segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Xiii, Carlinhos de Tocqueville, tá fucking hard aí na terra do Tio Sam: nos EUA 10 milhões de cidadãos vivem com menos de 2 dólares por dia




Cerca de 10 milhões de pessoas subsistem nos EUA com menos de dois dólares (1,5 euros) por dia e vivem à margem da economia monetária, disse na segunda-feira Laurence Chandy, investigador da Brookings Institution.

Chandy explicou que, quando se consideram os rendimentos, cerca de dez milhões de cidadãos subsistem "praticamente sem dinheiro", graças aos programas sociais, como os vales refeição ou as refeições grátis dadas pelas escolas públicas e instituições de beneficência.

Em entrevista à Efe, este investigador afirmou que "as pessoas que vivem excluídas da economia do dinheiro" estão mais vulneráveis aos imprevistos, como a doença ou a morte de um familiar.


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"Delator" da Petrobrás: vazamentos seletivos e calculados não atingem Dilma


Escândalo de boca de urna não colou em Dilma

Foi ação calculada o vazamento de acusações vagas, feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, contra governadores, ministro, empresas e parlamentares da base governista integrantes de um suposto esquema de corrupção nas entranhas da maior estatal brasileira, a empresa mais importante do País.

O juiz do processo, o rigoroso Sergio Moro, não gostou da publicidade dada a um depoimento, ainda incompleto, sob segredo de Justiça, criptografado e despregado dos fatos capazes de sustentá-lo.

Não há nada ocasional nessa história. A informação vazada e vazia de provas ocorreu em momento calculado, para embaralhar a eleição que parecia arrumada e projetava, como ainda projeta, um confronto de segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva.

Marina surpreendeu-se com a inclusão de Eduardo Campos na panela. Aécio ficou mais à vontade para atacar as duas opositoras.

O alvo era a candidatura da presidenta. Com o peso da autoridade e a imagem preservada pela seriedade, ela tem reafirmado constantemente um comprometimento profundo, política e administrativamente, com a Petrobras. Atingida por denúncias ainda em fase de apuração, as acusações provocariam mais danos à imagem da empresa e ricocheteariam na candidatura de Dilma.

Exceto pelo vaivém da Bolsa de Valores, provocado pelos adversários de sempre, os danos não ganharam a proporção desejada. Houve, ao contrário, bônus para os especuladores mais famintos.

No caso da candidata petista, isso se comprova com o resultado de três últimas pesquisas de institutos diferentes, realizadas praticamente no mesmo espaço de tempo. Ou seja, entre os dias 5 e 9 de setembro, logo após, portanto, de as acusações explodirem na mídia conservadora sempre sequiosa por boatos contra o governo e o PT.

Em resumo, Dilma, à frente, sobe. Marina, em segundo lugar, desce, e Aécio empaca em terceiro lugar.

As acusações provocaram, porém, efeito profundo no discurso dos candidatos. Os temas políticos, econômicos, o plano para governar, tudo foi sufocado pelo programa das acusações recíprocas. Nesses casos, quem está no poder, com o telhado de vidro sempre à disposição dos opositores, sai prejudicado.

Acusar é mais fácil do que debater.

Assim fez Aécio. E talvez não tenha tomado o melhor caminho para ele próprio. Atacou Marina, sua adversária imediata. Foi mais duro com Dilma como se tivesse gana de desconstruí-la como candidata.

A acusação tomou o lugar do debate temático, em que a presidenta Dilma, malgrado o seu fraco desempenho na oratória, tem um enorme estoque de realizações e propostas para apresentar ao eleitor.

A inconsistência das acusações, caso não surjam provas reais, fará a campanha voltar ao leito normal. É de se esperar. Os problemas brasileiros vão muito além da corrupção gerada nos vícios de uma sociedade permissiva.
CARTA CAPITAL



Jornalista russo denuncia ligação de Marina Silva com o governo dos EUA e a submissão do Brasil ao imperialismo norte-americano


O confronto é muito mais profundo e amplo: atinge a tensão entre o projeto nacional e das novas relações internacionais representado pelo governo Dilma e o do retorno à submissão aos Estados Unidos, como o desejam o senador Aécio Neves e a missionária Marina Silva.

Para engrossar este debate um jornalista russo. Trata-se de Nil Nikandrov. Ele trabalha em Moscou e cobre questões de política latino-americana; é conhecido crítico da devastação que governos neoliberais promoveram em economias nacionais por todo o planeta. É autor da primeira biografia de Hugo Chávez em russo. 

Nil Nikandrov escreveu em inglês, mas posto aqui a tradução em português que alguém fez. Lê com cuidado e de modo racional, meu irmão. 

O roteiro dos compromissos da missionária Marina Silva com o imperialismo e com os golpes promovidos pelos Estados Unidos é de parar a respiração. Há a suspeita de sabotagem no avião de Eduardo Campos ( como já escrevi em outra “+Carta...” ), com o exato e calculado objetivo de promover e de financiar a campanha eleitoral e eleição de sua aliada de confiança. Portanto, apoios como os de Roberto Freire, que recebeu boa bolada da “educadora” Neca Setúbal, de membros das equipes econômicas de Collor e FHC e do fundamentalista gritão Silas Malafaia não são nada fortuitos, mas obedecem a uma lógica bem concatenada, suja, mas bem organizada.

Lê o texto jornalístico abaixo e compartilha, por favor.

Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz.

Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano, empenhado na defesa do Brasil contra o imperialismo.


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Eleições no Brasil: Marina Silva e a CIA-EUA é ‘caso’ antigo

Marina Silva é atual candidata do Partido Socialista à presidência do Brasil. Em meados dos anos 1980s, ela já atraíra a atenção da CIA, quando frequentava a Universidade do Acre. Naquele momento, estudava marxismo e tornara-se membro do Partido Comunista Revolucionário, clandestino. Durou pouco aquele ‘compromisso’: ela rapidamente se transferiu para a ‘proteção do meio ambiente’ na Região Amazônica. Os serviços especiais dos EUA sempre tiveram interesse muito especial naquela parte do continente, na esperança de construírem meios para controlar a área no caso de emergência geopolítica. A CIA fez contato com Marina Silva. Não por acaso, em 1985 ela alistou-se no Partido dos Trabalhadores (PT), o que lhe abriu novas possibilidades de crescimento político. 

Em 1994, Marina Silva foi eleita para o senado brasileiro, com fama de ativista apaixonada a favor da proteção ao meio ambiente. Foi quando começaram a circular informações sobre laços entre Marina Silva e a CIA. Em 1996, ela recebeu o Goldman Environmental Prize.[1] E recebeu inúmeras outras importantes condecorações: é praxe, quando se trata de ‘candidatos’ que a CIA tem interesse em promover, que o ‘candidato’ seja coberto de medalhas e condecorações. 

Marina Silva serviu como ministra do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até que, interessada em ‘voos mais altos’, e preterida, ela abandonou o Partido dos Trabalhadores e mudou-se para o Partido Verde, de início dedicada a protestar contra políticas ambientais apoiadas pelo PT. Foi realmente um choque, na política brasileira, que a ex-ministra tenha mudado tão completamente de lado, depois de quase 30 anos de atividade a favor do Partido dos Trabalhadores. 

Nas eleições de 2010, a candidata da CIA obteve quase 20 milhões de votos, como candidata do Partido Verde; na sequência, para as eleições de 2014, aceitou lugar na chapa de Campos, como vice-presidenta, quando fracassaram seus esforços para criar seu ‘não partido’, mas ‘rede’, chamada “Sustentabilidade”. Dilma Rousseff, candidata do PT contra a qual se alinhavam já em 2010 todas as demais candidaturas, trazia planos para dar continuação às políticas independentes do presidente Lula. Nada disso interessava a Washington em 2010, como tampouco interessa hoje, em 2014. 

Daquele momento até hoje, as relações entre Brasil e EUA só fizeram piorar, resultado do escândalo da espionagem & escutas clandestinas. A Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou a presidenta Dilma Rousseff e membros de seu gabinete. A presidente brasileira chegou a cancelar visita oficial que faria aos EUA, como sinal de protes. Os EUA jamais apresentaram pedido de desculpas ou comprometeram-se a pôr fim às atividades de espionagem. A presidenta Dilma, então, agiu: denunciou as atividades da Agência de Segurança Nacional e da CIA dos EUA na América Latina e tomou medidas para aumentar a segurança nas comunicações e controle sobre representantes dos EUA ativos no Brasil. Obama não gostou. 

As eleições presidenciais no Brasil estão marcadas para 5 de outubro. E Washington está decidida a fazer de Dilma Rousseff presidenta de mandato único. Não há dúvida alguma de que os serviços especiais já iniciaram campanha para livrar-se da atual governante brasileira. Começaram a agir com movimentos de protesto ditos ‘espontâneos’, que encheram algumas ruas e foram amplamente ‘repercutidos’ na imprensa, nos quais os ‘manifestantes’ pedem mudanças (aparentemente, qualquer uma, desde que implique ‘mudança de regime’) e o fim das “velhas políticas” [ de fato, nenhuma política é ou algum dia será ‘mais velha’ que o golpismo orquestrado pela CIA no Brasil e em toda a América Latina (NTs) ]. Ouviram-se grupos de jovens em protestos contra a propaganda e os símbolos dos partidos políticos, especialmente do PT. 

Não se sabe até hoje de onde surgiram os recursos com os quais Marina Silva começou a organizar sua ‘rede’ Sustentabilidade. A nova ‘organização’ visava a substituir os partidos tradicionais, que a candidata declarou ‘velhos’. Tendo obtido 19 milhões de votos, o que lhe valeu o 3º lugar nas eleições passadas, ela contudo não conseguiu cumprir todas as exigências legais para criar oficialmente sua nova ‘rede’. Até que a tragédia que matou Eduardo Campos e seis outras pessoas, perto de São Paulo, mês passado, deu a Marina Silva uma surpreendente segunda chance para tentar chegar à presidência do Brasil. Para conseguir ser a primeira mulher mestiça a chegar à presidência do Brasil, terá de derrotar a primeira mulher que chegou lá antes dela, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, PT; além o candidato Aécio Neves do PSDB, partido pró-business, que hoje amarga um 3º lugar nas pesquisas. A Casa Branca tem-se sentido frustrada. 

Dia 13 de agosto, a campanha eleitoral presidencial no Brasil foi lançada em área de incerteza, quando um jato que conduzia o candidato do partido socialista, Eduardo Campos, tombou sobre bairro residencial próximo de São Paulo. Morreram o candidato e seis outras pessoas, passageiros e da tripulação, no acidente que pode ter acontecido por causa do mau tempo, quando o Cessna preparava-se para pousar. As mortes geraram uma onda de comoção nacional, que provavelmente evoluirá para especulações sobre o efeito que terão nas eleições do próximo 5 de outubro. A presidenta Rousseff declarou três dias de luto oficial por Campos, ex-ministro do governo do presidente Lula. A aeronave passara por manutenção técnica regular e nenhum problema foi detectado. De estranho, só, que o gravador de vozes da cabine do avião não estava operando, o que gerou suspeitas. O gravador operara normalmente e gravara várias conversações na cabine, mas nada gravou no dia da tragédia. O avião já passara por vários proprietários (empresários norte-americanos e brasileiros, representantes de empresas de reputação duvidosa), antes de chegar à campanha dos candidatos Eduardo Campos e Marina Silva. 

Para alguns comentaristas brasileiros, há forte probabilidade de que tenha havido um atentado, que resultou no assassinato de Eduardo Campos. Antes da tragédia, o avião foi usado pela agência antidrogas dos EUA, Drug Enforcement Administration (DEA). Enviados de antigos proprietários do avião tiveram acesso ao local do acidente, sob os mais diferentes pretextos. Difícil não conjecturar se teria havido agentes dos EUA por trás da tragédia. Mas ainda não se sabe exatamente sequer o que aconteceu. Saber quem fez, se algo foi feito, demorará ainda mais. 

O avião decolou do Rio de Janeiro, onde opera uma estação da CIA, em território do consulado dos EUA. Não há dúvidas de que aquele escritório é usado pela Agência. Talvez os serviços especiais do Brasil devessem dar atenção especial a personagens que rapidamente deixaram o país, imediatamente depois da tragédia em Santos. A morte de Eduardo Campos teve efeito instantâneo sobre a candidatura do Partido Socialista: Eduardo Campos jamais passara dos 9-10% de preferência nas pesquisas, mas Marina Silva rapidamente surgiu com 34-35%, na votação em primeiro turno. Agora, se prevê que a eleição seja levada para o segundo turno.

O principal problema de Marina Silva é que é sempre difícil entender quais seriam suas reais intenções e projetos. É uma espécie de ‘imprecisão’ que se observa constantemente no discurso de candidatos promovidos pelos EUA. Marina Silva mudou de lado, sempre muito dramaticamente, inúmeras vezes. Ao unir-se a Eduardo Campos, por exemplo, a candidata várias vezes se manifestou a favor de manter bem longe do Brasil as ideias de Chavez (Hugo Chavez – falecido presidente da Venezuela, conhecido pelas convicções socialistas e políticas de esquerda). Mas ela serviu ao governo do presidente Lula, conhecido e muito respeitado defensor do chavismo. (...) 

De fato, ao tempo em que a campanha avança e as eleições aproximam-se, Marina Silva vai-se tornando cada vez mais neoliberal. Já disse que não vê sentido em fazer dos BRICS um centro de poder multipolar, nem em apressar a implementação de medidas já decididas dentro do bloco, como criar um banco de desenvolvimento, um fundo de reserva, etc. Já manifestou ‘dúvidas’ sobre o Conselho Sul-americano de Defesa, e diz, em discussões com assessores íntimos, que quer dar menos atenção ao Mercosul e à Unasul ( União das Nações Sul-americanas, união intergovernamental em que se integram duas uniões aduaneiras, o Mercosul e a Comunidade de Nações Andinas, como parte do processo de integração sul-americana ). Para Marina Silva, mais importante é desenvolver relações bilaterais com os EUA. 

Fato é que os brasileiros estão já habituados a quase 20 anos de progresso social no país, com os governos do presidente Lula e da presidenta Rousseff. A população é ouvida, as reformas acontecem, o que foi prometido está sendo construído, o Brasil vive tempos de estabilidade e de avanços. 

Se Marina Silva chegar à presidência ( George Soros, magnata norte-americano, investidor e filantropo, tem alimentado a campanha dela com quantidade significativa de fundos ), deve-se contar com o fim de vários programas sociais e políticos, o que pode vir a gerar grave descontentamento popular. Há quem diga que os escritórios dos EUA no Brasil estão repletos de agentes dos serviços especiais, encarregados de ‘gerar’ ‘protestos’ naquele país.

* Nil Nikandrov é jornalista, russo, trabalha em Moscou e cobre questões de política latino-americana; é conhecido crítico da devastação que governos neoliberais promoveram em economias nacionais por todo o planeta. É autor da primeira biografia de Hugo Chávez em russo ( NTs, com informações de http://www.4thmedia.org/category/nil-nikandrov/ ).

[1] Sobre o prêmio, ver http://en.wikipedia.org/wiki/Goldman_Environmental_Prize . Além de Marina Silva, outro brasileiro recebeu esse prêmio, um “Carlos Alberto Ricardo”, fundador da ONG “Instituto Socioambiental”, em 1992, como se lê em http://en.wikipedia.org/wiki/Carlos_Alberto_Ricardo [ NTs ].



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Asqueroso coloca anúncio de zoofilia em famoso site de ofertas!!! Que lixo!!



Hj um anúncio na OLX deixou chocado, horrorizado todos os que respeitam os animais. Uma pessoa anunciando uma cachorra p zoofilia!! Eu entrei em contato com o Deputado Fernando Capez, grande promotor de justiça que nos ajudou muito no caso Royal, ele me prometeu ajudar neste caso. Mas o anúncio já foi retirado do ar. Alguém tem mais alguma informação, alguma prova? Precisamos encontrar este criminoso, e acho que a OlX tb tem que ser responsabilizada. O q vcs acham? Quem tiver qualquer informação por favor poste aqui!



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Saí para vomitar!!!

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Crise da água em São Paulo é gerida de maneira política pelo governo Alckmin, diz professor da USP



Uso do "volume morto" adiou o racionamento mas não evitou o colapso do Sistema Cantareira. Perdas na rede de distribuição chegam à 40%

A gestão eleitoreira da crise da água em São Paulo agrava a situação de um sistema que já está em colapso, de acordo com o professor aposentado da USP Julio Cerqueira César. “O uso do volume morto jogou o problema da água para depois da eleição”, disse o professor no evento “Crise da água: de quem é a culpa?” promovido por CartaCapital na terça-feira, 9. “O racionamento foi colocada pela Sabesp como uma solução técnica, e o governador adotou uma solução política”, afirma.

Segundo Cerqueira César, a Sabesp, ainda em janeiro deste ano, apresentou ao governo um plano que previa o racionamento, diante do baixo índice dos reservatórios desde então, mas o governador impediu a ação, sob a justificativa de que seria uma medida irresponsável. O racionamento, pelo menos o anunciado oficialmente, tem sido evitado desde maio com o uso da reserva técnica chamada de volume morto. Na primeira etapa, foram 185 bilhões de litros bombeados desta reserva para o consumo de parte da população paulista. Em agosto, no entanto, mesmo com o implemento inicial, a Sabesp precisou captar uma segunda cota deste volume, de mais 100 bilhões.

Atualmente, o sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de água de parte de São Paulo e de Campinas, opera com 10% da sua capacidade. O nível do Sistema Alto Tietê, complementar ao Cantareira, está em 15%. A gestão dos sistemas cabe à Sabesp. O governo de São Paulo indica o presidente da instituição que, por sua vez, nomeia todos os diretores da empresa. Além disso, o estado é o principal acionista da Sabesp, que lucra 10 bilhões de reais por ano. “Desde de o começo, em janeiro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assumiu o comando da crise. Ele está conduzindo o problema pessoalmente e politicamente. Ele queria passar a Copa do Mundo e as eleições sem racionamento, e é o que está conseguindo fazer”, diz Cerqueira César.

Falta de investimentos
Além dos baixos índices pluviométricos, atribui-se à crise do abastecimento em São Paulo a falta de investimentos no setor, como a construção de novos reservatórios. “A Sabesp é a 4ª companhia de saneamento básico do mundo, e se considerarmos que opera em apenas um país, ela é a maior do mundo. Até os anos 90, a Sabesp chegou a uma situação invejável”, afirma Cerqueira César. “De 1990 pra cá, os governos se preocuparam apenas com os processos eleitorais. A Sabesp aposentou seus engenheiros sanitaristas e passou a ser comandada por economistas e advogados. Parou de se preocupar com seus usuários e passou a se preocupar com seus dividendos.”

Em 2007, a diretoria da Sabesp já previa o colapso do sistema e o governo do Estado passou a planejar novos reservatórios. Um estudo foi encomendado e o prazo de execução foi estabelecido em 180 dias, mas só foi entregue em 2014, sete anos depois. O resultado é a obra do Sistema Produtor São Lourenço, que está prevista para ficar pronta em 2018.

De acordo com Antonio Zuffo, pesquisador e professor da Unicamp, que também estava presente no evento, o Sistema São Lourenço está sendo projetado para acrescentar 4,7 m³ por segundo de vazão de água ao Sistema Cantareira. “Se acontecer a redução da precipitação em 20 a 30%, que é o que está previsto, o Sistema Cantareira perde 7 m³ por segundo de vazão. Ou seja, o São Lourenço não seria suficiente para compensar a perda”, explica o professor.

Outro ponto levantado é o desperdício que ocorre na distribuição da água. Segundo Zuffo, a Sabesp chega a perder 40% da sua produção. “Se conseguíssemos uma redução de 50% do que é perdido hoje no Sistema Cantareira, seria recuperado o equivalente a quatro sistemas parecidos com o São Lourenço. Conseguiríamos um redução da perda em aproximadamente 10 ou 12 m³ por segundo de vazão. Seria como se colocássemos um sistema que produz 12 m³ por segundo”, diz o pesquisador da Unicamp.

As perdas acontecem porque as adutoras não são fixas e, com a variação de pressão, acabam se deslocando e desgastando nas juntas, o que causa os vazamentos, difíceis de detectar, explica Zuffo. Para César, o prejuízo é inadmissível. “A Sabesp é uma indústria de água potável. A matéria-prima é a água. Se uma empresa particular tivesse um sistema como esse, que perde 40% do seu produto, ela estaria falida”, diz o professor da USP.

Sob a justificativa de impedir essa perda na distribuição, a Sabesp tem reduzido a pressão da água nos canos e algumas residências paulistanas já enfrentam uma espécie de racionamento velado. Em julho, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) encaminhou à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), a Geraldo Alckmin e à Sabesp um documento contabilizando uma média de 14 reclamações por dia de corte no abastecimento de água em residências paulistanas.

Ainda que seja um fator importante, a falta de chuvas ou as variações climáticas não explicam, sozinhas, o colapso do sistema, segundo Zuffo. A alegação de que desmatamento na Amazônia, apontado como causador da baixa precipitação na região do Sudeste, é equivocada. “Em 1953 não havia desmatamento na região, nas proporções que temos hoje, e tivemos período de seca em São Paulo”, esclarece o pesquisador da Unicamp.

O evento "Crise da água: de quem é a culpa?" faz parte da série de debates Diálogos Capitais e contou com a mediação do repórter Fabio Serapião.


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Participação popular "bolivariana": até nos EUA tem




Pra que tanta celeuma sobre a participação social?

Quem é contrário à participação social não sabe, ou não quer saber, que ela favorece a democracia e deu certo em outros países altamente civilizados

A recente discussão sobre a política de participação social traz consigo uma grande indagação. Por que uma proposta de participação direta, em diferentes instâncias, de formulação de políticas públicas poderia gerar tanta controvérsia?

Controvérsia incompreensível, por razões óbvias. Participação popular nunca se opôs à democracia. É, ao contrário, o seu corolário. Participação popular também nunca se opôs à tomada consequente e bem informada de decisões. É, ao contrário, seu requisito. Não é preciso ir longe nem se valer de exemplos históricos, para demonstrar as duas afirmações.

Quanto à primeira, basta ler o artigo 1º, parágrafo único de nossa Constituição Federal: “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Mas como, aparentemente, essa solene declaração constitucional serve de mera fachada para encobrir a permanente realidade oligárquica, é preciso ir mais longe.

Para demonstrar a ligação entre participação popular e democracia, o mais convincente é identificar sua presença nos sistemas que – para o bem e para o mal – sempre foram o exemplo a ser seguido, no discurso majoritário entre nós. O sistema político norte-americano, sob certos aspectos mais sofrível que o nosso (como a eleição minoritária do presidente Bush, em 2000, demonstrou), usa largamente dos instrumentos de participação popular direta. A maioria dos estados norte-americanos e muitos municípios aplicam políticas de iniciativa popular, ou votadas diretamente pelos cidadãos, em conselhos municipais de caráter não só consultivo, mas também deliberativo.

Quanto à ligação entre participação popular e qualidade das decisões públicas, sua demonstração é ainda mais fácil. Só a proximidade com os interesses administrados produz decisões informadas. Mais do que isso, só essa proximidade ajuda a criar uma população apta a discutir de maneira informada os seus interesses nas esferas próprias. Ainda aqui dois exemplos são relevantes.

O primeiro, acadêmico e prático, chama atenção para o valor puro da participação. A primeira mulher a receber o Prêmio Nobel de Economia (2009), Elinor Ostrom, foi agraciada exatamente por suas pesquisas que demonstraram, entre outras coisas, que bens de grande relevância e valor para a coletividade (o que ela chama de common goods – bens comuns) só podem ser convenientemente geridos, quando submetidos à administração dos próprios grupos afetados pela sua gestão. Os exemplos concretos por ela citados, que vão desde a gestão da pesca no Mar do Norte à autogestão de bairros carentes no Peru, são muito reveladores.

O segundo exemplo da importância da participação social na qualidade das decisões a serem tomadas ocorreu na Alemanha. Lá, desde os anos 60 do século XX, criou-se por lei a obrigatoriedade de participação paritária dos representantes de trabalhadores de grandes empresas no seu órgão decisório (Aufsichtsrat). Os resultados, naquele momento, surpreendentes, marcam a economia alemã até hoje. A participação decisória dos trabalhadores incrementou a qualidade da gestão das empresas, levando à sua profissionalização e ao abandono da tradicional gestão familiar. No nível macroeconômico, estimulou a concentração da maior parte dos investimentos das grandes empresas alemãs no longo prazo (que em muitos casos até hoje geram frutos) e não no curto prazo, voltados a produzir os malfadados lucros exorbitantes e imediatos (fontes da crise econômica global de 2008).

Se a participação popular só faz reforçar a democracia e a qualidade das decisões, pergunta-se: por que tanta celeuma? Há duas explicações possíveis. A primeira, mais simples, mas não necessariamente única, é a do momento político. A infeliz coincidência com o calendário eleitoral teria feito que surgissem críticas de pessoas, órgãos e instituições, que em outro momento jamais se manifestariam contra a participação popular.

A segunda é mais complexa, mas não necessariamente menos verdadeira. O oposto de participação popular não é e nunca foi, como visto, a democracia. É, sim, o domínio das decisões tomadas oligarquicamente pelos grupos minoritários mais influentes, política e economicamente. Assim, podadas as iniciativas de participação popular, as políticas públicas, as leis e os regulamentos continuariam nas mãos dos que sempre detiveram, na sombra, o poder soberano.

FABIO KONDER COMPARATO e CALIXTO SALOMÃO FILHO


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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Twitter acusa Aécio Neves de transformar Judiciário em 'instrumento de perseguição' a críticos. Imprensa silencia.






LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Judiciário, Twitter e internautas rechaçam ofensivas de Aécio por censura de redes sociais

Pela quarta vez neste ano, candidato tenta intimidar comunicadores independentes; Twitter não quebrará sigilo de usuários e acusa tucano de transformar Judiciário em 'instrumento de perseguição'

Belo Horizonte – No último domingo (07), nada menos que 66 comunicadores independentes começaram o dia com uma surpresa nada agradável: foram notificados pelos administradores do Twitter sobre um mandado de citação e intimação liminar derivado de ação por calúnia movida contra eles pelo senador Aécio Neves (PSDB/MG). Para o candidato tucano a presidente, as críticas coletivas a sua pessoa são fruto de “robôs”, como são chamados perfis falsos criados nas redes sociais para disseminar conteúdo contratado, ou militantes pagos por partidos de esquerda para desconstruir sua imagem pública, e dos quais sua campanha tentou, sem sucesso, coletar IP (Protocolo de Internet, na sigla em inglês, dado que pode localizar geograficamente usuários da rede) e dados cadastrais.

A “denúncia” não vicejou na Justiça, e ainda rendeu “bronca” do Twitter ao candidato a presidente: "Com a devida vênia, são meras elucubrações do autor, absolutamente desprovidas de qualquer indício de veracidade”, pontuou comunicado da empresa, em resposta a pedido do próprio juiz acionado por Aécio, que negou pedido de sigilo sobre a ação e determinou que provas concretas de irregularidade fossem apresentadas de acordo com os perfis dos militantes virtuais.

“Quanto à conduta de usuários cuja ilicitude em nenhum momento restou demonstrada, não podem servir de fundamento para a eventual quebra do seu sigilo de dados. Admitir esse tipo de medida corresponde a transformar o Poder Judiciário em instrumento de perseguição de cidadãos, dando margem ao surgimento de um Estado policialesco, que desconsidera as garantias fundamentais dos cidadãos de forma injustificável. (...) No mérito, requer o Twitter Brasil que seja julgada improcedente a demanda, com a condenação do Autor ao pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios", concluiu o Twitter.

A reticência do judiciário em acatar o pedido de Aécio e a defesa inflamada do Twitter indicam que se alguém pode ser acusado de calúnia em mais este imbróglio promovido pelo senador mineiro é ele próprio, ao tentar criminalizar o direito constitucional à liberdade de expressão sempre que fatos não favoráveis à sua imagem e propósitos políticos são difundidos e democraticamente discutidos. Três dos cidadãos acusados por Aécio de serem “robôs” da esquerda falaram à RBA e fizeram questão de ser devidamente identificados, para reafirmar que são, sim, seres humanos, e que suas críticas a Aécio são ideológicas, e não contratadas.

Fernando Castro (perfil @ciscozappa), mineiro residente em Belo Horizonte, sociólogo que trabalha na área de educação e planejamento urbano socioparticipativo, destaca que todo o material compartilhado por ele é de conhecimento público. “Condeno qualquer tipo de difamação. Quando se publica algo de que não se tem prova material ou análise por parte da Justiça – como, aliás, o faz boa parte da grande mídia –, está se produzindo falso jornalismo e destruindo imagens públicas”, ressalta Fernando.

“Os conteúdos relacionados ao senhor Aécio Neves que difundi são de conhecimento público e podem ser lidos também em jornais e revistas de circulação nacional. Um deles, o conhecido caso do aeroporto na cidade de Cláudio (MG), em terreno de propriedade da família do senador. Outros, relacionados aos processos judiciais envolvendo desvios de verbas para a área da Saúde, e casos semelhantes durante sua gestão no governo de Minas Gerais”, conta.

Regina Salomão (perfil @ReginaSalomo), de Juiz de Fora (MG), é professora aposentada da Universidade Federal baseada na mesma cidade, diz que não conhece seus colegas de perseguição, e garante que não existe “rede de difamação”, como sustenta Aécio. “Não conhecia nem seguia a maior parte dos 66 tuiteiros, o que é outro argumento contra a formação de uma rede de difamação. De qualquer modo, o Twitter é uma rede com a ferramenta RT, o que caracteriza a normalidade de seu funcionamento como rede”, protesta.

“Minhas divulgações dos atos do candidato foram exclusivamente baseadas nas notícias divulgadas pela mídia, e sempre coloquei os links das matérias ou marcava o nome dos jornais com hashtags (o sinal de #) em meus tweets. Sou mineira, acompanhei as gestões do Aécio e acrescentei comentários sobre as mesmas. Não difamei nem caluniei ninguém. O senador é que terá que provar que sou um robô, pago, e que atuo em rede”, desafia.

O próprio perfil dos processados por Aécio dificulta a argumentação de que há uma “milícia” virtual cujo alvo seria a reputação do PSDB mineiro. Stella de Mendonça (perfil @stellamendonça), paulistana, conservadora e restauradora de bens culturais é perita na obra da artista plástica modernista Annita Malfatti, e diz não ter preferência política: em 1994 e 1998, por exemplo, votou por Fernando Henrique Cardoso. “Nunca fui militante. Votei em FHC, o qual me trouxe plena decepção. Comecei a usar o Twitter recentemente, em 2012, divulgando os absurdos noticiados maciçamente pela mídia sobre o julgamento do ‘mensalão’ do PT”, revela.

“O que mais divulguei, considerado ilícito pelo senador, foram seus atos comprovadamente ilegais, fatos divulgados até pela mídia velha, e especialmente as denúncias do Novo Jornal, cujo dono está preso devido a uma ação por ‘formação de quadrilha’, movida pelo senador e acatada pelo Ministério Público de Minas”, completa.

Stella ressalta que também divulgou com intensidade o caso do aeroporto construído pelo governo estadual de Minas em terreno pertencente à família de Aécio, sempre ressaltando a fonte. “Também difundi o escândalo relacionado ao senador, do aeroporto construído na fazenda de seu tio, a ligação dele com os Perrellas e o helicóptero apreendido com mais de 400 kg de pasta-base cocaína. Tuitava o link das matérias que apresentavam fatos e documentos, pra garantir a veracidade”.

Indignado com mais essa tentativa do senador mineiro de, como fez em Minas Gerais em seus dois mandatos como governador, uniformizar a informação e a opinião de forma a favorecer seu partido e sua imagem pessoal, o Dr. César Marcos Klouri abraçou a defesa dos 66 cidadãos, de forma solidária e gratuita. Segundo Regina Salomão, o grupo tem recebido muitas manifestações de solidariedade de “todos que são contrários à censura, que prezam e defendem a liberdade de expressão, que odeiam a ditadura sob qualquer forma. Muito linda a reação das pessoas. O Brasil avançou mesmo”.

Segundo o deputado estadual Rogério Correa (PT), um dos criadores do Movimento Minas sem Censura, Aécio não sabe lidar com adversidades, tratando quem se contrapõe às suas ideias e atos não como adversários, mas como inimigos, que, portanto, “têm de ser aniquilados, politicamente”.

Outros casos, outro (e perigoso) instrumento de silêncio

Como as acusações de Aécio contra a mídia independente não se sustentam legalmente, o senador lança mão de outro recurso jurídico, com o mesmo propósito de calar as vozes dissonantes, mas com maior peso intimidatório: mover ações por “formação de quadrilha”.

No início do ano, devido à imensa repercussão da apreensão de uma carga de quase meia tonelada de pasta-base de cocaína transportada em helicóptero de propriedade do senador Zezé Perrela (SDD-MG), amigo pessoal e aliado político de Aécio, o candidato processou o Facebook por “direito de imagem”, de forma a tentar cercear a difusão de qualquer conteúdo que o associasse ao caso e aos envolvidos neste, o que, de novo, creditou a “quadrilhas pagas para difamá-lo”.

Em junho passado, acatando denúncia da equipe ligada à candidatura do senador, o Ministério Público do Rio de Janeiro determinou à polícia cumprir mandato de busca e apreensão na casa da jornalista do Canal Brasil Rebeca Mafra, acusada de fazer parte, com mais quatro pessoas, de uma “quadrilha” formada para difamar o candidato Aécio nas redes. Foram apreendidos um computador, dois HDs externos, pen drives, chips de computador, CDs com fotos e um roteador, e rigorosamente nada que incriminasse os acusados foi encontrado. No mesmo dia, outros 13 mandatos desse tipo foram cumpridos no Rio de Janeiro.

Em agosto, Aécio processou o Google, Yahoo! e a Microsoft, tentando impedir que tais portais mostrassem resultados de buscas sobre o desvio de verbas na saúde de Minas Gerais durante a sua gestão como governador do estado, o que “quadrilhas formadas e remuneradas” para caluniá-lo difundiam nas redes sociais, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido. ( Rede Brasil Atual )

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Conclusão sobre o novo Datafolha: "escândalo" da Petrobras flopou





Paulo Nogueira - DCM

A principal conclusão do novo Datafolha é que o escândalo da Petrobras flopou.

Quer dizer: fracassou como algo capaz de mudar os rumos das eleições em favor de Aécio.

As entrevistas foram feitas no extremo calor das denúncias, e Aécio permaneceu num distante terceiro lugar, com 15% das intenções de voto.

Dilma, que deveria ser o candidato mais afetado pelo caso Petrobras, foi quem melhor se saiu neste Datafolha.

Manteve a dianteira no primeiro turno e, depois de estar atrás dez pontos de Marina no segundo, avançou agora rumo a um empate técnico.

O índice de aprovação de seu governo – aqueles que o consideram ótimo ou bom – se estabilizou em 36%, depois de baixar a 32% algumas semanas atrás.

Marina enfrenta uma situação um pouco mais delicada, agora.

Ela parou de crescer. Num determinado instante, era de tal monta seu avanço – combinado com quedas de Dilma — que alguns imaginaram que ela pudesse levar no primeiro turno.

A grande questão, agora, é se, deixando de ir para a frente, ela estaciona nos patamares atuais ou se dá ré.

É fato que arrefeceu a paixão dos eleitores por Marina. Os primeiros ventos, depois da morte de Campos, lhe eram todos favoráveis.

Agora há vento contra também. O mais forte destes surgiu depois que ela recuou na questão do casamento dos homossexuais sob pressão de Silas Malafaia.

O quadro atual é mais ou menos este: Aécio morreu como candidato, e sequer um milagre parece capaz de ressuscitá-lo.

Dilma reconquistou o ímpeto que parecera ter perdido com a irrupção da Marinamania.

Ela tem feito um uso de grande eficiência em seu tempo de propaganda gratuita.

O vídeo em que ela falou de corrupção foi particularmente feliz.

Você pode ser levado a achar que não existe corrupção caso a mídia e o governo se juntem para dar uma falsa impressão de pureza.



Pelo lado oposto, durante a era de Getúlio e nos dias de Jango, os jornais falavam incessantemente de um mar de lama – com escândalos muitas vezes simplesmente inventados.

A sociedade – até por conta da internet como fator de contrapeso à mídia tradicional – parece ter entendido que não raro o moralismo é o último refúgio dos canalhas.

Dilma foi muito bem em sua fala sobre corrupção. Jogou luz onde havia escuridão.

Quanto a Marina, vai ter que trabalhar em dobro para que o viés de queda no segundo não se transforme em algo definitivo.

Neste momento, sob as circunstâncias atuais, o favoritismo está com Dilma – num segundo turno que pode ser menos apertado do que parecia até alguns dias atrás.

LEIA TAMBÉM:


Na boca da urna, a delação do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, corrupto assumido, além de “premiada” indica ser “premeditada”. Quando exatamente a campanha de Dilma cresce, a revista Veja, mais uma vez, detona munição suja. Aécio a isto se agarra igual o afogado a um bote. Apoiado nessa armação, tenta se levantar do chão. Marina se esquiva de fininho, endossa esse golpe da grande mídia contra Dilma, e faz uma defesa tímida da memória de Eduardo.

Por Adalberto Monteiro

VERMELHO

O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, foi demitido da estatal em abril de 2012. Em março desse ano foi preso pela Polícia Federal e, em maio, foi solto por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 11 de junho, por ordem judicial, voltou para a cadeia. E, no dia 29, ele começa a depor ao Ministério Público Federal do Paraná no regime de “delação premiada”. Somam-se até agora – dizem – 42 horas de gravação. Tudo isso se encontra trancado “numa caixa-forte”, e as gravações transcritas em arquivos criptografados em computadores sem internet. O processo está “sob segredo de justiça”.

Mas a Veja, “obstinada”, diz que obteve um resumo fiel dos depoimentos de PRC por “fontes diretas” e o divulga justamente quando, três dias antes, pesquisas de intenção de voto indicavam o crescimento da campanha de Dilma, empatada tecnicamente com Marina que estancara sua subida. Aécio na poeira.

Pergunta: De fato a revista teve acesso ao teor dos depoimentos? Ninguém sabe. E se houve quebra do segredo de Justiça, por quais expedientes esse crime foi consumado?

Como diz o ministro Gilberto Carvalho, o que há até agora é um mero boato. Boato que pelo respaldo da grande mídia ganha status de verdade. De sentença, trânsito em julgado.

Sem prova, sem indício, sem nada, a Veja publica uma lista de políticos acusados como beneficiários de um esquema de corrupção na Petrobras. A quase totalidade deles pertence a partidos da base do governo Dilma, com exceção de Eduardo Campos, candidato a presidente do PSB, ceifado por uma tragédia. O “chumbo grosso”, não há dúvida, visa a atingir eleitoralmente a presidenta Dilma. Marina é atingida de raspão e, assim, prefere fazer um dueto com Veja para engrossar o ataque à Dilma. Eis mais uma faceta de sua “nova política”.

Aécio Neves, pela evolução da disputa, se reduziu a uma candidatura coadjuvante da oposição conservadora. Viu sua condição de predileto dos banqueiros e da grande mídia lhe ser roubada por Marina. Nem a dita revista havia chegado às bancas e ele reapareceu com ares de ressuscitado afoito. Afinal, caprichosamente, nenhum tucano aparecera na lista dos “condenados” de Veja. Jornalões como O Globo alardearam a hipótese de o tucano novamente voltar à disputa por uma vaga no segundo turno. Claro que com cautela: “Quem sabe”, “talvez”. Mas, convenhamos, expressões desse gênero, para quem é tido como um morto, não deixam de ser um alento.

Esse episódio mais uma vez traz à tona a instrumentalização de instituições e instrumentos do Estado nacional para beneficiar polos em disputa nas eleições. Sempre ou quase sempre para favorecer a oposição. Ministério Público, Polícia Federal, por exemplo, são locus várias vezes reincidentes de quebra de segredo de justiça. E nenhuma autoridade destas instituições diz absolutamente nada quanto a providências e apurações para coibir esse tipo de anomalia.

A presidenta Dilma Rousseff reagiu com serenidade e firmeza. Disse que nada de concreto há contra seu governo ou qualquer integrante dele. Afinal, tudo até aqui se resume em uma reportagem. E – convenhamos – de um periódico que ao longo das últimas disputas eleitorais tem se reiterado como uma fábrica de munição suja.

Adalberto Monteiro é presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios

E TAMBÉM:


Presidenta acusa cinismo e demagogia e diz que oponentes tentam passar a ideia de que combate ao problema depende de super-homem ou super-mulher. Marina defende autonomia do BC e enfrentamento de desvios

PLANTÃO BRASIL

A presidenta Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, usou hoje (11) a maior parte do horário eleitoral na televisão para recusar a associação dela às denúncias feitas nos últimos dias sobre a gestão da Petrobras. Ao mesmo tempo, ela criticou a postura adotada pelos dois principais adversários, Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), frente ao episódio.

“Alguns candidatos tentam passar a ideia de que acabar com a corrupção depende apenas da vontade de um super-homem ou uma super-mulher. A experiência mostra que isso nunca dá certo, em nenhum lugar do mundo”, disse a presidenta, afirmando ainda que seu nome nunca esteve associado a denúncias de corrupção.

Os apresentadores do programa da petista abordaram uma série de iniciativas tomadas pelos governos de Lula e Dilma no combate à corrupção, e reiteraram que existe uma diferença grande entre o que ocorria antes de 2003, com uma atuação mais firme e independente da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A nova lei anticorrupção, que prevê a punição de empresas envolvidas em relações ilegais com o poder público, foi mostrada como uma das mais avançadas do mundo.

Nos últimos dias, Aécio e Marina têm se valido de denúncia publicada pela revista Veja a respeito do pagamento de propina pela Petrobras a governadores, deputados e senadores. A candidata do PSB adotou discurso difundido pela mídia tradicional a respeito do “fim” da empresa estatal, que estaria imersa em aparelhamento e ineficiência.

Dilma trabalhou durante o programa eleitoral a ideia de que esta é a primeira vez que se está enfrentando a corrupção, o que faz com que escândalos venham à tona e provoquem mal-estar na população. “Quero que vocês reflitam sobre uma questão bem complicada. Os juízos que a gente faz sobre a corrupção nascem às vezes de percepções distorcidas. Quando mais a corrupção aparece, mais parece que ela cresce, e quando se oculta, se abafa, se engaveta, se cria a ilusão de que ela não existe”, defendeu.

“Fora desse compromisso só resta a hipocrisia, o cinismo ou o silêncio conivente. Estou convencida de que não é isso que os brasileiros querem. A gente não tem de ter medo de ir fundo porque a verdade liberta, enquanto a mentira cria a falsa ilusão de que tudo está bem-sucedido. Mas também precisamos ficar atentos porque a demagogia cria a falsa impressão de que tudo piora. Precisamos ter a coragem de enfrentar as dores do nascimento de um novo Brasil.”

Já a adversária do PSB, Marina Silva, usou seus dois minutos na televisão para responder a perguntas gravadas nas ruas a respeito de temas que têm lhe valido críticas por parte de Dilma. O locutor do programa afirmou que os ataques vêm da petista, mas que a ex-senadora dialoga diretamente com o povo brasileiro.

“Os recursos do pré-sal são para saúde e educação. Não vamos permitir desvio para a corrupção”, disse, numa tentativa de reverter o problema criado pela falta de ênfase de seu programa de governo à extração do petróleo. O pré-sal, que se estima destinará R$ 1 trilhão para saúde e educação ao longos dos próximos anos, é citado apenas uma vez. Em outro trecho, o documento fala na necessidade de adotar fontes alternativas aos combustíveis fósseis, o que foi usado pela campanha do PT para dizer que Marina coloca em risco as riquezas encontradas pela Petrobras.

Outra questão sobre a qual a candidata voltou a falar foi a independência do Banco Central, defendida em seu programa de governo como uma medida a ser tomada o mais rapidamente possível. A ideia é definir mandatos fixos para diretores e presidente, que só poderiam ser retirados em casos graves, como denúncias comprovadas de corrupção. “A autonomia do Banco Central é para nomear técnicos competentes, definir as metas que devem alcançar e garantir que trabalhem sem interferência dos políticos que só trabalham para as próximas eleições.”

Na propaganda do PT, a proposta de Marina foi exibida como um risco por entregar ao mercado financeiro o controle sobre a política econômica do país, levando a desemprego e perda de poder de compra.

Com situação difícil na corrida para chegar ao segundo turno, Aécio lançou mão do apoio de correligionários para pedir votos. Foram exibidas falas de José Serra, Marconi Perillo, Arthur Virgílio, Antonio Anastasia, ACM Neto, Álvaro Dias, Beto Richa, Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso.

O ex-presidente, que, a exemplo de 2010, não é visto em atos ao lado do candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, declarou que o Brasil precisa de “uma pessoa com a cabeça nova, com coragem, com força para fazer diferente”.

Já o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apareceu na propaganda de Aécio falando de seu tema preferido na disputa estadual. “Aécio foi governador e sabe do papel que o presidente pode ter na batalha da segurança, controlando as fronteiras, que é por onde entram as drogas e as armas, que são o principal alimento da violência no Brasil.”

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

"Fresh fruit for rotting vegetables", de Alex Ogg, um baita livro



No site da Livraria Cultura, há uma sinopse sobre a obra. Romântica, não acho que essa sinopse faça juz ao conteúdo riquíssmo deste livro, que estou terminando de ler. Trata-se dos primeiros anos dos Dead Kennedys, a formação que durou pouco tempo ( havia um outro guitarrista, alcunhado "6025", um fã de Capitain Beefheart, e o baterista então era Ted, que tocava de forma bastante elegante ) e aborda a gravação e distribuição dos primeiros singles e deste disco, lançado em 1980 ( aqui no Brasil saiu em 1986, e o vinil era branco. É o meu disco de cabeceira de todos os tempos, aquele que a gente leva pra uma ilha deserta. É o meu "Dark side of the moon", meu "Sgt.Peppers", e "Holyday in Cambodia" é a minha "Stairway to heaven" ), além das encrencas, primeiros shows, turnês. 

Apesar da fama de "influente" da banda, "uma das maiores do punk" e etc, é curioso que haja tão pouca informação sobre eles, de um modo geral. Alguns haverão de se surpreender, ao ver que a influência e cultura musicais dos caras era muito mais ampla que a exibida pela maioria dos adeptos e músicos desta vertente  músical do rock. As guitarras surf-music com echoplex mostravam isso. A canção Hollyday in Cambodia evidenciava o gosto pelo Pink Floyd de Syd Barret. A letra de "I kill children" não ficaria feia se cantada por Alice Cooper. Claro que os fãs mais fanáticos conhecem a maioria das informações contidas ali, mas acho que este livro preenche bem uma lacuna, e satisfará tanto estes fãs quanto os mais neófitos e curiosos. Curiosidade: não se fala muito sobre política nas páginas da obra.

Leiam a sinopse:

'A batida tribal, o baixo ameaçador, a guitarra fantasmagórica e finalmente a voz sarcástica que anuncia 'I am Governor Jerry Brown'. Era um verdadeiro chamado para a batalha - um botão de alerta que, quando acionado, invertia os papéis da sociedade. Garotos populares para trás, desajustados para frente! Doce - e barulhenta - vingança dos rejeitados, tímidos, feios, nerds, punks, skatistas, enfim, de todos aqueles considerados 'diferentes'. Esse épico começo de 'California Über Alles', reconhecível a quilômetros de distância, foi incorporado não apenas ao imaginário daquela geração que cresceu pulando com esse som - como um vírus, penetrou no sangue de todo e qualquer punk que nasceu nos anos seguintes. Corrigindo - décadas seguintes. 
Lá se vão 34 anos desde o lançamento de Fresh Fruit for Rotting Vegetables, o primeiro e clássico álbum do Dead Kennedys. A edição nacional, em vinil branco, saiu pela gravadora Continental com seis anos de atraso e tornou-se um item sagrado para a juventude brasileira. Era tocado em festas, emprestado (com certo temor) para amigos, gravado em fitas K7, disputado a tapa em lojas quando o pôster estava intacto! Três décadas depois e quase nada mudou - as faixas do Fresh Fruit ainda animam muitas festas, ninguém gosta muito de emprestar esse disco, ele ainda marca presença em playlists ou mixtapes, e o LP com o pôster continua valendo o dobro do preço nas feirinhas de vinil. A influência do Dead Kennedys é atestada pela longevidade. Fresh Fruit permanece atual. 
Assim, o recorte histórico do escritor Alex Ogg é muito bem-vindo. Com a contextualização dos primeiros anos da banda e o acompanhamento minucioso do processo de composição e gravação do debut, o autor britânico consegue estabelecer um pouco de consenso numa história que é marcada por brigas, disputas judiciais e egos inflamados/feridos. É tarefa árdua (quase impossível) lançar algo que agrade todas as partes envolvidas nesse caso. E Alex Ogg conseguiu - com paciência e muito jogo de cintura, mas conseguiu ( inclusive ele enumerou no apêndice o número de aspas atribuídas à cada um dos integrantes, para 'provar' que todos tiveram a chance de defender a sua versão )'. - Marcelo Viegas

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AMÉRICA, IMPÉRIO DA BARBÁRIE: O Segredo de Guantanamo, Por Thierry Meyssan



Acreditamos, porventura, estar informados sobre o que acontece em Guantanamo e surpreende-nos que o presidente Obama não feche esse centro de tortura. Mas, estamos equivocados. O público não conhece a verdadeira finalidade desse dispositivo e o que o torna indispensável para a actual administração. 
Cuidado! Se se quer continuar pensando que existem valores comuns entre nós e os Estados Unidos, e que se deve continuar a ser aliado de Washington, é melhor, então, abster-se de ler este artigo.

Todos recordamos as imagens de tortura que circularam na Internet [1]. Foram apresentadas como troféus de guerra que haviam sido recolhidas por alguns soldados americanos. Mas, incapazes de verificar a sua autenticidade, os grandes média (mídia- Br) não se atreveram a reproduzi-las. Em 2004, a CBS dedicou-lhes uma reportagem. Assim começou um grande movimento de denúncia dos maus-tratos infligidos aos iraquianos.

A prisão de Abu Ghraib mostrou que a suposta guerra contra a ditadura de Saddam Hussein era na realidade uma guerra de ocupação, como qualquer outra, com a mesma sequência de crimes. Washington assegurou, como era de esperar, que se tratava de excessos cometidos nas costas dos responsáveis, por alguns indivíduos não representativos, classificados como «maçãs podres». Alguns soldados foram presos e julgados para servir de exemplo. E o caso foi fechado até às revelações seguintes.

Simultaneamente a CIA e o Pentágono iam preparando a opinião pública, tanto nos Estados Unidos como nos países aliados, para uma mudança de valores morais. A CIA designou um oficial de ligação com Hollywood, o coronel Chase Brandon (um primo de Tommy Lee Jones), e contratou escritores famosos, (como Tom Clancy), e roteiristas, para escrever novos roteiros para filmes e séries de televisão. Objetivo: estigmatizar a cultura muçulmana, e banalizar a tortura como parte da luta contra o terrorismo. Como exemplo as aventuras do agente Jack Bauer, na série 24 horas, foram amplamente subvencionadas pela CIA para levar, em cada temporada, um pouco mais longe os limites do aceitável.

Nos primeiros episódios, o herói intimida os suspeitos para extrair informações. Nos episódios seguintes, todos os personagens suspeitam uns dos outros, e torturam-se entre si com mais ou menos escrúpulos, e cada vez mais seguros que estão cumprindo com o seu dever. No imaginário colectivo séculos de humanismo foram assim varridos e impôs-se uma nova barbárie. Isto permitiu que o cronista do Washington Post, Charles Krauthammer (que também é um psiquiatra) apresentasse o uso da tortura como um "imperativo moral" (sic), nestes tempos difíceis da guerra contra o terrorismo.

A investigação do senador suíço Dick Marty confirmou ao Conselho da Europa que a CIA sequestrou milhares de pessoas, através do mundo, das quais várias dezenas —possívelmente centenas— tinham sido sequestradas no território da União Europeia. Veio então a avalanche de evidências sobre os crimes perpetrados nas prisões de Guantanamo (na região do Caribe) e de Bagram (Afeganistão). Perfeitamente condicionada, a opinião pública nos Estados-Membros da Otan aceitou a explicação dada, e que tão bem se enquadrava com as intrigas novelescas servidas pela televisão: para poder salvar vidas inocentes Washington estava a recorrendo a métodos ilegais, sequestrando suspeitos e fazendo-os falar através de métodos que a moral rejeitaria, mas que a eficácia havia tornado necessários.

Foi a partir dessa narrativa simplista que o candidato Barack Obama se levantou contra a cessante administração Bush. Converteu a proibição da tortura e o fecho das prisões secretas em medidas-chave do seu mandato. Após a sua eleição, durante o período de transição, rodeou-se de juristas de altíssimo nível a quem encomendou a elaboração de uma estratégia para encerrar o sinistro episódio. Já instalado na Casa Branca, dedicou os seus primeiros decretos presidenciais ao cumprimento de seus compromissos nesta matéria. Esta disposição conquistou a opinião pública internacional, despertou uma imensa simpatia pelo novo presidente, e melhorou a imagem dos EUA perante o mundo.

O único problema é que, ao fim de um ano após a eleição de Barack Obama, se resolveram algumas centenas de casos individuais, mas, basicamente, nada mudou. O centro de detenção criado pelos EUA na sua base militar de Guantanamo, ainda está lá, e não há esperança de encerramento iminente. As associações de direitos humanos assinalam, além disso, que os actos de violência contra os detidos se agravaram. Quando questionado sobre o tema, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden afirmou que, quanto mais avançava no assunto de Guantanamo, mais ia descobrindo as coisas que até então ignorava,. E, em seguida, avisou os repórteres, enigmaticamente, que não devia abrir a caixa de Pandora. Por seu lado, o consultor jurídico da Casa Branca, Greg Craig, quis apresentar a sua renuncia, não porque achasse que falhara na sua missão de fechar o centro, mas sim porque acha que, neste momento, lhe foi confiada uma missão impossível.

Por que é que o presidente dos Estados Unidos não consegue ser obedecido no seu próprio país? Se já tudo foi dito sobre os abusos da era Bush porque é que se fala, agora, de uma caixa de Pandora, e que é o que causa tanto temor? O problema é que o sistema é na verdade muito maior. Não se trata apenas de uns quantos sequestros e uma prisão. E o mais importante, é que o seu objectivo é radicalmente diferente do que a CIA e o Pentágono quiseram fazer crer ao público. Antes de empreender esta descida aos infernos, é necessário aclarar algumas coisas.

Contra-insurgência
O que o exército dos EU fez em Abu Ghraib não tinha nada a ver, pelo menos numa primeira fase, com as experiências que estão sendo conduzidas pela US Navy [Marinha dos Estados Unidos] em Guantanamo, e nas suas outras prisões secretas. Tratava-se então, simplesmente, do que fazem todos os exércitos do mundo, quando se transformam em policias e se enfrentam com uma população hostil. Tratam de dominá-la através do terror. Neste caso, as forças da coligação (coalizão-Br) reproduziram [no Iraque] os crimes cometidos pelos franceses durante a chamada batalha de Argel, contra os argelinos, a quem, além do mais, os franceses continuavam a chamar «compatriotas». O Pentágono recorreu ao general francês, aposentado, Paul Aussaresses, especialista em «contra-insurgência», para reuniões com oficiais superiores. Durante a sua longa carreira Aussaresses assessorou os EU, onde quer que Washington tenha lançado «conflitos de baixa intensidade» (LIC), principalmente no Sudeste asiático e na América Latina.

No fim da Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos instalaram dois centros de treino nessas técnicas, a Political Warfare Cadres Academy (Academia de quadros para a guerra política -ndT) (em Taiwan) e a School of Americas [conhecida em espanhol como a Escola das Américas] (no Panamá). Em ambas as instalações davam-se cursos de tortura, destinados aos encarregados pela repressão no seio das ditaduras asiáticos e latino-americanos.

Durante os anos 1960 e 70, a coordenação desse dispositivo dava-se através da World Anti-Communist League (Liga Anti-Comunista Mundial), de que eram membros os Chefes de Estado interessados [2]. Essa política alcançou considerável dimensão durante as operações Phoenix, no Vietname, («neutralização» de 80.000 indivíduos suspeitos de ser membros do Vietcong) [3], e Condor na América Latina, («neutralização» de opositores políticos à escala continental) [4]. O esquema de articulação entre as operações de limpeza, nas áreas insurgentes, e os esquadrões da morte foram aplicadas da mesma maneira no Iraque, especialmente durante operação Iron Hammer (Martelo de Ferro -ndT) [5].

A única novidade, no caso do Iraque, foi a distribuição entre os soldados norte- americanos de um clássico da literatura colonial, The Arab Mind (A mentalidade Árabe -ndT), do antropólogo Raphael Patai, com um prefácio do Coronel Norvell B. De Atkine, diretor da John F. Kennedy Special Warfare School (Escola de Guerra Especial John F. Kenedy-ndT), nova denominação da Escola das Américas desde que esta se mudou para Fort Bragg (na Carolina do Norte) [6]. Este livro que apresenta, em tom doutoral, toda uma série de estúpidos preconceitos sobre os «árabes», em geral, contém um célebre capítulo sobre os tabus sexuais utilizado na concepção das torturas aplicadas em Abu Ghraib.

As torturas perpetradas no Iraque não são simples casos isolados, como afirmou o governo Bush, mas fazem parte de um todo de uma estratégia de contra-insurgência. A única maneira de lhe pôr fim não é a condenação moral, mas sim a solução da situação política. No entanto Barack Obama continua a atrasar a retirada das forças estrangeiras que ocupam o Iraque.

As experiências do professor Biderman
Foi com uma perspectiva muito diferente que o professor Albert D. Biderman, um psiquiatra da Força Aérea dos Estados Unidos, estudou, para a Rand Corporation, o condicionamento mental dos prisioneiros de guerra americanos na Coreia do Norte.

Muito antes de Mao e do comunismo, os chineses tinham desenvolvido sofisticados métodos destinados a quebrar a vontade de um prisioneiro e a incutir-lhe o desejo de fazer confissões. O seu uso durante a Guerra da Coreia deu alguns resultados. Prisioneiros de guerra americanos confessavam, com toda a convicção, à imprensa, crimes que, talvez, não tivessem cometido. Biderman apresentou as suas primeiras observações durante uma audiência no Senado, em 19 de junho de 1956, e, mais tarde, no ano seguinte, perante a Academia de Medicina de Nova Iorque (ver documentos disponíveis, “on-line”, através do “link” no final deste artigo). Biderman definiu 5 estados pelos quais passam os «sujeitos».

1. No início o preso nega-se a cooperar e fecha-se em silêncio. 
2. Através de uma mistura de brutalidade e gentileza é possível fazê-lo passar a um segundo estado, em que ele é induzido a defender-se contra as acusações apresentadas contra si. 
3. Posteriormente o prisioneiro começa a cooperar. Continua a proclamar a sua inocência, mas tenta agradar aos seus interrogadores reconhecendo que talvez tenha cometido algum erro involuntariamente, por acidente ou por descuido. 
4. Ao transitar pela quarta fase o preso já está, completamente, degradado aos seus próprios olhos. Continua a negar as acusações de que é alvo, mas confessa a sua natureza criminosa. 
5. No fim do processo, o prisioneiro admite ser o autor dos factos que se lhe imputam. Inclusive inventa detalhes, complementares, para se acusar a si mesmo e reclama a sua própria punição.

Biderman também examinou todas as técnicas usadas pelos torturadores chineses afim de manipular os prisioneiros: isolamento, monopolização da percepção sensorial, fadiga, ameaças, recompensas, demonstrações do poder dos guardas, degradação das condições de vida, formas de subjugação. A violência física tem um carácter secundário, a violência psicológica torna-se total e assume carácter permanente.

Nos trabalhos de Biderman a «lavagem cerebral» adquiriu uma dimensão mítica. Os militares dos EU começaram a temer que o inimigo pudesse usar contra os Estados Unidos os próprios soldados norte-americanos, já condicionados para dizer qualquer coisa e também, talvez, para fazer qualquer coisa. Eles conceberam, então, um programa de treino destinado aos pilotos de caça americanos, para garantir que se tornassem refractários a essa forma de tortura, e evitar que o inimigo possa "lavar- lhes o cérebro» se eles caírem prisioneiros.

Esta forma de treino (treinamento-Br) denomina-se SERE, um acrónimo para Survival, Evasion, Resistence and Escape(Sobrevivência, Evasão, Resistência e Fuga- ndT). No principio, este curso era ministrado na Escola das Américas mas, actualmente, foi estendido a outras categorias de pessoal militar e é lecionado em várias bases. Este tipo de treino foi implementado, além disso, em cada um dos exércitos que fazem parte da Otan.

A decisão do governo Bush, após a invasão do Afeganistão, foi a de usar estas técnicas para conseguir induzir os prisioneiros a fazer confissões que demonstrariam, à posteriori, o envolvimento do Afeganistão nos atentados do 11 de Setembro, validando assim a versão oficial sobre os atentados.

Iniciaram a construção de novas instalações na base naval dos EU em Guantanamo, e aí começaram a realizar experiências. A teoria de Albert Biderman completou-se com o contributo de um psicólogo civil, o professor Martin Seligman, conhecida personalidade que foi presidente da Associação Americana de Psicologia.

Seligman demonstrou que a teoria de Ivan Pavlov sobre os reflexos condicionados tinha um limite. Mete-se um cão numa jaula cujo piso está dividido em duas partes. De forma aleatória, enviam-se descargas eléctricas para um ou outro lado do solo. O animal salta de um lado para outro para se proteger. Até aqui não há nada de surpreendente. Posteriormente, os dois lados da jaula são electrificados.

O animal dá-se conta que nada pode fazer para escapar dos choques eléctricos, e que os seus esforços são inúteis. E acaba então por render-se. Deita-se no chão e cai num estado de indiferença que lhe permite suportar, passivamente, o sofrimento. Abre-se então a gaiola e ... surpresa! O animal não foge. No estado psicológico em que se encontra, agora, nem sequer é capaz de fazer oposição. Permanece deitado, no chão eletrificado, suportando o sofrimento.

A Marinha de Guerra dos EU formou uma equipe médica de choque. Esta enviou o professor Seligman a Guantanamo. Conhecido pelos seus trabalhos sobre a depressão nervosa, Seligman é uma vedeta. Os seus livros sobre optimismo e a auto-confiança são best-sellers mundiais. E, foi ele que supervisionou as experiências com pessoas como se fossem meras cobaias. Alguns prisioneiros, ao ser submetidos a terríveis torturas, acabam afundando espontaneamente num estado psíquico que lhes permite suportar a dor, e que também os priva de toda a capacidade de resistência. Ao manipulá-los dessa forma eles são, rapidamente, levados para a fase 3 do processo Biderman.

Baseando-se também nos trabalhos de Biderman, os torturadores norte-americanos, sob a orientação do professor Martin Seligman, realizaram experiências com cada uma das técnicas coercivas e aperfeiçoaram-nas. Para isso, foi elaborado um protocolo científico baseado na medição das flutuações hormonais. Instalaram um laboratório médico na base de Guantanamo e recolhem amostras de saliva e sangue dos «cobaias», a intervalos regulares, para avaliar as suas reações. Os torturadores foram refinando os métodos de tortura. Por exemplo, no programa SERE monopolizava-se a percepção sensorial impedindo, mediante uma música stressante (estressante-B), que o prisioneiro pudesse dormir.

Em Guantanamo obtiveram-se resultados muito superiores com os gritos de bebés, reproduzidos durante dias seguidos. Anteriormente o poder dos guardas demonstrava- se por espancamento dos presos. Na base naval dos EUA em Guantanamo foi criada a Immediate Reaction Force (Força de Reacção Imediata-ndT). Trata-se de um grupo encarregado de castigar os prisioneiros. Quando esta unidade entra em acção os seus membros vestem couraças de protecção, ao estilo Robocop. Tiram o prisioneiro da sua jaula e metem-no numa cela de paredes acolchoadas, e recobertas com madeira compensada.

Eles projectam a «cobaia» contra as paredes, como se fossem quebrar-lhe os ossos, mas os estofos amortecem parcialmente os golpes, de forma que o prisioneiro fica tonto sem que se produzam fraturas.

Mas o principal «avanço» foi conseguido com o suplício da banheira [7]. Antigamente, a Santa Inquisição mergulhava a cabeça do prisioneiro num tanque cheio de água e tirava-a para fora, precisamente, antes que morresse afogado. A sensação de morte iminente provoca uma angústia extrema. Mas tratava-se de um processo primitivo e os acidentes eram frequentes. Actualmente, nem sequer é precisa uma tina cheia de água, basta deitar o prisioneiro numa banheira vazia. Simula-se então o afogamento vertendo água sobre sua cabeça, com a possibilidade de parar de imediato. Assim, agora, há menos acidentes.

Cada «sessão» é codificada para determinar os limites suportáveis. Vários assistentes medem a quantidade de água utilizada, o momento e a duração de afogamento. Quando isso ocorre, os assistentes recolhem o vómito, pesam e analisam-no para avaliar o gasto de energia e o cansaço provocado. Em resumo, como dizia o vice-diretor da CIA perante uma comissão do Congresso dos Estados Unidos: «Isto não tem nada a ver com o que fazia a Inquisição, com excepção da água» (sic).

As experiências dos médicos norte-americanos não foram feitas em segredo, como as do doutor Josef Mengele em Auschwitz, mas sim sob o controle directo e exclusivo da Casa Branca.

Era tudo relatado a um grupo encarregado de tomar as decisões, grupo que era formado por seis pessoas: Dick Cheney, Condoleezza Rice, Donald Rumsfeld, Colin Powell, John Ashcroft, e George Tenet. Este último atestou que havia participado numa dezena de reuniões deste grupo.

Mas o resultado destas experiências não foi satisfatório. Poucos «cobaias» ficaram receptivos. Conseguiu-se impor-lhes o que deviam confessar, mas o seu estado manteve-se instável e não foi possível apresentá-los em público, ante uma contraparte.

O caso mais conhecido é o do pseudo Khalil Sheikh Mohammed. Tratava-se de um indivíduo preso no Paquistão e acusado de ser um islamita koweitiano, apesar de ser evidente que este não era a referida pessoa.

Depois de um longo período de tortura, durante a qual ele foi submetido 183 vezes ao suplício da banheira, só durante o mês de março de 2003, o indivíduo disse ter organizado 31 diferentes ataques, através de todo o mundo, desde o atentado em 1993 em Nova York, contra o WTC, até aos do 11 de Setembro de 2001, passando pela explosão de uma bomba que destruiu um clube nocturno em Bali, e a decapitação do jornalista americano Daniel Pearl. O pseudo Sheikh Mohammed manteve as suas confissões perante uma comissão militar, mas advogados e juízes militares não puderam questioná-lo em público, porque se temia que, fora da sua jaula, se retractasse do que havia confessado.

Para esconder as actividades secretas dos médicos em Guantanamo, a Marinha de Guerra dos EU organizou viagens de imprensa a Guantanamo, para jornalistas amigos. O ensaísta francês Bernard Henry Levy prestou-se, assim, a desempenhar o papel de testemunha moral visitando o que quiseram mostrar-lhe. No seu livro American Vertigo, Bernard Henry Levy garante que o centro de detenção da base naval americana em Guantanamo não difere das demais prisões norte-americanas, e que os testemunhos sobre as torturas «foram muito inflacionados» (sic) [8] .

As prisões flutuantes da US Navy
Em suma, a administração Bush considerou que o número de indivíduos que poderiam ser «condicionados», em extremo, para crer que tinham cometido os atentados de 11 de setembro, era muito pequeno. Concluíram, então, que uma grande quantidade de prisioneiros deviam ser postos à prova para se seleccionar os mais receptivos.

Tendo em conta a controvérsia que se desenvolveu em torno de Guantanamo, e para garantir que fosse impossível qualquer ação legal contra, a Marinha de Guerra dos Estados Unidos criou outras prisões secretas e colocou-as, fora de qualquer jurisdição, em águas internacionais.

17 barcos de fundo plano, como os destinados ao desembarque de tropas, foram convertidos em prisões flutuantes com jaulas como as de Guantanamo. Três dessas embarcações foram identificados pela Associação britânica Reprieve. Trata-se do USS Ashland, do USS Bataan e do USS Peleliu. Se forem somadas todas as pessoas que foram feitas prisioneiras, em diferentes zonas de conflito, ou sequestradas em qualquer lugar do mundo, e transferidas para esse conjunto de prisões durante os últimos 8 anos, parece que um total de 80 mil pessoas devem ter passado por esse sistema, entre as quais pelo menos um milhar poderão ter sido levadas até as últimas fases do processo Biderman.

A partir de tudo o que foi mencionado, o problema da administração Obama resume- se da seguinte forma: não é possível fechar Guantanamo sem que se saiba o que ali se fez. E, não será possível reconhecer o que ali se fez, sem admitir que todas as confissões são falsas e que foram inculcadas, de forma deliberada, através de tortura, com as consequências políticas que isso implica.

No final da II Guerra Mundial, o tribunal militar de Nuremberga funcionou em 12 juízos. Um deles foi dedicado a 23 médicos nazis. Sete de entre eles foram absolvidos, 9 foram condenados a penas de prisão e sete outros foram condenados à morte. Desde então há um Código de Ética que rege a medicina a nível mundial. Esse Código proíbe, precisamente, o que os médicos norte-americanos fizeram em Guantanamo, e nas outras prisões secretas.



Tradução 

Fonte 

Leia o artigo completo, com imagens, anexos e notas de referência em VOLTAIRENET

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