terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Bolsonaro errou. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Uma movimentação financeira do ex-assessor do filho de Bolsonaro, Fabrício Queiroz, é, no mínimo, muita estranha e precisa ser bem explicada!

Ranier Bragon, em texto publicado pela FOLHA, sob o título: “Explicação de Bolsonaro sobre cheque representa a velha e carcomida política”, escreveu: “As explicações, ou melhor, a falta de explicações do presidente eleito, Jair Bolsonaro, sobre o cheque de R$ 24 mil na conta de sua mulher, Michelle, mostra todo o esplendor de nossa velha, bolorenta, carcomida, decrépita, putrefata política”.

O ESTADÃO, em Editorial, sob o título “A façanha de ERRAR de véspera”, comentou: “O governo de Jair Bolsonaro & família ainda não começou, mas tem conseguido a façanha de ERRAR antes da estreia, com explicações que, EM VEZ DE EXPLICAREM E ESCLARECEREM, geram mais SUSPEITAS. É lamentável o modo como Jair Bolsonaro e sua equipe vêm tratando o caso relativo ao ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente eleito.” Adiante, o jornal afirma: “Eleito com a bandeira de uma nova moralidade pública – repetimos – Jair Bolsonaro não pode deixar dúvidas sobre a lisura de seus familiares no trato do dinheiro”. Sobre o assunto, Sérgio Moro, ministro da Justiça do governo Bolsonaro, declarou: “Os fatos têm que ser esclarecidos”. É o que se espera dele!

FRASE: Coaf Coaf! Bolsonaro com tosse”.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Futebol e Política: Parabéns, Tite! - Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Política e futebol devem se misturar? Alguns acham que sim. É o que vamos ver.

Médici ia aos estádios com um rádio de pilha no ouvido. Tornou-se, então, o ditador mais popular. Os outros ditadores, Castelo Branco, Costa e Silva, Geisel e Figueiredo, nunca foram a um estádio!

Em 1970, ainda na Ditadura, o então prefeito Paulo Maluf, nomeado por Costa e Silva, presenteou os jogadores da Seleção Brasileira, campeã naquele ano, com 25 Fuscas. Entre os campeões, Pelé e Tostão.

Agora, em 2018, um fato se destacou. Tite, treinador da Seleção Brasileira, tomou uma elogiável atitude: não misturar política com futebol. O ESTADÃO, na reportagem “TREINADOR DESCARTA QUALQUER ENCONTRO COM JAIR BOLSONARO”, noticiou: “O técnico Tite disse ontem [4/12] que, mesmo que surja o convite, não irá se encontrar com o presidente eleito Jair Bossonaro no próximo ano antes ou depois da Copa América. De acordo com o treinador da seleção brasileira, a sua atividade “não se mistura” com a política e ele não se sentiria “confortável” com um encontro com o presidente. (...) Tite mantem a postura que revelou ao ESTADO em fevereiro deste ano, ao ser questionado se iria à Brasília com a seleção brasileira por ocasião da Copa da Rússia. Afirmou à época que não iria “nem antes nem depois da Copa. Nem ganhando, nem perdendo”. (...) Agora, o treinador já avisou que pretende se manter afastado do Palácio do Planalto. “NÃO (VOU ME ENCONTRAR COM O PRESIDENTE). Continuo com a mesma opinião. A minha atividade não se mistura e eu não me sinto confortável em fazer essa mistura. NÃO”. (...) Tite não quis dar uma resposta direta sobre a participação de Bolsonaro na festa do título do Palmeiras. “Eu tenho opinião, mas não quero opinar, não devo opinar. Sei da minha posição, não quero”, desconversou. (...) Tite foi além. Segundo ele, não se deve misturar futebol e política porque o esporte “é um meio que viabiliza princípios e uma série de outra escala de valores éticos, morais, competitivos”. “Então, da minha parte, não (misturo). Do outro, eu respeito”.

O gesto de Tite merece elogio. Realmente não se deve misturar Futebol com Política. Os exemplos de Médici e Paulo Maluf não devem ser imitados! PARABÉNS, TITE.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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"Qualquer lixo que se candidatasse": A farsa do "preenchimento a jato" das vagas deixadas pelos médicos cubanos expulsos do Brasil por Bolsonaro

Há alguns dias, afirmei aqui que a notícia de que mais de 10 mil médicos brasileiros teriam se apresentado para substituir os médicos cubanos até mesmo nos lugares mais isolados e em aldeias indígenas era uma grande farsa. 
Alguns leitores do artigo publicado na mimha coluna no Brasil 247, a "Carta aberta a um amigo que odeia Cuba", chegaram a escrever aqui que não havia mais dúvidas de que todas as vagas haviam sido preenchidas pelos médicos brasileiros.
Para quem conhece duas realidades tão diferentes como a medicina humana que se pratica em Cuba e o mercantilismo que domina há alguns anos a medicina no Brasil , a tristeza é enorme, e confirma o que eu suspeitava.
Leiam o que descobriu meu amigo Mauro Donato.
"Uma mensagem de áudio num grupo de Whatsapp do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) expôs toda a malandragem e o desespero daqueles que estiveram fortemente empenhados em demonstrar que a saída dos médicos cubanos do programa Mais Médicos não surtiria grandes solavancos.
A idéia de fazer crer que os médicos brasileiros não se furtariam ao dever de substituir os cubanos e que em uma semana tudo estaria resolvido, no entanto, acaba de ser desmascarada.
Uma funcionária (que o Conselho Federal de Medicina não quer revelar a identidade) escancarou a farsa da ‘imensa’ procura e ‘rápido preenchimento’ das vagas. Segundo ela, “Essa semana foi uma loucura, o ministério da Saúde está querendo dizer que resolveu tudo, não importa como”.
A inquietação com o “não importa como” se deu pois, ainda segundo a funcionária, as vagas estavam sendo preenchidas por “qualquer lixo” que se candidatasse.
“Médicos com problemas, problemas legais, médicas de oito, nove meses de gestação se apresentando, médicos idosos, uma série de situações que não são favoráveis para o gestor municipal. Então, não vou admitir um médico que tem 12 processos na Justiça, outro que é assaltante, a médica que já vai sair para dar à luz, o médico que tá já na reta… enfim”, disse ela.
O programa nasceu exatamente pela carência tripla: a dos habitantes de locais remotos; a de médicos com conhecimento em atendimento básico; a disposição dos médicos em atuar nos rincões pobres do país. Portanto não seria em duas ou três semanas que esse quadro mudaria.
Mesmo com a presença dos cubanos sempre houve um déficit de aproximadamente 2 mil médicos e brasileiros nunca se interessaram. Desde o início do programa que a postura é exatamente a mesma a cada novo edital que era aberto: médicos brasileiros se candidatavam, menos da metade aparecia para trabalhar e, dos que exerciam a função, mais de 30% abandonavam seus postos em menos de um ano.
O problema está mantido e os hábitos repetidos. Na nova leva de ‘patriotas’ que correu para desmentir os ‘comunistas’, a imensa maioria só quer trabalhar em capitais e grandes centros. Os médicos descartam até mesmo periferia das grandes cidades e dão prioridade até para bairros ricos. Em São Paulo, nenhuma UBS de Cidade Tiradentes ou Itaim Paulista, ambas no extremo da Zona Leste, foi escolhida pelos candidatos.
Nenhuma! Se é assim até em centros urbanos, alguém realmente acredita que Melgaço, no Pará, terá reposição das médicas cubanas que lá atuavam? Para variar, os desassistidos e desprezados irão continuar sofrendo graças a um governante arrogante e a serviço das camadas privilegiadas(...)".

LUCIA HELENA ISSA, no Facebook

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domingo, 2 de dezembro de 2018

"Olavo de Carvalho incitou e milhares de seus seguidores me atacaram e ameaçaram por eu defender a tolerância religiosa", diz jornalista



OLAVO DE CARVALHO PASSOU SEIS DIAS ME AGREDINDO NAS REDES POR MINHA LUTA PELA PAZ , POR DENUNCIAR OS QUE ALIMENTAM O ODIO E POR DAR VOZ AOS REFUGIADOS

Como muitos de vocês se lembram, há cerca de um ano, em julho de 2017, pelos artigos que publico como jornalista e por ter também iniciado um canal no Youtube ( Lucia Helena Issa) , dando voz aos refugiados , lutando pela reconstrução da tolerância religiosa, contando sobre os milhares de muçulmanos pacíficos que me receberam com imenso afeto na Palestina, Síria e Líbano, fui atacada, aqui e no canal, por mais de 4000 seguidores do guru fugitivo de uma clínica psiquiátrica, Olavo de Carvalho. e por ele próprio. 
Muitas agressões deixadas aqui pelos extremistas, racistas e xenófobos foram apagadas , até para poupar minha filha de 13 anos, que chorou durante todos aqueles dias diante da sordidez de Olavo de Carvalho. 
Mas dezenas delas ainda podem ser vistas nos comentários de duas fotos minhas no FB . Os "cristãos " seguidores de Olavo escreveram frases doces e singelas como " você merecia ser estuprada ", publicaram fotos minhas de biquíni dizendo " vou estuprar você e você vai parar de defender os refugiados . 
Foram seis dias de terror.
Mas também foram dias de afeto, de milhares e milhares de manifestações de solidariedade e carinho.
O aspecto irônico dessa história é que o guru incitou seus seguidores contra mim acreditando que eu era professora e muçulmana, sem ler ou pesquisar nada sobre mim no Google , onde há muitas materias sobre mim e sobre meu trabalho como jornalista e cristã ! O sujeito agride uma pessoa por seis dias , como ele faz sempre e com muitos jornalistas, sem sequer fazer uma pesquisa elementar sobre ela?? 
Não apenas nunca fui muçulmana, e tenho imenso carinho pelos meus amigos muçulmanos, como sou sobrinha neta de um dos arcebispos católicos mais conhecidos da historia do Brasil .
O outro aspecto irônico dessa história é que Olavo, naquele seu estilo literário repleto de palavrões, o estilo de quem vive no esgoto existencial e tem obsessão por orifícios anais, escreveu que eu , por lutar pela diversidade , contra as guerras, pelo desarmamento e pela tolerância religiosa, depois de ser agredida por ele, ficaria calada por medo de suas agressões e seria esquecida.
Para a infelicidade de Olavo, nesse período de um ano, jamais me falei, continuei escrevendo, viajando ao Oriente Médio e dando voz aos refugiados , recebi 3 prêmios internacionais , recebi a MEDALHA MARIELLE FRANCO em Salvador na linda Casa do Olodum, minha vida foi super abençoada e tive minha trajetória como jornalista e escritora contada por alguns dos maiores jornais do Brasil. Enquanto isso, Olavo vem sendo desmascarado e ridicularizado em dezenas de jornais brasileiros e estrangeiros.
Tudo isso me honra muito , mas nao muda a minha tristeza por testemunhar o abismo em que mergulhamos e o inferno alimentado por um sujeito canalha e iletrado como Olavo de Carvalho.
Muitos jornais denunciam hoje o que eu e outros jornalistas e intelectuais estamos denunciando há anos. O poder de manipulaçao de um sujeito que sequestrou o cristianismo no Brasil para legitimar o racismo, o odio aos pobres, aos indigenas, aos muculmanos e às minorias em geral. 
Olavo passou seis dias escrevendo sobre mim em sua pagina aqui no FB. Sim, seis dias. 
O psicopata que acredita que a Pepsi é feita de fetos aportados, que acredita que Galileu e Newton eram idiotas e Olavo é um gênio, o sujeito que acredita que é o Sol que gira em torno da Terra ( geocentrismo) e que a Terra permanece parada, o sujeito que acredita que as vacinas nao devem ser tomadas pelas crianças e que devemos deixá- las morrerem se tudo der errado, enfim, o sujeito que berra as agressões mais abjetas, seja contra refugiados muculmanos ou contra jornalistas brasileiras cristãs que dào voz a eles saiu de sua caverna existencial primitiva há anos , mas só foi notado pela Veja agora , depois que indicou ministros para Bolsonaro. 
Olavo de Carvalho e seus seguidores, como os Bolsonaros , perderam há anos qualquer traço de humanidade, qualquer limite moral ou pudor intelectual , a ponto de afirmarem que os portugueses não escravizaram os negros e nem pisavam na África. 
Infectados pelo mestre com rações diarias de ódio, preconceito e intolerância, tudo isso travestido de " cristianismo", e de " filosofia" claro, porque Olavo se acha " filosofo" e " cristão" , também porque, como ele vive na era medieval, "Deus Vult". 
Tudo absolutamente raso e patético para quem fez pós- graduação em Filosofia e em Semiótica como eu fiz.
Os seguidores do guru, os odiadores de muçulmanos, negros, indígenas, mulheres ou de qualquer um que pense de forma diferente encontraram em Olavo um " filósofo" ( que nao terminou sequer o ensino fundamental) que legitimou o racismo e o ódio que sentiam, alegando que esses sentimentos podem ser " cristãos" .
São zumbis cinzentos que odeiam as diferenças religiosas, a infinidade de cores do mundo, o multiculturalismo e a própria vida pois cultuam a morte, idolatram alguém cujo grande prazer é matar ursos nos EUA , cultuam o rosto da morte e passam seus dias na internet ameaçando pessoas.
Odeiam o fato de existirem diferentes muçulmanos assim como diferentes cristãos e a indigência de seus cérebros trabalha apenas com ideias binárias, duas ideias de cada vez ( exemplo: " todo muçulmano é malvado e todo cristâo é bonzinho" )..
Pensar sobre ideias mais complexas e outras variáveis não lhes é possível. Preferem odiar. Não apenas a mim , mas a qualquer pessoa que pregue a tolerância, o amor pelos diferentes de nós, a paz, a ajuda aos refugiados.
Venho há 3 anos afirmando que Olavo é um psicopata e uma fraude , um sujeito perigoso e que estavamos subestimando seu poder de manipulação das massas. 
A Veja e dezenas de publicaçoes hoje descobriram isso e estão denunciando Olavo de Carvalho.
Ainda assim, sinto uma incomensurável tristeza e uma enorme vergonha dos pseudo- cristãos que agrediram não apenas a mim ,mas a todos as crianças refugiadas, a todos os que lutam pela paz e que lutam para dar voz à dor dos refugiados de guerra. Olavo de Carvalho e seus zumbis mergulharam o Brasil em um ciclo obscurantismo só comparável à Inquisição medieval. Um ciclo dantesco . Mas nós resistiremos . Juntos.

LUCIA H. ISSA, no Facebook

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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

QUEM É OLAVO DE CARVALHO? #meteoro.doc

Bolsonaro esnobou o pastor Magno Malta. Por Jasson de Oliveira Andrade


Quando soube que foi eleito presidente da República, Bolsonaro convocou a imprensa para um pronunciamento. Na oportunidade, o pastor e senador (não reeleito) Magno Malta fez uma prece. Depois apareceu em mais algumas solenidades. Apesar desse puxa-saquismo, Malta foi “esquecido” por Bolsonaro. Esse “esquecimento” foi criticado pelos evangélicos. A Coluna do Estadão (29/11) noticiou: “Bancada evangélica abre guerra contra Bolsonaro – A indicação de Osmar Terra [MDB] para o Ministério da Cidadania irritou a bancada evangélica, que ameaça se rebelar caso não tenha cargos na Esplanada. Formado por 180 deputados, o grupo foi consultado por Jair Bolsonaro sobre nomes para a nova pasta, mas acabou surpreendido com a escolha. “Quem é Osmar Terra comparado ao Magno Malta?”, questiona o pastor Silas Malafaia. Este já é o segundo NOCAUTE no colegiado. O primeiro foi quando Bolsonaro indicou Ricardo Vélez Rodríguez para a Educação sem aguardar a sugestão dos evangélicos. – O CHORO É LIVRE – Magno Malta jogou a toalha na noite de segunda-feira [26/11], quando deixou Brasília dizendo-se “magoado e machucado” para se isolar num sítio. Reclamava de estar entre os últimos a serem convocados. “Vou receber a marmita?” Até agora nem isso.”

Já a FOLHA, na reportagem “Gratidão é memória do coração”, diz Malafaia após Bolsonaro esnobar Magno Malta”, Malafaia declarou: “Depois de tudo o que fez por Jair Bolsonaro, Magno Malta MERECIA MAIS. (...) Ao menos na opinião do pastor Silas Malafaia, um dos maiores aliados do senador, que não foi reeleito e, por ora, está sem cargo político a partir de 2019. (...) A indicação de Osmar Terra para o Ministério da Cidadania enterra a hipótese de Malta ter um lugar na Esplanada. (...) Segundo Malafaia, para ajudar o então presidenciável do PSL, Malta “esqueceu a campanha dele e tomou ferro”. Agora ficou a ver navios. (...) A escolha de Osmar Terra dividiu a bancada. Parte a recebeu com elogios, parte se sentiu ESNOBADA pelo presidente eleito e lembrou que ele só venceu a eleição com ajuda dos evangélicos”.

Deu no Blog da Cidadania: “Sem mandato e sem ministério, Magno Malta vira motivo de chacota”. Sem comentário!

MDB no Poder

O PMDB, hoje MDB, sempre foi Poder. Escrevi vários artigos sobre o assunto. Antes mesmo do resultado das eleições já se sabia que o partido iria fazer parte do futuro governo. Essa praxe foi preservada por Bolsonaro, que escolheu Osmar Terra. O ESTADÃO assim anunciou a escolha: “O presidente eleito, Jair Bolsonaro, anunciou ontem [28/11] o nome de mais três ministros que irão compor o seu governo, incluindo o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), que comandará o Ministério da Cidadania. Ele vai incorporar as funções das atuais pastas do Esporte, da Cultura e o programa Bolsa Família. COM ISSO, BOLSONARO LEVA PARA SUA EQUIPE O PRIMEIRO INTEGRANTE DO MDB, PARTIDO QUE ESTEVE PRESENTE EM TODOS OS GOVERNOS DESDE A REDEMOCRATIZAÇÃO”. Não é só de alegria vive o MDB. O governador Pezão foi preso por comandar o QUADRILHÃO DO MDB, do Rio!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista de Mogi Guaçu

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QUEM É OLAVO DE CARVALHO? PART. HELOISA DE CARVALHO (FILHA DO GURU)





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terça-feira, 27 de novembro de 2018

Deus nos livre de um Brasil evangélico



Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles em avenidas da cidade com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”.
Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação à bobagem estampada publicamente; hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. Antes explico: eu gostaria de ver o Brasil permeado com a elegância, solidariedade, inclusão e compaixão do Evangelho. Mas a mensagem subliminar dos outdoors, para quem conhece a cultura do movimento evangélico, é outra. Os evangélicos sonham com o dia em que cidade, estado e país se convertam em massa, e a terra dos tupiniquins tenha a cara de suas denominações.
Afirmo que o sonho é que haja um “avivamento” religioso que leve uma enxurrada de gente para os templos evangélicos. Não reside entre os teólogos do movimento qualquer  desejo de que valores cristãos influenciem a cultura brasileira. Eles anelam tão somente que o subgrupo, descendente distante dos protestantes, prevaleça. A eles não interessa que haja um veloz crescimento numérico entre católicos romanos; que ortodoxos sírios, russos, armênios ou gregos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar “crente”, com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).
Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse a tal levedação radical do Brasil.
Imagino uma Genebra calvinista brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo não inglês, mas moreno. Caso acontecesse, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadu? Respondo: seriam execrados como diabólicos, devassos e pervertedores dos bons costumes. Não gosto nem de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Um Brasil evangélico empobreceria, já que sobrariam as péssimas poesias do cancioneiro gospel. As rádios tocariam sem parar músicas horrorosas como  “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”.
Uma história minimamente parecida com a dos puritanos calvinistas provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam implacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?
Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse Charles Darwin como “alucinado inimigo da fé”. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos. Derridá nunca teria uma tradução para o português. O que dizer de rebeldes como Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, seriam pesquisados como desajustados. Ganhariam rótulos para serem desmerecidos a priori como loucos, pederastas, hereges.
Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. A alegria do futebol morreria; alguma lei proibiria ir ao estádio ou ligar televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada de várzea, aconteceria quando? Haveria multa ou surra para palavrão?
Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu. Basta uma espiada no histórico de Suas Excelências da bancada evangélica nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para se apavorar. Se, ainda minoria, a bancada evangélica na Câmara Federal é campeã em faltas e em processos no STF, imagina dominando o parlamento.
Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura estadunidense. Obcecados em implementar os “valores da família”, tão caros ao partido republicano dos Estados Unidos, recrudesceria a teologia de causa-e-efeito, cármica, do “quem planta, colhe”. Vingaria o sucesso como aferidor da bênção de Deus.
Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica. Uma nova elite religiosa (os ungidos) destilaria maldição contra os “inimigos da fé”, os “idólatras”, os “hereges”, com mais perversidade do que aiatolás iranianos. Ficaria mais fácil falar de inferno e mandar para lá todo mundo que rejeitasse algumas lógicas tidas como ortodoxas.
Cada vez que um evangélico critica a Rede Globo eu me flagro perguntando: Como seria uma emissora liderada por evangélicos? Adianto: insípida, brega, chata, horrorosa, irritante.
Prefiro, sem pestanejar, os textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado, a qualquer livro da série “Deixados para Trás” do fundamentalista de direita, Tim LaHaye. O demagogo Max Lucado (que abençoou a decisão de Bush bombardear o Iraque) não calça o chinelo de Mário Benedetti.
Toda a teocracia um dia se tornará totalitária. Toda a tentativa de homogeneizar a cultura precisa se valer de obscurantismo. Todo o esforço de higienizar os costumes é moralista e hipócrita.
O projeto cristão visa preparar para a vida. Jesus jamais pretendeu anular os costumes de povos não-judeus. Daí ele celebrar a fé em um centurião, adorador no paganismo romano, como especial e digna de elogio. Cristo afirmou que, entre criteriosos fariseus, ninguém tinha uma espiritualidade tão única e bela como daquele soldado que se preocupou com o escravo.
Levar a Boa Notícia – Evangelho – não significa exportar cultura, criar dialeto ou forçar critérios morais. Na evangelização, fica implícito que todos podem continuar a costurar, compor, escrever, brincar, encenar, como sempre fizeram. O evangelho convoca à pratica da justiça; cria meios de solidariedade; procura gestar homens e mulheres distintos; imprime em pessoas o mesmo espírito que moveu Jesus a praticar o bem.
Há estudos sociológicos que apontam estagnação quando o movimento evangélico chegar a 35% da população brasileira. Esperemos que sim. Caso alcançasse a maioria, com os anseios totalitários e teocráticos que já demonstra, o movimento desenvolveria mecanismos para coibir a liberdade. Acontece que Deus não rivaliza a liberdade humana, mas é seu maior incentivador.
Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.
Soli Deo Gloria

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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

As escolhas de Bolsonaro. Por Jasson de Oliveira Andrade


   

O presidente eleito Bolsonaro está escolhendo o seu ministério. A maioria deles não é surpresa: é também da direita como ele. No entanto, uma escolha surpreendeu. Foi para o ministério de Educação, um colombiano!

Outra face do governo Bolsonaro poderá ser a perseguição aos adversários. Fala-se mesmo em Caixa de Pandora do PT!

A jornalista Eliane Cantanhêde, em artigo ao ESTADÃO, comenta: “No “Novo Brasil” há o risco de expurgos, dedos em riste, dossiês [Caixa de Pandora do PT], acusações, suspeitas, danças estonteantes de cadeiras, sabatinas para apurar a ideologia de servidores e professores concursados e “depurar” o Estado. Ou é só impressão, um temor delirante? TOMARA QUE SIM.” Em minha opinião, Bolsonaro deveria se preocupar em governar e não em perseguir, que leva ao ódio...

Bolsonaro, ao acolher a sugestão do Instituto Ayrton Senna, havia escolhido para ministro da Educação Mozart Neves, um educador respeitado e muito competente. No entanto recebeu pressões dos evangélicos e desistiu da escolha. Preferiu o pior caminho: escolheu um colombiano! Cantanhêde observou: “Com Mozart Neves, sabia-se o que ele significava e pretendia, porque ele não divaga sobre ideologias e ameaças fantasmagóricas e é, sim, uma reluzente referência do Instituto Ayrton Senna. Precisa dizer mais? Por isso, foi descartado com tanta ligeireza e escorraçado pela bancada evangélica, QUE TESTOU FORÇAS E GANHOU”.

A revista CARTACAPITAL, desta semana, inovou em sua capa. Publicou a seguinte Nota: “Informamos que no momento não teremos agendamento para clínico, por motivo do cancelamento do Programa Mais Médicos. C.S. Rossin.” A publicação desse AVISO foi, em minha opinião, uma inteligente crítica sobre a saída dos médicos cubanos devido a uma infeliz declaração de Bolsonaro...

As escolhas e as declarações do novo presidente são decepcionantes. É preferível que ele se cale! E depois GOVERNE SEM SE PREOCUPAR COM PERSEGUIÇÕES. A conferir!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sábado, 24 de novembro de 2018

CALOTE: Trabalhadores demitidos sem direitos pela Editora Abril fazem barreira humana na porta da gráfica e impedem a ida da revista Veja para bancas e anunciantes. Imprensa não noticiou episódio.





Barreira humana na Gráfica da Abril impediu hoje a saída de 200 mil exemplares de Veja. Na imagem, um relax rápido enquanto o próximo carregamento não vinha. Os três portões ficaram sob o controle dos demitidos que tomaram o calote da Abril. Desde as 6 hs, foram impedidos de deixar o pátio caminhões, vans e carros que levariam a revista para anunciantes, assinantes, bancas e supermercados de todas as regiões do país. Estas 3 horas são mais um aviso aos Civita, que controlam o grupo: vocês não podem continuar se negando a pagar os profissionais que jogaram na rua. Verba rescisória é verba alimentar. Fica mais barato pôr a mão no bolso e pagar o que devem aos empregados que fizeram a fortuna da família de vocês. Às 9 horas, gráficos, jornalistas, administrativos e distribuidores que se viram roubados pelos Civita decidiram, com os sindicatos que os representam, encerrar o protesto. Seguiremos manifestando nosso profundo repúdio ao calote. #PagaCivita. Grupo Abril, Grupo Abril / Morumbi: que vergonha!!!!

Postado na página Abril Com Fome, no Facebook em 23/11/2013

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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Delegada que levou reitor inocente ao suicídio é chamada por Moro para governo de transição


Por: Reinaldo Azevedo

Publicada: 20/11/2018 

Informa o Estadão:
O ex-juiz federal Sergio Moro, futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, trouxe para auxiliá-lo nos trabalhos de transição de governo a delegada da Polícia Federal Érika Marena, que atuou nas operações Lava Jato e Ouvidos Moucos. Na primeira, a delegada teve papel central no início da apuração do escândalo de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobrás; na segunda, ficou marcada por ter feito o pedido de prisão do então reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, que se suicidou menos de três semanas após ser preso.
Os nomes de Erika e de Rosalvo Ferreira Franco, ex-superintendente da PF no Paraná, foram confirmados nesta segunda-feira, 19, por Moro, como integrantes da equipe de transição ministerial e devem fazer parte do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A ida de Erika para a pasta foi antecipada pela Coluna do Estadão na sexta-feira, 16. A delegada chegou a ser citada como possível escolha para a Diretora-Geral da PF, mas o principal cotado para a função é o superintendente da PF no Paraná, Maurício Valeixo, amigo de longa data de Moro.

Retomo
Querem que eu diga o quê?

Luiz Carlos Cancellier de Olivo, então reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, foi preso no dia 14 de setembro do ano passado, acusado de chefiar uma “ORCRIM” (organização criminosa) que atuava na instituição e que teria desviado R$ 80 milhões. Vestiu uniforme laranja, foi algemado e teve os pés acorrentados. Solto, ele se matou 18 dias depois, jogando-se do 7º andar de um shopping em Florianópolis. A leitura de 6 mil páginas do inquérito e 800 do relatório da PF leva à seguinte conclusão: nada existe contra Cancellier. Para se ter medida do absurdo, os R$ 80 milhões que teriam sumido representam a soma de verbas que a UFSC recebeu ao longo de 10 anos. As acusações que há contra o reitor assombram pela fragilidade.

E o que aconteceu com Érika Marena, a delegada da PF que conduziu o inquérito e os métodos que levaram ao suicídio de Cancellier? Nada! Depois de uma sindicância, chegou-se à conclusão de que ela não fez nada de errado. Foi transferida para Sergipe. Sem uma lei decente que puna abuso de autoridade — e disseram que isso seria um atentado à Lava Jato —, nem o suicídio em massa levaria a uma mudança de métodos. Agora, ela vai ser braço-direito de Sérgio Moro.

Um detalhe perverso do magnífico trabalho conduzido. Como os ditos “investigadores” nada encontraram contra o pai, então os valentes resolveram assombrar o direito romano e foram pra cima do filho. Desde aqueles tempos se considera que as culpas, ainda que efetivas dos pais, não recaem sobre os filhos. Não nestes dias. Mikhail Cancellier, hoje professor da UFSC, foi indiciado por suspeita de que seu pai fez um repasse irregular para a sua conta quando ainda era estudante. Total da bolada? Ao longo de 2013, R$ 7.102, totalizados em três depósitos! Só o terceiro deles, uma fração disso, está respaldado em algum fio de suspeita, ainda assim ridículo. E o comando da PF nada faz para coibir esses espetáculos de truculência.

E não pensem que a coisa parou por aí. Um professor e o reitor da UFSC acabaram sendo investigados, creiam, porque participaram de manifestações em defesa da memória de Cancellier. Pretexto: faixas expostas durante as manifestações teriam atacado a honra da delegada e de outras autoridades. A coisa acabou indo para o arquivo. Mas ficou a cicatriz da truculência.

Ao fazer tal escolha, Moro está dizendo que seus aliados estão acima do erro. E também da vida e da morte.


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E você se ferrou: reforma trabalhista desequilibrou ainda mais a balança a favor do patrão

A reforma trabalhista entrou em vigor há um ano e os desempregados não têm nada a comemorar. Além de não aumentar o número de vagas, a nova legislação diminuiu o salário médio dos trabalhadores, que ficaram ainda mais fragilizados, e trouxe apenas vantagens aos empregadores.

A reforma trabalhista completa um ano neste dia 11 de novembro, mas os trabalhadores não têm muito o que comemorar. Afinal, os empregados tiveram sua remuneração média reduzida, pois as poucas vagas que estão sendo geradas são, de modo geral, informais, precárias e com baixos salários, segundo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp (Cesit).

Nos meses de janeiro e maio, o salário médio dos trabalhadores admitidos foi inferior ao dos demitidos. Essas características dos empregos pós-reforma estão relacionadas às formas de contratação criadas ou alteradas pela nova lei, como o contrato intermitente e a jornada parcial, além do problema da rotatividade. Entre abril e setembro, 29.986 pessoas foram contratadas para o trabalho intermitente e, destas, 8.801 foram dispensadas. “Esta forma de contratação não traz absolutamente nenhuma segurança, não tem proteção alguma e também tem dispensa. Corresponde a 5% do saldo de empregos gerados neste período”, informa a pesquisadora do Cesit Marilane Teixeira.

O professor de Direito Trabalhista da PUC-SP e FGV, Paulo Sergio João, concorda com a pesquisadora. Ele diz que o contrato de trabalho intermitente não serviu para incluir na formalidade os trabalhadores que prestavam serviços de maneira informal. E vai além, lembrando que a nova legislação não ajudou também na criação de empregos ou novos postos de trabalho, pois, sem desenvolvimento econômico e geração de riqueza, nenhum decreto servirá de modelo milagroso para incluir no trabalho formal 13 milhões de desempregados.

O presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, lembra que depois da reforma foram criadas pouco mais de 370 mil novas vagas e de qualidade duvidosa, sem os direitos fundamentais dos trabalhadores. Além disso, houve um enfraquecimento da relação capital e trabalho, fortalecendo ainda mais os empresários nas negociações com os trabalhadores, por causa da preferência do negociado sobre o legislado. “As homologações que agora podem ser feitas nas empresas trazem prejuízos ao empregado, porque não contam com a fiscalização do sindicato”, diz.

As avaliações sobre a reforma são tão desencontradas que mesmo a redução, pela metade, do número de novas ações trabalhistas é criticada e comemorada. O resultado está relacionado a uma mudança nas normas para o trabalhador que tem direito à Justiça gratuita. Com a nova lei, esse empregado passa a pagar os honorários do perito e do advogado da parte contrária referentes à parte do processo que ele perder.

Para o presidente da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), Guilherme Feliciano, os trabalhadores estão com medo de entrar na Justiça. Ele afirma que nunca é possível ter certeza da vitória numa causa trabalhista e, ao arriscar, o trabalhador pode sair devendo em vez de receber aquilo que acredita ter direito. Por outro lado, a mudança na lei não tem impacto sobre o descumprimento da legislação por parte dos empresários.

O professor de Direito Trabalhista da FGV, Thiago de Carvalho, no entanto, faz um balanço positivo da reforma pelo aumento da qualidade dos pedidos nas ações trabalhistas. Para ele, o principal aspecto da nova legislação, que merece um rápido posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), é a possível limitação de acesso ao poder judiciário pela mudança na forma de concessão da Justiça gratuita. “Essa futura decisão do Supremo será um divisor de águas nas relações de trabalho no Brasil, junto à terceirização e contribuição sindical”, argumenta. Para o professor, de qualquer forma, a reforma trouxe avanços ao afetar diretamente as relações sindicais e as de trabalho com empregados de altos cargos.

Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), diz que a reforma tem em sua essência o fortalecimento dos empresários em detrimento dos trabalhadores. No entanto, ele lembra que a consolidação da nova lei pode levar alguns anos, afetando os empregados gradativamente.

Para Ganz Lúcio, os maiores prejuízos que já começaram a aparecer são os riscos de erros ou fraudes no momento da homologação, onde o trabalhador, sem a assistência do sindicato, pode ter uma perda econômica, e a precarização das condições de trabalho, principalmente no chamado contrato intermitente. “No entanto, é importante registrar que existem muitas empresas que não têm interesse em fazer uma precarização das relações do trabalho. Elas sabem que manter uma boa relação, pagar bons salários e serem corretas com o trabalhador também traz vantagens em termo de produtividade e de crescimento. Não necessariamente todas as empresas querem fazer uso deste instrumento de precarização”, afirma.

As principais mudanças

FÉRIAS – Podem ser divididas em até três períodos, sendo que um deles não pode ser inferior a 15 dias.

JORNADA – Poderá ser de 12 horas x 36 horas, respeitando o limite de 44 horas semanais, ou 48 horas com as horas extras, e 220 horas mensais.

TEMPO NA EMPRESA – Não são consideradas dentro da jornada de trabalho atividades como descanso, estudo, alimentação, interação com colegas, higiene pessoal e troca de uniforme.

DESCANSO – O intervalo poderá ser negociado, desde que tenha pelo menos 30 minutos de parada.

REMUNERAÇÃO – O pagamento do piso ou salário mínimo não será obrigatório na contratação por produção.

TRANSPORTE – O tempo gasto até o local de trabalho e a volta, por qualquer meio de transporte, não é computado na jornada de trabalho.

TRABALHO INTERMITENTE – O trabalhador pode ser pago por período trabalhado, recebendo pelas horas ou diária, com direito a férias, FGTS, Previdência e 13º salário proporcionais. No contrato, deverá estar estabelecido o valor da hora de trabalho, que não pode ser inferior ao valor do salário mínimo por hora ou à remuneração dos demais empregados que exercem a mesma função.

HOME-OFFICE – Tudo o que o trabalhador usar em casa será formalizado com o patrão via contrato, como equipamentos e gastos com energia e internet, e o controle do trabalho será feito por tarefa.

TRABALHO PARCIAL – Duração de até 30 horas semanais, sem horas extras, ou 26 horas semanais ou menos, com até 6 horas extras, com acréscimo de 50%.

NEGOCIAÇÃO – Convenções e acordos coletivos podem prevalecer sobre a legislação. Assim, os sindicatos e as empresas podem negociar condições de trabalho diferentes das previstas em lei, mas não necessariamente num patamar melhor para os trabalhadores.

DEMISSÃO – O contrato de trabalho poderá ser extinto de comum acordo, com pagamento de metade do aviso prévio e metade da multa de 40% sobre o saldo do FGTS. O empregado poderá ainda movimentar até 80% do valor depositado pela empresa na conta do FGTS, mas não terá direito ao seguro-desemprego.

TERCEIRIZAÇÃO – Está autorizada inclusive para atividades-fim. Existe a quarentena de 18 meses que impede que a empresa demita o trabalhador efetivo para recontratá-lo como terceirizado, que tem as mesmas condições de trabalho dos efetivos, como atendimento em ambulatório, alimentação, segurança, transporte, capacitação e qualidade de equipamentos.

GRAVIDEZ – É permitido o trabalho de mulheres grávidas em ambientes considerados insalubres, desde que a empresa apresente atestado médico que garanta que não há risco ao bebê nem à mãe.

RESCISÃO CONTRATUAL – A homologação da rescisão do contrato de trabalho pode ser feita na empresa, na presença dos advogados do empregador e do funcionário.

AÇÕES NA JUSTIÇA – O trabalhador será obrigado a comparecer às audiências na Justiça do Trabalho e, caso perca a ação, arcar com as custas do processo. Para os chamados honorários de sucumbência, devidos aos advogados da parte vencedora, quem perder a causa terá de pagar entre 5% e 15% do valor da sentença.

CONTRIBUIÇÃO SINDICAL – A contribuição sindical é opcional.

O AMARELINHO, 13/11/2018

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domingo, 18 de novembro de 2018

Mais Médicos: Cubanos vão sair. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Mais uma declaração do presidente eleito, Bolsonaro, poderá trazer problemas graves ao atendimento médico. Por motivo ideológico, o novo presidente criticou os médicos cubanos, que agora vão sair do Brasil. Segundo a jornalista Natália Cancian, em reportagem à FOLHA, sob o título: “Será difícil repor 10 mil vagas, diz ex-chefe dos Mais Médicos – Estimativa é que 367 cidades fiquem sem profissionais na atenção médica”. Inclusive em Mogi Guaçu, como veremos.
Cancian entrevistou o professor de medicina da Universidade Federal da Paraíba Felipe Proenço de Oliveira, médico que ficou por mais tempo à frente da coordenação nacional do programa, de 2013 a 2016. Vamos transcrever alguns trechos dessa entrevista.

FOLHA: Cuba anunciou que deve deixar o Mais Médicos, uma reação às declarações de Bolsonaro. Como viu essa decisão?

Felipe Proenço de Oliveira – As regras estavam bem delimitadas desde o início. Só com a cooperação com a Opas e Cuba foi possível preencher as vagas QUE OS BRASILEIROS NÃO QUISERAM. HÁ VÁRIOS MUNICÍPIOS PARA OS QUAIS FORAM SÓ OS CUBANOS QUE SE DISPONIBIZARAM A IR. Além disso, a forma de contratação foi avaliada em vários órgãos e NÃO HOUVE NENHUMA OBJEÇÃO.

Quais devem ser os impactos da saída dos cubanos?

São cerca de 8.000 médicos que estão em equipes de saúde. SABEMOS QUE OS BRASILEIROS NÃO VÃO A ESSAS LOCALIDADES. Olhando o comportamento de todos os editais, NÃO VEJO COMO SEJA VIÁVEL PREENCHER 10 MIL VAGAS QUE EXISTEM COM BRASILEIROS.

Com a saída de cubanos, há lugares que podem ser mais afetados?

As capitais vão conseguir absorver essa perda de médicos. MAS AS PERIFERIAS VÃO CONTINUAR TENDO DIFICULDADES. O MESMO NAS CIDADES PEQUENAS. Estava fazendo um levantamento comparando a presença de equipes de saúde da família em municípios que têm cubanos. A PARTIR DISSO, 367 MUNICÍPIOS VÃO FICAR SEM NENHUM MÉDICO NA SAÚDE DA FAMÍLIA. Imaginando que esses municípios são pequenos, como a maioria em que os cubanos estão, isso permite estimar que eles vão ficar sem médico, porque são municípios que no geral não têm hospital. É UM DADO MUITO ALARMANTE.

A FOLHA, no Editorial “MENOS MÉDICOS”, afirma: “Se o presidente eleito não tivesse atacado o envio de médicos cubanos de MODO TÃO DESABRIDO, antes mesmo da posse, a ditadura castrista não teria pretexto para sua reação intempestiva. Como resultado da PICUINHA IDEOLÓGICA, milhares, TALVEZ MILHÕES de brasileiros podem perder a assistência sanitária de que tanto necessitam! José Simão: “Brasil! Muito Mais Médicos!”.

Consta que em Mogi Guaçu existem três médicos cubanos. Não se sabe se, com a saída deles, a saúde em nossa cidade será afetada ou não. TUDO INDICA QUE SIM!

Se a Saúde no Brasil não é essas coisas, com a saída dos cubanos vai piorar ainda mais... Em minha opinião, Bolsonaro errou. Mais uma vez... E antes de tomar posse!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

" Eu não me sinto escrava em momento nenhum do meu país nem sou explorada lá", diz médica cubana. Leia entrevista aqui.


Entrevista: Médica cubana denuncia Bolsonaro e lamenta ter de deixar os pacientes, “o coração chega a quebrar”

“A principal causa que nos moveu até aqui se chama humanidade. Então, o coração chega a quebrar”, diz, emocionada, a médica cubana Dainerys Sandoval, em entrevista ao Diário Causa Operária Online.

Seu sentimento de tristeza por ter de deixar o Brasil, com a saída de Cuba do programa Mais Médicos, não é por ela, mas pelo povo pobre brasileiro, cujas medidas do ilegítimo Bolsonaro irão afetar 28 milhões de pessoas que necessitam dos cuidados dos médicos cubanos. “A gente pensa mais nos pacientes”, lamenta.

Segundo ela, o presidente eleito pela fraude impôs condições para a continuação do Mais Médicos sabendo que o governo cubano não iria aceitá-las, para jogar a culpa em Cuba. “Porque tem coisas que não têm preço: a dignidade, os valores, o respeito, o ser humano, o caráter. Essas são coisas que não se compra, e o governo cubano não iria aceitar.”

Dainerys chegou ao Brasil em 2017 para viver e trabalhar na cidade de Minas Novas, no distrito rural de Ribeirão da Folha, em Minas Gerais. Nessa cidade, com um sistema de saúde extremamente precário, 90% da população depende do SUS e existem dez UBSs, todas com profissionais do Mais Médicos, e todos cubanos. Ela e seus compatriotas deixarão o Brasil a partir do próximo dia 25.

Quando você chegou ao Brasil?

Eu cheguei ao Brasil em 10 de junho de 2017, como parte da colaboração médica cubana para o Programa Mais Médicos.

E como foi o processo para vir trabalhar no Brasil?

A primeira coisa que nós fazemos para vir ao Brasil é apresentar um currículo. Para você apresentar esse currículo, lógico, tem que ser médico formado, com mais de dois anos atuando na saúde pública em Cuba com experiência no trabalho de saúde preventiva e medicina geral integral, que é como se chama em Cuba o clínico geral.

Aí, apresentamos essa documentação para o consulado brasileiro em Cuba. Eles fazem uma seleção dos currículos. Os que forem aprovados passam então para a segunda etapa, que seria um curso de língua portuguesa e saúde pública do Brasil, que é ministrado por um professor de língua portuguesa brasileiro e um médico brasileiro que vai a Cuba para este curso. Ele demora 21 dias intensivos, com aulas das 7h às 19h. Após o curso, há as provas duplas: uma de protocolos de medicina brasileira e outra de língua portuguesa. A prova de língua portuguesa tem uma parte oral, ou seja, pode ser um monólogo, pode ser perguntas, e outra parte que é escrita. Na prova de medicina brasileira, ou seja, de protocolos de saúde brasileira, é uma prova escrita.

Logo após as provas, elas vão junto com o currículo novamente para o consulado do Brasil em Cuba, onde são analisadas pelos especialistas do tema e o médico é chamado se o consulado brasileiro aprovar o currículo e o resultado das provas.

O mediador entre os candidatos e o consulado brasileiro, em todo esse processo, é o Ministério de Colaboração Médica Cubana.

Então a seleção é rigorosa… Há muita concorrência?

Sim, o processo seletivo é mesmo muito rigoroso. Ou seja, não é assim banal, não é que eu sou médica e quero ir para o Brasil e pronto. Não, não é assim. É muito rigoroso, e tem concorrência sim, tem muita concorrência para participar.

Eu fico às vezes muito triste e revoltada quando muitas pessoas falam que duvidam de nossa capacidade, profissionalismo, também de nossa formação, com falta de respeito, sobretudo do presidente [o fascista Jair Bolsonaro]. E como um presidente não sabe como é um processo de seleção de um médico cubano para vir ao Brasil? Isso é inacreditável. Então o que eu acredito é que ele só faz para provocar, desvalorizar e desrespeitar os médicos cubanos e a medicina cubana por uma questão política. Então é muito triste.

Bolsonaro diz que os médicos cubanos no Brasil são quase como escravos do governo cubano. Pelas suas palavras, já se percebe que é mentira. Qual foi sua reação com as declarações dele sobre Cuba logo quando foi eleito (de maneira fraudulenta)?

Bom, a primeira reação que eu senti quando Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil foi de tristeza, uma imensa tristeza. E não por que eu sentisse uma admiração por algum outro partido político. Mas porque, durante toda a campanha, ele foi desrespeitando o ser humano de muitos jeitos. Depois ele foi se desculpando e falando que não queria ter dito aquilo ou isso ou aquilo outro.

Na verdade, não era um segredo para ninguém que ele seria uma pessoa desrespeitosa, até com o próprio ser humano, e seria uma pessoa preconceituosa. E eu nunca imaginei, na verdade, que o povo brasileiro fosse tomar a decisão de colocar no poder uma pessoa que não tem controle sobre si mesma, arrogante, desrespeitosa, fascista. Com ideias de tortura, e que ainda diz que ele é religioso e que “Deus acima de tudo”. Primeiramente, ele é um mentiroso, na minha opinião, um falso, e ainda assim o povo brasileiro — entre aspas — decide colocá-lo no poder.

Minha primeira reação foi de muita tristeza. E depois a de pensar o que aconteceria com o povo brasileiro, sobretudo aquelas pessoas mais pobres que precisam de projetos que as favoreçam. Então, é uma revolta. Na verdade, não tenho palavras pra expressar o que eu senti quando vi a notícia de que Jair Bolsonaro era o novo presidente do Brasil a partir do dia 1º de janeiro. É uma coisa que eu nem acreditava. E eu já falo: não porque eu tenha uma predileção por algum partido, porque na verdade eu não conheço os partidos no Brasil, eu seria incapaz de criticar. Só que, quando a pessoa não concorda ou não pensa igual aos demais, aí que é entra o respeito e é o que esse senhor não tem. Ele não tem respeito por nada nem por ninguém. Então, meu sentimento maior é de tristeza, e não por nós [médicos cubanos], mas pelo próprio povo brasileiro que vai precisar muito de pessoas que façam projetos para ajudá-los. Porque precisa de verdade.

Logo depois, eu pensei: “Gente, se ele, durante a campanha toda, uma das estratégias que usou para agradar a muitos médicos brasileiros” (não todos, porque conheço médicos brasileiros que apoiam os médicos cubano, que nos respeitam, eles sabem a qualidade do nosso serviço e da nossa formação). Mas aí entrou na minha cabeça e a primeira coisa que veio foi o programa Mais Médicos, “pelo menos a participação cubana vai embora, vai acabar. Porque se ele, na campanha já está falando mal dos médicos cubanos, está desacreditando, faltando com o respeito daquele tamanho (que não foi pouco, não, foi muita falta de respeito)”,eu pensei: “vai acabar”.

Só que minha dor não era tanto por mim, porque na verdade os médicos cubanos têm as portas abertas em Cuba primeiro, e depois no mundo todo, em muitos países do mundo. Aí, logicamente, pensei: “o programa vai acabar, pelo menos a parte cubana”. Porque, desde que ele manifestou que o programa teria novas condições, sobretudo para os cubanos, sabia que seriam condições pensadas para o governo cubano não aceitar. Porque tem coisas que não têm preço: a dignidade, os valores, o respeito, o ser humano, o caráter. Essas são coisas que não se compra, e o governo cubano não iria aceitar. E sempre falei: “vão ser medidas pensadas para o governo cubano não aceitar, e logo eles [os fascistas] poderem dizer que a culpa é do governo cubano e não do presidente eleito.”

Eu não me sinto escrava em momento nenhum do meu país. Eu aceitei, assinei um contrato em que eu sabia, quando chegasse ao Brasil, o salário que eu iria receber e eu queria mandar para Cuba e para que o dinheiro mandado para Cuba seria utilizado. Muitas pessoas não conhecem que Cuba há muito tempo é vítima de um embargo econômico aplicado pelo governo dos EUA só por ser um país socialista e porque eles não conseguiram colonizar o país. Esse embargo econômico proíbe Cuba de comprar produtos sob a patente dos EUA e, além disso, os EUA proíbem outros países de venderem esses produtos a Cuba. Esses produtos vão desde alimentação até medicamentos. Então é um problema sério. Se o governo cubano não pode comprar dos EUA (imagina só que haja algum remédio que seja só patenteado pelos EUA e Cuba não consegue comprar), o paciente pode morrer. É uma coisa muito grave que muitos não conhecem. Cuba precisa do dinheiro? Precisa. Nós damos o dinheiro conscientemente.

Muitos não entendem que nós sabemos para que se usa o dinheiro. Em Cuba, todo o mundo, sem importar a classe social, cor da pele, formação, sem importar absolutamente nada, tem saúde e educação de graça. Então, eu mando dinheiro pra Cuba? Mando. Mas eu sei para que o governo está utilizando, e eu sou feliz por isso. Precisa muito, porque para um país que tem que comprar tudo, é muito mais caro, porque não tem essa possibilidade econômica porque é um país pobre do terceiro mundo ainda. Precisa. Ninguém faz nada de graça. Talvez até deveriam ser negociados alguns termos do contrato, mas falar que o governo tem que mandar médicos para o Brasil, de graça, também não. E eu também não acho que eu seja explorada por meu país, em minha humilde opinião.

O povo queria o Lula, mas ele foi preso justamente para não se eleger. Justamente porque o povo quer programas sociais, porque precisa disso, como você disse. Como é a qualidade do sistema de saúde da cidade em que você trabalha? Qual foi a recepção da população e como foi a convivência com os pacientes?

Nesse momento, a saúde no meu município, como em quase todo o País, está passando por uma crise enorme que está atingindo a saúde de maneira bem mais forte do que outros setores. O meu município se viu muito afetado este ano, ao ponto de quase fechar o único hospital que temos aqui, por uma causa especificamente econômica, porque o governo não repassou a verba que tinha que passar para o município para os gastos com a saúde. 90% da população, nesse município, é dependente do SUS. Nosso município conta com dez Unidades Básicas de Saúde, delas quatro ficam na zona urbana e as outras seis ficam na zona rural. Todas ocupadas por médicos do programa Mais Médicos, e todos cubanos.

A saúde, de verdade, nesse momento, está em uma crise. Só para você ter uma ideia, ontem (14), quando passamos a notícia para o secretário de Saúde, ele nos olhos com os olhos cheio de lágrimas e falou: “Eu não gostei dessa notícia, estou muito triste e só penso no que eu vou fazer com a população da zona rural do nosso município, que é toda coberta por médicos cubanos.”

A recepção, pelos pacientes do município, foi ótima. O acolhimento foi maravilhoso. Pessoas muito amorosas, respeitosas, e sempre assombradas de como um médico cubano trata o paciente. “Bom dia”, um exame físico completo, medicina humanizada. Eles não cansam de repetir para você: “Nossa, ela é a médica, ela cumprimenta todo o mundo e trata bem todo o mundo.” Isso é uma coisa que me conforta. E eu gosto muito, muito mesmo. Minha convivência foi maravilhosa, não tenho nada que falar do povo brasileiro, sobretudo das pessoas com as que eu convivi. Eu só posso agradecê-los pelo carinho, tal qual eles me agradecem pelo respeito que eu tenho por eles. Porque simplesmente eles são seres humanos, para mim todo o mundo é igual. Então, foi muito bom, a convivência aqui foi maravilhosa.

Eu moro no mesmo lugar onde trabalho, bem distante do município. Já tive que fazer parto no posto, sem condição nenhuma. Então os pacientes veem o esforço que a gente faz e te respeitam por isso.

A história que você acaba de contar é muito emocionante.

Eles ficam assombrados quando a gente se encontra na rua e eu pergunto: “Você já está melhor?”

Como o povo do seu município e também os outros médicos cubanos reagiram com a notícia de que terão de partir?

Muito triste. A maioria dos médicos cubanos que eu conheço ficaram muito tristes. Sobretudo muito tristes pelos pacientes que vamos deixar aqui. Muitos acham que nós viemos ao Brasil só pela questão econômica. Lógico, também tem a ver com a questão econômica, porque a economia do nosso país, pelo que já expliquei, é um pouco difícil. Mas a principal causa que nos moveu até aqui se chama humanidade. Então, o coração chega a quebrar. Eu já recebi cartas de pessoas falando que não acreditam no que está acontecendo, o que vai ser deles sem nós. Então você fica com o coração na mão.

Para a minha enfermeira é muito triste, muito difícil. Mas a gente pensa mais nos pacientes, pois nós temos trabalho em Cuba e em muitos outros países. Então quem vai ficar desprovido são os pacientes. Me emociono quando eles vêm me ver, já chorei muito de ontem pra hoje com eles.

Percebi que você está mesmo com a voz embargada. Eu também estou emocionado. Você e seus companheiros já têm data de partida?

Começamos a sair a partir do dia 25 deste mês, de forma organizada.

O que você pretende fazer quando voltar a Cuba?

Quero fazer pediatria (rostinho com olhos de coração).

E depois pretende embarcar em alguma missão médica para outro país?

Na verdade estarei a disposição. Onde estiverem precisando de médicos para ajudar, aí estaremos. Mas sempre respeitando nossos ideais. Pois os valores não se compram.

CAUSA OPERÁRIA ( leia no site, com videos )

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O assassinato de Lula



O interrogatório tirânico e desrespeitoso a que Lula foi submetido na semana passada, ao vivo para que todos vissem, fez lembrar que o maior líder popular do Brasil desde Vargas está sendo assassinado num cubículo da polícia política.

Isto acontece diante de um povo anestesiado.

A mídia se apropriou e apoiou manifestações contra a democracia em 2013, e assistimos inertes, quando muito nos dividindo em debates na internet.

A presidenta recém-eleita foi derrubada por um impeachment sem que tivesse cometido qualquer crime, e ficamos murmurando e brigando nas redes sociais.

Lula foi preso sem provas para não se eleger presidente e pacificar o país, e deixamos passar, com medo da acusação de ser a favor da corrupção e contra um juiz que, restou provado, não só é faccioso como tem partido.

Um terço do eleitorado brasileiro colocou na presidência um protofascista troglodita e ignorante e não soubemos nos unir para impedir o que pode ser o maior e mais trágico vexame de nossa história.

Agora, sabemos que Lula está sendo assassinado e, se não fosse por alguns teimosos, a situação desumana que enfrenta nem seria percebida.

Somos mesmo um povo desqualificado vivendo num país sem futuro?

Merecemos o destino a que estamos sendo conduzidos?

Nós mesmos construímos esta fatalidade, com covardia e omissão?

Está difícil responder não a alguma dessas perguntas.

MARIO MARONA no Facebook

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Frente Nacional de Prefeitos emite nota de pesar pela saída dos médicos cubanos: "Desastroso"


Nota sobre o programa Mais Médicos e a saída dos profissionais cubanos do país

A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) lamentam a interrupção da cooperação técnica entre a organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o governo de Cuba, que possibilitava o trabalho de cerca de 8.500 médicos no Programa Mais Médicos. Com a decisão do Ministério da Saúde de Cuba, anunciada nesta quarta feira, 14, de rescindir a parceria, mais de 29 milhões de brasileiros serão desassistidos.
Os cubanos representam, atualmente, mais da metade dos médicos do programa. Por isso, a rescisão repentina desses contratos aponta para um cenário desastroso em, pelo menos, 3.243 municípios. Dos 5.570 municípios do país, 3.228 (79,5%) só têm médico pelo programa e 90% dos atendimentos da população indígena é feito por profissionais de Cuba.
Além disso, o Mais Médicos é amplamente aprovado pelos usuários, 85% afirma que a assistência em saúde melhorou com o programa. Nos municípios, também é possível verificar maior permanência desses profissionais nas equipes de saúde da família e sua fixação na localidade onde estão inseridos.
Cabe destacar que o programa é uma conquista dos municípios brasileiros em resposta à campanha “Cadê o Médico?”, liderada pela FNP, em 2013. Na ocasião, prefeitas e prefeitos evidenciaram a dificuldade de contratar e fixar profissionais no interior do país e na periferia das grandes cidades.
Com a missão de trabalhar na atenção primária e na prevenção de doenças, a interrupção abrupta da cooperação com o governo de Cuba impactará negativamente no sistema de saúde, aumentando as demandas por atendimentos nas redes de média e alta complexidade, além de agravar as desigualdades regionais.
Para o g100, grupo de cidades populosas, com alta vulnerabilidade socioeconômica, a situação é ainda mais devastadora. Com o objetivo de reduzir a carência por serviços de atenção básica nessas cidades, o g100 é utilizado como critério para priorizar o recebimento desses profissionais.
Diante disso, a FNP e o Conasems alertam o Governo recém-eleito para os iminentes e irreparáveis prejuízos à saúde da população, inclusive para a parcela que não é atendida pelo Mais Médicos.
Sendo assim, a FNP e o Conasems pedem a revisão do posicionamento do novo Governo, que sinalizou mudanças drásticas nas regras do programa, o que foi determinante para a decisão do governo de Cuba. Em caráter emergencial, sugerem a manutenção das condições atuais de contratação, repactuadas em 2016, pelo governo Michel Temer, e confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal, em 2017.
O cancelamento abrupto dos contratos em vigor representará perda cruel para toda a população, especialmente para os mais pobres. Não podemos abrir mão do princípio constitucional da universalização do direito à saúde, nem compactuar com esse retrocesso. 

Frente Nacional de Prefeitos (FNP)
Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems)

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