Lula, 72 anos, acusou promotores e juízes de intencionalmente persegui-lo com um caso infundado. “Eu não os perdoo por criar a impressão de que sou um ladrão”, disse um indignado Lula, rouco, diante de uma multidão reunida do lado de fora do sindicato de metalúrgicos. A reportagem destaca que, durante horas no sábado, em um impasse tenso, seus fervorosos defensores haviam bloqueado fisicamente sua rendição, antes de finalmente permitir que ele partisse.

O americano Washington Post informa que Lula se entregou à Polícia Federal, mas disse que, mesmo encarcerado, vai fazer campanha política. Segundo o jornal, que destaca em foto Lula sendo levado nos braços do povo no berço do sindicalismo brasileiro, que a prisão “intensificou o drama político na maior nação da América Latina”. De acordo com o texto dos correspondentes Marina Lopes e Anthony Faiola, a cadeia transformou um homem que o presidente Barack Obama chamou de “o político mais popular da Terra” no prisioneiro mais famoso da região.

O inglês The Guardian reproduz a foto distribuída pela Reuters com Lula cercado pela multidão e destaca em manchete: “Lula inicia sentença de prisão no Brasil depois de se entregar à polícia”. Segundo o diário, o ex-presidente promete provar sua inocência da corrupção depois de encerrar um impasse de dois dias com as autoridades. “Faça o que quiser, o poderoso pode matar uma, duas ou 100 rosas. Mas eles nunca conseguirão impedir a chegada da primavera”, discursou o líder político.

O jornal canadense The Globe and Mail destaca em primeira página que Lula foi para a cadeia, “mas aqueles que ele defendeu lamentam o fim de uma era”, publicando também a foto de Francisco Proner, distribuída pela Reuters. O texto é da correspondente Stephanie Nolen, que abre a reportagem falando que Lula se entregou à Polícia Federal no sábado de noite, tendo feito antes um inflamado discurso de 55 minutos a apoiadores reunidos na frente do sindicato. “Foi o fim de uma dramática jornada de 48 horas que uniu o Brasil e forneceu suporte a uma extraordinária história política”, relata.

“Muitos brasileiros anunciaram a visão de um líder supremamente poderoso em custódia da polícia como um ponto de virada para o país, um golpe contra a impunidade dos poderosos”, escreve a correspondente. Mas para outros, a prisão de Lula é um fim devastador para uma era de um tipo diferente de política. “Lula trouxe um poder para os pobres brasileiros - as pessoas foram viver acima da linha da pobreza, pessoas que nunca tinham estudado começaram a estudar, trabalhadores domésticos tiveram direitos quando antes eram todos escravizados", disse Elisa Lucinda, uma proeminente atriz, poeta e cantora. “Era um Brasil que nunca havia sido visto antes e agora vai desaparecer novamente”.

O site russo Sputnik reporta que Lula se entregou à polícia. Os muitos despachos ao longo do dia foram reproduzidos em outras línguas, inclusive nos serviços em espanhol e português. Em um dos destaques no site, reportagem relata que embora tenha sido condenado por subornos, a Justiça não apresentou provas e que o ex-presidente é líder inconteste nas pesquisas de opinião para voltar ao poder nas eleições previstas para este ano. “A direita brasileira joga com fogo”, destaca.

A emissora de TV Russia Today destacou no final da noite que Lula acabou com o impasse e se entregou à polícia. A reportagem aponta que, antes de se entregar, Lula se dirigiu a uma audiência de milhares de pessoas que estavam nas ruas de São Bernardo do Campo e discursou: “Quanto mais dias eles me deixarem (na cadeia), mais Lulas nascerão neste país”. A multidão gritou: “Libertem Lula!”.

Na Argentina, o jornal Clarín destacou em manchete de primeira página, que Lula já está preso em Curitiba para cumprir sua pena por corrupção. Outro jornal argentino, o Página 12, aponta que a detenção de Lula é um segundo golpe que o país vive, e que, durante todo o dia, o líder do PT recebeu o apoio e solidariedade de milhares de militantes e simpatizantes. Ele falou à multidão, onde disse que o único crime que cometeu “foi tirar milhões da pobreza” e que o golpe que começou com a deposição de Dilma Rousseff terminou com a decisão de impedi-lo de ser candidato à Presidência. Também o La Nación destacou em primeira página que Lula já está na sede da PF em Curitiba, onde cumprirá sua pena.

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Matéria da AP, reproduzida em 10,6 mil sites noticiosos, relatou que Lula foi levado no início da noite sob custódia policial, depois de um confronto tenso com seus próprios partidários e três intensos dias que de fortes emoções por causa do seu encarceramento. “Apenas algumas horas antes, Lula disse a milhares de partidários que se entregaria à polícia, mas alegou inocência e disse que sua condenação por corrupção era simplesmente uma maneira de os inimigos garantirem que ele não fugisse – e possivelmente vencesse – as eleições presidenciais de outubro”, diz o texto assinado por Maurício Savarese e Peter Prengaman.

Reportagem da AFP relata a tensão no final de sábado da saída de Lula da sede do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, apontando-o como favorito da eleição presidencial de outubro. O despacho destaca que “Lula se considera vítima de uma trama da elite para impedir que concorra a um terceiro mandato”. O jornal traz declaração forte do ex-presidente: “A obsessão deles é ter uma foto do Lula prisioneiro”, disse. O material foi replicado por 3,7 mil veículos de imprensa no mundo.

A agência espanhola EFE, em despacho divulgado no final de sábado, relatou que Lula pôs fim à sua resistência e já estava nas mãos da Polícia Federal, destacando trecho do seu discurso em que confessou ter cometido um delito. “Eu cometi um crime: trazer os pobres para a faculdade, o que lhes permite comprar carros, eles têm alimentos”. “Serei um criminoso pelo resto da minha vida”. Texto, vídeo e fotos foram reproduzidos em 2.590 sites e veículos noticiosos em todo o mundo.

Texto da Reuters, com a foto de Lula cercado pela multidão de simpatizantes e militantes de esquerda no pátio do sindicato onde começou sua vida política, foi reproduzido em dezenas de sites de notícias. A reportagem aponta que Lula se entregou à polícia, acabando com o impasse, no início da noite de sábado. Segundo a agência, “a prisão de Lula remove a figura política mais influente do Brasil, líder da campanha presidencial deste ano”. O texto especula que isso poderia aumentar as chances de um candidato centrista prevalecer. O despacho da agência foi reproduzido por 2.480 sites e jornais, inclusive o The New York Times.

A Deutsche Welle deu em manchete que “o ex-presidente brasileiro Lula está na prisão”, que o primeiro prazo ele havia deixado passar, no sábado os seus seguidores impediram a sua detenção, mas o líder condenado por corrupção foi levado afinal por policiais. “Vários pedidos para permanecer em liberdade até o final do apelo foram negados”, relata a agência alemã. “Lula também pediu ao Comitê de Direitos Humanos da ONU em Genebra uma liminar para evitar a detenção”.

EUROPA

O diário espanhol El País deu manchete de primeira página para a prisão de Lula, destacando no título trecho do discurso do ex-presidente: “A morte de um combatente não para a revolução”. Segundo o jornal, o líder petista foi para a prisão no final da noite de sábado, condenado a 12 anos de prisão, mas que falou antes a uma multidão: “Não sou um ser humano mais. Eu sou uma ideia. E as ideias não se encerram”.

O jornal francês Le Monde, por exemplo, em editorial na edição de sábado avalia que, mesmo Lula tendo caída em “desgraça” a Justiça brasileira terá que provar ao mundo que sua mobilização contra a corrupção é capaz de atingir também a outros grupos políticos. “A Operação Lava Jato deve demonstrar ao país que a prisão de Lula não é um ato político”, aponta o editorial.

“A prisão daquele que continuará sendo um dos dirigentes mais marcantes da história do país não significa o fim dos processos. (...) A Lava Jato precisa ter a mesma severidade com outros caciques de partidos do centro e da direita”. E cita o ex-presidenciável tucano Aécio Neves, “suspeito de corrupção passiva e obstrução da justiça”, estranhando que “seu caso ainda não foi examinado pela Suprema Corte”.

Em reportagem da correspondente Claire Gatinois, o Le Monde destacou que Lula se rendeu à polícia, abrindo a notícia com a declaração do ex-presidente para “uma multidão em lágrimas” de que “podem matar um combatente, mas a revolução continua". “Ofegante e animado”, descreve a jornalista, “o velho confirmou a sua rendição”.

O tradicional jornal Liberation questionou em sua edição de domingo se a ida de Lula para prisão poderia ser interpretado como “um golpe de misericórdia na esquerda latina”. Ouvindo especialistas, o jornal relata que Lula é o candidato da esquerda reformista – “não revolucionária” – a mais amigável em relação aos mercados.

“O resultado é que ele vai tornar-se radical”, analisa Patricio Navia, orientador acadêmico do Centro de abertura e desenvolvimento da América Latina (Cadal). Fontes ouvidas pelo jornal avaliam que a esquerda terá grandes dificuldades em voltar, mas que “enquanto as sociedades da região da América Latina forem marcadas pela pobreza, desigualdade e exclusão social, sempre haverá um desafio para mudar o status quo”.

O jornal L’Humanité aponta um “golpe judicial e militar contra Lula”, reforçando o argumento da esquerda brasileira de que o ex-presidente está sendo perseguido. “O Supremo Tribunal do Brasil rejeitou na quarta-feira a libertação do ex-presidente Lula, que é o candidato presidencial em outubro. Contra o pano de fundo das ameaças do exército”, resume. O também francês Le Fígaro destacou que Lula anunciou que aceitava a sua prisão, mas a matéria ressalta que ele contestou as acusações que pesam contra si e disse que vai provar que seu julgamento é um “crime político”.

Em outro despacho no mesmo jornal, o destaque foi a reportagem da agência France Press, também reproduzida no diário Le Progress, noticiando que, no final da tarde de sábado, Lula foi impedido de se entregar pelos simpatizantes que cercavam o sindicato dos metalúrgicos, onde ele despontou sua liderança, na região de São Bernardo do Campo. O material também foi reproduzido no canal France24, nos jornais La Provence e La Croix, no canadense Le Journal de Montreal, as emissoras de rádio DH, da Bélgica, e Radio Canada.

O português Diário de Notícias, em reportagem do correspondente João Almeida Moreira, destacou que o último dia de liberdade de Lula, poderia ser de tristeza, com sua despedida e a missa em memória da sua falecida mulher como panos de fundo. Mas se tornou uma festa, com direito a set list escolhida pelo ex-presidente: “Asa Branca” e “O que é, o que é”, de Gonzaguinha, “Apesar de Você”, de Chico Buarque, e o samba “Deixa a Vida me Levar”, de Zeca Pagodinho. A matéria reproduz trechos do discurso de Lula – “Eu não sou um ser humano, eu sou uma ideia, todos vocês agora vão virar Lula, eles acham que tudo o que acontece nesse país é responsabilidade do Lula, agora eu responsabilizo vocês” – e diz que o petista também citou Martin Luther King.

Na Bélgica, a RTBF manteve flashes sobre Lula e a sua iminente prisão, durante a programação de sábado. Foram quatro destaques sobre o líder brasileiro, a última reportagem apontando que o petista foi impedido de se entregar à polícia pelos simpatizantes."

Coleta e edição de Olímpico Cruz. Via Luís Costa Plínio.

( Flávia Pereira, no Facebook )

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Lula escreveu e dirigiu o enredo de sua prisão


Tenho lido vários desabafos de pessoas.

Em comum, todos esses desabafos falam sobre ofensas que receberam de amigos de longa data, parentes, conhecidos, por causa da prisão do Lula.

Os ofensores, claro, se mostram doentes de ódio contra o ex-presidente enquanto os ofendidos lamentam sua prisão.

A prisão, por sua vez, foi o ponto culminante de uma perseguição que, ao não aceitar um asilo político, Lula parece ter feito questão de demonstrar "frame a frame" ao longo de todo o trajeto da farsa.

Cada ato do sistema está devidamente registrado. Cada recurso negado, cada apelação recusada, cada testemunho a favor não levado em conta, cada "prova" mequetrefe, cada empecilho colocado à defesa, cada barreira, a rapidez em cada jogada cometida pelos inquisidores, rapidez esta totalmente fora dos padrões do judiciário brasileiro e está perfeitamente documentado.

Lembra muito aqueles replays de gols em que a bola sai do defensor e passa de pé em pé, por todos os atletas do time, e colocando o adversário na correria, até que finalmente a redonda termine nas redes. Podemos ver, na sequência de toques, a jogada como um todo.

Portanto, a prisão era o resultado previsível e Lula aceitou isso.

Mas, com essa atitude, expôs o roteiro da sanha contra ele.

Basta alguém se dispor a colher, ordenar e organizar esse passo-a-passo do Lawfare, como um diário, e terá um roteiro melhor que qualquer merda que o Padilha produza.

Pessoalmente, sou bem simpático a uma idéia: foi Lula quem puxou as cordinhas de sua própria prisão exatamente para oferecer aos brasileiros as entranhas do monstro que lhe perseguia.

Alguém aí já assistiu ao filme "A vida de David Gale"?

( No spoilers here )

Lula sabia que o seu futuro eram favas contadas e fez um mosh pra dentro furacão, pra mostrar como era lá dentro.

Por isso recusou se asilar.

Não creio que ele achasse que se daria bem nos tribunais.

Talvez no começo ele achasse, sei lá.

Assim, em vez de lamentar, deve-se preparar para uma guerra de versões, pois os "vencedores" tentarão a todo custo sufocar a narrativa da defesa e esta precisa a todo custo simplificá-la da melhor forma possivel e disseminá-la para a população.

A narrativa global e de seus satélites, a de que houve "ampla defesa", precisa ser combatida, pois senão prevalecerá, e o esforço de Lula terá sido um tiro na água.

Voltando aos desabafos.

Muitos ficaram ou se mostraram surpresos pela virulência dos ataques, ou até mesmo por não imaginarem que seus ofensores eram gente capaz de tamanha selvageria. Por vezes, sequer conheciam as opiniões de quem os ofendera.

Ou como se esses conhecidos e parentes tivessem se transformado em outras pessoas, uma transmutação estilo Jackyll & Hyde.

Bem, a prisão do Lula não mudou o caráter de ninguém.

Apenas o revelou.


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Os motivos da prisão de Lula. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Como o habeas corpus a favor de Lula foi negado pelo Supremo, por uma contagem mínima (6x5), ele se entregou e se encontra preso. A prisão dividiu o Brasil: a maioria lamentou. Maioria, sim, conforme comprova as pesquisas Datafolha e Ibope. Mauricio Dias, em sua coluna na revista CartaCapital comenta: “LULA LÁ – É curioso o argumento levantado pelos adversários de Lula de que ele é rejeitado pela sociedade. As pesquisas indicam o contrário. Caso ele dispute a eleição, pode ganhar até mesmo no primeiro turno”. Já uma minoria barulhenta, com o apoio da mídia escrita e falada, vibrou!

Qual foi o motivo da condenação de Lula, que culminou com a sua prisão? Moro o condenou porque, segundo ele, Lula é dono do tríplex do Guarujá. No entanto, o juiz não apresentou provas. A condenação deu-se pelo ACHOMETRO. O juiz ACHA que o apartamento é dele, uma argumentação jurídica muito fraca. Lula, em São Bernardo do Campo, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, rodeado de uma multidão, declarou em discurso: “Sou o único ser humano processado por um apartamento que não é meu. A Polícia Federal da Lava Jato mentiu (sic) que era meu, o Ministério Público mentiu dizendo que era meu e eu pensei que o (juiz Sérgio) Moro ia resolver e ele mentiu dizendo que era meu e me condenou a 9 anos de cadeia”. É a primeira vez que uma pessoa (Lula) é condenada pelo argumento ACHOMETRO. Todos acham que ele é o dono e fim de papo: cadeia nele... Como o Imposto de Renda agora exige que se declare a metragem da casa, fui olhar a minha escritura. Na capa, em letras garrafais, consta: SE NÃO TEM ESCRITURA NÃO É DONO. No caso do tríplex NÃO TEM ESCRITURA. Portanto, LULA NÃO É DONO DELE. Mesmo assim foi condenado e está preso!

Guilherme Boulos e Manuela D’Ávila, em artigo à FOLHA, sob o título “Um atentado à Democracia”, observaram: “A decisão apequenada do Supremo de legitimar até aqui uma medida inconstitucional, como é a prisão em segunda instância antes do trânsito em julgado, ameaça a presunção de inocência e o direito à ampla defesa de todo cidadão. Sem falar em mais uma ilegalidade do juiz Sérgio Moro ao expedir um mandado de prisão antes de se esgotarem todos os recursos. (Lula) foi condenado SEM PROVAS; seu julgamento em segunda instância foi ACELERADO só para inviabilizar sua candidatura, buscando resolver as eleições no tapetão do judiciário. (...) É um escárnio ter um mandado de prisão contra Lula sem que haja nenhuma prova que o comprometa, ao mesmo tempo em que Temer foi flagrado em gravações nada republicanas no PORÃO do Palácio e seu assessor direto foi FILMADO correndo com MALAS de dinheiro nas calçadas de São Paulo. Ou ainda Aécio Neves, que teve seu pedido ESCANDALOSO de dinheiro a Joesley Batista ouvido por todos os brasileiros, chegando a insinuar a morte de um possível delator de seus crimes. Temer segue no Planalto e Aécio, no Senado. DE UM LADO, PROVAS SEM PUNIÇÃO; DO OUTRO, PUNIÇÃO SEM PROVAS”. Comentar o que?

Outro motivo de sua prisão, em minha opinião, é a sua popularidade. Se Lula tivesse apenas 1% nas pesquisas e se nas manifestações de rua, como aconteceu no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, houvesse somente dez ou quinze manifestantes, Lula não seria condenado e preso. Essa é a verdade. Como as pesquisas apontam que ele tem mais votos do que todos os outros candidatos juntos e no ABC tivemos uma multidão, estes são, na realidade, os motivos de sua condenação e prisão.

É lógico que a imprensa escrita e falada teve uma influência enorme na impopularidade de Lula. Ela não diz, mas insinua que o ex-presidente é um ladrão, um corrupto. Tenho ouvido várias pessoas repetirem essa insinuação: Lula é ladrão e corrupto! Ouvi de um deles: que maravilha a prisão dele, argumentando essas duas falsas acusações. Como revelei, a condenação e prisão se devem ao ACHOMETRO e não a CORRUPÇÃO OU ROUBO. Sobre a imprensa, no referido comício do ABC, Lula disse: “Outro sonho de consumo deles [mídia] é a fotografia do Lula preso. Eu fico imaginando o tesão da VEJA colocando a capa minha preso [realmente a capa de revista traz a foto dele com as grades!], o tesão da Globo colocando minha fotografia preso. Eles vão ter orgasmos múltiplos.” Maurício Dias comentou sobre essa influência da mídia: “O STF hoje não resiste à pressão da mídia reacionária (sic) e selvagem. A maioria, acovardada, acomodou-se às inverdades. Foi assim que um apartamento na praia, da empreiteira OAS, tornou-se prova de um grande crime inexistente”. Foi a vitória do ACHOMETRO, repito!

A pergunta final: quanto tempo Lula ficará preso? A Justiça vai reparar esse erro jurídico? A VER...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 30 de março de 2018

Porto de Santos: prisões complicam Temer. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Em artigo anterior escrevi: “A JUSTIÇA CHEGOU NO PORTO DE SANTOS: TEMER QUE SE CUIDE – O ministro Barroso autorizou quebra de sigilos de Rocha Loures e do Coronel João Batista Lima, referente ao Porto de Santos. Os dois são muito ligados a Temer. O presidente que se cuide!”. A situação de Temer que era ruim, ficou PÉSSIMA com as prisões de seus amigos implicados com o escândalo do Porto de Santos.

Manchete de primeira página do Estadão (30/3): “Amigos de Temer são presos e Planalto vê risco de 3ª denúncia”. Manchete de primeira página da Folha, mesma data: “PF prende amigos de Temer e eleva pressão sobre o Planalto”. No Painel do Leitor da Folha: “A prisão de José Yunes, decretada por um ministro do STF, coloca o presidente Temer em situação ABSOLUTAMENTE INSUSTENTÁVEL. A renúncia é a única saída honrosa para Temer”. Esta hipótese deve ser descartada: se ele renunciar poderá ser preso!

Josias de Souza comentou essas prisões: “Na Pasárgada de Michel Temer, onde “a existência é uma aventura”, a amizade com o Rei tornou-se algo arriscadíssimo (sic). A prisão temporária dos amigos José Yunes, Wagner Rossi e João Baptista Lima Filho reforça a impressão de que os chegados do monarca estão divididos em dois grupos: os presos e os que aguardam na fila, protegidos sob a marquise do foro privilegiado (sic).” Já Eliane Cantanhêde, no artigo “Os homens do presidente”, publicado no ESTADÃO, escreveu: “Não bastasse seus ministros, assessores, operadores e amigos fazendo fila diante da cadeia (sic), o presidente Michel Temer ainda é obrigado a engolir a provocação do ex-procurador geral da República Rodrigo Janot: “Começou? Não, na começou, apenas continuou o cerco a Temer e a (quase) todos os homens do presidente. O grande risco é uma terceira denúncia da PGR na reta final do governo. (...) Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e Henrique Alves têm vínculos partidários com Temer, mas os presos de ontem [29/3], o coronel João Baptista Lima e o advogado José Yunes, têm outro status nas relações com os presidenciais: eles são do grupo pessoal, como foi Rodrigo Rocha Loures, o assessor da mala de R$ 500 mil. (...) Assim, Temer se lança candidato à sucessão, mas deve se dar por satisfeito se chegar inteiro até a eleição e passar o bastão para o sucessor no ano que vem. Serão longos oito meses com as notícias sobre o Porto de Santos e o “Quadrilhão do MDB” (sic) borbulhando, mas amortecidas pelo foro privilegiado. E depois do fim do mandato? (...) O sonho, ou estratégia, de lançar a candidatura de Temer em outubro ruiu de vez com a prisão dos homens fortes do presidente, envolvidos justamente com o Porto de Santos. Se foi sonho, foi um sonho de verão. O verão acabou, veio o outono e Temer nem consegue manter-se candidato, nem tem um candidato para chamar de seu”.

Entre os presos, encontra-se Wagner Rossi, pai do deputado Baleia Rossi, presidente do MDB de São Paulo. Ele destituiu o então presidente do partido em Mogi Guaçu, Hélio Bueno. Atitude que repercutiu muito mal entre os emedebistas de nossa cidade!

Segundo Marina Dias, na Folha, “Wagner Rossi teria recebido um “mensalinho’ de R$ 100 mil [mensalinho ou mensalão?] pagos por Joesley Batista a pedido de Temer, que o indicou para diferentes cargos”. Sem comentário...

Agora começou a repercussão sobre o escândalo do Porto de Santos, como eu previ. Vamos aguardar seu desfecho, o qual, tudo indica, será terrível para Temer. A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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segunda-feira, 26 de março de 2018

Temer é candidato à reeleição. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade




Agora parece decidido: Temer será mesmo candidato à reeleição.

A Coluna do Estadão (24/3) noticiou: EMBOLADO – O presidente Michel Temer justificou a dois deputados esta semana que seu índice nas pesquisas de intenção de votos é tão baixo quanto o de outros candidatos do centro. E concluiu que 1% por 1% ele mesmo sairia candidato. SENDO ASSIM... Na conversa, Temer disse que preferia apoiar a candidatura de Rodrigo Maia, mas que o demista já avisou que não vai defender seu legado”.

João Domingos, no mesmo jornal e na mesma data, no texto “AS RAZÕES DE TEMER”, analisa: “O presidente Michel Temer está mesmo disposto a se candidatar à própria sucessão. O curioso é que, ao contrário de outros candidatos, que entram no pleito pensando em vencer a eleição, a vitória não é a prioridade de Temer. Ele pode entrar na disputa para, em primeiro lugar, defender o que considera (sic) ataques à sua honra: as duas denúncias do ex-procurador-geral Rodrigo Janot arquivadas pela Câmara, a investigação autorizada pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso que vasculha as circunstâncias em que ele assinou um decreto sobre os portos e a quebra de seu sigilo bancário também por Barroso. (...) Participar da eleição, para Temer, não envolve nenhuma perda. Pelo contrário, acredita ele, só resultará em ganhos. Não precisará, por exemplo, deixar a Presidência, pois a Constituição permite que ele dispute a eleição no cargo. Contará com um bom tempo de propaganda na TV e no rádio, mesmo que o MDB não faça coligações, participará dos debates que forem realizados, o que permitirá a ele se defender na hora de qualquer tipo de acusação que for feita. Também estará protegido pela legislação eleitoral por ser candidato. Se houver algum ataque a ele no programa eleitoral de qualquer adversário, poderá requerer na hora o direito de resposta. (...) Aos que perguntam pelos obstáculo à eleição, como a popularidade baixa e as taxas de rejeição ao governo, Temer costuma invocar a candidatura do ex-deputado Ulysses Guimarães, em 1989. Popular e poderoso, por presidir o então PMDB e a Câmara, ter sido presidente da Constituinte de 1987/88, e de mandar no governo de José Sarney, Ulysses obteve apenas 4,73% dos votos daquela que foi a primeira eleição depois da reconquista do estado democrático de direito. Assim, se conquistar algo em torno do que Ulysses Guimarães conquistou, Temer poderia se dar por satisfeito. (...) Presidente só vê ganhos em disputar a própria sucessão. E ainda tem a caneta nas mãos”.

Apesar dessa certeza de que será candidato à reeleição, o MDB, segundo o ESTADÃO, tenta colar Meirelles em plano eleitoral de Temer. Cúpula do partido vê o ministro da Fazenda como alternativa CASO CANDIDATURA DO PRESIDENTE NÃO GANHE FORÇA NOS PRÓXIMOS MESES. Por esta notícia, ainda teremos que esperar. Quem será o candidato do MDB, Temer ou Meirelles? Meu palpite: Meirelles. A CONFERIR...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sábado, 24 de março de 2018

Série "O Mecanismo" é homenagem a Lula



"O MECANISMO" É UMA LINDA HOMENAGEM


O papel de Hollywood na reconstrução da história sempre foi uma coisa incrivelmente escrachada e nefasta. Quando eu fui na Inglaterra pude presenciar a comemoração do aniversário de morte de Margareth Thatcher na rua, enquanto Hollywood glamourizava a vida da mais odiada estadista britânica da história. Churchill, pintado como herói da democracia para o ocidente, foi na verdade um herói de seu império, um colonialista e genocida cuja diferença para Hitler era basicamente a não utilização de campos de concentração para suas limpezas étnicas na Índia.

Na América Latina já fizeram séries como as de Pablo Escobar glamourizando a direita colombiana, a mais criminosa e assassina do mundo, a única pior que a brasileira. A Sony produziu uma série com o mesmo ator que fez Pablo Escobar na Colômbia para ridicularizar e difamar Hugo Chávez.

Agora temos essa série cretina de José Padilha para reescrever a história da Lava-jato como uma luta hollywoodiana do bem contra o mal, limpando todas as digitais dos EUA nessa que foi a maior devastação da economia brasileira em todos os tempos.

O objetivo específico aqui, é claro, é um dos objetivos também da Lava-jato: destruir o mito Lula, o mito do homem que fugiu da fome e da seca no Nordeste e voltou anos depois como o presidente que acabou com a miséria e levou água para seu povo (via eletrificação rural, pra quem não sabe).

Não sou Lulista e todos sabem disso. Mas aqui não é lugar pra esse discurso. Aqui é lugar pra dizer que Lula deve encarar a série da Netflix como uma grande homenagem.

Caluniado por Hollywood ao lado de Hugo Chávez, ele já sabe qual é o lugar que estará reservado a ele na história.

O de um lutador do povo latino americano contra o império que quer nos reduzir à condição de exportador de grãos, minério e drogas. ( GUSTAVO CASTAÑON )

"... fica clara uma postura tendenciosa por parte da mesma, como quando vemos o personagem do ex-presidente (claramente inspirado em Lula) usando frases como "estancar a sangria" e "construir um grande acordo nacional". Usar fala do notório diálogo entre Sérgio Machado e Romero Jucá como sendo de Lula é algo pra lá de desonesto, e isso é algo que deveria ser claro para pessoas das mais diversas visões ideológicas..." ( Do Site ADOROCINEMA )


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segunda-feira, 19 de março de 2018

Ainda Delfim Netto: Uma estranha mensagem . Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Delfim Netto é colaborador da CARTACAPITAL, revista que é crítica ao governo Temer, que chama de GOLPISTA. Na edição de 14 de março, no final do texto “A bomba fiscal”, ele escreveu: “Buona forturna para quem sair vivo da próxima eleição. VAI SENTIR REMORSO POR NÃO TER APOIADO TEMER”. Esta observação é muito estranha. O presidente tem ainda NOVE MESES de mandato. Por que, então, Delfim escreveu essa frase com tanto tempo de antecedência? Para mim, com a acusação da LAVA JATO de que o ex-ministro da Ditadura RECEBEU propina, ele está – creio – ameaçando Temer: NÃO ME ABANDONE, talvez ele quis dizer. É o que penso. Outro fato me chamou a atenção. BUONA FORTUNA é uma consultoria dele, acusada na Lava Jato! Não seria também um aviso ao presidente? Eu acho que sim...

A JUSTIÇA CHEGOU NO PORTO DE SANTOS: TEMER QUE SE CUIDE – O ministro Barroso autorizou quebra de sigilos de Rocha Loures e do Coronel João Batista Lima, referente ao Porto de Santos. Os dois são muito ligados a Temer. O presidente que se cuide!

JUCÁ TORNOU-SE RÉU NA LAVA JATO – O senador Romero Jucá (MDB-RR) se tornou réu no âmbito das investigações abertas com base nas delações da Odebrecht, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Jucá é também presidente do MDB. Uma notícia ruim para Temer...

DEM LANÇA MAIA À PRESIDÊNCIA – O DEM lançou o presidente da Câmara à PRESIDÊNCIA. Segundo o Estadão, Rodrigo Maia (DEM-RJ) não deve atacar nem defender a gestão de Temer. O enredo, diz o jornal, é ignorá-lo. O demista prefere a Coluna do Meio: nem a favor, nem contra! Dará certo? A ver. Por enquanto, Maia está com apenas 1% nas pesquisas.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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domingo, 11 de março de 2018

Ampla impunidade do PSDB e seletividade política marcam os quatro anos da Lava Jato


Em quatro anos de Lava Jato, nenhum político do PSDB foi preso

Levantamento feito pelo DIA mostra que, até hoje, nenhum político do PSDB foi preso ou condenado, apesar de a legenda figurar em quarto lugar em número de investigados

Brasília - Às vésperas de completar quatro anos a primeira fase foi lançada em 17 de março de 2014 , a Operação Lava Jato continua enfrentando críticas por possível seletividade. Levantamento feito pelo DIA mostra que, até hoje, nenhum político do PSDB foi preso ou condenado, apesar de a legenda figurar em quarto lugar em número de investigados. Por coincidência, um inquérito a que respondia o senador tucano José Serra, foi arquivado por prescrição pela ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber na quinta-feira. A investigação tratava de denúncia de caixa dois.

Já o senador Aécio Neves, presidente do PSDB até dezembro, pôde voltar ao mandato por votação dos colegas da Casa, após ser afastado pelo STF. O tucano foi denunciado pela Procuradoria Regional da República por supostamente receber R$ 2 milhões da JBS como propina e atuar com o presidente Temer para impedir o andamento da Lava Jato.

Para o cientista político Marcio Malta, da UFF, não há imparcialidade na operação. "O tratamento não é o mesmo, haja vista a empatia que o juiz federal Sergio Moro, símbolo da Lava Jato, mostra pelo PSDB. Além do ato público emblemático com Aécio [foto ao lado], nas suas ações o magistrado demonstra o mesmo tipo de afinidade e aproximação pela sigla", acusa.

O PT, que comandou o governo de 2003 a 2016, lidera em número de políticos condenados e investigados e tem seu principal representante, o ex-presidente Lula, à beira da prisão. Porém, em comparação ao MDB, partido de Temer, apresenta o mesmo número de investigados, que só possui 16,6% de condenados.

Professor da FGV Direito Rio, Michael Mohallem destacou que não se pode definir o PT como o 'mais corrupto'. "É apenas uma evidência que foi o mais investigado. A corrupção não é ligada a nenhum partido, ela é sistêmica. Se houver a mesma profundidade na investigação dos demais acredito que o resultado vai ser o mesmo ou maior", crê. 
'Há uma proteção', diz especialista

Ao rebater as críticas de falta de isenção na Lava Jato, o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula afirmou que "é natural que o PT seja o partido mais atingido pelas investigações, já que ficou mais de dez anos no poder."

O especialista Marcio Malta rebate o argumento. "A Justiça não tem o mesmo vigor e clamor midiático em relação aos partidos, assim como a rapidez em tratar os casos. A PF algemar alguns políticos e outros não, por exemplo", critica.

Já Mohallem ressalta o caso de Aécio. "Há uma proteção do Estado aos políticos, isso dificultou a prisão do senador, que tem foro privilegiado. Mas nesse processo a investigação chegou ao STF, e o Senado protegeu o colega da Casa."

Questionado sobre a motivação desse possível favorecimento do PSDB, Malta é incisivo. "A Lava Jato tem claramente uma fundamentação política. No decorrer das investigações, outros partidos acabaram sendo arrolados. Porém, há um ódio por parte dos setores da elite que age como um bloco para impedir qualquer transformação social no Brasil, como fez o PT."

O cientista da FGV tem opinião mais branda. "É impossível o Ministério Público e a justiça darem conta de todos as investigações simultaneamente. Então escolhas têm que ser feitas, mas é difícil entender qual é o critério. Já que o partido da oposição teve seus casos acelerados, seria o momento de outros processos andarem com mais seletividade", sugere Mohallem.

O caso de Alckmin

Pré-candidato oficial do PSDB para concorrer à Presidência e governador de São Paulo, Geraldo Alckmin tem no histórico uma nebulosa investigação sobre um cartel em licitações de trens e metrô no estado, além de denúncia de suposto recebimento de caixa-dois nas eleições de 2010 e 2016 pela Odebrecht.

No caso do cartel, a empresa Siemens já foi inclusive condenada na Alemanha, onde dirigentes assumiram a ligação indevida com o governo de São Paulo.

"Há um rastro de seletividade no avanço dos processos judiciais. Nesse fato, uma relação promíscua do MP Estadual com o governo, uma atuação absolutamente diferente do MPF. Quanto mais o tempo passa, as provas ficam mais frágeis. É curioso a empresa ser condenada em outro país e no Brasil a Justiça nem investigar", avalia o cientista político Mohallem.

Segundo o jornal 'Folha de S.Paulo', para não manchar a imagem para as eleições, Alckmin deve solicitar ressarcimento do dano causado pela Siemens, em linha com a narrativa de que o Estado foi vítima.

Rapidez no caso do ex-presidente

Primeiro presidente do país condenado por crime comum, Lula pode em poucas semanas ser preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Com habeas corpus rejeitado pelo Superior Tribunal de Justiça, o petista aguarda apenas o julgamento do recurso no TRF-4, que o sentenciou a 12 anos e um mês de prisão.

A expectativa da defesa do ex-presidente, que questiona a 'celeridade extraordinária' da ação penal, é que o STF julgue o mérito da prisão após segunda instância.

"O processo andou de fato com muita rapidez. Por um lado é importante para o país saber que um candidato importante não tem o risco de ser preso, dá transparência. Mas há outros pré-candidatos investigados que não têm chance de o processo evoluir até o fim do ano", explica Mohallem.

Malta acredita em uma 'judicialização da política'. "A Justiça tem interferido e muito nas decisões do Executivo e do Legislativo. Nesse caso, uma tentativa de não permitir que Lula, líder nas intenções de voto, concorra. É questão de soberania os eleitores não poderem exercer sua escolha." 


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sábado, 10 de março de 2018

Delfim Netto recebeu propina, diz Lava Jato. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



O ESTADÃO do dia 10/3 noticiou: “O ex-ministro da Fazenda e do Planejamento no regime militar (sic) e ex-deputado federal Delfim Netto, de 89 anos, foi o principal alvo da 49ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada ontem [9/3]. Denominada Buona Forturna, a investigação apura suspeita de pagamento de propina a políticos e agentes públicos pelo consórcio de empreiteiras responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. (...) Segundo os investigadores, ficou comprovado (sic) que pelo menos R$ 4,4 milhões das empresas vencedoras da licitação foram repassados por meio de CONTRATOS FICTÍCIOS DE CONSULTORIA A EMPRESAS QUE TEM COMO SÓCIOS DELFIM E UM SOBRINHO. O ex-ministro nega e afirma que os serviços foram prestados.” Adiante revela o jornal: “A casa, o escritório e empresas de Delfim foram alvo de mandados de busca e apreensão. (...) Segundo os investigadores, as falsas consultorias foram firmadas com as empresas Aspen Consultoria e LS Consultoria, que estão em nome do ex-ministro e de seu sobrinho, Luiz Appolonio Neto. (...) No caso Odebrecht, os pagamentos foram registrados no sistema com o codinome “Professor”. Os delatores da empreiteira afirmaram que não FOI PRESTADO NENHUM SERVIÇO PELO EX-MINISTRO. (...) Em sua decisão, o juiz Sérgio Moro determinou o bloqueio de R$ 4,4 milhões das empresas e das contas do ex-ministro e de seu sobrinho”. Por essas notícias, vê-se que a situação de Delfim Netto não é nada boa!

No Perfil de Delfim Netto, feito pelo ESTADÃO consta: “Delfim foi ainda um dos ministros do governo Costa e Silva que votaram a favor do Ato Institucional número 5 (AI-5), QUE RECRUDESCEU A DITADURA NO BRASIL”. Era, portanto, favorável à Ditadura. Embora alguns golpistas afirmem que naquela época não existiu corrupção, o livro do Coronel Dockson M. Grael “Aventura (A ameaça de invasão do Uruguai 1971) Corrupção (O Relatório Saraiva 1976) e Terrorismo (O atentado do Riocentro 1981), o livro desmente essa afirmativa. No capítulo CORRUPÇÃO (O Relatório Saraiva 1976), o coronel Grael faz essa revelação à pagina 23: “As primeiras denúncias a respeito daquilo que viria a ser mais tarde conhecido por toda a Nação como o “Relatório Saraiva” surgiram através de declarações proferidas pelo advogado Francisco Pinto, em 3 de outubro de 1978. NELAS, ELE ACUSAVA O SR. DELFIM NETTO DE, QUANDO EMBAIXADOR DO BRASIL EM PARIS, HAVER RECEBIDO ELEVADAS PROPINAS EM TRANSAÇÕES EFETUADAS ENTRE O GOVERNO BRASILEIRO E FORNECEDORES FRANCESES”. No entanto, militares, provavelmente para defender Delfim, recusaram acesso aos documentos enviados pelo ex-adido, e o caso não foi de todo esclarecido. O “caso” foi, ao que tudo indica, ABAFADO! Em vista disto, Grael, à página 24, desabafa: “Revela-se, assim, mais uma vez (sic) a face ARBITRÁRIA DO AUTORITARISMO, negando à Nação o direito de tomar conhecimento de FATOS RELACIONADOS COM A CORRUPÇÃO A NIVEL OFICIAL”. Delfim foi salvo por essa atitude!

Outro fato que a mídia esconde (não consta do Perfil dele no ESTADÃO), se refere a uma atitude de Delfim Netto na Ditadura. Na reportagem de Vasconcelos Quadros, no IG São Paulo, em 28/11/2014, sob o título “Delfim Netto decidiu cassação de Mário Covas durante a ditadura, revela FHC”, o jornalista faz essa espantosa revelação: “Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resgatou as notas taquigráficas da histórica reunião do Conselho de Segurança Nacional (CSN) de 1969 para afirmar que o ex-ministro da Fazenda, Antônio Delfim Netto, foi decisivo na cassação do ex-governador Mário Covas, que na época era deputado federal. (....) O ex-presidente lembra que, ao se deparar com o nome de Covas na lista de parlamentares submetida ao extinto Conselho, o próprio presidente da República, general Artur da Costa e Silva, resistiu (sic) à cassação argumentando que era religioso, conhecia Covas e, até onde sabia, não tinha informações de que estivesse envolvido com comunistas ou subversão – “era bom moço”. (...) As notas taquigráficas, segundo FHC, registraram que logo em seguida houve a seguinte intervenção de Delfim. “Esse eu conheço. É de Santos. Esse é socialista mesmo”, relembra FHC, atribuindo a Delfim o papel de tira-teima (sic) na votação pela cassação, da qual participavam vários outros ministros integrantes do Conselho de Segurança Nacional. (...) Com a fala do então ministro da Fazenda, Costa e Silva, conforme registra a ata, se dá por vencido e diz que “neste caso” o mandato seria cassado”. Esta foi a participação de Delfim Netto na cassação de Mário Covas, que a imprensa escrita e falada silencia!

Já nessa acusação em 2018, ele também será “inocentado”? A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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