terça-feira, 22 de julho de 2014

Culpa por insinuação: Como funciona a propaganda dos EUA



Por Paul Craig Roberts

Por que os EUA não se uniram ao presidente Putin, da Rússia, que exigiu investigação internacional objetiva, não politizada, feita por especialistas, do caso do avião da Malaysian Airlines? 

O governo russo continua a distribuir fatos, inclusive fotos de satélite que mostram que havia Buks antiaéreos ucranianos em pontos dos quais o avião de passageiros pode ter sido abatido por aquele tipo de veículo armado, e documentos de que um jato de combate ucraniano SU-25 aproximou-se rapidamente do avião malaio antes de o avião ser abatido. O chefe do Diretorado de Operações dos militares russos disse em conferência de imprensa em Moscou ontem (21), que a presença do jato militar ucraniano foi confirmada pelo centro de monitoramento de Rostov. 

O Ministério de Defesa da Rússia observou que, no momento em que o MH-17 foi abatido, um satélite dos EUA sobrevoava a área. O governo russo exige que os EUA disponibilizem as fotos e dados capturados por aquele satélite.

O presidente Putin já repetiu várias vezes que a investigação do voo MH-17 requer “um grupo representativo de especialistas trabalhando juntos sob orientação da ICAO ( International Civil Aviation Organization ).” Putin, ao exigir investigação independente pelos especialistas da ICAO não age como quem tenha algo a esconder.

Falando diretamente a Washington, Putin disse: “Até que se conheçam os resultados dessa investigação, ninguém ( nem a “nação excepcional” ) tem o direito de usar essa tragédia para fazer avançar seus objetivos políticos egoístas estreitos.” 

Putin relembrou aos EUA: “Nós várias vezes pedimos que os dois lados suspendessem imediatamente o banho de sangue e sentassem à mesa de negociações. O que se pode dizer com certeza é que, se as operações militares não tivessem sido reiniciadas [por Kiev] no dia 28/6 no leste da Ucrânia, essa tragédia não teria acontecido.”

E o que respondem os EUA?

Só mentiras e insinuações.

Acusações 

Anteontem (20), o secretário de estado dos EUA, confirmou que federalistas pró-Rússia estavam envolvidos na derrubada do avião malaio, e disse que seria “bem claro” que a Rússia esta[ria] envolvida. Eis as palavras de Kerry: “É bem claro que há um sistema que foi transferido da Rússia para as mãos de separatistas. Sabemos com certeza, com certeza, que os ucranianos não têm tal sistema em ponto algum nos arredores daquele local naquela hora, portanto é óbvio que há um dedo muito claro dos separatistas.”

A declaração de Kerry é mais uma da infindáveis mentiras que secretários de Estado dos EUA mentiram ao longo do século 21. Quem poderia esquecer o pacote de mentiras que Colin Powell mentiu descaradamente na ONU sobre as “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein? Ou a mentira que Kerry repetiu incontáveis vezes, de que Assad “usou armas químicas contra seu próprio povo”? Ou as infindáveis mentiras sobre “bombas atômicas do Irã”? 

Recordem que Kerry, várias vezes, disse que os EUA teriam provas de que Assad ‘cruzara’ a “linha vermelha” e usara armas químicas. Mas Kerry jamais conseguiu comprovar o que dizia, nunca apresentou uma única prova, que fosse. Os EUA não tinham prova alguma a entregar ao primeiro-ministro britânico, nem mesmo para ajudá-lo a conseguir que o Parlamento aprovasse a participação britânica ao lado dos EUA, num ataque militar contra a Síria! O Parlamento então disse ao primeiro-ministro inglês: “sem provas, nada de guerra”. 

Agora, aí está Kerry outra vez a declarar que tem “certeza”, em ‘declarações’ que já foram desmentidas por fotos do satélite russo e incontáveis provas de testemunhas no solo. 

Por que Washington não distribui as fotos do satélite norte-americano? 

Mentiras

A resposta é: pela mesma razão pela qual Washington não distribuirá os vídeos que confiscou e que, dizem os EUA, ‘comprovam’ que um avião de passageiros sequestrado atingiu o Pentágono dia 11/9. Nenhum vídeo comprova o que os EUA mentem sobre o 11/9; assim como nenhuma foto de satélite comprova as mentiras de Kerry sobre o avião malaio.

Inspetores de armas da ONU em campo, no Iraque, relataram que o Iraque não tinha armas de destruição em massa. Mas esse fato comprovado, porque desmascararia a propaganda dos EUA, foi simplesmente ignorado. Os EUA iniciaram guerra terrivelmente destrutiva, baseados numa mentira intencional mentida em Washington.

Inspetores da Comissão Internacional de Energia Atômica em campo, no Irã, e todas as 16 agências de inteligência dos EUA relataram que o Irã não tinha ( como não tem ) programa de armas nucleares. Mas esse fato comprovado era inconsistente com a agenda de guerra de Washington e foi ignorado: pelo governo dos EUA e pela imprensa-empresa press-tituta.

Agora estamos testemunhando a mesma coisa, ante a ausência de qualquer evidência que comprovasse que a Rússia teria algo a ver com a derrubada do avião malaio.

Nem todos, no governo dos EUA, são tão irresponsáveis e imorais quanto Kerry e John McCain. Esses mentem. A maioria dos agentes do governo dos EUA vivem de insinuações.

A senadora Diane Feinstein é exemplo perfeito. Entrevistada pelo canal CNN da imprensa-empresa press-tituta, Feinstein disse: “A questão é: onde está Putin? Eu diria ‘Putin, seja homem. Você tem de falar ao mundo. Tem de dizer. Se foi um erro, como espero que tenha sido, diga!”

Putin não faz outra coisa que não seja falar ao mundo, sem parar, exigindo quese faça investigação por especialistas, não politizada. E Feinstein a perguntar por que Putin se esconde em silêncio! Feinstein lá estava para insinuar que ‘sabemos que você é culpado. Só não sabemos se foi crime deliberado ou acidental.’ 

O modo como todo o ciclo ocidental de noticiário foi orquestrado para instantaneamente culpar a Rússia, desde muito antes de que surja qualquer informação real confiável, sugere que a derrubada do avião malaio foi operação dos EUA. 

É possível, é claro, que a bem adestrada imprensa-empresa press-tituta não precise de orquestração alguma vinda de Washington, para imediatamente culpar a Rússia. Por outro lado, alguns dos desempenhos ‘televisivos’ parecem tão bem ensaiados, que simplesmente têm de ter sido preparados com antecedência. 

Manipulação

Também foi preparado com antecedência o vídeo de Youtube montado para ‘mostrar’ um general russo e federalistas ucranianos discutindo que teriam acabado de, por engano, derrubar um avião de passageiros. 

Como já comentei, esse vídeo tem dois vícios insanáveis: já estava gravado desde antes do acidente; e, ao apresentar o que seria a fala de um militar russo, esqueceu que qualquer militar saberia ver as diferenças entre um avião de passageiros e um avião militar de combate. A própria existência daquele vídeo já implica que houve um complô para derrubar o avião e culpar a Rússia.

Já vi relatórios que dizem que o sistema russo de mísseis antiaéreos, como um de seus dispositivos de segurança, faz contato com os transponders das aeronaves, para verificar o tipo de aeronave que aparece em seu alvo. Se esses relatórios estão corretos e se os transpondersdo MH-17 forem encontrados, é possível que lá esteja gravado o contato.

Já vi notícias que dizem que o controle aéreo ucraniano mudou a rota do MH-17 e o mandou sobrevoar diretamente a área de conflito. Os transponders também indicarão se isso é verdade. Se for, há claramente uma prova, pelo menos circunstancial, de que foi ato intencional de Kiev – e ato que teria de ter sido aprovado pelos EUA.

Há notícias ainda de que haveria uma divergência entre os militares ucranianos e milícias não oficializadas formadas por extremistas ucranianos de direita, que aparentemente foram os primeiros a atacar os federalistas. É possível que Washington tenha usado aqueles extremistas para derrubar o avião malaio, para inculpar os russos e usar as acusações para pressionar a União Europeia a acompanhar as sanções unilaterais dos EUA contra a Rússia. Sabe-se que os EUA estão desesperados para conseguir quebrar os crescentes laços econômicos e políticos entre Rússia e Europa. 

Se havia um complô para derrubar um avião de passageiros, todos os dispositivos de segurança do sistema de mísseis teriam sido desligados, para que não abortassem o ataque e para que não houvesse registro de ataque, não acidental, mas deliberado. Essa pode ser a razão pela qual os ucranianos mandaram um jato para ‘inspecionar’ de perto o avião malaio. É possível que o alvo fosse o avião presidencial de Putin, e a incompetência dos criminosos os tenha levado a destruir um avião de passageiros.

Há inúmeras explicações possíveis. É importante, agora, manter a mente aberta e resistir contra a propaganda dos EUA, até que apareçam os fatos e as provas. No mínimo, os EUA são culpados por usar o incidente para inculpar os russos ‘antecipadamente’, antes de qualquer prova. 

Washington

Até agora, Washington só distribuiu acusações gratuitas e insinuações. E se Washington continuar a só distribuir acusações e insinuações sem provas... logo se saberá com certeza de quem é a culpa.

Enquanto isso, lembrem do menino que gritou “lobo!”, sem haver lobo algum, muitas vezes. Tantas vezes mentiu que, quando o lobo afinal realmente apareceu, ninguém acreditou nos gritos do menino. Será esse o destino final de Washington?

Nas guerras que declarou ao Iraque, ao Afeganistão, à Líbia, à Somália e à Síria, os EUA sempre se esconderam atrás de mentiras. Por quê? Se Washington quer guerra contra o Irã, a Rússia e a China, por que não declara guerra? 

A razão é que a Constituição dos EUA exige que, para que haja guerra, o Congresso emita uma Declaração de Guerra. Com esse dispositivo, se esperava que o Congresso conseguisse impedir que o Executivo fizesse as guerras que quisesse, para promover as agendas ocultas que bem entendesse. Agora, quando já abdicou dessa responsabilidade constitucional, o Congresso dos EUA já é cúmplice nos crimes de guerra do Executivo. 

E ao aprovar o assassinato premeditado de palestinos por Israel, o governo dos EUA já é cúmplice também nos crimes de guerra de Israel.

Agora, se pergunte a você mesmo e responda: o mundo não seria mais seguro, lugar de menos mortes, menos destruição e menos refugiados sem teto, e não seria lugar de mais verdade e mais justiça, se os EUA e Israel não existissem?

Paul Craig Roberts é um economista norte-americano e colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundadorda Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service.


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Ordenaram ao MH17 que voasse sobre a zona de guerra no Leste da Ucrânia



– A Malaysian Airlines confirma que recebeu instruções para que o MH17 voasse a uma altitude mais baixa sobre o Leste da Ucrânia



por Michel Chossudovsky

Sobre a questão do plano de voo (flight path) seguido pelo MH17, a Malaysian Airlines confirma que o piloto recebeu instruções da torre de controle de tráfego de Kiev para voar a uma altitude mais baixa no momento em que entrou no espaço aéreo da Ucrânia.

"O MH17 possuía um plano de voo exigindo que voasse a 35 mil pés através do espaço aéreo ucraniano. Isto está próximo da altitude "óptima".

"Contudo, a altitude de um avião é determinado pelo controle do tráfego aéreo no terreno. Ao entrar no espaço aéreo ucraniano, o MH17 foi instruído pelo seu controle de tráfego aéreo para que voasse a 33 mil pés". 

( Para mais pormenores ver comunicados de imprensa em: www.malaysiaairlines.com/my/en/site/mh17.html )


A altitude de voo de 33 mil pés [10 km] está 1000 pés [305 m] acima do limite (ver imagem ao lado). A exigência das autoridades ucranianas de controle de tráfego aéreo foi implementada. 



Desvio do plano de voo "normal" que fora aprovado 

Em relação ao plano de voo do MH17, a Malaysian Airlines confirma que seguiu as regras estabelecidas pelo Eurocontrol e pela International Civil Aviation Authority (ICAO) ( negritos acrescentados ):


Gostaria de mencionar comentários recentes divulgados por responsáveis do Eurocontrol, o organismo que aprova planos de voo europeus sob as regras do ICAO. Segundo o Wall Street Journal, os responsáveis declararam que cerca de 400 voos comerciais, incluindo 150 voos internacionais atravessavam diariamente o Leste da Ucrânia antes do crash. Responsáveis do Eurocontrol também declararam que nos dois dias anteriores ao incidente, 75 diferentes companhias aéreas voaram a mesma rota do MH17. O plano de voo do MH17 seguia uma rota aérea importante e movimentada, como uma auto-estrada no céu. Ele seguia uma rota que fora especificada pelas autoridades internacionais da aviação, aprovada pelo Eurocontrol e utilizada por centenas de outros aviões.


O aparelho voava à altitude estabelecida, e considerada segura, pelo controle local de tráfego aéreo. E nunca se desviou no interior daquele espaço aéreo restringido. [ esta declaração da MAS é refutada por evidências recentes ]. 

O voo e seus operadores seguiram as regras. Mas, sobre o terreno, as regras de guerra foram rompidas. Num acto inaceitável de agressão, parece que o MH17 foi derrubado; seus passageiros e tripulantes mortos por um míssil. 

A rota sobre o espaço aéreo da Ucrânia onde se verificou o incidente é habitualmente utilizada para voos da Europa para a Ásia. Um voo de uma outra companhia aérea estava na mesma rota no momento do incidente com o MH17, assim como um certo número de outros voos de outras companhias aéreas nos dias e semanas anteriores. O Eurocontrol mantém registos de todos os voos através do espaço aéreo europeu, incluindo aqueles através da Ucrânia.

O que esta declaração confirma é que o "plano de voo habitual" do MH17 era semelhante aos planos de voo de cerca de 150 voos internacionais diários através da Ucrânia do Leste. Segundo a Malaysian Airlines, "A rota habitual de voo [ através do Mar de Azov ] fora anteriormente declarada segura pela Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO). A International Air Transportation Association havia declarado que o espaço aéreo que o avião atravessava não estava sujeito a restrições". 

O plano de voo aprovado está indicado nos mapas abaixo. [ NOTA: este blog decidiu não reproduzir ou acrescentar as imagens e ilustrações que acompanham este texto. Recomendamos que visitem sem falta o post ORIGINAL ]



O plano de voo regular do MH17 (e de outros voos internacionais) ao longo de um período de dez dias antes de 17 de Julho (a data do desastre),cruzando a Ucrânia do Leste numa direcção para Sudeste é através do Mar de Azov. 

O plano de voo foi alterado em 17 de Julho.


O voo e seus operadores seguiram as regras. Mas sobre o terreno, as regras da guerra foram rompidas. Num acto inaceitável de agressão, parece que o MH17 foi derrubado; seus passageiros e tripulantes mortos por um míssil. (MAS, ibid)


Embora os registos áudio do voo MH17 tenham sido confiscados pelo governo de Kiev, a ordem para alterar o plano de voo não veio do Eurocontrol. 

Será que a ordem para alterar o plano de voo veio das autoridades ucranianas? Será que o piloto recebeu instruções para mudar a rota? 

Falsificações dos media britânicos: "Vamos fazer aparecer uma tempestade" 

Reportagens dos media britânicos reconhecem que houve uma alteração no plano de voo, afirmando sem prova que foi para "evitar temporais com trovões(thunderstorms) no Sul da Ucrânia". 

O director de operações da MAS, Capitão Izham Ismail também refutou afirmações de que a meteorologia tempestuosa (heavy weather) levasse o MH17 a alterar seu plano de voo. "Não houve relatos do piloto a sugerir que isto fosse caso", disse Izham. ( News Malaysia , 20/Julho/2014) 

O que é significativo, contudo, é que os media ocidentais reconheceram que a alteração no plano de voo ocorreu e que a narrativa da "meteorologia tempestuosa" é uma falsificação. 

Caças da Ucrânia num corredor reservado para a aviação comercial 

Vale a pena notar que um caça SU-25 ucraniano equipado com mísseis R-60 ar-ar foi detectado a 5-10 km do avião da Malásia, dentro de um corredor aéreo reservado à aviação civil. 



Qual foi a finalidade desta deslocação da força aérea? Estava o caça ucraniano a "escoltar" o avião da Malásia numa direcção vinda do Norte rumo à zona de guerra? 

A alteração no plano de voo do MH17 da Malaysian Airlines em 17 de Julho está indicada claramente no mapa abaixo. Ela conduz o MH17 sobre a zona de guerra, nomeadamente Donetsk e Lugansk. 

Comparação: Plano de voo do MH17 em 16 de Julho e plano de voo do MH17 sobre a zona de guerra em 17 de Julho de 2014



O primeiro mapa dinâmico compara os dois planos de voo. O segundo plano de voo, que é aquele de 17 de Julho, conduz o avião sobre a zona de guerra do oblast de Donetsk na fronteira com o oblast de Lugansk. 

As quatro imagens estáticas mostram capturas de écrans dos Planos de Voo do MH17 no período de 14 a 17 de Julho de 2014. 

A informação transmitida por estes mapas sugere que o plano de voo foi alterado em 17 de Julho. 

O MH17 foi desviado da rota normal do Sudoeste sobre o Mar de Azov para uma rota sobre o oblast de Donetsk. 

Quem ordenou a alteração do plano de voo? 

Apelamos à Malysian Airlines a que clarifique sua declaração oficial e pedimos a divulgação das gravações áudio entre o piloto e a torre de controle de tráfego aéreo de Kiev. 

A transcrição destas gravações áudio deveria ser tornada pública. 

Também deve ser confirmado: Esteve o caça ucraniano SU-25 em comunicação com o avião MH17? 

A evidência confirma que o plano de voo em 17 de Julho NÃO era o habitual plano de voo aprovado. Ele foi alterado. 

A alteração não foi ordenada pelo Eurocontrol. 

Quem esteve por trás deste plano de voo alterado que dirigiu o avião para dentro da zona de guerra, resultando em 298 mortes? 

Qual foi a raxzão para alterar o plano de voo? 

O prejuízo causado à Malaysian Airlines em consequências destas duas trágicas ocorrência também deve ser considerado. A Malaysian Airlines tem altos padrões de segurança e um registo excelente. 

Estes dois acidentes fazem parte de um empreendimento criminoso. Eles não resultam de negligência da parte da Malaysian Airlines, a qual enfrenta uma bancarrota potencial. 


21/Julho/2014


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domingo, 20 de julho de 2014

Míssil de Putin?



Por PEPE ESCOBAR

Eis o veredicto da boataria de guerra: a mais recente tragédia da Malaysia Airlines ( a segunda em quatro meses ) é “terrorismo” perpetrado por “separatistas pró-Rússia” armados pela Rússia, e Putin é o principal culpado. Acabou-se a história. Quem tenha ideia diferente dessa, que cale a boca.

Por quê? Porque sim. Porque a CIA disse. Porque a Hilária “Nós viemos, nós vimos, ele morreu” Clinton disse. Porque a doida Samantha ‘'Responsabilidade de Bombardear para Proteger'’ Power disse – trovejando na ONU, tudo devidamente impresso pelo Washington Post infestado de neoconservadores.

Porque a empresa-imprensa anglo-americana – da CNN à Fox ( que tentou comprar a Time Warner, que pertence à CNN ) – disse. Porque o Presidente dos EUA ( PEUA ) disse. E principalmente, sobretudo, porque Kiev vociferou, em primeiro lugar.

E lá estavam todos eles, em fila – as resmas de invariavelmente histéricos “especialistas” da “comunidade de inteligência dos EUA” literalmente espumando pela boca contra a maléfica Rússia, o ainda mais maléfico Putin; os “especialistas” de inteligência, aqueles, que não viram um comboio de coruscantes picapes Toyota brancas atravessando o deserto iraquiano para tomar Mosul. Esses, aliás, já sentenciaram: ninguém mais precisa examinar prova alguma. Nada e nada. O mistério do voo MH17 está resolvido.

Pouco importa que o presidente Putin tenha dito que a tragédia do MH17 ainda tem de ser investigada objetivamente. E “objetivamente”, é claro, não inclui aquela “comunidade internacional” ficcional que Washington concebeu – aquela congregação de vassalos/sabujos curváveis.

E sobre Carlos?!
Pesquisa rápida já mostra que o voo MH17 estava deslocado, 200km para o norte, distante da rota habitual da Malaysian Airlines nos dias anteriores – dirigido bem para o centro de uma zona de guerra. Por quê? Que tipo de comunicação o MH17 recebeu da torre de controle aéreo de Kiev?

Kiev não disse uma palavra sobre isso. Mas a resposta seria simples, se Kiev tivesse distribuído as gravações dos contatos entre a torre e o vôo MH17;a Malaysia distribuiu exatamente essas gravações, depois que o vôo MH370 desapareceu para sempre.

Essas gravações nunca aparecerão. O serviço secreto da Ucrânia (SBU) confiscou essas gravações. Sem elas, não há como saber por que o vôo MH17 estava fora da rota e o que os pilotos disseram antes da explosão.

O ministro da Defesa da Rússia, por sua vez, confirmou que havia uma bateria Buk antiaérea controlada por Kiev e operacional, próxima da área onde caiu oMH17. Kiev havia distribuído vários sistemas de mísseis Buk terra-ar, com pelo menos 27 lançadores; todos perfeitamente capazes de derrubar jatos a 33 mil pés (10.000 m aprox.) de altura.

Militares russos detectaram radiação de um radar Kupol, como parte de uma bateria Buk-M1 perto de Styla [ vila ao sul, a cerca de 30 km de Donetsk ].Segundo o ministério, o radar poderia estar transmitindo informações de rastreamento para outra bateria que estava a distância de tiro da rota do vooMH17.

O radar de um sistema Buk rastreia um máximo de 80km. O MH17 voava à velocidade de 500 mph. Assim, assumindo-se que os “rebeldes” teriam um Bukoperacional e o usaram, não teriam mais de cinco minutos para rastrear todo o céu acima deles, todas as altitudes possíveis, e fazer a mira. Naquele momento, saberiam que nenhum cargueiro poderia voar naquela altitude.

Em FINAL – Part II: Evidence Continues to Emerge #MH17 Is a False Flag Operation encontram-se muitas evidências que apoiam a hipótese de que tenha sido atentado forjado sob falsa bandeira.

E há também a história, mais estranha a cada minuto que passa, de Carlos, espanhol, controlador de tráfego aéreo de serviço na torre de Kiev, que estava acompanhando o vôo MH17 em tempo real. Para muitos, Carlos é personagem real e autêntico, não é forjado; para outros, nunca nem trabalhou na Ucrânia. Fato é que tuitou feito doido. Sua conta na empresa Tweeter foi apagada – não por acaso –, e ele sumiu. Seus amigos estão agora desesperadamente à sua procura. Ainda consegui ler todos os tuítos dele, em espanhol, enquanto a conta ainda estava ativa. Agora, já se encontram cópias das mensagens que distribuiu e traduções para o inglês.

Aqui, reproduzo alguns dos tuítos mais importantes:

“O B777 estava escoltado por dois jatos ucranianos de combate minutos antes de desaparecer do radar (5.48pm)”

“Se as autoridades em Kiev querem admitir a verdade, dois jatos de combate voavam muito perto minutos antes do incidente, mas não derrubaram a aeronave (5.54)”

“Imediatamente depois de o B777 da Malaysia Airlinesdesaparecer, autoridades militares de Kiev nos informaram sobre o avião derrubado. Como sabiam? (6.00)”

"Tudo foi gravado no radar. Para os que não acreditem: foi derrubado por Kiev; nós sabemos aqui [na torre de controle] e o controle militar do tráfego aéreo também sabe (7.14)”

“O Ministério do Interior sabia que havia aviões de combate na área, mas o Ministério da Defesa não (7.15)”

“Os militares confirmaram que foi a Ucrânia, mas não se sabe de onde veio a ordem (7.31)”

A avaliação de Carlos ( lê-se compilação parcial de seus tuítos em: FINAL – Spanish Air Controller @ Kiev Borispol Airport: Ukraine Military Shot Down Boeing #MH17 ) é bem clara: o míssil foi lançado por militares ucranianos por ordem do ministério do Interior – NÃO do Ministério da Defesa.Assuntos de segurança, no ministério do Interior estão sob comando de Andrey Paruby, que trabalhava bem perto dos neoconservadores dos EUA e dos neonazistas do Banderastão na Praça Maidan.

Assumindo-se que Carlos exista e seja quem diz ser, sua avaliação faz perfeito sentido.Os militares ucranianos estão divididos entre o rei do chocolate [ presidente Petro ] Poroshenko – que quer uma détente com a Rússia, essencialmente para promover os interesses sombrios dos próprios negócios – e Santa Yulia Tymoshenko, que é bem conhecida por pregar o genocício dos russos étnicos no leste da Ucrânia.

Neoconservadores e “conselheiros militares” dos EUA em campo na Ucrânia, como já se sabe, estão subindo as apostas, apoiando simultaneamente os grupos de Poroshenko e de Tymoshenko.

Assim sendo... a quem interessa?

A questão chave permanece, é claro: cui bono? Só descerebrados terminais acreditariam que derrubar um avião de passageiros beneficiaria os federalistas no leste da Ucrânia, para nem pensar no Kremlin, que absolutamente nada teria a ganhar.

Quanto a Kiev, teriam os meios, o motivo e a janela de oportunidade – especialmente depois que os neofascistas de Kiev foram efetivamente derrotados e já estavam em retirada no Donbass. E isso depois que Kiev insistiu em bombardear a população do leste da Ucrânia, mesmo de longe e de cima. Não surpreende que os federalistas tivessem de se defender.

E há também o timing, muito muito suspeito. A tragédia do MH17 acontece dois dias depois de os BRICS anunciarem o antídoto contra o FMI e o Banco Mundial, deixando ao largo, longe, o dólar norte-americano. E exatamente quando Israelavança “cautelosamente” em sua nova invasão/limpeza étnica em câmera lenta, em Gaza. A Malásia, por falar nisso, é sede da Comissão de Crimes de Guerra Kuala Lumpur – comissão que condenou Israel por crimes contra a humanidade.

Washington, é claro, sim, se beneficia. O que o Império do Caos consegue, nesse caso, é um cessar-fogo ( e as gangues neonazistas de Kiev, que estão sendo fragorosamente derrotadas, poderão ser reabastecidas ); ganham novo alento para a campanha de demonizar os ucranianos do leste como “m terroristas” ( como Kiev, ao estilo Dick Cheney, sempre quis ); e passam a lançar quantidades ilimitadas de lama sobre a Rússia e, especialmente, sobre Putin, até se acabar o mundo. Não é pouco ganho, para servicinho de minutos. Quanto à OTAN... É Natal em julho.

Daqui em diante, tudo depende da inteligência russa. Já estavam vigiando e rastreando tudo que acontecia na Ucrânia, 24 horas por dia, sete dias por semana. Nas próximas 72 horas, depois de examinar os muitos dados de rastreamento, com telemetria, radar e rastreamento por satélite, os russos saberão exatamente que tipo de míssil foi lançado, de onde, e terão também as comunicações da bateria que lançou o míssil. E terão acesso a todas as provas recolhidas na cena do crime.

Diferente de Washington – que sempre já sabe tudo antes, mesmo sem investigar nada ( lembram-se do 11/9? ) – Moscou precisa de tempo para obter os fatos jornalísticos básicos ( o quê, onde, quem? ) e começar a trabalhar para provar a verdade e/ou desmentir a boataria distribuída por Washington.

Os registros históricos mostram que Washington simplesmente ocultará todas as informações, se comprovarem que seus vassalos em Kiev lançaram um míssil contra avião de passageiros. Os dados de realidade podem apontar para bomba plantada no MH17, ou falha mecânica – embora pareça hoje explicação improvável. Se foi erro terrível cometido pelos rebeldes da Novorrússia, Moscou terá de admitir, relutantemente, que seja. Se foi Kiev, Moscou divulgará e comprovará imediatamente. Aconteça o que acontecer, só há, de garantida, a resposta ocidental histérica de sempre. Foi a Rússia. A culpa é da Rússia.

Putin está mais que certo ao dizer que essa tragédia não teria acontecido se Poroshenko tivesse aceito uma extensão do cessar-fogo, como Merkel, Hollandee Putin tentaram convencê-lo a aceitar, no final de junho. No mínimo, para começar, Kiev já é culpada pelas mortes, porque o governo de Kiev é responsável pela segurança dos voos no espaço aéreo sob seu (teórico, que seja) controle.

Mas tudo se vai esquecendo nas brumas da guerra, tragédia e boataria. Sobre as declarações histéricas de Washington, e sua autoproclamada credibilidade, deixo aqui apenas um número: Iran Air 655. 

( LEIA O ARTIGO COMPLETO, COM IMAGENS, NOTAS ETC NO REDECASTORPHOTO )


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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Os prejuízos do monopólio da transmissão do futebol



Além da malfadada Lei Pelé, que deixou os clubes reféns de empresários e impulsionou a “exportação” de jogadores, principalmente para a Europa, o monopólio de transmissão da TV Globo é outro fator que espreme os clubes, esvaziando os estádios e deixando-os de pires da mão ante a emissora.

Um fato marcante é a sujeição dos jogos do meio de semana à grade da Plim Plim, com jogos começando somente após a chamada novela das 9, ou seja, de 22h em diante. Resultado: os times jogando para as moscas, pois há trabalho no dia seguinte e, a não ser que o cidadão more ao lado dos estádios, é impossível se chegar em casa antes do meio da madrugada. Com a renda das bilheterias em queda, o mais comum é a antecipação de receitas relativas que os clubes têm direito referentes às transmissões das partidas. Assim, haja a TV Globo dar pitacos nos calendários e demais atividades relativas ao futebol.

De certa maneira, é o mesmo que ocorre com o Carnaval, que em a transmissão dos desfiles das escolas de samba do Rio e de São Paulo monopolizada pela Globo. Ninguém vê a primeira escola entrar na avenida, pois a transmissão só começa após o imbecilóide programa BBB, que passa na mesma época.
Modificar a legislação para fortalecer os clubes e acabar com o monopólio da Globo nas transmissões é o que se apresenta.

VALDO ALBUQUERQUE - HORA DO POVO

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Dentro de 20 anos, humanos podem conhecer extraterrestres, diz ex-astronauta


A humanidade pode conhecer os extraterrestres dentro de 20 anos, disse na segunda-feira o administrador da NASA, o ex-astronauta Charles Bolden.

“Eu me arriscaria a dizer que a maioria dos meus colegas presentes hoje aqui afirmam que é improvável que na infinita vastidão do Universo existamos somente nós, os humanos”, declarou ele durante uma coletiva de imprensa em Washington.

Segundo Bolden e vários outros empregados da NASA, citados pela mídia britânica, os cientistas esperam que a futura geração de telescópios espaciais permita grandes descobertas , entre as quais um lugar predominante é dedicado aos planetas habitáveis e aos extraterrestres.

“Eu acredito que dentro dos próximos 20 anos nós iremos descobrir que nós não estamos sós no Universo”, disse o astrônomo Kevin Hand.

Em 2017, a NASA planeja lançar o satélite de pesquisa de exoplanetas (TESS, na sigla em inglês). E para 2018, a agência espacial estadunidense prevê o lançamento do telescópio espacial James Webb.

Perguntados por um internauta através das redes sociais se as autoridades iriam informar as pessoas sobre a eventual descoberta da vida extraterrestre, os organizadores responderam que “Sim, claro!”

“Isso seria tão extraordinário. Nós tentaríamos torná-la (a descoberta) pública o mais rápido possível. Nós queremos compartilhar a alegria da descoberta”, declarou Ellen Stofan, cientista-chefe da NASA.

Arqueólogo indiano acha prova de presença de extraterrestres na Terra



Arqueólogos indianos especulam que o território que pertence hoje em dia a esse país pode ter sido visitado por extraterrestres milhões de anos atrás. Tal é o resultado da análise de uma série de desenhos antigos achados em umas cavernas no distrito de Kanker do estado indiano de Chhattisgarh.

O departamento de arqueologia e cultura estadual planeja solicitar apoio à NASA e à ISRO (Organização de Estudos Espaciais da Índia) para estudar os petróglifos, que têm mais de 10 mil anos.

Segundo o arqueólogo JR Bhagat, citado pelo jornal The Times of India, os desenhos sobre pedra representam uma raça de extraterrestres. Há mais: parecem com os extraterrestres “clássicos” do Hollywood e Bollywood. Os transportes imaginados (ou vistos?) pelos nossos ancestrais também são parecidos com os míticos “discos voadores”.

“As figuras são desenhadas de uma maneira estranha e têm nas mãos objetos que parecem armas; não têm aspecto claro. Particularmente, não têm nariz nem boca. Em uns desenhos, até vestem trajes espaciais”, afirma o cientista.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Ainda a política econômica de Aécio, Por Jasson de Oliveira Andrade





Em maio de 2014, escrevi um artigo, sob o título “A surpreendente política econômica de Aécio”. Nele, eu critiquei o possível programa que seria colocado em prática pelo senador tucano, o presidenciável Aécio, através do economista Armínio Fraga. Ainda no texto, relembrei as medidas por ele tomadas no tempo de Fernando Henrique, transcrevendo correspondência que enviei à CartaCapital em 29 de maio de 2002 (“Que “caminho certo” é esse? – Desemprego, arrocho salarial, dívida externa astronômica, comércio e indústria no sufoco, “apagão”. Se esse é o “caminho certo” de Armínio Fraga, devemos trilhar, em outubro, outro caminho”). Relembrei ainda que naquele tempo, nós, aposentados, ficamos OITO anos sem aumento. O mesmo ocorrendo com o salário mínimo. Em vista dessa política, Paulo Henrique Amorim, em seu site, “Conversa Afiada”, troca o nome de Aécio para “Arrocho”. Lula e Dilma também criticaram essa política econômica, que consideram um “retrocesso”. Os tucanos retrucaram: essas críticas são uma “campanha do medo”. No entanto, não só os petistas têm restrições. Um aliado, o tucano José Serra, também as fez publicamente.

O Estadão (30/6), na reportagem “Serra rebate análise feita por conselheiro de Aécio” – Em convenção do PSDB, ex-governador afirma ser “falsa” idéia defendida por Armínio Fraga quanto a poupança e investimento”, noticia: “O ex-governador José Serra aproveitou o discurso que fez ontem [29/6] durante a convenção que oficializou a candidatura à reeleição de Geraldo Alckmin ao governo paulista para criticar economistas que aconselham o candidato do partido à Presidência da República, o senador Aécio Neves. (...) “Há economistas, viu Aécio, que dizem que o Brasil não tem poupança, nem capital para poder investir. Isso é falso (sic)”, afirmou Serra no discurso”. Esta crítica se refere a uma declaração do economista Armínio Fraga, um dos coordenadores do programa de governo da campanha de Aécio. Ele é cotado para ser ministro caso o tucano se eleja. Daí a advertência de Serra (PSDB-SP), provocando um recuo estratégico do Presidenciável, como veremos a seguir.

Percebendo que essa política econômica lhe causa prejuízos eleitorais ( está empacado nas pesquisas ), Aécio recuou. É o que diz o Estadão, em 4 de julho, na reportagem “Aécio cita agora “medidas responsáveis” – Tucano tenta descolar sua candidatura da idéia segundo a qual tomará “medidas impopulares” [arrocho salarial e demissões] em caso de vitória de outubro” . Será que esse recuo é verdadeiro ou é apenas uma estratégia eleitoral, mas na realidade o tucano irá mesmo colocar em prática essas “políticas impopulares” caso seja eleito? Tenho minhas dúvidas sobre esse recuo. Acredite quem quiser!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Julho de 2014

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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Professor da USP, sobre apagão hídrico tucano em SP: “Não é um acaso da natureza, é falta de planejamento. Não é um ano de estiagem que causa um apagão"




Cantareira chega a 18% da capacidade de armazenamento


Em quedas sucessivas desde o dia 16 de maio, quando a reserva técnica foi incorporada ao volume útil, o Sistema Cantareira alcançou nesta quinta-feira 18,7% da capacidade, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). No dia 15 de maio, o total armazenado passou de 8,2% para 26,7%, com a entrada de 182,5 bilhões de litros de água do chamado volume morto. Caso as bombas que possibilitaram o uso da reserva não tivessem sido instaladas, o Cantareira estaria quase zerado, com 0,2% da capacidade. O sistema abastece 9 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo.

O Sistema Alto Tietê também dá sinais de esgotamento e chegou nesta manhã a 24,1% da capacidade. Ele abastece mais de 4 milhões de habitantes da Grande São Paulo. No começo de junho, o volume armazenado estava em 30,8%. Em março, a Sabesp anunciou a redução da captação do Cantareira e a complementação dele por meio de outros sistemas, incluindo o Alto Tietê. A chuva acumulada neste mês nas represas que formam o sistema está em 7,7 milímetros, o que corresponde a 15,7% da média histórica, que é 49 mm.


A chuva chegou às represas do Cantareira há três dias. Ainda assim, o acumulado no mês (22,1 mm) está abaixo da média, que é 49,9 mm. De acordo com Neide Oliveira, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a escassez é uma característica do inverno e, nos próximos dias, o tempo seco voltará. “Amanhã teremos mais nebulosidade, mas não há previsão de chuva até pelo menos o dia 16”, apontou. Para o segundo semestre, no entanto, a presença do El Niño pode trazer chuvas acima da média na primavera e no verão. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico que pode afetar o clima regional e global.

Para o professor Frederico Fábio Mauad, coordenador do Programa de Ciências da Engenharia Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), a estiagem deste ano, no entanto, não justifica por completo a baixa histórica nas represas. “Não é um acaso da natureza, é falta de planejamento. Não é um ano de estiagem que causa um apagão no sistema de abastecimento. O nível não cai assim. Não é uma banheira que se tira o tampo e a água desce rapidamente. O nível vem caindo paulatinamente”, apontou. Ele estima que, se não houver chuva nos próximos meses, será necessário adotar racionamento em novembro.Mauad destaca que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estabelece um mínimo de 1.400 metros cúbicos de água por habitante/ano (hab/ano). “É um volume para ser usado em 365 dias para todas as necessidades. Mas a conta não é linear, pois as pessoas que ficam mais longe dos sistemas de captação têm maiores dificuldades, porque existem muitas perdas de vazamento”, explicou. Segundo o professor, antes da crise, o índice destinado para os habitantes da região do Alto Tietê era de 200 metros cúbicos por hab/ano.

Ele avalia que, do ponto de vista técnico, é preciso trazer água de outras regiões e investir, sobretudo na redução drástica do desperdício. “Há muito vazamento, da ordem de 40%”, informou. Além disso, ele acredita ser necessário continuar fazendo campanhas de conscientização ambiental. “Água é um bem renóvavel e não infinito. As pessoas precisam estar conscientes disso”, apontou.

A Agência Brasil solicitou um posicionamento da Sabesp, mas não houve retorno até a publicação da matéria.


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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Novo livro faz resgate de bandas obscuras do rock nacional


Histórias Secretas do Rock Brasileiro' mostra que, entre a Jovem Guarda e Raul, outro som existiu no País nos anos 1960 e 1970 


The Bubbles, Os Abutres, The Innocents, Os Lobos, Karma, Os Selvagens, Outcasts, The Sound, Soma, Os Baobás, os Beatniks, Módulo 1000, Analfabitles, The Terribles.

Num tempo anterior à invenção do fogo por Raulzito, caminhou pelas terras do Brasil uma legião de bandas obscuras que tentou se afirmar heroicamente num mundo de adversidades de todo tipo e cujos nomes se perderam no tempo. Poucos se lembram. Mas eis que um dos nossos mais persistentes "arqueólogos" musicais, o jornalista e pesquisador Nelio Rodrigues, mergulhou nesse mundo, entre os anos 1960 e 1970, e o resultado é o livro Histórias Secretas do Rock Brasileiro (editora Grupo 5W, 352 págs., R$ 59,90), que chega às livrarias esta semana.

Rodrigues, que já tinha feito em 2000 um trabalho admirável na recuperação da primeira viagem dos Rolling Stones ao Brasil, ainda nos anos 1960, não faz o tipo de cientista distanciado do seu objeto de análise. "Eu não só ouvi todas as gravações de que falo no livro, como tenho todas elas na minha coleção, a maioria em vinil, inclusive. Além do mais, vi algumas dessas bandas ao vivo, como Módulo 1000, The Bubbles, O Terço, Soma, assim como vi outras pela televisão na época mesmo, como Os Selvagens, Brazilian Bitles, Outcasts", conta o autor.

 Ele chega mesmo a assegurar que uma dessas bandas da pré-história do rock brasileira, a Soma, foi protagonista de um dos melhores shows de sua vida, no salão do Museu de Arte Moderna. "E olha que foi em um show dividido com Os Mutantes e O Terço!", lembra. O cantor inglês Richie (do hit Menina Veneno) fazia parte do Soma. "Eles fizeram um set acústico, ao estilo Crosby, Stills & Nash, e um elétrico de altíssimo nível. Ou seja, repertório muito bom, músicos de primeira linha e som espetacular, já que o Soma estava usando o equipamento que o Bruce Henry (baixista da banda) trouxera de Londres. E o local tava absolutamente abarrotado. Já conhecia O Terço e obviamente Os Mutantes, que também vi ao vivo algumas vezes, mas o Soma só conhecia de nome. Então fui pego de surpresa e fiquei literalmente babando."

Segundo Rodrigues, seu livro traz, "modestamente", um vislumbre histórico de uma cena esquecida. "Conta-se a história do rock brasileiro dos anos 60, por exemplo, pelo viés da Jovem Guarda, e isso é apenas um ladinho da história. O mais evidente, obviamente, por conta do sucesso obtido, sobretudo entre as camadas mais populares. Ou seja, reduzem todo o rock e o cenário roqueiro do nosso país nos anos 60 à Jovem Guarda, o que não é um retrato apurado da realidade. Bandas como o Som Beat, de São Paulo, Analfabitles, Outcasts, entre outras, não tinham nada a ver com a Jovem Guarda. Tinham outro jeito de encarar o rock, tanto esteticamente quanto estilisticamente. Depois, reduzem o nosso rock dos anos 70 a poucos nomes, como Raul Seixas, Rita Lee, Erasmo, Secos e Molhados. Mas essa é apenas a pequena parte visível, daqueles que conseguiram sair do gueto a alcançar fama. Dos demais, a grande maioria, pouco se sabe", lamenta.

O trabalho de pesquisa de Nelio Rodrigues já tinha tido um fruto em 2009, quando publicou Histórias Perdidas do Rock Brasileiro, bancado por ele mesmo. Mas considera que foi incipiente, era apenas uma reunião de textos que publicara na revista eletrônica Senhor F.
Ele destaca, entre os grupos, o trabalho de O Terço (bem mais conhecido), que ele viu em julho de 1976, no Rio, no Teatro João Caetano, quando o grupo tocou músicas de dois dos seus discos, Criaturas da Noite e Casa Encantada.

Outro show marcante foi do Módulo 1000, "por que ninguém fazia aquele som de psicodelia pesada no Brasil naquela época; era experimental, transgressor e nada radiofônico, como Raul Seixas ou Rita Lee". O Módulo 1000 produziu um dos mais raros discos de vinil do Brasil, Não Fale com Paredes, segundo o catálogo Record Collector Dreams, de Hans Pokora. Formado em 1969, sob influência de Black Sabbath e Pink Floyd, um exemplar do seu único disco pode ser comprado por até R$ 600 na internet.

Por ser um mercado incipiente, era difícil se afirmar numa cena ainda inexistente, segundo conta Rodrigues. Para ele, um dos nomes que mais trabalharam a favor do rock underground no Rio foi Carlos Alberto Sion. "Enquanto nos anos 60 as bandas costumavam se apresentar, sobretudo, em clubes, fazendo os famigerados bailes, Sion conseguiu conquistar para os roqueiros, logo no início dos anos 70, espaço nos teatros e em salões como o do Museu de Arte Moderna. Ao contrário dos bailes nos clubes, para divulgar a apresentação das bandas nos teatros preferiu adotar o conceito de Concerto de Rock. Atribuía-lhes assim mais respeitabilidade, atraindo um público que ia curtir o som das bandas e não para dançar."
Outros nomes foram importantes, ele menciona, como o do empresário Marinaldo, do Módulo 1000, em cuja casa, nos altos do Rio Comprido, várias bandas ensaiavam e guardavam seus equipamentos. "E, claro, o inesquecível radialista Big Boy, que dava força pra essas bandas, divulgando seus discos em seu programa. Aliás, quando do lançamento, Big Boy tocou inteirinho o primeiro disco dos Mutantes."


DINOSSAUROS


O Terço

O trio que, na virada dos anos 60 para os 70, liderado por Sergio Hinds, mudou os paradigmas do rock nacional


A Bolha

Nascida das cinzas dos Bubbles, tratou de tabus, como drogas, e revelou astros futuros, como Arnaldo Brandão


The Sound

Injetou psicodelia e conceito de espetáculo de luzes e som no pop, influenciado por Jefferson Airplane


Módulo 1000

Em 1969, com nome aludindo à chegada do homem à Lua, o rock começava a ficar pesado e até incluía música de Zé Miguel Wisnik


Som Beat

Em 1966, cantando música de Pete Townshend, a banda arrebanhou fãs insuspeitados, como Roberto Carlos, e a TV

ENTREVISTA - Nelio Rodrigues, Pesquisador

Hoje em dia, sabemos que Os Mutantes foram muito influentes. Quanto desses pioneiros foram vitais para as gerações que viriam depois?
Os Mutantes são, sem dúvida, uma das mais importantes bandas do rock brasileiro. E têm seu lugar garantido na respectiva galeria. Outra banda que não podemos esquecer são os Novos Baianos, talvez a que melhor misturou a guitarra de Jimi Hendrix com o banquinho e o violão de João Gilberto. A Bolha, por exemplo, também deixou sua marca. Pela aparelhagem, pelo som e pela pegada que misturava psicodelia, rock direto e um tanto de prog rock.


Algum mais?

O Terço também nos deixou um disco cultuadíssimo, que é o Criaturas da Noite. No entanto, por circularem nesse cenário underground, marginal, essas bandas nunca foram devidamente estudadas, conhecidas. São de uma cena que não faz parte da nossa memória social, de um cenário que de algum modo parece não ter existido. Entre essas excelentes bandas estão Os Baobás, que teve Liminha, ou Os Beatniks, por exemplo.


The Bubbles




Os Abutres



Os Selvagens



Os Baobás



Modulo 1000



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domingo, 6 de julho de 2014

Nos outros países é sempre melhor: Alemanha Ocidental, país cheio de analfabetos



Alemanha enfrenta a praga invisível do analfabetismo
Cerca de 7,5 milhões de adultos não sabem ler e escrever no país

BERLIM - A Alemanha é o país dos grandes filósofos, escritores e... analfabetos. Uma pesquisa divulgada na semana passada revela que 7,5 milhões de alemães não sabem ler e escrever. Segundo Urda Thiessen, professora de alfabetização para adultos entre 18 e 64 anos de idade, o sistema alemão favorece os melhores e oferece poucas chances aos mais fracos. Quem termina o primeiro ano escolar sem saber ler ou escrever corre o risco de ficar analfabeto para sempre.

— No sistema de educação regular, não há nenhuma chance de recuperação desse déficit no início do período escolar, provocado muitas vezes por doenças ou crises familiares, como a separação dos pais — diz Thiessen.

Problema passa despercebido

Frequentemente, os analfabetos têm um QI normal ou até mais alto do que a média da população. Quer dizer, eles não deixaram de aprender a ler por falta de inteligência, mas sim por problemas que não foram observados pelo professor.

— Na Alemanha, há escola gratuita para todos, mas os professores da escola primária, em classes com 30 ou mais alunos, não têm tempo para se ocupar com alunos problemáticos — explica.

São casos como o de Thomas S., de 21 anos. No primeiro ano escolar, ele faltou muito à escola por motivo de doença. Como os pais não tinham dinheiro para pagar aula particular de apoio, Thomas terminou analfabeto.

— A vida é um estresse constante de fazer de conta que se sabe ler — confessa Thomas.

Depois de completar 20 anos, ele resolveu contornar seu problema. Matriculou-se em um curso de alfabetização para adultos em NeuKölln, no Sul de Berlim, e com o método especial, que consiste em ensinar os alunos a ler e a escrever com base na vida cotidiana, aprendeu rapidamente o que não tinha conseguido nos quatro anos de escola primária.

Thomas acha tão divertida a sensação de superar uma dificuldade que dedica seu tempo livre a projetos da associação, como a “oficina escrever”, que tem um jornal escrito por ex-analfabetos.

— Os analfabetos são muitas vezes altamente criativos — registra Urda, confirmando a teoria de que problemas escolares não estão relacionados ao grau de inteligência.

Segundo Tim Thilo Fellner, ex-analfabeto e hoje escritor de livros infantis, o problema surge em algum momento do período inicial escolar e fica cada vez “mais crônico” com a completa perda da autoconfiança. Quando ele tinha 29 anos, tentava ganhar a vida como motorista, mas tinha problema até para ler os nomes das ruas. Aos 30, matriculou-se num curso de alfabetização, e o resultado foi uma revolução individual. Para ele, o problema do analfabetismo é ainda mais grave do que os dados apontados no último estudo, feito por associações dedicadas à alfabetização para adultos e pela Universidade de Hamburgo.

— Na verdade, uma em cada sete crianças deixa a escola sem aprender a ler e escrever — registra.

Os analfabetos deixam a escola sem conclusão e começam a trabalhar numa profissão em que sua deficiência é pouco notada, como ajudante de cozinha ou na construção civil.

— É uma tortura viver como analfabeto na Alemanha. Precisamos de muito esforço para ocultar o problema e não sermos alvo de discriminação — revela Peggy Gaedecke, outra ex-aluna de Urda Thiessen.

Peggy começou a vida profissional trabalhando em restaurantes. Ficava exausta com o esforço para que ninguém percebesse seu problema: ela decorava o cardápio, mas acabava entrando em apuros quando havia mudanças.

— O analfabeto vive de mentiras — conta ela.

Segundo o estudo da Universidade de Hamburgo, apenas 50% dos analfabetos vivem no desemprego. Como a demanda por mão de obra de baixa qualificação é grande na Alemanha, eles não têm grandes dificuldades em conseguir um emprego, ao contrário de acadêmicos que se formam em disciplinas de pouco uso prático, como Filosofia, Latim ou Grego antigo, cursos oferecidos em quase todas as universidades alemãs.

Já o Instituto do Trabalho e Qualificação revelou que, na disputa por emprego, 8,6% das pessoas com título acadêmico — muitos até com doutorado — terminam aceitando ofertas que exigem baixo nível de educação formal, competindo com os analfabetos.

Até o próximo ano, todos os estados alemães promovem uma estratégia nacional para erradicar o analfabetismo. Mas Urda Thiessen não acredita que o tempo previsto pelo programa seja suficiente.

— Apenas começamos a atacar o problema de frente — diz, embora a associação onde trabalha exista há mais de 20 anos.

O estudo da Universidade de Hamburgo revela, ainda, que muitas pessoas hoje analfabetas um dia chegaram a aprender a ler e a escrever na escola. A falta de leitura seria a causa de elas terem voltado ao analfabetismo.


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sábado, 5 de julho de 2014

Façam uma Copa do Mundo apenas com os países escandinavos e excluam os demais!


Ninguém é obrigado a gostar de futebol. Também não é obrigado a gostar da Copa do Mundo. Nem é obrigado a dar palpites "sobre a realidade" nas redes sociais com o objetivo de mostrar "como o brasileiro é alienado, ao contrário dele, um sujeito informado sobre as mazelas que assolam a Nação" ( mais ou menos como o europeu civilizado se via em relação aos povos "primitivos" e que, por sua posição superior, se vê na obrigação de civilizar esses silvícolas comedores de piolho ). 
Parece, então, que ignorar é muito difícil, como aquele vizinho chato que, ranheta, abandonado, solitário e fudido - ou seja, um ressentido em potencial - tenta acabar com a festa no vizinho apenas pelo fato do vizinho e seus convidados estarem se divertindo, ao contrário dele, mesmo que a festa esteja ocorrendo em decibéis aceitáveis e em horários igualmente.

Uma pesquisa do Datafolha, de uns 3 anos atrás ( DNA paulistano ) mostrava que 1 em cada 5 paulistanos não gostava ou torcia para times de futebol. É bastante gente. Mas estes não parecem se manifestar muito sobre a Copa, seja qual for o motivo que os leva a não gostar do esporte bretão, tipo "Não gosto de Copa porque não gosto de futebol".
Na Carta Capital desta semana Maurício Dias lembra que, desde 89, quando as eleições foram restabelecidas no Brasil, não existe confusão entre performance da seleção brasileira em Copa do Mundo e eleições. Em 94 FHC ganhou não por causa do triunfo da seleCBF nos EUA, mas por causa do Plano Real. A seleção naufragou em 98, mas FHC foi reeleito. Em 2002, nova vitória da seleCBF, mas aí deu Lula. Em 2006, novo fracasso em campo, mas Lula foi reeleito, com suposto mensalão e tudo mais. Em 2010, novo fracasso, mas o poste de Lula, Dilma Rousseff, conseguiu a vitória. Agora, sabe-se-la Deus o que vai dar.
Logo, se alguém torce, por razões puramente político-eleitorais, contra o sucesso da SeleCBF nesta Copa, temendo de que o sucesso do time canarinho influencie na eleição e garanta nova vitória do PT em outubro, está perdendo tempo, como se pode notar. Copa é realmente pra quem gosta de futebol ou tem simpatia pelo esporte. Torcer contra é o mesmo que torcer a favor, só que no sentido inverso, da mesma forma que crítica é o mesmo que elogio, só que de elogio a gente gosta.
Melhor deixar o Neymar de fora disso, caros missionários da civilização e agentes da salvação das almas dos povos silvícolas e alienados, pois estes gostam da pelota. Deixem o vizinho se divertir em paz que a festa acaba obrigatóriamente às dez da noite. ( Eu mesmo ia torcer contra, por sequer saber quem são estes jogadores ou onde jogam, com a exceção do Neymar e do - pra mim, corintiano - Paulinho ).

Se as mazelas que ocorrem no país são motivo para que não haja Copa, ou que sequer se comemore uma reles vitória no campo da bola, onde quer que seja, é bom informar/ lembrar que, apesar de toda a desgraça sanguinária que ocorre naquela terra, a Palestina possue uma seleção de futebol. "Como podem jogar bola quando Israel despeja toneladas de bombas sobre crianças e idosos palestinos?" Pois é, né?
De mais a mais, se formos excluir - impedimento moral, quero dizer - de competições como esta, todos os países onde há algum tipo de miséria, violência, pobreza, corrupção, desigualdade social, etc, então em vez de Copa do Mundo talvez seja melhor a FIFA organizar um campeonato com apenas os países escandinavos, o Canadá, talvez Austrália e Nova Zelândia. E olhe lá.

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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Marcas do tráfico negreiro continuam a pesar na história do Brasil.




O peso da escravidão

Tráfico negreiro foi um dos negócios mais lucrativos da fase de implantação do capitalismo, mas assombrou a consciência dos que o praticavam. A marca desse passado continua a pesar na história do Brasil.

Por: Laura de Mello e Souza

A escravidão marcou profunda e irreversivelmente a memória e a história do Brasil. Não é possível esquecer que, entre o final do século 16 e o meado do século 19, milhares de seres humanos originários de diversas partes do continente africano foram introduzidos à força na América portuguesa, constituindo um dos negócios mais lucrativos da fase de implantação do capitalismo. Nem que o tráfico negreiro nutriu um número considerável das grandes fortunas da época. 

Grandes comerciantes, homens públicos de destaque e até aqueles que, depois, se disseram defensores da supressão do vil comércio – imposta pelos ingleses em 1850 – e da implantação do trabalho livre, que só se generalizaria após a abolição, ocorrida em 1888, puseram dinheiro nas embarcações que comerciavam africanos entre um e outro lado do Atlântico. Mesmo se consentido e encarado como negócio lucrativo, o “trato dos viventes” – título do livro clássico do historiador Luiz Felipe de Alencastro – não orgulhava muitos dos que o praticavam, assombrando-lhes a consciência e levando-os, assim que possível, a tentar apagar seu passado de negreiros.

Consciência que pesa ainda e continuará a pesar, sob as mais diversas formas. Na defesa das cotas encontra-se o sentimento de reparação ante as iniquidades do tráfico e da exploração do trabalho escravo. Na crença de que todos os nossos males advêm da escravidão também. A escravidão é tema recorrente em alguns dos principais ensaios de compreensão do Brasil, como Casa grande & senzala, de Gilberto Freyre, e a desqualificação do trabalho é um dos fios condutores de Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. Boa parte da melhor historiografia produzida hoje no Brasil versa sobre a escravidão e temas dela derivados.

Tema para historiadores

Conforme ouvi há anos de uma conhecida historiadora norte-americana, o tema da escravidão é, ao mesmo tempo, qualidade e defeito dos estudos historiográficos brasileiros. Não se pode jamais esquecê-lo ou minorá-lo, mas é preciso, também, ultrapassá-lo. Há quantidade de assuntos para se abordar nos trabalhos acadêmicos, ainda mais em universidades tão jovens quanto as nossas – as mais velhas não alcançam sequer um século.

O Haiti, que na época da Revolução Francesa (1789) se chamava São Domingos e era conhecido como a ‘pérola das Antilhas’, contava com uma população na qual 85% eram escravos. Conheceu a primeira grande revolta de escravos negros da história, aboliu a escravidão em 1794 e proclamou a independência em 1804. O processo teve início sob a Revolução Francesa e atingiu o ponto crítico – o da supressão do vínculo colonial – já na época de Napoleão Bonaparte.

Tanto a maioria dos radicais revolucionários (os jacobinos) quanto a dos homens do nascente império napoleônico eram contra a independência e a favor da escravidão, evidenciando as contradições que sacudiam as relações entre as metrópoles e suas colônias. Na França, pregava-se a igualdade entre os homens; nas colônias, deixava-se que interesses mercantis – então obrigatoriamente colonialistas e escravagistas – falassem mais alto.

Para reconhecer a soberania do Haiti, o governo francês exigiu uma indenização de 150 milhões de francos-ouro: algo como 2% do produto interno bruto da França na época (Le Monde, 3/5/2014). Abatida a soma, a ilha pagou 90 milhões e arrastou, até a metade do século 20, uma dívida gigantesca para com o país europeu.

Uma vez independente, o Brasil honrou pagamentos e contraiu dívidas, mas manteve a escravidão por todo o Império, só a abolindo às vésperas da República. Talvez essa triste história de longa duração ajude a compreender os motivos que fazem pesar nossa consciência e que continuam a nortear as escolhas temáticas de nossos historiadores.

Laura de Mello e Souza 
Departamento de História
Universidade de São Paulo
Membro da Academia Brasileira de Ciências

Junho de 2014

LEITURA COMPLEMENTAR:


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"Quero me pronunciar em termos práticos como cidadão, distintamente daqueles que se chamam antigovernistas: o que desejo imediatamente é um governo melhor, e não o fim do governo. Se cada homem expressar o tipo de governo capaz de ganhar o seu respeito, estaremos mais próximos de conseguir formá-lo."
Henry David Thoreau, A Desobediência Civil

"The torture never stops."
Frank Zappa, músico

"Além da nobre arte de fazer coisas, existe a nobre arte de deixar coisas sem fazer. A sabedoria da vida consiste na eliminação do que não é essencial."
Lin Yutang, filósofo chinês (1895-1976 )


" Nunca deve valer como argumento a autoridade de qualquer homem, por excelente e ilustre que seja...
É sumamente injusto submeter o próprio sentimento a uma reverência submetida a outros; é digno de mercenários ou escravos e contrário à dignidade humana sujeitar-se e submeter-se; é uma estupidez crer por costume inveterado; é coisa irracional conformar-se com uma opinião devido ao número dos que a têm...

É necessário procurar sempre, com compensação, uma razão verdadeira e necessária... e ouvir a voz da natureza"
Giordano Bruno


" (...) E depois, quando um astrônomo lhe disser que o que você viu não existe, lembre-lhe que cem anos atrás (1874) isso era o que os astrônomos diziam sobre meteoritos. (...)"
Ralph Blum e Judy Blum, em "Toda a verdade sobre os discos voadores" , Edibolso , 1974

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