quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Segundo Turno é outra eleição. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



Bolsonaro venceu o Primeiro Turno de forma massacrante, o que o tornou um fenômeno político. Para o Segundo Turno, o candidato de extrema direita ainda é o favorito. No entanto, neste é outra eleição: tanto pode ganhar Bolsonaro como poderá vencer Haddad. Se o eleitor de Ciro optar pelo candidato do PT, equilibra o pleito. O mesmo se poderá dizer dos eleitores de outros candidatos. Por isso, é cedo para dizer que Bolsonaro, apesar do favoritismo, vai vencer! A CONFERIR... Um fato merece destaque. No novo perfil da Câmara dos Deputados, o PT está em primeiro lugar, com 56 deputados. Já o PSL, de Bolsonaro, foi de um para 52 deputados. Um salto enorme, nunca visto no Brasil. Para se ter uma ideia, o PSDB, que era maioria em 2.014, elegeu apenas 29 deputados, quase a metade.

O mesmo se poderá dizer da eleição para governador de São Paulo entre Doria (PSDB) contra Márcio França (PSB).. Nesta, como a diferença foi pequena, o eleitorado de Skaf vai decidir. Tudo indica que ele vai aderir ao candidato do PSB. Se isto realmente ocorrer, Márcio será o novo governador! A VER.


TIRO PELA CULATRA: Alckmin, em seu programa de televisão, atacou o PT. Fez a campanha do medo. Os alckmistas ao invés de aderirem a ele, optaram por Bolsonaro! Foi o feitiço contra o feiticeiro. Tanto assim, que sua votação no Primeiro Turno foi decepcionante: somente 4,7%! Ridículo...

SURPRESA – A grande surpresa dessas eleições foi a votação de Janaina Paschoal (PSL), que pediu o impeachment de Dilma, que obteve a maior votação destas eleições para deputado estadual: com mais de dois milhões de voto, a maior votação de todos os tempos! Em Mogi Guaçu, ela teve 11.015, superando a votação de Daniel Rossi (PR), 10.088 e Barros Munhoz (PSB), 7430... Tivemos ainda duas surpresas que merecem citação: a surpreendente derrota de Suplicy para o Senado em São Paulo e de Dilma para o Senado em Minas. Segundo o Datafolha e o IBOPE, ambos estavam em primeiro lugar nas pesquisas! Erraram feio!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

O PT é o "mais corrupto"? Claro que não, e os números mostram isso.


É compreensível que, no espectro da esquerda, façam críticas aos governos do PT, mas adotar o ridículo discurso de que "o PT é corrupto e se abandidou" é muita burrice ou desonestidade.

Ninguém, absolutamente ninguém vai atrás de números pra provar alguma coisa, o que é típico da direita.

Quantos, no universo de milhões de petistas (políticos, dirigentes, militantes), são acusados ou investigados? Roubaram quanto? São os maiores corruptos da história do Brasil? 

É claro que não. Ao contrário, foram os que mais combateram a corrupção.

Em dezembro de 2016, fiz um levantamento pra convencer uma amiga e os "envolvidos" em alguma denúncia ou processo não chegavam a 20. No STF, por exemplo, eram réus na época 53 deputados e senadores - só um era do PT. 

Na própria Lava Jato, num total de quase 300 investigados, seis eram do PT. Na famigerada e esquecida lista da Odebrecht, apareciam somente dois petistas. Na Ficha Limpa, o PT estava em 8º lugar em 2016 e agora nem está entre os 10 partidos com mais impugnações. 

Sem contar os casos que já foram arquivados, os acusados que foram absolvidos e, é claro, as notórias injustiças: Lula é inocente, Dilma é inocente, Genoíno é inocente, Zé Dirceu é inocente, o mensalão e o petrolão são grandes farsas.

Isso quer dizer o óbvio, que a dimensão que dão à corrupção do PT é completamente fantasiosa e desonesta. Então, seja quem for que venha com essa falácia de "corrupção do PT", seja golpista, fascista, antipetista, ex-petista ou esquerdista burro e rancoroso, pra mim morreu. 

Não tem perdão. Nem olho na cara do canalha e ainda mando se foder.

( Valéria Paz )

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domingo, 30 de setembro de 2018

IBOPE e Datafolha: Haddad poderá ser presidente. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

Tanto no IBOPE como no Datafolha o resultado foi praticamente o mesmo: Bolsonaro vence no Primeiro Turno, mas perde para Haddad no Segundo. Se essa situação persistir nas próximas pesquisas, Haddad poderá ser o novo presidente. A ver...

No IBOPE, pesquisa publicada pelo ESTADÃO, Bolsonaro estaciona em 28% e Haddad vai a 22%. Outra manchete do mesmo jornal: “Pela 1ª vez, petista fica à frente no 2º turno – Se a disputa fosse hoje, Haddad venceria Bolsonaro por 43% ante 37% dos votos; presidenciável do PSL também perde para Ciro e Alckmin”.

Ao comentar essa pesquisa, Eliane Cantanhêde, no texto “Fim da zona do conforto”, afirma: “Apesar de consolidado no primeiro lugar, com 28% das intenções de voto e 24% na sondagem espontânea, Bolsonaro teve três más notícia (sic): a tendência de crescimento parou, sua rejeição subiu quatro pontos em uma semana e ele voltou a perder para todos os demais candidatos num eventual segundo turno”. Um amigo, que tem ódio ao PT, disse-me em mensagem, que iria votar em Bolsonaro como voto útil. Eliane manda um recado a esses anti petistas radicais: “Ibope dá três más notícias para quem vota em Bolsonaro só para conter o PT”, dizendo ainda: “Quem vota ou pensa em votar no capitão só para tentar impedir a volta do PT, e não por achá-lo melhor e mais apto para a Presidência deve prestar atenção a dois índices decisivos. A rejeição dele, de 46%, vai se aproximando dos 50% e isso significa que praticamente metade dos eleitores não vota em Bolsonaro de jeito nenhum. Entre as mulheres, a rejeição já é de 54% e isso reflete no segundo turno. Pela projeção, o petista Fernando Haddad BATE Bolsonaro por 43% a 37% [diferença: 6%!]”.

No Datafolha, a situação é parecida. Segundo noticiou a FOLHA (29/9): “Haddad sobe; Bolsonaro lidera, mas perde fôlego no 2º turno, diz Datafolha – Com 22%, petista se isola em segundo, enquanto capitão, com 28%, PERDE PARA TODOS NA RODADA FINAL”. Sobre o Segundo Turno, o Datafolha constatou: Haddad 45%; Bolsonaro 39%. Diferença 6%, mesmo resultado do IBOPE! Deve-se ressaltar que as duas pesquisas saíram antes das reportagens da revista VEJA sobre a briga dele com a ex-esposa, com acusações cabeludas. Será que isto iria refletir desfavoravelmente para o capitão? Difícil dizer... Sobre a briga, Alberto Goldman (PSDB-SP) comentou no Painel da FOLHA (TIROTEIO): “Bolsonaro foi uma figura apagada nos seus 30 anos de vida política. Mas agora as verdades começam a aparecer”.

Um fato curioso: Ciro Gomes é o candidato que melhor aparece no Segundo Turno, conforme o Datafolha: Ciro 48%; Bolsonaro, 38%. Diferença: 10%! Ciro 41%; Haddad 35%. Ciro 42%; Alckmin, 36%. Para azar dele, Ciro, apesar desse bom desempenho, não foi para o Segundo Turno!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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terça-feira, 25 de setembro de 2018

"Bancada evangélica é a pior do Congresso e vota contra o povo", acusa Cabo Daciolo





O DIA

Candidato do Patriota também afirmou que vai ganhar no primeiro turno e criticou o voto útil


Rio - Em nova transmissão ao vivo feita em suas redes sociais, Cabo Daciolo (Patriota) afirmou que "a nossa bancada, a bancada evangélica, é a pior do Congresso Nacional". Logo em seguida, justificou: "muitos deles são envolvidos com maçonaria, e votando tudo contra o povo".

Mesmo sem pontuar no último levantamento Ibope, Daciolo garantiu que será o próximo presidente da República. "Como vai ser, eu não sei, eu sei que vai ser. Eu digo até que vai ser no primeiro turno", afirmou, pedindo fé para seus eleitores e criticando o voto útil. "Deus não quer o menos pior, não. O meu Deus, que é o seu Deus, que é o nosso Deus, que tá no comando de tudo, ele fala: olha filho, é melhor você ser frio, ou você ser quente. O fato de você ser morno, me dá vontade de te vomitar".

O candidato também chamou Haddad de "cachorrinho do senhor Lula" e ressaltou que, tanto Haddad, quanto Bolsonaro, "servem ao sistema".

Daciolo está no Monte das Oliveiras, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, desde o dia 7 de setembro, quando anunciou 21 dias de jejum e oração após o atentado sofrido por Jair Bolsonaro. O prazo termina amanhã, quando o candidato seguirá diretamente para o debate de presidenciáveis no SBT.



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domingo, 23 de setembro de 2018

Eleições 2018: O monstro também é o velhinho que mora ao lado



Vi agora um vizinho e o seu menino indo para uma manifestação em favor do Coiso. Fiquei assuntando os dois passarem, absorto em memórias, até que alguém ao meu lado observou "disfarça, você está encarando ". Na verdade, diante de pessoas que vão a manifestações pró-Bolsonaro me vejo tomado pela mesma perplexidade com que via os militantes da ARENA quando ainda era garoto.

Naquele tempo ainda não havia sido apresentado a Hannah Arendt e à sua ideia de "banalidade do mal". O fascismo não precisa de monstros para vencer. Vence à custa de velhinhos simpáticos, vizinhos médicos polidos, pessoas convencidas da própria superioridade moral. Monstruosas são as ideias, as pessoas que as sustentam podem ser pessoas comuns.


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sábado, 22 de setembro de 2018

PSDB não vai ao Segundo Turno. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Desde a sua fundação, é a segunda vez que o PSDB não vai ao Segundo Turno. Em 1989, Covas ficou em 4º lugar, tendo obtido 11,5%. Collor foi eleito, derrotando Lula.

Os tucanos em 1994 e 1998 venceram as eleições com Fernando Henrique Cardoso. Em 1994, FHC venceu Lula por 55,22% contra 39,97%. Em 1998, FHC foi reeleito, derrotando mais uma vez Lula. Ele obteve 53% contra 31,7 de Lula.

Posteriormente o PSDB perdeu as eleições para presidente, mas sempre ficou para o Segundo Turno. Em 2002, com José Serra. O tucano perdeu para Lula por 61,3% contra 38,7%. Em 2006, o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, foi para o Segundo Turno, sendo derrotado por Lula por 60,8% contra 39%. Em 2010, foi a vez de Serra ir novamente para o Segundo Turno. O tucano perdeu para Dilma: 56,05% contra 43,95%. Em 2014, Dilma foi reeleita, derrotando Aécio Neves: 51,14% contra 48,36%.

Nesta eleição de 2018, novamente Alckmin é candidato. No entanto desta vez provavelmente não irá ao Segundo Turno: tem somente 7%! Se isso ocorrer (tudo leva a crer que realmente não irá) é a segunda vez que o PSDB não concorre no Segundo Turno. Um vexame!

Em vista dessa situação crítica, Fernando Henrique Cardoso escreveu uma carta, apelando para os partidos do Centrão apoiarem um nome para enfrentrar Bolsonaro e Haddad. A surpresa é que FHC não citou Alckmin, candidato do seu partido!

Essa carta de Fernando Henrique Cardoso teve enorme repercussão. Josias de Souza, no artigo “Carta de FHC cai como uma lápide sobre Alckmin”, comentou: “A carta de FHC chegou tarde. Ao lado do TÚMULO DA CANDIDATURA ALCKMIN, enterram-se as esperanças (sic) do ex-eleitorado tucano. No epitáfio, lê-se o seguinte: “Não contem mais comigo”.

É surpreendente, ridículo mesmo, que o poderoso PSDB perca para um partido pequeno (nanico): PSL...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O eleitor típico de Bolsonaro pertence à classe-média, é ressentido e odeia os pobres, revela pesquisadora


Inimigo no fascismo brasileiro é o pobre, diz pesquisadora do voto em Bolsonaro

O crescimento da extrema-direita no Brasil acompanha uma tendência mundial, alimentada pelas dificuldades econômicas e pelo aprofundamento das desigualdades, inclusive nos países em que a democracia está mais avançada.

A cientista social Esther Solano, professora da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Unifesp, está lançando o livro “O ódio como política” (editora Boitempo), fruto de suas pesquisas com movimentos neofascistas e com os eleitores do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de voto no primeiro turno.

Segundo Esther Solano, os eleitores de Bolsonaro têm em comum um sentimento de rejeição da política. “É um voto de frustração, de cansaço e inclusive de desabafo contra a política. Representa aquela ideia de politização da antipolítica, que o Bolsonaro capta tão bem, transformando esse mal-estar e o descontentamento num grande capital eleitoral”, afirma a especialista.

Nesta entrevista à RFI, ela analisa o contexto que alimentou a radicalização de parte do eleitorado brasileiro.

RFI – Jair Bolsonaro tem simpatizantes em todas as classes sociais e de todas as idades?

Esther Solano – O pico maior de intenções de votos em Bolsonaro vem fundamentalmente de homens, porque ele tem uma rejeição muito forte entre as mulheres, por causa de seu discurso misógino. Também entre eleitores de classe média e mais escolarizados [ grifos nossos ], o que é muito interessante de analisar. O maior índice de votos em Bolsonaro é entre pessoas que têm ensino superior completo. São pessoas que já passaram pela universidade e que possuem alta escolarização, mas que decidem votar nele. Então, eu diria que o eleitor típico de Bolsonaro é um homem branco, de classe média, com ensino superior completo e das regiões sul e sudeste do país.

RFI – Como se explica que os eleitores de Bolsonaro minimizem a gravidade do discurso de ódio, misógino, que o candidato emprega, dizendo que “é só um jeito tosco e grosseiro de se expressar”?

ES – Isso é um processo de banalização do discurso de ódio. Esses eleitores não enxergam, não identificam um discurso de ódio e, sim, um exagero, até uma coisa folclórica do candidato. Eles inclusive falam que Bolsonaro é um candidato honesto, que não se deixa levar pelo marketing eleitoral, pela roteirização da política. "Ele fala o que quer e tem liberdade de expressão", alegam. Esse eleitor rejeita a tirania do politicamente correto. Temos aí uma trivialização do discurso de ódio do Bolsonaro. Não podemos também esquecer que estamos num país que tem uma sociedade muito racista e muito machista. O Brasil é o país que mais mata pessoas transgênero no mundo, tem uma alta taxa de feminicídio, o homicídio contra a mulher. Então, infelizmente, é um país que está construído sobre uma base de discurso e de prática de ódio contra o diferente.

RFI – Isso reforça a própria imagem desse eleitorado?

ES – Tudo isso reforça a imagem desse eleitorado e ainda mais: como você tem pela primeira vez um candidato que se coloca como antissistema, anti-establishment, isso de alguma forma faz com que um discurso de ódio que era malvisto, que estava muito mais escondido – e Bolsonaro trouxe esse tom para a rede nacional, para os principais jornais –, isso ficou agora totalmente despudorado. Essa extrema-direita saiu do armário e pode fazer circular livremente seu ódio, porque parece haver um carimbo dizendo “agora é correto falar isso, pode-se falar à vontade”.

RFI – Bolsonaro representa o mesmo extremismo fascista que vemos na Europa e em outros países do norte?

ES – Sim, eu diria que é o mesmo extremismo fascista com uma diferença fundamental: tanto o extremismo na Europa quanto nos Estados Unidos se constrói na ideia do inimigo externo. Então, é o imigrante, é o refugiado, é aquele que vem de fora. Como existe uma islamofobia muito forte, é aquele que ameaça a identidade europeia e norte-americana. No caso do Brasil, não temos essa ameaça externa, então o inimigo é interno. Pode ser o inimigo clássico, que é o jovem, negro, pobre, da periferia. Ou pode ser a figura da pessoa de esquerda, porque tem um antiesquerdismo muito forte, contra os professores e contra o PT. O antipetismo é muito forte. É toda uma construção de grupos indesejáveis dentro do próprio país. A construção de um inimigo interno, mas com a mesma dinâmica: a ideia de um discurso muito intolerante, raivoso, bélico, de aniquilamento do inimigo, tanto que é antidemocrático, porque a democracia é o convívio justamente dos diferentes, não é esta questão do inimigo.

RFI – Enquanto partidos de centro-direita governaram o país isso esteve latente?

ES – Efetivamente, esteve latente porque o Brasil é um país muito conservador, esta retórica não nasceu ontem, é uma questão histórica. Mas uma coisa muito importante é que durante os governos petistas, você encontra um fator muito explicativo, que é a mobilidade social ascendente dos mais pobres. Os pobres ganharam a possibilidade de ter uma renda maior, trabalho melhor, de consumir mais. Isso provocou medo e rejeição fundamentalmente das classes médias. É o que a gente denomina classicamente de ódio ao pobre. Eu sou de classe média e vejo aquele pobre, favelado e periférico chegando perto de mim, crescendo na hierarquia social. Isso provocou um conjunto de reações classistas, xenofóbicas e com um conteúdo racial muito importante. Houve uma rejeição muito grande às políticas de inclusão petistas, que foram muito fortes.

RFI – Esta eleição parece que não irá resolver de maneira alguma esta questão da polarização. Existem caminhos para apaziguar uma sociedade quando ela chega a tal ponto de polarização?

ES – Existem caminhos, mas não a curto prazo. A tendência nesta eleição – ou pelo menos o que as pesquisas eleitorais estão dizendo – é que pode haver um segundo turno entre Fernando Haddad (PT) e Bolsonaro (PSL). Basicamente, vai ser uma eleição do petismo contra o antipetismo. O grau de polarização que já tínhamos na época do impeachment, que já era muito forte, veremos isso à máxima potência. O que acho complicado em tudo isso é que essa polarização tem uma carga emocional muito grande. O debate é muito infantilizado, muito empobrecido, praticamente não tem propostas programáticas e depois o que você instaura é a dinâmica do ódio do outro. Parece que o outro não é um adversário político, é o inimigo que tem de aniquilar. Essa configuração provoca muita raiva no cenário político. Movimentos com um tal grau de emotividade são sempre muito típicos de momentos de crise político-econômica. Quando se tem uma crise do neoliberalismo como a atual, que é na verdade global, com desemprego muito alto, uma grande vulnerabilidade e precarização, existe uma tendência de aparecimento de movimentos populistas, que conseguem captar essa emoção das pessoas. O regime nazista na Alemanha nasceu assim, de um enorme descontentamento político, social, de uma enorme crise econômica. Existem dois fatores no mundo atual que convergem para isso: a crise econômica no mundo todo e uma grande crise de representação que potencializa figuras populistas. Por isso, vemos isso pipocando em tantos países. Temos uma diminuição das políticas em termos programáticos, racionais, e um aumento da política demagógica, populista e emocional.

RFI – Você vê o petismo com interesse em superar esta polarização, em introduzir um elemento novo, ou o partido também se apropriou desse dado para se manter forte?

ES – Esta é uma questão que muita gente se pergunta agora. O PT fez uma opção até agora de apostar na polarização, no discurso do golpe, da perseguição política, de Lula se posicionar como um perseguido. Mas isso representa uma encruzilhada perigosa. Ao mesmo tempo em que isto está servindo positivamente para que Fernando Haddad vá aumentando seu percentual de voto muito rápido, por outro lado alimenta muito o antipetismo. A gente tem de ver até que ponto o PT vai medir essas forças: no petismo que alimenta muito a candidatura do Haddad e no antipetismo que aumenta a candidatura do Bolsonaro. Talvez, depois do primeiro turno mude um pouco o cenário. São tantos fatores novos que temos de ver como o PT vai construindo sua estratégia.


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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Projeto de Bolsonaro para a Previdência e aposentadorias é o mesmo que está levando idosos chilenos ao suicídio por receberem baixos valores nas pensões!!!


Uma das empresas administradoras de previdência privada no Chile é o BTG/Pactual

A perversa proposta de Jair Bolsonaro para a Previdência Social: a privatização

Por Clóvis Roberto Zimmermann

PUBLICADO NO JGB  - 24 DE AGOSTO DE 2018

Jair Bolsonaro, candidato a presidente da República pelo PSL, apresenta proposta de privatização do sistema previdenciário, sem fundamento doutrinário e em desacordo com estudos científicos.

Segundo sociólogo alemão Franz-Xaver Kaufmann, existe uma alta correlação entre os cuidados com as necessidades do próximo no cristianismo (incluindo de forma especial a Reforma) e a existência de um estado de bem-estar social. Mandamentos e práticas de ajuda aos pobres existiram no antigo Israel, sendo encontrados também em muitas culturas não cristãs. Segundo esse estudioso, a atitude do Novo Testamento para com a pobreza faz a diferença em dois sentidos; (1) os pobres não são apenas destinatários de ajuda, mas eles possuem um valor especial. (2) O que importa dentro de uma formação social particular nao são somente os pobres, mas em princípio todas as pessoas. Esse tipo de orientação universalista da moralidade teria contribuido fortemente na emergencia e no desenvolvimento do Estado de Bem-Estar Social. Em virtude disso os regimes de previdencia social foram chamados de regimes de repartição social, ancorados na ideia de solidariedade social oriunda dos valores cristãos fortemente enraizados no Novo Testamento.

O financiamento do sistema de repartição social ocorre geralmente com as contribuições dos empregados, empregadores e do Estado, sendo esse sistema predominante no mundo atual. Muitos países introduziram previdências complementares de capitalização, sendo o Chile um caso exemplar de um sistema puro de capitalização. No Chile a aposentadoria por capitalização foi instituída na década de 1980 pela ditadura de Pinochet, aliás, dizem especialistas internacionais que somente em ditaduras tais reformas seriam possíveis. Em vigências há mais de 30 anos, esse sistema tem sido alvo de muitas críticas nesse país, especialmente pelas baixas aposentadorias pagas aos aposentados. Reportagem do sitio alemão Deutsche Welle mostra que o trabalhador que ganha um salário mínimo que neste país, 250.000 pesos (cerca de 370 dólares), ganha uma aposentaodria de cerca de 85.000 pesos (cerca de 125 dólares). Na opinião de muitos que se manifestam contra esse sistema, as atuais aposentadorias mal seriam suficientes para comprar remédios e pagar as contas de luz e água. Em virtude disso tem-se registrado um aumento dos suicidios entre os idosos chilenos.

O mesmo sistema chileno é defendido por Bolsonaro aqui no Brasil. O que causa estranheza é o fato do plano de governo de Bolsonaro à presidência do Brasil ser repleto de contradições, defendendo de um lado uma país mais fraterno, cristão e de outro lado a passagem de um modelo de previdência social baseado na clássica ideia cristã de repartição social para um modelo de capitalização, cujos princípios básicos são o individualismo. “A grande novidade será a introdução de um sistema com contas individuais de capitalização” (PLANO DE GOVERNO DE BOLSONARO, 2018, p. 57). Um modelo puro de capitalização pressupõe a privatização do sistema previdenciário, uma vez que a repartição via Estado não se faz mais necessária. No caso do Chile, das 6 administradoras que atuam nos fundos de pensão, cinco são controladas por empresas financeiras multinacionais: Principal Financial Group (EUA); Prudential Financial (EUA); MetLife (EUA); BTG Pactual (Brasil) e Grupo Sura (Colômbia), que administram mais de US$ 170 bilhões aplicados no mercado de capitais especulativos, nas bolsas de Londres e Frankfurt. Posteriormente o plano do candidato fala sobre que os “E reformas serão necessárias tanto para aperfeiçoar o modelo atual como para introduzir um novo modelo” (p.57). O candidato não deixa explicito se haverá uma privatização parcial ou total do sistema. Da mesma forma, nada fala sobre os que não puderam capitalizar com as aposentadorias, os desempregados e aqueles que trabalham no setor informal, que são mais da metade da população. Aliás, na página 55, o candidato falar que “a administração pública inchou de maneira descontrolada nos últimos anos. Houve uma multiplicação de cargos, benefícios e transferências sem comparação em nossa História”. Fica muito claro que o candidato não tem nenhuma proposta para aquelas pessoas que não puderem contribuir e que tenham um déficit de capitalização. Dessa forma vamos aprofundar o fosso de nossa sociedade dual entre os que podem pagar e os que não tiveram esse privilégio.

Enquanto muitos países do mundo estão instituindo aposentadorias básicas para os que não puderam contribuir, nosso candidato vai na contramão do Estado de Bem-Estar Social, defendendo o individualismo do mercado como solução para nossas aposentadorias. O custo disso seria alto, aposentadorias mais baixas, lucros enormes das seguradoras, e um monte de pessoas sem recursos na velhice. Quer acabar com o nosso atual modelo é de repartição social, em que há um princípio fraterno envolvido e certa transferência dos mais ricos aos mais pobres. De fraterno nosso candidato parece não ter nada.

*Doutor em Sociologia pela Universidade de Heidelberg, Alemanha e Professor Adjunto de Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). E-mail: clovis.zimmermann@gmail.com.

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domingo, 16 de setembro de 2018

Pesquisa Datafolha após a facada. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade




A pesquisa Datafolha divulgada em 15 de setembro, ou seja, depois da facada em Bolsonaro, mostrou que o candidato de extrema direita está com 26%. Haddad e Ciro estão empatados com 13%.

Igor Gielow, na FOLHA, comentou essa pesquisa: “Fisicamente fora da campanha eleitoral desde que foi ESFAQUEADO no dia 6/9. Jair Bolsonaro (PSL) lidera a corrida à Presidência com 26%. (...) Na semana em que foi oficializado candidato do PT à Presidência. Fernando Haddad viu sua intenção de voto subir de 9% registados na segunda (10/9) para 13%. Está empatado numericamente com Ciro Gomes (PDT), que manteve sua pontuação, e na margem de erro também com Geraldo Alckmin (PSDB), que oscilou de 10% para 9%. (...) Em curva francamente descendente está Marina Silva (Rede), que caiu de 11% para 8% e hoje tem metade das intenções de voto que tinha quando sua candidatura foi registrada em agosto”. José Simão, na FOLHA, ironizou: “Marina cai mais do que o Neymair”.

Igor ainda comenta: “Apesar de manter a alta rejeição [44%], Bolsonaro teve discreta melhora no seu desempenho de segundo turno”. Mesmo assim perde de todos! Em Editorial, sob o título “APÓS A FACADA”, o Datafolha constatou: “Bolsonaro se consolida na liderança, mas atentado não teve efeito expressivo”.

Um fato deve ser ressaltado dessa pesquisa: No Nordeste, Haddad cresceu 7 pontos em 3 dias e foi a 20%. E a tendência é subir mais. Essa tendência é importantíssima: quem ficar para o segundo turno tem a chance de ser eleito presidente, derrotando Bolsonaro. A disputa está entre Haddad e Ciro Gomes. Quem irá para o segundo turno? Eliane Cantanhêde, em artigo publicado no ESTADÃO, constatou: “Depois de passar Marina e Alckmin, Haddad DEVE ULTRAPASSAR Ciro. Os ventos sopram a favor do PT. Quem diria?” Será? A CONFERIR.

ENTREVISTA DE TASSO JEREISSATI – Em entrevista ao ESTADÃO, Tasso Jereissati, ex-presidente do PSDB, ao responder a pergunta “como o sr. avalia a trajetória recente do PSDB?”, disse: “O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. Começou no dia seguinte (à eleição) . Não é da nossa história e do nosso perfil. Não questionamos as instituições, respeitamos a democracia. O segundo erro foi votar contra os princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT (sic). Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isto, foi entrar no governo Temer. Foi a gota da água, junto com os problemas do Aécio (Neves). Fomos engolidos pela tentação do poder”. Sem comentário...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Porque tantos nordestinos querem Lula novamente presidente



Da Série: Entrevistas Que Não Deram Certo Nº 321

"Professor, o jornal X (de SP) queria uma opinião para entender por que 60% dos nordestinos continuam preferindo Lula como presidente".

Eu até sei, mas prefiro trocar a informação

"(riso) Como assim?"

Se vocês explicarem para mim por que 27% dos eleitores do Sudeste e 30% dos eleitores do Sul, segundo o Datafolha, preferem votar em Bolsonaro eu te explico por que 51% dos nordestinos não votam nele nem que o mundo acabe. Ah, e segundo o Ibope esses números são ainda mais impressionantes: 29% dos eleitores do Sudeste votam em Bolsonaro, 37% dos civilizadíssimos sulistas também. Pelo menos o voto em Lula é resultado de uma experiência concreta de melhoria do padrão de vida dos pobres em seu governo, do sentimento de que os pobres eram a sua opção preferencial, sem mencionar as políticas públicas para reduzir a assombrosa desigualdade regional neste país. E a preferência por Bolsonaro, é baseada exatamente em quê? Na verdade, o voto nordestino em Lula é explicável; o único enigma a ser explicado é o voto sudestino e sulista em Bolsonaro, não?

( WILSON GOMES, no Facebook )

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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Bolsonaro recebeu "bênção contra doenças do estômago" em abril, durante mega-evento evangélico


Durante participação no Congresso Gideões, Bolsonaro recebeu oração na região do estômago

Internautas comentam que oração serviu como livramento


10 de setembro de 2018

Jair Bolsonaro recebeu oração na região do estômago durante visita ao Gideões Missionários
No dia 29 de abril o deputado federal Jair Bolsonaro, ainda como pré-candidato à presidente, esteve no Congresso Gideões Missionários da Última Hora (GMUH), a convite do pastor Reul Bernardino.

Acompanhado de sua esposa, Michelle, Bolsonaro assistiu a ministração do pastor Adão Santos que logo nos primeiros minutos de pregação sente de orar por pessoas com problemas no estômago. Bolsonaro levanta a mão e recebe a oração de um pastor.

O fato voltou a ser comentado nas redes sociais neste final de semana por conta do atentado sofrido pelo candidato, vítima de uma facada na última quinta-feira (6), quando fazia comício em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Doze centímetros da faca entraram no corpo de Bolsonaro, atingindo uma parte do intestino e provocando uma hemorragia interna que o fez perder quase metade do sangue do corpo.

A agilidade do atendimento da Santa Casa da cidade garantiu a sobrevivência do parlamentar que no dia seguinte foi transferido para um hospital particular em São Paulo.

ASSISTA:


SE LIGA NISSO:



Veja o vídeo do evento em que Bolsonaro recebe a bênção



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Será que o candidato já sofria de uma condição antes do suposto ataque a faca e vem escondendo tal segredo?

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domingo, 9 de setembro de 2018

Atentado contra Bolsonaro, Por Jasson de Oliveira Andrade


O atentado contra o presidenciável Jair Bolsonaro (ele foi esfaqueado) abalou o Brasil e repercutiu mal no Exterior.

Josias de Souza, no texto “Facada em Bolsonaro fere a própria democracia”, comentou: “Não é banal a facada desferida contra o presidenciável Jair Bolsonaro num ato de campanha, na cidade de Juiz de Fora. Numa época em que a política brasileira vive a tensão dos radicalismos insensatos (sic), o acontecimento fere a própria democracia. Trata-se de um momento de treva injetado num processo eleitoral que deveria representar um novo alvorecer. O fato produzirá consequências políticas. (...) A Polícia Federal informou em nota que o agressor foi preso. Não cabe no momento outra providência senão a de apurar com rigor as circunstâncias do crime e punir o criminoso. Mesmo numa democracia debilitada, a melhor resposta para os surtos de radicalismo é mais democracia. Num regime em que as liberdades públicas são plenas, um candidato tem todo o direito de ostentar um discurso virulento (sic) sem sofrer atos de violência. (...) Até aqui, apenas Lula fazia pose de vítima na cena eleitoral. O agressor de Bolsonaro produziu uma segunda vítima no extremo oposto. A um mês das eleições, a novidade tem potencial para influir na campanha. Pode elevar a taxa de intenção de votos de Bolsonaro, estimada pelo Ibope em 22%. Mas também pode estimular o aumento do índice de rejeição do candidato (44%) se a maioria do eleitorado enxergar no episódio uma evidência de que o Brasil precisa se reencontrar com a tolerância (sic)”.

Já Kennedy Alencar, no artigo sob o título “Atentado contra Bolsonaro é grave e inaceitável numa democracia”, escreveu: “É grave o atentado de hoje [6/9] contra Jair Bolsonaro porque é uma violência que quebra as regras da disputa política numa democracia. Como disseram quase todos os adversários de Bolsonaro na corrida presidencial, trata-se de um ato inaceitável e que tem de ser condenado com veemência. (...) Ciro Gomes (PDT), com propriedade, falou em barbárie (sic). É uma expressão adequada para atos desse tipo. A polícia precisa apurar rapidamente as motivações do agressor, identificado como Adelio Bispo de Oliveira, e periciar a faca usada no atentado. (...) Nas redes sociais, há comentários de que Bolsonaro seria vítima do discurso de intolerância do qual faz uso com frequência. É um erro pensar assim. A vítima nunca deve ser responsabilizada. Bolsonaro não pode ser responsabilizado pelo atentado que sofreu. (...) Isso não significa que não possam ser criticadas ideias e declarações de Bolsonaro a respeito da política de segurança pública que estimularia mais violência (sic) no país. Um bom exemplo no dia de hoje tem sido a reação dos adversários de Bolsonaro, todas elas equilibradas e firmes na condenação do que aconteceu com o candidato do PSL nesta tarde [6/9] em Juiz de Fora (MG).”

Escrevi vários artigos contra Bolsonaro. No entanto, repudio, com veemência, o atentado que sofreu. O ódio leva, lamentavelmente, a isso!

EM TEMPO – EDUCAÇÃO DE MOGI GUAÇU ESTÁ DE LUTO – Faleceu, em 8/9, o Prof. José Inocencio Monzoli, Zinho Monzoli. Ele foi diretor de escolas, principalmente da FEG (Fundação Educacional Guaçuana). Monzoli foi também Diretor da Educação no governo Carlos Nelson. No governo Hélio Bueno, ocupou o cargo de Chefe de Gabinete. Trabalhou em São Paulo (governo Quércia) na FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação).

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sábado, 1 de setembro de 2018

Lula impugnado: Haddad poderá ser o substituto. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



O Supremo, por 6 votos a 1, impugnou a candidatura de Lula. Em vista dessa decisão, o PT soltou a seguinte NOTA:

NOTA DA COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PT CONTRA A CASSAÇÃO POLÍTICA, COM LULA ATÉ O FIM

Diante da violência cometida hoje (31) pelo Tribunal Superior Eleitoral contra os direitos de Lula e do povo que quer elegê-lo presidente da República, o PARTIDO DOS TRABALHADORES afirma que continuará lutando por todos os meios para garantir sua candidatura nas eleições de 7 de outubro.

Vamos apresentar todos os recursos aos tribunais para que sejam reconhecidos os direitos políticos de Lula, previstos na lei e nos tratados internacionais ratificados pelo Brasil. Vamos defender Lula nas ruas, junto com o povo, porque ele é o candidato da esperança.

É mentira que a Lei da Ficha Limpa impediria a candidatura de quem foi condenado em segunda instância, como é a situação injusta de Lula. O artigo 26-C desta Lei diz que a inelegibilidade pode ser suspensa quando houver recurso plausível a ser julgado. E Lula tem recursos tramitando no STJ e no STF contra a sentença arbitrária.

É mentira que Lula não poderia participar da eleição porque está preso. O artigo 16-A da Lei Eleitoral prevê que um candidato sub judice (em fase de julgamento) pode “efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica”.

A Justiça Eleitoral reconheceu os direitos previstos nestas duas leis a dezenas de candidatos em eleições recentes. Em 2016, 145 candidatos a prefeito disputaram a eleição sub judice, com registro indeferido, e 98 foram eleitos e governam suas cidades. É só para Lula que a lei não vale?

O Comitê de Direitos Humanos da ONU determinou ao Brasil garantir os direitos políticos de Lula, inclusive o de ser candidato. E o Brasil tem obrigação de cumprir, porque assinou o Protocolo Facultativo do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos. E o Congresso Nacional aprovou o Decreto Legislativo 311 que reconhece a autoridade do Comitê. O TSE não tem autoridade para negar o que diz um tratado internacional que o Brasil assinou soberanamente.

É falso o argumento de que o TSE teria de decidir sobre o registro de Lula antes do horário eleitoral, como alegou o ministro Barroso. Os prazos foram atropelados com o objetivo de excluir Lula. São arbitrariedades assim que geram insegurança jurídica. Há um sistema legal para os poderosos e um sistema de exceção para o cidadão Lula.

Em uma semana que envergonhará o Judiciário para sempre, a cúpula desse Poder negociou aumento de 16,4% nos salários já indecentes de ministros e juízes, sancionou a criminosa terceirização dos contratos de trabalho e, agora, atacou frontalmente a democracia, os direitos dos eleitores e os direitos do maior líder político do país. É uma cassação política, baseada na mentira e no arbítrio, como se fazia no tempo da ditadura.

A violência praticada hoje expõe o Brasil diante do mundo como um país que não respeita suas próprias leis, que não cumpre seus compromissos internacionais, que manipula o sistema judicial, em cumplicidade com a mídia, para fazer perseguição política. Este sistema de poder, fortemente sustentado pela Rede Globo, levou o país ao atraso e o povo ao sofrimento e trouxe a fome de volta.

A candidatura do companheiro Lula é a resposta do povo brasileiro aos poderosos que usurparam o poder. Lula, e tudo o que ele representa, está acima dos casuísmos, das manobras judiciais, da perseguição dos poderosos.

É com o povo e com Lula que vamos lutar até o fim.

Lula Livre!
Lula Candidato!
Lula Presidente!

COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

Vamos ver nas próximas pesquisas como Haddad vai se sair como candidato substituto de Lula. A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O liberalismo escravocrata de João Amoêdo e do Partido "Novo"


“A liberdade do homem livre é a causa da grande opressão dos escravos”, concluiu Adam Smith em suas Leituras da Justiça. Na mesma ocasião, o pai do liberalismo econômico não se acanhou em expor a nudez monárquica dos adeptos da vanguarda iluminista de sua época, chegando a afirmar que a escravidão poderia ser mais facilmente suprimida em um governo despótico que em um governo livre ou democrático cujos organismos representativos estão exclusivamente reservados aos proprietários brancos: “toda lei é feita pelos seus donos, os quais nunca vão deixar passar uma medida desfavorável a eles”. Ao tratar do assunto, o historiador Domenico Losurdo dá mais uma volta no parafuso ao questionar se poderia ser considerado um liberal alguém que, numa situação específica, exprime sua preferência por um governo tirânico.

“Todos os homens foram criados iguais”, grita a Declaração de Independência dos EUA. É necessário “salvaguardar para nós mesmos e para os nossos descendentes o dom da liberdade”, declara a Constituição de 1787 do mesmo país. Uma leitura menos preguiçosa, contudo, é suficiente para fazer notar que ainda no seu artigo 1º há a diferenciação entre “homens livres” e o “resto da população” (otherpersons). Quem seria este “resto da população”? Os escravos.

“O domínio mais opressor jamais exercido pelo homem sobre o homem, fundado na mera distinção de cor, se impõe no período mais iluminado”. Um entusiasta de milícias como o MBL, herdeiros morais dos Confederados do Sul, poderia muito bem atribuir esta frase a algum daqueles que costumam chamar de “extrema esquerda” em suas redes sociais. Seu autor, no entanto, é ninguém menos que James Madison, pai da Constituição norte-americana. O próprio Madison era proprietário de escravos, assim como boa parte dos chamados “Pais Fundadores”.

A ascensão do liberalismo e a difusão da mão-de-obra escrava com fundamento na raça estão umbilicalmente ligadas. Não há incompatibilidade moral ou filosófica entre a escravidão e o arcabouço filosófico liberal. “Meus sentimentos são do tamanho de uma moeda”, explica um despachante de escravos em uma emblemática cena de 12 Anos de Escravidão, vencedor do prêmio de melhor filme no Oscar de 2014. “O homem faz o que quer com sua propriedade”, brada Edwin Epps, senhor de escravos que fundamenta seu direito a ser proprietário de gente tanto na lei como na Bíblia.

As experiências históricas levam à conclusão de que a defesa da liberdade por parte de liberais quase sempre se deu de acordo com as conveniências políticas e econômicas das classes dirigentes de suas épocas, conforme já apontamos em outras[1] ocasiões[2].

John Locke, enquanto defendia a liberdade com entusiástico radicalismo em seus escritos, investia em ações da Royal African Company, monopolista do tráfico de escravos.

Em 1819, um projeto de lei apresentado no parlamento inglês que proibia o trabalho de crianças de 9 anos de idade e restringia a 12 horas por dia o trabalho de crianças de 10 a 16 anos era confrontado pelos liberais da Câmara dos Lordes por atentar contra a “liberdade de contrato”. Em 2008, o então presidente dos EUA, George W. Bush, defendeu a estatização do sistema financeiro norte-americano e as injeções de bilhões de dólares para salvá-lo como uma medida de livre mercado.

Aqui no Brasil, os principais idealizadores da Revolução Constitucionalista de 1817 pretendiam, seguindo a boa tradição norte-americana, implantar uma república na qual a escravidão ainda permaneceria viva e forte.

A própria abolição formal da escravidão foi realizada na esteira dos interesses da elite econômica e do sufocamento da proposta de reforma agrária. A implantação de um imposto sobre terras improdutivas e a desapropriação em favor de ex-escravos eram bandeiras defendidas por líderes abolicionistas como André Rebouças e Joaquim Nabuco. A finalidade era óbvia: não fazer da abolição um mero formalismo, conferindo, assim, um mínimo de condições para que os recém-libertos não fossem despejados à míngua nas ruas. Liberais, republicanos e abolicionistas moderados foram contra, fechando com latifundiários para que a abolição não mexesse no modelo excludente previsto pela Lei de Terras de 1850.

As conclusões de Adam Smith reproduzidas linhas acima explicam, um pouco, o desalento de Nabuco com a república que acabara de nascer.[3]

Em recente entrevista ao Roda Viva, o banqueiro João Amoêdo, pré-candidato à presidência pelo Partido Novo, fez orgulhar a tradição iluminista escravocrata, despejando uma série de vulgatas liberais típicas de paixonites adolescentes efêmeras. Amoêdo, que em tudo que é canto gosta de se colocar como o legítimo herdeiro moral de monstros sagrados como Smith e Ricardo, balbuciou ao ter que explicar a incoerência de ser “liberal na economia, mas conservador nos costumes”, uma jabuticaba do tipo ser vegetariano até que o garçom sirva a picanha.

O cerne da doutrina liberal clássica diz respeito à contenção do ímpeto estatal em interferir nas condutas individuais que não trazem prejuízos à vida e à propriedade de terceiros. Liberdade, em tese, não diz respeito apenas a temas relacionados aos códigos das relações mercantis – muito embora na prática apenas estas interessem para a turma de Amoêdo, como o próprio deixou claro ao falar nas dificuldades burocráticas em fundar um banco (um crime imperdoável, diria Brecht) tal qual estivesse falando de um trailer de cachorro quente. Não faz parte da agenda de Amoêdo, um conservador para lá de vulgar, a proteção da “menor minoria” contra o Estado no campo dos costumes. Se o sujeito quer fumar maconha, o Estado não tem nada que se meter nisso. O mesmo em relação a direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Amoêdo, entretanto, discorda. Liberdade mesmo só para ter porte de arma.

Nesse sentido, o candidato é coerente com a tradição liberal na prática por contemporizar a noção de liberdade e submetê-la às suas preferências e valores pessoais conservadores (embora isto não tenha muito a ver com o liberalismo na teoria), os quais, por sua vez, têm um evidente recorte de classe. Diante de uma democracia liberal, pouco interessa a opinião pessoal sobre se alguém, no pleno gozo de suas faculdades mentais, deve ou não fazer uso de entorpecentes. O sujeito pode até ser pessoalmente contra, e deve ter a garantia de poder se pronunciar dessa forma, diria Voltaire. O que não pode é instrumentalizar o Estado para dizer se é biscoito ou bolacha e para estabelecer que é permitido comprar armas no supermercado, mas não maconha.

Não surpreende que pessoas e coletivos que se dizem liberais apoiem excrescências autoritárias como a Escola sem Partido e a criminalização de sindicatos, organizações e movimentos sociais. “Cadê os liberais para argumentar que greve é instrumento institucional de protesto e reivindicação dos trabalhadores?”, indaga Marilena Chauí em artigo de 11 de julho de 1983 na F. de São Paulo. Em outro artigo, publicado em 02 de dezembro de 1985, conclui que “no limiar do século XXI, a classe dominante brasileira ainda não conseguiu absorver o que sua predecessora europeia estabeleceu há dois séculos. Pior. A incultura crassa e a ferocidade, marcas da classe dominante brasileira, fazem que confunda direitos humanos e subversão internacional!”.

A noção de liberdade de Amoêdo – que obviamente defendeu na entrevista que o combate à discriminação racial não é responsabilidade do Estado – não difere da de James Madison, John Locke, dos membros da Câmara dos Lordes de 1819 e dos abolicionistas contrários a Nabuco e Rebouças, o que demonstra que há um núcleo ideológico que, em última instância, se coloca claramente contra a concepção mais radical e emancipatória de liberdade, como comprovaram os ex-escravos haitianos ao acharem inocentemente que as tropas napoleônicas, supostamente premidas por ideais iluministas, aportaram no Haiti para prestigiar a revolução capitaneada por Toussaint Louverture e não para reprimi-la.

Liberdade para Amoêdo é a de comércio, restrita à dinâmica mercantil; a liberdade de vender, comprar, contratar – incluindo a de criar bancos como se fossem bodegas de esquina. Em 2 de setembro de 1789, ninguém menos que Robespierre desafiou essa concepção inescrupulosa de liberdade ao denunciar os danos do liberalismo econômico em uma declaração que podia muito bem ter sido feita no século XXI: “como se pôde pretender que toda espécie de estorvo, ou melhor, que toda regra sobre a venda do trigo era um atentado contra a propriedade e disfarçar esse sistema bárbaro debaixo do nome capcioso de liberdade de comércio?”.

Foi Robespierre quem disse.


[1]http://justificando.cartacapital.com.br/2018/02/19/desfile-da-paraiso-da-tuiuti-expos-os-limites-de-uma-liberdade-que-nao-existe/

[2]http://justificando.cartacapital.com.br/2017/01/30/falsa-defesa-da-liberdade-por-liberais/

[3]http://www.bbc.com/portuguese/brasil-44091474

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Mais motivos para JAMAIS votar no Partido Novo, sobretudo se você for pobre



Nesses ultimos dias tem rolado uma "onda laranja" na minha bolha. Não pretendo doutrinar ninguem aqui, mas vou dizer porque EU não voto no Amoedo nem a pau...

- é muito facil fazer videos expondo as bizarrices dos gastos BR. "Sei la quantos milhoes pra cortar a grama", "garçom da camara que ganha 15mil", etc etc.. todos nós concordamos que isso é uma merda. Mas infelizmente isso tudo serve como exemplo, mas é uma gota no oceano.
Quer um exemplo? 
E se a gente demitisse todo o legislativo do BR. Por todo eu quero dizer TODO. Camara dos deputados, Senado, 27 assembleias legislativas, 5.564 câmaras de vereadores. Sabe qual a "economia"? 
20 Bilhões. Parece muito. 
Sabe quanto o BR gastou de Juros da divida publica em 2016? (Só juros. Não conta rolagem nem pagamento)
407 Bilhões.
Nada contra.. mas só pra pontuar aqui.. 1 milhão desse valor foi pro Amoedo.

- Vc que ganha mais de 4.500 teve 27,5% descontado na fonte né? Sabe quanto o Joesley pagou de IR em 2016 em cima dos 103 milhões que recebeu da J&F? 
0,3%. Isso é legal.. não é gambis não. É a lei.

- ai chega um mano.. todo cheio de bom-mocismo e fala no programa de governo dele que

"Vamos combater a pobreza. E isso se faz com a geração de renda e não com a sua distribuição." WHAT??.. 
que "Vamos lutar por oportunidades e não por privilégios." mas sem aumentar imposto dos mais ricos (e por rico eu não estou falando de você. Você é bem de vida. Rico é o Amoedo.).

Que quer o "Fim do fundo partidário, do fundo eleitoral e da propaganda eleitoral gratuita." (quem vai pagar a campanha? A Odebrecht? Ou só pode concorrer quem é multi-milhonario?)

Que "Definir como critério único de aposentadoria a idade mínima de 65 anos" e "Desvinculação do salário mínimo e indexação pela inflação." com "Contribuição obrigatória para trabalhadores rurais." Sabe qual a espectativa de vida no Jardim Angela, periferia de SP? 56 anos.

Não me entenda mal. É claro que ele tem ideias interessantes. E deve ter mesmo boas intenções. O Novo é um partido que em grande parte funciona como deveriam funcionar todos os partidos. Regras claras e ideologia clara. Faz bem pra democracia. Enriquece o debate. Mas ele tem uma agenda. E por mais que ele queira fazer parecer, NÃO É A SUA. Muito menos a do maninho que mora na rocinha. Ele não precisa de "menos estado". Ele ja vive no estado minimo. Pergunta pra ele se tá bom.

Solução pra estado ineficiente não é acabar com o estado. É melhorar ele. O brasileiro medio precisa do estado pra cacete. Você precisa do estado pra cacete. Um estado melhor, com certeza. Mas olha pros lugares que vc admira. Europa. Canada. Escandinavia, Japão. Você acha que eles são assim por causa da iniciativa privada?

O Brasil é montado pra te fuder. E não é porque tem muito estado. É porque tem um estado que pega todo seu dinheiro pra não ter que pegar o dinheiro dos Joesleys da vida (e no caminho "suborna" uns politicos e judiciario deixando eles se darem aumento e auxilio paletó) O teto de gastos ta ai pra comprovar isso. A população cresce 1% ao ano. Os gastos com saude, educação, infraestrurura, etc etc estão congelados por 20 ANOS. O gasto com juros não tem trava nenhuma. Seu filho não vai ter escola. O filho do Joesley não vai pagar imposto. Mas teoricamente tudo vai estar melhor.

Pode ser bom moço o quanto quiser. O candidato do "PSTU ao contrario" pra mim representa a manutenção do que tem de mais errado nesse país. Não importa o quanto ele prometa economizar no corte da grama do vizinho, que é mais verde que a dele, mas tudo bem... ele é o senhorio.


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domingo, 26 de agosto de 2018

Ibope e Datafolha: Porque Lula foi condenado e está preso. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


O ESTADÃO (21/8) publicou a pesquisa do IBOPE. O cenário com Lula é o seguinte: Lula –PT 37%; Jair Bolsonaro –PSL: 18%; Marina: 6%; Alckmin: 5%; Ciro Gomes: 5%; Alvaro Dias: 3%; Meirelles: 1%. Curiosidade: Lula tem o dobro de Bolsonaro! No cenário sem Lula; Bolsonaro: 20%; Marina 12%; Ciro: 9%; Alckmin: 7%; Haddad: 4%; Meirelles: 1%. O IBOPE não pesquisou para o segundo Turno.

No Datafolha, no cenário com Lula, o resultado foi: Lula 39%; Bolsonaro 19%; Marina: 8%; Alckmin: 6%, Ciro: 5. No Datafolha Lula (39%) tem o dobro de Bolsonaro (19%)! Um fato me chamou a atenção: Bolsonaro perde para TODOS candidatos: Lula, 52%; Bolsonaro, 32%. Marina, 45%; Bolsonaro, 34%. Alckmin: 38%; Bolsonaro 33%. Ciro, 38%, Bolsonaro: 35%. Caso realmente se repita esses resultados nas eleições, Marina tem chance de se eleger presidente ou presidenta, como preferia Dilma. A CONFERIR.

Sobre essa pesquisa, Mauro Paulino e Alessandro Janoni constataram: “A evolução da intenção de voto espontânea, sem estímulos dos nomes dos candidatos, fornece o diagnóstico claro. Nessa situação, menções ao ex-presidente (Lula) vinham caindo gradativamente desde a sua prisão em abril. (...) Agora, com o registro de sua candidatura, as citações CRESCERAM DEZ PONTOS PERCENTUAIS”. Sem comentário...

Para mim, essas pesquisas comprovam: se Lula obtivesse apenas 1%, como ocorre com o Meirelles (MDB), ele não seria condenado, nem estaria preso. Com esses percentuais, que estão aumentando, Lula foi condenado e se encontra preso. Essa é a verdade!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

E o PT resiste






Resiliência é a propriedade que alguns corpos têm de voltar à forma original depois de terem sido deformados por alguma pressão exercida sobre eles. Você pisa, esmaga, amassa, eles deformam, mas, de um jeito ou de outro, voltam a ficar como eram antes. Resiliência é a capacidade que alguns demonstram de resistir às condições mais adversas e de sobreviver onde outros geralmente sucumbem.

Desde o final da semana passada, começaram a aparecer as primeiras pesquisas da corrida eleitoral que refletem as candidaturas registradas até o momento. E há, naturalmente, muita coisa de que se pode falar sobre a fotografia que elas apresentam. Eu escolho falar do que mais me chamou a atenção em tudo isso: a resiliência da candidatura de Lula e do Partido dos Trabalhadores.

O Datafolha divulgou no dia 23 de agosto mais uma rodada de uma sondagem, cuja série histórica inicia no longínquo ano de 1989, que busca identificar a preferência partidária dos brasileiros. Emergiu do levantamento que, a despeito de tudo por que passou - e por tudo, entenda-se escândalos a não mais poder, conspirações, impeachment, intensa cobertura negativa, prisões, inclusive a prisão de Lula e o agigantamento do antipetismo etc. -, o PT não apenas continua sendo o partido preferido dos brasileiros, mas a simpatia pelo partido voltou a crescer depois da baixa ocorrida durante a crise de 2015 e 2016.

O PT é o partido preferido dos brasileiros desde 1989, quando pela primeira vez superou o PMDB. Atingiu o pico de preferências em fevereiro de 2010, com 24% de adesão popular versus 6% do PMDB, em segundo lugar. Mas eis que a predileção pelo PT despencou na aferição de junho de 2015, para apenas 11%. Ano em que também foi a primeira única vez em que o PSDB ocupou o segundo lugar isolado em preferência partidária, com 9%. O ponto mais baixo de preferência partidária do PT viria mais tarde, em 9%, e foi detectado logo depois das eleições de 2016, momento em que muitos analistas, torcedores e analistas-torcedores decretaram (e celebraram) a morte do partido.

Mas eis que agora, às vésperas das eleições de 2018, o PT ressurge como o partido preferido de 24% dos brasileiros e recupera a sua máxima histórica. O PSDB e o MDB dividem o segundo lugar, como os preferidos de apenas 4% dos entrevistados. As demais 32 siglas partidárias brasileiras, somadas, chegam a 5%. O que significa que, pelo menos do ponto de vista da preferência partidária dos brasileiros, o PT espantosamente ressurge da tragédia dos cinco anos do seu Apocalipse e volta ao estágio anterior. Talvez até o supere, mantido o ritmo de recuperação.

A preferência partidária pelo PT é algo que para muita gente deve ser assombroso. Antes de tudo, porque os números demonstram que, a rigor, há realmente apenas uma sigla que os brasileiros reconhecem como significando um partido político. Apesar dos 35 partidos registrados no TSE e apesar de muitos deles terem extrema densidade ideológica, à direita ou à esquerda.

Hoje, 52% dos brasileiros dizem não ter preferência partidária. E, curiosamente, mesmo quando as pessoas se afastam do PT, como registrou o Datafolha em 2015 e 2016, não cresce significativamente a preferência por outros partidos. De fato, neste período, os sem-preferência partidária chegaram a 75%, o que indica que quando as pessoas se afastam do PT se afastam também de qualquer partido. Provavelmente isso também signifique que o sentimento do antipetismo também aumenta o sentimento antipolítica em geral, em vez de gerar preferência por outras agremiações partidárias.

Agora, sugiro pegarmos essa informação para cruzá-las com os resultados das pesquisas eleitorais da semana: a do instituto MDA, a do Ibope e, enfim, o último Datafolha. Na estimulada do MDA, Lula tem 37,3%, o dobro de Jair Bolsonaro, em segundo. Na estimulada do Ibope, os dados são os mesmos: Lula tem 37%, Bolsonaro, 18%. Na estimulada do Datafolha, Lula tem 39 e Bolsonaro 29%. Notem, além disso, que os eleitores de Lula são os mais convictos: só 18% dizem que podem mudar o voto, segundo o MDA, enquanto no caso dos eleitores de Alckmin, por exemplo, o percentual dos que “estão pra jogo” supera 60%. E, o que é mais curioso, segundo o Datafolha, 45% dos eleitores entre 16 e 24 anos de idade dizem que votarão em Lula (contra 24% do segundo preferido). Lula é, então, de longe, o mais forte candidato entre os meninos que não tinham idade quando Lula foi presidente, para lembrar dele, que cresceram durante o massacre público do PT e de Lula e que, não obstante isso, preferem-no a qualquer outro.

Não há como certeza disso sem ir a campo pesquisar, mas provavelmente a recuperação do PT e de Lula pode não estar acontecendo apesar da cobertura negativa e das astúcias da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal, que claramente manobram para enterrar politicamente o partido e o seu líder mais importante. Talvez esteja acontecendo justamente por causa disso. Acho pouco provável, por exemplo, que os que preferiam o PT como partido político até 2012 estejam voltando para casa depois do terrível quinquênio de lamaçais e furacões que complicou a vida do partido. Há certamente mais ex-petistas nas falanges antipetistas do que a filosofia da senadora Hoffmann consegue imaginar. Assim, me parece mais razoável supor que sejam novos simpatizantes se juntando à tripulação. Por que o fazem, não sei, mas tendo a pensar que, para muita gente, o cerco a Lula, e as tramas e os jeitinhos envolvidos neles, parecem já ter há muito superado o limite de uma divergência justa e de um constrangimento limpo e leal. Não sei, mas desconfio que, a este ponto, o morismo & assemelhados, com seus truques e as suas ações “ad hoc” e “ad hominem”, estejam paradoxalmente jogando água no moinho do Partido dos Trabalhadores.


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terça-feira, 21 de agosto de 2018

Motivos para JAMAIS votar no Partido "Novo", principalmente se você for pobre

Tenho recebido muitos pedidos para votar no NOVO e resolvi dar uma resposta única a todos os meus amigos.
Não posso votar no NOVO, meus amigos, como vcs sabem, eu fiz medicina, trabalhei no SUS e no serviço público e sei de perto o que significa Estado mínimo. Para vcs uma idéia encantadora, diminuir gastos. Para mim, assistir ao sofrimento alheio. Aquilo que comove vcs na televisão, gente morrendo, porque faltou dinheiro para o tratamento, eu tenho que assistir no meu dia dia. Por isso, só voto em quem coloca o povo no orçamento. Soube que uma das propostas do NOVO para a saúde, será transferir a responsabilidade do Estado para pequenos planos privados populares. Planos que eu não pretendo atender, porque sei como funcionam. Nestes dois últimos anos em que o Temer congelou o orçamento da saúde, já vi muita coisa boa ruir.
Outro motivo é a educação. O NOVO também quer restringir o orçamento da educação e enfraquecer as Universidades Públicas. Eu estudei numa delas e além de acreditar na sua qualidade, a Pesquisa, no Brasil, só se faz em Universidades públicas, com algumas poucas exceções, acredito também na meritocracia que elas representam, cursos como medicina serão cada vez mais restritos a quem possa pagar, tirando a oportunidade de profissionais dedicados e competentes.
Por último, vejo que o NOVO quer reduzir impostos. Os fundadores do NOVO se vendem como cidadãos comuns insatisfeitos com os maus serviços e impostos altos. Neste país, bancos pagam menos impostos que assalariados, apesar de lucrarem loucamente. Não creio que uma legenda aliada aos bancos vá reduzir seus privilégios, para diminuir os impostos da classe média. Como não existe almoço grátis, nós continuaremos responsáveis por sustentar o Estado. A única maneira de reduzir impostos é cobrar de privilegiados, como Bancos, Igrejas etc.
Mais uma coisa, os principais nomes do NOVO, novo deve ser ironia, pois representa tudo de mais velho na política nacional, tem suas fortunas guardadas em paraísos fiscais, segundo o jornalista Fernando Rodrigues. 
Então, obrigada, mas não vejo nenhuma novidade nesta legenda de milionários, que querem manter seus privilégios e guardar suas fortunas longe daqui.


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sábado, 18 de agosto de 2018

Marina X Bolsonaro. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Segundo os comentários feitos sobre o debate entre os presidenciáveis na Rede TV, o que mais se destacou foi Marina ao criticar o “machismo” de Bolsonaro. O candidato do PSL ainda não percebeu que no século 21, o “machismo” é um atraso: está superado!

André Ítalo Rocha (Estadão) revela: “A Vice na chapa do candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB), a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), rasgou elogios à maneira como a candidata Marina Silva (Rede) atacou o candidato Jair Bolsonaro (PSL) no debate realizado na noite de sexta-feira (17/8), na “Rede TV”, em relação à diferença salarial entre homens e mulheres. “Foi o ponto alto do debate”, cravou. (...) “Ela foi muito corajosa e fez na hora certa. Soube aproveitar, não buscou subterfúgio e foi em cima do ponto, na questão de a mulher ter hoje uma inferioridade salarial em relação ao homem. Ela foi feliz na forma como fez e de MANEIRA RESPEITOSA”, disse à jornalistas a candidata a vice. (...) Para Ana Amélia, a resposta da Marina mostrou que ela teve senso de oportunidade. A eficácia de dizer algo tem resultado melhor se for feito na hora certa. E ela fez com uma ARGUMENTAÇÃO IRREFUTÁVEL, PRECIOSA, INDISCUTÍVEL. ELA FOI NA LEI E FOI NA BIBLIA”, afirmou. “Ela perturbou o Bolsonaro”, acrescentou.” Vindo de uma adversária, esses elogios são insuspeitos...

Luisa Marini, na reportagem “Marina deixa Bolsonaro constrangido durante o debate, diz cientista político”, afirma: “O confronto entre os candidatos à presidência da República Marina Silva (Rede) e Jair Bossonaro (PSL) no debate da Rede TV! que foi exibido na noite de ontem (sexta, 17/8) favoreceu a candidata da Rede e deixou o ex-capitão do Exército constrangido, na avaliação do cientista político Leonardo Barreto. (...) “A Marina conseguiu resolver ali [no enfretamento com Bolsonaro] a suspeição de que ela é frágil. No momento que ela encara o Bolsonaro, ela se mostra uma mulher forte, que não tem medo de homem, DE MACHISMO e deixa o Bolsonaro constrangido”, diz Leonardo, que é doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB). “O objetivo dela ali foi, além de pautar a agenda da mulher, MOSTRAR QUE BOLSONARO NÃO TEM ESTATURA PARA AQUILO QUE ELE ESTÁ PROPONDO”.

Leonardo Sakamoto, em seu Blog, comentou: “O ponto alto do debate da Rede TV!, na noite desta sexta (17/8), por exemplo, foram as respostas de Marina Silva para Jair Bolsonaro, quando ela explorou uma das fragilidades do candidato que mais preocupam sua campanha: a taxa de rejeição junto às mulheres. (...) “Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência”, disse Marina em sua réplica. “Nós somos mães, nós somos jovens que têm de resolver as coisas na base do grito, Bolsonaro. “Você é um deputado, você é um pai de família. Você um dia desses pegou a mãozinha de uma criança e ensinou como é que se faz para atirar”.

Pelo visto, no embate Marina X Bolsonaro, a candidata da Rede saiu vencedora!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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