sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

“As pessoas terão disenteria”, afirma diretor da Sabesp sobre a falta d’água



Em depoimento a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Paulo, o diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato, admitiu ser possível que a população paulista esteja consumindo água contaminada e correndo risco de sofrer de disenterias.

“Nós estamos reduzindo a pressão do fornecimento de água e isso já é racionamento. Reduzir o consumo é isso. O que não temos ainda é um rodízio. Pode ser que algumas pessoas estejam bebendo água contaminada, mas prefiro pensar que isso ainda não aconteceu. E o que acontece durante uma contaminação de água? As pessoas terão disenteria e hoje temos medicina suficiente para minimizar riscos de vida”, afirmou Massato, que no início deste ano recomendou aos paulistanos que deixassem a capital porque a água irá acabar.

O diretor da Sabesp também já afirmou que até junho a capital paulista enfrentará rodízios com apenas dois dias de abastecimento e cinco sem por semana.

O diretor foi convocado junto com o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, para prestar esclarecimentos. Em todo momento a palavra racionamento foi evitada, até que Massato não resistiu e soltou informações sobre os temores que rondam a água que está sendo distribuída para os moradores da capital.


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"Operação Jericó": Obama falha o seu golpe de Estado na Venezuela, Por Thierry Meyssan



OS ESTADOS UNIDOS, A ALEMANHA, O CANADÁ, ISRAEL E O REINO UNIDO LANÇAM A «OPERAÇÃO JERICÓ»


Obama falha o seu golpe de Estado na Venezuela


Thierry Meyssan


Mais uma vez, a administração Obama tentou mudar pela força um regime político que lhe resiste. A 12 de fevereiro, um avião da Academi (ex-Blackwater), disfarçado como aeronave do exército venezuelano, devia bombardear o palácio presidencial e matar o presidente Nicolas Maduro. Os conspiradores tinham previsto colocar no poder a antiga deputada Maria Corina Machado e fazê-la aclamar, de imediato, por antigos presidentes latino-americanos.


O presidente Obama tinha prevenido. Na sua nova doutrina de Defesa (National Security Strategy), ele escreveu : «Nós ficaremos do lado dos cidadãos cujo exercício pleno dos direitos democráticos está em perigo, tal como é o caso dos Venezuelanos». Ora, sendo a Venezuela, desde a adopção da constituição de 1999, um dos mais democráticos Estados do mundo, esta frase deixava pressagiar o pior, no sentido de a impedir de prosseguir na sua via de independência e de redistribuição de riqueza.


Foi a 6 de fevereiro de 2015. Washington tinha acabado de terminar os preparativos para o derrube das instituições democráticas da Venezuela. O golpe de Estado tinha sido planificado ( planejado-br ) para 12 de fevereiro.

A «Operação Jericó» foi supervisionada pelo Conselho Nacional de Segurança (NSC), sob a autoridade de Ricardo Zuñiga. Este «diplomata» é o neto do presidente homónimo do Partido Nacional das Honduras, que organizou os “putschs” de 1963 e de 1972 a favor do general López Arellano. Ele dirigiu a antena da CIA em Havana, (2009-11) onde recrutou agentes, e os financiou, para formar a oposição a Fidel Castro, ao mesmo tempo que negociava a retomada das relações diplomáticas com Cuba (finalmente concluída em 2014).

Como sempre, neste tipo de operação, Washington vela para não parecer implicado nos acontecimentos que orquestra. A CIA agiu através de organizações pretensamente não-governamentais para dirigir os golpistas : a National Endowment for Democracy ( Contribuição Nacional para a Democracia- ndT ) e as suas duas extensões, de direita ( International Republican Institute ) e de esquerda ( National Democratic Institute ), Freedom House ( Casa da Liberdade ), e o International Center for Non-Profit Law ( Centro Internacional para Assistência Jurídica Gratuita- ndT ). Por outro lado, os Estados Unidos solicitam sempre os seus aliados para sub-contratar certas partes dos golpes, neste caso, pelo menos, a Alemanha ( encarregada da protecção dos cidadãos da Otan durante o golpe ), o Canadá ( encarregue de controlar o aeroporto internacional civil de Caracas ), Israel ( encarregue dos assassínios de personalidades chavistas ) e o Reino Unido ( encarregue da propaganda dos “putschistas” ). Por fim, mobilizam as suas redes políticas a estarem prontas ao reconhecimento dos golpistas : em Washington o senador Marco Rubio, no Chile o antigo presidente Sebastián Piñera, na Colômbia os antigos presidentes Álvaro Uribe Vélez e Andrés Pastrana, no México os antigos presidentes Felipe Calderón e Vicente Fox, em Espanha o antigo presidente do governo José María Aznar.

Para justificar o “putsch”, a Casa Branca tinha encorajado grandes companhias venezuelanas a açambarcar, mais do que a distribuir, as mercadorias de primeira necessidade. A ideia era a de provocar filas de espera diante das lojas, depois infiltrar agentes nas multidões para provocar tumultos. Na realidade se existiram, de facto, problemas de aprovisionamento, em janeiro-fevereiro, e filas de espera diante das lojas, jamais os Venezuelanos atacaram os comércios.


Para reforçar a sua actuação económica o presidente Obama havia assinado, a 18 de dezembro de 2014, uma lei impondo novas sanções contra a Venezuela e vários dos seus dirigentes. Oficialmente, tratava-se de sancionar as personalidades que teriam reprimido os protestos estudantis. Na realidade, desde o princípio do ano, Washington pagava uma importância —quatro vezes superior ao ordenado médio— a gangues para que eles atacassem as forças da ordem. Os pseudo-estudantes mataram, assim, 43 pessoas em alguns meses, e semearam o terror nas ruas da capital.

A acção militar era supervisionada pelo general Thomas W. Geary, a partir do SouthCom em Miami, e Rebecca Chavez, a partir do Pentágono, e sub-contratada ao exército privado da Academi ( antiga Blackwater ) ; uma sociedade actualmente administrada pelo almirante Bobby R. Inman ( antigo patrão da NSA ) e por John Ashcroft ( antigo Attorney General—Procurador Geral— da administração Bush ). Um avião Super Tucano, de matricula N314TG, comprado pela firma da Virgínia, em 2008, para o assassínio de Raul Reyes, o n°2 das Farc da Colômbia, devia ser caracterizado com um avião do exército venezuelano. Ele deveria bombardear o palácio presidencial de Miraflores e outros alvos, entre uma dezena deles pré- determinados, compreendendo o ministério da Defesa, a direcção da Inteligência e a cadeia de televisão da ALBA, a TeleSur. Dado o avião estar estacionado na Colômbia, o Q.G. operacional da «Jericó» tinha sido instalado na embaixada dos Estados Unidos em Bogotá, com a participação directa do embaixador Kevin Whitaker e do seu adjunto Benjamin Ziff.



Alguns oficiais superiores, no activo ou na reforma ( aposentação-br ), haviam registado, com antecedência, uma mensagem à Nação, na qual anunciavam ter tomado o poder a fim de restabelecer a ordem. Estava previsto que eles subscreveriam um plano de transição, publicado, a 12 de fevereiro, de manhã, pelo El Nacional e redigido pelo Departamento de Estado dos EUA. Um novo governo teria sido formado, dirigido pela antiga deputada Maria Corina Machado.

Maria Corina Machado foi a presidente da “Súmate”, a associação que organizou e perdeu o referendo revogatório contra Hugo Chávez Frias, em 2004, já com o financiamento da National Endowment for Democracy (NED) e os serviços do publicitário francês Jacques Séguéla. Apesar da sua derrota, foi recebida com toda a pompa pelo presidente George W. Bush, no Salão oval, a 31 de maio de 2005. Eleita como representante pelo Estado de Miranda, em 2011, ela tinha aparecido de súbito, a 21 de março de 2014, como chefe da delegação do Panamá na reunião da Organização dos Estados Americanos (O.E.A). Ela fora, de imediato, demitida do seu lugar de deputada por violação dos artigos 149 e 191 da Constituição (da Venezuela- ndT).


Para facilitar a coordenação do golpe, Maria Corina Machado organizou, em Caracas, a 26 de janeiro, um colóquio, «O Poder da cidadania e a Democracia actual», no qual participaram a maior parte das personalidades venezuelanas e estrangeiras implicadas.


Pouca sorte! A Inteligência Militar venezuelana vigiava as personalidades suspeitas de ter fomentado um complô, anterior, visando assassinar o presidente Maduro. Em maio último, o Procurador de Caracas acusava Maria Corina Machado, o governador Henrique Salas Römer, o ex-diplomata Diego Arria, o advogado Gustavo Tarre Birceño, o banqueiro Eligio Cedeño e o empresário Pedro M. Burelli, mas, eles negaram a autoria dos “e-mails” alegando que tinham sido falsificados pela Inteligência Militar. Ora é claro, eles estavam todos conluiados.

Ao rastrear estes conspiradores a Inteligência Militar descobriu a «Operação Jericó». Na noite de 11 de fevereiro, os principais líderes do complô, e um agente da Mossad, foram presos e a segurança aérea reforçada. Outros, foram apanhados a 12. No dia 20, as confissões obtidas permitiram deter um cúmplice, o presidente da câmara ( prefeito-br ) de Caracas, Antonio Ledezma.


O presidente Nicolas Maduro interveio imediatamente, na televisão, para denunciar os conspiradores. Enquanto, em Washington, a porta-voz do departamento de Estado fazia rir os jornalistas, que se recordavam do golpe organizado por Obama nas Honduras, em 2009 — quanto à América Latina —, ou mais recentemente da tentativa de golpe na Macedónia, em janeiro de 2015 — quanto ao resto do mundo—, declarando a propósito: «Estas acusações, como todas as precedentes, são ridículas. É uma prática política estabelecida de longa data, os Estados Unidos não apoiam mudanças políticas por meios não constitucionais. As mudanças políticas devem ser realizadas por meios democráticos, constitucionais, pacíficos e legais. Nós temos verificado, em várias ocasiões, que o governo venezuelano tenta desviar a atenção das suas próprias acções, acusando para isso os Estados Unidos, ou outros membros da comunidade internacional, por causa de acontecimentos no interior da Venezuela. Estes esforços, reflectem uma falta de seriedade por parte do governo da Venezuela, em fazer face à grave situação com a qual está confrontado».

Para os venezuelanos este golpe, falhado, coloca uma questão séria: como manter viva a sua democracia se os principais líderes da oposição estão na prisão, pelos crimes que se aprestavam a cometer contra a própria democracia? Para aqueles que pensam, erradamente, que os Estados Unidos mudaram, que não são mais uma potência imperialista, e, que agora defendem a democracia no mundo inteiro a «Operação Jericó» é um tema de reflexão inesgotável.

Os Estados Unidos contra a Venezuela 

Em 2002, os Estados Unidos organizaram um golpe de Estado contra o presidente eleito, Hugo Chávez Frias [1], depois, eles assassinaram o juiz encarregado da investigação, Danilo Anderson [2]. 
Em 2007, eles tentaram mudar o regime organizando, para tal, uma «revolução colorida» com grupos trotzkistas [3]. 
Em 2014, deram a impressão de renunciar ao seu objectivo, mas apoiaram grupos anarquistas afim de vandalizar, e desestabilizar, o país. Foi a Guarimba [4].



Tradução 

[1] «Opération manquée au Venezuela» (Fr- «Operação falhada na Venezuela»- ndT), por Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 18 mai 2002.


[2] « Notre ami Danilo Anderson assassiné à Caracas » (Fr-« O nosso amigo Danilo Anderson assassinado em Caracas»- ndT) , «La CIA derrière l’assassinat de Danilo Anderson ?» (Fr- « Está a CIA por trás do assassínio de Danilo Anderson ?»- ndT), por Marcelo Larrea, Réseau Voltaire, 19 novembre et 1er décembre 2004. “FBI and CIA identified as helping Plan Venezuelan Prosecutor’s Murder” (Ing- « FBI e CIA identificados como tendo ajudado a Planear o Assassínio do Procurador Venezuelano»- ndT), por Alessandro Parma, Voltaire Network, 11 November 2005.

[3] «Venezuela : conclusion d’une année déterminante » (Fr- «Venezuela : conclusão de um ano determinante»- ndT), por Romain Migus, Réseau Voltaire, 10 octobre 2008. Ver também a resposta de Gene Sharp às nossas acusações : «L’Albert Einstein Institution : la non-violence version CIA» (Fr- « Instituto Albert Einstein : a não violência à moda da CIA»- ndT), por Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 4 juin 2007.

[4] “Os EEUU contra a Venezuela: a Guerra Fria se esquenta”, Nil Nikandrov, Tradução Marisa Choguill, Strategic Culture Foundation (Rússia), Rede Voltaire, 9 de Março de 2014. «Las “guarimbas” de Venezuela: derecha embozada», por Martín Esparza Flores, Contralínea (México), Red Voltaire , 28 de abril de 2014.

LEIA TAMBÉM:
"Ledezma foi preso por conspirar com golpistas", afirma Maduro que promete apresentar provas - HORA DO POVO
Campanha contra Maduro é parte dos intentos golpistas - PCO

O internacionalismo da direita golpista - PCO

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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Ex-ministro de FHC e ex-secretário de Montoro denuncia contradições em processo do "Mensalão" que prejudicam Kátia Rebello


CONDENAÇÃO DESPROPORCIONAL
Acórdão da AP 470, o processo do mensalão, está permeado de contradições

José Carlos Dias

[Artigo originalmente publicado no jornal Folha de S.Paulo deste domingo (22/2) com o título "O desabafo de um advogado"]

Qualifico-me, de imediato, como um advogado perplexo com a injusta condenação de minha cliente Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural, pelo Supremo Tribunal Federal, a 14 anos e cinco meses de reclusão, na ação penal 470, apelidada de "mensalão", em absoluta disparidade com outras penas impostas a corréus do mesmo processo.

Igual punição recebeu o vice-presidente do mesmo banco, José Roberto Salgado, defendido pelo grande advogado Márcio Thomaz Bastos, que nos deixou tantas lições de vida e de ética.

Tenho a convicção de que o Supremo Tribunal Federal cometeu um grave erro judiciário. Tecnicamente foi um julgamento marcado por incongruências e distorções, que redundou no encarceramento de pessoa responsabilizada por inadequada aplicação da teoria do domínio do fato, condenada por responsabilidade objetiva.

O acórdão está permeado de contradições, os mesmos fatos são ora enquadrados como gestão fraudulenta, ora como lavagem de dinheiro, ora como evasão de divisas. Também a dosimetria da pena está em absoluta desconformidade com a jurisprudência nacional e do próprio Supremo, desconsiderando, entre outras questões, os bons antecedentes de Kátia.

Não discuto a adequação da decisão em relação aos políticos, mas salta aos olhos a sua desproporcionalidade. A balança da Justiça não se mostrou equilibrada e há mais de um ano Kátia Rabello está trancafiada em regime fechado em um presídio em Belo Horizonte.

Indignado, sinto ser imperioso tornar público este desabafo. Muitos dirão que o advogado nunca deve se indispor com a mais importante corte do país, perante a qual postula por outros clientes. Eu não penso dessa forma.

Como ficar em silêncio se estou convencido de que os senhores ministros erraram em prejuízo de uma cidadã que foi equiparada a delinquente perigosa, do mesmo jaez de uma latrocida, de autora de homicídio hediondo?

Como silenciar vendo nos jornais que todos os políticos condenados no referido processo já estão em regime semiaberto ou em prisão domiciliar, enquanto minha cliente permanece em regime fechado? Acaso Kátia Rabello oferece maior risco à sociedade do que políticos acoimados de corruptos?

Ainda que admitida sua culpa, a punição mais adequada seria a restrição de direitos, a prestação de serviços à comunidade.

A prisão deve ser sempre o último recurso do direito penal, por produzir sequelas irreparáveis e constituir ultraje aos direitos fundamentais da pessoa humana.

Apesar disso, e da dramática situação prisional do país, continua a ser a punição reiteradamente aplicada por nossas cortes, o que nos leva hoje a ostentar a terceira maior população carcerária do mundo conforme dados do Centro Internacional de Estudos Prisionais do King's College, de Londres.

Valendo-me do meu direito e do meu dever de utilizar a liberdade de expressão como instrumento de reparação a uma cidadã por quem tenho muito respeito, consigno este meu gesto de desagravo.

José Carlos Dias é advogado criminalista. Foi integrante da Comissão Nacional da Verdade, secretário da Justiça de São Paulo (governo Montoro) e ministro da Justiça (governo FHC)


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Anonymous: arma de informação americana usada contra políticos europeus?


Por Georgy Voskresensky

Anonymous apareceu pela primeira vez em 2003, em fóruns de imagens da Internet, como um grupo de hackers [piratas da Internet – NT], defendendo a liberdade de expressão e operando como um «cérebro digital global anarquista». É um instrumento ou uma arma projetada para ser usada na guerra de informação. Ele tem uma vantagem - em muitos casos, é extremamente difícil definir exatamente quem o usou. Mas, não houve problema deste tipo quando Anonymous publicou um relatório fotográfico de 1993 de Angela Merkel visitando o Clube da Juventude Elbterrassen e encontrando-se com um grupo de skinheads [cabeças raspadas – NT] e outros amigos, um deles fazendo uma saudação nazista [1].

Berlim respondeu com as devidas explicações; mas, não é isso o que importa. A publicação das fotos de 12 anos teve lugar exatamente antes da visita da Chanceler Merkel a Washington, em 9 de fevereiro, e após a reunião entre a Chanceler alemã, o Presidente francês François Hollande e o presidente russo Vladimir Putin em Moscou, que durou por muitas horas.

Anonymous perguntou se um político que foi um membro da Organização Socialista da Juventude da RDA [República Democrática da Alemanha – NT], um «espião de Berlim do Leste», e que fraternizara com nazistas poderia ser confiável para governar a Alemanha.

O ataque de informação foi precedido de um evento importante – a Chanceler se opusera à idéia de fornecer armas letais à Ucrânia. Angela Merkel disse na Conferência de Segurança de Munique, em 7 de fevereiro, que «o progresso de que a Ucrânia precisa não pode ser alcançado por mais armas». Ela reiterou essa posição várias vezes, enquanto em uma visita aos Estados Unidos e ao Canadá. Na América, o Senador John McCain e Victoria Nuland, a Secretária de Estado Adjunta para Assuntos da Eurásia e Europeus, responderam primeiro. O senador comparou as conversações de Angela Merkel e François Hollande com Vladimir Putin ao apaziguamento de Neville Chamberlain por Hitler. A Sra. Nuland, como sempre, usou linguagem obscena ao falar sobre a chefe do principal Estado europeu.

Note que, desde há muito tempo, os serviços especiais dos EUA têm estado a coletar minuciosamente informações para serem de uma maneira ou de outra usadas contra a Chanceler da Alemanha. Em outubro de 2013, soube-se que a Agência de Segurança Nacional colocou o celular de Angela Merkel sob escuta, e o escândalo eclodiu revelando que a Agência havia mantido a Sra. Merkel sob vigilância por mais de 10 anos. A Chanceler disse que ela não esperava e não insistira no pedido de desculpas; mas, houvera uma grave quebra de confiança e grande esforço teve que ser aplicado para tê-la restaurada. Palavras não foram suficientes. A situação ditou a necessidade de mudanças. Naquela época, a Chanceler pode dificilmente esconder sua indignação. Washington não deu ouvidos ao que ela disse. A briga da escuta telefonica foi abafada sem alterações a executar.

Angela Merkel não foi o primeiro líder europeu a descobrir na prática que Washington ignora qualquer expressão de «livre pensar» por parte dos líderes europeus, especialmente quando se trata de Rússia. Os exemplos são bem conhecidos.

A Hungria, liderada pelo primeiro-ministro Victor Orban, assinou um contrato com a Rosatom, da Rússia, para completar a construção de dois novos blocos de energia para a Usina de Energia Nuclear Paks, da Hungria, localizado a 100 km de Budapeste. Os Estados Unidos impuseram sanções contra a Hungria. O Senador McCain, um político que sempre puxa a arma, chamou o primeiro-ministro da Hungria de «ditador fascista». Agora, o Presidente Putin é convidado por Orban para visitar Budapeste, em 17 de fevereiro...

A administração dos EUA está frustrada sobre a posição de Milos Zeman, o Presidente da República Checa, que se atreveu a pedir provas de que as tropas russas invadiram a Ucrânia e exortou os Estados Unidos e a União Europeia a levantarem as sanções. Os EUA usa seus canais neste país para travar uma campanha para desacreditar o Presidente.

Em seus dias como primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi costumava dizer que a compreensão mútua entre a Rússia e os Estados Unidos era uma questão-chave para a estabilidade europeia. Ele disse que os EUA agiram irresponsavelmente implantando os elementos de defesa antimísseis na Polônia e na República Checa, reconhecendo a independência do Kosovo, e empurrando a Geórgia e a Ucrânia na OTAN.

Strauss-Kahn, ex-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional, foi vítima de uma provocação bem planejada e organizada contra ele nos Estados Unidos, quando ele foi acusado de violar uma empregada negra de hotel durante a sua estadia em Nova York. Como resultado, ele teve que enfrentar um julgamento nos EUA. Mais tarde, foi revelado que a camareira mentiu; mas, isso não era mais importante. Strauss-Kahn perdera a posição no Fundo Monetário Internacional e perdera sua chance de se tornar presidente da França.

Orban, Zeman, Berlusconi, Strauss-Kahn e agora Merkel – eles todos se tornaram alvos de ataque de precisão dos EUA, efetuados pela arma de informações contra políticos europeus que se tornaram muito independentes em questões de política externa, de acordo com a opinião de Washington.

O governo americano acredita que a Europa deve andar na linha e seguir a política dos EUA sem quaisquer desvios. Na sua opinião, essa é a quintessência da cooperação transatlântica. Logo após reunir-se com Merkel, o Presidente dos EUA complacentemente disse à Vox, em uma entrevista, que os EUA são obrigados a ter «a força militar militar mais forte do mundo». [2] Continuando, ele disse que, «ocasionalmente, temos que torcer os braços de países que não fazem o que esperamos que façam». Ele disse isso sem rodeios, o suficiente para não deixar nenhuma dúvida sobre a disponibilidade dos EUA para torcer os braços de qualquer aliado que apresente pontos de vista diferentes da visão dos Estados Unidos sobre os problemas do mundo.

Nehum aliado (ou vassalo?) europeu ou asiático deveria ter dúvidas sobre isso. Espera-se que o Presidente Turco Erdogan seja o próximo a ter seus braços torcidos. Ele não é perdoado por assinar o acordo do Fluxo Turco com Putin, no ano passado. O relógio está correndo.

Fonte 

[1] „Turbulent past bundeskantslera“, Truth in Ukraine, 9. Februar 2015.

[2] „The Vox Conversation“, Vox.
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Starlet Sérgio Moro: nada imparcial, nada isento


As duas faces de Moro
Juiz da Operação Lava Jato tira a máscara e toma decisões de marcada influência político-partidária


Imparcial e isento são verbetes fáceis de ser encontrados em qualquer dicionário da língua portuguesa. Impossível é encontrar qualquer ser humano capaz de alcançar tais virtudes. Ela foi, todavia, usada às escâncaras nos últimos meses para brindar o juiz Sergio Moro, titular da 13ª Vara Criminal de Curitiba, no Paraná, comandante da Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014 pela Polícia e Ministério Público federais.

Moro promoveu um fato inédito no País ao mandar para a cadeia, em grande quantidade, gente influente e de dinheiro. Todos supostamente corruptos ou corruptores, enriquecidos com ilícitos em torno da Petrobras. Uma decisão elogiável. Em torno da decisão do magistrado, à semelhança do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, durante o julgamento do chamado “mensalão”, a ingenuidade e a malícia política fizeram brotar a esperança de ter sido resgatada a moralidade no Brasil. Aparentemente, surgira um magistrado preocupado unicamente em fazer justiça.

Doa a quem doer, era o que se podia traduzir de suas ações iniciais. Esse é um lado da moeda. Há o outro.

Não há mesmo neutralidade em nenhum ato humano. Assim, aos poucos, o jovem magistrado, 43 anos, já famoso, saiu da trilha judicial. Moro tem direito a pensar politicamente como quiser. Está impedido, porém, de contaminar as decisões profissionais com cores partidárias. Tirada a máscara, despontou um militante antipetista. A militância interferiu em várias decisões judiciais dele.

A mais recente foi o ataque ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Recebeu alguns advogados dos acusados da Operação Lava Jato. Para Moro, houve tentativa indevida das empreiteiras “de obter uma interferência política em seu favor no processo judicial”. Embora o ministro tenha feito uma trapalhada, ao esconder da agenda de trabalho a audiência aos advogados, fica claro que o juiz Sergio Moro fez outra.

Antes disso, o juiz fechou os olhos para um fato relevante. Um dos acusados, Pedro Barusco, no papel de delator, contou no depoimento que, como gerente-executivo da Petrobras, tinha recebido a primeira propina em 1997. Portanto, durante o governo de FHC. Isso foi sepultado pelos agentes policiais, pelos promotores e, por fim, pelo magistrado.

Eles, curiosamente, esqueceram. Da primeira propina, porém, os corruptos nunca esquecem. Não há espaço para falar dos vazamentos seletivos do processo, liberados em Curitiba. A mídia se esbalda. Há um grande painel dessas irregularidades que transformam suposições em fatos consumados e dão à delação premiada o caráter de fé pública. Curiosamente Moro deixou escapar um alerta. Ele próprio avisa: “As delações ainda carecem de provas”, mas contemporizou: “Elas estão parcialmente amparadas”. Uma contradição? Talvez “mea-culpa?” Qual o valor de provas “parcialmente amparadas”?

Do STF foi lançada a primeira indicação sobre os descuidos do magistrado. Tomou posição pública o irrequieto ministro Marco Aurélio Mello, após dizer que acompanhava “com incredulidade” as notícias da Operação Lava Jato. “No Brasil, exceção virou regra: prende-se para depois apurar.” Mello destacou a “condução coercitiva” de João Vaccari, tesoureiro do PT, que resistiu à convocação, mas não se recusou a depor. Contra isso, invocou a ironia: “A criatividade humana é incrível... eu nunca tinha visto nada parecido. E as regras continuam as mesmas”.


LEIA TAMBÉM:


Da coluna "Notas Vermelhas", no site Vermelho:

A manchete da página três de O Globo desta quinta-feira (19), "Moro denuncia ‘interferência’ ", é mentirosa. Para desmascará-la não é preciso muito esforço: basta ler a própria matéria. Os demais jornalões e veículos da mídia hegemônica, com poucas nuances, repetem a mesma mentira. 

A manchete de O Globo diz que Moro “denuncia interferência”. A interferência em questão seria a reunião de advogados de presos na operação Lava a Jato com o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso. Mas a própria matéria informa que o juiz Moro declarou que a reunião foi, em sua opinião, “uma indevida, embora malsucedida, tentativa dos acusados e das empreiteiras de obter uma interferência política em seu favor”.

Ou seja, o que Moro denunciou foi o que ele considera “uma tentativa de interferência”, que ele mesmo confessa ter sido malsucedida. Aí cabem duas indagações. O que leva um juiz a se queixar publicamente de uma interferência que não existiu, usando para isso um despacho que, em tese, só deveria tratar de assuntos ligados diretamente ao processo? A segunda indagação é: qual o objetivo de O Globo e da mídia hegemônica ao repercutir uma notícia tão destituída de conteúdo?

Ação combinada

Fica clara a existência de uma ação combinada. Talvez não explicitamente, mas tacitamente. O juiz divulga um documento onde aborda, no despacho de um processo (!), temas da conjuntura política, citando inclusive as declarações do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa contra o Ministro Cardoso. A mídia hegemônica repercute dando a falsa impressão ao público de que o juiz Sérgio Moro é um paladino da justiça, que resiste às pressões do “poder”. Está construída uma armadura emocional em torno do juiz, indubitavelmente no papel de um super-herói, e super-heróis não erram.

A ação combinada para a construção do mito é um (mau) sinal de que os rumos da Operação Lava a Jato parecem estar traçados a priori, independente de detalhes como a verdade e a justiça. Detalhes que podem ser ignorados por quem tem superpoderes. Defender a democracia é fundamental neste momento, pois golpe não se faz apenas com tanques. Membros do poder público, representando interesses reacionários em postos chaves do estado, em determinados momentos históricos, são instrumentos mais eficazes. E ficam extremamente envaidecidos por fotos coloridas em páginas nobres de jornais convenientes.

Mídia hegemônica quer a volta da Alca

Como a nossa mídia hegemônica é monolítica, não é coincidência o fogo cerrado que tem sido feito tentando pressionar o governo Dilma a renunciar a uma política externa soberana. Para os capachos de sempre é fundamental, por exemplo, ressuscitar a Alca, o que já é proposto abertamente. Em editorial desta quarta-feira (18) o jornal O Estado de S. Paulo é explícito. Para o veículo, é preciso negar o “terceiro-mundismo instalado no governo em 2003, início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

O Estadão usa, principalmente, argumentos no campo econômico para justificar sua posição: “Chile, Colômbia e México, assim como o Canadá, têm acordos de livre-comércio com os Estados Unidos, a maior economia do mundo”. Segue o mantra: “O Brasil continua fora desse clube. A decisão foi tomada pelo presidente Lula, quando resolveu, com o colega Néstor Kirchner, impedir a formação da Área de Livre-Comércio das Américas (Alca)”. O jornal gasta longas 125 linhas para defender o “abandono do legado diplomático” do presidente Lula. O professor Marcelo Pereira Fernandes, doutor em economia pela UFF e professor da UFRRJ, precisou de apenas vinte para humilhar o Estadão, em contribuição exclusiva ao Notas Vermelhas.

Marcelo reduz a pó argumentos do Estadão

Com a palavra o professor Marcelo Fernandes: “em 1994, quando a Alca foi anunciada, a hegemonia dos Estados Unidos era avassaladora. A abertura comercial e financeira dos países entrava no rol das políticas neoliberais que estavam sendo executadas com afinco na América Latina. Em 2005, quando a Alca foi enterrada, a conjuntura política e econômica era outra. Os Estados Unidos já não desfrutavam de tamanha hegemonia, o neoliberalismo fracassara como modelo de desenvolvimento e as duas principais economias latino-americanas, Brasil e Argentina, já não eram governadas por autoridades subservientes como nos anos 1990. Vale lembrar que no governo Fernando Henrique foi registrada uma das maiores humilhações da diplomacia brasileira quando em 2002 o ministro das relações exteriores, Celso Lafer, foi obrigado a tirar os sapatos em aeroportos norte-americanos em três ocasiões, em uma delas justamente quando buscava resolver um conflito comercial sobre exportações siderúrgicas. Evidentemente, a não concretização da Alca não teve qualquer efeito negativo sobre o Brasil que tanto a mídia alardeava. Por outro lado, durante o governo Lula o Brasil buscou diversificar seu comércio externo melhorando suas relações na África e Ásia e fortalecendo seus laços na América Latina. Esta política foi importante para mitigar os efeitos da crise financeira de 2008. De fato, o Brasil saiu-se razoavelmente bem da crise. O México, incrivelmente citado como exemplo pelo Estadão, no auge da crise em 2009 viu seu PIB retrair 4,7%. No Brasil o recuo foi de 0,3%. Em 2012 o Investimento Externo Direto no Brasil foi de US$ 76 bi. E no México??? US$ 15,5 bi! O México vive uma crise estrutural, econômica e social sem paralelo com o Brasil. Quando o Estadão usa o México como exemplo, só nos dá uma amostra do que tem em mente como projeto de nação”.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Revista da Editora Abril admite que Bolsa-Família impacta positivamente na Educação brasileira: "Dez anos depois do lançamento do programa, as estatísticas são animadoras"


Bolsa-família: mais alunos, menos pobreza
Como o programa e a frequência escolar obrigatória impactam o ensino

Camila Camilo (camila.camilo@fvc.org.br), de Araçás, BA. Colaboraram Anna Rachel Ferreira, de Itatira, CE, Bruno Mazzoco e Elisa Meirelles, de Tocantínia, TO

Nem todos sabem, mas o programa de assistência social mais popular do país tem forte relação com a escola pública. Quem recebe o Bolsa Família, cerca de 50 milhões de brasileiros, precisa cumprir certas condicionalidades. Algumas estão ligadas à Saúde, como fazer o pré-natal, manter a vacinação dos bebês em dia e garantir boa alimentação a eles. Outras obrigam famílias com renda per capita inferior a 77 reais a matricular os filhos na escola e garantir 85% de frequência para os de 6 a 15 anos e 75% para os de 16 e 17. O objetivo é focar a atenção no progresso e no bem-estar de crianças e jovens nascidos pobres, rompendo o ciclo de miséria entre gerações. 

Dez anos depois do lançamento do programa, as estatísticas são animadoras. As taxas de matrícula aumentaram cerca de 5,5% nos anos iniciais do Ensino Fundamental e de 6,5% nos finais, segundo o estudo The Impact of the Bolsa Escola/Familia Conditional Cash Transfer Program on Enrollment, Drop Out Rates and Grade Promotion in Brazil, dos professores Paul Glewwe, da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, e Ana Lucia Kassouf, da Universidade de São Paulo (USP). E o abandono escolar diminuiu. 

Em muitos casos, como o de Maria do Carmo Oliveira Alves - moradora de Itatira, a 212 quilômetros de Fortaleza, e mãe de sete filhos -, o dinheiro recebido é o que viabiliza a frequência escolar. "Antes, os meninos revezavam quem ia para a aula porque não tinha chinelo para todos. Os cadernos eram feitos com as folhas que sobravam dos vizinhos. Eu costurava os papéis e entregava para eles irem para a escola. Lápis também não sobrava, então eles eram repartidos ao meio." 

As análises acadêmicas sobre o Bolsa Família apontam que suas consequências não se restringem a classes mais cheias. O programa repercute também no desempenho dos meninos e meninas por ele atendidos. Em sua tese de doutorado defendida em 2012 na Universidade de Sussex, na Inglaterra, Armando Simões comprova que escolas com alunos beneficiários há mais tempo apresentam melhor desempenho na Prova Brasil do que as com estudantes contemplados há menos tempo. "As condicionalidades do programa geram uma rede de auxílio com efeitos de várias ordens. Do ponto de vista econômico, como o tempo e o dinheiro investido nas crianças são maiores, elas progridem." As mães, titulares preferenciais do cartão, passam a ter mais autonomia e dinheiro para os filhos. "Se a segurança financeira aumenta, é possível proteger a criança dos impactos de situações desfavoráveis como desemprego e seca." 

A fala do especialista retrata o que acontece com Joselita de Santana, mãe de três filhos e moradora de Araçás, a 106 quilômetros de Salvador. Ela está desempregada e o marido preso. A sobrevivência é garantida pelo Bolsa Família, usado para vestir as crianças, alimentá-las e comprar o que precisam para estudar. "Os dois mais velhos queriam mochilas de rodinha para levar os cadernos, comprei. Se precisam de livro para a escola, eu também compro. Não é porque me faltou oportunidade que eu não quero que eles tenham. Pelo contrário. Se dependesse só de mim, ele seria policial e ela veterinária, como sonham." 

De acordo com Simões, sua tese comprova que a Educação sozinha não reduz a pobreza, conforme dita o senso comum. Medidas a curto prazo, como a transferência de renda, são necessárias para chegar a efeitos de longo prazo. "Para a Educação levar à superação da pobreza, é preciso que ela seja enfrentada no presente, quando acontece." Em média, os beneficiários do Bolsa Família recebem 170 reais. No total, o país gasta 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) com o programa.

Autonomia e dignidade 

Outros aspectos, como a diminuição do trabalho infantil e o aumento da participação familiar nos estudos dos filhos, também são observados quando se analisa os dez anos de Bolsa Família. À medida que a frequência escolar é uma garantia de renda, as crianças não precisam se expor a trabalhos degradantes e mal remunerados. 

Nota-se também o aumento da percepção da Educação como motor para superação da miséria e transformação social. Uma das pesquisas sobre o tema resultou no livro Vozes do Bolsa Família (249 págs., Ed. Unesp, tel. 11/3242-7171, 40 reais). Os autores visitaram brasileiras beneficiadas no Maranhão, no Piauí, em Alagoas e em Minas Gerais. "Observamos que, libertas das necessidades mais elementares, muitas mães se dão conta de que estudar significa a possibilidade de conseguir um emprego mais qualificado e melhor remunerado", conta Alessandro Pinzani, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coautor da obra. "Todas prefeririam uma renda oriunda do trabalho com carteira assinada. Mas nem sempre há vagas na cidade e falta qualificação. Por isso, a esperança é que o filho estude e não precise viver de bicos ou doações, na situação de precariedade e insegurança que elas já passam." 
É o que acontece na casa de Maria Conceição Pereira Sobrinho, moradora de Itatira. Ela é mãe de Maria Amanda, estudante do 9º ano, e acompanha de perto a aprendizagem da adolescente. Estudiosa, a garota pretende concluir o Ensino Médio e conseguir uma bolsa para fazer faculdade de Fisioterapia. "Quero arrumar um bom emprego e ajudar minha família", conta. Além de lápis e caderno, Maria Conceição juntou parte dos 102 reais que recebe mensalmente e comprou um computador e uma enciclopédia para os trabalhos escolares da filha. "Todo o dinheiro do Bolsa Família vai para a Educação. Sabemos que para ter uma vida boa, ela vai precisar estudar bastante." 

Sua conterrânea, Maria de Lurdes Castelo tem nove filhos e também está atenta à evolução escolar de cada um. Prova disso é que ela fez questão de que todos cursassem não apenas o Ensino Fundamental mas também a Educação Infantil, mesmo sabendo que a faixa etária não entra nos parâmetros do governo para receber a bolsa.

Educação como direito 

Pinzani afirma que além dos aspectos econômicos, há outros, ligados ao ganho de direitos. À medida que os sujeitos se sentem capazes de atingir resultados, seu comportamento se transforma. É o caso de Tocantínia, a 72 quilômetros de Palmas. A cidade é cercada por uma reserva indígena em que vive 78% da população e a economia local gira em torno do Bolsa Família, do funcionalismo público e do artesanato do capim dourado. Domingas Pereira Lopes, mãe de três crianças, estudou até a 8ª série e tem na ponta da língua as condicionalidades do programa. "Dois dos meus filhos estão na escola e não deixo faltar. O pequeno eu levo no posto para vacinar, pesar e medir sempre e acompanho todos de perto." 

A exigência de direitos faz parte também do cotidiano do cacique Manuel Rkopê Xerente, morador da Aldeia Macauva Brukrãirê, localizada no município, e pai de três crianças beneficiadas pelo programa. "Meus filhos vão à escola na aldeia ao lado, mas as condições são ruins. Prometeram colocar teto e melhorar, mas não voltaram mais", reclama ele. "A gente vota e tem direito de cobrar." 

Diante do problema, muitos indígenas procuram as escolas da cidade, que tiveram de investir em infraestrutura e formação docente para dar conta da demanda. A chegada de alunos em defasagem impacta no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e exige mudanças - o que reforça a importância de as condicionalidades serem, também, um dever do poder público. "Se, com o Bolsa Família, a demanda por Educação e saúde aumenta obrigatoriamente, o Estado tem de oferecer bons serviços", lembra Simões. 

É bom, mas precisa melhorar 

Os efeitos do programa para uma parcela significativa dos brasileiros são praticamente incontestáveis. "Esses dez anos de Bolsa Família colocaram as vítimas da desigualdade social no foco, por isso o olhar para situações de vulnerabilidade mudou", aponta Daniel Ximenes, diretor do departamento de condicionalidades do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Por outro lado, a iniciativa precisa de aperfeiçoamentos antes de crescer. Um ponto importante é averiguar e fiscalizar quem é beneficiado. Há quem receba o valor mensal, mesmo sem ser o foco do programa. É o caso de uma moradora de Tocantínia. Ela e o marido são funcionários públicos e não oficializam a união para não perdem o direito à renda. 

Outro ponto de atenção é a necessidade de aprimorar o diálogo entre governo federal e municípios, que pode contar com os estados como interlocutores para a capacitação dos agentes e monitoramento do programa. Pinzani defende ainda uma melhor formação dos professores e dos agentes ligados à Educação. Segundo o especialista, raramente eles são orientados para lidar com as necessidades de um público tão carente. "É comum a incompreensão sobre essas crianças. Muitas não têm espaço em casa para estudar, são as primeiras da família a frequentar a escola e precisam de um olhar mais atento de quem lida diretamente com elas", destaca. Dar conta desses aspectos é fundamental para que esses meninos e meninas possam superar o ciclo de pobreza que atinge suas famílias e tenham um futuro melhor.



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Sem essa de impeachment, Por Jasson de Oliveira Andrade


O título deste artigo não é meu. É da analista política Eliane Cantanhêde, em artigo publicado no Estadão (11/2/2015). A jornalista é insuspeita porque seus artigos nesse jornal são de críticas contundentes, ferrenhas, ao governo Dilma.

O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, afirmou que o impeachment “não está na pauta do nosso partido, mas não é crime falar sobre o assunto, como fez o senador Cássio Cunha Lima [PSDB-PB]”, acrescentando que não vê hoje elementos jurídicos ou políticos para um pedido de impeachment”. Ao analisar, indiretamente, esse pronunciamento de Aécio, Eliane Cantanhêde escreveu no referido artigo: “Discutir o impeachment não é golpe (sic), mas a viabilidade prática e política do impeachment é praticamente nula (sic). Logo, essa discussão ou é diversão de arquibancada(sic) ou é jogo de cena (sic) da oposição ou ambas”. Adiante constatou: “Um processo de impeachment simplesmente incendiaria (sic) o País. E para nada (sic), porque o Congresso pode até esticar a corda, mas suas lideranças sabem muito bem diferenciar atos conseqüentes de aventuras (sic)”.

Na reportagem de Márcio Falcão (UOL FOLHA, 11/2/2015), sob o título “Para presidente da Câmara, “não há espaço” para discutir impeachment”, revela o pensamento dele: “Responsável por avaliar se um pedido de impeachment de um presidente da República é arquivado ou encaminhado aos parlamentares, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta quarta-feira (11) que “não há espaço” para discutir a saída de Dilma Rousseff. (...) “Eu sempre fui muito claro em relação a esse assunto [pedido de impeachment de Dilma] e vou continuar sendo. Não vejo espaço para isso. Não concordo (sic) com esse tipo de discussão e não terá meu apoiamento”, afirmou o peemedebista. (...) Cunha, um dos principais líderes do PMDB que tem o vice-presidente , Michel Temer, defendeu a legitimidade (sic) do governo da petista. Ele afirmou que dificuldades iniciais de um mandato não podem justificar (sic) uma saída pelo comando do país. (...) “Existe diferença muito grande de você ter qualquer tipo de divergência (sic) ou forma de atuar com independência. O governo está legitimamente eleito (sic). Não dá para você, no início do mandato, ter esse tipo de tratamento (sic) desse processo”, afirmou”.

Márcio Falcão publicou o trâmite necessário para se concretizar o impeachment. Vou reproduzi-lo para conhecimento dos leitores: “Para ser aprovado na Câmara, um pedido de impeachment tem que passar por uma comissão e ainda receber o apoio de 342 (sic) dos 513 deputados. (...) Na seqüência, o processo segue para o Senado, onde precisará de 54 (sic) dos 81 senadores. Após chegar no Senado, o pedido precisa ocorrer em até 180 dias, período pelo qual o presidente fica afastado do cargo”. Se o impeachment não tem apoio nem do presidente da Câmara, que declarou que não o acolherá, terá apoiamento de tantos parlamentares? NUNCA! Então, como diz Cantanhêde, SEM ESSA DE IMPEACHMENT!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu (fevereiro de 2015)

(PUBLICADO NA “GAZETA GUAÇUANA” EM 19/2/2015)

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Será que podemos avançar rumo a um mundo multipolar apesar da hegemonia na mídia?, Por Roberto Quaglia


Os Estados que estão lutando contra o imperialismo provavelmente não estão suficientemente conscientes da importância de ter meios de comunicação não-alinhados. Mas, obviamente, Rússia Hoje (Russia Today), Press TV, Telesur e Al Mayadeen são melhores para defender a liberdade do que outras armas. Pois é de fato sobre armas que estamos a falar.

A grande questão da geopolítica hoje é se estamos caminhando para um mundo unipolar, totalmente dominado pelos EUA (alguns americanos com orgulho e arrogância, chamam isso de "Dominância [predomínio, supremacia – NT] de Espectro [gama, grandeza – NT] Completo"), ou se estamos indo rumo a um mundo multipolar onde vários centros de poder coexistem.

Do ponto de vista econômico, o mundo já é multipolar: a participação dos EUA na produção bruta global é de cerca de 18% (dados de 2013) e está constantemente diminuindo. Em tais circunstâncias, como é que os Estados Unidos exercem tal dominação global? Seu enorme orçamento militar não explica tudo; Não se pode, na prática, bombardear todo o mundo...

A primeira ferramenta mágica que os EUA usam para dominar o mundo é o dólar. A palavra "magia" não é só uma hipérbole; o dólar é de fato uma criação mágica desde que a Reserva Federal [US Federal Reserve –equivale a um Banco Central dos EEUU – NT] pode criar quantidades ilimitadas em seus computadores, e o mundo vê esses dólares como tendo um valor efetivo, com segundas intenções: petrodólares. Isto torna extremamente fácil para os EUA financiar bilhões em "revoluções coloridas" e outras operações subversivas ao redor do globo. Basicamente, não lhes custa nada. Este é um dos problemas que precisam ser abordados para se atingir um mundo multipolar de qualquer tipo.

Outra super arma usada pelos EUA é sua infame dominação da mídia, uma hegemonia que é quase absoluta e cujas dimensões vão além da alcançada pela maioria dos analistas.

Hollywood é a mais fantástica máquina de propaganda jamais criada. Hollywood exporta, para bilhões de cérebros, os padrões de Hollywood para apreender a realidade, que incluem, mas não são limitados a, a forma como pensamos, nos comportamos, vestimos, o que comemos, bebemos, e até mesmo como expressamos nossa discordância. Sim, Hollywood é mesmo capaz de ditar precisamente como que devemos expressar nosso protesto contra o "modo americano de vida". Para dar apenas um exemplo (existem incontáveis), os dissidentes ocidentais freqüentemente citam o filme Matrix quando referindo-se a uma rede invisível que controla suas vidas; mas, até mesmo Matrix é parte da matriz –colocando dessa forma, um pouco comicamente. Essa é realmente a forma de Hollywood condicionar nossa compreensão de que vivemos em um mundo enganoso. Usando as alegorias feitas pelos Estados Unidos, seus símbolos e metáforas, fazemos totalmente parte do seu sistema, e estamos ajudando a torná-lo mais real.

Os EUA também controlam a grande mídia ao redor do mundo, pois a CIA infiltrou-se na maioria das redes de informações que realmente importam. Udo Ulfkotte, o jornalista que trabalhou por 17 anos para o Frankfurter Allgemeine Zeitung, um dos principais jornais na Alemanha, recentemente confessou em seu best-seller Gekaufte Journalisten ("Jornalistas Vendidos") ter sido pago pela CIA durante anos para manipular informações, e que isso é bastante comum na mídia alemã. Pode-se ter certeza de que este é também o caso em outros países. Esse controle geral sobre os meios de comunicação permite que os Estados Unidos façam o branco virar preto aos olhos do público. É particularmente impressionante ver como os meios de comunicação europeus controlados pelos EUA distorceram completamente os fatos durante a recente crise na Ucrânia. A junta de Kiev, infestada de nazistas, chegou ao poder em um golpe e pode bombardear e matar seu próprio povo por meses, enquanto os meios de comunicação ocidentais continuaram a retratá-los como "lo ado certo" – enquanto Putin era descrito como um "novo Hitler" sem que isso fosse jsutificado por qualquer fato.

Para entender como a dominação sobre a informação em si permite remodelar os fatos, devemos lembrar as palavras de Karl Rove em 2004, quando ele era Conselheiro de Segurança do Presidente George W. Bush: "Nós somos um império, agora, e, quando agimos, criamos nossa própria realidade. E enquanto você está estudando essa realidade – criteriosamente, como você o faz – nós agimos novamente, criando outras novas realidades que você pode estudar também; e é assim que as coisas se resolvem. Somos atores da história... e vocês, todos vocês, podem apenas estudar o que fazemos."

E como se isso não fosse suficiente, a maioria das informações que circulam hoje é processada por computadores que executam sistemas operacionais dos EU (Microsoft e Apple), e as pessoas – incluindo aquelas que se opõem os EUA – se comunicam entre si através de ferramentas controladas pela CIA como o Facebook, o Gmail, etc.

É precisamente esse quase monopólio sobre a informação que faz a diferença real. Então, mesmo que a importância econômica dos EUA tenha diminuido significativamente nas últimas décadas, o seu lugar na mídia paradoxalmente aumentou. Portanto, países que realmente visam estabelecer um mundo multipolar deveriam rever suas prioridades e começar a competir a sério com os EUA em termos de mídia, ao invés de se concentrar unicamente nos problemas econômicos. Hoje, poder é em grande parte uma questão de percepção, e, a este respeito, os EUA ainda são o mestre indiscutível. Não veremos um mundo multipolar real enquanto habilidades e recursos comparáveis aos dos Estados Unidos em questão de mídia não entrem em jogo.

Já existem alguns casos de mídia não-alinhada de excelente qualidade e cuja ambição é uma audiência global; os mais conhecidos são Rússia Hoje e Press TV [do Irã – NT]. Mas tudo isso é nada comparado com o tsunami permanente de áudio e vídeo, 24/7 [24 horas por dia/7 dias por semana – NT] de todas as mídias alinhadas espalhadas ao redor do globo. Rússia Hoje planeja abrir canais em francês e alemão. Isso é progresso, sim, mas ainda não é suficiente.

Realmente, não incomoda os EUA que outros países façam negócios sem eles; mas, eles começam a ficar irritados quando esses países usam uma moeda diferente do dólar para seus negócios, e ficam realmente loucos de raiva quando grandes ’redes de informação não-alinhadas’ aparecem no campo da mídia. O que é um pouco estranho já que ‘liberdade de imprensa’ é um ponto central da moderna mitologia dos EUA. Mas, todas as fontes de informação não-alinhados atacam o monopólio americano sobre a verdade. É por isso que eles absolutamente devem demonizar seus concorrentes e retratá-los como "anti-americanos" ou pior. Muitas vezes, jornalistas ou redes de informação não-alinhadas simplesmente refletem uma realidade não-americana, e não são necessariamente "anti-americanos". Mas, do ponto de vista do hegemônico EUA, qualquer informação não-EUA é por definição "anti-americana" pois a persistência do Império é baseada principalmente em seu monopólio da realidade percebida. Lembre-se das palavras de Karl Rove.

É por isso que os países não-alinhados que realmente querem um mundo multipolar não têm outra escolha mas aprender com os seus adversários e agir em conformidade. Além de criar sua própria mídia de última geração, eles também devem começar a apoiar significativamente a informação independente dos países onde a informação é atualmente dominada pelos EUA. Muitos jornalistas, escritores e pesquisadores independentes nos países ocidentais fazem seu trabalho principalmente pela paixão cívica e, muitas vezes, numa base de voluntariado, enquanto têm de enfrentar a ridícularização pública generalizada, a marginalização social e dificuldades econômicas. Difamados e caluniado nos seus próprios países, privados de qualquer ajuda de países que supostamente querem escapar da dominação estadunidense, não se pode falar de um começo muito brilhante se queremos acabar com o espectro da dominância completa dos EUA.

Não há nenhum, e não haverá nenhum mundo verdadeiramente multipolar sem a criação de uma escala verdadeiramente multipolar de pontos de vista. O império pós-moderno é principalmente um estado de espírito. Se nossa mente permanecer unipolar, o mundo permanecerá [unipolar] também.

Tradução 


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Enquanto isso, no guichê de atestado de "Brasileiro Honesto"... ( ficção )


Próximooo!

Paulo Estânio se aproxima do guichê. Até que enfim chegou sua vez. Essa burocracia...

Bom dia! Eu quero um atestado de "Brasileiro Honesto" para dar entrada no diploma de "Brasileiro Honesto"...

"Um minutinho", responde o atendente.

"Um minutinho?", pensa Paulo Estânio, "Aposto que esse 'minutinho' vai demorar uns dez minutos, tenho certeza disso..."

Trinta segundos depois, o atendente retorna e solicita:

Foto 3 x 4, formulário completo em 3 vias, testemunhas, atestado de bons antecedentes...

Mas eu não trouxe nada disso!!!, responde Paulo Estânio.

"Então", responde o atendente, "só posso atendê-lo quando o senhor cumprir estes requisitos...."

Ficando completamente irado e transtornado, Paulo Estânio sobe nas tamancas e passa um sabão no atendente. Eleva a voz e começa um chatérrimo discurso em voz alta sobre "a burocracia que atravanca o desenvolvimento e atrasa o progresso da Nação", pontuado por irritantes observações sobre o mastodontismo estatal.

Aquelas palavras inspiradoras foram a gota d'água para muita gente que mofava há horas naquela fila: a maioria resolveu voltar para casa. Amargar fila é uma coisa. Agora, encarar discurso...

Ao ver que seu discurso libertário não surtiu o efeito desejado - o efeito agregador de massas - Paulo Estânio decidiu que o lado dele ele ia resolver. Ele estava lá pra isso, afinal de contas:

Olha, meu chapa - disse Paulo Estânio ao atendente - a questão é a seguinte...

Pois não, senhor...

Se EU SOU UM BRASILEIRO HONESTO - e SOU EU quem está dizendo e atestando isso - você e essa merda de departamento têm mais é que acatar...

Oras, mas meu senhor...

"Oras", nada - prosseguiu Paulo Estânio - pois a questão é a seguinte: a palavra de um BRASILEIRO HONESTO é lei e, se um BRASILEIRO HONESTO testemunha em favor de algo ou alguém, esse alguém tem tudo a seu favor, sua conduta se torna irrepreensível. Ou seja: meu testemunho, na qualidade de BRASILEIRO HONESTO, é inquestionável!!! Se um indivíduo BRASILEIRO HONESTO diz que outro indivíduo é um BRASILEIRO HONESTO também, isso não deve ser objeto de questionamentos!! Eu sou minha testemunha, um BRASILEIRO HONESTO como testemunha da conduta de um BRASILEIRO HONESTO. Onde está o problema, afinal? Você não aceita a minha palavra? Até quando? Acorda, Brasil...

Senhor, isso parece meio que um sofisma, ou coisa parecida e...

"Sofismas", "falácias"... Essas palavras não significam nada mais que a sujeição da realidade concreta ao discurso abstrato e subjetivo e...

Olha, senhor, eu desisto!!!!! Sei lá o que vem a ser "discurso abstrato e subjetivo"... Tá aqui a via carimbada e o senhor está dispensado dos trâmites exigidos! Tenha um bom dia!!!

No carro, conversando - enquanto dirige - com um amigo pelo celular a respeito dos acontecimentos daquela manhã, Paulo Estânio confidencia:

Eu tava quase cedendo... Mais um pouco eu puxava "cenzão" pro cara, pra ver se ele agilizava logo a parada pra mim...

FIM

Nota do blog: No mundo nada se cria, tudo se copia. O texto acima é uma variação atualizada deste: http://ocorreiodaelite.blogspot.com.br/2013/05/enquanto-isso-no-guiche-de-atestado-de.html


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"No tolerancia, venimos a aniquilar"
Edificante frase motivacional grafitada por soldados israelenses em paredes de imóveis tomados como bases, durante a última guerra de Israel contra o Hamas, em janeiro, em Gaza, quando o Estado israelense cometeu inúmeros crimes de guerra. Saiu no El País.

"Você acha que os Estados Unidos foram um Estado fascista até 1945, quando tínhamos a mesma regra?"
Noam Chomsky
, em entrevista à Isto É, sobre as possibilidades de Hugo Chavez se reeleger infinitas vezes, o que alguns chamam de "caminho asfaltado para uma ditadura".


“Graças a Deus que nós conseguimos comprar aquele delegado babaca, que não sai do nosso pé.”
Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, traíndo o Segundo Mandamento

"Quero me pronunciar em termos práticos como cidadão, distintamente daqueles que se chamam antigovernistas: o que desejo imediatamente é um governo melhor, e não o fim do governo. Se cada homem expressar o tipo de governo capaz de ganhar o seu respeito, estaremos mais próximos de conseguir formá-lo."
Henry David Thoreau, A Desobediência Civil

"The torture never stops."
Frank Zappa, músico

"Além da nobre arte de fazer coisas, existe a nobre arte de deixar coisas sem fazer. A sabedoria da vida consiste na eliminação do que não é essencial."
Lin Yutang, filósofo chinês (1895-1976 )


" Nunca deve valer como argumento a autoridade de qualquer homem, por excelente e ilustre que seja...
É sumamente injusto submeter o próprio sentimento a uma reverência submetida a outros; é digno de mercenários ou escravos e contrário à dignidade humana sujeitar-se e submeter-se; é uma estupidez crer por costume inveterado; é coisa irracional conformar-se com uma opinião devido ao número dos que a têm...

É necessário procurar sempre, com compensação, uma razão verdadeira e necessária... e ouvir a voz da natureza"
Giordano Bruno


" (...) E depois, quando um astrônomo lhe disser que o que você viu não existe, lembre-lhe que cem anos atrás (1874) isso era o que os astrônomos diziam sobre meteoritos. (...)"
Ralph Blum e Judy Blum, em "Toda a verdade sobre os discos voadores" , Edibolso , 1974

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